terça-feira, 4 de maio de 2010

Vacinação nacional contra o HPV: vacinar apenas mulheres ou também os homens?

Homens também?
Os estudos de vacinas profiláticas contra o HPV (papilomavírus humano) ensejaram uma série de questionamentos envolvendo homens e mulheres e se há necessidade de a vacina ser ou não administrada em pessoas de ambos os sexos.

O Ministério da Saúde discute uma eventual recomendação para a inclusão da vacina contra o HPV no programa nacional de vacinação, pelo Sistema Único de Saúde. Mas há dúvida se devem ser vacinadas apenas mulheres ou, então, mulheres e homens.

Formado por um grupo de mais de 100 tipos, o HPV pertence ao rol das doenças sexualmente transmissíveis, mas, na maioria das vezes, a infecção é transitória e desaparece sem deixar vestígios. Sua capacidade oncogênica é que preocupa os especialistas – considerados de alto risco, os tipos 16 e 18 são os mais frequentes em cânceres do colo do útero e anal.

“Se eliminarmos a maior parte dos tipos de alto risco, vamos caminhar para a diminuição ou mesmo erradicação das doenças ligadas ao HPV”, disse Luisa Lina Villa, coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV (INCT-HPV), durante o Simpósio Internacional de Pesquisa em HPV, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, na semana passada. O INCT-HPV tem apoio da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em 2006, uma vacina quadrivalente recombinante contra o papilomavírus humano – que estimula a produção de anticorpos específicos para os tipos 6,11,16,18, sendo os dois primeiros de baixo risco – foi a primeira a ser liberada.

Dois anos depois, entrou em cena a vacina bivalente, que protege contra os tipos 16 e 18 do vírus. Em mais de 40 países optou-se por fazer uso do imunizante em programas públicos de vacinação. Em outros, incluindo o Brasil, esse tipo de programa acabou não sendo implementado, o que deverá ocorrer em breve.

A vacina quadrivalente (MSD) foi aprovada no Brasil para mulheres de 9 a 26 anos, faixa etária em que foram realizados os primeiros estudos de fase 3, que mediu a eficácia do produto.

Recentemente, o imunizante demonstrou eficácia em mulheres de até 45 anos, e está sendo avaliada a eficácia em homens de 16 a 23 anos, incluindo os grupos dos que fazem sexo com mulheres ou que se relacionam sexualmente com homens. Uma das razões para os testes em homens é que o HPV também pode estar associado a casos de câncer de pênis e câncer anal.

“Ainda há controvérsia em torno da melhor relação custo-benefício na vacinação apenas de mulheres e na vacinação com mulheres e homens. Penso que, se ampliássemos a vacinação, iríamos acelerar a diminuição da doença. Não há motivos para atrasar um processo que trará benefícios para a humanidade”, disse Luisa, que também é professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O virologista norte-americano Raphael Viscidi, professor da Universidade Johns Hopkins, não vê necessidade de se estender a vacinação para os homens, uma vez que, segundo ele, o câncer de pênis, por exemplo, é 20 vezes mais raro do que o cervical, doença que mata anualmente pelo menos 290 mil mulheres no mundo.

“Não há necessidade de se vacinar os homens contra a infecção pelo HPV, mas sim prevenir a ocorrência das doenças associadas a ele”, afirmou Viscidi durante o Simpósio Internacional de Pesquisa em HPV. A reserva do pesquisador, segundo ele, pode ser explicada pelo fato de a vacina ainda ter taxas de aceitação e cobertura baixas nos Estados Unidos.

Em todo o mundo, a distribuição do HPV é relativamente semelhante, com uma prevalência mundial em torno dos 10%.

Para o presidente do Instituto de Prevenção ao Câncer de Colo do Útero (Incolo), o médico ginecologista gaúcho Paulo Naud, também presente ao simpósio, a grande vítima é a mulher, uma vez que o Brasil registra anualmente cerca de 18 mil novos casos de câncer do colo do útero, o que justifica a importância da vacinação.

“Esses tipos de tumores estão associados ao papilomavírus, contra o qual a grande arma acabou se tornando a vacina. A cada hora, mais de duas brasileiras são diagnosticadas com esse câncer, e os imunizantes desenvolvidos têm mostrado 100% de eficácia. Prevenindo as infecções precursoras, podemos eliminar a doença”, destacou.

Mais informações: www.incthpv.org.br

Fonte: Washington Castilhos /Agência FAPESP

Embrapa firma parcerias para o fortalecimento da pesquisa agropecuária


O Programa de Fortalecimento e Crescimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (PAC Embrapa) destinará R$ 72,3 milhões para 16 Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Oepas). O acordo foi formalizado no dia 29, pelo diretor-presidente da Embrapa, Pedro Arraes, e pelos dirigentes das instituições estaduais.

Em 2008 e 2009, o PAC Embrapa já havia transferido R$ 145,3 milhões para as Oepas que fazem parte do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária. Foram contempladas as organizações dos seguintes Estados: Rio de Janeiro, Pernambuco, Mato Grosso, Bahia, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Espírito Santo, Paraná, Tocantins, São Paulo, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Alagoas.

Capes
Na mesma ocasião, o diretor-presidente da Embrapa e o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, firmaram uma parceria para a concessão de 570 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado na área do agronegócio.

A cooperação tem como um dos objetivos selecionar candidatos para a realização de doutorado nas áreas estratégicas e universidades definidas pela Embrapa e absorver, temporariamente, jovens doutores para atuarem em projetos de pós-doutorado em unidades da empresa.

Aquicultura
Outra parceria firmada foi entre Pedro Arraes e o ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin, para implementar o Consórcio Nacional de Pesquisa em Pesca e Aquicultura. Um comitê deverá estabelecer, em 60 dias, as regras de funcionamento do consórcio, que vai reunir instituições de diferentes partes do país ligadas à pesquisa e desenvolvimento e ao setor produtivo.

O consórcio será liderado pela Embrapa. Gregolin ressaltou a atuação da empresa nos trabalhos em rede e a importância da parceria. "Assim como o Brasil se destaca na produção de grãos, de carne bovina, de frango, vai também ser no futuro um grande produtor de pescado", afirmou.

O ministro também destacou a implementação da Embrapa Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas, em fase de instalação no Estado do Tocantins, como uma ação fundamental para o fortalecimento do setor.

Informações sobre as ações da Embrapa podem ser obtidas no site www.embrapa.br.

Fonte: Gestão CT