quinta-feira, 15 de abril de 2010

Em 1920 ocorria o suposto crime de Sacco e Vanzetti

O assalto a uma fábrica de sapatos em Boston, nos EUA, a 15 de abril de 1920, e a morte de duas pessoas, levou à prisão dos imigrantes italianos Sacco e Vanzetti.

O sapateiro Nicola Sacco e o vendedor ambulante Bartholomeo Vanze tti se engajavam politicamente e se diziam anarquistas. Sua prisão aconteceu numa época em que os sindicatos estavam ganhando cada vez mais força nos Estados Unidos, na batalha contra a exploração dos trabalhadores. O governo e a opinião pública viam nisso uma tentativa de revolução comunista.

Depois de sangrentos conflitos entre grupos de imigrantes russos, chegaram a ser enviadas tropas a Boston para controlar o que se suspeitava serem "os primeiros passos dos bolcheviques na conquista dos Estados Unidos". Os dois rapazes de origem italiana acabaram sendo vítimas deste estado de ânimos.

Em julho de 1921, os jurados reconheceram a culpa de Sacco e Vanzetti, que sempre juraram inocência. A sentença de morte baseou-se apenas em provas circunstanciais, num processo muito questionável. As testemunhas da defesa nunca chegaram a ser ouvidas. A condenação à morte provocou uma onda de protestos e consternação em todo o mundo.

A repercussão internacional
Tudo indicava que os dois acusados, por causa de suas convicções políticas, haviam sido vítimas de um julgamento precipitado e não tiveram um processo justo. A embaixada norte-americana em Paris recebeu ameaça de atentado, a representação em Havana teve que pedir reforço policial e uma bomba explodiu na casa do governador de Massachusetts.

Os vários pedidos de revisão provocaram o adiamento da execução da sentença diversas vezes. Mas, com os recursos esgotados, no dia 23 de agosto de 1927, Sacco e Vanzetti fora mortos na cadeira elétrica. Em carta ao governador do Estado, insistiram, em vão, em sua inocência . Não pediram por clemência, pois isso equivaleria a reconhecer a autoria do crime.

O controvertido caso chegou a ser tema de filme e de vários livros. O jurista Edmund Morgan, da Universidade de Harvard, investigou o processo e o julgamento durante vários anos. Em 1948, ele chegou à conclusão de que os dois foram vítimas de um erro judicial.

Nas suas palavras, Sacco e Vanzetti foram "vítimas de uma sociedade preconceituosa, chauvinista e perversa". Em 1977, o governador de Massachusetts, Michael Dukakis, assinou uma declaração na qual reconheceu a injustiça cometida pelo tribunal e reabilitou o nome dos dois italianos.

Fonte: Michael Kleff (rw)/ DW