quinta-feira, 27 de maio de 2010

UFRJ: Pesquisa traça perfil de laticínios consumidos no Sudeste do Brasil

A dieta alimentar do homem tem uma característica diversificada, incluindo entre eles, o leite e seus derivados como grandes fontes de sais minerais. Esses produtos apresentam composição de ácidos graxos mais complexa entre os outros de origem animal e também mais susceptível a variação.

O ácido linoléico conjugado (CLA) é um dos ácidos graxos que pode ser encontrado principalmente nos laticínios e, segundo a pesquisadora Juliana Côrtes Nunes, doutoranda do Instituto de Química da UFRJ, muitos estudos tem apresentado seus diversos efeitos na saúde humana. “Muitos desses efeitos são positivos, embora ainda haja questionamentos e não se tenha chegado a uma unanimidade em relação aos efeitos desse composto. Alguns deles seriam redução da gordura corporal e auxílio no tratamento de casos de sensibilidade à insulina", revela a pesquisadora.

A tese Laticínios Consumidos no sudeste do Brasil: Perfil de ácidos Graxos e de Isômeros do Ácido Linoléico Conjugado CLA e sua contribuição para a Ingestão de CLA escrita pela pesquisadora Juliana analisou e buscou determinar o conteúdo de CLA e a distribuição dos isômeros presentes nos laticínios consumidos no Brasil.

Os objetivos deste estudo foram basicamente caracterizar o mais detalhadamente possível a composição em ácidos graxos dos laticínios mais consumidos na região Sudeste do Brasil, buscando determinar o teor e a distribuição dos isômeros de CLA. Além de investigar a influência do tipo de laticínio sobre a composição dos ácidos graxos e avaliar a contribuição dos laticínios analisados para o consumo de CLA pela população do Sudeste do Brasil.

A análise foi realizada através da observação de duas das principais marcas comerciais de leite integral, queijo prato e manteiga. “Apesar da pequena amostragem utilizada, foi suficiente para conseguir traçar um panorama dos laticínios consumidos na região Sudeste”, avalia Juliana.

No estudo, os processos de análise e investigação científica permitiram identificar dos ácidos graxos e determinar sua composição nos laticínios. “Os teores de CLA dos principais laticínios consumidos pela população do Sudeste do Brasil foram semelhantes àqueles produzidos em outros países e que o tipo do laticínio influenciou o perfil dos ácidos graxos e o conteúdo de CLA total nas amostras analisadas”, relata a pesquisadora.

Apesar de não ter sido essa a análise central da pesquisa, Juliana Nunes acredita que as diferenças na distribuição dos variados isômeros sejam influenciadas pelo processamento de práticas pecuárias, como alimentação, na produção de derivados de leite no Brasil.

Segundo Juliana, o resultado final das análises apontou que as associações entre os ácidos graxos foram consistentes com os processos metabólicos envolvidos na síntese e secreção dos ácidos graxos no leite. A ingestão de CLA pela população do Sudeste do Brasil foi de 36 mg/dia e, confirmando as expectativas, o leite foi a principal fonte de CLA da dieta. Contudo, verificou-se que a ingestão estimada de CLA pela população do Sudeste do Brasil foi inferior àquela observada na população de outros países.

Fonte: Luciana Cortes / Olhar Vital / UFRJ

Quem teme as mulheres?

Durante as terças-feiras do mês de junho, sempre das 19h às 21h, o Instituto Cervantes de São Paulo apresenta o simpósio internacional “Quem teme as mulheres?”.

A série de encontros, realizados nos dias 1, 8, 22 e 29 de junho, contará com a presença de convidados nacionais e estrangeiros, como Dora Barrancos (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Márcia Tiburi (Universidade Mackenzie), Adelina Sanchez Espinosa (Universidade de Granada, Espanha), Regina Silveira (Universidade de São Paulo), Judith Astelarra Bonomi (Universidade Autonoma de Barcelona, Espanha), Helena Hirata (Centro Nacional de Pesquisa Científica, França), Dolores Juliano (Universidade de Barcelona) e Maria Filomena Gregori (Universidade Estadual de Campinas).

Os temas dos encontros são: “As mulheres no mundo do trabalho: vicissitudes na era da flexibilidade”, “Masculinidade/feminilidade: maternidade, sexualidade e as novas etapas da vida adulta”, “Presença e sensibilidade da mulher da arte atual: literatura, artes plásticas e teatro” e “Gênero e sexualidade”.

O evento é gratuito e será realizado no auditório do Instituto Cervantes, localizado na Av. Paulista, 2439, Bela Vista, São Paulo (SP).

Mais informações pelo email e pelo telefone: (11) 3897-9609.

Fonte: Agência FAPESP

Método de espectrometria de massas aplicada em embriões e óvulos desenvolvido na Unicamp ganha a capa de periódico norte-americano

Estudo de embriões é destaque
Um estudo de embriões bovinos por meio de uma técnica de espectrometria de massas, desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é o destaque de capa da edição de maio do Journal of Lipid Research (JLR) da Sociedade Norte-Americana de Bioquímica e Biologia Molecular.

O artigo publicado é resultado da pesquisa “Aplicação da técnica de espectrometria de massas para caracterização do lipidoma em oócitos e embriões bovinos”, desenvolvida por Christina Ramires Ferreira e colaboradores da Unicamp, da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e teve o apoio da FAPESP por meio de uma Bolsa de Pós-Doutorado.

Ela realizou o estudo no Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp), coordenado pelo professor Marcos Nogueira Eberlin, que também é o orientador da pesquisa.

Outro trabalho do mesmo laboratório ilustrou a capa de abril da revista inglesa Analyst, da Royal Society of Chemistry. A publicação apresentou, ao todo, três artigos produzidos pelo grupo da Unicamp naquela edição.

A técnica de espectrometria desenvolvida pelos pesquisadores permite estudar a composição lipídica de um único embrião, economizando tempo e material, uma vez que os métodos convencionais de análise exigem muitas amostras e processos que envolvem manipulação química, separação e caracterização de componentes por meio de técnicas trabalhosas, como cromatografia gasosa, a qual acaba “desmontando” a molécula de lipídio e impedindo a obtenção da informação estrutural das moléculas intactas.

O feito da equipe foi aplicar pela primeira vez a técnica chamada matrix-assisted laser desorption/ionization mass spectrometry (ionização/dessorção de matriz assistida por laser, ou MALDI-MS) no estudo de embriões e óvulos.

“A MALDI é muito sensível e, além de permitir o estudo de um único embrião, preserva a estrutura do lipídio. Com isso, obtivemos um grau de informação estrutural de composição lipídica em embriões que até hoje não era possível”, disse Christina.

A técnica é normalmente utilizada na análise estrutural de peptídeos, proteínas e carboidratos. Até então, ninguém a havia aplicado em óvulos e embriões. “Depois que soube do nosso sucesso, um pesquisador alemão me contou que tentou aplicar a técnica em embriões, mas empregou a extração dos lipídios e não obteve sucesso devido à dimensão microscópica da amostra”, disse.

A pesquisadora acredita que a técnica poderá auxiliar especialmente a biotecnologia de embriões bovinos e ajudar a manter o país na liderança do setor. “O Brasil é líder mundial na área de fertilização in vitro de bovinos.”

As informações sobre os lipídios são muito importantes para o congelamento, ou criopreservação, dos óvulos e embriões. “Caso o embrião possua muitas espécies de lipídios saturados, a membrana celular pode se romper com maior facilidade ao ser congelada. Portanto, a composição lipídica está relacionada à resistência do embrião ao congelamento”, indicou.

Outra vantagem da técnica utilizada é que ela se mostrou bem versátil, sendo bem-sucedida em análises de células de diferentes espécies. A equipe aplicou a MALDI-MS no estudo da estrutura de óvulos de carneiros, de bovinos, de peixes e até em óvulos não fertilizados de humanos, além de embriões de bovinos e de insetos. “Aplicamos em espécies bem diferentes para comprovar se era possível”, contou Christina.

Nobel de Química
A facilidade e a rapidez da aplicação da técnica, aliadas à importância das informações que ela consegue levantar, tornam a MALDI-MS uma potente ferramenta de empresas que trabalham com o comércio de embriões animais.

O grupo na Unicamp pretende aperfeiçoar a técnica e adaptá-la a outras aplicações, como a análise de óvulos de suínos, que possuem mais gordura. “Vários pesquisadores têm nos procurado interessados em utilizar a ferramenta em suas pesquisas”, disse Eberlin.

Christina tenta agora apresentar a técnica para a sua própria área de formação, a veterinária. “Não existe muita interação entre a área de química e os veterinários, mas esse quadro está mudando aos poucos”, disse. Segundo ela, a espectrometria de massas pode se tornar uma ferramenta poderosa, especialmente para a pecuária.

O desenvolvimento do método de ionização/dessorção para análises de espectrometria de massa em macromoléculas biológicas rendeu ao pesquisador japonês Koichi Tanaka, da Shimadzu Corporation, o Prêmio Nobel em química do ano de 2002.

O MALDI-MS auxiliou especialmente o estudo de proteínas, estruturas difíceis de serem ionizadas. O método permitiu a ionização dessas macromoléculas com a irradiação de uma mistura de substâncias, chamada de “matriz”, que absorve feixes de laser e amostras macromoleculares.

O artigo Single embryo and oocyte lipid fingerprinting by mass spectrometry (doi:10.1194/jlr.D001768), de Marcos Eberlin e outros, pode ser lido por assinantes do Journal of Lipid Research em www.jlr.org/cgi/content/abstract/51/5/1218.

Fonte: Fábio Reynol / Agência FAPESP

A inovação deverá ser o eixo central da transformação brasileira

Transformação pela inovação
Se o Brasil quiser construir um novo projeto de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, para a indústria, para a agricultura e para os próprios padrões culturais da sociedade, em todos os casos, a inovação deverá ser o eixo central da transformação.

A análise foi feita pelos participantes da plenária de abertura da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), que começou nesta quarta-feira (26/5), em Brasília.

Com o tema "Política de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação com vistas ao desenvolvimento sustentável", o evento reúne milhares de participantes até a sexta-feira (28/5).

A plenária de abertura discutiu o eixo central da reunião: como o avanço do conhecimento e da inovação pode se tornar o vetor fundamental do desenvolvimento econômico com preservação dos ativos ambientais e melhoria na qualidade de vida.

De acordo com Bertha Becker, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Amazônia – área estratégica para o país e modelo por excelência para o estudo dos conflitos entre preservação ambiental e crescimento econômico – tem hoje duas propostas de projetos de desenvolvimento sustentável.

"Um desses projetos, que está associado às mudanças climáticas, tem predominado. Sua prioridade é evitar a emissão de gases de efeito estufa e implementar o mercado de carbono. Esse projeto defende a preservação da floresta em pé, financiando a renúncia ao desmatamento. É uma ideia que parece sedutora, mas questiono fortemente esse projeto, pois ele mantém a floresta improdutiva. É basicamente um projeto de compensação para países desenvolvidos que poderão continuar sendo os maiores emissores", disse.

O outro projeto, segundo a pesquisadora, entende o desenvolvimento sustentável como um novo padrão de desenvolvimento baseado na ciência, na tecnologia e na inovação.

"O desafio, nesse caso, é utilizar os recursos naturais sem destruí-los, gerando emprego e renda para os milhões de habitantes da região. Para isso, vamos ter que mudar o padrão de desenvolvimento da Amazônia. Só conseguiremos isso com políticas públicas e imensos investimentos em ciência e inovação", destacou.

Segundo Bertha, na atualidade o papel dos cientistas se tornou mais complexo: além de pesquisar, descobrir, inovar e implementar técnicas avançadas, o cientista contemporâneo precisa esclarecer a sociedade sobre as rápidas transformações no mundo.

"Caberá à sociedade acarear esses dois projetos e essa acareação deverá levar em conta o extraordinário valor da Amazônia. Os cientistas precisam deixar isso claro", disse.

De acordo com o coordenador da plenária de abertura, Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e conselheiro da FAPESP, a ciência e a inovação têm uma missão ainda maior que o estabelecimento de uma economia sustentável. Será preciso contribuir com a construção de um novo modelo de sociedade.

"Nos últimos anos, o sistema financeiro se tornou uma finalidade em si e desvirtuou os investimentos em tecnologia. Tivemos uma concentração do risco e, mesmo tendo avaliações prévias de que haveria um colapso financeiro, não fomos capazes de impedi-lo. Não estamos diante de uma mera crise financeira: uma análise mais profunda revela uma crise do padrão de convivência da sociedade contemporânea", afirmou.

Segundo o também professor das Faculdades de Campinas, a crise estrutural do modelo construído nos últimos 60 anos e radicalizado na década de 1980 gerou ao mesmo tempo uma escalada do consumo e da desigualdade.

"O Brasil é quase uma exceção, já que conseguiu fazer o mínimo para reduzir a desigualdade. Mas estou assustado com a degradação cultural da sociedade. Basta olhar os fóruns na internet para ter noção do grau de isolamento e agressividade das pessoas que se manifestam anonimamente. Isso não está dissociado do meio ambiente – esse comportamento faz parte de um padrão civilizatório que precisa ser mudado", afirmou.

Para pensar em inovação e desenvolvimento, segundo Belluzzo, será preciso cuidar do aperfeiçoamento cultural dos brasileiros e da inclusão social e cultural dos jovens da periferia.

"Estamos, aqui falando de inovação, mas é preciso destacar que a inovação precisa começar pela base cultural e educacional", disse, sob aplausos da grande plateia presente.

Recursos naturais
Segundo Pedro Luiz Barreiros Passos, presidente do conselho do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a economia do Brasil vive um bom momento, mas ainda está baseada em exportação de recursos naturais, em vez de produtos manufaturados com alto valor agregado.

"Enfrentamos a crise financeira com muita inteligência, mas, além do rico patrimônio natural, social e cultural, precisamos criar elementos para a exploração das vantagens comparativas do país, seja energia renovável, a forte produção agrícola ou uma nova cadeia como a do pré-sal", disse.

De acordo com Passos, além dos recursos naturais o Brasil tem vantagens de curto prazo, como a janela demográfica, que permitirá ao país ter uma população economicamente ativa relevante, formando em pouco tempo imensa força de trabalho e um novo mercado interno.

"Temos a oportunidade de fazer uma transição para uma economia de baixo carbono, com aumento da eficiência energética e do transporte. Para isso, os padrões do uso de transportes terão que mudar, de forma associada aos investimentos nas tecnologias de bioenergia, novos materiais e processos produtivos. Mas temos que ser ambiciosos e buscar a liderança mundial em bioenergia, química verde, alimentos sustentáveis e outras áreas que são nossa vocação", disse.

José Geraldo Eugênio de França, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, destacou que o Brasil passou por uma revolução verde e, hoje, a agricultura representa quase um terço da economia do país, empregando 40% da população.

O país, segundo ele, tem um dos mais baixos preços de alimentos do mundo. Mas a ambição deve ser levada mais longe, pois há potencial para se tornar o primeiro produtor mundial de alimentos.

"Já estamos na terceira colocação, tendo ultrapassado o Canadá recentemente. A grande questão é chegar a esse objetivo adotando o princípio do respeito ao meio ambiente e à sustentabilidade. Estamos convencidos de que podemos fazer isso", afirmou.

Segundo França, os pesquisadores são responsáveis pelo redesenho de uma nova agricultura menos dependente dos insumos, com maior produtividade baseada na biotecnologia e na nanotecnologia.

"Hoje, temos 8 milhões de hectares de cana-de-açúcar que não empregam inseticidas e 22,5 milhões de hectares de soja com uso de bactérias no lugar do nitrogênio mineral. Assim como a China escolheu ser a fábrica do mundo, podemos nos tornar o grande produtor de alimentos, matérias-primas e biocombustíveis. Mas não há como fazer isso sem muita ciência e sustentabilidade", disse.

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP