terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Em 1888 Hertz demonstrava a existência das ondas eletromagnéticas

No dia 29 de novembro de 1888, o físico alemão Heinrich Hertz conseguiu provar a existência das ondas eletromagnéticas. Suas experiências haviam sido iniciadas um ano antes e foram publicadas em janeiro do ano seguinte.

Por vários dias consecutivos, naquele novembro de 1888, os universitários da Escola Superior Técnica de Karlsruhe deram com a cara na porta no laboratório de física. O jovem professor Heinrich Rudolf Hertz, de 31 anos, estava ocupado com seus experimentos. Mal tinha tempo para comer e dormir.

Em 1865, o matemático inglês James Maxwell havia conseguido provar, no papel, a existência de ondas eletromagnéticas. Só 23 anos mais tarde, Heinrich Hertz, nascido em 1854 como filho de um famoso advogado, conseguiu provar que luz e eletricidade são a mesma coisa, pois as ondas eletromagnéticas podem ser refletidas, quebradas e polarizadas da mesma forma como a luz.

Escuridão absoluta
Por trás das janelas constantemente fechadas da sala de experimentos, ele construiu um transmissor de ondas. No dia 29 de novembro de 1888, na escuridão absoluta, pôde então ver uma faísca microscópica e concluiu que aquilo era eletricidade.

Na sua série de experiências, Hertz determinou a freqüência e o tempo de propagação das ondas eletromagnéticas, concluindo que "elas se propagam através do éter, na mesma velocidade da luz, e que as oscilações ocorrem no sentido transversal ao da propagação, como uma onda luminosa, sendo esta um fenômeno magnético".

Ocupado com suas experiências e completamente dedicado à ciência, Hertz não se preocupou em ganhar dinheiro com a descoberta. Já na distante Bolonha, Guglielmo Marconi, então com 20 anos, leu um relatório de Hertz sobre seu trabalho e teve a genial idéia de aproveitar a descoberta na transmissão de notícias, sem usar fios.

A um triz do telégrafo
Até aí, as informações só podiam ser transmitidas com o auxílio de cabos, isto é, não havia telégrafo para outros continentes, nem navios podiam enviar mensagens de socorro do alto-mar. Marconi montou um laboratório em casa e dois anos depois conseguiu acionar uma campainha a nove metros de distância.

Pouco mais tarde, Marconi conseguiu transmitir um sinal ao irmão, que se encontrava a dois quilômetros. Estava provado que as ondas eletromagnéticas atravessam paredes, montanhas, até a escuridão! Invisíveis e misteriosas!

A partir daí, sucederam-se várias invenções baseadas neste princípio. Em 1901, foi recebida no Canadá uma mensagem enviada da Inglaterra, a 3600 quilômetros de distância. O próprio Hertz, entretanto, não conseguiu mais colher os louros de sua fama, como as ondas batizadas com seu nome. Ele faleceu em 1894, aos 37 anos, em Bonn, vitimado por uma septicemia. [Gerda Gericke - rw]

Fonte: DW

Biologia & Mudanças Climáticas no Brasil

Múltiplas visões em um só sistema
Como se dão as alterações climáticas atualmente em curso no planeta? Como a vida responderá a elas? Quais serão, especificamente, seus efeitos nas plantas, animais e ecossistemas brasileiros?

Biólogos, climatologistas, agrônomos, jornalistas e um compositor foram convidados a discutir criticamente essas questões sob múltiplas dimensões do conhecimento humano. O resultado é o livro Biologia & Mudanças Climáticas no Brasil, que será lançado nesta terça-feira (2/12) às 19 horas, em São Paulo.

Organizado por Marcos Silveira Buckeridge, professor do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), o livro, impresso em papel reciclável, está dividido em blocos correspondentes às dimensões atmosférica, botânica, zoológica, ecológica e humana.

Segundo Buckeridge, cada uma das cinco dimensões apresenta o assunto de um ponto de vista distinto, mas todas se articulam e se contextualizam no conceito de Gaia – hipótese apresentada pelo britânico James Lovelock segundo a qual a Terra é um sistema complexo e integrado, semelhante a um imenso ser vivo.

“Os autores – todos eles nomes de peso em suas áreas – traçaram uma série de cenários sobre a importância dos processos biológicos para as mudanças climáticas. Procurei integrar as diferentes dimensões utilizando a abordagem de redes e a biologia de sistemas. A teoria de redes é uma das melhores formas de avaliar como estamos afetando o sistema Gaia”, disse Buckeridge.

O professor, que é um dos criadores da seção de Biomassa do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e um dos coordenadores da área de biologia da Fundação, explica que a edição teve um cuidado especial com a linguagem, atendendo ao rigor científico, mas com a preocupação também em atingir o grande público.

“A intenção era fazer um livro que não apenas descrevesse os problemas, mas que apontasse soluções de forma crítica, de modo a atingir o público leigo e os tomadores de decisões. Para isso, usamos a linguagem intermediária da divulgação científica”, disse.

A obra deu importância central à questão da relação entre conhecimento científico e comunicação. “Na seção sobre a dimensão humana nos preocupamos muito com a interação entre cientistas e jornalistas, que é crucial. A mudança climática passa por um problema de qualidade da informação, já que ela é o elo entre o conhecimento e os processos decisórios. É um elo fundamental dessa rede ecológica de interações”, afirmou.

Segundo Buckeridge, a obra se inicia com uma abordagem macro, com a dimensão atmosférica. “Essa seção explica primeiro as bases científicas que levam a crer que as mudanças climáticas estão ocorrendo, depois mostra como os ciclos biogeoquímicos conectam o clima e a vida do planeta, formando Gaia”, disse.

Em seguida, a obra entra em níveis de organização biológica mais reduzidos: botânica, ecológica e zoológica. Depois disso, vem a dimensão humana que, além da divulgação científica, aborda os efeitos da mudança climática sobre a saúde humana e a agricultura.

“Para fechar o livro, o compositor erudito brasileiro Harry Crowl discute as relações da música com o meio ambiente, de modo a ressaltar que a linguagem artística também é uma forma de comunicação e faz parte da dimensão humana do conhecimento”, disse Buckeridge.

Segundo ele, Crowl, que compôs a obra Tropicus interemptus exclusivamente para o tema do livro, analisa de forma criativa as relações entre o meio ambiente e a música erudita, desde a famosa obra Quatro Estações, de Antonio Vivaldi, até os dias de hoje.

Primeiro da série
Fundador e diretor do Laboratório de Fisiologia Ecológica de Plantas (Laifeco), no IB-USP, Buckeridge é pioneiro em experimentos sobre a resposta das plantas às mudanças climáticas e às emissões de dióxido de carbono. Começou a trabalhar com o tema já em 1999, com apoio do Programa Biota-FAPESP, quando era pesquisador do Instituto de Botânica de São Paulo.

Segundo ele, o livro começou a nascer a partir das importantes descobertas desencadeadas naquela época. “O livro foi feito com apoio do Biota-FAPESP no início e, posteriormente, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Quando o coordenador de Mudanças Climáticas do ministério, José Miguez, conheceu nosso laboratório, propôs um projeto. Incluímos na proposta a idéia de montar o livro.”

Buckeridge explica que 50% da renda gerada pela venda do livro será utilizada para a edição de um segundo volume, que já está sendo produzido por autores convidados.

“As questões relativas ao aquecimento global ganham importância em escala exponencial e há cada vez mais mobilização da comunidade científica para estudar esse tema essencialmente multidisciplinar. Portanto, sabíamos que havia potencial para uma série. Mesmo porque as opiniões expostas no livro são críticas e os capítulos, às vezes, não concordam necessariamente uns com os outros. A obra está longe de ser exaustiva”, destacou.

Entre os mais de 40 autores presentes no livro, há nomes como Paulo Saldiva, do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, André Trigueiro, âncora da GloboNews e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Carlos Fioravanti, editor especial da revista Pesquisa FAPESP, Carlos Afonso Nobre, José Marengo e Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Phillip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear da USP, e Célio Haddad, do Departamento de Zoologia da Universidade Estadual Paulista.

Outras informações: www.rimaeditora.com.br

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Ministro da Ciência e Tecnologia recebe o Prêmio Engenheiro Pelópidas Silveira

No dia 28, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, recebeu, na Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep/OS), no Recife, o Prêmio Engenheiro Pelópidas Silveira. A premiação foi concedida por conta da contribuição do ministro ao desenvolvimento científico e tecnológico da instituição. O Itep é um dos sócio-fundadores da ABIPTI.

A solenidade também comemorou os 66 anos do Itep. Na ocasião, Rezende inaugurou dois novos laboratórios do instituto, junto com o governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos, que entregou a premiação. Ele foi saudado pelo presidente da Associação dos Funcionários do Itep, Antônio Valença. "O ministro é uma pessoa pública que muito tem contribuído para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no país", disse Valença.

Rezende destacou a importância de ser contemplado com um prêmio com o nome de Pelópidas Silveira, "desbravador da engenharia em Pernambuco e grande gestor público". Ele lembrou do início de sua vida pública no Estado, como diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa de Pernambuco (Facepe), durante a sua implantação, de 1990 a 1993. Rezende ainda estendeu a homenagem ao ex-governador do Estado, Miguel Arraes que, de acordo com ele, foi a pessoa mais importante no seu ingresso na vida pública.

A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) também foi contemplada com a premiação, na categoria empresa. A instituição foi representada por seu presidente e secretário de Recursos Hídricos, João Bosco Almeida.

Durante a solenidade, o governador Eduardo Campos destacou que Pernambuco tem, atualmente, o maior programa de universalização de água do Nordeste. Ele também lembrou que o Estado está executando uma das maiores obras de abastecimento do país, a nova etapa do sistema de abastecimento de água de Pirapama, no município do Cabo de Santo Agostinho.

Prêmio
O Prêmio Engenheiro Pelópidas Silveira foi instituído pelo Itep e deverá ser concedido anualmente por ocasião do aniversário da instituição. O objetivo é homenagear e expressar o seu reconhecimento a uma empresa do seu rol de clientes, na categoria empresa, e a uma pessoa física ligada à sua área de atuação, na categoria personalidade.

O nome da premiação é uma homenagem ao engenheiro Pelópidas Silveira. Ele se formou pela Escola de Engenharia de Pernambuco, que foi fundada em 1895, sendo a quarta instituição do gênero no Brasil e a primeira no Norte e no Nordeste. O engenheiro viria a ser um dos nomes mais importantes da história política do Estado, sendo prefeito do Recife e ocupando cargos como secretário de Viação durante o governo de Miguel Arraes.

Silveira foi preso pelo regime militar de 1964 e teve o seu mandato cassado pela Câmara de Vereadores do Recife. Ele foi libertado em dezembro do mesmo ano, sendo aposentado compulsoriamente da UFPE em 1965, juntamente com outros professores. Em 1980, foi reintegrado à universidade, sendo contemplado pela Lei de Anistia e se aposentando no ano seguinte. O engenheiro faleceu em setembro de 2008.

Informações sobre as ações do Itep podem ser obtidas no site www.itep.br. (Com informações do Itep)

Fonte: Gestão CT

Facepe divulga o resultado do edital de apoio à disponibilização, para pesquisa, de laboratórios multiusuários

A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), instituição associada à ABIPTI, divulgou, na última quinta-feira (27), o resultado do edital 10/2008 - Apoio à Disponibilização, para a Pesquisa, de Laboratórios Multiusuários e de Acervos de Interesse Científico. Ao todo, 15 projetos foram selecionados com o investimento de R$ 4,7 milhões.

O resultado do edital pode ser acessado por este link. (Com informações da Facepe)