segunda-feira, 31 de maio de 2010

Presidente da Capes: iniciação científica é responsável pelo avanço na pós-graduação e pesquisa brasileiras

A universidade brasileira, a pós-graduação e a pesquisa foram temas de debate, na última sexta-feira (28), durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília (DF). Na ocasião, o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, disse que apesar dos enormes avanços na área da pós-graduação e da pesquisa, a educação básica no país deixa a desejar.

Para ele, a iniciação científica é um dos elementos responsáveis por esse avanço. “Foi um conjunto de iniciativas e entre elas a iniciação científica que possibilitou o avanço da pós-graduação e da pesquisa. A educação básica é uma preocupação atual dos nossos melhores cientistas, não podemos mais deixá-la de lado”, afirmou Guimarães.

O presidente da Capes elencou alguns dos instrumentos que considera de força no país na consolidação dos avanços, além da iniciação científica, como a Plataforma Lattes do CNPq, a cooperação internacional, a criação da pós-graduação brasileira, a consolidação dos grupos de pesquisa da Plataforma Lattes e o Portal de Periódico da Capes, que possui mais de 22 mil revistas, 130 bases de dados, 100 mil teses e 150 mil livros.

“Tudo isso foi feito porque foi possível introduzir em um consórcio o papel que tem as universidades e os centros de pesquisa. Obviamente para termos formação de novos pesquisadores, precisamos ter novos pesquisadores e doutores. E para formar os doutores precisamos ter a experiência que leva à consolidação dos cursos de pós-graduação, sobretudo o doutorado”, frisou Guimarães.

Durante sua participação, o presidente da Capes falou da elaboração de um documento, com informações da Capes e do CNPq, que dão um retrato atual da cena da pós-graduação brasileira, dividindo os cursos de pós-graduação em função do tamanho dos cursos de doutorado.

Foram quatro grupos, sendo que o primeiro abrange áreas com mais de 20 doutorados, compreendendo 61% do processo de formação de novos doutores. O segundo grupo com 26 cursos, correspondendo a 33% e formando 29% dos doutores. Já o terceiro e quarto grupo são a preocupação, segundo Guimarães, porque juntos compõem 31 cursos, correspondendo a quase 40% das áreas, mas formando um número baixo de doutores, menos de 7%.

Para ele, esse número não seria um problema se não estivessem incluídas áreas como engenharia agrícola, urbanismo, ciência da computação, engenharia biomédica, engenharia sanitária, microbiologia, planejamento urbano, astronomia, e muitas áreas das engenharias, como espacial, minas, nuclear, transporte, oceânica. “As engenharias são uma preocupação muito grande, não do ponto de vista qualitativo, mas pelo quantitativo”, concluiu.

Fonte: Isadora Lionço /Gestão CT

Cientista indica fatores que emperram a inovação no país

A manutenção de modelos de negócios existentes está entre os principais empecilhos para a expansão da cultura de inovação no Brasil. A avaliação é do cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Sílvio Meira, que participou do painel "Institutos de Pesquisa: Novos Paradigmas", realizado na última sexta-feira (28), na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília (DF).

Para Meira a dificuldade em encontrar novos nichos de mercado e fazer inovação propriamente dita são realidades não só das universidades, como também dos institutos de pesquisa. E isso, para ele, é resultado do cenário brasileiro, em que poucas empresas competem globalmente. “Para convencer uma empresa que ela precisa fazer inovação é preciso utilizar a linguagem que elas entendem, ou seja, explicar que fazer inovação é emitir mais e melhores notas fiscais”, disse.

O cientista destacou também que raríssimas pesquisas realizadas dentro do território brasileiro hoje criam novos modelos de negócios e boa parte da criação não é sustentável a longo prazo. Exemplo citado foi a Petrobras, que na avaliação de Meira embora utilize processos com alto teor de tecnologia para extrair petróleo em águas profundas, não gera novos negócios, apenas aprofunda o modelo atual.

“Se a gente não quiser ser repetitivo precisamos de investimento de muito maior risco em novos modelos. Sem capacidade de investimento para criar novos padrões que mudem radicalmente o comportamento de agentes como consumidores e fornecedores no mercado, nós dificilmente vamos ter o grau de empreendedorismo e de empreendimentos que precisamos” disse.

Sílvio Meira também destacou que o Brasil ainda é um país sustentado na cultura de commodities. Ele sustentou sua tese em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que há mais de uma década produtos e serviços com alto valor tecnológico agregado perdem porcentagem no total de exportação.

Segundo os números apresentados, enquanto em 2008 o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu cerca de 5%, o PIB Industrial aumentou apenas 0,8%. O setor de eletroeletrônicos teve um prejuízo de US$ 15 bilhões na balança comercial do ano passado e o déficit do segmento para este ano é da ordem de US$ 25 bilhões de dólares.

“Isso mostra as vantagens que a gente tem tirado a favor das commodities. Há uma sistemática perda do conhecimento tecnológico dentro do Brasil. E esse é assunto que poderia ser resolvido se a gente tratasse com mais competência as cadeias de valor de conhecimento nos negócios”, avaliou.

Ele também apresentou dados de uma pesquisa anunciada recentemente sobre o uso das redes sociais. O estudo apontou que 98% dos brasileiros sabem que o orkut existe, seja usuário ou não. Em segundo lugar está os Estados Unidos, com 92% da população. Noventa e cinco por cento dos brasileiros que utiliza a internet faz uso de pelo menos uma rede social. Nos EUA esse número é de 84%.

“Nem no setor em que somos os maiores usuários proporcionais conseguimos gerar, a partir de conhecimento em estado bruto que existe nas universidades, o conhecimento prático que deveríamos ter no mercado para incentivar uma nova cadeia de valor, que gere mais e melhores negócios”, concluiu.

Fonte: Cynthia Ribeiro / Gestão CT

UNICAMP: Novo supercomputador

Campinas terá novo supercomputador
Um computador de alto desempenho com 1.280 nós de processadores Power 7 IBM e capacidade de processamento de 37 teraflops (trilhões de operações de ponto flutuante por segundo) entrará em operação até o fim deste ano no Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho em São Paulo da Universidade Estadual de Campinas (Cenapad-Unicamp).

Adquirido com recursos disponibilizados pela FAPESP, o equipamento de US$ 1,35 milhão multiplicará por 25 a atual capacidade de processamento da unidade. Permitirá maior poder de processamento e aumentará o número de pesquisadores atendidos nas mais diversas áreas do conhecimento que necessitem da computação de alto desempenho.

Conhecido pelo uso democrático de seus equipamentos, o Cenapad-Unicamp já auxiliou mais de 700 trabalhos científicos desde 1998, quando os dados começaram a ser registrados.

Nesse período, 102 dissertações de mestrado, 91 teses de doutorado, 772 artigos em revistas internacionais e mais de 400 apresentações em congressos continham resultados processados em seus computadores.

O centro faz parte do Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que reúne oito centros espalhados pelo país. Entre eles está o do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-Inpe), que também adquiriu recentemente outro supercomputador com apoio do MCT e da FAPESP.

A rede nacional disponibiliza os recursos computacionais da unidade de Campinas a todo o país. “Cerca de metade dos nossos usuários são de fora do Estado de São Paulo, o que mostra que a FAPESP ajuda o Brasil com a computação de alto desempenho”, disse Edison Zacarias da Silva, coordenador do Cenapad-Unicamp.

O atual computador do centro, uma máquina da Silicon Graphics, foi adquirido em 2004 por US$ 390 mil, também com apoio da FAPESP. Em 2008, ela já tinha sido utilizada em mais de 200 trabalhos de pesquisa.

“Apresentamos esses números à FAPESP explicando que a máquina já estava no limite de seu uso”, contou Silva. A equipe do pesquisador submeteu uma proposta de aquisição de um novo equipamento à FAPESP, por meio de um Auxílio à Pesquisa – Regular, que foi aprovada.

Com o apoio confirmado, o Cenapad-Unicamp convidou fabricantes para apresentar propostas de computadores a partir de 22 teraflops de capacidade de processamento. Uma das empresas se propôs a fornecer equipamentos de 27 teraflops pelo valor estabelecido.

A Unicamp então fez uma segunda chamada convidando os fornecedores a aprimorar as ofertas. Foi quando a IBM ofereceu uma máquina de 37 teraflops e que melhor se enquadrava no perfil de equipamento solicitado pelo Cenapad, pelo montante aprovado. “O valor desse equipamento no mercado é muito maior. A oferta da IBM consiste em uma parceria”, explicou Silva.

O professor estima que o novo sistema integrará o ranking Top 500, que reúne os principais supercomputadores do mundo. Outros componentes ajudam a potencializar a capacidade da máquina do Cenapad-Unicamp. É o caso de seis placas GPU (unidade de processamento gráfico) que, juntas, correspondem a uma performance de 6,18 teraflops.

O supercomputador conta ainda com arquitetura de memória compartilhada, o que otimiza o processamento de dados e aumenta a velocidade.

Os processadores Power 7 empregados têm capacidade três vezes maior do que os do tipo Xeon. Isso significa que os 1.280 nós de processamento Power 7 equivalem a 3.840 processadores convencionais.

Todos esses recursos devem potencializar os serviços de apoio a pesquisas, dos quais Silva muito se orgulha. “Desde quando começou, em 1994, Cenapad-Unicamp nunca parou e se mantém disponível 24 horas por dia, sete dias por semana”, afirmou.

Uso multidisciplinar
Com 120 projetos de pesquisa em andamento e 271 possíveis usuários na lista de espera, o Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho em São Paulo da Universidade Estadual de Campinas auxilia qualquer área da ciência que trabalhe com grande quantidade de dados e necessite de processamento de alto desempenho.

A unidade auxilia projetos de física, química, engenharias, genômica, astronomia e várias outras áreas, com destaque ultimamente para as nanociências.

A qualidade dos serviços prestados tem aumentado a demanda pelos serviços, segundo Silva. “Os computadores com o banco de dados do Programa Biota-FAPESP, por exemplo, estão sendo transferidos e ficarão hospedados no centro”, disse Silva.

Para utilizar a infraestrutura computacional do centro, o pesquisador deve estar vinculado a uma instituição de pesquisa e apresentar um projeto. O documento é analisado por assessores, entre os quais estão usuários do Cenapad.

Uma vez aprovado, o usuário recebe determinado tempo de computação na forma de créditos. Conforme a sua produção científica, mais créditos podem ser liberados para que o projeto de pesquisa avance. “Cobramos relatórios periódicos para avaliar a produção de cada usuário”, explicou Silva.

Todo o acesso é feito de maneira remota a partir da instituição de pesquisa do usuário. O projeto é colocado em uma fila e, assim que os dados são processados, o pesquisador responsável recebe um e-mail de aviso a fim de que possa recolher os resultados.

“A nova máquina irá não apenas aumentar a velocidade desse processo como permitir o acesso de muitos outros usuários”, disse Silva. Segundo ele, o supercomputador deverá ser o segundo mais poderoso do país destinado ao uso exclusivo e aberto da pesquisa acadêmica.

Fonte: Fábio Reynol /Agência FAPESP

Produção científica e tecnológica determina riqueza das nações, afirma pesquisador

A riqueza das nações está determinada pela produção científica e tecnológica. A idéia foi apresentada pelo pesquisador Eduardo Albuquerque, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (Cedeplar), durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada de 26 a 28 de maio, em Brasília (DF).

Albuquerque usou como exemplo a Coréia do Sul, onde, segundo ele, a ciência e tecnologia avançam juntas, crescendo simultaneamente à produção científica e tecnológica. Já em relação ao Brasil, o pesquisador diz que o país não está fazendo o movimento de superar seu desenvolvimento.

“Estamos nos movimentando numa velocidade que apenas nos mantém à distância do limiar, que é constante. Não estamos andando para trás, mas também não estamos acelerando essa movimentação”, disse.

De acordo com Albuquerque, para que o país avance é necessário fazer uma inflexão. “O movimento que a Coréia do Sul fez não é só ter mais patente e artigo. É ter patente de qualidade e muito melhor”.

Fundos Setoriais
Para ele, desde a criação dos fundos setoriais, em 1998, nota-se no Brasil uma mudança de inflexão em termos de produção científica e tecnológica, conseqüência da maior estabilidade, do montante de recursos, e da segurança e confiabilidade.

Corroborando da mesma idéia, João Alberto de Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), disse que os recursos dos fundos setoriais devem ser utilizados em novas propostas, e não mais para se fazer o mesmo.

“O desenvolvimento industrial brasileiro precisa fazer com que as empresas façam processo de diversificação da sua produção, ampliando as suas competências em direção ao segmento de maior intensidade tecnológica, de maior agregação de valor”.

Fonte: Isadora Lionço / Gestão CT

Obesidade e hipertensão em indígenas

Um inquérito nacional sobre a saúde e nutrição dos povos indígenas aponta um aumento nos casos de obesidade, hipertensão arterial e diabetes.

Segundo o Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas, coordenado por pesquisadores da Fundação Nacional Oswaldo Cruz (Fiocruz), também são elevadas as prevalências de desnutrição em crianças e de anemia em mulheres e crianças.

O estudo apresenta uma radiografia das condições de vida dos povos indígenas, que representam menos de 1% do contingente populacional brasileiro, e indica uma mudança no perfil epidemiológico-nutricional.

A tuberculose se destacou como uma das mais importantes causas de morbimortalidade indígena em todo o país, em geral apresentando coeficientes de incidência superiores aos observados na população brasileira geral.

Outra doença que preocupa é a malária, que atinge principalmente as populações indígenas situadas na região Norte, no oeste do Maranhão e no norte do Centro-Oeste.

O estudo chama a atenção para as condições ambientais favoráveis à transmissão de parasitas e microrganismos veiculados pela água e alimentos contaminados, que resultam em elevadas taxas de morbimortalidade por gastroenterites. Cerca de 60% das mortes em crianças com menos de um ano tem relação com o problema.

Uma em cada três crianças indígenas sofre de desnutrição, segundo o inquérito. Na região Norte, as prevalências foram de mais de 40%. Ao se olhar para outros parâmetros nutricionais, como a anemia, os índices ultrapassam os 50%.

Uma das explicações, segundo os pesquisadores, são as drásticas transformações nos estilos de vida associadas ao contato e à proximidade com os problemas típicos das grande cidades. O estudo verifica ainda tendência à redução na frequência e intensidade de atividades físicas, como decorrência de alterações importantes nas estratégias de subsistência e nos padrões de assentamento.

De acordo com a Fiocruz, os resultados do inquérito aprofundam e ampliam o conhecimento sobre saúde indígena no Brasil e os dados poderão subsidiar estratégias e políticas de saúde.

Consumo de Álcool e Drogas entre Agressores Sexuais

A Universidade de São Paulo (USP) realizará nos dias 11 e 12 de junho o 1º Simpósio Consumo de Álcool e Drogas entre Agressores Sexuais: perspectivas internacionais, em São Paulo (SP).

O evento é organizado pelo Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Haverá palestras e mesas-redondas. “O que devemos fazer com os agressores sexuais” será o tema da abertura, com Douglas P. Boer, da Universidade de Waikato, na Nova Zelândia.

“Adolescentes agressores sexuais: tipologias e métodos de avaliação”, “Consumo de álcool e outras drogas entre agressores sexuais” e “Questões éticas no tratamento de criminosos sexuais” serão temas abordados no encontro.

O simpósio será realizado no Anfiteatro do IPq, localizado na rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 785, Jardim Paulista, São Paulo, próximo ao metrô Clínicas.

Mais informações: www.grea.org.br/agressores_sexuais

Fonte: Agência FAPESP