quarta-feira, 3 de junho de 2009

Condutas de saúde entre universitários: diferenças entre gêneros

Conduta de risco
Um estudo feito na Universidade de Pernambuco (UPE) com estudantes da área de saúde apontou números elevados para condutas de risco. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A amostra do trabalho envolveu 382 estudantes de ambos os sexos, com idades entre 20 e 29 anos e de cursos da área de saúde das principais universidades públicas em Pernambuco. Durante a realização do trabalho eles estudavam odontologia, medicina, enfermagem, fisioterapia, nutrição, educação física, fonoaudiologia, farmácia e terapia ocupacional.

De acordo com a pesquisa, 61,2% dos estudantes homens disseram ter fumado alguma vez, contra 48,9% entre as mulheres. O consumo frequente de cigarros foi maior no sexo masculino (32,4%) do que no feminino (13,8%).

Com relação ao consumo de álcool, 91,4% dos homens e 79,7% das mulheres disseram já ter ingerido algum tipo de bebida alcoólica, sendo que o consumo nos últimos 30 dias também foi maior no primeiro grupo (84% contra 77,7%).

Os dados foram coletados por meio do questionário National College Health Risk Behavior Survey, desenvolvido pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), que inclui informações sociodemográficas e outros temas relacionados à saúde, como segurança no trânsito, comportamento sexual, hábitos alimentares e prática de atividade física.

“Uma das questões mais importantes é que todos os entrevistados eram da área da saúde. Como esses alunos poderão, no futuro, ter um discurso coerente na orientação de hábitos saudáveis a seus pacientes se eles próprios não adotam tais condutas?”, indagou a primeira autora da pesquisa, Viviane Colares Amorim, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da UPE.

No item violência, as condutas relatadas também foram mais elevadas entre os homens: 6% disseram ter carregado uma arma de fogo ou faca nos últimos 30 dias e 9,5% se envolveram em brigas físicas nos últimos 12 meses, contra 0,4% e 3,4%, respectivamente, entre as mulheres.

O uso de maconha, inalantes e esteróides foi novamente maior entre os homens. Por outro lado, as condutas relacionadas à segurança no trânsito, suicídio e hábitos alimentares se mostraram semelhantes entre os jovens, independentemente do gênero.

“O estudo mostra que cada gênero apresenta problemas distintos quanto a comportamentos não saudáveis, características que podem auxiliar nas campanhas e iniciativas de educação de saúde voltadas às diferenças de cada público específico”, aponta Viviane, que também é professora do Departamento de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Pernambuco da UPE.

Também não foi observada diferença significativa com relação à prática de atividade sexual nos 30 dias anteriores à pesquisa, embora menos da metade dos estudantes do gênero masculino tenha relatado o uso do preservativo “na maioria das vezes” ou “sempre”.

De acordo com Viviane, o trabalho em questão deu continuidade a outro levantamento feito na Universidade Federal de Pernambuco com universitários do Nordeste que avaliou alunos no início e no fim dos cursos.

“Todos os alunos do primeiro trabalho também eram da área da saúde. Verificamos que muitos deles tiveram uma piora significativa em seus hábitos de saúde, que já não eram saudáveis no início do curso e só pioraram no fim”, disse.

Leia o artigo Condutas de saúde entre universitários: diferenças entre gêneros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP).

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

DAAD seleciona bolsistas para mestrado e doutorado

O Programa de Pós-Graduação com Relevância para Países em Desenvolvimento, que conta com bolsas do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) e do Ministério Alemão da Cooperação Econômica (BMZ), está com inscrições abertas.

O programa oferece 38 opções de pós-graduação em mestrado e três em doutorado, nas áreas de economia, gestão, desenvolvimento, engenharia, matemática, planejamento regional, agricultura, silvicultura, ciências ambientais, geociências, saúde pública, sociologia e educação.

O prazo para envio da documentação ao escritório regional do DAAD no Rio de Janeiro termina no dia 28 de agosto. Os cursos de mestrado terão duração de 18 a 24 meses, e os de doutorado, de 36 meses. O início dos cursos está previsto para outubro de 2010.

Podem candidatar-se jovens com no mínimo dois anos de experiência profissional na área do curso. São exigidos conhecimentos básicos de alemão para candidatos às pós-graduações ministradas em alemão e proficiência em inglês para aquelas oferecidas neste idioma.

Os bolsistas deverão ainda receber curso de alemão intensivo de dois a quatro meses. A lista de requisitos exigidos pelas universidades pode ser consultada nos sites dos cursos.

Terão prioridade candidatos recomendados por seus empregadores e com promessa de recolocação após o curso, além de que as chances de admissão no programa são maiores para quem dispuser de recursos financeiros próprios ou suporte do empregador ou de outra instituição.

Mais informações: http://rio.daad.de/shared/pos_graduacao.htm

MEC divulga números sobre a educação a distância no país

De 2000 a 2008, a educação a distância no país deu um salto de 1.682 para 760.599 alunos que estudam por meio dessa modalidade de ensino. Os números foram apresentados no dia 27, em Brasília (DF), pelo secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação, Carlos Eduardo Bielschowsky, durante uma audiência pública realizada na Câmara dos Deputados.

Ele também apresentou dados que revelam o desempenho excepcional dos graduandos a distância, melhor avaliados em sete das 13 áreas analisadas pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). O secretário avaliou que essa modalidade de ensino tem contribuído para a democratização do acesso ao ensino superior público.

Na ocasião, Bielschowsky lembrou que a estrutura do sistema de educação a distância colabora para a garantia de qualidade na graduação ofertada. Entre os diferenciais apontados estão a equipe multidisciplinar, a infraestrutura de apoio, o material didático e os sistemas de educação.

O secretário também abordou a formação profissional técnica de nível médio a distância. Ele revelou a meta de atender 200 mil alunos em mil escolas-pólo até 2010 pela Escola Técnica Aberta do Brasil (e-tec Brasil). Hoje, 147 cursos são ofertados, com 11,2 mil estudantes matriculados. O investimento para este ano no programa será de mais de R$ 160 milhões. "A cultura da educação a distância é nova. Estamos construindo uma cultura que possa se traduzir em ensino de qualidade", afirmou.

Ele destacou a importância da capacitação e formação continuada por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB), com 650 pólos e 110 mil alunos, e o ProInfo Integrado, que já atendeu a 62,2 mil escolas brasileiras com laboratórios de informática. O programa também oferece capacitação e conteúdos educacionais. "São novas perspectivas de acesso ao ensino público de qualidade", disse.

Informações sobre as ações da Secretaria de Educação a Distância do MEC podem ser obtidas neste link.

Fonte: Gestão CT

Concreto refratário para siderúrgica desenvolvido pela UFSCar ganha prêmio internacional

Microsilica effects on cement bonded alumina-magnesia refractories castables

O Prêmio Wakabayashi 2009, da Associação Técnica de Refratários do Japão (TARJ), foi concedido a um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) por conta de um estudo que deu origem a um novo concreto refratário para revestimento de equipamentos da indústria siderúrgica.

Os vencedores da honraria são autores do artigo Microsilica effects on cement bonded alumina-magnesia refractories castables, que foi considerado pela entidade japonesa o melhor trabalho publicado em 2008 na área de materiais cerâmicos para aplicações em altas temperaturas. O estudo foi publicado no Journal of the Technical Association of Refractories.

Os autores são Mariana Braulio, bolsista de doutorado da FAPESP no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da UFSCar, Victor Carlos Pandolfelli, professor do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da universidade, e Luis Rodolfo Bittencourt, diretor técnico da empresa Magnesita Refratários. O trabalho também contou com a participação de Jacques Poirier, professor da Universidade de Orleans, na França.

“O estudo permitiu o aperfeiçoamento de concretos refratários existentes, levando a melhorias no desempenho desses materiais principalmente em ‘panelas para aço’, que são recipientes capazes de transportar até 300 toneladas de metal fundido a uma temperatura de 1.500 ºC”, disse Pandolfelli.

O grupo recebeu certificados e prêmio em dinheiro no dia 20 de abril de 2009 na cidade de Sendai, no Japão, em cerimônia que marcou a abertura do Congresso Internacional de Refratários. A equipe brasileira pesquisa novas tecnologias em concretos refratários para aplicações em siderurgia, petroquímica e na indústria de alumínio – áreas cujos processos envolvem altas temperaturas, contato com materiais corrosivos e grande variação cíclica de temperatura.

No estudo premiado foi desenvolvido um concreto com boas propriedades à alta temperatura e que inibe a reação entre o metal fundido e a cerâmica, contribuindo para o aumento da vida útil do equipamento. O material refratário foi desenvolvido a partir da aplicação de microssílica em pequenas quantidades, combinada com óxidos de magnésio (MgO) e de alumínio (Al2O3).

Segundo o professor Pandolfelli, a tendência de crescimento do setor siderúrgico em todo o mundo tem afetado diretamente o desenvolvimento tecnológico dos materiais refratários. Nesse contexto, destaca-se a utilização dos “concretos refratários espinelizados”, em virtude da sua versatilidade de aplicação e desempenho.

“Por ser refratário, o concreto desenvolvido no trabalho mantém sua integridade física a temperaturas elevadas, superiores a 1.500 ºC, além de ser espinelizado por combinar o óxido de magnésio e o óxido de alumínio, reação que forma uma estrutura cuja fórmula é o MgAl2O4”, detalha Pandolfelli.

Essa reação apresenta caráter expansivo e, por isso, deve ser controlada para evitar danos na estrutura do concreto. Segundo Pandolfelli, o caráter expansivo das reações envolvidas nesses materiais pode trazer benefícios ou problemas no uso. No entanto, apesar desses aspectos, são poucos os estudos que indicam o efeito das matérias-primas sob a expansão e a sua consequência nas propriedades dos concretos.

O estudo da engenharia de microestrutura desses materiais e a obtenção de um mapa de expansão, visando a analisar o impacto dos componentes que constituem esse tipo de concreto refratário, têm importância fundamental para a sua aplicação, o que também foi estudado no trabalho premiado.

“Chamamos esses mapas de expansão de roadmaps, que indicam como mudar a composição de um material para chegar a uma determinada propriedade desejada. Mais do que uma formulação nova, o nosso estudo indica algumas rotas de alteração da formulação do concreto refratário visando a sua adequação a aplicações distintas”, disse.

Pesquisa de ponta
De acordo com Pandolfelli, o concreto refratário desenvolvido já está sendo utilizado em siderúrgicas nacionais. “No entanto, não há uma formulação única e aí reside uma das maiores contribuições do artigo premiado, que é a indicação de rotas para que a composição química do produto seja ajustada e assim obter o melhor desempenho em cada aplicação prática”, aponta.

A linha de pesquisa conduzida na UFSCar resultou, nos últimos oito meses, em dois outros artigos publicados no Journal of the American Ceramic Society, a revista de maior impacto na área de materiais cerâmicos.

Os estudos renderam ainda duas outras publicações em revistas nacionais, três apresentações em congressos no exterior e dois estágios em instituições de pesquisa e indústrias na França e na Holanda, ambos realizados pela pesquisadora Mariana Braulio.

O Prêmio Wakabayashi, que recebe o nome do fundador da Associação Técnica de Refratários do Japão, é a distinção mais importante na área de cerâmicas refratárias.

“Ganhar esse prêmio reflete o reconhecimento e a atenção da comunidade científica internacional às pesquisas realizadas no Brasil. Hoje, os pesquisadores brasileiros estão entre os cinco melhores grupos no mundo na área de materiais cerâmicos refratários”, afirmou Pandolfelli.

O professor da UFSCar foi coordenador de dois Projetos Temáticos da FAPESP na área de cerâmicas refratárias, publicou mais de 400 trabalhos científicos e já recebeu 53 premiações no Brasil, Japão, Alemanha e Estados Unidos.

“Muitos desses prêmios são resultados dos esforços empenhados nos dois Temáticos financiados pela FAPESP, que ainda vêm dando e deram grande notoriedade internacional ao nosso grupo de pesquisa da UFSCar”, destacou.

Os pesquisadores trabalham nessa linha há nove anos com relação direta com os Projetos Temáticos, uma vez que esses contribuíram, segundo Pandolfelli, para “oferecer uma visão sistêmica ao desenvolvimento de concretos refratários avançados”.

“Sem o aporte financeiro da FAPESP não teríamos condições de realizar as pesquisas no nível exigido para obter esse reconhecimento global. Com o auxílio da Fundação também conseguimos formar dezenas de pessoas que participaram desses dois Projetos Temáticos e que hoje estão em empresas sendo nossos parceiros na continuidade dos estudos”, destacou.

O Prêmio Wakabayashi é concedido desde 1983 com o intuito de promover e manter a alta qualidade nas publicações da área. Pandolfelli já havia recebido este prêmio em 2005, quando foi o primeiro pesquisador não japonês a obter a distinção.

“O Japão detém as tecnologias mais avançadas em produção de aço e materiais refratários. É uma honra ser reconhecido por um país que domina essas duas áreas e, por isso, estabelece critérios bastante seletivos para suas premiações”, disse Pandolfelli. (Agência FAPESP)

Fonte: CIMM