quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Em 1845 era patenteado o primeiro pneu

No dia 10 de dezembro de 1845, o engenheiro londrino Robert Thompson registrou a patente de uma invenção que revolucionaria os transportes: a roda pneumática.

Os automóveis modernos ainda andariam aos solavancos, se o engenheiro inglês Robert Thompson não tivesse registrado a patente do pneu em 10 de dezembro de 1845. Além de tornar as viagens mais confortáveis, o invento tornava mais eficientes os veículos da época, puxados a cavalo.

O único erro que ele cometeu na época foi não saber comercializar o produto, que, consequentemente, caiu no esquecimento. Quarenta e três anos mais tarde, o veterinário escocês John Boyd Dunlop teve a mesma ideia e "reinventou" o pneu de Thompson.

Rodas mais duráveis
Dunlop quis apenas agradar o filho Johnny e tornou-se – na própria opinião – "o primeiro inventor de sucesso". Johnny tinha dificuldades para andar pelas calçadas de pedra da Escócia com seu triciclo, cujas rodas eram de borracha vulcanizada e quebradiça. O pai, então, improvisou uma câmara de ar de borracha flexível, envolveu-a numa lona e montou-a num aro de madeira.

O resultado foi sensacional. Johnny passou a ser bem mais rápido que seus amigos e chegou a andar 60 milhas com um só jogo de pneus. Em compensação, perdeu o bico, transformado em válvula de pneu pelo habilidoso pai.

John Boyd Dunlop obteve da rainha Vitória a patente de número 10607 pela invenção do pneu, abrindo o caminho para o "século da mobilidade". O produto difundiu-se rapidamente pela Europa. A primeira filial da Dunlop fora da Inglaterra foi aberta em Hanau, na Alemanha, em 1893.

Conquista do público feminino
Numa época em que a última moda na Europa era andar de bicicleta, John Boyd Dunlop encontrou um mercado promissor para novos protótipos de seu produto. As novas bicicletas, de dois pneus iguais, ofereciam mais conforto e segurança aos usuários e conquistaram também o público feminino.

Os primeiros pneus eram recortados à mão pelo próprio inventor. Os funcionários da Dunlop Rubber Company, fundada mais tarde, ainda tiveram que aguentar muito trabalho braçal.

Ainda hoje a produção de pneus envolve bastante trabalho manual, mas muitos processos foram automatizados e "humanizados". O produto também passou por uma série de aperfeiçoamentos durante seus mais de 150 anos de existência. O pneu diagonal foi substituído pelo radial, de maior consistência, conforto e durabilidade. Hoje, as fábricas de pneus trabalham com tecnologias de ponta, aprimorando, principalmente, a constituição química do produto.

Aproveitando a demanda cada vez maior por produtos ecológicos, o grupo alemão Degussa lançou na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos o chamado "green tyre" – pneu ecológico. Trata-se de uma nova geração de pneus, resultado da mistura de dois produtos químicos usados na fabricação da borracha: sílica e organosilano.

Segundo a Degussa – que atua nos segmentos de metais preciosos, químico e farmacêutico no Brasil desde 1953 – esse tipo de pneu oferece menor resistência ao rolamento, reduz em 5% o consumo de combustível e tem maior aderência em pistas escorregadias.

Fonte: Catrin Möderler (gh)/ DW

Atualização da epidemia global de obesidade

Epidemia de “globesidade”
Estima-se que um quinto da população mundial esteja com excesso de peso. Entre esses, há 300 milhões que são considerados obesos. Pior: esses números têm aumentado nas últimas décadas.

Essas informações abriram a palestra “Atualização da epidemia global de obesidade”, proferida pela professora Mary Schmidl, do Departamento de Nutrição e Ciência dos Alimentos da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. A apresentação fez parte da programação do 8º Simpósio Latino-Americano de Ciências de Alimentos, realizado no mês passado na Universidade Estadual de Campinas.

A pesquisadora levantou eventuais motivos para explicar o crescimento da epidemia em todo o mundo e quem seriam os responsáveis. “Inicialmente considerada um mal de países desenvolvidos, hoje a obesidade tem sido encontrada também nas nações em desenvolvimento, paradoxalmente ao lado da subnutrição”, disse.

“É uma doença que está em todas as faixas etárias, grupos éticos e classes sociais. Ela também atinge tanto homens como mulheres. Essa espécie de onipresença motivou a criação do termo ‘globesidade’ (globesity, em inglês)”, contou.

Segundo Mary não há um vilão único para a epidemia. A escalada da obesidade teria muitos responsáveis, como a indústria alimentícia, políticas públicas, escolas, restaurantes, comunidades, pais e os próprios indivíduos.

A pesquisadora apontou exemplos. A indústria e os comerciantes de alimentos estariam habituando os consumidores a porções cada vez maiores. Garrafas de refrigerante, hambúrgueres, pacotes de salgadinhos, caixas de cereais, entre outros produtos industrializados, têm aumentado de tamanho nos Estados Unidos desde a década de 1970.

O mesmo ocorreu com os restaurantes. “A porção recomendada de batatas fritas por pessoa é de cerca de seis unidades (palito) por dia e a porção que estamos servindo é essa”, disse ao apontar a foto de um prato com cerca de 500 gramas de fritas, comum nos restaurantes norte-americanos.

Os países em desenvolvimento, como o Brasil, não ficam de fora. Segundo a professora da Universidade de Minnesota, os países emergentes representam os mercados mais promissores para as indústrias de refrigerantes, por exemplo, cujas vendas se encontram estabilizadas nos países mais ricos.

Os governos também têm a sua parte de culpa. As políticas públicas teriam muito ainda a avançar. Uma ideia é sobretaxar alimentos menos saudáveis e estimular o consumo de vegetais. “Se o governo estipulasse um imposto de US$ 0,01 para cada onça (28,3 gramas) de refrigerante vendido, só na cidade de Nova York seriam arrecadados US$ 1,2 bilhão por ano”, disse.

A pesquisadora também coloca parte da responsabilidade nos próprios consumidores. Segundo ela, cada um teria que ter um compromisso com a sua saúde, não só procurando melhorar a qualidade e adequar a quantidade dos alimentos consumidos como também criar hábitos de fazer exercícios físicos.

“Precisamos dar cerca de 10 mil passos por dia. Parece muito, mas não é”, disse. Pelos mesmos motivos, as comunidades também são culpadas pelo sobrepeso de seus integrantes. Bairros, clubes, igrejas e outras associações deveriam estimular a prática de exercícios físicos de modo a auxiliar na criação de uma cultura saudável.

Os resultados das pesquisas feitas pela cientista também sugerem outras soluções, como fazer campanhas focadas nas crianças, que têm alto grau de influência sobre os pais.

Mary também propõe a rotulagem de alimentos explicitando a sua caloria e composição nutricional (o que já ocorre no Brasil) e a proibição das máquinas automáticas de guloseimas, que são mais comuns nos Estados Unidos. Para ela, essas máquinas deveriam vender somente água mineral, um produto cujo consumo, segundo ela, deveria ser mais incentivado de maneira geral.

Fonte: Fábio Reynol /Agência FAPESP