segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Látex para emagrecer

Látex é nova alternativa para emagrecer - Pesquisadora da UnB cria protótipo para ser colocado no esôfago, controlando a ingestão de alimentos

Um protótipo desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB) promete ser uma alternativa eficaz no combate à obesidade. O dispositivo criado pela doutora em Engenharia Elétrica Suélia Rodrigues, durante elaboração da tese Desenvolvimento de um sistema de controle de fluxo esofagiano para o tratamento da obesidade, venceu o Prêmio Santander de Empreendedorismo, Ciência e Inovação 2008, uma disputa nacional que recebeu 1.912 inscrições de 244 universidades de todo o país.

O protótipo, feito de látex, é colocado no esôfago do paciente, funcionando como um funil para a passagem de alimentos. A invenção de Suélia foi testada em 16 cachorros e teve resultados satisfatórios: em sete dias, os cães perderam, em média, 8% da massa corporal. Proporcionalmente, equivale a uma pessoa de 80 kg perder 6,4 kg em uma semana.

“Na fase de testes, não registramos nenhuma alteração metabólica, hormonal ou comportamental nos cachorros”, afirma Suélia. A pesquisa aguarda aprovação na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa para ser validada em seres humanos.

Inforgráfico Apoena Pinheiro/UnB Agência


MATERIAL
Uma das inovações do módulo é o uso do látex no lugar do silicone. O material é nacional, e, por isso, mais barato. A maleabilidade do látex não agride o esôfago e permite um fácil manuseio, além de o material induzir a cicatrização em diabéticos. O dispositivo é colocado por endoscopia com sedação leve intravenosa, procedimento no qual o paciente fica semi-acordado.

O orientador de Suélia, Adson Ferreira da Rocha, ressalta a importância do estudo no combate a um problema mundial. “A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma demanda real, com base médica.” Para Suélia, a tese reflete a convergência entre diferentes áreas do conhecimento. “Esse é um grande indicativo da interdisciplinaridade. Trabalhar como em uma ilha não dá mais”, diz a pesquisadora.

ORIGEM
A idéia de criar o protótipo partiu do cirurgião José da Conceição Carvalho, de Goiânia. Com mais de 30 anos de experiência em doenças da região do esôfago, o médico percebeu que todas as patologias vinham acompanhadas da perda de peso. “Quando o paciente usa uma sonda ligada ao estômago, consegue se nutrir, mas não engorda. Por isso, pensei em criar um obstáculo mecânico dentro do esôfago para controlar a passagem dos alimentos”, explica.

O esôfago compõe a parte cefálica da digestão. Tudo que acontece desde a mastigação até a chegada do bolo alimentar ao estômago serve para avisar ao cérebro que a pessoa está comendo. Assim, controlando a quantidade de comida ingerida nessa fase, é possível provocar sensação de saciedade.

PERFIL
Suélia Rodrigues é Engenheira Eletricista pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e doutora em Engenharia Elétrica pela Universidade de Brasília. Fez mestrado em Eletrônica e Mecatrônica no Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA). Contatos pelo telefone (62) 3202 4833 ou pelo e-mail.

Fonte: Carolina Vicentin / UnB

Governadores dos Estados da Amazônia defendem pagamento por serviços ambientais

No dia 19, os governadores dos Estados do Pará, Ana Júlia Carepa, do Amazonas, Eduardo Braga, e do Mato Grosso, Blairo Maggi, que representam as unidades da Federação que detêm mais de 50% das reservas florestais do mundo, defenderam, em Los Angeles (EUA), o pagamento de serviços ambientais como estímulo à preservação da floresta. Eles representaram a Amazônia e o Brasil no Fórum Global de Governadores sobre Mudanças Climáticas, evento promovido pelo governador Arnold Schwarzenegger. O Amapá foi representado pelo seu secretário de Planejamento, Antonio Carlos Pereira.

Durante o evento, os três governadores foram unânimes em afirmar que a conservação da biodiversidade e a manutenção da floresta em pé passa pela garantia da melhoria da qualidade de vida dos povos da floresta, os guardiões desse patrimônio que beneficia toda a humanidade. No final do primeiro dia, eles firmaram um protocolo de intenções sobre cooperação ambiental entre os Estados da Califórnia, Illinois e Wisconsin, representados por Schwarzenegger, Rod Blagojevich e Jim Doyle, respectivamente. O documento também foi assinado pelos governadores da província de Aceh (Indonesia), Yusuf Irwandy, e pelo governador da Papua Nova Guiné.

Os signatários se comprometeram a estabelecer metas de redução dos gases que causam o efeito estufa em 20% das suas emissões. Os Estados brasileiros concentrarão os seus esforços no combate ao desmatamento, que representa 75% das emissões do Brasil, se utilizando de um instrumento denominado Redução por Desmatamento Evitado (RED), na sigla em inglês.

De acordo com informações divulgadas pelo governo do Pará, as emissões de queimadas, por exemplo, representam 20% do gás carbônico lançado na atmosfera, percentual que representa duas vezes mais que todos os veículos do mundo. No ano passado, foram constatados 44 mil focos de calor no Pará.

Cooperação científica
O documento firmado estabelece a possibilidade de cooperação científica, tecnológica e de capacitação visando a implementação de atividades que ajudem no combate às mudanças climáticas, um esforço sub-nacional, liderado pelos governantes.

O presidente da Conservação Internacional, Peter Seligmann, organização presente em 40 países, demonstrou surpresa com o envolvimento dos governantes em torno do tema das mudanças climáticas e destacou que a presença deles no evento demonstra que estão engajados e que se importam com o planeta. Ele destacou que os efeitos das mudanças climáticas causam impacto em todos os lugares e que enfrentar esse tema passa pelo combate ao desmatamento e às queimadas.

Para Seligmann, os povos das florestas precisam ser compensados por ajudarem a proteger metade da biodiversidade do planeta. De acordo com ele, cerca de 1 bilhão de pessoas pobres dependem da floresta e que se não houver um mecanismo de compensação financeira elas vão avançar sobre os recursos naturais para sobreviver.

RED
Os representantes brasileiros participaram de uma mesa-redonda sobre o tema Agricultura e Floresta. Na ocasião, eles tiveram a oportunidade de falar sobre o desafio de promover o desenvolvimento e ao mesmo tempo conservar a biodiversidade da floresta. Carepa destacou que é no Pará que está o campo de batalha na luta pela preservação da floresta. De acordo com a governadora, embora o Pará detenha o maior índice absoluto de desmatamento da Amazônia, com aproximadamente 24 milhões de hectares, o Estado ainda conta com mais da metade do seu território sob forma de áreas protegidas, seja como unidade de conservação em suas diversas categorias, ou como terra indígena.

Ela ainda ressaltou que não haverá solução para a Amazônia se não houver enfrentamento à pobreza. Por isso, defendeu a implementação de mecanismos de RED para ajudar os que já vivem na floresta a mantê-la em pé. Carepa citou várias ações do governo estadual que terão impacto sobre o tema meio-ambiente, como o programa de regularização fundiária, que prevê a titulação de 7 milhões de hectares até 2010; o incentivo ao uso intensivo da terra; o monitoramento aos ilícitos ambientais; o combate ao desmatamento e às queimadas; o programa de implementação das unidades da conservação sob a gestão do Estado, notadamente na Calha Norte; além do programa de restauração florestal "Um bilhão de árvores para a Amazônia", que prevê a recuperação de um milhão de hectares, a geração de 100 mil empregos diretos e a retenção de 400 milhões de toneladas de carbono em 20 anos.

"O desenvolvimento que estamos propondo estabelece o reflorestamento como alternativa econômica para a população do campo", disse a governadora. Ela ainda defendeu a valorização dos produtos da floresta, como óleos, resinas, sementes e frutas para que as pessoas que vivem desses recursos tenham qualidade de vida. "As florestas do Brasil têm efeito sobre o clima do mundo. Então, é legítimo que os povos e os produtos sejam mais valorizados", afirmou.

Já o governador do Amazonas, Eduardo Braga, destacou que os povos da floresta esperam uma resposta do mundo sobre que tipo de apoio podem dar à sua preservação há pelo menos 20 anos, pois possuem uma expectativa de que esse apoio vai ajudar a melhorar o seu padrão de vida. Ele citou programas de incentivos fiscais e de microcrédito que o seu governo desenvolve, como o Bolsa Floresta, cujo contrato prevê a preservação na área do beneficiado. O governador também defendeu mecanismos de valorização econômica dos produtos da floresta.

O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, afirmou que uma forma de evitar a ocupação da floresta para o uso agrícola seria por meio dos mecanismos de RED. "O desmatamento poderia ser evitado pagando o produtor que está na borda ou na frente da floresta", disse. Ele ainda apontou, como outro fator que gera emissões, o transporte dos produtos agrícolas ao mercado final, seja na Europa, nos Estados Unidos, para chegar embalado na mesa do consumidor. Maggi afirmou que o seu Estado quer continuar produzindo alimentos, mas também quer que os filhos da floresta tenham qualidade de vida.

O governador defendeu que o RED seja levado para o próximo fórum, que será realizado na Polônia, para que esse mecanismo premie definitivamente a floresta em pé e não privilegie o que já foi derrubado, ou seja, o pagamento por serviços ambientais prestados. (Com informações da Secretaria de Comunicação do Pará)

Fonte: Gestão CT

Edital RHAE Pesquisador na Empresa foi lançado dia 13 pelo CNPq

No dia 13, o CNPq lançou um edital do Programa de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas em Apoio à Inovação Tecnológica (RHAE) Pesquisador na Empresa. A chamada conta com R$ 26 milhões, oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para apoiar os projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação desenvolvidos dentro das empresas.

O edital tem três rodadas. Na primeira, a data limite para submissão das propostas é o dia 31 de dezembro. Na segunda, o dia 30 de abril e, na terceira, o dia 31 de agosto. "Nosso objetivo é apoiar a ida de pesquisadores mestres e doutores para as empresas atendendo os objetivos do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional (PACTI 2007-2010), e as prioridades da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP)", afirma o gestor do edital, Cimei Borges Teixeira.

O edital financiará propostas dentro da linha dos Programas Estruturantes para Sistemas Produtivos, da PDP. Nesse sentido, serão contemplados projetos que busquem abordar os setores industriais dentros dos seguintes temas: Programas Mobilizadores em áreas estratégicas como tecnologias de informação e comunicação, nanotecnologia, biotecnologia, complexo industrial da defesa, da saúde e da energia nuclear; Programas para Fortalecer a Competitividade dos setores de complexo automotivo, indústrias de bens de capital, naval e de cabotagem, têxtil e de confecções; complexo de couro, calçados e artefatos; o setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, entre outros; e os Programas para Consolidar e Expandir Liderança, como Complexo Produtivo do bioetanol, da indústria do petróleo, gás e petroquímica, complexo aeronáutico e complexos produtivos de mineração, siderurgia, celulose e carnes.

Serão contempladas propostas com o valor máximo de R$ 300 mil. Caso haja demanda qualificada, o CNPq destinará uma parcela mínima de 30% do valor total do edital para projetos coordenados por pesquisadores vinculados a instituições sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, incluindo as respectivas áreas de abrangência das Agências de Desenvolvimento Regional. A íntegra do edital está disponível neste link.

Fonte: Gestão CT

Ensaio e calibração são abordados em artigo sobre projeto ODSLEC

Em artigo enviado exclusivamente para o Gestão CT, Aurelio Gonçalves Martins e Rogerio de Oliveira Corrêa, ambos do projeto ODSLEC (ESTUDO DA OFERTA E DEMANDA POR SERVIÇOS LABORATORIAIS DE ENSAIO E CALIBRAÇÃO) , desenvolvido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e pela Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM), instituições associadas à ABIPTI, falam sobre o projeto fruto de uma ecomenda da Finep. A pesquisa, realizada no âmbito do projeto, teve como objetivo obter dados atualizados e pormenorizados para apoiar o desenvolvimento do parque industrial brasileiro através de investimentos na infra-estrutura tecnológica de serviços laboratoriais, estabelecendo mecanismos para superar eventuais barreiras técnicas aos produtos brasileiros, decorrentes de exigências técnicas oriundas de ensaio e calibração. Veja abaixo a íntegra do artigo:

Opinião
A proposta deste artigo é apresentar rumos de políticas públicas focadas na inovação, elemento catalisador de superação para a economia brasileira. A relevância do tema destaca-se diante da grande concorrência entre as economias no comércio de bens, uma vez que a restrição de fluxos financeiros externos é inevitável em cenário futuro.

A literatura econômica revela que economias que se preocupam com evolução tecnológica e competitividade possuem vantagem adicional no acirrado cenário internacional. Ha-Joon Chang cita a Coréia do Sul e Hong Kong como exemplos de políticas bem sucedidas para a inovação. A competitividade entre bens tradebles é similar a estruturas de mercados de concorrência monopolística. Envolve diferenciação!

Os governos devem prospectar e induzir políticas tecnológicas essenciais e indispensáveis para a geração e difusão de conhecimento, e por que não riqueza? Joseph Schumpeter alertou-nos sobre a inclusão do Estado no rol dos agentes da inovação tecnológica. Para Carl Dahlman, a mudança tecnológica é parte de uma revolução do conhecimento e essa influencia produção e negociados. A introdução de mudanças tecnológica é papel de Governo, pois pode e deve ser tratada como bem público cujo uso (consumo) é não-rival e a exclusão não é desejável. A não-rivalidade é a característica para a qual os usuários podem usufruir uma mesma unidade do bem (uso conjunto) sem reduzir a quantidade (uso, consumo) disponível para os demais. A exclusão de um processo inovador (revolução tecnológica) não é desejável, uma vez que não há custos marginais, ou seja, custos adicionais por usuários extras.

Alinhado a essa perspectiva, o Inmetro e a SBM realizaram uma pesquisa com o objetivo de mapear a oferta e a demanda por serviços laboratoriais de ensaio e calibração no Brasil, o projeto ODSLEC, uma encomenda da Finep. A intenção foi obter dados atualizados e pormenorizados para apoiar o desenvolvimento do parque industrial brasileiro através de investimentos na infra-estrutura tecnológica de serviços laboratoriais, estabelecendo mecanismos para superar eventuais barreiras técnicas aos produtos brasileiros, decorrentes de exigências técnicas oriundas de ensaio e calibração.

E por que pesquisar as necessidades das empresas e a oferta dos serviços laboratoriais de ensaio e calibração? É mister considerar que a consolidação de uma economia competitiva passa necessariamente pela conquista e manutenção de mercados, interno e externo. Esse objetivo é função de investimentos orientados para a superação de obstáculos, como por exemplo, de barreiras não-tarifárias, barreiras institucionais e culturais, além de gastos em logística, desenvolvimento de produtos e adequações a requisitos técnicos específicos, normas e regulamentos exigidos.

Os serviços de ensaio e calibração potencializam externalidades nas cadeias produtoras por intermédio de mudanças tecnológicas propiciando produtividade, seja por eficiência na utilização de capital, trabalho, energia e materiais, ou diretamente nos produtos, vis-à-vis a possibilidade de redução de descontinuidade tecnológica abrupta, dolente troca de tecnologia, minoração do ciclo de vida e maior diversidade e acompanhamento tecnológico. Isso expõe a importância do conhecimento e da capacitação vinculada para competitividade das empresas nacionais. Uma ampla e inovativa rede tecnológica de serviços laboratoriais é etapa vital para consolidar essa trajetória.

A identificação de tendências de preferências pela demanda dos serviços laboratoriais é sinal de assegurar políticas direcionadas que minimizem riscos de não-efetividade. Um exemplo disto são os resultados específicos extraídos pelo mapeamento da demanda junto às empresas pela preferência de região e tipo de laboratório.

Outro exemplo diz respeito às pequenas e médias empresas. Existe preocupação para manter a qualidade dos produtos mesmo diante de restrição de custo fixo. Trata-se, em essência, do argumento em prol da qualidade dos testes laboratoriais. Uma política de investimento em serviços laboratoriais é fundamental para a própria manutenção e rentabilidade dos negócios por capacidade de diferenciação e inovação dos produtos. Extrapolando para o comércio exterior, seja pela necessidade de ampliação da participação do país no comércio internacional ou pela crescente utilização de barreiras técnicas por outros países, o argumento é irrefutável.

O projeto ODSLEC tem o perfil de desvendar direcionamentos para políticas de investimentos que visa a dotar o país de capacidade de superação de entraves que podem afetar a inserção da economia brasileira no cenário mundial, além de permitir endogeneidade da cultura da qualidade às empresas brasileiras e permitir uma exposição aos agentes envolvidos no processo. O propósito é potencializar políticas e estratégias consistentes e permanentes com a inserção internacional por superação de entraves de serviços laboratoriais e adoção de procedimentos de qualidade.

Para finalizar, existe indicação de preocupação e foco com a inovação pelo Governo. Não é oportuna a defesa indiscriminada em prol da inovação tecnológica sem a exata noção de suas carências e idiossincrasias. A radiografia do setor e sua importância para a economia são etapas a serem vencidas, e não é trivial alertar sobre esses aspectos. Um exemplo é o que aconteceu com a inovação do sistema financeiro que, sem foco e direção, aplicada apenas para alavancar posições lucrativas de bônus e correlatos virou o “patinho feio” indesejável e execrado nos dias atuais. A inovação que tratamos aqui é a que traz resultados tangíveis para a economia real brasileira.

Por: Aurelio Gonçalves Martins [1] e Rogerio de Oliveira Corrêa [2]

[1] Economista, mestrando pelo PPGCE – UERJ e colaborador no Projeto ODSLEC.

[2] Doutor em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos pela UFRJ e Gerente do Projeto ODSLEC e da Coordenação Geral de Articulação Internacional – Inmetro.

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Fonte: Gestão CT

Diretrizes para Conservação e Restauração da Biodiversidade do Estado de São Paulo

Chave de ouro
A primeira fase do Programa Biota-FAPESP foi concluída e o produto final é o livro Diretrizes para Conservação e Restauração da Biodiversidade do Estado de São Paulo, que será lançado nesta segunda-feira (24/11), a partir das 16h30, no Instituto de Botânica, em São Paulo.

Edição conjunta da FAPESP e da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, a obra apresenta e discute os 27 mapas temáticos e os três mapas-síntese elaborados durante uma série de workshops que reuniu, no decorrer de 18 meses, cerca de 160 biólogos, agrônomos, engenheiros florestais e outros especialistas.

Os mapas permitem a definição de estratégias para a conservação da biodiversidade remanescente no território paulista e para a restauração dos corredores ecológicos interligando os fragmentos naturais na paisagem. De caráter institucional, o livro terá tiragem de 2,5 mil exemplares, que serão doados para universidades e instituições de pesquisa.

Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, a obra é um excelente exemplo da aplicação da pesquisa científica em problemas urgentes do Estado de São Paulo.

"O Programa Biota-FAPESP demonstra como se pode criar boa ciência e atender a necessidades relevantes da sociedade. O livro testemunha essa conexão entre a ciência e sua aplicação. Mas o programa tem muitos outros resultados de impacto, como as legislações de zoneamento ambiental e de zoneamento para cana-de-açúcar recentemente anunciadas", disse.

De acordo com o coordenador do Biota-FAPESP, Ricardo Ribeiro Rodrigues, que é professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), a construção do mapa de áreas prioritárias de conservação e restauração da biodiversidade se destinava a orientar políticas públicas – objetivo que vinha sendo cumprido mesmo antes da publicação do produto final.

"Já houve uma série de aplicações dos mapas produzidos pelo Biota, sustentando políticas públicas. A mais recente consistiu em fornecer à Secretaria de Agricultura uma ferramenta para o zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro, o primeiro adotado por um estado a partir de parâmetros hidrográficos, físicos, topográficos e climáticos", disse Rodrigues.

Em abril, uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente determinou que a autorização para supressão de vegetação nativa em território paulista deverá se basear nas categorias de importância para a restauração definidas no mapa "Áreas Prioritárias para Incremento para Conectividade".

Em outubro de 2007, três mapas temáticos elaborados com dados científicos do Biota-FAPESP foram incorporados pela secretaria para subsidiar ações de planejamento, fiscalização e recuperação da biodiversidade.

Outro exemplo de aplicação ocorreu em setembro do mesmo ano, quando o Biota-FAPESP iniciou uma parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, para desenvolver ferramentas que garantam a qualidade dos dados gerados pelos sistemas de monitoramento do sistema aquático paulista.

"Essas resoluções e indicações mostram que o programa está cumprindo seu papel e que os mapas estão sendo usados. Mas ainda não se trata de leis. De agora em diante, o objetivo é que a equipe do Biota-FAPESP atue de forma integrada com o estado na elaboração da legislação. A tendência, na próxima fase do programa, é aperfeiçoar essas análises, incluindo a questão da modelagem. Temos planos para a realização de um evento de reflexão sobre os dez anos do programa, no qual serão discutidos os rumos da segunda fase do Biota-FAPESP", disse Rodrigues.

Histórico do programa
Segundo o coordenador do Biota-FAPESP, um dos capítulos do livro agora lançado faz um levantamento das Unidades de Conservação no estado, incluindo as estaduais e municipais, em todas as categorias, formando um documento de referência para o poder público. Outro capítulo aborda os aspectos do ambiente físico paulista.

"Há ainda um capítulo que descreve todo o histórico do programa Biota-FAPESP – talvez o primeiro material publicado oficialmente sobre o programa – e capítulos temáticos, voltados para cada um dos grupos taxonômicos. Neles, o livro traz indicações sobre as lacunas do conhecimento, recomenda áreas para criação de Unidades de Conservação e aponta áreas prioritárias para conservação", explicou Rodrigues.

A obra inclui ainda um capítulo que reúne todos os dados dos capítulos temáticos associados aos parâmetros da paisagem, para formar três mapas-síntese.

"O primeiro indica mais de 25 áreas onde fragmentos florestais devem ser transformados em novas Unidades de Conservação de Proteção Integral por meio da desapropriação das áreas pelo poder público. O segundo orienta a proteção dos demais fragmentos naturais com o uso de estratégias legais envolvendo o setor privado. O terceiro identifica as regiões sobre as quais se quer incentivar estudos biológicos", disse.

O primeiro mapa-síntese trata das áreas importantes, determinadas a partir de dados biológicos, que tenham características suficientes para justificar a criação de Unidades de Conservação.

O segundo enfoca as lacunas do conhecimento, apontando as regiões menos conhecidas. "É um mapa orientador para institutos de pesquisa, universidades e agências financiadoras, criado a fim de incentivar o trabalho de conservação nessas regiões. Dentro do Biota-FAPESP, quando avaliamos um projeto e ele não trata dessas áreas, nós pedimos a inclusão. Os estudos da Secretaria do Meio Ambiente também são orientados por esse mapa", disse Rodrigues.

O terceiro mapa-síntese procura estabelecer uma política de conservação para os remanescentes da vegetação natural. "São 3,5 milhões de hectares de fragmentos naturais que não justificam a criação de Unidades de Conservação, mas são importantíssimos para a conservação da biodiversidade. Esse mapa aponta os indicadores de conectividade e permite que os órgãos licenciadores se orientem para aplicar estratégias que utilizem recursos da iniciativa privada como reserva legal", apontou.

Para Rodrigues, o principal diferencial da proposta em relação a outras iniciativas é que o programa só indica áreas prioritárias para conservação quando existem dados biológicos.

"Em iniciativas anteriores, só o conhecimento dos pesquisadores era utilizado. Mas o Biota-FAPESP optou por valorizar o uso da informação biológica. Até mesmo as Unidades de Conservação foram justificadas com dados biológicos", disse.

Lançamento
O livro Diretrizes para Conservação e Restauração do Estado de São Paulo será lançado no Instituto de Botânica, Jardim Botânico de São Paulo, às 16h30, com a presença do secretário estadual do Meio Ambiente, Francisco Graziano Neto, e do diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz.

O Jardim Botânico está situado à Avenida Miguel Stéfano 3.031, Água Funda, São Paulo, São Paulo.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

FAPESP-Microsoft Research aprova projetos que serão conduzidos por pesquisadores da USP e da Unicamp

Novas tecnologias da informação
A FAPESP e a Microsoft Research anunciaram na quarta-feira (19/11), na sede da Fundação paulista, os dois projetos contemplados na segunda chamada de projetos de pesquisa do Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research.

Com foco no avanço do conhecimento, a parceria apóia a pesquisa fundamental e de classe mundial em Tecnologias de Informação e Comunicações (TICs) por meio da identificação e seleção de trabalhos capazes de ampliar o acesso dos cidadãos às novas tecnologias, reduzindo diferenças socioeconômicas, culturais e regionais.

“Com esse esforço da FAPESP junto à comunidade científica de São Paulo em um conjunto de áreas ligadas à ciência da computação, buscamos aumentar o impacto e a visibilidade internacional da boa ciência que se faz no estado”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, em encontro de avaliação dos projetos aprovados na primeira chamada.

“Dentro dessa estratégia, essa parceria com a Microsoft apóia o desenvolvimento de pesquisas cooperativas que contribuam para o progresso da ciência, sem necessariamente ter uma aplicação imediata no mercado. O encontro serviu ainda para aumentar o relacionamento de natureza acadêmica entre os pesquisadores apoiados pelo programa. A ciência é um ato social e não individual”, afirmou Brito Cruz pouco antes da apresentação dos trabalhos apoiados.

Daron Green, pesquisador sênior para investigações externas da Microsoft, demonstrou satisfação em apoiar novos projetos por meio da parceria entre as instituições. “É muito bom estar aqui e demonstrar o comprometimento da Microsoft no apoio a pesquisas realizadas no Brasil. Temos um plano de expansão a longo prazo para o país e desejamos acrescentar mais projetos aos já existentes”, disse.

Os projetos contemplados são JamSession – uma arquitetura descentralizada para mundos virtuais especializados e a Web 3.0, coordenado por Flávio Soares Corrêa da Silva, do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (USP), e Triagem automática de retinopatias diabéticas: tecnologia da informação contra a cegueira prevenível, que será conduzido pelo professor Jacques Wainer, do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Após o anúncio dos trabalhos aprovados, Green apresentou a palestra “Innovation in a Complex World: examples and challenges”, quando falou sobre alguns desafios tecnológicos para os próximos anos e exemplos de projetos bem-sucedidos da empresa norte-americana, que conta com 800 pesquisadores trabalhando em laboratórios e centros de excelência espalhados pelo mundo.

“Em muitos casos o objetivo principal desses pesquisadores é publicar trabalhos e inovar em seus campos de atuação. Geralmente eles publicam os estudos primeiro e pedem perdão depois, se fizeram algo que não deveriam”, brincou.

Entre as linhas de pesquisa em desenvolvimento atualmente, Green destacou os estudos para o aumento da capacidade de processamento de dados em larga escala, que hoje são provenientes de uma infinidade de fontes, desde telescópios e sensores ambientais até sistemas bancários e banco de dados de grupos de pesquisas científicas. “Hoje, estamos em um dilúvio de dados que até dez anos atrás não existia”, apontou.

Os coordenadores dos cinco projetos contemplados na primeira chamada do Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP–Microsoft Research, selecionados em setembro de 2007, apresentaram detalhes sobre o andamento de seus trabalhos, nas áreas de saúde, educação, inclusão digital, agricultura e governo eletrônico.

O Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP–Microsoft Research, resultado de um convênio assinado entre as duas instituições em abril de 2007, é uma iniciativa pioneira no Brasil que associa os setores público e privado de modo a estimular a geração e a aplicação de conhecimento em TIC.

Mais informações sobre o convênio Microsoft Research-FAPESP:
www.fapesp.br/convenios/microsoft

Fonte: Thiago Romero /Agência FAPESP

Integrar o conhecimento sobre o bioma é fundamental para compreender a região amazônica

Conhecimento orgânico
Para integrar a Amazônia como uma entidade viva é preciso integrar os estudos realizados no bioma. Por isso, segundo Rita Mesquita, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e coordenadora da Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, é fundamental articular a pesquisa realizada nos três grandes programas que estudam o bioma.

O encontro, encerrado na quinta-feira (20/11), reuniu em Manaus mais de mil pesquisadores do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), da Rede Temática em Modelagem Ambiental da Amazônia (Geoma) e do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio).

"O evento foi uma tentativa de integrar os três programas a partir do intercâmbio de resultados. Isso é fundamental, porque se vamos integrar a Amazônia como entidade viva, precisamos articular esses estudos", disse Rita.

Segundo a pesquisadora, que faz parte do comitê organizador do LBA, os cientistas perceberam a necessidade de criar um espaço público no qual os estudos de diversos enfoques disciplinares possam se integrar.

"Não é possível entender os ciclos, processos e fenômenos biológicos sem entender a biodiversidade, que, por sua vez, tem um papel crítico na formação de nuvens, na reciclagem de nutrientes, na decomposição e assim por diante. Essa visão de múltiplos enfoques é necessária porque a Amazônia é um grande sistema integrado", disse.

Segundo ela, a expectativa é que a reunião, que por quatro dias levou a Manaus pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa de diversos países, possibilite a formação de novas parcerias.

"Esperamos que os cientistas aproveitem a oportunidade para realizar novas parcerias de estudos. E seria melhor ainda se esse espaço público gerasse novos programas, com novas perguntas científicas, que permitam o trabalho conjunto de físicos, geógrafos, modeladores e biólogos", indicou.

Outro objetivo, de acordo com a pesquisadora, é criar espaços onde os cientistas possam ser ouvidos pelos formuladores de políticas públicas e possam entender a demanda de conhecimento desse últimos. "Isso é um grande desafio. Esse espaço ainda não existe em em nenhum dos três programas", disse.

O LBA produziu diversos avanços no conhecimento sobre os ciclos biogeoquímicos e sobre os padrões de uso da terra. O programa agora está iniciando sua segunda fase.

"Esperamos que, a partir de agora, o LBA passe a se preocupar mais com a transformação desse conhecimento em políticas públicas. Para isso, vamos procurar integrar os pesquisadores atuais com cientistas sociais e formuladores de políticas públicas, aplicando o conhecimento da ciência básica", disse.

Segundo Rita, o programa também agregará um grupo maior de biólogos. “Ainda há muita ciência básica a ser feita, mas ela precisa ampliar seu escopo. Queremos ampliar nossa base de conhecimento sobre fatores socioeconômicos e legais, além de tratar mais profundamente de políticas públicas e dos impactos desses fatores sobre os processos ambientais que estão acontecendo na Amazônia. Entendemos que muitas dessas políticas e vetores socioeconômicos são os responsáveis pelas mudanças na dinâmica de uso da terra que temos registrado", disse.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Poli realiza palestras em engenharia mecânica e aeronáutica com a participação de Peter Hagedorn da Universidade de Darmstadt

O Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo realizará, nos dias 27 e 28 de novembro, palestras com especialistas do Brasil e da Alemanha.

Segundo a Poli, os eventos, abertos e gratuitos, representam uma oportunidade para profissionais e estudantes conhecerem novidades e projetos que estão sendo desenvolvidos nas áreas de engenharia mecânica e aeronáutica. As inscrições devem ser feitas pelo site do departamento.

Na quinta-feira (27), às 11 horas, será a vez da palestra “New developments in ultrasonic piezoelectric travelling wave motors”, com Peter Hagedorn, professor do Grupo de Dinâmica e Vibrações da Universidade de Tecnologia de Darmstadt, na Alemanha.

No dia seguinte, às 14 horas, será realizada a palestra “Ruído aeronáutico: os grandes desafios da indústria na área da aeroacústica”, com o engenheiro Micael Gianini Valle do Carmo, da Embraer.

A palestra constará da apresentação do projeto Aeronave Silenciosa, que conta com apoio da Embraer e da FAPESP, por meio do Programa Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). Envolvendo seis universidades brasileiras, o projeto é um dos principais na Escola Politécnica e envolverá a aquisição de um dos maiores supercomputadores do país, que terá 1,2 mil núcleos de CPUs.

O Departamento de Engenharia Mecânica da Poli fica na Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, 380, Cidade Universitária, São Paulo.

Mais informações: (11) 3091-5355

Fonte: Agência FAPESP

Seminário de Política Pública Integrada

Debater aspectos diretamente relacionados com gestão de políticas públicas participativas e sistematizar práticas de construção e implementação de políticas públicas são objetivos do Seminário de Política Pública Integrada, que tem como tema “O desafio da cultura, dos segmentos sociais vulneráveis e do governo compartilhado”.

O evento gratuito será realizado no dia 29 de novembro, das 8h30 às 13h, no Auditório Capa - Campus Rudge Ramos da Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Os organizadores pretendem, com o evento, criar um estímulo inicial para o curso de lato sensu da Cátedra Gestão de Cidades e reunir participantes interessados na discussão e pesquisa sobre o tema.

O seminário também celebrará o aniversário da fundação da Cátedra de Gestão de Cidades, que há cinco anos tem como objetivo central a reflexão a respeito da cidade de São Bernardo do Campo.

Mais informações pelo e-mail ou (11) 4366-5825.

Fonte: Agência FAPESP