domingo, 8 de novembro de 2009

Brasileiras recebem Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia


Com o tema central Agroindústria, o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia 2009 será entregue no próximo dia 12, às 20h, na sede da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), em Montevidéu, no Uruguai. Foram contempladas quatro categorias: Iniciação Científica; Integração; Estudante Universitário; e Jovem Pesquisador. As duas últimas agraciaram alunas brasileiras.

O 1º lugar da modalidade Estudante Universitário ficou para Jéssica de Matos Nunes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O trabalho apresentado é Otimização de protocolos de cultivo em larga escala e obtenção de compostos bioativos de Hypericum polyanthemum nativo do sul do Brasil.

Outra brasileira agraciada foi Beatriz Camargo Barros de Silveira Mello, que conquistou o 1º lugar pelo trabalho Concentração de extratos de própolis por nanofiltração, na categoria Jovem Pesquisador.

Na modalidade Iniciação Científica o trabalho vencedor foi Madebag: Obtención y caracterización de un material aglomerado, utilizando el bagazo de la Saccharum officinarum, aglutinado con un pegamento derivado de la fécula. Já na categoria Integração, o estudo contemplado foi Aprovechamiento integral de efluentes de quesería para la elaboración y preservación de probióticos.

O prêmio é patrocinado pelo MCT e conta com a parceria da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do CNPq, do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da Direção de Inovação, Ciência e Tecnologia (Dicyt) do Ministério da Educação e Cultura do Uruguai.

Fonte: Gestão CT

Psicobiologia do medo e da ansiedade

Para compreender fundamentos do medo e da ansiedade, grupo da USP utiliza abordagem que investiga simultaneamente comportamento, processamento de informação sensorial e mecanismos neuroquímicos

Psicobiologia do medo
Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) está empenhado em compreender os fundamentos das manifestações de medo e de ansiedade, tanto em relação ao processamento das informações sensoriais e à expressão comportamental, como no que diz respeito aos mecanismos neuroquímicos e moleculares que geram respostas defensivas associadas a esses estímulos.

De acordo com Marcus Lira Brandão, professor titular da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em Ribeirão Preto (FFCLRP - SP) e coordenador do Projeto Temático “Psicobiologia do medo e da ansiedade”, apoiado pela FAPESP, o principal desafio consiste em aplicar uma abordagem integrada, capaz de relacionar sistemas neurais e comportamentos.

“Ao todo, as pesquisas envolvem nove grandes projetos com abordagens distintas, sejam elas comportamental, imuno-histoquímica, sensório-motora, eletrofisiológica e neuroquímica da reação de defesa”, disse Brandão. O projeto dá continuidade a outro Temático apoiado pela Fundação e desenvolvido por sua equipe, que revelou as funções das estruturas arcaicas do cérebro diante do sinal de perigo.

As manifestações de medo e as de ansiedade têm origem em áreas distintas do sistema nervoso central. Os circuitos neuroquímicos localizados na parte caudal – área mais primitiva do cérebro do ponto de vista filogenético – são responsáveis por reações relacionadas ao medo.

“Quando o estímulo aversivo gera ansiedade, envolve expectativas, a origem da reação está relacionada a estruturas anteriores do sistema nervoso central – a área rostral, próxima à medula”, explicou.

Nos dois casos, medo e ansiedade são neutralizados pelo ácido gama-aminobutírico (Gaba, na sigla em inglês), que desempenha um papel importante na regulação da excitabilidade neuronal ao longo de todo o sistema nervoso e que, nos seres humanos, é diretamente responsável pela regulação do tônus muscular.

“Se o Gaba estiver ‘enfraquecido’, as reações dos indivíduos às situações de medo ou de ansiedade podem ser exacerbadas. Essa falha no Gaba poderia explicar, por exemplo, reações agressivas desproporcionais em situações corriqueiras: a disputa pelo melhor assento em um ônibus, por exemplo, pode terminar em confronto”, disse.

O enfraquecimento dos mecanismos de controle exercido pelo Gaba pode ter origem genética. “É o caso da ansiedade-traço”, disse Brandão, referindo-se a diferenças individuais – e relativamente estáveis – das manifestações diante de situações percebidas como ameaçadoras.

Mas pode também ser decorrência de exposição repetida a situações agressivas e de tensão. É o caso, por exemplo, de pessoas habituadas a uma situação de estresse cotidiano. “Essa tensão não leva, necessariamente, a um quadro patológico, mas aumenta a sua suscetibilidade a estímulos agressivos”, explicou.

Há a possibilidade de se desenvolver um quadro patológico, de irritabilidade ou de respostas exageradas a estímulos ambientais. “Dependendo do tipo de deficiência, portanto, o problema pode estar em diferentes estruturas do sistema nervoso central, nas estruturas mais primitivas, responsáveis pelo medo, ou mais rostrais, que respondem pela ansiedade”, afirmou.

Agressão e resposta
Os níveis do Gaba, no entanto, não são os únicos responsáveis pelas reações dos indivíduos ante situações de medo ou de ansiedade. Outros neurotransmissores – como a serotonina, que atua na comunicação entre o cérebro e o sistema nervoso central, por exemplo – também têm participação nesse processo. O seu papel não é tão “tônico” quanto o ácido gama-aminobutírico, mas também ajuda a controlar os estímulos agressivos.

Brandão explica que, de certa forma, o Gaba e os neurotransmissores interagem nesse processo. “Seria reducionismo atribuir responsabilidade só ao ácido gama-aminobutírico ou aos neurotransmissores, como a serotonina ou a noradrenalina. Por isso o Projeto Temático adotou essa abordagem integrada de atuação dos sistemas neurais”, disse.

“Estamos empenhados em avançar o conhecimento sobre os fundamentos que regem o processamento das informações sensoriais e a expressão comportamental, bem como os mecanismos neuroquímicos e moleculares subjacentes às respostas defensivas associadas ao medo e à ansiedade”, indicou.

As pesquisas realizadas pelo grupo analisam o comportamento de ratos em situação de medo e ansiedade quando expostos a situações agressivas – ou potencialmente agressivas – como quando estão em campo aberto, ao risco de ataque de algum predador.

“Isso altera o funcionamento de certos circuitos do sistema nervoso central”, disse. Utilizando novas tecnologias, é possível mapear o sistema nervoso central e suas estruturas e até chegar à quantidade de nanomoléculas em atividade no momento em que o medo se manifesta.

“Usamos também a técnica de distribuição de proteína FOS, um gene precoce que existe no núcleo do cérebro e que só é ativado em situação de aversão. Com um anticorpo, é possível fazer a marcação das estruturas que foram acionadas”, apontou.

O enfoque da pesquisa é farmacológico e imuno-histoquímico – utiliza ferramentas que permitem avaliar o RNA, por exemplo –, pode envolver eletrofisiologia, por meio da utilização de quantidades mínimas de correntes elétricas e inclui, ainda, técnicas tradicionais de observação do comportamento. “Hoje não é possível utilizar uma única abordagem”, disse Brandão.

“Não queremos entender apenas o cérebro dos ratos, mas sim o do homem. Trata-se de pesquisa básica com a intenção de alinhar-se às novas perspectivas que a ciência abre para o estudo do medo e da ansiedade. Já se sabe, por exemplo, que a substância P – um decapeptídio presente no sistema nervoso central – é um neurotransmissor novo que tem sido associado com estados agressivos. Estamos avaliando uma maneira de associar essa substância, que promove medo e ansiedade, a drogas que a antagonizem”, contou.

Fonte: Cláudia Izique / Agência FAPESP

Laika é o primeiro ser vivo no espaço (1957)

A 3 de novembro de 1957, a cachorra Laika tornou-se o primeiro ser vivo a viajar ao espaço. A viagem a bordo do satélite soviético Sputnik 2 permitiu observações importantes para viagens espaciais tripuladas por humanos.


O primeiro objeto feito por mãos humanas a circundar nosso planeta foi o satélite artificial Sputnik 1, lançado pela União Soviética em outubro de 1957.

Ao contrário dos Estados Unidos, a União Soviética dispunha de tecnologia para lançar cargas pesadas no espaço. O Sputnik era um satélite pressurizado, com um diâmetro de 58 cm e quatro antenas de cerca de 2,5 m de comprimento. Poucos dias depois, a 3 de novembro, foi lançado o Sputnik 2, desta vez com um ser vivo a bordo.

Era uma cachorra da raça Laika Siberiano, com menos de cinco quilos de peso, amistosa e calma. Seus acelerados batimentos cardíacos correram o mundo. Ela havia sido colocada num compartimento pressurizado e era vigiada por uma câmera de tevê. Sua cabine permitia que se deitasse ou ficasse de pé, havia um sistema de regeneração de ar e uma bolsa coletora de dejetos, e sua comida e água eram fornecidos em forma gelatinosa.

O Sputnik 2 não estava equipado para a reentrada na atmosfera, por isso o cãozinho não poderia ser resgatado com vida. O satélite permaneceu meio ano em órbita, vindo a cair sobre o Caribe no dia 14 de abril de 1958.

As observações feitas durante a trajetória deste satélite possibilitaram o lançamento do primeiro homem ao espaço. Em 1961, o astronauta soviético Yuri Alexejevitch Gagarin, de 27 anos, tornou-se o primeiro homem a deixar a atmosfera da Terra.

Alemão constrói Explorer
Os norte-americanos reagiram em 1958, com a criação da Nasa (National Aeronautics & Space Administration). Ela ficou sendo responsável pelo programa espacial do país e, nesse mesmo ano, lançou o seu primeiro satélite artificial, o Explorer 1, construído pelo alemão Wernher von Braun. O primeiro norte-americano a entrar em órbita foi John Glenn, em 1962.

Os soviéticos, entretanto, ainda foram pioneiros em outros setores: Valentina Tereshkova foi a primeira mulher no espaço, em 1963, e Alexei Leonov foi o primeiro ser humano a fazer um "vôo no espaço" durante dez minutos, em 1965, com o módulo Woshod 2. Em 1966, o módulo lunar russo Luna 9 fez a primeira aterrissagem no nosso satélite natural. Mesmo assim, a conquista decisiva do ponto de vista psicológico seria dos Estados Unidos.

No dia 20 de julho de 1969, o módulo lunar Eagle, da nave Apollo 11, pousou em solo lunar, e o astronauta Neil Armstrong tornou-se o primeiro homem a pisar em outro corpo celeste, marcando o fim da corrida espacial entre as duas potências.

Fonte:Karl-Heinz Lummerich (rw) / DW

Lançada oficialmente a 4ª Conferência Nacional de CT&I

O ministro da C&T, Sergio Rezende, lançou oficialmente, na última quarta-feira (4), em Brasília (DF), a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI). A ABIPTI foi representada na solenidade pela presidente Isa Assef dos Santos.

Para Rezende, o evento vem num momento oportuno, uma vez que o país passa por uma fase de incorporar a C&T ao seu processo de desenvolvimento. “A conferência vai possibilitar que a sociedade analise a participação do poder da comunidade e, principalmente, lance as bases para que, no governo que assumir em 2011 e nos seguintes, já haja propostas de um plano de médio e longo prazo, de modo que essa área contribua definitivamente para o progresso do Brasil”, disse.

De acordo com Rezende, o país conseguiu vencer desafios importantes nesses últimos anos, mas, segundo ele, o Brasil tem condições de propor metas mais ambiciosas. A conferência precisa de uma grande mobilização para que os resultados sejam realmente de uma reflexão da sociedade e de maneira que o governo seguinte desenvolva novas idéias e planos, afirmou.

Para o secretário executivo do MCT, Luiz Antonio Rodrigues Elias, o ponto central da conferência é a consolidação de uma proposta comum que leve a articulação da nova política de Estado.

A conferência tem um grande desafio que é saber como podemos, na articulação e na governança, e, principalmente, na elevação da capacidade entre nossos Estados, municípios e o governo federal, cada vez mais produzir a consolidação desse conhecimento na etapa produtiva, a sua valoração no processo inovativo, elevando a capacidade da competição da economia brasileira.

Elias ressaltou a importância de ouvir todos os atores da sociedade, para que se possa realizar uma conferência que eleve a capacidade de construção do país, diminuindo as desigualdades, e mostrando a dimensão da inovação e das áreas estratégicas como oportunidades para o Brasil.

Sustentabilidade
Para o coordenador da 4ª CNCTI, Carlos Alberto Aragão, a conferência tem o propósito de dar subsídio para uma política de Estado que seja direcionada para o desenvolvimento sustentável. Uma das missões da conferência é atrair a atenção do grande público apresentando soluções sustentáveis de ciência, tecnologia e inovação para problemas atuais.

Durante sua apresentação, Aragão apresentou alguns dos desafios a serem enfrentados, como melhorar a qualidade da ciência brasileira, ter o Brasil como um ator internacionalmente reconhecido, contribuindo de forma ativa para o progresso da ciência, e ainda fazer com que a ciência, tecnologia e inovação tornem-se efetivos componentes de desenvolvimento sustentável. O grande desafio da quarta conferência é debater isso tudo e contribuir para superar esses desafios, disse.

Aragão finalizou seu discurso lembrando da importância de se chegar ao final da conferência com subsídios para que se construa uma política de Estado que garanta tranqüilidade àqueles que atuam na área de C&T e mostre a importância da presença da ciência, tecnologia e inovação nas discussões que envolvam o tema desenvolvimento sustentável.

Fonte: Isadora Lionço/ Gestão C&T