sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Open access and global participation in science

Acesso aberto aumenta citações

Publicar artigos científicos em serviços de acesso livre e gratuito aumenta a quantidade de citações que os autores recebem. O aumento não é tão grande como se achava, mas ainda assim é significativo, particularmente nos países em desenvolvimento.

“A influência do acesso aberto (open access) é mais modesta do que foi estimado anteriormente. [O aumento] Está em torno de 8% para pesquisas publicadas recentemente, mas está clara a sua capacidade de ampliar o círculo global daqueles que podem participar e se beneficiar da ciência”, destacaram os autores em artigo publicado nesta sexta-feira (20/2) na revista Science.

James Evans e Jacob Reimer, da Universidade de Chicago, usaram dados dos índices de bases da Thomson ISI, incluindo artigos e citações associadas dos 8.253 periódicos científicos mais citados desde 1945. Os dados foram comparados com a disponibilidade dos periódicos conforme a serviço Information Today.

No total, os pesquisadores analisaram dados de cerca de 26 milhões de artigos, dos quais 88% foram publicados em inglês. Os 77% de artigos que continham informação a respeito das instituições às quais os autores estão ligados tiveram seus dados confrontados com informações econômicas dos países, obtidos do Banco Mundial e de agências da Organização das Nações Unidas.

Os resultados indicaram que a influência da publicação em acesso aberto foi mais do que duas vezes maior nos países em desenvolvimento em comparação com os mais ricos. Nas nações mais pobres a tendência não ocorreu, segundo os autores, devido à precariedade do acesso à internet.

O artigo Open access and global participation in science, de James Evans e Jacob Reimer, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Fonte: Agência FAPESP

Expedição científica a Angola abre caminho para participação brasileira na extensão do BioTA África

Biotas mais próximos
O programa BioTA África, que em 2009 dará início à sua quarta fase, deverá ser estendido para Angola, e pesquisadores ligados ao programa Biota-FAPESP poderão ter um papel central na articulação necessária para essa integração.

Nas três últimas semanas de janeiro, Marcos Aidar, pesquisador da Seção de Fisiologia e Bioquímica do Instituto de Botânica de São Paulo, representou o Biota-FAPESP em uma expedição a Angola, cujo objetivo foi treinar alunos da Universidade Agostinho Neto, em Luanda, para iniciar o processo de levantamento da biodiversidade em território angolano.

De acordo com Aidar, a expedição, que também incluiu a Namíbia e envolveu visitas a diversos ecossistemas angolanos, teve a participação de pesquisadores do Instituto Nacional da Biodiversidade da África do Sul (Sanbi, na sigla em inglês), da Escola Politécnica da Namíbia e do BioTA África.

O BioTA África, apoiado pelo Ministério da Educação e da Pesquisa da Alemanha (BMBF, na sigla em alemão), reúne mais de 400 pesquisadores de instituições africanas e alemãs que atuam em conjunto, em uma rede multidisciplinar e integrada, em atividades espalhadas pelo continente. Na região meridional, o programa atuava, até agora, na África do Sul e na Namíbia.

“O interesse na participação brasileira é que, além de transmitir parte da experiência acumulada pelo Biota-FAPESP, também possamos entrar no processo de extensão do programa africano a Angola, participando da articulação entre alemães, sul-africanos e angolanos”, disse Aidar.

Aidar conta que sua participação na expedição deu continuidade aos primeiros contatos entre os dois programas Biota, feitos em outubro de 2008 por Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos criadores e ex-coordenador do programa Biota-FAPESP, durante o Congresso Internacional de Biodiversidade na África, na Cidade do Cabo, África do Sul.

“Como o Biota-FAPESP é um programa de referência em termos mundiais, o professor Joly foi convidado, durante o congresso, a participar da expedição e me passou essa atribuição. Essa relação contribuirá para promover a internacionalização do programa”, disse Aidar.

Saindo da Namíbia com a equipe do BioTA África em dois carros, Aidar viajou até Lubango, em Angola, onde o grupo se integrou a uma expedição com cerca de 40 pesquisadores da África do Sul e da Namíbia provenientes de diversas regiões.

A expedição, intitulada “Projeto de construção da capacidade de avaliação da biodiversidade angolana”, foi organizada pelo Sanbi e pelo Instituto Superior de Ciências de Educação de Lubango.

“Ali, acampamos por quase uma semana e participamos de um treinamento com estudantes. Atuei bastante como tradutor científico e fiz diversos contatos com pesquisadores do Sanbi, do BioTA África e de instituições da Namíbia, que nos deram uma idéia clara do tipo de participação que os brasileiros poderão ter na integração de Angola ao programa”, contou Aidar.

Saindo de Lubango, o grupo fez uma visita ao Parque Nacional de Iona, na província de Namibe, ao sul de Angola – uma região na qual a vegetação transita entre savana e deserto. “A viagem foi proveitosa especialmente do ponto de vista da política científica. Foi gerado um cenário adequado para que o Biota-FAPESP possa interagir com esses parceiros africanos”, explicou.

Formação de pesquisadores
Segundo Aidar, a avaliação dos primeiros oito anos do BioTA África está sendo concluída e as discussões em torno das abordagens e prioridades para a próxima fase do programa irão considerar a participação brasileira. O Biota-FAPESP, conta, deverá priorizar essa colaboração no decorrer do ano.

“Do nosso lado, vamos agora partir para um trabalho interno, sondando pesquisadores que tenham interesse em ir à África. Sabemos que há vários já em Angola e que, portanto, existe uma considerável colaboração em nível individual. A proposta é institucionalizar essa cooperação por meio do Biota-FAPESP”, disse.

Uma das prováveis contribuições brasileiras, segundo Aidar, poderá ser a formação de recursos humanos. “Ao contrário do que ocorre na África do Sul, que é muito forte em termos de capacitação de pessoal, Angola tem grandes dificuldades nesse sentido. Os cientistas de São Paulo podem dar uma imensa contribuição – tanto em biodiversidade como em outras áreas educacionais”, afirmou.

A inclusão de Angola no BioTA África, segundo Aidar, foi priorizada também porque o conhecimento sobre a biodiversidade local, atualmente, é bastante precário, principalmente em consequência dos mais de 40 anos de guerra civil que devastaram o país.

“A guerra gerou um passivo ambiental muito grande e muita coisa foi destruída. Com exceção de uma grande coleção de aves, praticamente todos os registros existentes foram perdidos. Hoje, se conhece pouquíssimo sobre o país”, disse.

De acordo com Aidar, a experiência ampla e inovadora do Biota-FAPESP em levantamento da biodiversidade deverá ser de grande utilidade não apenas em Angola – onde deverá se concentrar inicialmente a atuação brasileira –, mas para todo o BioTA África.

Em contrapartida, o programa estará consolidando sua internacionalização. “É importante poder reproduzir o modelo do Biota-FAPESP em outros países. A internacionalização do programa fortalece nossa abordagem”, destacou.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Foguete da UnB explode

Equipamento é o primeiro do Brasil de propulsão híbrida e será lançado em abril - Ruptura da tampa do tanque do oxidante causou a explosão

O teste do foguete de propulsão híbrida da Universidade de Brasília terminou com uma explosão às 18h16 da tarde de sexta-feira, 20 de fevereiro, no gramado do Centro Olímpico da instituição. O motivo do acidente foi a ruptura da tampa do tanque do oxidante. Apesar do estouro e da grande cortina de fumaça - a poeira atingiu raio de 40 metros, aproximadamente -, ninguém se machucou e a explosão não comprometeu os resultados finais do experimento.

“Em quatro segundos, o foguete alcançou força de 1.000 newtons, dentro da faixa estimada. Foi muito positivo. Agora, vamos verificar a vedação do tanque do oxidante e desmontar o motor para fazer um diagnóstico”, esclarece o professor da Engenharia Mecânica da UnB e responsável pelo projeto de pesquisa, Carlos Alberto Gurgel.

De acordo com o professor, o acidente não prejudicará o lançamento do foguete, agendado para abril de 2009, no centro da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte. Ele será o primeiro foguete brasileiro de propulsão híbrida, que mistura combustíveis sólido e líquido. A tecnologia é inédita no Brasil e permite maior controle da combustão, além de ser mais barata. O país domina a propulsão química, de combustíveis sólidos.

O teste realizado serve para avaliar a força que o foguete consegue gerar para o cálculo da sua trajetória. A expectativa é que ele consiga atingir altitude de 6 km e alcance de 15 km. Ainda serão feitas outras simulações antes de levar o veículo para o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno.

Apesar do acidente, motor funcionou conforme o esperado
A UnB desenvolve a tecnologia desde 2002. Dois anos depois, o projeto passou a integrar o Programa Uniespaço da Agência Espacial Brasileira. O foguete passa por testes há cinco anos, nos dois últimos houve problemas técnicos (leia mais em UnB lançará foguete com tecnologia inédita).

Fonte: Texto: Camila Rabelo - Fotos: Daiane Souza / UnB Agência

R$ 40 milhões para o Ceitec - Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje (19) aporte de R$ 40 milhões para o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) empresa pública criada em 2008 que irá produzir semicondutores e sistemas de circuitos integrados.

A empresa deve produzir os materiais em pequena escala e irá formar e estimular a formação de mão-de-obra especializada. A expectativa é de que a produção da tecnologia também tenha o efeito de atrair para o país empresas de áreas como iformática e telefonia.

O governo federal investiu inicialmente R$ 270 milhões na construção e nas instalações do prédio da Ceitec, em Porto Alegre. A instalação será inaugurada em julho. A expectativa, de acordo com o Ministério de Ciência e Tecnologia, é que seja formado um total de 1.500 profissionais até 2010 para atuarem no centro.

O anúncio dos recursos foi feito em cerimônia reservada, no Palácio do Planalto, com a participação do ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Na ocasião foi empossado o presidente da Ceitec, Eduard Weichselbaumer.

Fonte: Agência Brasil