quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Indústria farmacêutica brasileira e a crise mundial

Indústria farmacêutica nacional - Conhecedores avaliam possíveis impactos da crise sobre P&D dasempresas nacionais; setor está forte, afirma executivo do BNDES


O que vai acontecer com o movimento da indústria farmacêutica brasileira em direção a mais investimento em pesquisa e desenvolvimento frente às perspectivas de crescimento menor da economia do País? Durante o 2º Encontro Nacional de Inovação em Fármacos e Medicamentos (ENI-FarMed), realizado pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento em Fármacos e Produtos Farmacêuticos (IPD-Farma) e pela Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec) nos dias 12 e 13 de novembro, em São Paulo, Inovação fez essa pergunta a quatro conhecedores do setor. Pedro Palmeira, que coordena a carteira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a inovação no setor, e Marcio Falci, diretor de P&D da Biolab, a terceira maior em volume de vendas, confiam no setor e na manutenção da tendência atual. Marcio lembrou que P&D é uma forma de proteção das empresas, um investimento que as fortalecerá quando a crise passar; Pedro apoiou sua opinião no fato de o setor estar capitalizado e preparado para "um solavanco como este". Na outra ponta está Ogari Pacheco, do Laboratório Cristália: para ele, mais pessimista, a crise chegará ao Brasil no segundo semestre de 2009 e trará com ela "significativa redução" das atividades de P&D. Eliane Bahruth, da área de planejamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), preferiu não fazer prognósticos.

De acordo com Falci, a tendência das farmacêuticas em direção a maiores investimentos em P&D começou em 1999, com a promulgação da Lei dos Genéricos. Ele acompanhou a inflexão do setor quando ainda era diretor médico da Biosintética, comprada em outubro de 2005 pelos Laboratórios Aché, um ano depois de este ter se tornado o primeiro em vendas no País, superando a multinacional Roche. O aumento do volume de vendas e o crescimento da economia deram ao setor os recursos para investimento em P&D. A carteira coordenada pelo BNDES e, mais recentemente, o programa de Subvenção Econômica da Finep — em 2006, projetos de sete farmacêuticas ficaram com 11,3% dos recursos disponíveis — fortaleceram a tendência.

Os resultados de uma pesquisa realizada no primeiro semestre de 2008 pela Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) mostram que, de 2006 para 2007, os investimentos em P&D das empresas nacionais cresceram 68% — enquanto os das multinacionais cresceram 11%. Esses investimentos vêm sendo feitos, basicamente, em inovações incrementais, que visam, por exemplo, a mudar a forma de apresentação de um medicamento ou criar associações entre eles que tragam maior conforto para o doente. "Isso é natural, pelo porte das nossas empresas, que são de tamanho menor se comparadas com as grandes firmas internacionais. Aqui, elas não têm um volume de recursos que as permita arriscar tanto", apontou Eliane Bahruth, da Finep. Ela explicou que a agência tem observado projetos de maior risco e mais diferenciados entre as propostas aprovadas nos editais de subvenção e também em alguns convênios de parceria entre empresas e universidades.

As avaliações sobre o impacto da crise financeira

Marcio Falci, da Biolab, não acredita que a crise vá interromper o movimento pró-inovação das empresas. "Pelo que eu saiba, as indústrias brasileiras não estão alavancadas. Vejo pela minha: estamos contratando gente, ano que vem iniciamos um centro de pesquisa, estamos investindo em capacitação, em P&D", contou. A Biolab projeta sair de um faturamento de quase R$ 400 milhões para R$ 600 milhões no ano que vem, com a introdução de 18 produtos, 12 deles desenvolvidos aqui. Ele explicou que o setor só será mais afetado se houver uma grande queda no consumo, "o que não parece que vai ocorrer". "O maior problema no setor farmacêutico se dá hoje na área de distribuição. Como os distribuidores trabalham com uma margem pequena, baseados em escala, e a concorrência é grande, numa hora de aperto creditício, eles sofrem mais do que as outras indústrias. É uma coisa que pode desestabilizar um pouco o setor", revelou.

As informações que chegaram até agora ao BNDES, disse Palmeira a Inovação, sinalizam diferentemente: para ele, a crise não deve afetar as empresas farmacêuticas. "Se a crise vier, atingirá o setor em menor grau do que pode atingir os produtores de bens de consumo", analisou. Ele não descarta a ocorrência de casos pontuais de empresas que enfrentem problemas com a restrição de crédito, mas afirma que o setor farmacêutico, de modo geral, já vinha capitalizado. "Permito-me até dizer que já estava preparado para um solavanco como esse. Salvo algumas poeiras escondidas embaixo do tapete e que ainda não percebemos, estamos jogando com esse cenário de que talvez exista uma redução de margens em função de aumento de preço de matéria-prima, do ajuste cambial que está sendo feito agora, mas nada que vá impactar drasticamente o setor farmacêutico nacional", acrescentou. Para o executivo do BNDES, as empresas farmacêuticas nacionais já perceberam, há algum tempo, que praticar altas margens não é uma boa estratégia de longo prazo. "Em algum momento será necessário apostar em produtos inovadores. Isso interessa para o Brasil porque aumenta nossas possibilidades, nosso poder de troca com o mundo exterior, já que para o bem e para o mal o mundo continua globalizado, mesmo depois da crise", destacou.

Eliane, da Finep, preferiu a cautela e afirmou à reportagem que não considera possível, ainda, avaliar os impactos da atual crise econômica no setor. "A gente observa que o impacto imediato está se dando nos setores mais consolidados, que estão perdendo seus mercados", disse. Ela lmbrou que há uma idéia difundida pelas grandes empresas e por uma linha do pensamento econômico sobre as empresas aproveitarem as crises para investir mais em P&D&I, de forma a saírem com vantagem em relação aos concorrentes.

O empresário Pacheco, do Cristália, é o que mais teme as conseqüências da crise sobre as atividades de P&D e o setor como um todo. "Deveremos sentir os reflexos da crise no País de maneira mais evidente a partir do segundo semestre do ano que vem. Até então, as coisas vão parecer que não mudaram muito, mas que não tem vacina para isso; o Brasil está dentro de uma comunidade internacional, e como partícipe, vai sofrer os efeitos", afirmou.

Ele acredita que haverá significativa redução de atividade de P&D, pois as empresas usam da mesma lógica de qualquer chefe de família: cortar os gastos possíveis, mantendo o essencial. "Primeiro, a empresa vai procurar produzir e vender, manter a atividade. P&D é o que vai gerar o desenvolvimento futuro, mas, no dia-a-dia, ela precisa produzir, vender, trabalhar no que tem", apontou, acrescentando que não considera essa reação à crise positiva ou recomendável, apenas provável.

O estudo da Febrafarma

A Febrafarma levantou dados de 50 laboratórios, 29 multinacionais e 21 nacionais, que, juntos, respondem por 75% das vendas no varejo. A pesquisa constatou que as companhias planejavam investir R$ 1,72 bilhão até o final de 2008, 14,8% a mais do que em 2007. O estudo estimou que R$ 505,26 milhões seriam destinados a P&D, um aumento de 30,08% em relação a 2007 e de 67% em comparação com 2006.

A pesquisa mostra o incremento dos recursos para P&D. As empresas nacionais respondem por 39,1% do total investido em P&D. Em 2007, respondiam por 37% e, em 2006, por 36,4%. Dos recursos destinados a P&D, as empresas brasileiras devem aportar R$ 219,7 milhões e as internacionais, R$ 285,5 milhões. De um ano para outro, os investimentos em P&D das empresas nacionais cresceram 68%; os das internacionais, 11%. Os recursos para P&D iriam para pesquisa clínica e inovação com foco incremental, basicamente projetos para modificações de substâncias já conhecidas, buscando maior eficácia ou segurança.

Apesar dos números positivos, a Febrafarma destacou que ainda é preciso maior esforço em inovação no Brasil. As empresas farmacêuticas nos Estados Unidos e nos países europeus investem, em média, 20% de seu faturamento em P&D. No Brasil, esse número foi de 5,3% no ano passado, quando o faturamento da indústria farmacêutica somou R$ 28,12 bilhões.

Aumento dos investimentos públicos indica mais P&D no setor

A Finep, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e o BNDES, do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC), são os dois principais financiadores públicos para projetos de P&D&I nas empresas. "Houve um acréscimo significativo de investimento em pesquisa e inovação, em projetos das próprias empresas, e tivemos um aumento no número de parcerias das empresas com as instituições científicas e tecnológicas", contou Eliane, da Finep. Um dos dados que mostram o incremento das atividades de P&D&I do setor farmacêutico está nos projetos do programa de subvenção econômica. No primeiro edital, lançado em 2006, foram aprovados R$ 274 milhões para subvencionar empresas. Desse total, R$ 31 milhões foram para sete projetos da área médico-farmacêutica. No edital de 2007, foram aprovados R$ 314 milhões, dessa vez para as áreas de biotecnologia e saúde, privilegiadas pelo edital por conta da importância estratégica dos dois setores, segundo o governo federal. Foram R$ 26 milhões, mas para um maior número de projetos — 28 no total.

Outro indicador da Finep são os aportes dos recursos do Fundo Setorial de Saúde (CT-Saúde), que financia pesquisas realizadas pelo setor acadêmico público em parceria com o setor privado e também pesquisas de interesse da política pública de saúde, para atender às demandas do governo. Em 2003, o CT-Saúde desembolsou R$ 21,2 milhões; o investimento saltou para R$ 30,2 milhões em 2005 e para R$ 75,7 milhões em 2007. O orçamento de 2008 do fundo é de R$ 81,5 milhões.

"A procura por mecanismos de apoio à inovação aumentou no BNDES", explicou Palmeira. "O leque de instrumentos vai desde fundo não reembolsável, como o Funtec, um investimento que a empresa faz sempre associada a uma instituição de ciência e tecnologia, passando pelo Profarma Inovação, uma linha de financiamento bastante interessante para inovações incrementais, além das linhas tradicionais do banco", completou.

Segundo ele, a carteira do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Cadeia Produtiva Farmacêutica (Profarma), criado em 2004, é de R$ 1,5 bilhão já aprovado para financiar empresas. O valor é o acumulado desde o início da operação do programa até 2008. "Desse R$ 1,5 bilhão, R$ 330 milhões são para inovação", conta. Somado o dinheiro aprovado pelo banco mais o que as empresas colocam de contrapartida, os investimentos atingem a casa dos R$ 2,4 bilhões, sempre de acordo com o executivo do banco. "É o suficiente? Não. Mas para quem tinha zero há alguns anos, é um avanço extremamente significativo. A Finep também age agora de forma mais agressiva, utilizando o arcabouço jurídico da Lei do Bem, da Lei de Inovação para lançar os editais de subvenção econômica, uma ferramenta extremamente poderosa se for bem calibrada", acrescentou. "Não é por falta de recursos que a inovação não vai deslanchar no setor farmacêutico nacional. O empresário nacional tem um papel importante a desempenhar, o de capitanear esse processo de inovação", disse.

De início, o Profarma financiou a expansão de capacidade produtiva, modernização e a construção de novas fábricas. Como essa infra-estrutura já estaria razoavelmente consolidada, na visão do BNDES, o Profarma passou para uma segunda fase, em que busca "mais qualidade dos investimentos", como definiu Palmeira. "Não que investimentos em capacidade produtiva não sejam de qualidade; são necessários, mas por qualidade entendo investimentos em atividades inovadoras. E não só aquele investimento para desenvolver o produto X, Y ou Z, mas em projetos mais arriscados, para internalização de competências necessárias para inovar", explicou. Trata-se de investimentos de maior risco porque são feitos para ativos intangíveis, segundo ele. "Estamos incentivando a indústria a utilizar nossos instrumentos para que possamos internalizar de forma mais intensa essa atividade inovadora dentro da indústria farmacêutica nacional. Estamos longe do ponto ideal", destacou.

Empresários concordam: há aumento dos aportes em P&D

"Estamos começando a querer deslanchar, mas, como cidadão, considero ainda tímida nossa atuação em P&D&I", afirmou o presidente do Cristália. Para ele, o governo está fazendo o papel que se espera no que se refere ao financiamento a P&D&I. Mas, assim como Palmeira, Pacheco pensa que as companhias precisam ser mais ativas. "O governo está apoiando a pesquisa e a inovação nas empresas, mas isso depende muito mais da iniciativa, do comprometimento, do esforço das empresas", comentou.

O Cristália declara investir de 7% a 10% de seu faturamento anual nas atividades de P&D. Em novembro de 2007, o laboratório lançou um medicamento para tratamento da impotência sexual masculina, o Helleva, baseado em uma molécula desenvolvida internamente. O empresário disse que, mesmo o Cristália, que vem sendo reconhecido por sua capacidade de inovar, quando comparado às grandes empresas internacionais, tem um esforço pequeno. "Há necessidade de um esforço convergente no sentido de desenvolvermos um trabalho conjunto entre as empresas e quem detém a maior parte do conhecimento, as universidades, para que isso [um grande salto em inovação] ocorra", ressaltou.

Falci, da Biolab, contou que há, no País, 15 empresas do setor investindo em pesquisa e inovação de forma contínua. Para ele, o marco dessa virada na indústria nacional foi o início da comercialização de genéricos. Ele avalia que, agora, o Brasil começa a criar um ambiente mais atrativo para as empresas multinacionais também fazerem projetos de P&D mais sofisticados no País. "Em três a cinco anos, vamos começar a receber um aporte maior de multinacionais porque teremos as condições de infra-estrutura necessárias", afirmou. Na avaliação do diretor da Biolab, o marco regulatório precisa de atualização e os órgãos governamentais, de mais entrosamento. Contudo, segundo ele, hoje o Brasil conta com um bom ambiente jurídico, "não totalmente estruturado como elas [as empresas estrangeiras] gostariam, mas bom, melhor do que o da China", comparou. "Como estamos tendo bastante incentivo nas agências de fomento, é questão de tempo para que venham aproveitar os benefícios", atestou.

Um recente exemplo da nova tendência identificada por Falci seria o fato de a Pfizer ter anunciado em setembro que busca parceiros no País para desenvolvimento de novos medicamentos. O laboratório deve fazer um inventário dos projetos de pesquisa de novos medicamentos que estão em desenvolvimento no Brasil e ver quais deles podem ser de interesse de seu interesse, para conduzir o projeto de forma conjunta.
Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp

Em 1845 era patenteado o primeiro pneu

No dia 10 de dezembro de 1845, o engenheiro londrino Robert Thompson registrou a patente de uma invenção que revolucionaria os transportes: a roda pneumática.

Além de tornar as viagens mais confortáveis, o invento tornava mais eficientes os veículos da época, puxados a cavalo. Ficou famoso, entretanto, 43 anos mais tarde, "reinventado" pelo veterinário escocês John Dunlop.

Os modernos automóveis da era da eletrônica ainda andariam aos solavancos, se o engenheiro inglês Robert Thompson não tivesse registrado a patente do pneu, a 10 de dezembro de 1845. O único erro que ele cometeu, à época, foi não saber comercializar o produto, que, conseqüentemente, caiu no esquecimento. Quarenta e três anos mais tarde, o veterinário escocês John Boyd Dunlop teve a mesma idéia e "reinventou" o pneu de Thompson.

Rodas mais duráveis
Dunlop quis apenas agradar o filho Johnny e tornou-se – na própria opinião – "o primeiro inventor de sucesso". Johnny tinha dificuldades para andar pelas calçadas de pedra da Escócia com seu triciclo, cujas rodas eram da borracha vulcanizada e quebradiça. O pai, então, improvisou uma câmara de ar de borracha flexível, envolveu-a numa lona e montou-a num aro de madeira. O resultado foi sensacional. Johnny passou a ser bem mais rápido que seus amigos e chegou a andar 60 milhas com um só jogo de pneus. Em compensação, perdeu o bico, transformado em válvula de pneu pelo habilidoso pai.

John Boyd Dunlop obteve da rainha Vitória a patente de número 10607 pela invenção do pneu, abrindo o caminho para o "século da mobilidade". O produto difundiu-se rapidamente pela Europa. A primeira filial da Dunlop fora da Inglaterra foi aberta em Hanau, na Alemanha, em 1893.

Conquista do público feminino
Numa época em que a última moda na Europa era andar de bicicleta, John Boyd Dunlop encontrou um mercado promissor para novos protótipos de seu produto. As novas bicicletas, de dois pneus iguais, ofereciam mais conforto e segurança aos usuários e conquistaram também o público feminino. Os primeiros pneus eram recortados à mão pelo próprio inventor. Os funcionários da Dunlop Rubber Company, fundada mais tarde, também ainda tiveram muito trabalho braçal.

Ainda hoje a produção de pneus envolve bastante trabalho manual, mas muitos processos foram já automatizados e "humanizados". O produto também passou por uma série de aperfeiçoamentos durante os 155 anos de existência. O pneu diagonal foi substituído pelo radial, de maior consistência, conforto e durabilidade. Hoje, as fábricas de pneus trabalham com tecnologias de ponta, aprimorando, principalmente, a constituição química do produto.

Aproveitando a demanda cada vez maior por produtos ecológicos, o grupo alemão Degussa lançou na Europa, Ásia e Estados Unidos o chamado "green tyre" – pneu verde ou ecológico. Trata-se de uma nova geração de pneus, resultado da mistura de dois produtos químicos usados na fabricação da borracha: sílica e organosilano. Segundo a Degussa – que atua nos segmentos de metais preciosos, químico e farmacêutico no Brasil desde 1953 – esse tipo de pneu oferece menor resistência ao rolamento, reduz em 5% o consumo de combustível e tem maior aderência em pistas escorregadias. [Catrin Möderler (gh)]

Fonte: DW

Identificada substância na semente da sucupira capaz de inibir o crescimento de células cancerígenas

Planta anticancerígena
Pesquisadores do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram uma substância na planta popularmente conhecida como Sucupira (Pterodon pubescens Benth) capaz de inibir o crescimento de células de câncer de próstata em estudos in vitro.

Os testes in vivo do trabalho, coordenado pela pesquisadora Mary Ann Foglio, do programa de pós-graduação do Departamento de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica da Faculdade de Odontologia, terão início em fevereiro de 2009 visando ao estudo do comportamento dos compostos isolados em modelos experimentais utilizando o combate às células cancerígenas em camundongos.

“Outras substâncias com estruturas análogas estudadas também mostraram efeito semelhante, mas uma em especial apresentou maior potência, com seletividade para a linhagem de tumores de próstata”, disse Mary Ann.

Segundo ela, o nome da molécula de interesse, extraída do óleo da semente de sucupira, é 6alfa-acetóxi-7beta-hidroxi-vouacapano. A sucupira é uma planta do Cerrado tradicionalmente conhecida pelos seus efeitos antiinflamatórios e de combate à dor.

Os pesquisadores da Unicamp se basearam em dados de literatura que relacionam a atividade antiinflamatória com o controle do crescimento de alguns tipos de tumores. Além disso, dois estudos de mestrado realizados no CPQBA já haviam comprovado efeitos antiinflamatórios e analgésicos dos extratos da sucupira.

Outros trabalhos na literatura já demonstram, explica Mary Ann, a relação entre atividade antiinflamatória e o controle de alguns tipos de tumor, especialmente do sistema digestivo.

“Por isso isolamos e monitoramos as substâncias do óleo da semente da planta em modelos in vitro para, em um primeiro momento, preservar os animais e comprovar a associação entre a atividade antiinflamatória e anticancerígena”, conta.

Por ser composto de muitas substâncias, o óleo da semente foi fracionado com a utilização de métodos cromatográficos. Este processo identificou cerca de 30 substâncias de interesse. Dessas, sete foram isoladas e realizadas modificações em suas estruturas químicas para comparação de suas ações farmacológicas e toxicológicas.

Por apresentar uma grande quantidade de substâncias, o óleo da semente foi separado, utilizando métodos cromatográficos, em diferentes frações para se chegar a um grupo com cerca de 30 substâncias de interesse. Dessas, sete foram isoladas e realizadas modificações em suas estruturas químicas para efeito de comparação de suas atividades e toxicidades.

Entre as moléculas identificadas nessas substâncias bioativas, os pesquisadores encontraram a 6alfa-acetóxi-7beta-hidroxi-vouacapano que, segundo Mary Ann, ainda não havia sido descrita na literatura.

“Na próxima etapa do estudo iremos implantar as linhagens de câncer de próstata nos animais e tratá-los com essa substância inédita. Já demos início também a estudos de microencapsulação da molécula para ver a possibilidade de aumentarmos seu tempo de vida útil a fim de administrarmos doses menores da substância”, aponta.

Um artigo com os achados do estudo foi escrito e submetido ao Journal of the Brazilian Chemical Society, publicação da Sociedade Brasileira de Química. “O trabalho já foi aceito e deve ser publicado no início de 2009”, afirma Mary Ann.

O estudo contou com a participação do docente João Ernesto de Carvalho, também do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da Unicamp, além de outros alunos de mestrado e doutorado na entidade.

O projeto de pesquisa, intitulado Avaliação farmacológica de frações e princípios ativos obtidos de Pterodon pubescens, cujo objetivo é identificar compostos de plantas com potencial medicamentoso, contou ainda com apoio da FAPESP por meio de um Auxílio a Pesquisa.

Fonte:Thiago Romero / Agência FAPESP

População brasileira envelhece em ritmo acelerado

Um país mais velho
A população brasileira está envelhecendo em ritmo acelerado e até 2050 quase 30% da população do país terá acima de 60 anos e a expectativa de vida deverá chegar aos 81 anos. Por sua vez, o número de pessoas entre 0 e 14 anos se encontra em declínio. Com taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição, nascem cada vez menos crianças no país.

Com isso, o número de habitantes deverá parar de crescer e até diminuir, passando de cerca de 219 milhões em 2039 – quando atingiria seu máximo – para 215,2 milhões em 2050. Por outro lado, o aumento da população em idade adulta e economicamente ativa poderá representar uma grande vantagem para a economia brasileira nos próximos 30 anos.

Essas são projeções de um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e apresentado na semana passada. Intitulado “Projeções da população do Brasil por sexo e idade: 1980-2050”, o trabalho reconstituiu o crescimento populacional desde 1980 e, a partir de dados sobre fecundidade e mortalidade, faz projeções até o ano de 2050.

Em entrevista à Agência FAPESP, o demógrafo Luiz Antônio Oliveira, coordenador de população e indicadores sociais do IBGE e um dos responsáveis pela pesquisa, fala dos impactos de o país estar caminhando rumo a um perfil demográfico cada vez mais envelhecido e de como poderá se preparar para isso.

Quais poderão ser as principais mudanças na dinâmica demográfica da população brasileira nos próximos 30 anos?
As tendências demográficas mudam. Em nosso estudo, buscamos reconstituir o crescimento da população e das componentes demográficas desde 1980. Pudemos então, a partir daí, fazer as projeções para as próximas décadas, levando em conta as hipóteses recomendadas internacionalmente sobre os comportamentos dos níveis de fecundidade e de mortalidade. Daqui a 30 anos, a população brasileira deverá parar de crescer e começar a diminuir. Em 2039, ela alcançará seu maior tamanho, que estimamos em 219,1 milhões de habitantes. A partir daí, passará a declinar, caindo para 215,2 milhões. Também observamos que a população brasileira está envelhecendo cada vez mais e que nascem menos crianças. Em 2000, tínhamos 51 milhões de pessoas na faixa etária entre 0 e 14 anos, o que representava 29,8% da população brasileira. Em 2050, esse número cairá para 28,3 milhões, representando 13,1%. Por sua vez, o grupo acima de 60 anos, que era de 14 milhões em 2000, representando 8,1% da população total, aumentará enormemente, para 64 milhões, passando a representar 29,8%. Em resumo, o país está envelhecendo.

Esse é um fenômeno que já vem sendo observado, não?
Sim. Em 2008, a esperança de vida de um brasileiro ao nascer é de 72,7 anos, bem maior que no passado – em 1940, era de 45,5 anos. Ou seja, estamos vivendo 27,2 anos a mais. Para 2050, a hipótese é que a vida média do brasileiro chegue ao patamar de 81 anos. Se separarmos por sexo, veremos que, em 2008, a média de vida para as mulheres está em 76,6 anos e, para os homens, em 69 anos, uma diferença de 7,6 anos.

As mulheres têm sobrevida maior?
Sim, e isso se deve a uma série de fatores. Em nosso país, essa situação é ainda mais agravada pela mortalidade de jovens do sexo masculino entre os 18 e 30 anos por causas associadas à violência. Para se ter uma idéia, a incidência da mortalidade masculina no grupo etário entre os 20 e 24 anos é quase quatro vezes superior à feminina. Se isso não ocorresse, a esperança de vida dos homens seria de dois a três anos maior do que é hoje. Portanto, se não houver uma mudança nesse padrão, em 2050 o Brasil terá 7 milhões de mulheres a mais do que homens. Elas, na verdade, já são maioria. Para cada 100 meninos nascidos, nascem em média 105 meninas, é uma constatação biológica. Outro fator é que a mortalidade infantil dos meninos é maior que a das meninas.

Os resultados do estudo feito pelo IBGE mostram que, por um lado, estão nascendo cada vez menos crianças no Brasil, que atualmente já tem uma taxa de fecundidade baixa. Por outro lado, o número de pessoas em idade potencialmente ativa se encontra em pleno processo de ascensão. Isso não será bom para a economia do país?
Sem dúvida, se soubermos aproveitar. Nos últimos 20 anos temos observado o crescimento da população em idade adulta, que vai dos 15 aos 59 anos, e da chamada população economicamente ativa, da faixa dos 20 aos 30 e dos 30 aos 40 anos. São pessoas que estão no mercado de trabalho, assegurando a sobrevivência da família. Esse movimento tende a continuar para daqui a 20 anos e isso, em teoria, é bom, pode ser visto como uma vantagem demográfica para a Economia. A Pnad [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios] de 2007 apresentava uma taxa média de 1,95 filho por mulher. A estimativa aponta para uma taxa de fecundidade em 2030 de 1,5 filho por mulher, que estaria abaixo do nível de reposição. Países como Espanha, Itália, Alemanha e França têm taxas de 1,2 ou 1,3 filho por mulher. Com a diminuição nas taxas de fertilidade, diminui também o peso das crianças de 0 a 14 anos sobre a população de 15 a 64 anos de idade, economicamente ativa. A população com idades em ingresso no mercado de trabalho (15 a 24 anos) passa pelo máximo de 34 milhões de pessoas, contingente que tende a diminuir nos próximos anos. O aproveitamento dessa oportunidade pode proporcionar um crescimento econômico ao país, se as pessoas forem bem preparadas e qualificadas profissionalmente.

Por outro lado, com taxa de fecundidade baixa e após o envelhecimento do contingente de pessoas economicamente ativas, o aumento no número de idosos não poderá vir a ser um problema para o país?
Sim, se essa população não for produtiva acabará sendo um peso. A população tem que envelhecer com condições físicas e materiais. Terá de haver melhorias nas condições de vida, na área da saúde e nas ofertas de trabalho. Que essa seja uma população de idosos ativos e produtivos. Políticas de saúde e de inserção na economia terão que ser desenvolvidas. O país também terá que estar preparado para o impacto desse envelhecimento populacional na Previdência Social.

Se o ritmo de crescimento populacional do Brasil ainda fosse o mesmo que o da década de 1950, a população brasileira atual seria muito maior do que 189 milhões. O país está acompanhando um fenômeno mundial de declínio populacional?
Sim, esse é um fenômeno resultante da globalização, da melhoria nos níveis de educação e inserção social, das mudanças nos padrões de família e do maior acesso aos métodos anticoncepcionais. Até 2050, o Brasil deverá passar da quinta para a oitava posição no ranking dos países mais populosos. Atualmente estamos atrás somente da China, Índia, Estados Unidos e Indonésia, mas, como deveremos parar de crescer em 2039, há a possibilidade de países como Paquistão e Bangladesh passarem o Brasil em números de habitantes, por terem taxas de fecundidade maiores do que a nossa.

Leia o estudo completo clicando aqui.

Fonte: Washington Castilhos / Agência FAPESP

UFSCar lança a revista de antropologia R@U

UFSCar ganha revista de antropologia
O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) lançará, no primeiro semestre de 2009, a revista eletrônica R@U.

A proposta é publicar artigos inéditos, ensaios bibliográficos, resenhas e entrevistas que discutam aspectos relevantes de antropologia e áreas afins. A R@U terá periodicidade semestral.

Para a primeira edição, o programa de pós-graduação receberá, até 15 de dezembro, contribuições de colaboradores interessados em ter seus trabalhos publicados.

As contribuições se dividem em: “Artigos e ensaios inéditos”; “Relatos de pesquisa”; “Traduções de trabalhos relevantes e indisponíveis em língua portuguesa”; “Resenhas de livros, coletâneas, filmes, documentários, discos, etc”; “Entrevistas” e “Mural”, esse último um espaço destinado à divulgação de eventos, premiações, concursos, defesas, lançamentos e editais.

“Antropologia da política, da violência e do Estado”, “Antropologia: questões interdisciplinares”, “Deslocamentos, memória e territorialidades” e “Modelos terapêuticos, políticas de saúde e técnicas corporais” são algumas linhas de pesquisa desenvolvidas no PPGAS.

Os textos recebidos depois de dezembro serão avaliados e selecionados para a edição seguinte. As normas para o envio dos artigos podem ser consultadas no site da revista, sendo que os trabalhos devem ser submetidos exclusivamente pelo e-mail .

Mais informações: https://sites.google.com/site/raufscar

Fonte: Agência FAPESP