terça-feira, 11 de maio de 2010

Unicamp: vagas para doutores

A Universidade Estadual de Campinas abriu processo seletivo para contração de seis professores doutores, para atuar em diferentes regimes e vários departamentos.

O Departamento de Ciências de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) contratará um profissional para atuar em regime de tempo parcial (RTP). O selecionado atuará na área de alimentos, nas disciplinas Análise de Alimentos e Análise Instrumental de Alimentos.

No Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM),também há uma oportunidade em RTP para atuar nas disciplinas “Atenção integral à saúde” e “Atenção integral à saúde do adulto I”.

Na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) também há duas vagas para atuar em RTP. Uma é para a área de Fenômenos de Transportes e Operações Unitárias. O selecionado atuará nas disciplinas “Introdução à engenharia”, “Fundamentos de cálculos em engenharia”, “Termodinâmica I”, “Termodinâmica II” e “Fenômenos de transporte”, entre outras.

A outra vaga é para a área de Núcleo Básico Geral Comum, para atuar nas disciplinas de “Lógica”, “Epistemologia e Filosofia da Ciência” e “Ética e Cidadania”.

Há duas oportunidades no Instituto de Artes da Unicamp (IAR). Uma é para o Departamento de Artes Corporais, na área de Práticas Interpretativas, na disciplina “Dança do Brasil I”. A outra é no departamento de música na área de licenciatura para ministrar as disciplina “Fundamentos Filosóficos da Arte-educação”. Ambas as vagas são para trabalhar em RTP, nível MS-3.

O concurso será constituído de prova didática, de título e de arguição. Mas há pesos diferentes para cada uma das etapas a depender do edital. As inscrições vão de 18 de maio a 1º de junho e serão recebidas nas secretarias de cada departamento.

45º Congresso Brasileiro de Geologia

Congresso internacional debate mineração e meio ambiente
As mudanças climáticas globais e o papel da região amazônica no clima do planeta serão discutidos no 45º Congresso Brasileiro de Geologia, que será realizado de 26 de setembro a 1º de outubro, em Belém (PA). O tema do evento é Desenvolvimento e Mudanças Globais: a Importância das Geociências que acontece em um dos Estados que possui grande concentração de atividades mineradoras no país. O evento é organizado pela Sociedade Brasileira de Geologia.

Fundamentado no princípio de que a necessidade de preservação ambiental adiciona novos desafios ao trabalho dos geólogos, os temas transversais debatidos nas mesas-redondas são: A mineração na Amazônia e os impactos econômicos, sociais e ambientais; Políticas públicas para geologia e mineração; Novo marco regulatório para petróleo e gás natural à luz das novas descobertas; e A formação universitária em geologia e o mercado de trabalho no Brasil.

Os simpósios temáticos tratarão de depósitos de minerais metálicos e não metálicos, óleo e gás, e depósitos sedimentares pré-cambrianos. Entre os palestrantes brasileiros estão pesquisadores como Alcides Nóbrega Sial, Álvaro Penteado Crósta, Celso Barros Gomes, Jean Michel Lafon, Lauro Valentim Stoll Nardi, Rudolph Johannes Trouw, Vladimir de Araújo Távora e Werner Truckenbrodt.

Também participam profissionais estrangeiros como Antonio Cendrero Uceda (Universidade da Cantabria, Espanha), Galen P. Harlveson (Universidade de Adelaide, Austrália), Gianreto Manatschal (Universidade de Strasbourg, França), Philippe Freyssinet (Agence Nationale de la Recherche, França) e Tapani Rämö (Universidade de Helsinque, Finlândia).

Para informações sobre outras ações da Sociedade Brasileira de Geologia acesse o site http://www.sbgeo.org.br/.

Fonte: Gestão CT

Programas de valorização do magistério têm valores reajustados

Os três programas de valorização do magistério, Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), Observatório da Educação e Observatório da Educação Escolar Indígena tiveram os valores reajustados. As mudanças foram especificadas na portaria nº 97, publicada no Diário Oficial da União da última sexta-feira (7). De acordo com informações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pelas ações, a publicação produz efeitos financeiros a partir de 1º de abril.

Após a mudança, os estudantes de cursos de licenciatura que participam dos programas passam a receber bolsa mensal no valor de R$ 400. Em contrapartida, eles devem exercer atividades pedagógicas e de pesquisa educacional em escolas da rede pública de educação básica. Já os professores da educação básica que atuam como supervisores dos programas terão uma bolsa de R$ 765 e os coordenadores R$ 1,4 mil mensais. A bolsa para os coordenadores institucionais passa a ser de R$ 1,5 mil mensais.

Mais informações sobre os programas podem ser obtidas no site www.capes.gov.br.

Fonte: Gestão CT

Unesp lança o Sprace Game, jogo eletrônico projetado para ensinar física

Videogame que ensina física
Uma espaçonave de tamanho subatômico tem a missão de capturar partículas, identificá-las e com elas montar estruturas atômicas em outro planeta. Essa é parte da missão do Sprace Game , um jogo de computador projetado por físicos do Centro Regional de Análise de São Paulo (Sprace) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) com o objetivo de transmitir conceitos de física de partículas para o público leigo.

O desenvolvimento do videogame foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e é patrocinado pelo Sprace, centro financiado pela FAPESP e que é ligado ao Instituto de Física Teórica (IFT) do campus da Unesp da Barra Funda, na capital paulista.

Na cerimônia de lançamento, realizada na manhã de segunda-feira (10), o professor do Instituto de Física Teórica da Unesp Sérgio Ferraz Novaes, coordenador do Sprace, contou que o jogo faz parte de um esforço de levar aos alunos de ensino médio do país informações atuais sobre física de partículas.

“As informações escolares sobre estrutura da matéria estão defasadas em quase um século”, declarou Novaes através de um sistema de vídeoconferência. O professor falou aos jornalistas a partir do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), em Genebra, Suíça, onde participa do experimento CMS (Solenoide Múon Compacto, na sigla em inglês).

Para mostrar aos estudantes que os átomos são muito mais do que somente prótons, nêutrons e elétrons, a equipe do IFT enviou a todas as escolas brasileiras do ensino médio cartazes didáticos apresentando as demais partículas subatômicas.

“Porém, os cartazes atingem somente os interessados em física, enquanto que o game alcança muito mais jovens”, afirmou o designer do Sprace Game, Einar Saukas, da Summa Technology+Business, empresa que produziu o jogo. O desenvolvimento do game ficou sob a responsabilidade da empresa Black Widow Games Brasil, com a qual Saukas também está envolvido.

Projetado em linguagem Java, o Sprace Game consegue rodar em qualquer computador com sistemas operacionais Windows, Linus, ou Mac. O programador do jogo, Ulisses Bebianno de Mello, da Black Widow, explicou à Agência FAPESP que há três versões de resolução para que até máquinas um pouco mais antigas possam receber o jogo.

“Conseguimos rodar a versão mais básica em um Pentium 1,3Ghz com 512M de memória RAM, acreditamos que a configuração mínima para o jogo seja essa”, disse Mello. Por funcionar em plataformas enxutas, o Sprace Game pode servir como ferramenta de ensino em escolas e instituições com poucos recursos, necessitando apenas do acesso à internet. O jogo é gratuito e pode ser acessado na página do Sprace: Sprace Game

Em busca de partículas
Ao passar pelas quatro fases do Sprace Game, o jogador tem que capturar com sua espaçonave partículas subatômicas; levá-las a um laboratório para que sejam identificadas; descobrir do que são formadas as partículas compostas chamadas de hádrons e recombinar quarks para formar prótons e nêutrons.

Com eles, o jogador consegue montar núcleos atômicos de hidrogênio e oxigênio, a fim de produzir um recurso fundamental para a colonização do planeta explorado, a água.

Uma das fases mais interessantes é a segunda, na qual o jogador deve encontrar e perseguir a partícula tau e observar o seu decaimento, que é a decomposição em outras subpartículas no fim de seu tempo de vida. São essas subpartículas que o jogador deverá capturar. “Isso ajuda a explicar o conceito do decaimento”, disse Saukas.

O designer revelou que um dos grandes desafios do projeto foi criar um jogo que proporcionasse entretenimento sem perder a precisão científica. “Não podíamos fazer um jogo somente divertido e que tivesse incorreções científicas, nem fazer algo muito preciso e que fosse chato de jogar”, afirmou.

O produto final foi testado e aprovado por alunos do ensino médio participantes do Master Class: Hands on Particle Physics evento internacional cuja etapa paulista foi realizada em fevereiro pela Unesp. “Os estudantes tiveram duas horas para jogar, mas depois desse tempo ainda queriam continuar jogando”, contou Saukas.

O sucesso inicial demonstra o acerto na escolha do jogo eletrônico como mídia para divulgar a física de partículas, segundo acredita o professor Novaes. Para ele, trata-se de conceitos intrincados e que precisam ser repetidos para que sejam assimilados. “Filmes, livros e quadrinhos já foram feitos com esse objetivo, mas o videogame é muito mais eficaz nesse aspecto”, declarou o professor.

Repercussão internacional
O professor da Unesp disse que o Sprace Game já tem despertado o interesse de outros países. Uma versão em inglês está sendo finalizada para dar origem a traduções para outros idiomas.

Pesquisadores e divulgadores científicos da França, Áustria, Portugal, República Tcheca e Estados Unidos entraram em contato com Novaes para conversar sobre o jogo, além de profissionais de divulgação científica da Comunidade Europeia.

O professor Helio Takai, do Brookhaven National Laboratory, de Upton, nos Estados Unidos, que também participou da videoconferência do lançamento do Sprace, afirmou que o jogo poderá reduzir a defasagem do ensino de física de partículas que também existe naquele país.

Como no Brasil, o ensino norte-americano até o nível médio repassa conceitos da física descobertos até o início do século 20. Desde então, experimentos realizados em aceleradores de partículas revelaram que prótons e nêutrons são compostos de quarks, partes ainda menores.

Além dos quarks, que se dividem em seis tipos (up, down, strange, charm, bottom e top), também foram descobertos os léptons (elétron, múon, tau e seus três respectivos neutrinos) e as partículas responsáveis pelas interações forte, fraca e eletromagnética (glúon, W, Z e fóton). Enriquecer os conhecimentos de física de estudantes do ensino médio com essas informações mais atualizadas é o objetivo principal do Sprace Game.

“Aqui nos Estados Unidos, as agências de pesquisa valorizam muito as atividades educacionais. Da mesma forma, no Brasil, iniciativas como o Sprace são uma maneira de retribuir à população os investimentos públicos em pesquisa”, falou Takai na cerimônia de lançamento.

Novaes disse que um colega resumiu o ensino de física nesses termos: “Um professor do século 20 ensina física do século 19 para um estudante do século 21”. Para o professor da Unesp, o Sprace Game procura levar informações contemporâneas para estudantes do século 21, por meio de uma mídia moderna.

Fonte: Fábio Reynol / Agência FAPESP