quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

FapES tem novo presidente Aureliano Nogueira da Costa

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes) tem à frente um novo presidente, Aureliano Nogueira da Costa, que substitui Marcos Adolfo Ribeiro Ferrari. Costa era diretor técnico-científico da fundação.

Na sua visão, o maior desafio será gerar a aproximação entre os setores acadêmico e produtivo da sociedade, com vistas ao incentivo à inovação tecnológica. A Fapes quer envolver todos os setores da sociedade para participar dos avanços e também gerar inclusão social. Tudo isso, alinhado ao plano estratégico do Ministério da Ciência e Tecnologia e do governo do Estado, disse em notícia publicada no site da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect).

Para o secretário Estadual de Ciência e Tecnologia, Paulo Foletto, Costa vem com a missão de promover a efetiva interação entre a academia, o setor produtivo e a sociedade civil, promovendo a agilidade na integração entre a Sect e a Fapes com os parceiros. “No dinamismo que lhe é peculiar, esperamos uma seqüência de trabalhos de sucesso que a Fapes já conseguiu no conceito do sistema estadual de CT&, declarou.

Currículo
Possui graduação em agronomia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestrado em fitotecnia e doutorado em solos e nutrição de plantas, ambos pela UFV. Atualmente, é pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), professor das Faculdades Integradas Espirito Santenses (Faesa), professor e pesquisador do programa de pós-graduação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).A Sect/ES é uma instituição associada à ABIPTI.(Com informações da Sect) 

Fonte: Gestão CT

Etiology of childhood diarrhea in the northeast of Brazil: significant emergent diarrheal pathogens

Mudança de agente da diarreia

Um estudo epidemiológico realizado durante dois anos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) com crianças de João Pessoa (PB) sugere que os patógenos causadores da diarreia no Brasil estão mudando. A pesquisa mostrou que o mais prevalente dos agentes associados à doença é a bactéria Escherichia coli enteroagregativa (EAEC) e não mais a Escherichia coli enteropatogênica clássica (EPEC), que causava a maior parte dos casos há algumas décadas.

A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista Diagnostic Microbiology and Infectious Disease, foi coordenada pela professora Marina Baquerizo Martinez, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas (FBC) da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

Segundo Marina, autora principal do artigo, o estudo analisou amostras de fezes extraídas de 290 crianças com diarreia e 290 crianças saudáveis (grupo de controle). A Escherichia coli diarreiogênica foi o patógeno mais prevalente associado à diarreia aguda, correspondendo a 48,3% dos microrganismos isolados. A variedade enteroagregativa foi a mais comum: 25%. Apenas 7,9% dos patógenos isolados eram Salmonella.

“Temos estudos feitos nas décadas de 1980, 1990 sobre a etiologia – ou fatores causais – da diarreia. Comparando o estudo feito na Paraíba com essa série histórica, podemos observar que na década de 2000 houve uma diferença acentuada em relação ao microrganismo que mais incide na população. Até agora, a Escherichia coli enteroagregativa não havia sido identificada no Brasil como agente principal da diarreia aguda”, disse Marina.

Realizada entre 2004 e 2006, a pesquisa teve seus resultados aceitos para publicação em 2008, mas veiculados apenas em janeiro de 2010. Marina explica que, para estudos epidemiológicos, os dados podem ser considerados atuais.

“É importante fazer esse tipo de pesquisa porque, quando a criança com diarreia é atendida por um médico, o exame para identificação do agente causador da doença não faz parte da rotina. O estudo epidemiológico permite saber quais são os patógenos em circulação no país. Isso é relevante, pois a caracterização do perfil etiológico da diarreia nos primeiros anos de vida permite o estabelecimento de políticas locais de vigilância, tratamento e profilaxia da doença diarreica”, disse a pesquisadora, que atualmente coordena três projetos de Auxílio à Pesquisa – Regular apoiados pela FAPESP.

De acordo com a professora, vários agentes emergentes têm sido identificados nos últimos anos, como o rotavírus. “Nas décadas de 1970 e 1980 o agente mais importante era a Salmonella e EPEC. Mais tarde o rotavírus passou a ser um agente causador importante – tanto que a vacinação para esse microrganismo passou a ser oferecida na rede pública. Agora temos a prevalência da EAEC”, explicou.

Os estudos epidemiológicos visando a identificar a virulência dos patógenos em circulação e as pesquisas sobre a etiologia mudaram, gradualmente, o tratamento da doença.

“Na década de 1980 muitas crianças eram internadas com diarreia causada por Salmonella e por EPEC Hoje, graças a estudos sobre a etiologia da doença, foi possível tratá-la de forma mais global e passou-se a divulgar a necessidade de hidratar a criança o mais cedo possível. O resultado disso é que hoje as crianças não são mais internadas nesse caso”, explicou.

A pesquisadora afirma que o grupo se surpreendeu com a prevalência da Escherichia coli. “Achávamos que no Nordeste brasileiro a etiologia da diarreia permanecia a mesma, com predominância da Salmonella. Foi uma surpresa ver que a região tinha esses agentes atípicos como causa da diarreia aguda”, disse.

Questão de pobreza
O grupo liderado por Marina atualmente realiza um estudo da etiologia da diarreia no Hospital Universitário (HU) da USP, também com apoio da FAPESP.

“Estamos colhendo material para o projeto, que tem término previsto para março de 2011. A ideia é analisar a etiologia da diarreia em São Paulo para comparar com os dados dos estudos feitos na região nas décadas de 1980 e 1990”, disse.

A professora explica que a diarreia é uma doença infecciosa autolimitante – isto é, os sintomas desaparecem espontaneamente com o tempo. “Apenas em alguns casos muito graves há necessidade de tratamento e internação, por exemplo, quando as diarreias causadas por Salmonella geram febres muito altas e infecções no sangue”, afirmou.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a diarreia está entre as principais causas de mortalidade infantil, matando cerca de 2 milhões de crianças a cada ano em todo o mundo – especialmente nos países em desenvolvimento. No Brasil, a doença também é uma das maiores causas de mortes de crianças.

“Em São Paulo o quadro é parecido com o dos países desenvolvidos. Mas temos incidência e mortalidade bastante altas tanto no Norte como no Nordeste. A diarreia é, principalmente, uma questão de pobreza”, disse Marina.

O artigo Etiology of childhood diarrhea in the northeast of Brazil: significant emergent diarrheal pathogens, de Marina Baquerizo Martinez e outros, pode ser lido por assinantes da Diagnostic Microbiology and Infectious Disease em www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18508227.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP