quarta-feira, 5 de maio de 2010

USP desenvolve tecido para ser utilizado em curativos a partir do bagaço de cana-de-açúcar

Curativo de celulose da cana
Um dos mais abundantes resíduos da indústria sucroalcooleira, o bagaço de cana-de-açúcar, poderá ter uma destinação nobre graças a uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP).

A equipe, coordenada pelo professor Adalberto Pessoa Júnior, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, desenvolveu uma fibra que poderá se tornar um tecido que, com o acréscimo de enzimas e fármacos, tem potencial para ser utilizado como curativo com múltiplas aplicações.

A pesquisa surgiu a partir da iniciativa da professora Silgia Aparecida da Costa, do Curso de Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. “O objetivo foi aproveitar dois importantes resíduos, o bagaço da cana e a quitosana, substância extraída da carapaça de crustáceos e que tem propriedades farmacológicas”, disse.

A quitosana é obtida a partir da quitina, um polissacarídeo formador do esqueleto externo de crustáceos como siris e caranguejos, e tem propriedades fungicida, bactericida, cicatrizante e antialérgica.

O trabalho, que contou com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, uniu as áreas farmacêutica e de engenharia de tecidos e depositou patente do processo de fabricação da fibra com potenciais farmacêuticos.

O primeiro desafio foi extrair a fibra da cana-de-açúcar, trabalho feito por Sirlene Maria da Costa que atuou no projeto com apoio de Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP. Durante o doutorado – para o qual também contou com bolsa da Fundação – Sirlene havia desenvolvido um papel corrugado, utilizado no interior de embalagens de papelão, feito da celulose do bagaço da cana.

“Por ter uma fibra curta, nosso maior receio era que a cana produzisse uma fibra de má qualidade para a fabricação de tecidos”, disse Sirlene. No entanto, em testes efetuados no Laboratório de Têxteis e Confecções do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o tecido derivado do bagaço apresentou um grau de polimerização quatro vezes maior que o da viscose, o que significa maior resistência.

Os bons resultados da fibra extraída do bagaço tornaram desnecessária a sua mistura com outros tipos de celulose, uma alternativa que os pesquisadores previam caso a qualidade do material oriundo da cana não correspondesse aos padrões exigidos.

A fibra obtida pela equipe da USP ainda conta com características que a tornam adequada para a confecção de roupas. “Ela é agradável ao toque e bastante confortável, sendo um tipo de liocel”, disse a professora Silgia referindo-se ao nome comercial da fibra oriunda da polpa da madeira.

No entanto, para ser utilizada como curativo foi preciso analisar se não haviam vestígios dos reagentes utilizados no processo de obtenção da celulose. “Constatamos que 99% do reagente é recuperado após o processo, portanto a fibra não agride a saúde”, afirmou.

Obtida a fibra, o passo seguinte foi agregar enzimas e fármacos. Além da quitosana, a professora Silgia realizou ensaios para imobilizar quatro outras substâncias às fibras de cana: os fármacos comerciais anfotericina B e sulfadiazina e as enzimas bromelina e lisozima, a primeira obtida do talo do abacaxi e a segunda da clara de ovo.

A equipe foi bem-sucedida também nessa etapa e os testes realizados posteriormente em células mostraram que o tecido curativo da cana não apresentava efeitos tóxicos.

“O produto se mostrou tecnicamente viável. A avaliação econômica caberá à iniciativa privada, caso alguma empresa se interesse em licenciar o processo”, disse Pessoa, que considera o material útil para tratamento de queimaduras, por exemplo.

Curativos bucais e roupas repelentes
Um grupo de pesquisa da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP entrou em contato com Pessoa a fim de desenvolver um curativo em parceria para ser utilizado na mucosa bucal.

“O local é de difícil aderência, por isso, vamos testar a fibra para verificar se ela adere no interior da boca”, explicou o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas.

A professora Silgia, por sua vez, pretende agora iniciar uma pesquisa para incorporar citronela a tecidos de algodão. A substância extraída do capim-limão é eficiente para repelir insetos. “Roupas com citronela seriam úteis para afastar insetos como o mosquito da dengue”, destacou.

Os desafios do trabalho, segundo ela, é fazer com que a substância permaneça na roupa mesmo após sucessivas lavagens e que não seja absorvida pela pele.

Fonte: Fábio Reynol / Agência FAPESP

O primeiro rádio em um carro era instalado em 1922

No dia 5 de maio de 1922, pela primeira vez um automóvel – um Ford modelo T – foi equipado com um rádio. O que a princípio parecia excêntrico, em cinco anos tornou-se produção em série.

Duas importantes invenções do mundo moderno aconteceram quase simultaneamente. O automóvel existia há algumas décadas e Henry Ford havia começado sua produção em série no começo do século.

A técnica do rádio, no entanto, ainda estava sendo desenvolvida quando, em 1922, George Frost sentou-se confortavelmente em seu modelo T, deu a partida e ligou o rádio. Um gesto que entrou para a história.

Hoje mal se pode imaginar um carro sem rádio. O jovem estudante de 18 anos e presidente de um radioclube pode, entretanto, não ter sido o primeiro na invenção, como conta um porta-voz da Ford em Colônia: "Como nesta época houve vários que adaptaram um receptor no seu carro, é difícil dizer quem foi o primeiro, mas oficialmente Frost é considerado seu inventor".

Dos gigantescos aos removíveis
Nos seus primórdios, o auto-rádio ocupava tanto espaço que, se o automóvel tivesse dois bancos, os de trás seriam tomados pelo rádio e a antena.

Hoje, os modelos são cada vez mais compactos e versáteis. Além de música e informação, os modelos mais avançados já oferecem sistema de navegação, telefone e internet. Avanços que tornam o auto-rádio um objeto cada vez mais cobiçado pelos ladrões.

Mas também este problema foi resolvido pela indústria, com auto-rádios cada vez menores, de painel removível. Um conforto, desde que não seja esquecido em casa.

Fonte: Dirk Ulrich Kaufmann (rw)/DW

VEGF Promotes Malaria-associated Acute Lung Injury in Mice

Estudo realizado na Unifesp desvenda mecanismo fundamental para o desenvolvimento da síndrome respiratória aguda associada à malária, que atinge principalmente crianças e mulheres grávidas

Malária no pulmão
As lesões respiratórias agudas estão entre os vários problemas de saúde causados pela malária. Esse comprometimento pulmonar atinge, com frequência, crianças de até 3 anos de idade e mulheres grávidas e pode gerar um quadro de insuficiência respiratória que leva à morte. Os mecanismos que desencadeiam essas lesões, no entanto, eram até agora desconhecidos.

Uma nova pesquisa desvendou um dos mecanismos fundamentais para o desenvolvimento da síndrome respiratória aguda associada à malária. Os resultados do estudo serão publicados na edição de 20 de maio da revista PLoS Pathogens.

De acordo com a autora principal do estudo, Sabrina Epiphanio – professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Diadema (SP) –, o tema começou a ser estudado durante seu pós-doutorado, realizado entre 2003 e 2008 no Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa e no Instituto Gulbenkian de Ciência, ambos em Portugal e foi finalizado no Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP).

De volta ao Brasil, Sabrina, que atualmente é professora do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp, retomou o trabalho que deu origem ao artigo e à sua linha de pesquisa atual, que trata da identificação e caracterização da síndrome respiratória associada à malária em modelos animais. Para o projeto de pesquisa, conta com apoio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes da FAPESP.

“Muitos relatos de casos envolvendo malária pulmonar têm sido descritos na região amazônica, além de em regiões africanas e asiáticas. Pela primeira vez conseguimos desvendar um importante mecanismo envolvido na injúria respiratória aguda associada à doença”, disse.

Alguns dos experimentos envolvidos no trabalho, de acordo com Sabrina, foram desenvolvidos em parceria com Claudio Marinho, professor do Departamento de Parasitologia do ICB-USP, que estuda – também com apoio do Programa Jovens Pesquisadores – os mecanismos imunopatológicos envolvidos na malária durante a gravidez.

“A síndrome respiratória não é muito frequente, mas quando ocorre muitas vezes leva à morte. Além de acometer muitas crianças e mulheres grávidas, o problema também atinge amplamente os pacientes logo após o tratamento antimalárico. Ainda não sabemos por que isso ocorre”, explicou.

Segundo Sabrina, além de descobrir que um importante mediador inflamatório conhecido como VEGF está diretamente envolvido no desenvolvimento das lesões pulmonares, o trabalho propõe um novo modelo para futuros estudos das afecções respiratórias associadas à malária.

“Começamos trabalhando com outro enfoque, testando parasitas da malária em diferentes linhagens de camundongo. Mas observamos que determinada linhagem desenvolvia a síndrome respiratória aguda. Isso nos motivou a começar os estudos, já que não havia um modelo animal definido para isso. Desenvolvemos o modelo e começamos a montar um verdadeiro quebra-cabeça para descobrir os mecanismos que desencadeiam a síndrome”, disse Sabrina.

Monóxido de carbono
O VEGF (sigla em inglês para fator de crescimento endotelial vascular) é uma molécula responsável pelo aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos. Os pesquisadores observaram que sua presença promovia o aumento da permeabilidade vascular no pulmão, gerando edemas e hemorragias característicos de uma injúria pulmonar aguda.

“Utilizamos várias técnicas para desvendar os mecanismos. Observamos, por exemplo, que havia aumento do VEGF no soro dos animais que desenvolviam a síndrome respiratória. Depois utilizamos adenovírus que bloqueavam os receptores solúveis de VEGF e observamos que, com isso, o mediador inflamatório voltava aos níveis basais e o animal não desenvolvia o problema pulmonar”, explicou.

Os cientistas utilizaram também o monóxido de carbono – que é uma molécula anti-inflamatória – para tratar os animais, conseguindo uma reversão do processo de injúria respiratória aguda. “O monóxido de carbono tem uma potente ação anti-inflamatória, antiapoptótica e antiproliferativa. Com ele, revertemos o quadro clínico dos animais, que não chegaram a desenvolver a síndrome”, disse Sabrina.

Depois de desvendar o mecanismo crucial para o desenvolvimento da lesão respiratória associada à malária, os cientistas agora querem entender melhor a síndrome em relação a outros fatores inflamatórios. “O principal objetivo é avançar nos estudos com esse modelo que desenvolvemos e também gerar outros modelos, de forma a compreender cada passo do processo”, afirmou.

Segundo Sabrina, na década de1970 havia sido proposto um modelo animal com outra linhagem de camundongos, mas sua eficiência foi criticada e sua aplicação não evoluiu. “Consideramos que conseguimos desenvolver o primeiro modelo realmente eficiente”, disse.

O artigo VEGF Promotes Malaria-associated Acute Lung Injury in Mice, de Sabrina Epiphanio e outros, poderá ser lido em breve na PLoS Pathogens em www.plospathogens.org.

Fonte : Fábio de Castro / Agência FAPESP

Entib oferece formação técnica e acadêmica em tecnologia industrial

A Escola Nacional de Tecnologia Industrial (Entib) oferece cursos de formação técnica e acadêmica no campo da tecnologia industrial, com destaque para metrologia, normalização, avaliação da conformidade e tecnologias de gestão.

Fazendo uso do que há de mais recente nas tecnologias de educação a distância, se constitui numa solução eficaz, integrada e econômica para a qualificação de profissionais, especialmente em empresas com unidades operacionais dispersas geograficamente, afirma Pedro Paulo Rosário, secretário executivo da Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM).

Segundo ele, a Entib é acessível a empresas de qualquer porte, profissionais autônomos e estudantes interessados em melhorar sua qualificação nas áreas das tecnologias industriais. Embora tenha um fio condutor baseado em aspectos que caminham para a vertente da sustentabilidade, a escola não abandona as características intrínsecas que a tecnologia industrial tem como premissas: metrologia, normalização, avaliação da conformidade e as tecnologias de gestão”, lembra.

A Entib opera a partir de um portal de aprendizagem, que integra tutores, docentes e todos os serviços de informação, com o objetivo de maximizar o desempenho dos alunos. São oferecidas inscrições para módulos integrais ou para disciplinas isoladas, de acordo com as necessidades das empresas e dos profissionais.

Para Rosário, a escola foi concebida de forma a incorporar a dimensão técnico-científica de forma crítica e reflexiva. Buscamos estimular a autonomia e o aprendizado por meio da articulação entre professores e alunos com o propósito de trabalhar novos conhecimentos. Ele lembra que o método de ensino leva em consideração a experiência profissional dos estudantes e professores.

A Entib é uma realização da Sociedade Brasileira de Metrologia, com o apoio da Finep, MCT, Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Mais informações sobre os programas de ensino da Entib podem ser obtidas no site www.entib.org.br.

Fonte: Tamara Costa / GESTÃO CT