sexta-feira, 28 de maio de 2010

Método de texturização de metais desenvolvido no Brasil chama a atenção de multinacionais

Uma nova técnica de texturização de metais desenvolvida no Brasil está representando um avanço em várias etapas da indústria automobilística, espacial e até na fabricação de próteses e implantes.

Existem pesquisas que demonstram que os mancais hidrodinâmicos podem ser menores e com maior capacidade quando se tem texturas. “E o problema é como se fabricar texturas de forma econômica. É aí que entra a nossa nova tecnologia”, explica João Fernando Gomes de Oliveira, presidente do IPT e professor titular da Escola de Engenharia de São Carlos.

A técnica desenvolvida faz parte de projetos de doutorado de Thiago Valle França e de iniciação científica de Alex Camilli Bottene, orientandos de Oliveira, e consiste na impressão da superfície de rebolos de uma forma em que a cinemática de contato corrija a absorção e imprima as texturas conforme o projeto.

“Utilizamos um método acústico que permite a criação de uma imagem da superfície de um rebolo. Aí conseguimos desenvolver ferramentas que demonstram a superfície tridimensional do rebolo. Então viabilizamos a tecnologia”, descreve Oliveira.

Segundo ele, todo o processo acontece em alta velocidade. “O grande desafio para nós foi essa etapa. Já que todo o processo acontece em velocidades entre 20 m² e 120 m². É como se eu fosse pedir para verificar se o pneu do carro está com o diâmetro, sem parar o carro”, observa o professor.
O que o grupo de pesquisa fez foi introduzir uma vibração controlada durante a dressagem. A ferramenta de diamante penetra e sai do rebolo em intervalos de tempo predeterminados e controlados por um software. O resultado é a impressão de microgeometrias na superfície do disco abrasivo.

As microssaliências passam à superfície da peça que o rebolo usinar, formando microssulcos. Essas pequenas reentrâncias fazem o material usinado absorver melhor o óleo lubrificante e mantê-lo na superfície, melhorando seu desempenho e o rendimento da retificação.

Segundo ele, atualmente as empresas pressionam os mancais para suportar o processo. O eixo virabrequim de um automóvel, por exemplo, tem as suas dimensões calculadas com o objetivo de manter um filme de óleo em sua superfície, a fim de permanecer sempre lubrificado.

Se a lubricidade do eixo é aumentada, suas dimensões podem ser reduzidas, o que poderá ser muito útil para a indústria automotiva. "É importante salientar que o virabrequim representa mais de 50% da massa total das peças móveis internas em um motor", diz Oliveira.

O professor ressalta que, com um virabrequim mais leve, o motor precisará de menos energia para acelerar, gerando economia e melhorando o seu desempenho. “A texturização gera grandes ganhos que vão desde a economia de materiais, de energia, por exemplo. A técnica permite que não haja maior dissipação de energia e também menos poluentes”, observa.

A tecnologia proporcionaria economia e melhoria de desempenho também para a área da aviação, já que as turbinas de aviões também contam com mancais hidrodinâmicos e os benefícios levados aos motores automobilísticos poderão ir para as aeronaves, pois o peso dos componentes é muito importante na aviação.
Um detalhe importante é que a impressão não altera a geometria da peça e não compromete a sua funcionalidade, características preponderantes para a usinagem de peças que exigem precisão.

A inovação está chamando a atenção de grandes empresas multinacionais como, por exemplo, o grupo Saint Gobain que recentemente adquiriu a Norton, voltada a rebolos e lixas. “Querem testar a técnica nos laboratórios dos EUA, em Massachusetts”, revela Oliveira.

Ele reconhece, no entanto, que a disseminação da técnica ainda depende do reconhecimento das indústrias. “Em primeiro lugar, precisamos convencer a indústria de máquinas e ferramentas da viabilidade para depois oferecermos à indústria automotiva”, afirma.

Segundo ele, a técnica já foi patenteada. “Já entramos para os anais da Academia Internacional de Engenharia de Produção das maiores inovações de pesquisas de manufatura do ano”, revela Oliveira.

A pesquisa incluiu uma cooperação de trabalhos com a Universidade de Hannover, na Alemanha. Na universidade alemã, a texturização, no entanto, é feita por meio de outros processos, como torneamento e fresamento enquanto que o processo brasileiro envolvendo a retificação ainda é inédito. Por isso, já foi feito um pedido de depósito de patente do processo de dressagem do rebolo.

Por enquanto, as empresas são obrigadas a utilizar métodos bem mais caros para executar a texturização, como lasers e eletroerosão. A troca por um processo de fabricação mais barato poderá refletir no preço dos produtos.

"Uma das aplicações da texturização é a confecção de próteses metálicas que precisam apresentar texturas que combinem com a de ossos e músculos", disse Oliveira. Esse é mais um campo que poderá se beneficiar da tecnologia desenvolvida em São Carlos.

Fonte: Rosa Symansk / IPESI

FINEP + BNDES: Investimentos para a área de C, T&I somam R$2,5 bilhões

Em 26 de maio, no primeiro dia da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi anunciado um pacote de investimentos para a área de C, T&I. Ao todo, deverão ser disponibilizados pela Finep até R$ 2,5 bilhões em programas de cooperação com o BNDES e em chamadas públicas voltadas para universidades, instituições de ciência e tecnologia e empresas.

Na próxima semana, a agência do Ministério da Ciência e Tecnologia vai lançar quatro chamadas públicas. Duas delas, no total de R$ 130 milhões, vão apoiar projetos tecnológicos e de capacitação de laboratórios para atender os desafios do pré-sal. Outros dois editais, que somam R$ 120 milhões, são para criação, ampliação e melhoria da infraestrutura da pesquisa científica e tecnológica em universidades públicas e privadas.

Outra novidade anunciada por Lula é a realização de uma parceria entre a Finep e o BNDES que permitirá a ampliação dos recursos destinados à inovação em empresas e instituições de ciência e tecnologia. A Finep receberá R$ 750 milhões do BNDES para financiar projetos de inovação nas empresas que se enquadrem nas linhas do PSI (Programa de Sustentação ao Investimento), que trabalha com taxas de juros subsidiadas. Até o final de julho, as duas agências também vão finalizar os detalhes de um programa de cooperação que prevê investimentos de até R$ 1 bilhão, nos próximos três anos, para o desenvolvimento de tecnologias e novos produtos na área do bioetanol.

Lula também anunciou o novo edital de subvenção econômica à inovação que será lançado pela Finep até o final de julho e ainda uma chamada pública com R$ 50 milhões do programa Pró-Inova. Em parceria do Ministério da Ciência e Tecnologia, CNI e MEI - Mobilização Empresarial para Inovação, o edital vai apoiar a estruturação e operação de ações que viabilizem a elaboração de planos e projetos de gestão da inovação nas empresas brasileiras.

Fonte: Finep

Propriedade intelectual x Ciência como bem comum

O princípio da propriedade intelectual é inaceitável para compor o projeto de sociedade sustentável. A polêmica idéia foi defendida por Cândido Gzybowski, sociólogo e diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Ele foi um dos participantes da plenária “O papel da CT&I na redução das igualdades sociais e na inclusão social, realizada hoje (28), durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), em Brasília (DF).

“É inviável pensar ciência como um bem comum e termos propriedade intelectual. Nas condições que se dá hoje, a ciência é um instrumento de exclusão”, constatou.

O diretor acredita que a condição ética da ciência e tecnologia devem ser modificadas e assumir o caráter de bem comum. Para ele, C&T são partes de um patrimônio cultural de uma coletividade e a finalidade de uma empresa deve ser repensada, pois seu objetivo não é produzir ciência como um bem público.

“A idéia é produzir um bem com valor de mercado que tenha consumidores e com isso acumular. O processo, o de sempre ter mais, é o mesmo que cria desigualdade, exclusão social e destruição ambiental”, analisou. Para ele, a idéia do monopólio da propriedade intelectual está relacionada à geração de riqueza concentrada.

O diretor do Ibase atentou para o fato de que a mudança de paradigma é premissa básica para que a CT&I contribuam para a redução das desigualdades e para a inclusão social. Segundo ele, sociedade atual é orientada por um modelo de desenvolvimento produtivista predador, que está a serviço da captura de lucro e não das necessidades humanas. “A expansão científica e tecnológica não conseguiu garantir a todos os seres humanos um padrão de vida mais elevado”, afirmou. Ele defendeu a radicalização da economia como condição essencial para a superação das desigualdades.

“A idéia é passar de uma civilização industrial e produtivista para uma biocivilização implica uma verdadeira revolução. Precisamos transformar nossas idéias, modos de pensar os sistemas políticos, econômicos, científicos e técnicos que sustentam a idéia de desenvolvimento. Aliás, o desenvolvimento é o problema. Precisamos de alternativas ao desenvolvimento”, propôs.

As estruturas de C&T, como parte do modelo de desenvolvimento desta civilização, propôs o especialista, devem ser repensadas com urgência, pois o modo operacional tem servido como pano de fundo para alimentar a idéia do progresso sem limites, condição que resulta em desigualdade, exclusão social e destruição ambiental.

Fonte: Tamara Costa Gestão CT

Presidente da Fapemig: arcabouço legal é entrave para financiamento público-privado no país

O Brasil tem um desenvolvimento científico de destaque, ocupa a 13ª posição no ranking de produção de ciência no mundo, mas ainda enfrenta um grande obstáculo, o arcabouço legal e os órgãos de controle. O argumento é do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Mario Neto Borges.

Durante sua participação na sessão “Estratégias e Padrões de Financiamento Público e Privado”, realizada ontem (27), como parte da programação da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília (DF), Borges sugeriu que a lei nº 8666 (Licitações e Contratos) seja substituída por um arcabouço apropriado para se tratar de ciência, tecnologia e inovação.

“Quando se faz pesquisa científica não se sabe o que terá no final e nem quanto tempo irá gastar para se chegar lá. Então não se pode querer aplicar a legislação que foi feita para a construção civil, ponte, obra, para a ciência, tecnologia e inovação. Esse é o maior impedimento para o financiamento público e privado”, destacou.

De acordo com ele ele, para atingir o avanço, principalmente do ponto de vista do financiamento público- privado, é preciso mais recurso. Hoje o Brasil está próximo a 1,2% do PIB, mas ainda encontra-se longe dos Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul, por exemplo.

Em relação ao financiamento público, o Brasil não está num patamar tão distante daqueles países, mas quando se trata da participação do setor privado, a situação se inverte. “O Brasil está muito longe, com 0,5%, enquanto Japão e Coréia tem 2,1%”, disse Borges.

O presidente da Fapemig ressaltou a importância do salto do financiamento, passando para 2% do PIB. Para tanto, ele diz ser preciso consolidar o sistema de ciência, tecnologia e inovação, melhorar a parceria entre os institutos de pesquisa e as empresas, assim como também considera fundamental que o Estado tenha um papel importante nesse processo.

Nesse sentido, Borges elencou alguns elementos que considera como estímulo, a exemplo do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que faz subvenção direta às empresas, por meio da Finep; o poder de compra do Estado que, segundo ele, é pouco utilizado; e incentivos fiscais da Lei do Bem que está permitindo que essas empresas superem a burocracia e a questão da dificuldade administrativa e façam o open innovation.

Fonte: Isadora Lionço / Gestão CT

Lei nº 8.666: mudança criará regime especial de compras para o sistema da pesquisa

O ministro da C&T, Sergio Rezende, concedeu entrevista coletiva à imprensa nesta sexta-feira (28), durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília (DF), e disse que a lei nº 8.666 (Licitações e Contratos) precisa ser revista.

“Um pesquisador quando precisa comprar um determinado material para suas experiências, ou de consumo, ou um determinado equipamento, tem uma necessidade específica. Só que essa compra é regida pela lei nº 8.666, a mesma que rege a compra pelo setor público para qualquer outra atividade”.

De acordo com ele, essa é uma dificuldade encontrada pelo pesquisador brasileiro em relação a outros países. Na ocasião, Rezende disse que o MCT está propondo, por meio de uma medida provisória, colocar um artigo que cria um regime especial de compras para o sistema de pesquisa. “Estamos fazendo isso atendendo a uma proposta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da Academia Brasileira de Ciências”.

Empresas
Questionado sobre a falta de investimentos do setor empresarial na pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), Rezende disse que o setor não tem essa cultura, quadro que considera estar sofrendo mudanças por conta da Lei da Inovação e da subvenção econômica para as empresas. “Na subvenção econômica o governo divide com a empresa o risco da inovação. Além disso, o próprio setor empresarial tem hoje alguns movimentos importantes para disseminar a cultura da PD&I, que estão transformando esse cenário”, concluiu.

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TCU: prorrogada vinculação de universidades a fundações de apoio à pesquisa

Fonte: Isadora Lionço / Gestão CT

TCU: prorrogada vinculação de universidades a fundações de apoio à pesquisa

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um acórdão, prorrogando até dezembro deste ano, a concordância de que as universidades continuem trabalhando com as fundações de apoio à pesquisa. A informação foi dada pelo ministro da C&T, Sergio Rezende, hoje (28), durante coletiva de imprensa na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília (DF).

O TCU havia proibido que as fundações de apoio continuassem tendo o papel de administradoras dos recursos das universidades. Segundo Rezende, quando o último acórdão foi aprovado, o MCT entrou com recurso formal solicitando a revisão daquela decisão.

“Essa decisão do TCU nos dá tempo para que possamos aprovar no Congresso Nacional uma medida provisória, que está sendo preparada com o apoio do presidente Lula, que vai resolver a questão definitivamente”, disse.

De acordo com Rezende, essa medida provisória vai complementar a lei que disciplinou a vinculação das universidades com as fundações de apoio à pesquisa. “Vai legalizar dentro de certos parâmetros e critérios, como por exemplo, somente aquelas fundações que sejam credenciadas pelo MCT e pelo Ministério da Educação poderão atuar junto às universidades”, completou.

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Lei nº 8.666: mudança criará regime especial de compras para o sistema da pesquisa


Fonte: Isadora Lionço/ Gestão CT

Coppe lança ônibus a hidrogênio com tecnologia nacional

O transporte urbano do futuro

O primeiro ônibus a hidrogênio do Brasil com tecnologia 100% nacional foi lançado, nesta quarta-feira, dia 26 de maio, em evento realizado no Rio de Janeiro. O veículo, desenvolvido pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós- Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) em parceria com a Fetranspor e com as secretarias municipal e estadual de transportes, circulará nas ruas do Rio a partir do segundo semestre de 2010.

O lançamento reuniu dirigentes de empresas privadas e estatais, representantes de governo e de instituições financeiras, entre outros agentes necessários para que o projeto seja viabilizado, modernizando o transporte da cidade e tornando o meio ambiente mais limpo e sustentável.

Considerado a evolução do transporte urbano, o ônibus conta com financiamento da Finep, Petrobras, CNPq e Faperj. Segundo a secretária de Estado do Ambiente, Marilene Ramos, que representou o governador Sérgio Cabral na cerimônia, o ônibus “representa a possibilidade de fazer a reconciliação entre o transporte público e o meio ambiente, oferecendo à cidade coletivos menos poluentes e ruidosos”. Para o diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, o veículo atende perfeitamente à intenção da instituição de unir as questões energéticas com as mudanças climáticas.

O desafio inicial do ônibus será o Challenge Bibendum, rali promovido pela Michellin, entre os dias 30 de maio e 2 de junho, no Riocentro, no Rio de Janeiro. Em julho, o coletivo circulará na Cidade Universitária, transportando professores, alunos e funcionários e, no segundo semestre de 2010, será operado pela empresa Real, ligando os aeroportos Santos Dumont e Antônio Carlos Jobim, segundo revelou o diretor de Mobilidade da Fetranspor, Artur César Soares.

“O hidrogênio desempenhará no século XXI o mesmo papel que o petróleo no século XX. Só que menos poluente e de mais fácil obtenção. É o futuro do transporte que estamos oferecendo à cidade. Já temos inclusive um planejamento para a industrialização deste ônibus”, frisou o professor da Coppe, Paulo Emílio de Miranda, coordenador do projeto, durante o evento.

O veículo, com tamanho e a aparência iguais de um ônibus urbano convencional (vista lateral de 12,5m), tem piso baixo, ar-condicionado, espaço para embarque de deficientes físicos e autonomia para rodar até 300 quilômetros. É movido a energia elétrica obtida de uma tomada ligada na rede e complementada com energia produzida a bordo, por uma pilha a combustível alimentada com hidrogênio. Isso significa um veículo silencioso, com eficiência energética muito maior que a dos ônibus convencionais a diesel e com emissão zero de poluentes. O que sai de seu cano de descarga é apenas vapor de água, tão limpo que, se condensado, resultaria em água para consumo.

Seu pioneirismo está no fato de terem sidos desenvolvidos no Brasil todos os equipamentos e subsistemas tecnológicos importantes para esta aplicação. O sistema de tração elétrica oferece partidas e deslocamentos suaves e permite otimizar o seu desempenho em função do ciclo de rodagem. Esse é o primeiro de uma série de três ônibus desenvolvidos pelo Laboratório de Hidrogênio da Coppe que fazem parte do mesmo programa da Secretaria de Estado de Transportes. O segundo ônibus será elétrico híbrido a álcool e o terceiro exclusivamente elétrico.

Os ônibus desenvolvidos na Coppe possuem o mesmo sistema de recuperação de energia cinética utilizado pelos carros de Fórmula 1. A diferença é que na Fórmula 1 esse sistema é voltado para ganho de velocidade e nos ônibus da Coppe para aumentar a eficiência energética e economizar combustível.

Entre 2010 e 2011, os três veículos rodarão na cidade do Rio de Janeiro, quando serão comparados aos ônibus convencionais. O objetivo é que os novos ônibus sejam uma opção de transporte sustentável para o Rio de Janeiro disponível para a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. “A Prefeitura tem um papel essencial para a implementação deste projeto. Tenho certeza que os parceiros encontrarão a solução técnica para viabilizar a produção em larga escala, de forma que na Copa e nas Olimpíadas os ônibus já estejam circulando”, afirmou o vice-prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Muniz.

O projeto tem entre seus parceiros técnicos as empresas Weg, Rotarex, Busscar, Guardian, EnergiaH, Energysat, Electrocell, Controllato, Manvel e Hubz. Também conta com o apoio da Usiminas e da Eletrobrás. Também estiveram presentes ao evento o superintendente da SMTU, Waldir Perez; e o diretor de Pesquisa e Energia do Cenpes/ Petrobras, Paulo Roberto Barreiro Neves.

A nova economia do hidrogênio
Em 1874, no livro A ilha misteriosa, o escritor francês Júlio Verne profetizou que o hidrogênio seria o combustível do futuro. Naquela época, os cientistas já reconheciam a possibilidade de aplicação do hidrogênio para mover máquinas e haviam descrito os princípios de funcionamento de um conversor eletroquímico, que mais tarde viria a ser a primeira pilha a combustível.

Mas entre 1860 e 1890 foi desenvolvido o motor a combustão interna. A descoberta de crescentes reservas de petróleo fez o resto. Exceto por aplicações em naves, o mundo esqueceu a via eletroquímica, representada pelo hidrogênio e a pilha a combustível, e optou pela via térmica, representada pelos combustíveis fósseis e o motor a combustão interna, que são menos eficientes energeticamente, porém mais baratos e mais simples. Foi assim que o século 20 se tornou a era do petróleo.

Só agora, com a crise ambiental causada pela concentração na atmosfera do carbono proveniente da queima dos combustíveis fósseis, a velha profecia de Júlio Verne volta à tona.

Fonte: COPPE

Edital de cooperação Brasil Israel em P&D

Em 25 de maio, Brasil e Israel lançaram o primeiro Edital de chamada para a apresentação de propostas de cooperação em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) entre empresas brasileiras e israelenses. Este Edital é fruto do Memorando de Entendimento assinado entre os dois Países em 2007 sobre Cooperação Bilateral em Pesquisa e Desenvolvimento Industrial no Setor Privado. A Anprotec é membro do Comitê Gestor do Projeto Brasil-Israel, do qual também fazem parte ANPEI, ABDI, SEBRAE, Finep, BNDES e BNB.

Esta iniciativa, que está sendo coordenada e implementada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC e pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial Israelense - MATIMOP, prevê o financiamento de projetos conjuntos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico entre empresas brasileiras e israelenses, utilizando-se de recursos do Escritório do Cientista-Chefe (OCS), pelo lado israelense, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e Banco do Nordeste (BNB), pelo Brasil.

O Edital deverá ser lançado no mercado anualmente com previsão de duas chamadas convidando empresas brasileiras e israelenses de todos os setores a elaborarem uma proposta de cooperação em P&D que resulte no desenvolvimento de novos produtos, processos ou serviços de aplicação industrial direcionados à comercialização no mercado doméstico e/ou global. Para fazer o download do Edital e formulários, acesse o menu "Edital".

O processo de busca de parceiros ("matchmaking") ente os dois países se dará de forma contínua com o auxílio do Comitê Gestor, coordenado pelo MDIC no Brasil e do MATIMOP , em Israel e contará com uma agenda de encontros em missões e conferências setoriais a fim oportunizar empresários brasileiros e israelenses a encontrarem seus potenciais parceiros. Confira no menu “Agenda de Busca de Parceiros” as iniciativas em pauta.

Fonte: MDIC

Finep lançará chamadas públicas de incentivo a incubadoras de empresas e parques tecnológicos

A Finep lançará duas chamadas públicas de apoio a incubadoras de empresas e parques tecnológicos. A informação é da secretária adjunta de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT, Ana Lucia Torkomian, que deu o prazo de uma semana para que os editais sejam publicados.

Para as incubadoras serão fornecidos recursos na ordem de R$ 10 milhões. O objetivo é apoiar 20 incubadoras de empresas com até três anos de existência pertencentes a uma mesma região. As concorrentes devem mostrar aptidão para promover o aumento da taxa de sucesso de empresas incubadas.

Já o outro edital fornecerá subsídios a parques tecnológicos já consolidados ou em adiantado estágio de implementação. O objetivo é contribuir para o surgimento e atração de empresas inovadoras, assim como empregos qualificados para introduzir inovações em produtos e serviços. A iniviativa vai apoiar até dez empreendimentos com R$ 242 milhões em dois anos. Deste valor, R$ 100 milhões são reembolsáveis; R$ 10 milhões são não-reembolsáveis e R$ 12 milhões são de contrapartida (valores por ano).

PNI
A questão dos parques tecnológicos e incubadoras fazem parte do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI), que termina em 2010. A definição está no Plano Nacional de Inovação (PNI), cujo objetivo é fomentar a consolidação e o surgimento de parques tecnológicos e incubadoras de empresas que contribuam para estimular e acelerar o processo de criação de micro e pequenas empresas.

O programa é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT. As ações do PNI são operacionalizadas pela Finep, CNPq, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exteriror, BNDES, Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti), entre outros.

Mais informações: Pacti 2007-2010.

Fonte: Tamara Costa / Gestão CT

Presidente do CGEE: necessidade de construção de uma nova agenda para a CT&I

Foi realizada nesta sexta-feira (28), durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília (DF), a sessão “Nova Geração de Políticas de CT&I”. Na abertura do encontro, a presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Lucia Melo, frisou que o país vive um momento especial na área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I).

De acordo com ela, há um consenso que a CT&I podem ser vetores de transformação econômica e social. “A busca da transformação do conhecimento nessa inovação é uma permanente agenda dos países que estão avançando”, disse. Melo destacou que há uma constelação nova de atores que se envolvem no processo de geração do conhecimento. Para a presidente do CGEE, a academia, a indústria, as ONGs, todas contribuem e se envolvem no processo de geração de conhecimento.

“Será necessário gerar conhecimento novo que incorpore várias formas de entender e prospectar em relação a essas tendências. Sistemas complexos surgem, são dinâmicos, novas organizações e instituições são demandadas e surgem, a cada momento, em diversos países“, completa.

Como desafios, Melo aponta a necessidade crescente de investimento que, segundo ela, demanda cada vez mais comprometimento de recursos do governo e do setor produtivo. Na sua visão, há no âmbito das políticas um conflito alocativo, além de incertezas e riscos associados a esse empreendimento.

“É preciso responder algumas questões: quanto investir; em que fatores precisa-se investir, além da pesquisa e desenvolvimento, como medi-los. Isso traz novos papéis para as agências de fomentos que passam a atuar como elementos formadores de redes, como investidores e não apenas alocadores de recursos”, destacou.

Para a presidente do CGEE, os desafios envolvem campos variados de estudos que precisam fundamentar essas políticas, sendo preciso rever, evoluir a atitude da comunidade de pesquisa e gestores para a interdisciplinaridade e construção de parcerias para que se possa operar de forma conjunta. “As políticas de CT&I devem ser baseadas em evidências e precisam de instrumentos e ferramentas de suporte para o processo decisório”, aponta.

Segundo ela, os pilares de um sistema moderno de CT&I, que alimentam o processo decisório e a escolha das políticas pelas diversas sociedades, podem ser baseados em três elementos: consenso nas escolhas estratégicas que precisam ser identificadas, construídas e selecionadas para as apostas; confiança no ambiente em que esse processo ocorre; e cooperação na execução entre atores, os campos público-público e público-privado.

“O Brasil tem uma oportunidade especial para tratar esse assunto, primeiro porque mudou o patamar de recursos para financiamento. Há diversidade de instrumentos disponíveis para que possamos promover o conhecimento, e há um conjunto de novas instituições, de novos atores cada vez mais presentes”, afirma.

Fonte: Isadora Lionço / Gestão CT

21º Congresso Brasileiro de Fruticultura

O 21º Congresso Brasileiro de Fruticultura será realizado em Natal, entre os dias 12 e 22 de outubro, com o tema “Saúde, inovação e sustentabilidade”.

Políticas públicas, aproveitamento de produtos, solo, irrigação, biotecnologia, agricultura familiar, frutas regionais, aplicação na saúde serão alguns dos temas nas mesas-redondas e conferências.

O congresso, realizado pela Sociedade Brasileira de Fruticultura, contará também com três cursos e oito minicursos. O evento ocorrerá no Centro de Convenções de Natal, que fica na Via Costeira, Parque das Dunas.

Os resumos para submissão de trabalhos podem ser enviados até o dia 27 de agosto e mais informações podem ser obtidas no endereço: http://fruticulturanatal2010.com.br

Ipea: produção de biocombustíveis não vai prejudicar produção de alimentos

Apesar do avanço das lavouras de cana-de-açúcar sobre áreas destinadas à pecuária e à agricultura nos últimos anos, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentada hoje (26) afirma que o país não vai perder potencial como produtor de alimentos em função desse crescimento. Para isso, no entanto, o estudo Biocombustíveis no Brasil: Etanol e Biodiesel, ressalta a necessidade de o Estado regular a fabricação de etanol e priorizar a produção de alimentos com financiamento e infraestrutura.

O documento apresenta como um dos grandes desafios do mercado de etanol a estabilidade dos preços, que atualmente apresentam forte volatilidade durante o ano. Além da formação de um grande estoque regulador a partir deste ano, que estará contemplado com R$ 2,4 bilhões no próximo plano safra, outras medidas para evitar tais oscilações são a consolidação das compras futuras e a liberação da alíquota para importação de etanol, que era de 20% e foi suspensa pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) no início de abril.

O mercado internacional de etanol, segundo a pesquisa, poderá atingir 200 bilhões de litros nos próximos dez anos. Na última safra, o Brasil produziu 25 bilhões de litros, dos quais 4,7 bilhões foram exportados. O protecionismo aos mercados externos, entretanto, pode apresentar um empecilho a essa expansão, de acordo com o Ipea.

Para contrapor os argumentos protecionistas, que se referem à sustentabilidade socioambiental, o estudo mostra que algumas iniciativas importantes devem ser reforçadas, como o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar, entre sindicatos, governo e usineiros; e o Zoneamento Agroecológico (ZAE) da Cana-de-Açúcar, que proíbe sua expansão e a instalação de novas usinas na Amazônia, no Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai.

Fonte: Agência Brasil

33ª Reunião da Sociedade Brasileira de Química (SBQ)

Reunião da SBQ prepara Ano Internacional da Química
A 33ª Reunião da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) será aberta na noite desta sexta-feira (28/5), em Águas de Lindoia (SP).

O tradicional encontro, que tem apoio da FAPESP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), terá cobertura da Agência FAPESP.

“Vamos fazer uma abertura oficial do Ano Internacional da Química nessa reunião”, disse Vanderlan Bolzani, presidente da SBQ. O Ano Internacional da Química, em 2011, foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e organizado pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac).

Em 2011 serão completados 100 anos que Marie Curie (1867-1934) ganhou o Prêmio Nobel de Química. “Por isso, é um ano importante para a química e também para as mulheres”, disse Vanderlan, que é professora titular do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da coordenação do Programa Biota-FAPESP.

Pela primeira vez, a reunião da SBQ contará com a participação de um ganhador do Nobel de Química. O norte-americano Martin Chalfie, que foi laureado em 2008, abrirá oficialmente o evento e ainda participará de um bate-papo com jovens pesquisadores, no sábado (29/5) pela manhã.

O tema do encontro “Química para um futuro melhor” remete ao papel dessa área do conhecimento no desenvolvimento sustentável do planeta. “Biocombustíveis, células, medicamentos, petróleo, novos materiais, nanotecnologia, genética e várias outras áreas dependem da química para se desenvolver”, disse a pesquisadora.

A 33ª Reunião da SBQ também marca o fim da gestão de Vanderlan. No último dia do evento, 31 de maio, a assembleia geral da sociedade elegerá os membros da nova diretoria que coordenará a entidade durante o biênio 2010-2012.

No dia 28, antes da abertura oficial da reunião, serão realizados workshops sobre diversos temas, como “A centralidade do conhecimento na formação inicial em química”, “A química dos solos”, “Conversão de energia: processos fotovoltaicos e oxidativos” e “Interfaces entre a química e a biologia nas áreas de produtos naturais e química.

Entre os destaques da reunião está a conferência “Luz: um raro produto de reação”, com o professor Josef Wilhelm Baader, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, na qual abordará os desenvolvimentos obtidos a partir de pesquisas sobre quimio e bioluminescência.

Na conferência “Integrating Bio- and Cheminformatics Approaches for Drug Discovery”, Alexander Tropsha, professor da Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, falará sobre a reunião da química, da biologia, da ciência da computação e das tecnologias da informação em uma única disciplina e as perspectivas que ela traz para o avanço científico.

Entre outras conferências programadas estão: “Bioactive marine natural products – drug leads and cell biology”, com Raymond Andersen, da Universidade Columbia; “Química ambiental: entre o futuro desejável e o possível”, com Arnaldo Alves Cardoso, do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista; “A evolução dos textos químicos do século XVI ao fim do XVIII em obras originais”, com Carlos Alberto Filgueiras, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; “Learning nature’s strategies for making novel secondary metabolites”, com Hung-Wen Liu, da Universidade do Texas.

Haverá sessões específicas das áreas “alimentos e bebidas”, “catálise”, “físico-química”, “história da química”, “produtos naturais”, “química ambiental”, “química inorgânica”, “química tecnológica”, “eletroquímica”, “ensino de química”, “fotoquímica”, “química analítica”, “química de materiais”, “química estrutural”, “química medicinal” e “química orgânica”.

Também estão previstos 13 minicursos, entre eles: “A química ambiental dos novos fertilizantes para solos tropicais”, “Conceitos e aplicações em fotoquímica”, “Química coloidal e de superfície: o mundo fascinante da nanoestruturação”, “Planejamento de candidatos a novos fármacos”, “Ecologia química”, “Fundamentos da radiofarmácia e radioquímica” e “Estudo de casos como metodologia para ensino de química”.

Nobel
Chalfie, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Columbia, ganhou o Nobel de Química em 2008 por seu trabalho com a proteína verde luminescente (GFP, na sigla em inglês).

Com ela, Chalfie desenvolveu um marcador capaz de acompanhar mudanças ocorridas no interior da célula. O crescimento de um tumor ou o comportamento de uma bactéria patogênica podem ser acompanhados graças à fluorescência da GFP.

O prêmio foi dividido com dois outros pesquisadores que, de forma independente, contribuíram para essa mesma área. Osamu Shimomura, do Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole, Estados Unidos, investigou nos anos 1960 a bioluminescência da água-viva da costa oeste norte-americana. Esses estudos serviram de base para a pesquisa de Chalfie.

O outro laureado de 2008, Roger Yonshien Tsien, do Instituto de Medicina Howard Hughes, da Universidade da Califórnia, ampliou essas técnicas de forma a obter proteínas brilhantes de todas as cores.

Mais informações: www.sbq.org.br/33ra

Fonte: Fábio Reynol / Agência FAPESP