quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Paraná e a região francesa de Rhonê-Alpes assinam protocolo de acordo científico e universitário

Na última quinta-feira (20), a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), instituição associada à ABIPTI, junto com as Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES) assinaram o “Protocolo de Acordo no Domínio Cientifico e Universitário entre o Estado do Paraná e a Região Francesa de Rhonê-Alpes". O protocolo estabelece cooperações nos domínios do ensino superior, da pesquisa e da tecnologia, a fim de reforçar o desenvolvimento econômico, social e cultural do Estado do Paraná e da região francesa.

O programa de cooperação discute cinco temas importantes para o desenvolvimento regional do Paraná e da região francesa de Rhône-Alpes: o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável numa abordagem multidisciplinar; à gestão de qualidade das águas; energias renováveis; ciências do vivo e o uso da biotecnologia aplicadas à saúde e à agricultura.

Dentro do protocolo ficou estabelecido que a região francesa de Rhône-Alpes e o Paraná atuarão com projetos nos moldes da “Economia do Conhecimento”, inspirado no procedimento francês relativo aos pólos de competitividade. Um programa, em Rhône-Alpes, abordará o papel da universidade na sociedade, apoiando-se nas ações de extensão universitária efetuadas no Paraná.

Em texto da Seti, a secretária Lygia Pupatto, afirmou que foi muito importante receber a delegação francesa no Paraná. Já o vice-presidente de ensino superior e pesquisa da região de Rhône-Alpes, Roger Fougeres, destacou a atuação do sistema estadual de ensino superior do Paraná na área da extensão universitária. Segundo Fougeres, a região francesa precisa evoluir ainda nesta área e o Paraná pode ajudar. “Esperamos que esse acordo não fique apenas no papel e que já sejam nomeados coordenadores para colocar em desenvolvimento vários projetos que serão fundamentais para o nosso desenvolvimento”, disse.

Mais informações, no site www.seti.pr.gov.br, ou pelo telefone (41) 3281-7300. (Com informações da Seti)

Fonte: Gestão CT

Fundação Certi realiza cursos PFM 3 e 4 - Incerteza de Medição - na segunda semana de dezembro

A Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Fundação Certi) realiza, de 8 a 10 de dezembro, o curso PFM 3 - Incerteza de Medição com carga horária de 24h. E, nos dias 9 e 10, será realizado o curso sobre o tema: PFM 4 - Avançado de Incerteza de Medição com 16 h.

Este novo curso trata dos seguintes aspectos: modelo matemático da medição (equação de medição); simulação Monte Carlo; análise de correlação; utilização de um software especial para avaliação de incertezas que inclui análise de correlação; avaliação percentual das fontes de Incerteza; e um aprofundamento na avaliação de incerteza em ensaios e medições complexas.

Para a participação do curso PFM 4 é imprescindível ter realizado algum curso de Incerteza de Medição. Assim, para aqueles que não tiverem realizado o curso de incerteza de medição, será oferecido na mesma semana o curso PFM 3.

Informações adicionais podem ser obtidas na Fundação Certi, que é associada à ABIPTI, pelos contatos (48) 3239-2120 e e-mail. Informações adicionais, no site www.certi.org.br/.

Fonte: Gestão CT

Curso de pós-graduação em gestão educacional tem inscrições abertas

Encontram-se abertas, até o dia 12 de dezembro, as inscrições para a seleção do curso de pós-graduação lato-sensu em gestão educacional oferecido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/RS), na modalidade a distância, por meio do sistema Universidade Aberta Brasil (UAB), no pólo presencial de Palmas (TO). Os interessados podem ver o edital e se inscrever pela internet no site www.ufsm.br.

Pode concorrer a uma das 30 vagas oferecidas qualquer pessoa que tenha graduação em licenciatura ou bacharelado. A comissão de seleção vai divulgar o resultado no dia 20 de janeiro de 2009 no site da UFSM.

No Tocantins, o sistema UAB é desenvolvido pela Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, em parceria com MEC. O programa foi criado em 2005 com o objetivo de sistematizar as ações, programas, projetos, e atividades pertencentes às políticas públicas voltadas para a ampliação e interiorização da oferta do ensino superior gratuito e de qualidade no Brasil.Mais informações, no site www.ufsm.br.(Com informações da UFSM)

Fonte: Gestão CT

Caju para combater o câncer

Ciência estuda caju no combate ao câncer - Pesquisa feita na UnB revela propriedades terapêuticas de óleo da castanha contra a doença

A descoberta de medicamentos mais eficientes e baratos para tratamento do câncer pode vir de uma fruta típica da região Nordeste, o caju. Foi o que demonstrou a dissertação de mestrado do químico Wellington Alves Gonzaga, defendida na Faculdade de Ciências da Saúde (FS) da Universidade de Brasília (UnB), sob orientação da professora Maria Lucilia dos Santos.

Gonzaga sintetizou moléculas a partir do óleo encontrado na castanha, que geralmente é descartado pelas indústrias após a torrefação ou vendido para empresas no exterior a preços irrisórios. Das quatro substâncias que compõem o líquido, ele se deteve em duas, o ácido anacárdico e o cardanol.

Esses componentes e seus derivados foram avaliados quanto ao potencial de ação na morte de linhagens de células tumorais. Cinco substâncias se mostraram mais efetivas em relação ao câncer de boca e, outras cinco, quanto ao câncer de mama. Desses dez compostos, sete apresentaram atividade em 24 horas e, as demais, em 48 horas.

“O espectro de fármacos que podem ser feitos é muito grande. Como o caju é abundante e barato, os preços poderiam ser mais acessíveis”, afirma o pesquisador, que desenvolveu parte das pesquisas no Instituto de Química e parte no Laboratório de Farmacologia Molecular, da Faculdade de Ciências da Saúde.

Essa redução de valor, ainda sem condições de ser dimensionada, beneficiaria principalmente a população de baixa renda, que depende da rede pública de saúde para adquirir remédios de alto custo. Um medicamento contra tumor de mama aprovado recentemente para comercialização no Brasil, por exemplo, custa cerca de R$ 4.500, valor correspondente a um caixa para 14 dias de tratamento.

REAÇÕES
A idéia de chegar a um produto final a partir do caju precisa percorrer um longo trajeto e depende de novas pesquisas em torno dos dados já alcançados. Mesmo assim, o caminho já foi aberto e deve prosseguir. “Vamos repetir os testes devido à relevância das informações”, afirma o químico. Essa etapa deve ter o apoio da professora Andréa Barretto Motoyama, do Curso de Ciências Farmacêuticas, que participou dessa fase do estudo.

Vencida essa fase, haverá análises de toxidade e da ação em relação às células sadias do corpo. Quanto menor a interferência nelas, menores as chances de que um possível medicamento cause reações adversas. “Precisamos de mais estudos para conhecer o mecanismo de ação das moléculas”, diz.

Gonzaga defende a elevação de investimentos no setor para que as universidades possam cumprir com mais propriedade seu papel de levar benefícios para a sociedade. “Se o Brasil incentivasse mais a pesquisa, teríamos muita produção de ponta”, afirma. O químico pretende, agora, continuar os estudos no doutorado com a análise do óleo da castanha do caju para a produção de protetores solares.

O caju, além de ser fonte de vitamina C na alimentação, tem se mostrado uma excelente fonte de pesquisa para a área farmacêutica. A literatura registra ação antiinflamatória, antioxidante, aplicações em terapias contra excesso de peso, úlcera e até impotência sexual a partir de moléculas naturais ou sintéticas. Um outro estudo do grupo feito na UnB também demonstrou propriedades fotoprotetoras, o que levou à solicitação de patente em conjunto com os parceiros do estudo, a Universidade Católica de Brasília (UCB) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A pesquisa recebeu, em 2004, o prêmio especial do Congresso Brasileiro de Cosmetologia.

Embora os cajueiros sejam uma constante na paisagem cearense, o maior produtor de castanha de caju é a Índia. A árvore é encontrada, ainda, em países de clima tropical, como Moçambique, Quênia, Vietnã, Guiné e Tanzânia.

CURIOSIDADE
As substâncias bioativas derivadas do óleo da casca da castanha do caju são, em geral, produzidas por meio de processos envolvendo modificação química dos seus componentes naturais.


Perfil
Wellington Alves Gonzaga é mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB), graduado pela Universidade Católica de Brasília (UCB), contatos pelo e-mail

Fonte: Fabiana Vasconcelos / UnB

Identificada região cerebral em que surgem as primeiras lesões mal de Alzheimer

Na raiz do Alzheimer
Descobrir precocemente alterações no cérebro que podem indicar o início do mal de Alzheimer, a principal causa de demência entre idosos, é um dos desafios da neurologia do envelhecimento.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) acreditam ter identificado a primeira região cerebral a apresentar uma das lesões mais características da doença, os chamados emaranhados neurofibrilares.

O Alzheimer começa no tronco cerebral, mais especificamente numa área denominada núcleo dorsal da rafe, e não no córtex, que é o centro do processamento de informações e armazenamento da memória, como tradicionalmente a medicina postula. Essa idéia é defendida pelos cientistas brasileiros, em parceria com colegas de três universidades alemãs, num artigo a ser publicado nos próximos dias na revista científica Neuropathology and Applied Neurobiology.

A conclusão do trabalho se baseia na autópsia do cérebro de 118 pessoas, que tinham idade média de 75 anos no momento de sua morte. Os pesquisadores constataram a existência de lesões no núcleo dorsal da rafe em oito idosos que não apresentavam emaranhados em nenhuma outra parte do cérebro e em todos os 80 indivíduos que já tinham ao menos um emaranhado no córtex transentorrinal, a região classicamente apontada como a primeira a ser afetada pelo Alzheimer.

Os 88 indivíduos que tinham marcas anatômicas no cérebro associadas a esse tipo de demência apresentavam graus variados de manifestação clínica da doença e alguns podiam ser até assintomáticos. O trabalho dos brasileiros e europeus contou com múltiplas fontes de financiamento: dinheiro de instituições alemãs, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, de São Paulo, e da FAPESP, que financia uma linha de estudos do neurologista Ricardo Nitrini, da FMUSP, sobre a incidência de demências na população brasileira.

Clique aqui para ler o texto completo na edição 153 de Pesquisa FAPESP.

Fonte: Marcos Pivetta/ FAPESP

Eco Power Conference 2008 destacou grandes debates e idéias inovadoras para o setor

Na última sexta-feira (21), aconteceu a cerimônia de encerramento da Eco Power Conference 2008 – Fórum Internacional de Energia Renovável e Sustentabilidade, no Costão do Santinho Resort, em Florianópolis/SC. Durante três dias, o evento cumpriu sua proposta com a criação de importantes debates no eixo central do Fórum: energias renováveis e limpas, sustentabilidade e meio ambiente.

Com a participação de mais de 900 pessoas, que inclui representantes de 16 estados brasileiros e 08 países, 75 palestrantes nacionais e 05 grandes nomes internacionais, a segunda edição da Eco Power Conference retoma o sucesso do ano anterior com a promoção de um grande e qualificado centro de discussão. Ricardo Bornhausen – Presidente da Eco Power Conference – destaca: “esta edição do evento se mostrou mais madura. Conseguimos oportunizar encontros e debates inéditos com a finalidade de enriquecer o âmbito de conhecimento de todos os participantes acerca do tema. Acreditamos que o objetivo foi alcançado.”

Diversas personalidades do setor marcaram presença neste fórum para expor suas experiências e conhecimentos abordando importantes questões. O desenvolvimento e a adoção de energias renováveis podem gerar novos empregos, conduzindo a economia para a sustentabilidade. Esta é a convicção do fundador do Worldwatch Institute e do Earth Police Institute, Lester Brown, um dos destaques da programação. Em palestra, o especialista americano falou sobre os problemas ecológicos que afetam o planeta, a eficiência de energia e suas fontes alternativas. Brown calcou seu discurso em sua mais recente obra, Plano B 3.0: A Mobilização para Salvar o Mundo. Mas qual é o plano A? “São os negócios como sempre foram realizados. Isso não é viável”, disse, citando que 48% de toda a eletricidade mundial vêm da queima do carvão. “No plano B, 40% dessa energia será eólica”, explicou. Para ele, a humanidade está no estágio inicial de uma nova economia, na qual o petróleo e o carvão serão substituídos por fontes como o sol, os ventos e o calor do interior da Terra.

Outra estrela internacional da Eco Power Conference, o fundador e ex-presidente do Greenpeace, Patrick Moore, foi na direção contrária. “Energia eólica só é gerada quando o vento está soprando, e isso ocorre apenas durante um terço do tempo. Ou seja, não é uma fonte confiável como sistema primário nem de suporte”, declarou, ao abordar a procura de energias sustentáveis para o futuro. O atual presidente da consultoria Greenspirit atacou também o suposto excesso de preocupação com o aquecimento global. “Está provado que o gelo é inimigo da vida. Gelo só é bom para a vida quando derrete e vira água”, disse Moore, polêmico por apoiar a energia nuclear.

O assunto não passou despercebido pelo físico, ambientalista e escritor austríaco Fitjof Capra. “Energia nuclear é exatamente o oposto de energia renovável”, disse o autor do best-sellers como O Tao da Física e O Ponto de Mutação. “É poluente, exige grandes investimentos e é centralizada, sem falar no risco de terrorismo ou no seu aproveitamento bélico”, disse durante sua palestra na abertura do evento, realizada ontem. Na opinião de Capra, a nova economia está causando efeitos perigosos – “exclusão social, desigualdade, ruptura da democracia” – transformando a “diversidade em monocultura, a tecnologia em engenharia e a vida em commodity”.

Por mais antagônicas que sejam as posições, debater essas questões e formular propostas estão no escopo da Eco Power. “Nossos objetivos, atingidos já na primeira edição realizada no ano passado, continuam sendo disseminar conhecimento, trocar experiências e gerar negócios”, observou o presidente do evento, Ricardo Bornhausen. “Os ciclos econômicos vêm e vão, enquanto a crise ambiental é permanente”, diagnosticou. Além das polêmicas exposições já citadas, a Eco Power Conference 2008 destaca também a abordagem de alguns de seus principais painéis:

Energias Renováveis do Mar – Situação atual e perspectivas
Foram debatidos os avanços tecnológicos existentes no mundo com apoio dos Professores Jens Peter Kofoed - Aalborg Universitet da Dinamarca -; Segen Farid Estefen - Diretor de Tecnologia da COPPE – UFRJ -; e do Dr. Cláudio Bittencourt da DNV - DET NORSKE VERITAS, empresa norueguesa, sediada em Londres, com larga experiência na certificação de navios e estruturas atuam em ondas e mares. Os estudos para instalação de uma planta piloto de conversor de energia das ondas em energia elétrica com tecnologia brasileira já foram realizados pela COPPE/UFRJ. Já no inicio de 2009 serão iniciadas as atividades para instalação da 1ª Usina de Demonstração de Energia das Ondas no Brasil, com geração de 100 kW no Porto do Pecém no Ceará. Tal iniciativa, manterá o Brasil na vanguarda destes estudos que vem sendo realizados por um pequeno grupo de paises tais como USA, Escócia, Dinamarca e Espanha.

Energia Nuclear – oportunidades, riscos e desafios
Este painel contou com as presenças de Drausio Lima Atalla – Supervisor de Pesquisa e Desen. de Novos Projetos de Geração Núcleo Elétrica da Eletrobrás Termonuclear -; e Johannes Höbart – Diretor-Presidente da AREVA NP Brasil. Foram defendidas questões como a viabilidade econômica competitiva de uma usina nuclear, a seleção de sítios para construção tem que ser estratégico e o público local precisa participar já nas primeiras decisões, além dos aspectos sociais que também precisam ser considerados. Neste momento, foi levantando também a segurança – que é essencial – com a reciclagem dos resíduos nucleares.


Construções sustentáveis e seus impactos sócio-ambientais
Este tema foi tratado por Bruno Stagno – Diretor-Presidente da Bruno Stagno Arquitecto y Asoc./ Instituto de Arquitetura Tropical – San José - Costa Rica – e Fernando Almeida – Presidente Executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. Dentro do atual contexto de grandes mudanças no setor ambiental, econômico e social, o assunto sobre construções sustentáveis é de grande importância para uma mudança deste cenário. A necessidade de aumentar a produção de energia, para atender a demanda futura, exigirá edificações mais eficientes por parte do setor da indústria da construção. O emprego da arquitetura bioclimática deve ser trabalhado com a visão da sustentabilidade, considerando também o estudo de estratégias climáticas locais para obter conforto e diminuir o impacto de custos e danos ambientais. Com os problemas de altas emissões de CO² e dos altos custos nas construções de estradas, o automóvel se tornou um grande transtorno para as cidades. Assim, a grande saída é o investimento na qualidade e no aumento da malha do transporte coletivo. Luis J. Grossman – debatedor deste painel e Diretor geral do Centro Histórico da cidade de Buenos Aires alerta: “necessitamos mais de ecoarquitetos e menos egoarquitetos.”

Mudança do Clima – novos compromissos, metas e prazos
O relatório do IPCC – 2007 destaca que o aquecimento global é conseqüência das emissões de gases do efeito estufa proveniente das atividades humanas e que os países mais pobres serão os mais afetados. Essa situação requer a revisão dos padrões atuais de produção e consumo, bem como do direcionamento de políticas públicas que priorize a redução das emissões desses gases. É importante também que os critérios estabelecidos para limitar a emissão de CO² pelos países e os cálculos dessas emissões sejam reavaliados no sentido de evitar a migração de processos de produção eletro-intensivos da cadeia produtiva para os países em desenvolvimento. A criação do Grupo dos 10 – G10 (países que mais emitem gás do efeito estufa) configura-se como uma opção para o desenvolvimento de políticas e ações comuns no para a redução das emissões e promoção do desenvolvimento social. Essas considerações foram realizadas pelos seguintes integrantes desta painel: Israel Klabin – Presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável –; e Roberto Schaeffer – Professor Associado do Programa de Planejamento Energético da Coordenação dos Programas de Pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Biomassa: exploração inteligente e sustentável na matriz energética
A biomassa terá a sua participação na matriz energética mundial consideravelmente aumentada entre 2005 e 2050. Isto contempla não só o tradicional uso para aquecimento, como também a geração de energia, valendo-se de diversas tecnologias e múltiplas fontes. No caso da América Latina, o cenário avaliado projeta um salto de 4 GW em 2005 para 75 GW em 2050, uma evolução de 2,9% a 10,8% de participação na matriz energética de renováveis. No Brasil, a indústria da cana-de-açúcar é um exemplo típico de como o resíduo do bagaço pode ser aproveitado para a geração de energia elétrica. Outras fontes de biomassas merecem destaque como o uso de dejetos suínos que poluem águas superficiais e subterrâneas gerando verdadeiros passivos ambientais. Tratados de forma correta, tais dejetos podem produzir energia para ser utilizado nas pequenas propriedades agrícolas. No entanto, faltam tecnologias para desenvolver esta área e o envolvimento das Universidades passa a ser fundamental para gerar conhecimento e tecnologia. Estiveram presentes nesse painel Cícero Jayme Bley Junior - Superintendente da Coordenadoria de Energias Renováveis da ITAIPU Binacional; Ademar H. Ushima – Pesquisador do Centro de Tecnologias Ambientais e Energéticas do Laboratório de Energia Térmica, Motores, Combustíveis e Emissões -; Claudio Loreiro – Diretor de Desenvolvimento Comercial da General Eletric.

A idealização de cidades sustentáveis num planeta urbano
A crescente urbanização do mundo, associada a questões globais de alteração climática, escassez de água, degradação do ambiente, reestruturação econômica e exclusão social, exige uma observação diferente no futuro das cidades. Em 2005, a população mundial superou os 6 bilhões de habitantes, sendo que mais de 50% estão hoje nas cidades e grande parte deles em países em desenvolvimento. Cerca de 1 bilhão de pessoas estão vivendo abaixo da linha de pobreza. O desafio está em fazer com que essa população tenha acesso aos serviços básicos e condições dignas de moradia, trabalho e comida. Durante a Eco Power Conference 2008, sugestões para alcançar esses parâmetros foram debatidos por Luiz Paulo Vellozo Lucas – Deputado Federal, PSDB-ES, Ex-prefeito de Vitória/ES e Autor do livro “Qualicidades – Poder Local e Qualidade na Administração Pública” -; e Cassio Taniguchi - Deputado Federal Licenciado pelo DEM/PR e Secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Distrito Federal. Entre outras, foram realizadas as seguintes considerações: O crescimento das cidades precisa ser trabalhado de forma saudável; A sustentabilidade ocorre quando existem equilíbrios sociais, ambientais e econômicos; É fundamental que se reduza a produção de lixo da sociedade; Mobilidade urbana é fundamental para a vida sustentável das cidades; Buscar a eliminação de guetos de diferentes classes sociais;

Cenários de Investimento em Energias Renováveis: Há luz no fim da crise?
Essa mesa redonda foi um dos grandes encontros desta edição da Eco Power Conference com o debate que temas relevantes para o enfrentamento da crise energética. Dentro dessa premissa, os integrantes desta mesa destacaram o seguinte:

Hugo Penteado – Economista-Chefe do Asset Management do Banco Real: O futuro da humanidade depende da mudança de paradigmas da Economia. O atual modelo de crescimento econômico leva à desfiguração dos ecossistemas e põe em risco a sobrevivência de diversas espécies, inclusive dos seres humanos. O planeta e as pessoas são muito maiores que a economia, por isso, é necessária uma mudança no modelo de consumo e de produção.

Claudio José Dias Sales – Diretor-Presidente de Instituto Acende Brasil: Os principais problemas envolvendo o licenciamento ambiental de empreendimentos energéticos são os prazos (ainda sem justificativas) longos e a interferências indevidas nos processo;

Carlos Minc – Ministro do Meio Ambiente: O ministro garantiu que não haverá nenhuma nova usina de cana de açúcar na Amazônia ou no pantanal, além disso diagnosticou que o Brasil investe muito pouco em energia eólica e que o próximo leilão da CCEE deverá ser exclusivamente para fontes eólicas.

Erick Cabrera – Diretor de Integração da Organização Latino-Americana de Energia – OLADE: A integração energética do Cone Sul, é umas das opções mais interessantes para combater a crise econômica, lembrando que a América do Sul e o Caribe possuem grandes recursos naturais inexplorados para promover o enfrentamento da crise.

Eduardo J. Viola – Professor Titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília – UNB: O novo papel dos EUA, agora colaborativo com a eleição da Obama, são decisivos para implantação de nova matriz energética. É um momento muito bom para o mundo, a combinação das crises econômica, ambiental e energética será positiva para promoção de mudança voltadas a sustentabilidade.

O sociólogo britânico John Elkington realizou a conferência de encerramento da Eco Power Conference 2008 com o tema “Economia verde e o desenvolvimento sustentável nas organizações. É possível ainda?”. Nesta exposição, Elkington defendeu o desenvolvimento e adoção, quase inevitáveis, de soluções verdes pelas empresas. O sociólogo foi enfático ao afirmar que a atual crise econômica servirá como desculpas para que as empresas reduzam os investimentos em suas políticas de sustentabilidade. Apesar das esperanças ressurgidas com a eleição da Barack Obama – que já anunciou investimento anual de US$ 15 bilhões em energias limpas - Elkington avalia que mudanças consideráveis nesse setor serão percebidas somente num eventual segundo mandato do Obama. Boas notícias deverão surgir num prazo de três a cinco anos devido ao desastre do modelo econômico qual o mundo estava baseado. Essa será uma excelente oportunidade para mudanças radicais de líderes empresariais e políticos no âmbito da sustentabilidade.

Fonte: EcoPower

Instituto Confúcio é inaugurado

O Instituto Confúcio, parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de Hubey, na China, foi inaugurado nesta quarta-feira (26/11), no edifício-sede da Editora Unesp.

Com a chancela do governo chinês, o instituto busca promover o intercâmbio cultural sino-brasileiro, fomentar o ensino do mandarim e auxiliar na compreensão da China contemporânea.

“Primeiro no gênero no Brasil, o Instituto Confúcio na Unesp inaugura uma nova etapa nas relações sino-brasileiras”, disse Luis Antonio Paulino, responsável pelo projeto junto com Marcos Cordeiro Pires, ambos professores do curso de Relações Internacionais, campus de Marília.

O início das atividades está previsto para o primeiro semestre de 2009, tendo como diferencial a experiência dos professores da Universidade de Hubei, tanto no ensino do idioma como no ensino da cultura e da história da China.

Entre as iniciativas, está prevista a criação de um centro de intercâmbio cultural, que proporcionará a realização de palestras, exposições, exibição de filmes e documentários sobre a realidade chinesa.

Com sede central em Pequim, o Instituto Confúcio está ligado ao Ministério da Educação chinês, representado pelo Escritório Nacional para o Ensino da Língua Chinesa como Língua Estrangeira e pelo Departamento para Assuntos do Instituto Confúcio, órgão do Conselho Internacional da Língua Chinesa.

O Instituto Confúcio é uma entidade sem fins lucrativos que tem como missão promover o idioma mandarim e o ensino da língua e da cultura chinesas nas unidades onde está instalado.

Mais informações: www.institutoconfucio.unesp.br, e-mail ou (11) 3107-2943.

Fonte: Agência FAPESP

Universidade Australiana recruta pesquisadores latino-americanos

De olho na América Latina
Quando completar 50 anos, em 2014, a Universidade Macquarie (MQ), na Austrália, pretende estar entre as 50 melhores do mundo. Só que para atingir a ambiciosa meta, será preciso saltar mais de 200 posições no ranking mundial. Por conta disso, a principal estratégia consiste em aumentar a presença de pesquisadores latino-americanos na instituição sediada em Sydney.

Com esse objetivo, a diretora de estudos hispânicos do Departamento de Línguas Européias da MQ, Estela Valverde, esteve na sede da FAPESP, nesta quarta-feira (26/11), onde se reuniu com o diretor-presidente da Fundação, Ricardo Renzo Brentani, para discutir as possibilidades de criação de um convênio que permita o desenvolvimento de projetos conjuntos e o intercâmbio de estudantes entre a MQ e universidades paulistas.

De acordo com Estela, a Universidade Macquarie – uma das 39 existentes na Austrália – tem 32 mil estudantes, sendo 35% estrangeiros. Mas, embora a proporção de estrangeiros seja grande, a maior parte, 84,6%, é proveniente da Ásia, enquanto apenas 3,3% vêm da América Latina.

“Temos um projeto de expansão ambicioso que inclui ampliar ainda mais nossa inserção internacional. Mas não queremos ficar restritos à Ásia. Estamos interessados em trazer doutorandos e pós-doutorandos de outras partes do mundo para passar um ou dois anos conosco. O potencial da América Latina para isso é muito grande”, disse Estela à Agência FAPESP.

Segundo Brentani, a reunião, que discutiu as possíveis modalidades de parcerias, foi um primeiro passo para a aproximação entre a universidade australiana e a FAPESP. “O objetivo da visita é estabelecer relações e eventualmente fazer um convênio entre a MQ e a FAPESP, visando ao desenvolvimento de projetos de pesquisa conjuntos com o intercâmbio de estudantes em nível de mestrado e doutorado”, disse.

Brentani destacou a proximidade entre as áreas de atuação da Universidade Macquarie e as prioridades da Fundação em pesquisa. “Eles têm excelência em setores nos quais a FAPESP mantém grandes programas e projetos, como neurociências, mudanças climáticas, internet avançada, biodiversidade e ecologia.”

Segundo Estela, outras áreas de concentração de excelência da MQ são culturas antigas, comportamento animal, astronomia e astrofísica, ciência cognitiva, ciências da linguagem, fotônica e mudanças sociais, culturais e políticas. A universidade possui quatro faculdades: de Artes, de Ciências, de Ciências Humanas e de Negócios e Economia.

“Temos competência em todas essas áreas, mas atualmente 41,9% dos estudantes estrangeiros se concentram na faculdade de Negócios e Economia. Queremos que a universidade também seja procurada nos outros setores, intensificando a pesquisa nessas áreas de concentração”, disse.

De acordo com Estela, uma maior presença de estudantes da América Latina poderia ajudar a universidade australiana a expandir sua produção em pesquisa científica. “Atualmente, 68% dos nossos estudantes estão na gradução, 27% em pós-graduação lato sensu e apenas 5% em pós-graduação stricto sensu.”

Mudanças recentes na legislação australiana, segundo ela, determinaram que as universidades que se dedicam apenas ao ensino terão as verbas diminuídas. Esse é um dos motivos para que a universidade busque expandir a pós-graduação stricto sensu. Das 39 universidades australianas, 37 são públicas. A MQ tem orçamento anual de cerca de US$ 350 milhões.

“Estamos procurando, em todo o mundo, estudantes em nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Estamos agora interessados principalmente em pessoas que já estejam pesquisando, mas querem fazer intercâmbio”, disse Estela.

Universidade Macquarie: www.mq.edu.au

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP

Workshop KyaTera 2008

O Workshop KyaTera 2008 será realizado no dia 29 de novembro, das 9h às 17h, no Auditório do Instituto de Física Gleb Wataghin, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O objetivo do evento é mostrar os principais resultados do KyaTera e debater sobre o futuro de um dos principais projetos do Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia) da FAPESP.

O KyaTera é uma plataforma óptica de ensino e pesquisa que liga universidades, laboratórios e empresas com velocidade de transferência de dados centenas de vezes maior do que a da internet convencional. A rede foi criada com a missão de reunir as competências e os recursos laboratoriais necessários para desenvolver ciência, tecnologias e aplicações da internet do futuro.

O evento será aberto pelo coordenador-geral da rede KyaTera, professor Hugo Fragnito, do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica da Unicamp. Ao longo do dia serão feitas apresentações de pesquisadores que utilizam a rede experimental KyaTera.

Um dos exemplos de pesquisa colaborativa do KyaTera são os WebLabs, laboratórios reais cujos equipamentos são controlados por meio da rede. Os WebLabs contemplam áreas de pesquisa em óptica e fotônica, química, meio ambiente e medicina. O Workshop KyaTera 2008 também contará com demonstrações de alguns desses laboratórios.

Mais informações: (19) 3521-2150

Fonte: Agência FAPESP