segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Gender and age differences in polysomnography findings and sleep complaints of patients referred to a sleep laboratory

Sono por gênero

Um estudo feito por pesquisadores do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), realizado com 2.365 pacientes do Instituto do Sono, na capital paulista, traz informações inéditas sobre as diferentes características e padrões de sono entre homens e mulheres.

Ao analisar 1.550 homens e 815 mulheres de março a dezembro de 2006, detectaram que elas, apesar de demorar mais tempo para conseguir dormir, em seguida passam mais horas em sono profundo e reparador, necessários para garantir o bom funcionamento do organismo.

Os homens, por outro lado, dormem mais rapidamente, ficam mais tempo nos estágios superficiais de sono e têm seu repouso noturno prejudicado mais vezes devido a distúrbios como o ronco e paradas respiratórias sucessivas (apneias).

“Essa é a primeira pesquisa feita no Brasil que analisa as diferenças entre a privação de sono entre os gêneros por meio de polissonografia e questionários, simultaneamente. Com isso, conseguimos chegar a informações bem precisas, entre elas a de que as mulheres demoram, em média, 25 minutos para dormir, e o homem, 20 minutos”, disse Andressa da Silva, uma das autoras do trabalho.

O estudo, que também contou com a participação de Monica Levy Andersen, Sergio Tufik, Lia Bittencourt e Marco Tulio de Mello, foi publicado no Brazilian Journal of Medical and Biological Research.

De acordo com a literatura científica sobre o assunto, explica Andressa, o sono entre os gêneros se diferencia em muitos aspectos. As mulheres normalmente apresentam mais queixas e distúrbios de sono do que os homens, devido à influência da variação hormonal fisiológica e cíclica do organismo feminino.

Os resultados da pesquisa foram obtidos após análise dos questionários aplicados e de exames de polissonografia realizados no Instituto do Sono, instituição de diagnóstico e pesquisa sobre os distúrbios de sono fundada por médicos da Unifesp. O Instituto do Sono, ou Centro de Estudos do Sono, coordenado por Tufik, é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP.

A polissonografia avalia o padrão de sono por meio de sensores na superfície do corpo e determina a atividade elétrica cerebral, movimento dos olhos, atividade dos músculos, respiração, oxigenação do sangue, ronco e posição corpórea.

Tratamento de distúrbios
A pesquisa indicou ainda que os homens sofrem mais com a apneia do que as mulheres. “Quando analisados os resultados dos questionários, o ronco foi a queixa principal em ambos os gêneros, seguida pela insônia nas mulheres e sonolência diurna nos homens”, disse Andressa.

Além da identificação de que o padrão de sono também muda nas diferentes faixas etárias entre os dois sexos, outra conclusão é que é das mulheres o maior número de queixas quanto aos distúrbios do sono e aos pesadelos.

O trabalho abre a possibilidade para outras formas de intervenção no tratamento dos distúrbios de sono, de acordo com o sexo e a idade de cada indivíduo. Segundo Andressa, dentre os distúrbios mais prevalentes na população estão a sonolência diurna excessiva, apneia, insônia e distúrbios de movimento.

“Além de oferecer informações inéditas relacionadas com a saúde da mulher quanto à sua arquitetura de sono, o estudo ressalta a importância da compreensão das diferenças do gênero no sono, alertando que o gênero pode ser o causador do desenvolvimento de alguns distúrbios de sono”, disse.

Para ler o artigo Gender and age differences in polysomnography findings and sleep complaints of patients referred to a sleep laboratory, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

Os preços dos medicamentos de referência após a entrada dos medicamentos genéricos no mercado farmacêutico brasileiro

Efeito colateral nos preços
Um novo estudo publicado na Revista Brasileira de Economia constatou que a entrada dos medicamentos genéricos no mercado derrubou rapidamente os preços dos remédios de marca nas farmácias.

A pesquisa sugere que esse efeito foi possível graças a iniciativas governamentais que consolidaram a credibilidade dos genéricos junto à população, atestando sua qualidade.

Ao analisar o período de 1998 a 2002, o estudo, realizado por Marislei Nishijima, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP Leste), avaliou o efeito da entrada dos genéricos sobre os preços dos medicamentos de referência.

O estudo indicou que os preços dos medicamentos de marca são sensíveis ao aumento do número de genéricos nos mercados. Segundo a pesquisa, a entrada dos medicamentos genéricos no mercado brasileiro ocorreu efetivamente a partir de fevereiro de 2000, quando foram estabelecidos controles de qualidade com testes de bioequivalência e o governo federal investiu em campanhas publicitárias.

“As mudanças no cenário começaram assim que os produtores de medicamentos de marca passaram a enfrentar a concorrência dos genéricos que tinham garantia de qualidade”, disse Marislei.

O estudo indica que a mudança do cenário está relacionada com o controle da qualidade. À institucionalização do medicamento genérico por meio da exigência do teste de bioequivalência somou-se a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“A autorização para produção de genéricos no país foi condicionada pela realização obrigatória de teste de bioequivalência, configurando um controle de qualidade institucional inédito”, disse a pesquisadora.

Segundo ela, houve uma melhora de informação sobre a qualidade do genérico. “Entretanto, vale notar que no Brasil um medicamento genérico passa uma única vez pelo teste de bioequivalência, quando necessita da autorização para entrar no mercado”, disse.

“Levando em conta a experiência norte-americana, seria interessante que o controle de qualidade institucional ocorresse periodicamente, para evitar problemas de perda de qualidade do medicamento genérico e, consequentemente, problemas de perda de credibilidade por parte dos consumidores, que poderiam inviabilizar a política de genéricos no futuro”, alertou.

Dados e comparações
Marislei efetuou um cruzamento de microdados provenientes de três fontes distintas, que resultou na análise de 162 tipos de medicamentos de referência em um período de quatro anos – de 1998 até 2002 –, usando dados mensais com intervalos de seis meses.

A identificação dos medicamentos genéricos foi obtida pela coleta diária de autorizações para a produção publicadas no Diário Oficial da União e pela Anvisa. Até fevereiro de 2002, um total de 1.892 medicamentos genéricos de diferentes laboratórios obteve autorização da agência para entrar no mercado.

Informações como preços médios, data de lançamento e quantidade comercializada foram obtidos das publicações anuais do International Medical Statistics (IMS). Os dados sobre preços em moeda nacional foram obtidas da Associação Brasileira de Comércio Farmacêutico, cujo banco de dados contava com 17.675 diferentes medicamentos no início de 2002.

A análise dos microdados foi feita com o uso de uma estratégia econométrica usada para estimar modelos lineares conhecidos como “diferenças em diferenças”.

“Esses modelos permitem que sejam comparados os preços dos medicamentos de marca antes e depois da entrada dos genéricos no mercado e possibilitam a comparação entre os preços de dois grupos de medicamentos de marca: os que passaram a enfrentar a concorrência de genéricos e os que não sofreram tal concorrência”, afirmou.

Marislei ressalta que a pesquisa apresenta uma limitação: “A amostra se restringe aos impactos sobre os preços de medicamentos vendidos em farmácias. Não se tem informação na amostra sobre os preços de medicamentos negociados para ambulatórios, hospitais e postos de saúde”, disse.

De acordo com a professora, outros estudos serão necessários para avaliar se a mudança nos preços acarretou melhora no nível de bem-estar da população. Para isso, os trabalhos futuros deverão avaliar se houve aumento da quantidade de remédios consumida.

“Tal análise deve investigar se a soma das quantidades dos medicamentos de referência e genéricos após a entrada destes últimos no mercado é maior, igual ou menor que a quantidade total consumida do medicamento de referência antes da concorrência”, disse.

Para ler o artigo Os preços dos medicamentos de referência após a entrada dos medicamentos genéricos no mercado farmacêutico brasileiro, de Marislei Nishijima, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Fundação Carolina (Espanha) oferece 1555 bolsas

A Fundação Carolina anunciou a abertura de processo seletivo para 1.555 bolsas para estudantes de países ibero-americanos interessados em cursar pós-graduação na Espanha. As inscrições, na maior parte dos casos, estarão abertas até o dia 1º de março.

A iniciativa do governo espanhol oferece auxílio financeiro que varia de acordo com cada modalidade – as bolsas são voltadas para praticamente todas as áreas do conhecimento.

Das 1.555 bolsas, 1.065 são dedicadas a estudos de pós-graduação, 265 são especificamente voltadas para doutorado ou pesquisas de curta duração e 225 para a formação permanente. Esta última modalidade é direcionada exclusivamente a latino-americanos e espanhóis.

O processo seletivo consiste em análise de currículo e entrevistas pessoais. As avaliações serão feitas por uma comissão julgadora, composta por integrantes da Fundação Carolina e das universidades que oferecem os cursos.

São quatro os programas de estímulo à formação da Fundação Carolina: Bolsas de Pós-Graduação, Bolsas para Doutorado e Pesquisas de Curta Duração, Bolsas de Formação Permanente e Auxílios para Pesquisa.

Mais informações: www.fundacioncarolina.es

Fonte: Agência FAPESP

5º Fórum Ambiental da Alta Paulista



Maiores informações pelo site

Fonte: ANAP