quinta-feira, 6 de maio de 2010

UFRJ: Molécula pode inibir o crescimento de tumores

UFRJ recebe prêmio de excelência em pesquisa contra o câncer

Uma molécula encontrada na glândula salivar de uma espécie de carrapato, o Ixodes scapularis, pode impedir o crescimento de tumores. Isso é o que diz a pesquisa de Tatiana Lobo, doutoranda do Instituto de Bioquímica Médica – (IBqM/UFRJ), que venceu recentemente um prêmio concedido pelo Journal of Thrombosis and Haemostasis a jovens pesquisadores, de até 35 anos, que publicaram no periódico em 2009.

A substância, chamada ixolaris, foi caracterizada em 2002 pelo grupo dos doutores José Marcos Chaves Ribeiro e Ivo Francischetti, pesquisadores brasileiros do National Institutes of Health, nos Estados Unidos, e identificada como um potente anticoagulante. Apesar de ser encontrada nas glândulas salivares do Ixodes scapularis, não há a necessidade de um exemplar do carrapato para a obtenção da substância. A molécula é produzida através de um processo de recombinação genética feito em laboratório.

A pesquisa
O professor Robson Monteiro, orientador da pesquisa e coordenador do Grupo de Trombose e Câncer, do IBQM/UFRJ revela que a pesquisa, realizada pelo grupo desde 2006, relacionou o processo anticoagulante do ixolaris com a evolução de tumores. A substância inibe a ação de uma proteína chamada Fator Tecidual, que inicia as reações da coagulação sanguínea. Assim, não há formação de trombos e novos vasos no tumor, reduzindo drasticamente a sua irrigação e consequente crescimento.

O ixolaris foi testado, até agora, em dois tipos de tumor: gliobastomas (cerebrais) e melanomas (de pele), extremamente agressivos e, assim, de mais fácil observação. Além da rápida evolução, outra característica do melanoma também chamou a atenção dos pesquisadores:“Ao contrário do glioblastoma, o melanoma tem enorme capacidade de gerar metástases, algo que em geral torna a doença praticamente incurável”, diz Robson Monteiro.

A evolução de tumores subcutâneos foi testada em dois grupos de camundongos: o primeiro com exposição à substância e o segundo sem nenhum tipo de tratamento. Após algum tempo, era nítida a diferença de evolução entre os dois grupos. “Camundongos tratados com Ixolaris tiveram um crescimento tumoral menor em relação aos animais não tratados”, revela o professor, que continua: “Neste caso pudemos mostrar também que o Ixolaris reduz drasticamente a formação de metástases pulmonares, evento muito comum nos portadores de melanoma em estágio avançado”, diz.

Ainda não há a certeza de que o Ixolaris aja em tumores encontrados em humanos, mas as pesquisas avançam para que a resposta seja precisa. A autora do artigo está no Scripps Research Institute, nos Estados Unidos, onde testará a substância em tumores mamários e em condições favoráveis para entender as bases moleculares de seu mecanismo antitumoral, passo importante para descobrir que tipos de tumor poderiam ser tratados com esta molécula.

O Prêmio
O Pier M. Mannucci Young Investigator Prize é concedido anualmente pelo Journal of Thrombosis and Haemostasis, publicação oficial da Sociedade Internacional sobre Trombose e Hemostasia (ISTH, na sigla em inglês), a cinco artigos publicados no periódico por pesquisadores de até 35 anos no ano anterior.

O professor Robson classifica a conquista como reconhecimento da comunidade científica. “Se o artigo foi publicado e, mais do que isso, premiado, mostra que estamos no caminho certo”. Ele ressalta, ainda, o impacto que uma premiação tem sobre as pesquisas relacionadas ao mesmo tema: “O prêmio ajuda as pesquisas posteriores a serem vistas pela comunidade científica como algo potencialmente interessante”, diz.

Fonte: Bruno Motta /Olhar Vital - UFRJ

Quatro novos editais para bolsas e fomento na Alemanha

Já está no site do DAAD o edital do programa de bolsas para cursos de pós-graduação (master e PhD) com relevância para países em desenvolvimento (Aufbau) para o período 2011-2012 e, ainda neste mês de maio, será publicado o do programa de pós-graduação master em Políticas Públicas e Boa Governança (PPGG). Também serão abertas neste mês as inscrições de projetos de cooperação dentro dos programas institucionais Unibral I e II e Probral I e II.

Brasileiros podem se candidatar a 40 dos 42 cursos oferecidos no atual edital do programa Aufbau. Eles concentram-se em áreas consideradas importantes para o desenvolvimento de um país: gestão, sustentabilidade, meio ambiente, agricultura, energia, saúde, planejamento regional, educação e outras. Os cursos têm duração de um a dois anos e são ministrados em inglês e/ou alemão.

O PPGG destina-se a qualificar academicamente futuros líderes, graduados em ciências sociais ou políticas, economia, direito, administração pública e áreas afins, seguindo os princípios da boa governança e preparando-os para a vida profissional. Com o conhecimento e a experiência adquiridos na Alemanha, os bolsistas devem contribuir mais tarde para o estabelecimento em seus países de sistemas econômicos e sociais democráticos. Além disso, os cursos deverão qualificá-los como potenciais parceiros em seus países para a cooperação política e econômica com a Alemanha.

Bolsas de Pós-graduação
O Unibral I é um programa conjunto entre Capes e DAAD para promover parcerias acadêmicas, intercâmbio e cooperação no âmbito da graduação. Os objetivos principais são a mobilidade de grupos de estudantes de graduação entre as instituições participantes, a implementação de estudos integrados e a aproximação entre as duas culturas. Já o Unibral II visa incentivar parcerias que levem ao duplo diploma de graduação. Ambos os programas fomentam projetos de parceria por dois anos, prorrogáveis por mais dois.

Igualmente financiado pelo DAAD e a Capes, o Probral I apoia a produção científica conjunta de grupos de pesquisa alemães e brasileiros, que devem trabalhar juntos em um projeto de investigação, e viabiliza a troca de informações e a aplicação conjunta dos resultados técnico-científicos. O programa prevê também o intercâmbio de doutorandos. No Probral II, o incentivo volta-se sobretudo para a formação de doutores com dupla titulação.
Veja mais em Programas interinstitucionais

Fonte: DAAD

Brasil e Alemanha fortalecem parceria na área de CT&I

Evento realizado nesta quarta-feira (5), em Manaus (AM), aproximará ainda mais o Brasil e a Alemanha no setor de ciência, tecnologia e inovação, uma cooperação bilateral que já soma 40 anos. O Workshop Brasil-German Science, Techonology and Innovation, promovido pela Superintendência Nacional da Zona Franca de Manaus (Suframa), em parceria com o instituto alemão Fraunhofer Enas, reuniu diversos atores dos dois países. Os participantes apresentaram propostas que envolvem pesquisas aplicadas nas áreas de monitoramento ambiental e de atendimento na área da saúde.

No total, foram divulgados dez projetos e três deles serão selecionados para receber aporte financeiro da ordem de cinco milhões de euros da Comunidade Européia. As propostas também receberão suporte das ferramentas e soluções tecnológicas dos institutos Fraunhofer e Leti Minatec, da França. As iniciativas devem fomentar avanços na sociedade por meio das atividades de pesquisa e das parcerias tecnológicas entre os dois países.

"O objetivo desse encontro foi definir propostas para trabalharmos juntos. Este é um projeto robusto, com investimentos volumosos", destacou o professor Thomas Gessner, um dos representantes da delegação européia pelo Fraunhofer e responsável pela seleção das propostas. Os beneficiados serão conhecidos ainda nesta quinta-feira (6).

Participaram do primeiro dia empresas, institutos e laboratórios governamentais com atuação consolidada nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação nos dois países. Exemplo é a Casa Alemanha-Brasil de Ciência e Tecnologia, Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), Instituto Certi de Florianópolis, Centro de Tecnologia da Informação (CTI) de Campinas (SP), Petrobras e Vexsa.

O workshop, que conta também com o apoio do Ministério de C&T e o Ministério de Pesquisa e Educação da Alemanha, faz parte das comemoraçoes do Ano Brasil-Alemanha de Ciência, Tecnologia e Inovação, que está sendo organizado pelos ministérios das Relações Exteriores e da Ciência e Tecnologia. Lançada no país no último dia 12 de abril, a iniciativa tem o objetivo principal de despertar o interesse do setor produtivo e de serviços quanto às possibilidades mútuas de negócios e de inovação tecnológica e industrial em setores-chave da economia entre os dois países.

Neste sentido, até março de 2011 deverão ser realizados, em várias cidades brasileiras e alemãs, encontros e eventos com foco em diversas áreas estratégicas, tais como nano e biotecnologia, ciências biomédicas, tecnologia industrial, engenharia de produção, eletrônica, sustentabilidade, mudança climática e popularização da ciência.

Fonte: Cynthia Ribeiro / Gestão CT

Geografia, turismo e patrimônio cultural

Dimensões do espaço turístico
O patrimônio cultural tem uma dimensão espacial que é constitutiva de sua própria identidade. Essa é a ideia que permeia grande parte da coletânea Geografia, turismo e patrimônio cultural, que acaba de ser lançada.

O livro é resultado de seminários realizados pelo grupo de pesquisa Geografia, Turismo e Patrimônio Cultural, pertencente ao Laboratório de Geografia Urbana do Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A coletânea com oito artigos analisa e faz uma interpretação geográfica dos nexos entre patrimônio cultural, turismo e território. De acordo com uma das organizadoras do livro, Maria Tereza Paes, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Unicamp, a proposta foi intencional.

“A coletânea tem o objetivo de demarcar o território para uma abordagem geográfica do patrimônio cultural, área que tradicionalmente é tratada por historiadores, urbanistas e arqueólogos. E a geografia praticamente não tem tradição nessa área”, disse.

Segundo a pesquisadora – que faz a introdução da obra –, o conceito de “paisagem cultural” já era objeto de reflexão da geografia na década década de 1920 com a geografia cultural de Karl Sauer. “Com a supervalorização da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a partir da ampliação do debate e dos processos de tombamento, as paisagens culturais, por exemplo, ressurgem para a nossa reflexão com mais intensidade", disse.

A coletânea é o primeiro livro do grupo de pesquisa e recebeu apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

Segundo Maria Tereza, foram convidados somente geógrafos que haviam participado dos dois primeiros seminários realizados em 2004 e 2005, além de quatro orientandos de mestrado. O lançamento oficial será durante o 3º Seminário de Geografia, Turismo e Patrimônio Cultural, que será realizado nos dias 13 e 14 de maio, na Unicamp.

Um dos conceitos discutidos na obra é o de “refuncionalização” do patrimônio cultural. De acordo com a organizadora, nos projetos e planos locais de políticas públicas é muito comum ouvir falar em “requalificação”, “reabilitação” ou “revitalização” quando se fala em patrimônio cultural.

“Para a geografia, quando discutimos patrimônio cultural, esse processo histórico e político de seleção de bens e paisagens é pensado em termos de produção do espaço. Enquanto isso, a refuncionalização do patrimônio implica em trazer novas funções às formas passadas, sejam elas artificiais ou naturais, pois também o chamado patrimônio natural envolve um processo de seleção. A partir do momento em que a natureza é patrimonializada e tombada, ela ganha um valor cultural e político", disse Maria Tereza.

Segundo a pesquisadora, mesmo o chamado patrimônio imaterial não pode prescindir da escala espacial. “É aí que se vê a importância da geografia que trabalha com as lógicas espaciais, com a produção do espaço e com a forma de apropriação e de valorização do território”, apontou.

Outro aspecto analisado na obra é o que a pesquisadora compreende como “redução narrativa, contribuição de Vicent Berdoulay, seu colaborador francês, a partir da espetacularização da imagem”, que é a sua utilização como uma ideologia espacial.

“As políticas públicas para o turismo investem em determinadas imagens, personificadas em cartão-postal para vender e valorizar as localidades. Há uma eleição de uma imagem que deve ser priorizada e, por consequência, escondem-se outras”, disse.

Ela ilustra a discussão com os casos de Ouro Preto (MG), São Luiz de Paraitinga (SP) e do Pelourinho em Salvador, que são analisados em quatro capítulos do livro. “A imagem do Carnaval de Paraitinga, que ilustra a capa, é contrastante com a de uma cidade interiorana, pacata e caipira. Mas o objetivo é valorizar a cena, o espetáculo”, disse.

Preservação do patrimônio
O primeiro capítulo, Turismo e patrimônio, entre a cultura e o negócio, foi escrito por Rodolfo Bertoncello, da Universidade de Buenos Aires. “Ele discute como pensar o patrimônio, a valorização, o desenvolvimento turístico e o desenvolvimento local. Entra na discussão da valorização turística do patrimônio, principalmente a partir da década de 1990, em um momento em que o patrimônio cultural já tinha virado um produto comercial internacional, diferentemente de países como a França, por exemplo”, disse Maria Tereza.

“Mas, atualmente, estamos em um momento importante de valorização do patrimônio, não só com preocupação no turismo, mas também com a permanência das populações locais. O turismo não é ruim, traz aporte financeiro, interesses e projetos. A questão é não tornar demasiadamente turístico, como se fosse somente essa lógica possível para pensar o patrimônio”, afirmou.

Segundo ela, o patrimônio cultural tem de fazer sentido para a população, e não só para o olhar do turista, que é um olhar transitório e efêmero. “Hoje, temos políticas preocupadas com o desenvolvimento local, além de uma maior preocupação na preservação do patrimônio e na estruturação urbana para essas populações”, disse.

No capítulo Geotecnologias e patrimônio arquitetônico: potencialidades no mapeamento e análise para fins turísticos, de Lindon Fonseca Matias, professor do Departamento de Geografia da Unicamp, é oferecida uma contribuição mais aplicada às finalidades do planejamento e gestão de atividades em sítios urbanos.

“O emprego e a produção de técnicas de geogerenciamento, de documentos cartográficos e de novas geotecnologias são apresentadas de maneira didática, visando a instrumentalizar o planejamento territorial na gestão das cidades turísticas. No texto, o autor também fornece uma contribuição do ponto de vista do conhecimento geográfico a partir das novas dimensões que são apresentadas para a compreensão do processo de produção do espaço”, disse Maria Tereza.

Mais informações pelo site

Título: Geografia, turismo e patrimônio cultural
Autores: Maria Tereza Duarte Paes / Melissa Ramos da Silva Oliveira (organizadoras)
Páginas: 230
Preço: R$ 40

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP