segunda-feira, 5 de abril de 2010

Empresas brasileiras e francesas serão parceiras no desenvolvimento de pesquisas

A primeira rodada da chamada binacional do Programa Oseo/Finep resultou na parceria de oito empresas, entre elas quatro brasileiras e quatro francesas, para o desenvolvimento de projetos inovadores nas áreas de nanotecnologia, aeronáutica, saúde e meio ambiente. Serão disponibilizados R$ 7 milhões para as pesquisas, entre elas, o desenvolvimento de fármacos para tratamento do câncer. Os recursos seguem a regra do Programa Inova Brasil, da Finep, que opera empréstimos com juros subsidiados a partir de R$ 1 milhão.

As propostas foram apresentadas às duas agências por meio de formulário eletrônico. Nesta primeira rodada, 14 empresas entregaram projetos à Oseo e 10 submeteram suas propostas à Finep. Segundo informações da financiadora, os projetos que não foram aprovados por não se enquadrarem nas regras do programa de cooperação devem ser redirecionados para análise por outras linhas convencionais de apoio operadas pelas duas instituições.

A Oseo Inovação é a principal fonte de ajuda a pequenas e médias empresas inovadoras na França, tendo apoiado cerca de cinco mil delas em 2008, com investimentos de 800 milhões de euros. Já a Finep, ligada ao MCT, possui um histórico em apoio a projetos de inovação de empresas de todos os portes e instituições de ensino e pesquisa brasileiros, oferecendo recursos reembolsáveis com taxas diferenciadas e não-reembolsáveis por meio de editais.

Informações sobre as ações da Finep estão disponíveis no site www.finep.gov.br. (Com informações da Finep)

Fonte: Gestão CT

Finep lança edição 2010 do Prêmio de Inovação

A partir de amanhã (6) até o dia 30 de julho, os interessados em participar do Prêmio Finep de Inovação 2010 já podem fazer a sua inscrição. O lançamento oficial da premiação acontece nesta terça-feira, no Rio de Janeiro (RJ).

Este ano, além das seis categoriais tradicionais, a Finep também vai premiar as melhores práticas em Gestão da Inovação. Outra novidade é que serão aceitas inscrições de Organizações Não Governamentais (ONGs) na categoria Tecnologia Social.

Os vencedores da 13ª edição do prêmio receberão recursos do programa de Subvenção Econômica, que vão de R$ 120 mil a R$ 2 milhões, para o desenvolvimento de projetos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.

No ano passado, o Prêmio Finep recebeu um total de 571 inscrições. Este ano, segundo a coordenadora nacional do evento, Vera Marina da Cruz e Silva, a expectativa é chegar a mil inscrições. As inscrições devem ser feitas pela internet, em formulários específicos que podem ser acessados no site www.finep.gov.br/premio/.

Painel
Durante o lançamento da premiação, será apresentado o painel “O Rio que queremos, com os principais projetos de revitalização da cidade, como o Porto Maravilha e o novo Museu da Imagem e do Som.

No mesmo dia, a Finep assinará convênios com várias instituições, entre elas a Fundação Roberto Marinho, no valor de R$ 2 milhões, para a implantação do projeto Museu do Amanhã, que tem como objetivo discutir a trajetória do homem no planeta e popularizar a ciência, a tecnologia e a inovação.(Com informações da Finep)

Fonte: Gestão CT

Observation of an Antimatter Hypernucleus

Para além da tabela periódica

Um grupo internacional de cientistas, com participação brasileira, conseguiu a primeira evidência experimental de que núcleos atômicos compostos de antimatéria "estranha" podem ser produzidos pela colisão de íons de ouro em alta energia.

A capacidade para formar em abundância essas partículas exóticas, segundo os autores, poderá ser fundamental para por à prova aspectos fundamentais da física nuclear, da astrofísica e da cosmologia.

O experimento, realizado pela Colaboração Star – que reúne 584 cientistas de 54 instituições em 12 países diferentes – foi produzido no Colisor Relativístico de Íons Pesados (RHIC, na sigla em inglês), localizado nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados nesta sexta-feira (5/3) no site da revista Science.

Os coautores brasileiros são Alejandro Szanto Toledo, Alexandre Suaide e Marcelo Munhoz – todos eles professores do Departamento de Física Nuclear do Instituto de Física (IF) da Universidade de São Paulo (USP) –, Jun Takahashi, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e seus orientandos de doutorado Rafael Derradi de Souza e Geraldo Vasconcelos.

De acordo com Toledo, que é diretor do IF-USP desde 2006, a participação dos cientistas paulistas na colaboração contou com diversos auxílios da FAPESP. Toledo coordena atualmente o Projeto Temático “Reações nucleares nos regimes relativístico e astrofísico”, apoiado pela Fundação. Takahashi, atualmente na Unicamp, foi seu orientando de pós-doutorado na USP, com Bolsa da FAPESP.

Segundo Toledo, o artigo descreveu a primeira observação da formação de um anti-hipernúcleo. De acordo com ele, uma colisão de íons pesados em alta energia, como a que foi produzida no RHIC, gera uma grande quantidade de partículas. Em tese, quando a energia é superior a duas vezes a massa de determinado hádron, antipartículas desse hádron podem ser geradas, o que ocorre quando a transição de fase é atingida

“Essas antipartículas são submetidas à coalescência – um processo análogo à condensação – e algumas delas podem agregar, por exemplo, dois antinêutrons e um antipróton, formando um antitrítio – isto é, um núcleo de antimatéria correspondente ao do átomo de trítio – o isótopo do hidrogênio que possui dois nêutrons e um próton”, disse Toledo.

O experimento, segundo o professor, formou hádrons – partículas formadas por quarks, como os prótons e nêutrons – que possuem um chamado quark estranho, formando o chamado hipernúcleo. No modelo padrão da física de partículas, o quark estranho é aquele que possui o novo número quântico conhecido como “estranheza”.

“Esse hipernúcleo formado, que é um antiestranho, é feito de antimatéria. Essa é a primeira vez em que se conseguiu uma evidência experimental de um anti-hipernúcleo. Ou seja, obtivemos um núcleo que está fora do espaço biparamétrico da tabela periódica. Trata-se, portanto, de antimatéria estranha”, explicou Toledo.

Segundo ele, já se havia obtido antiprótons e antielétrons – ou pósitrons. Mas é a primeira vez que se obtém um anti-hipernúcleo, que é algo bem mais complexo e mais raro. “Estamos felizes por termos um grupo de São Paulo participando do trabalho, porque trata-se de fato de uma descoberta”, destacou.

Toledo explicou que a reação foi produzida nos mais altos níveis de energia atingidos pelo RHIC. Essa região de alta densidade de energia foi formada pela colisão de dois núcleos de ouro a 200 gigaelétron-volts (GeV).

“Como se trata de um anel de colisão, a energia no centro de massa é de 200 GeV: uma quantidade de energia suficientemente grande para derreter a matéria nuclear e provocar uma transição de fase. Com isso, conseguimos passar da matéria hadrônica para a matéria conhecida como quark-glúon plasma”, explicou.

Eixo da estranheza
Esse novo estado da matéria nuclear originado da transição de fase, de acordo com Toledo, também foi observado pela primeira vez de forma conclusiva no RHIC. É esse estado que possibilitou a formação da coalescência, produzindo os anti-hipernúcleos.

“Para se ter uma ideia da eficiência do processo, basta dizer que, em 100 milhões de colisões, 70 foram observadas. Para reconhecer essas 70 colisões, foi preciso fazer um trabalho de identificação dessas partículas e de seus descendentes em um meio superpovoado com todas as partículas criadas pela colisão. Algo como encontrar uma agulha em um palheiro. O filtro necessário para detectar essas partículas teve que ser desenhado com extrema precisão”, disse.

A partir desses resultados, segundo Toledo, um dos caminhos possíveis consiste em prosseguir com os experimentos até a construção de uma nova tabela periódica. A próxima meta planejada, de acordo com ele, é a criação de um anti-hélio: uma partícula alfa de antimatéria.

“Quanto mais complexo é o antinúcleo, menor a probabilidade de coalescência. O anti-trítio é composto de três partículas. Mas se quisermos um anti-hélio, vamos precisar de quatro partículas na mesma região do espaço: dois antiprótons e dois antinêutrons. Não será fácil, mas a Colaboração Star irá enveredar por essa direção”, afirmou.

Outro caminho para as investigações, segundo Toledo, consiste em colocar à prova as leis fundamentais da física de partículas. “Por exemplo, sabemos que a tabela periódica até recentemente possuía dois eixos: o número de prótons e o número de nêutrons. Se estendermos a tabela, podemos encontrar também o número de antiprótons e de antinêutrons no mesmo plano. Com isso, poderíamos criar um terceiro eixo na tabela, que nunca foi observado e é perpendicular aos outros dois: o eixo da estranheza”

O artigo Observation of an Antimatter Hypernucleus (DOI: 10.1126/science.1183980) , da Colaboração Star, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencexpress.org.

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP

A Gold Way from the South

Alto impacto

Países em desenvolvimento, localizados principalmente na América Latina e Caribe, desenvolveram uma significativa capacidade para publicar artigos científicos em volume cada vez crescente e de maior impacto no cenário internacional.

Essa é uma das principais avaliações de um artigo publicado no Canadian Journal of Higher Education. De acordo com a publicação, o significativo aumento da publicação nos países em desenvolvimento – com destaque para o Brasil – representa de forma efetiva “a primeira e inexorável globalização da comunicação cientifica”.

O artigo atribui uma grande parte do sucesso das publicações à influência internacional da biblioteca científica eletrônica SciELO (Scientific Electronic Library On-line), programa criado em 1997 pela FAPESP em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

De acordo com o autor do trabalho, Abel Packer, diretor da Bireme e um dos idealizadores da SciELO, o texto faz um apanhado histórico e analisa as condições que contribuíram para o êxito do projeto durante seus 12 anos de existência.

“A cooperação entre a FAPESP e a Bireme é uma das condições que permitiram que o projeto tivesse a continuidade e a sustentabilidade institucional e financeira para adquirir dinâmica e status próprios”, disse Packer.

O objetivo principal da SciELO é a publicação on-line de periódicos de qualidade com alta visibilidade não só local como internacionalmente.

“O acesso aberto permitiu mais visibilidade, transparência e credibilidade aos periódicos da SciELO em vários países, atingindo em 2010 mais de 600 títulos. Esse processo sistemático e global de divulgação mostra que a fronteira entre periódicos da chamada corrente principal e os periódicos 'regionais' vem desaparecendo gradualmente. A SciELO contribuiu para criar um continuum entre eles", destacou Packer.

Ele analisa no artigo o que considera um “aspecto crítico” dos periódicos científicos nos países em desenvolvimento, que eram vistos como de qualidade inferior. Por esta razão, os artigos nela publicados tinham pouca repercussão.

“Esta questão não é nova e tem sido bem documentada em muitas publicações internacionais que enfatizam a ciência perdida no terceiro mundo”, afirma ao se referir ao artigo Lost science in the third world, publicado em 1995 na revista Scientific American e que inspirou o projeto SciELO.

A rede SciELO disponibiliza coleções do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Venezuela, Bolívia, México, Costa Rica, Paraguai, Peru e Uruguai, além de Espanha, Portugal e, desde 2009, África do Sul, que optou por adotar a plataforma para publicação dos seus periódicos científicos de qualidade em acesso aberto.

“O desenvolvimento cooperativo em rede permite que cada país se responsabilize pelo financiamento e operação de suas coleções nacionais, seguindo tecnologia e metodologia comuns”, explicou Packer.

Segundo ele, a rede só indexa e publica periódicos com publicação regular, com controle de qualidade por revisão de pares e que concordem em manter seu conteúdo totalmente aberto e com acesso gratuito.

A coleção cobre publicações de todas as áreas do conhecimento. Até fevereiro de 2010, a coleção incluía cerca de 250 mil artigos e aproximadamente 4 milhões de citações concedidas. “Por mês, os artigos da coleção SciELO Brasil contabilizam, em média 10 milhões de downloads", disse Packer.

Sucesso mundial
Quando surgiu, a SciELO abrigava dez revistas científicas, todas brasileiras. Atualmente, o sistema reúne 15 países. Dos 600 periódicos, cerca de 204 são do Brasil. O segundo país com mais títulos é o Chile (85) e o terceiro, a Colômbia (78).

Em editorial publicado em 21 agosto de 2009, a revista Science destacou o papel da SciELO como um modelo que torna mais visível o trabalho publicado em periódicos científicos locais, a partir dos sistemas de busca e ferramentas bibliométricas.

“Além do acesso aberto on-line, a metodologia de publicação da SciELO tem um sistema de indexação de controle e acesso e citações, de modo a acompanhar não só o número de downloads de textos completos quanto das citações recebidas que serve para medir o impacto dos periódicos", apontou Packer.

Em 2008, quatro publicações que integram a coleção SciELO Brasil tiveram fator de impacto maior que 1 no índice no Journal Citation Report (JCR) da Thomson Reuters. "Significa que os artigos científicos publicados em 2006 e 2007 foram citados em 2008, em média, pelo menos uma vez pelas outras revistas que integram o JCR", explica.

Journal of the Brazilian Chemical Society, da Sociedade Brasileira de Química, Memórias do Instituto Oswaldo Cruz (da Fiocruz), Brazilian Journal of Medical and Biological Research (da Associação Brasileira de Divulgação Científica), e Revista Brasileira de Psiquiatria, da Associação Brasileira de Psiquiatria, estão entre as publicações de maior impacto na rede.

O artigo destaca também que a distribuição do fator de impacto no JCR de oito periódicos publicados na SciELO tiveram aumento médio de 295% entre 1998 e 2008. No âmbito da coleção SciELO, cerca de 85% dos periódicos aumentaram o fator de impacto.

"Este desempenho notável em relação às citações recebidas assim como ao aumento sistemático do número de downloads evidenciam que os objetivos da SciELO vêm sendo alcançados", disse o diretor da Bireme.

De acordo com Packer, a SciELO é o programa de publicação científica dos países em desenvolvimento de maior sucesso mundial. Mas um de seus principais desafios é fazer avançar um número seleto de periódicos de qualidade nos países em desenvolvimento para o "núcleo referencial de qualidade internacional em suas áreas temáticas".

“Para isso, será necessário receber ainda mais apoio político das agências nacionais como uma instância de referência para avaliação de produção científica. A SciELO já ocupa esta posição em muitos países, mas esperamos que se fortaleça ainda mais como referência para publicação e avaliação de produção científica dos países em desenvolvimento”, disse.

O artigo The SciELO Open Access: A Gold Way from the South, de Abel Packer, pode ser lido em http://ojs.library.ubc.ca/index.php/cjhe .

Fonte: Alex Sander Alcântara /Agência FAPESP