segunda-feira, 23 de março de 2009

Lançado site com informações sobre higiene e segurança alimentar

Doenças transmitidas por alimentos
A carência de informações sobre higiene e segurança alimentar, destinadas aos segmentos populacionais mais vulneráveis às doenças transmitidas por alimentos (DTA), motivou o desenvolvimento de um estudo coordenado por William Waissmann, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A pesquisa levou à produção de um site e de vídeos educativos, a fim de despertar a população para a prevenção das DTA, particularmente no ambiente doméstico. Dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) indicam que metade dos casos de DTA ocorre no ambiente doméstico, resultante de falhas higiênicas na manipulação dos alimentos.

O estudo apontou que a maioria dos entrevistados (82,1%) não conferia etiquetas, composição, data de validade e origem dos alimentos. Metade dos participantes desconhecia que alimentos sem alterações nas suas características sensoriais podem causar doenças e que produtos refrigerados devem ser selecionados ao final das compras.

Um terço não conferia as condições dos ovos e 10% compravam ou consumiam carnes oriundas do comércio ambulante. Além disso, 71% dos entrevistados nunca foram orientados sobre o assunto em consultas com diferentes profissionais de saúde.

O site Cuidar dos Alimentos conta com áreas especiais para os públicos infantil e adulto e aborda questões relacionadas a compra, preparo, armazenamento e conservação de alimentos no ambiente doméstico.

Os vídeos estão disponíveis no site. Os dirigidos a adultos enfocam os temas “Alimento seguro”, “Doenças transmitidas por alimentos”, “Família vai às compras”, “Parar de fumar” e “Terceira Idade”. Os vídeos para crianças são “Mamãe e bebê” e “Canal saúde”.

“A expectativa é que os recursos educativos possam ser aplicados em diferentes ambientes, como bibliotecas públicas, unidades de saúde, universidades, entidades e órgãos públicos, grupos da terceira idade e escolas”, disse Waissmann.

A pesquisa e seus produtos serão apresentados no dia 30 de março, às 14 horas, no auditório térreo da Ensp. A equipe técnica do projeto é formada pelas pesquisadoras Alessandra Veggi, Cristiane Miranda da Silva, Ivone Costa Soares e Tatiana Pastorello.

Fonte: Agência FAPESP

CEM lança chamada para pós-doutores

O Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos 11 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP, lançou chamada para incorporação de recém-doutores por meio de bolsas de pós-doutoramento concedidas pela Fundação. As propostas serão recebidas até 15 de abril.

A seleção será realizada em duas etapas. Na primeira será feita a análise do currículo do candidato e do seu projeto de pesquisa, conforme modelo apresentado em www.fapesp.br/bolsas/pd.

Serão levados em conta o perfil e a trajetória do candidato, tanto quanto a qualidade científica da proposta apresentada, tendo em vista a sua articulação com as linhas de pesquisa do CEM, que podem ser encontradas em www.centrodametropole.org.br.

Os candidatos pré-classificados na primeira etapa serão convocados para uma entrevista com a comissão de seleção. O número final de selecionados, até o máximo de três Bolsas de Pós-Doutorado, dependerá da avaliação do mérito das propostas e do desempenho dos candidatos nas entrevistas.

O resultado da primeira fase será divulgado até 15 de maio, quando serão indicados os candidatos selecionados para entrevista, que ocorrerá na sede do CEM em data a ser indicada no momento da divulgação dos resultados da primeira etapa. O início do apoio dependerá da finalização do processamento do processo de concessão da bolsa.

As propostas podem ser enviadas para o e-mail da CEM ou pelos Correios para o endereço R. Morgado de Mateus nº 615, Vila Mariana, São Paulo, 04015-902, aos cuidados de Mariza Nunes.

O CEM é um centro interinstitucional de pesquisas sediado no Centro Brasileiro de Análises e Planejamento (Cebrap), do qual participam a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, a Fundação Seade, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Serviço Social do Comércio (Sesc) e a TV Cultura.

Mais informações: (11) 5574-0399.

Fonte: Agência FAPESP

Exercícios físicos podem auxiliar no tratamento de depressão

Estudo premiado revela: exercitar-se faz bem à mente

Exercícios físicos podem auxiliar no tratamento de depressão. É o que diz um estudo concluído recentemente, realizado por uma equipe interdisciplinar da UFRJ, em parceria com cientistas da Fundação Oswaldo Cruz. O trabalho foi realizado a partir do acompanhamento de idosos atendidos pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB) e rendeu ao grupo de pesquisa o prêmio Saúde é Vital, oferecido pela editora Abril. A pesquisa, coordenada por Andrea Camaz Deslandes, pesquisadora do Instituto, foi escolhida dentre mais de 300 outras publicações participantes.

A idéia de que atividades físicas influenciam o humor e o estado mental das pessoas já era cultivada há um tempo pela maioria dos especialistas das áreas envolvidas, como psiquiatras, psicoterapeutas e profissionais da educação física, mas a pesquisa é pioneira em mostrar razões fisiológicas para incentivar a implantação de exercícios físicos como complemento terapêutico para promover a saúde mental. De acordo com Deslandes, que já havia tido a idéia há mais de três anos, faltava na literatura trabalhos mais objetivos sobre essa relação. “Já existem vários estudos na literatura mostrando que os exercícios poderiam contribuir para algumas alterações no cérebro, mas tudo isso era bem novo. Tentamos então ver o efeito do exercício como tratamento da depressão”, explica.

A depressão a que se refere a professora, no entanto, é que faz o diferencial da pesquisa. Segundo a psiquiatra, que também é formada em Educação Física, esse tipo de relação, quando estudado, era analisado a partir de sintomas de depressão e não de quadros clínicos. “O que a gente queria era ver o efeito do exercício como tratamento da doença, portanto era fundamental que avaliássemos pessoas com o quadro de depressão maior. Fizemos esse recrutamento e esses pacientes que realmente tinham diagnóstico de depressão maior”, conta a pesquisadora.

A pesquisa passo a passo
A vontade de realizar um estudo de peso sobre o assunto já instigava Andrea Deslandes há três anos, antes do começo de seu doutorado. Quando a professora concluiu o curso, percebeu a hora de mergulhar em análises mais profundas. A primeira fase da pesquisa foi o recrutamento de pacientes. Instalada no Instituto de Psiquiatria, a professora teve acesso aos casos clínicos de pacientes com depressão, com mais de 65 anos, critério para participar da pesquisa. Ao final da fase de recrutamento, o grupo havia conseguido reunir 60 idosos. Destes, 30 aceitaram participar das avaliações, mas dez não quiseram participar dos exercícios. O grupo final ficou composto por dez pacientes que realizaram exercícios regulares durante seis meses e dez outros, que permaneceram apenas com o tratamento farmacológico, também continuado para o grupo que se exercitava, por determinação do comitê de ética.

As atividades físicas as quais o grupo foi submetido são consideradas moderadas pela professora. A bateria de exercícios era feita duas vezes por semana no próprio Instituto. “Eles caminhavam por volta de 4,5 km na esteira que foi instalada no Instituto de Psquiatria, por 30 minutos, o que é considerada uma atividade moderada e não representa um esforço muito grande”, explica Andrea.

Depois do período de atividades físicas, era a hora de avaliar os resultados. Antes de começarem o tratamento, os voluntários passaram por exames de eletroencefalografia, que forneceram os dados iniciais da atividade cerebral dos pacientes. Além da melhora nos sintomas da depressão, humor e capacidade funcional, avaliados pelas entrevistas, o estudo se destacou exatamente pela melhora dos dados encefalográficos. “A coisa mais importante para gente foi a resposta da atividade eletroencefalográfica, porque, na literatura mundial, poucos são os estudos feitos com exercícios com pacientes diagnosticados com depressão”, diz a pesquisadora, lembrando que há mais de 400 estudos publicados que avaliam os sintomas da depressão, mas poucos analisam casos clínicos.

Próximos movimentos
Depois dos resultados favoráveis no primeiro momento, o grupo pretende estudar os efeitos de treinamentos de força, que podem ter resultados diferentes do treinamento aeróbico (a caminhada na esteira). A idéia é comparar os efeitos dos dois tipos de treinamento, para propor terapêuticas para outros problemas mentais, como as doenças de Alzheimer e Parkinson. “Vamos começar o recrutamento de pacientes com Alzheimer e observar os efeitos da atividade aeróbia. Num futuro, também pensaremos em propostas para o mal de Parkinson”, informa Andrea Deslandes.

A professora aposta no crescimento da importância do exercício físico no tratamento, diminuindo a necessidade de antidepressivos. Segundo ela, em idosos, essa diminuição seria bem-vinda, já que, nas idades mais avançadas, é comum que o paciente já recorra a remédios para solucionar outros problemas.

Para a doutora, o cenário parece favorável à difusão do conhecimento sobre os benefícios dos exercícios físicos. De acordo com ela, muitos psiquiatras já indicam a atividade física como terapia complementar, assim como a psicoterapia. Entretanto, a falta de conhecimento neurofisiológico das alterações provocadas no cérebro pelos exercícios ainda é a regra.

A expectativa da professora é de que esse conhecimento seja difundido entre a comunidade científica, mas, principalmente entre os pacientes, no caso, os idosos. “Acreditamos que o conhecimento não deva ficar centralizado na Universidade. Fazemos a pesquisa para que a população possa ter esse conhecimento”, comenta. Com isso, Andrea acredita que medidas preventivas possam ser buscadas. Segundo ela, ações desse tipo funcionam melhor e são mais baratas do que tratamentos emergenciais, quando o problema já está instalado.

Fonte: Cília Monteiro e Marcello Henrique Corrêa / Olhar Vital