quarta-feira, 12 de maio de 2010

Em 1945 morria o inventor da camisinha, Julius Fromm

No dia 12 de maio de 1945, falecia Julius Fromm, o inventor da camisinha como a conhecemos hoje. Seu coração não aguentou a felicidade de saber que poderia voltar à Alemanha após a derrota dos nazistas.

Ao contrário do que ele mesmo costumava dizer, Julius Fromm não nasceu nem com esse nome, nem na cidade de Poznan, na antiga Prússia. Na verdade, ele veio ao mundo com o nome de Israel, na pequena Konin, cidade que na época pertencia à Rússia e hoje faz parte da Polônia.

Quando Fromm tinha dez anos de idade, sua família decidiu emigrar para Berlim, em busca de uma vida melhor. Seus pais faleceram ainda jovens e ele foi deixado com os irmãos mais novos, que passaram a ter que cuidar do próprio sustento. Como muitos judeus na virada do século na cidade, os Fromm garantiam a sobrevivência, de início, trabalhando na indústria do tabaco. Com a crescente mecanização da produção, Julius resolveu, então, frequentar cursos noturnos de química.

Em 1914, abriu seu primeiro negócio, no bairro berlinense de Prenzlauer Berg, na época uma área industrial e hoje uma das regiões mais procuradas pelos jovens da capital alemã. Era criada a Israel Fromm, voltada para a "produção e venda de perfumaria e artigos de borracha".

A revolução do látex
Fromm tinha a sensibilidade de um bom homem de negócios: colocou no mercado o produto certo, na hora certa e no lugar certo. Depois de séculos de produção de preservativos feitos a partir de intestinos de animais ou até de borracha vulcanizada (a primeira camisinha moderna foi inventada por Charles Goodyear em meados do século 19), muito desconfortáveis e cheias de costuras, Fromm desenvolveu a camisinha feita com látex: sem cheiro, sem costuras e muito mais confortável.

O método inventado por ele para a fabricação de preservativos é utilizado até hoje: tubos de vidro são mergulhados em uma solução de borracha, que, depois de arrefecidas e secas, formam os preservativos finos e sem costuras.

Com a Primeira Guerra Mundial, os bordéis frequentados por membros do Exército se tornavam grandes focos de doenças sexualmente transmissíveis.

O medo de que uma rápida disseminação dessas doenças assolasse a população fez com que a camisinha se tornasse rapidamente um artigo indispensável, o que levou filhos de militares e jovens soldados a saber da existência do preservativo e aprender a maneira de usá-lo. Além disso, a incerteza daqueles tempos obrigou os governos, ainda que com relutância, a aprovar uma nova maneira de controle da natalidade.

Em 1916, Julius Fromm patenteou sua invenção, batizada de Fromms Act – em clara alusão ao ato sexual – e a produção em massa começou em 1922. As coisas iam tão bem na produção de Fromm – e nos avanços da liberação sexual durante a República de Weimar – que em pouco tempo ele estava capitalizado o suficiente para abrir filiais internacionais: de Antuérpia a Auckland, vários países foram tomados pelas camisinhas, que já eram chamadas somente de Fromms.

Um fim que chegou cedo demais
Em 1930, ele encomendou até mesmo uma nova fábrica aos arquitetos Arthur Korn e Siegfried Weitzman, no bairro berlinense de Köpenick. Mas o prédio, com arquitetura que seguia a Nova Objetividade (Neue Sachlichkeit) da escola Bauhaus, tão progressiva quanto o produto de Fromm, não tardou a ser abandonado por seu dono.

Boicote nazista a estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus durante o nazismoBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Boicote nazista a estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus durante o nazismoEm 1938, a "arianização" da Alemanha, levada a cabo pelo partido nazista, fez com que Fromm fosse obrigado a vender sua fábrica a preços irrisórios para a baronesa Elisabeth von Epenstein – ninguém menos que a madrinha de Hermann Göring, antigo marechal do regime.

No ano seguinte, Julius Fromm, que antes dissera haver muitos Hitlers no mundo e que as propostas do ditador e do partido nazista eram apenas passageiras, viu-se forçado a partir para Londres, onde morreria em 1945, poucos dias depois da vitória dos aliados sobre os alemães. Diz a família que o coração do velho Fromm não aguentou a emoção de saber que poderia voltar para sua amada Alemanha.

A luta pelo nome
Era direito dos herdeiros de Fromm receber de volta a fábrica construída por ele e retomar os negócios com o fim da Segunda Guerra Mundial. O governo comunista da então Alemanha Oriental, entretanto, rotulou a indústria de Fromm como uma empresa "vinda do mal do capitalismo" e confiscou a fábrica. Os herdeiros de Fromm acabaram abrindo um novo negócio na Inglaterra, mas foram obrigados a comprar os direitos da patente do pai.

Até hoje, as Fromms, que no início eram vendidas "apenas por razões de saúde" – era proibido escrever nas embalagens que o preservativo servia para evitar uma gravidez –, são uma das marcas líderes de venda na Alemanha. No ano de 2007, um livro sobre a história de Fromm e sua fábrica foi escrito por Götz Aly e Michael Sontheimer.(jp/jl)

Fonte: DW

Dicas para redação científica

Em busca de citações
Resultado de 25 anos de dedicação ao estudo da redação e metodologia científica, o livro Dicas para redação científica, de Gilson Volpato, tem o objetivo de fornecer ao leitor os principais caminhos para a produção de artigos científicos que tenham impacto internacional. A obra acaba de ter lançada sua terceira edição revisada, ampliada e atualizada.

“A preocupação geral no livro é mostrar aos leitores os principais conceitos que devem balizar a estruturação de um artigo científico. Mas não se trata da produção de um artigo qualquer e sim da construção de um texto que maximize as possibilidades de ter impacto na ciência internacional, vencendo o preconceito científico. São dicas para escrever artigos que sejam mais encontrados, lidos e citados”, disse o autor.

O professor do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) vem há anos apresentando cursos sobre redação científica pelo país. Publicou seis livros sobre o assunto, incluindo Bases teóricas da redação científica ... por que seu artigo foi negado (2007) e Pérolas da redação científica (2010).

Segundo ele, o novo livro apresenta as bases teóricas para a construção de artigos de boa qualidade e, em seguida, exemplifica a aplicação desses conceitos com 245 dicas que percorrem todas as etapas do processo – da concepção da pesquisa até a redação final.

“Só a ciência de boa qualidade gera bons artigos. Por isso, o livro dá ênfase às bases teóricas e reflete sobre o ato de fazer ciência. A abordagem não é técnica, nem normativa: não são dicas mecânicas. O livro discute concepções de pesquisa visando à publicação em revistas de alta qualidade”, afirmou.

A primeira edição do livro tinha 84 páginas. A edição atual tem 150 páginas. Segundo Volpato, a obra foi amplamente reformulada, adquirindo uma nova estrutura e ganhando novas seções, com fundamentação teórica mais aprofundada.

“Nesta edição, abordei de forma mais ampla os fundamentos teóricos e epistemológicos do fazer e escrever ciência. Com isso, procurei fornecer uma agenda de estudo, reflexão e trabalho que deverá resultar em trabalhos científicos mais robustos”, apontou.

Os capítulos com ênfase teórica tratam dos temas “Por que não somos citados?”, “Substratos para redação científica internacional”, “Estrutura geral do artigo” e “Estrutura das partes do artigo”. Em seguida, as aplicações práticas são apresentadas no capítulo “Dicas para redação... rumo à aceitação”.

Volpato defende que os erros de redação apenas espelham equívocos conceituais sobre ciência e comunicação científica. “Enquetes feitas com editores de periódicos internacionais indicam que artigos brasileiros são recusados, por exemplo, por ter estilo inapropriado, excesso de referências, objetivos pouco definidos e objetivo restrito. No livro, discuto e contextualizo esses problemas e depois dou dicas práticas – muitas delas provenientes da experiência nos cursos que tenho apresentado”, disse.

Volpato conta que dedica boa parte de seu tempo, atualmente, às palestras. Um curso que foi apresentado em abril, na Universidade de São Paulo (USP), teve 900 inscrições em uma semana.

“A demanda é alta por duas razões. Uma delas é a carência de discussão conceitual sobre esse tema. Por outro lado, com o processo de globalização, as exigências para a publicação em revistas de qualidade começam a se fazer mais presentes”, disse.

* Título: Dicas para redação científica
Autor: Gilson Volpato
Lançamento: 2010
Preço: R$ 33
Páginas: 152

Mais informações pelo site

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Estudantes do Ceará e São Paulo representam o Brasil em olimpíada internacional de química

Quatro estudantes brasileiros se preparam para duas importantes olimpíadas internacionais. A 42nd International Chemistry Olympiad acontece em julho, na cidade de Tóquio, no Japão, e a 15ª Olimpíada Iberoamericana de Química, em outubro, na Cidade do México. Os alunos foram selecionados no ano passado, após seis etapas de um processo seletivo envolvendo 164 mil estudantes do ensino médio na Olimpíada Brasileira de Química.

Nas olimpíadas da área, os alunos enfrentam desafios de conhecimento que envolvem conteúdo teórico e provas de laboratório. No evento do Japão, que será realizado no campus da Waseda University com a participação de estudantes de 73 países, os alunos serão testados sobre síntese de substâncias, análise de uma amostra desconhecida e interpretação de espectros de ultravioleta, infravermelho e massa.

Os estudantes que representam o Brasil são Levindo Garcia Quarto e Raul Bruno Machado da Silva, do Ceará, e André Silva Franco e Jéssica Kazumi Okuma, de São Paulo. A Olimpíada Brasileira de Química é realizada pela Associação Brasileira de Química (ABQ), com apoio de 27 instituições e universidades brasileiras e suporte financeiro do Ministério da Educação (MEC) e CNPq.

Para informações sobre outras ações da ABQ acesse o site http://www.abq.org.br/. (Com informações da ABQ)

Fonte: Gestão CT