terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Energia barata a partir de resíduo de madeira

Produto adotado em pizzarias e olarias do DF diminui custos em 60%, além de reduzir derrubada de árvores

Ele é mais barato, ecologicamente correto e produz mais calor que a lenha. Com tantos atrativos, era de se esperar que os briquetes, como são chamados os cilindros de resíduos agrícolas e madeireiros prensados, fossem adotados por estabelecimentos comerciais. Mesmo com todas as vantagens, o material ainda é pouco utilizado no Distrito Federal por pura falta de conhecimento.

A constatação é do engenheiro florestal Rodrigo Barroso, que abordou o assunto na dissertação de mestrado “Consumo de lenha e produção de resíduos madeireiros no setor comercial e industrial do DF”, defendida na Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (FT- UnB) sob orientação do professor Ailton Teixeira do Vale.

Barroso percorreu pizzarias, padarias e olarias, setores onde é mais comum o uso de madeira para aquecer fornos, a fim de mapear o setor. Os estabelecimentos visitados consomem juntos mais de 980 toneladas de lenha por ano.

Dentre os mais de 300 estabelecimentos que preparam pizza na cidade, apenas 10 declararam usar briquetes. Nesse grupo estão três conhecidas redes com estabelecimentos na Asa Sul, Asa Norte e Sudoeste.

Em relação às panificadoras, o número é ainda menor. Apenas quatro disseram comprar a lenha ecológica. Nenhuma delas divulga o fato aos clientes, apesar de a escolha contribuir para a imagem de uma empresa ambientalmente responsável.

Para o engenheiro, as estatísticas são resultado da desinformação, já que o produto reúne menor preço e maior eficiência. “As pessoas ainda conhecem pouco e têm medo de usar”, afirma Barroso. Enquanto uma tonelada de lenha custa em torno de R$ 441,18, a tonelada de briquete fica por volta de R$ 410,00 (valores cotados em outubro de 2007).

Além de mais barato, o briquete gera quase o triplo de energia da madeira. O poder calorífico, ou seja, a capacidade de produzir calor é de 5 a 7 mil kilocalorias, enquanto a lenha gera de 2 a 3 mil kilocalorias. A explicação está na umidade e densidade de cada material.

Quanto maior o teor de água, maior o tempo para iniciar a combustão. “A lenha tem 25% de água. Parte da energia é gasta para evaporá-la. No briquete, são 12%, por isso, ele gera energia mais rápido para esse uso. Sem falar na densidade do material, que no briquete chega a ser o dobro da lenha”, explica Barroso. A redução de custos com a substituição do material é de aproximadamente 60%.

SERRARIAS
Além ser uma alternativa vantajosa para os comerciantes, os briquetes também podem beneficiar outro ponto da cadeia produtiva, as madeireiras e serrarias. São os restos advindos da atividade desses locais que servem de matéria-prima para as empresas de reciclagem. Desta forma, a venda do material representaria uma fonte adicional de renda.

A realidade no DF, porém, é bem diferente. As empresas não fazem nenhum aproveitamento econômico. Pelo contrário, jogam os resíduos no lixo ou vendem sacos cheios de serragem ao preço simbólico de R$ 0,50. “Isso quando não queimam, que é a forma mais fácil de se livrar do resíduo, que fica ocupando espaço nas empresas”, afirma Barroso.

Estima-se que, no DF e Entorno, são produzidos mais de 2 mil toneladas de restos de madeira por ano, número que pode ser bem mais alto por causa das madeireiras clandestinas.

A quantidade seria insuficiente para instalar uma empresa de briquetagem no DF. “Casca de arroz, de café, coco verde seco e triturado, tudo pode ser usado para fazer briquete. Esses materiais, somados ao resíduo de madeira, podem tornar economicamente viável a fabricação aqui”, diz Barroso. “Só precisamos de mais pesquisa para saber a quantidade de material disponível.”

MEIO AMBIENTE
Se para os comerciantes a lenha ecológica representa redução dos custos, para os ambientalistas as vantagens estão na preservação do meio ambiente. Como o briquete pode substituir a madeira in natura, seu uso evita a derrubada de árvores.

Barroso lembra que a reutilização dos restos significa menos lixo causando distúrbios à natureza. Ainda não existe legislação que obrigue as madeireiras, por exemplo, a indicar um método de uso dos resíduos gerados, o que as estimula à produção sem compromisso. Mas uma política de sustentabilidade estimularia a consciência ambiental.

PERFIL
Rodrigo Almeida Barroso é mestre em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB), mesma instituição pela qual se graduou em Engenharia Florestal. Contatos pelo e-mail

Fonte: Fabiana Vasconcelos / UnB

KyaTera: Pesquisadores apresentam resultados de estudos feitos em laboratórios virtuais por meio de rede de alta velocidade de transmissão

Redes avançadas
Explorar as possibilidades de redes de altíssima velocidade para computadores e desenvolver tecnologias para a transmissão cada vez mais rápida de dados digitais são focos de pesquisa do projeto KyaTera, do Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia) da FAPESP.

Coordenadores e representantes dos grupos de pesquisa que participam da rede KyaTera se reuniram no sábado (29/11), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para apresentar o andamento dos trabalhos e discutir perspectivas.

O Workshop KyaTera 2008 foi aberto pelo coordenador do projeto, Hugo Fragnito, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp, que frisou as diferenças da plataforma óptica de ensino e pesquisa com as redes convencionais.

“A internet atualmente disponível ao público em geral, mesmo nas versões mais rápidas, com fibra óptica, tem velocidade bem inferior à da rede KyaTera, que tem múltiplos feixes ópticos em paralelo e conexão ponto a ponto”, disse.

O resultado é que os usuários da rede de pesquisa contam com velocidade na faixa do gigabit por segundo nos dois sentidos, em cada ponto, enquanto nas malhas convencionais o sinal de retorno é bem mais lento do que o sinal de chegada.

A alta velocidade torna possível a realização de pesquisas que até então não podiam ser feitas remotamente. Um exemplo são os trabalhos comportamentais com animais. Essas pesquisas de psicologia dependem da ação do cientista, que dispara sinais e controla o ambiente no qual está a cobaia. Para isso, não pode haver atrasos na comunicação.

Graças à sua grande banda, o KyaTera possibilita em várias disciplinas a utilização de laboratórios remotos que podem ser compartilhados por usuários espalhados em diferentes locais. É o caso do ViNCES (Virtual Networking Center of Ecosystem Services), um consórcio de laboratórios focados em ecossistemas e polinização.

Por meio do KyaTera, o ViNCES passou a contar com uma rede de weblabs (plataforma na internet que envolve experimentos científicos de alto nível e complexidade). Um deles é o de polinizadores, que monitora colméias por meio de microfones, câmeras, termômetros e outros sensores especialmente desenvolvidos para captar informações sobre as abelhas.

“Além do acesso ao laboratório em tempo real pela rede KyaTera, o projeto conta com um banco de imagens em alta resolução que também está disponível aos usuários”, explicou Antonio Mauro Saraiva, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP) e coordenador do ViNCES.

Multidisciplinar
A possibilidade de manter laboratórios remotos interessou também às Faculdades COC, de Ribeirão Preto. A instituição de ensino aderiu à rede KyaTera com o intuito de desenvolver laboratórios que possam ser operados a distância em seus diferentes campi.

“Atualmente, estamos trabalhando no Laboratório de Mecânica. Os alunos desenvolveram um braço mecânico para fazer experimentos de queda livre que podem ser controlados remotamente”, disse a física Galina Borissevitch, professora da instituição.

Já o Laboratório de Visão Computacional (Lavi) da USP desenvolveu uma mão artificial que recebe comandos por meio da rede. Ao posicionar uma mão humana em frente a uma webcam, o computador transforma o gesto em um comando e o repassa ao membro artificial que o reproduz de forma idêntica.

O sistema já reconhece dez posições diferentes da mão humana. Com o uso da rede KyaTera, o grupo pretende conseguir respostas em tempo real e sofisticar cada vez mais os movimentos da mão mecatrônica.

“Na próxima etapa da pesquisa, pretendemos fazer uma leitura de falange por falange de cada dedo e reproduzir os movimentos de cada junta em tempo real”, disse o professor Adilson Gonzaga, coordenador do projeto.

O KyaTera é um projeto multidisciplinar que atende áreas tão distintas como medicina (Instituto do Coração), meteorologia (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN) química (cluster de weblabs em Ribeirão Preto) ou engenharia de produção (USP em São Carlos), por exemplo.

Essas pesquisas estão na chamada camada 3, relacionada às aplicações da rede. Há ainda os trabalhos de desenvolvimento da própria rede, que são catalogados na camada 1, relacionada à parte física (cabos e equipamentos), e na camada 2, referente ao transporte de dados.

Nas camadas 1 e 2, os pesquisadores têm acesso a malhas apagadas de fibra óptica a fim de testar equipamentos e programas voltados ao transporte de sinais. É o caso do Laboratório de 40 Gb/s, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), que faz experimentos para o aumento da velocidade da rede, e o Laboratory of Advanced Photonic Technology for Optical Communication (Laptop) da USP de São Carlos, que está desenvolvendo tecnologias sem fio ligadas à rede óptica.

Para Fragnito, o sucesso do KyaTera se deve especialmente a peculiaridades do projeto, como o fato de a rede reunir pessoas e não apenas instituições. “Outras redes colocam o cabo na entrada da instituição de pesquisa. A ligação entre o painel de entrada e o laboratório fica por conta da própria instituição. Nós disponibilizamos o cabo até a mesa do pesquisador”, disse.

Fragnito prevê para 2009 a conexão da KyaTera em redes internacionais, ampliando ainda mais a interação e as possibilidades de pesquisa.

Fonte: Fábio Reynol / Agência FAPESP

Petrobras, Cefet e Funcern implantarão Unidade de Ensino em Macau

Nesta quarta-feira (3/12), a Petrobras assinou com o Centro Federal de Educação Tecnológica (IFRN) e a Fundação de Apoio ao CEFET-RN (FUNCERN) o convênio de apoio às atividades de implantação da Unidade de Ensino do Cefet de Macau. A cerimônia ocorrereu no Porto de Ama – Centro Petrobras de Cultura, em Macau.

Prevista para ser inaugurada em agosto do próximo ano, a Unidade de Ensino do Cefet de Macau oferecerá os cursos técnicos de Recursos Pesqueiros e Química, além do curso superior de Licenciatura em Biologia. O objetivo é promover e incentivar o acesso à educação e cultura, através da formação profissional e tecnológica de jovens e adultos, no município de Macau e região.

A infra-estrutura do local contemplará biblioteca, auditório, refeitório, 12 salas de aula, 10 laboratórios, um laboratório de recursos pesqueiros, tanque e viveiro para estudos na área de Pesca e Aqüicultura e área administrativa.

O município de Macau é considerado um dos maiores produtores de sal do Brasil e um dos maiores do mundo, com alta qualidade e pureza. Conta também como o maior produtor de Petróleo do Estado do Rio Grande do Norte, em exploração marítima, além de ser o segundo maior produtor de pescado do Estado.

Fonte: Agência Petrobras

Genocídio vira crime somente em 1948

A 9 de dezembro de 1948, na Paris marcada pelo massacre dos nazistas poucos anos antes, a ONU tornou o genocídio passível de punição, ao aprovar a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio.

O genocídio não era uma prática nova quando as Nações Unidas aprovaram a convenção para a prevenção e repressão dos crimes cometidos em seu nome. Lembre-se a matança dos índios nos Estados Unidos, a morte de 60 mil hereros (subjugados pelos alemães no sudoeste africano) em 1904, os turcos que assassinaram 1,5 milhão de cristãos na Armênia, em 1915, ou as deportações e mortes durante o Gulag comunista na Rússia.

Entretanto, sem precedentes na história foi a perseguição e execução de milhões de judeus pelo regime nazista na Alemanha, entre 1933 e 1945.

Para evitar que fatos como este se repetissem, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas ditou no preâmbulo de sua Carta, em 1945: "Estamos resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direito dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional possam ser mantidos, e a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade ampla...".

Falha ficou evidente no julgamento de Nurembergue
Três anos depois, tornou-se possível a punição dos crimes de genocídio pelo direito internacional. A convenção obriga os países-membros a julgar os crimes desta natureza, já bastando uma intenção de destruir grupos étnicos, religiosos, nacionais ou de raças. Também condições desumanas de vida, graves violações físicas ou psicológicas, o impedimento de nascimento de crianças ou seu seqüestro caem na conceituação de genocídio, enquanto a perseguição a oposicionistas políticos foi deixada de fora por exigência da União Soviética.

Até aí não havia possibilidade no direito internacional de punir (sejam chefes de governo ou indivíduos independentes) por crimes de assassinato em massa. Uma falha que havia se evidenciado no Tribunal de Nurembergue, quando dez dos 22 nazistas acusados de graves crimes de guerra foram libertados ou receberam penas leves.

Convenção pune, mas não previne
O termo genocídio havia sido usado pelo advogado judeu polonês Raphael Lemkin em seu livro Axis in Europe (1946). O texto foi acatado pela Assembléia-Geral da ONU, em dezembro de 1948. Um mês depois, 100 dos 188 membros o ratificaram. A então Iugoslávia estava entre os 42 primeiros signatários, o que não impediu que algumas décadas mais tarde praticasse uma política de limpeza étnica contra os muçulmanos na Bósnia.

A convenção da ONU contra o genocídio também não conseguiu impedir a morte de mais de 800 mil pessoas em Ruanda, no conflito entre hutus e tutsis. Sem falar nos crimes cometidos durante as guerras da Coréia, do Camboja, no Oriente Médio, na Chechênia, no Timor Leste...

Será a Convenção das Nações Unidas apenas um instrumento que ficou no papel? O perito em questões de direito internacional Andreas Paulus, da Universidade Ludwig-Maximilian, de Munique, acha que não. Ele destaca que alguns acontecimentos provam que o documento não foi esquecido. Lembra, porém, que a legislação existe para punir crimes, sem conseguir evitar que aconteçam.

O genocídio no direito alemão
Na Alemanha, o parágrafo 220a sobre o genocídio foi incluído na legislação penal em 1954 e prevê até a prisão perpétua, sem a possibilidade de prescrever, independente de onde os crimes tenham sido cometidos. O primeiro condenado à prisão perpétua na Alemanha foi o sérvio Nikola Jorgic. [Frank Gerstenberg (rw)]

Fonte: DW

Eliete Bouskela ocupa cadeira na Academia Francesa de Medicina

Eleição inédita
Eliete Bouskela, professora titular e pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), tornou-se a primeira mulher brasileira a ocupar uma cadeira na Academia Francesa de Medicina.

Fundada em 1820, a agremiação é uma das mais tradicionais instituições de saúde do gênero em todo o mundo. Com extensa experiência na área de fisiologia cardiovascular, Eliete Bouskela foi eleita em reconhecimento por seu trabalho à frente do Laboratório de Pesquisas em Microcirculação da Uerj.

Com uma votação expressiva, sendo 82 votos favoráveis entre os 86 possíveis, a pesquisadora brasileira tomará posse no próximo dia 16 de dezembro, na sede da Academia Francesa de Medicina, em Paris.

Eliete foi eleita na categoria "Membro correspondente estrangeiro" na área de ciências biológicas e farmacêuticas que tem, entre seus titulares, o ganhador do Nobel da Medicina deste ano, o virologista francês Luc Montagnier, responsável pela descoberta do vírus da Aids há 21 anos.

A eleição da pesquisadora da Uerj para a academia começou em 2007, quando ela apresentou, em Paris, uma conferência sobre os resultados de seus estudos sobre regulação da reatividade microvascular nos choques séptico e hemorrágico, disfunção endotelial e microvascular em diabetes e obesidade.

Com a eleição, Eliete se une ao seleto grupo de cientistas brasileiros que constam dos registros da Academia: Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Carlos Chagas Filho, Jorge Alberto Costa e Silva e Augusto Paulino.

Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1973, mestrado em Biofísica (1975) e doutorado em Fisiologia (1978), ambos na mesma universidade, a professora também é membro titular da Academia Nacional de Medicina (ANM), coordenadora da área biomédica da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), editora-chefe dos Anais da Academia Nacional de Medicina e consultora do Ministério da Saúde.

Fonte: Agência FAPESP

Eosinophil granules function extracellularly as receptor-mediated secretory organelles

Defesa prolongada
Já se sabia que os eosinófilos – células de defesa do sangue especialmente envolvidas em reações alérgicas e antiparasitárias – podem migrar para os tecidos e aumentar a resposta inflamatória. Ao fazer isso, esses leucócitos liberam proteínas pré-formadas pelo processo conhecido como citólise, entre outros.

Agora, um novo estudo realizado por um grupo internacional com participação brasileira, mostrou que mesmo após o desaparecimento dos eosinófilos, os grânulos presentes em seu citoplasma, depois de liberados em ambiente extra-celular, continuam agindo como organelas independentes, amplificando a resposta inflamatória.

A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostra ainda que os grânulos dos eosinófilos são capazes de expressar, em suas membranas, receptores funcionais que estão acoplados a vias de sinalização que controlam a secreção granular.

De acordo com a autora principal do estudo, a brasileira Josiane Neves, pesquisadora do Departamento de Medicina da Escola Médica da Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, a descoberta transforma os grânulos em possíveis novos alvos terapêuticos para a ação de antialérgicos e antiinflamatórios.

“Nossa hipótese é que esses grânulos, uma vez livres em tecidos associados a doenças eosinofílicas, são capazes de amplificar a resposta inflamatória e contribuir para sua persistência. Eles são organelas do interior da célula que têm todo o aparato para continuarem funcionais em seu exterior””, disse Josiane.

Josiane, que iniciou o pós-doutorado em Harvard em 2005, depois de concluir o doutorado na Fundaçao Oswaldo Cruz (Fiocruz), divide a autoria principal do artigo com Sandra Perez, que é pesquisadora visitante da Fiocruz e concluiu o pós-doutorado em Harvard em 2005. Segundo ela, os mentores do estudo foram os professores Peter Weller, de Harvard e Redwan Moqbel, da Universidade de Alberta, no Canadá.

As observações dos grânulos dos eosinófilos, feitas no laboratório por meio de microscopia eletrônica, de acordo com a pesquisadora, mostravam que eles são organelas complexas, que possuem membranas intragranulares. “Observações in vivo, por outro lado, mostravam que em diversas situações patológicas os grânulos apareciam nos tecidos. Mas nada havia sido descrito”, disse.

A partir daí, trabalhando com os grânulos isolados por fracionamento celular, os cientistas começaram a procurar a expressão de receptores. Depois de caracterizar a presença de receptores, os pesquisadores constataram que eles respondiam a determinados estímulos, secretando proteínas.

“Uma das principais novidades do artigo é que estamos mostrando a presença de receptores funcionais em uma organela intracelular. Se esses receptores estão presentes nos grânulos quando estão fora da célula, isso significa que também estavam presentes quando estavam em seu interior. Isso é bastante novo. Existem outros trabalhos que mostram receptores intracelulares, mas não nos grânulos”, afirmou a cientista.

A outra novidade importante, de acordo com Josiane, é que o fato dos grânulos serem funcionais indica que são agentes amplificadores da resposta imunológica mediada pelo eosinófilo.

“A resposta dos eosinófilos é amplificada pelos numerosos grânulos soltos no tecido. O que imaginamos é que, uma vez que esses grânulos têm receptores funcionais e continuam respondendo a estímulos, eles têm potencial como alvo terapêutico. Agora estamos procurando novos receptores nesses grânulos”, declarou.

De acordo com Josiane, os grânulos estão repletos de proteínas pré-formadas que são secretadas à medida que o eosinófilo é ativado. A hipótese levantada pelo estudo é que, ma vez que o leucócito sofre citólise, os grânulos poderiam ficar depositados nos tecidos, continuando funcioanis, amplificando a resposta inflamatória.

“A célula chega ao tecido inflamado, sofre a citólise e libera os grânulos. Nesse momento, a célula não existe mais, mas os grânulos seguem respondendo e secretando proteínas”, disse.

Até o momento, os pesquisadores caracterizaram dois receptores na membrana dos grânulos, um deles para uma citocina e outro para uma quimiocina. “Estamos agora fazendo a caracterização de expressão de outros receptores, como os recepetores para leucotrienos, que são mediadores envolvidos sobretudo no processo asmático”, declarou.

Os pesquisadores acreditam, de acordo com Josiane, que as características dos grânulos dos eosinófilos se estendam a outros granulócitos além dos eosinófilos, como os neutrófilos e os mastócitos, embora ainda não haja nenhuma evidência disso.

“O que vamos estudar agora é o papel funcional desses grânulos e de todas essas maquinarias dentro e fora da célula. Acreditamos que se os receptores estão expressos na membrana dos grânulos quando eles estão fora da célula, eles devem estar presentes também quando os grânulos estão no citoplasma. E provavelmente os receptores têm algum papel funcional ali também”, declarou.

O artigo Eosinophil granules function extracellularly as receptor-mediated secretory organelles, de Marcelo Hermes-Lima e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.pnas.org.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Prêmio Ford de Conservação Ambiental divulga vencedores

A Conservação Internacional (CI-Brasil) e a Ford anunciaram os ganhadores da 13ª edição do Prêmio Ford de Conservação Ambiental. Cada um recebeu um troféu e prêmio no valor de R$ 20 mil.

O vencedor na categoria Negócios em Conservação foi o Programa de Adequação Ambiental de Propriedades Rurais, desenvolvido pelo Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (Lerf) do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ)  .

Um dos responsáveis pelo Lerf é o professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, coordenador do programa Biota-FAPESP. O projeto aprovado, “Restauração Florestal e Aproveitamento Econômico”, tem o objetivo de restaurar florestas nativas de Mata Atlântica com o propósito de recuperar e conservar a biodiversidade regional.

Segundo a CI-Brasil, a conquista se deveu à amplitude do trabalho, realizado tanto em áreas de reserva legal como em áreas de baixa aptidão agrícola, e ao desenvolvimento de um serviço ambiental futuro de manejo florestal, restaurando a biodiversidade local e aferindo o retorno econômico. Além disso, o programa ainda atua na geração de empregos, renda e capacitação para os restauradores envolvidos no trabalho.

Na categoria Conquista Individual, a ganhadora foi a antropóloga Mary Helena Allegretti, pela formulação do conceito de reservas extrativistas, ao lado do líder sindical seringalista e ambientalista Chico Mendes (1944-1988), possibilitando a permanência de seringueiros e populações tradicionais na floresta amazônica.

Professora visitante nas universidades de Chicago, Flórida, Wisconsin-Madison e Yale, Mary foi secretária de Coordenação da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente de 1999 a 2003.

O Prêmio Ford de Conservação Ambiental na categoria Ciência e Formação de Recursos Humanos foi para o Instituto Terra, do fotógrafo Sebastião Salgado. A Escola Municipal de Ensino Fundamental 25 de Julho, em Campo Bom (RS), foi a ganhadora na categoria Meio Ambiente nas Escolas e a empresa Magneti Marelli ficou com o prêmio na categoria Fornecedor (que não conta com prêmio em dinheiro).

O Prêmio Ford de Conservação Ambiental, realizado desde 1996, é considerado hoje um dos reconhecimentos mais importantes na área ambiental do Brasil. Ao longo destes 13 anos, a iniciativa já premiou 60 personalidades e entidades dedicadas às causas ambientais, somando cerca de 1,7 mil projetos inscritos, vindos de todas as regiões do Brasil.

Fonte: Agência FAPESP

2º Fórum de Pensamento Social Estratégico

Países da AL discutem saídas para a crise - Autoridades de 18 nações da América Latina e estudiosos se reúnem para debater como minimizar impacto social da turbulência econômica

Ministros ou vice-presidentes de 18 países da América Latina se reúniram-se em um fórum , em Nova York, para discutir como evitar que a crise econômica atual agrave os problemas sociais. A necessidade de os países da região insistirem em políticas sociais e de desenvolvimento em tempos de crise deve ficar expressa nas apresentações de diretores do PNUD, da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e da vice-secretária-geral da ONU, Asha-Rose Migiro. O evento será aberto pelo Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, que, em outros momentos, já defendeu que, além do crescimento do Produto Interno Bruto, os países em desenvolvimento devem buscar promover a igualdade e a distribuição de renda.

Além de promover troca de experiências para respostas à crise, o 2º Fórum de Pensamento Social Estratégico vai abordar a inserção dos jovens no mercado de trabalho — um relatório da CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) divulgado em outubro apontou que 12,5% dos jovens de 15 a 29 anos estão desempregados na América Latina.

“A crise financeira atual, combinada à instabilidade de preços de alimentos e combustíveis, ameaça desfazer os anos de crescimento, estabilidade e ganhos no desenvolvimento humano arduamente conquistados por muitos dos países da América Latina”, alerta o comunicado da organização do evento.

O fórum durará dois dias. A maior parte dos países estará representada por seus ministros do desenvolvimento, mas comparecerão também outros membros de governo. Pelo Brasil, estará presente o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci.

Pelo PNUD, estarão o administrador internacional do programa, Kemal Dervis, e a diretora-regional para América Latina e Caribe, Rebeca Grynspan.

O encontro é promovido pelo Fundo Fiduciário Espanha-PNUD, uma associação do PNUD com a AICID (Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento). A primeira edição do fórum foi realizada em 2007 para discutir desigualdade, pobreza e desenvolvimento. A discussão também contou com a apresentação de um Nobel de Economia, o indiano Amartya Sen.

O Fundo PNUD-AICID afirma que o objetivo do evento não é produzir impactos de curto prazo, como a assinatura de acordos, mas promover o debate e delinear políticas de longo prazo. Para isso, a resolução é continuar a promover o fórum anualmente, sobre temas pertinentes a cada momento. (DAYANNE SOUSA /PrimaPagina)

Fonte:PNUD

Concurso Público para Professor de 3º Grau no CCA da UFES

Concurso Público para Professor de 3º Grau - (Edital n° 36/2008-R)

Data de publicação: 07/11/2008
O Magnífico Reitor da Universidade Federal do Espírito Santo, tendo em vista a autorização do Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, conforme Portaria nº. 286/2008, publicada no DOU de 03/09/2008, e de acordo com a Portaria nº. 1226/2008, publicada no DOU de 07/10/2008, do Ministro de Estado da Educação, torna público que estarão abertas as inscrições para provimento de cargos de professor de 3º Grau do Quadro Permanente desta Universidade, em regime de trabalho de dedicação exclusiva, em cumprimento as pactuações e termos de acordo de metas dos Programas de Expansão 2008 e 2009 (anexo I) e Consolidação da Interiorização Presencial da UFES.
Para o campi de Alegre serão 33 vagas.