domingo, 14 de dezembro de 2008

Casquinha de sorvete é patenteada em 1903

No dia 13 de dezembro de 1903, um imigrante italiano nos Estados Unidos patenteou um wafer sobre o qual vendia sorvete. A casquinha de sorvete enrolada, como a conhecemos hoje, surgiu mais tarde.

O imperador romano Nero já era tão fascinado por delícias geladas que seus escravos tinham que trazer gelo dos Alpes italianos. O gelo era então saboreado com purê de frutas e mel. No século 13, nas suas viagens pelo mundo, Marco Polo aprendeu dos chineses como no inverno produzir sorvete a partir de leite congelado, suco concentrado de frutas, chocolate ou aroma de baunilha.

No século 16, um confeiteiro italiano da Sicília descobriu que determinada quantidade de salitre fazia a água congelar. Um século depois, o sorvete italiano começou a conquistar a Europa. No final do século 18, foi aberta a primeira sorveteria no norte da Alemanha, em Hamburgo. A iniciativa foi de um refugiado francês, que oferecia uma ampla variedade de delícias geladas.

Foram os norte-americanos, entretanto, que começaram a sua produção em escala industrial. Em 1850, o comerciante de leite Jacob Fussel abriu uma pequena fábrica de sorvete na Pensilvânia, para não ter que jogar fora o creme que deixava de vender.

Já a história dos gelatieri italianos teve seu auge em meados do século 19, na região de Vêneto. O que os Estados Unidos representaram para a indústria, a Itália representou para a gastronomia.

Várias versões para a origem
As primeiras carrocinhas de sorvete eram de vendedores de castanhas e pêras, que ficavam desempregados no verão. Conta a história que eles aprenderam o ofício de um siciliano. Não demorou para que se espalhassem pela Europa. Em 1865, já havia uma carrocinha de sorvete em Viena, dando lugar em seguida à primeira sorveteria.

Pelas suas características térmicas e cremosas – muito próprias –, um aspecto muito importante na história do sorvete é a forma como é servido. No princípio, em pratos, depois em taças especiais. Há diferentes versões para o surgimento da prática e ecológica casquinha de sorvete, como a conhecemos hoje.

Uma delas refere-se a Ítalo Marchioni, imigrante italiano nos Estados Unidos, que em 13 de dezembro de 1903 patenteou um wafer criado por ele para servir sorvete. O registro de patente número 746971 valeu-lhe uma estátua em sua terra natal, na italiana Longarone.

Ele havia emigrado para a América no final do século 19. No centro de Nova York, começou a vender sorvete de limão num carrinho de mão. Como os pratos fossem pesados de carregar e difíceis de limpar na rua, teria inventado um porta-sorvetes comestível, à base de um wafer redondo enrolado.

Inspiração na zalabia síria
Outra versão para o cone de sorvete é defendida por Mary Lou Menches, professora na Universidade de Illinois. Seu avô, Charles Menches, vendia sorvete num estande na tradicional exposição anual, todos os verões, em Saint Louis. Em julho de 1904, ele queria oferecer um sorvete a uma linda garota, mas não dispunha mais de pratos limpos.

Na corrida, ele teria sido auxiliado pelo estande vizinho. Era o imigrante sírio Ernest Hamwi, que oferecia zalabia, uma especialidade da Síria, feita à base de farinha, açúcar, ovos, casca de limão e aroma de baunilha, prensado num ferro especial. Quando ele ficava bem dourado, era enrolado em forma de cone e enchido com creme de frutas.

Charles Manches comprou uma zalabia sem recheio, deixou esfriar e encheu com sorvete. Mais um destes inventos criados pela força da necessidade e que ficou famoso em todo o mundo. Logo que acabou a festa, resolveu industrializar o invento, que fez o maior sucesso nas quermesses seguintes. As provas são guardadas com muito carinho por Mary Lou, que expõe os utensílios na sorveteria da família no Estado norte-americano de Ohio. (rw)

Fonte: DW

Cipós amazônicos têm potencial biodefensivo

Cientista revela que espécies vegetais, transformadas, serão usadas na agricultura familiar em Bragança, no Pará.

Dois cipós amazônicos com alto potencial biocida são excelentes fontes de biodefensivos, anunciou na semana passada o professor da Universidade Federal do Pará, José Luiz do Nascimento, durante a Conferência do Subprograma de Ciência e Tecnologia Fase II/PPG7, em Belém. Pesquisadores, gestores públicos, bolsistas e representantes das comunidades envolvidas nas pesquisas debateram a realidade da região.

Segundo Nascimento, a sub-rede de pesquisa “Aproveitamento de plantas amazônicas como fontes de biodefensivos”, da qual é coordenador, trabalha no sentido de transformar o timbó e o cipó de alho em produto inseticida – ou biodefensivo.

De acordo com o pesquisador, esses cipós poderão colaborar para a agricultura familiar desenvolvida na comunidade Jararaca, localizada a 30 quilômetros de Bragança, nordeste do estado. “A intenção é produzir conhecimento científico com base no popular”, afirma Nascimento.

Dois anos de análises
A sub-rede abriga seis projetos, dentre eles, “Biodisponibilidade e avaliação química dos componentes voláteis do cipó de alho (Mansoa alliacea)”, de responsabilidade da botânica Maria das Graças Zoghbi, do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Nascimento apresentou as conclusões de dois anos de análises na mesa redonda “Produtos madeireiros e não-madeireiros da Amazônia”. Moderados pelo especialista Milton Kanashiro, da Embrapa Amazônia Oriental, fizeram explanações João Olegário de Carvalho, da Embrapa Amazônia Oriental, e José Eduardo Lahoz Ribeiro, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, coordenadores das sub-redes “Manejo e conservação de recursos florestais madeireiros e não-madeireiros” e “Diversidade vegetal e de moléculas bioativas na Reserva Biológica do Uatumã, Amazônia Central”, respectivamente.

Contra superstições
Além de inseticida, o cipó de alho apresenta também propriedade medicinal. “Vários componentes químicos encontrados no óleo essencial dessa espécie de cipó d’alho apresentam atividades biológicas importantes para a saúde humana”, explica Graça Zoghbi. Multifuncional, esse cipó ainda é empregado pelos caboclos amazônicos para afugentar superstições como “mau olhado” e “quebranto”.

Nascimento disse que o inseticida elaborado por meio do cipó de alho plantado na própria comunidade já está em fase de finalização e deve ser entregue aos moradores de Jararaca ainda neste mês de dezembro. “Além da entrega, vamos ensiná-los também a manusear as plantas para o preparo do biocida, de maneira simples”, acrescenta. ((*) Com informações de Antonio Fausto, da Agência Museu Goeldi, de Belém / Agência Amazônia)

Fonte: Envolverde