quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Estudo de bactéria - Deinococcus radiodurans - reforça hipótese de vida extraterrestre

Pode ser de Marte um dos mais novos objetos de estudo da UFRJ. No Laboratório Nacional de Luz Síncroton, no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF), o doutorando Ivan Lima trabalha para comprovar a hipótese da existência, atual ou anterior, de formas de vida em outros planetas. Para isso, ele analisa, desde 2006, a instigante bactéria Deinococcus radiodurans que, de acordo com as evidências encontradas por Ivan e sua orientadora, Cláudia Lage, é um organismo que pode ter origem no planeta vermelho.

De acordo com os pesquisadores, o primeiro passo do estudo foi submeter a bactéria a condições extremas, semelhantes às encontradas no espaço sideral. “O ponto de partida dessa idéia foi colocar a radiodurans em um ambiente que simulasse condições hostis: completamente seca, no vácuo e sofrendo radiação. A bactéria sobreviveu durante 17 horas. Uma pequena parte da população morreu e o resto conseguiu sobreviver”, relata a orientadora.

Radiodurans na queda
A bactéria foi descrita há mais de 50 anos e já era conhecida por sua resistência acima da média. A descoberta ocorreu quando um grupo de pesquisa norte-americano tentou esterilizar frutas, por meio de radiação. Para a surpresa de A. W. Anderson, responsável pela primeira descrição do organismo, mesmo após ser submetida a altas doses de radiação gama, uma colônia persistia sobre a superfície das frutas. Em 1956, o mundo conheceu a radiodurans e, junto com ela, o conceito de extremofilia, isto é, a facilidade de se adaptar a ambientes muito hostis.

Essa característica move as esperanças de Ivan Lima. Poeira cósmica cai todo momento sobre a Terra e uma bactéria com características de resistência tão fortes poderia ter feito o trajeto no passado e se instalado no planeta. “Essa é mais uma evidência que vem a somar o que já tem sido apresentado na literatura, favorecendo a hipótese da panspermia, segundo a qual, a vida teria se originado em nosso planeta através de organismos vindos de outras partes do Universo”, destaca Ivan.

Para Cláudia Lage, o argumento ganha força quando a situação é analisada sob a ótica da evolução das espécies. De acordo com a análise da bióloga, é muito provável que a radiodurans não tenha se desenvolvido por aqui. “Imaginamos que os seres vivos que compõem a Terra hoje foram gerados num processo de evolução. Não houve, contudo, radiação na Terra, nem ausência de umidade. Não se encontraram, portanto, fatores que justificassem a existência desse organismo na Terra”, explica a professora.

Os pesquisadores lembram que o estudo é pioneiro. De acordo com a orientadora, nenhuma outra pesquisa se deteve a analisar o que poderia ocorrer nessa provável viagem. “Já se fala sobre a possibilidade de bactérias se formarem em outros lugares do Universo e de surgirem aqui. O meio desse caminho, contudo, nunca foi estudado, e essa é a tese do Ivan”, ressalta Cláudia.

Parcerias com astrônomos
Os próximos passos do trabalho contarão com parcerias consideradas importantes por Ivan e Cláudia. A idéia é inserir o projeto nos estudos em Astronomia. Para isso, o grupo se associou a engenheiros da Universidade de São Paulo (USP), que serão responsáveis por construir modelos de simulação mais semelhantes às condições espaciais. A câmara construída poderá simular situações de vácuo ou atmosfera fraca, além de ambientes de baixa pressão e temperaturas muito frias.

Destaque também para a parceria com o projeto Convection Rotation and planetary Transits (o Corot), conhecido pelo surpreendente sucesso na missão de encontrar planetas rochosos que orbitam estrelas diferentes do Sol. Com o auxílio do poderoso telescópio, o grupo poderá coletar mais dados sobre outros ambientes. “Vamos realizar um exercício teórico, em que tentaremos coletar os dados dos planetas rochosos que tenham uma massa sólida e fazer a inferência de dados de temperatura, composição química, iluminação e fotoperíodo, para tentar imaginar que organismos extremófilos poderiam habitar planetas como esse”, explica Cláudia Lage.

Fonte: Marcello Henrique Corrêa / Olhar Vital

Áreas alagáveis da Amazônia correspondem a 20% do bioma

Inundação de dados

Cerca de 20% da Amazônia corresponde a áreas alagáveis, de acordo com um novo mapa georreferenciado produzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB).

De acordo com os autores, uma das maiores limitações para estudos sobre o ciclo do carbono ou o balanço de gases do efeito estufa é a imprecisão dos dados sobre a dimensão das áreas alagáveis, responsáveis pela maior parte das emissões de metano e carbono na atmosfera.

O estudo que gerou os mapas – apresentado nesta terça-feira (18/11), durante a Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, em Manaus – foi realizado por Evlyn Novo, pesquisadora titular da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe, Laura Hess, do Instituto para a Ciência Computacional dos Sistemas Terrestres (Icess, na sigla em inglês) da UCSB, e John Melack, pesquisador do Icess e da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Por intermédio de Melack, a pesquisa iniciada na década de 1990 teve participação da Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (Jaxa). Evlyn teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio Regular a Pesquisa. Laura, também com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio Pesquisador Visitante, atuou como professora visitante do Inpe, onde ajudou a desenvolver e testar a metodologia de mapeamento.

"As áreas alagáveis são as principais fontes naturais de gases causadores do efeito estufa. Qualquer estimativa sobre o aumento das emissões fica distorcida se não tivermos uma linha mestra que nos permita identificar se essas emissões são antropogênicas ou naturais", disse Evlyn.

De acordo com a pesquisadora, a quantificação dessas informações depende de dados sobre as áreas alagáveis amazônicas, que por sua vez são de difícil obtenção. "Os rios da bacia amazônica chegam a ter oscilações de nível de até 18 metros. Em algumas regiões há variações de 50 quilômetros em relação às margens. Por isso, as estimativas sobre as áreas alagáveis até agora eram muito imprecisas", afirmou.

O sensoriamento remoto, segundo Evlyn, é a solução para monitorar as áreas alagáveis da bacia, por sua grande extensão e difícil acesso. Em meados da década de 1990, o projeto teve início a partir de imagens SAR (radares de abertura sintética) obtidas pelo Jers-1 (Japanese Earth Resources Satellite-1), da Jaxa. Os sistemas SAR foram usados como alternativa aos sensores ópticos, cuja ação é limitada em regiões tropicais devido à alta taxa de cobertura de nuvens.

"Com esses dados, foram realizadas coberturas das duas fases do ciclo hidrológico da bacia: o período de águas mínimas e o período de cheias. As informações, então, foram processadas por uma cooperação entre o Inpe e a UCSB para gerar um mapa das áreas alagáveis da Amazônia inteira", disse.

A pesquisadora explica que a conclusão dos trabalhos foi demorada porque era preciso validar o mapa. "Foram feitos vários sobrevôos com uma aeronave do Inpe, para produzir uma videografia. Os resultados preliminares, que consideravam a Amazônia Central, indicavam 17% de áreas alagáveis. O resultado final, que apresentamos hoje [18/11], é o mapa para toda a Amazônia, incluindo os países vizinhos, e mostra que 20% do bioma é composto por áreas alagáveis", destacou.

Segundo Evlyn, o principal responsável pelas áreas alagadas é a flutuação dos rios da bacia amazônica, mas há também uma contribuição de outras fontes de água, como lençóis freáticos que afloram.

De acordo com ela, o mapa ajudará a preencher várias lacunas de informação científica na região. "As áreas de terra firme sempre receberam mais atenção por conta do desflorestamento e da maior extensão. Mas as áreas alagáveis – com pouca oxigenação e favoráveis à decomposição de material orgânico – têm importância crucial, porque a evasão de carbono e metano nesses sistemas é imensa. Sem considerar esses 20% da Amazônia, é impossível fechar o balanço dos estudos sobre emissões", disse.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Destacada a necessidade de articulação com os Estados para a implementação do Sibratec

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, destacou ontem (18), em Brasília, a necessidade de melhorar a articulação com os Estados para a implementação do Sistema Brasileiro de Tecnologia. “O Sibratec está sendo implantado de maneira gradual, ainda tímida”, afirmou o ministro durante a abertura do fórum conjunto dos conselhos nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap).

Durante o encontro, ele explicou que o sistema tem o papel de fazer a interface entre os centros de pesquisa e as empresas. “Todos os Estados têm institutos tecnológicos e aqueles que não possuem têm condições de fazer uma articulação para que nós tenhamos uma base local porque a interface com a empresa local deve ser feita localmente”, disse.

O ministro lembrou que não é possível fazer essa interface de Brasília, do Rio de Janeiro ou de São Paulo com as empresas localizadas em todas as regiões do país. “Nós temos o desafio de nos próximos meses fazer com que o Sibratec venha a cumprir para o sistema industrial e empresarial brasileiro, como um todo, o que a Embrapa fez no agronegócio”, avaliou.

Ele acredita que, quando o país contar com um sistema de pesquisa robusto e com uma interface com as empresas realmente efetiva, com a capacidade de fazer o extensionismo e a inovação tecnológica, será possível fazer com que a ciência e tecnologia contribua de maneira efetiva para gerar riqueza e para o desenvolvimento nacional. “E aí nós teremos uma situação irreversível. Nós não poderemos ter governantes federais, estaduais ou municipais que não percebam claramente que essa é uma área que precisa ter continuidade de ações em todos os campos”, afirmou.

Programas
Na ocasião, Rezende ainda destacou a importância de programas como o de Núcleos de Excelência (Pronex). De acordo com o ministro, a iniciativa, criada há dez anos, agora tomou outra dimensão. O último edital do programa foi lançado em 2005, com R$ 80 milhões. Neste ano, Rezende lembrou que o MCT decidiu fazer um esforço para que o Pronex ganhasse uma dimensão maior, principalmente nos Estados onde é preciso ter grande incentivo para a formação de pesquisadores. O programa conta nesta edição com R$ 220 milhões.

“Fiz um ofício pessoal para cada governador solicitando que eles ampliassem o aporte de recursos do seu Estado e assumissem o compromisso de ampliar os recursos na mesma proporção”, informou.

O ministro ressaltou que esta edição do programa conta pela primeira vez com a participação de algumas unidades da Federação. Ele citou o Distrito Federal, que em 2005 não aportou recursos para o Pronex e neste ano investiu R$ 10 milhões na iniciativa. “É um aumento infinito e nós vamos ampliar os recursos do governo federal. O CNPq e o FNDCT vão aportar R$ 20 milhões”, disse.

Outro Estado que participou pela primeira vez do programa foi o Rio Grande do Sul, que destinou R$ 8 milhões. O ministro ainda destacou a necessidade de não implementar regras uniformes para todas as unidades da Federação por conta das desigualdades do país.

Segundo ele, vários Estados aumentaram em até quatro vezes os recursos destinados para o programa. No entanto, ele lembrou que em outros casos a participação no Pronex ainda é muito tímida. Por essa razão, o ministro convocou os secretários dessas unidades da Federação a conversarem com ele ou com o secretário executivo do MCT, Luiz Elias, para que seja feito um contato pessoal com o governador.

Institutos nacionais
Outro programa destacado pelo ministro foi o dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. Em 2005, a iniciativa, ainda chamada de Institutos do Milênio, contou com R$ 90 milhões. “Foi um edital com uma distribuição altamente insatisfatória uma vez que foi feita uma seleção nacional e aí então os Estados desenvolvidos tiveram realmente um apoio muito grande, levaram uma grande proporção dos recursos”, disse.

Para este ano, serão investidos R$ 450 milhões no programa. O ministério implementou algumas regras, como a destinação de 35% ou 40% dos recursos para as regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste. Também foi definido um percentual para a região Sul, que no Programa dos Institutos do Milênio ficou apenas com 4% da verba. “Isso para uma região que tem instituições de excelência em todas as áreas”, afirmou.

Para a região Sudeste, Rezende informou que houve o envolvimento das fundações dos Estados mais desenvolvidos, como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Essas unidades da Federação se dispuseram a colocar recursos de contrapartida. O mesmo fato ocorreu com os Estados do Amazonas, de Santa Catarina e do Pará. Além disso, os ministérios da Saúde e da Educação também destinaram verbas para o programa. Em breve, a iniciativa ainda contará com a participação do BNDES e da Petrobras. Nos dias, será anunciado o resultado da seleção de 90 institutos nacionais de ciência e tecnologia.
Informações sobre as ações do MCT podem ser obtidas no site www.mct.gov.br.

Fonte: Bianca Torreão /Gestão CT

Tecnologias atuais garantirão o crescimento no mercado do etanol até 2018


Rumo à segunda geração
O etanol de segunda geração, produzido a partir da celulose presente nos resíduos da cana-de-açúcar, é uma alternativa fundamental aos cerca de cem países capazes de produzir o combustível renovável e que desejam fazê-lo sem prejudicar a produção de alimentos.

O cenário foi destacado por Christoph Berg, diretor geral da F.O. Licht, consultoria alemã do mercado de commodities, na tarde de segunda-feira (17/11), em São Paulo, durante a sessão plenária que abordou o tema da segurança energética na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, que reúne delegações de 92 países para a discussão dos desafios e oportunidades dos biocombustíveis.

“Do ponto de vista da oferta, as tecnologias de primeira geração deverão garantir um crescimento relativamente constante no mercado do etanol até 2018. A partir daí, os produtores mundiais precisarão de tecnologias da geração seguinte. Caso contrário, teremos o limite da oferta em relação à competição entre o uso da terra para a geração de energia e a produção de alimentos”, alertou.

Berg, que é membro do Grupo Consultivo sobre Biocombustíveis da Comissão Européia, apontou que o etanol, nesse período de tempo, tem capacidade de atingir uma participação no mercado global de combustíveis de até 10%, considerando a estrutura tecnológica atual.

“Uma participação de mercado maior do que essa só seria alcançada com o domínio das tecnologias do etanol de segunda geração, que poderão prover os necessários metros cúbicos extras do biocombustível por hectare”, afirmou.

O etanol de segunda geração, uma alternativa para o uso energético da biomassa, pode ser obtido a partir da tecnologia de lignocelulose, que utiliza o bagaço e a palha da cana com vantagens ambientais e econômicas.

Calcula-se que esses compostos orgânicos, hoje praticamente sem valor comercial, correspondem a cerca de 50% da biomassa terrestre. A produção de etanol da lignocelulose extraída desses materiais é feita com tecnologias ainda em fase de aperfeiçoamento. A transformação pode ser feita com uso de ácidos (hidrólise ácida) ou de enzimas (hidrólise enzimática).

Pesquisas brasileiras são destaque

O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Richard Jones, divulgou dados do relatório anual da entidade sobre o estado atual da economia de energia mundial e as possibilidades para o futuro. Segundo ele, a tendência atual de uso dos combustíveis fósseis é “insustentável” tanto do ponto de vista ambiental como do econômico e social.

“A má notícia do relatório é que a utilização mundial de gás, carvão e petróleo continuará aumentando, assim como as emissões de gases de efeito estufa provenientes desses combustíveis. O resultado poderá levar a um aumento na temperatura global de cerca de 6ºC nas próximas décadas”, disse o diplomata norte-americano, que foi embaixador dos Estados Unidos em Israel, Kuait, Cazaquistão e Líbano.

Esse crescimento do uso e das emissões pode ser evitado, na opinião de Jones, por meio de um esforço conjunto mundial que busque uma economia baseada na diversificação das fontes de energia, melhorando não apenas a eficiência das já existentes como também criando tecnologias novas, especialmente no setor dos biocombustíveis, devido à sua representatividade crescente nos transportes.

“Estima-se que a utilização dos biocombustíveis no setor de transportes cresçerá dos atuais 1,5% para cerca de 8% em 2030. A previsão para 2050 é de 26% de participação. Sabemos que o potencial de crescimento dos biocombustíveis é ainda maior e as pesquisas brasileiras com o etanol de cana-de-açúcar têm mostrado isso”, destacou.

O petróleo responde por cerca de 99% do consumo de energia pransporte rodoviário no mundo e, segundo projeções da Agência Internacional de Energia, a demanda energética nesse setor poderá crescer até 38% nos próximos 20 anos.

O especialista em bioenergia do Imperial College London, Richard Murphy, falou sobre um importante caminho a ser trilhado se o destino final é ter um futuro seguro do ponto de vista energético em nível global. “Primeiro, os países precisam ter certeza de que os biocombustíveis produzidos irão de fato mitigar as emissões dos gases de efeito estufa, de modo a estancar as alterações climáticas”, alertou.

“Há várias formas corretas de garantir isso, como o investimento em pesquisa e desenvolvimento e a criação de políticas públicas que permitam a drástica diminuição de gases estufa em comparação aos combustíveis fósseis”, disse.

Murphy ressalta que o Reino Unido não tem capacidade instalada para cultivar toda a biomassa necessária para garantir o desenvolvimento limpo da frota de veículos do país.

“Vamos depender muito do restante do mundo para a compra de biocombustíveis. Gostaríamos de ser parceiros de outros países no desenvolvimento de alternativas energéticas”, disse o também membro do grupo de trabalho do Plano de Pesquisa sobre Bioenergia do Reino Unido.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

Secretário executivo do MCT pede que os Estados criem suas leis de inovação

A importância de consolidar as leis de inovação estaduais foi um dos pontos ressaltados pelo secretário executivo do MCT, Luiz Antonio Rodrigues Elias, durante sua palestra realizada, ontem (18), como parte das atividades do Fórum dos conselhos nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), realizado em Brasília.

Elias lembrou que seis Estados já possuem suas leis. São eles: Amazonas, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina. E que outros nove possuem minuta de lei: Pará, Maranhão, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Páraná e Rio Grande do Sul.

Luiz Elias falou que este e outros temas têm sido tratados por um comitê executivo, criado em abril deste ano, composto por representantes do MCT, Finep, CNPq, Consecti, Confap, que tem como membros titulares ele e o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Guilherme Henrique Pereira, pelo MCT; Luis Fernandes (Finep); José Roberto Drugowich de Felício (CNPq); Lygia Puppato, secretária de C&T e Ensino Superior do Paraná; e Sofiane Labidi, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), instituição associada à ABIPTI.

"Volto a insistir para que possamos ter cada vez mais um processo mais dinâmico de consolidação deste fórum executivo entre o ministério, fundações de amparo e conselho de secretários. É necessário que os secretários aqui presentes e os dirigentes das FAPs consolidem os processos em seus Estados das leis de inovação".

O secretário executivo reforçou que essas leis agregam valor, dão dimensões diferenciadas e incluem, em definitivo, a questão da inovação e da ciência e tecnologia como prioridade nas agendas estaduais. "Até porque, ao se carimbar a lei, se determina o recurso e o percentual que vai ser aplicado. Ao não se aplicar esse recurso, há uma responsabilidade fiscal embutida, portanto qualquer dirigente vai aplicar, mesmo que ainda minimamente, os recursos necessários para que a gente consolide esses processos", afirmou Elias.

Luiz Elias lembrou que também há um engajamento contábil, administrativo e jurídico necessário para a consolidação das leis estaduais e cabe aos gestores essa articulação, em nível estadual, para que se consiga alcançar essa consolidação.

Fonte: Fabiana Santos / Gestão CT

Estados devem se articular para apresentar projetos ao novo edital do Sibratec 2009

O coordenador-geral de Inovação Tecnológica do MCT, Reinaldo Danna, em palestra proferida na tarde de ontem (18), em Brasília, alertou os Estados que não concorreram aos editais do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) em 2008 e também aos que não tiveram projetos aprovados, que já comecem a se articular em suas unidades da Federação para apresentarem propostas ao próximo edital, que será lançado no início de 2009. Danna participou de mesa de debates durante o Fórum dos Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap).

Ainda sobre o Sibratec, Reinaldo Danna disse que em alguns Estados o programa não está sendo entendido de forma correta. "As redes [Redes de Extensão Tecnológica], por exemplo, são para prestar serviços, atender às demandas e não para servirem de apoio ao que já existe, como o Modernit ou o CT-Infra", explicou o coordenador-geral.

NITs
Reinaldo Danna informou que ainda nesta semana será lançado um edital para apoio aos núcleos de inovação tecnológica (NITs) no valor de R$ 10 milhões. "Não ficaremos bancando NITs, mas entendemos que é necessário um passo inicial. Se as ICTs tiverem um NIT organizado, terão mais chances de captar recursos", explica.

Danna disse que o ministério está estimulando, por meio de editais, a criação desses núcleos. "Os Centros de Inovação do Sibratec, por exemplo, terão que ter seus NITs".

O coordenador-geral afirmou que os núcleos, além de facilitar a negociação direta das instituições científicas e tecnológicas [ICTs] com as empresas são importantíssimos para a estruturação de propostas. "Os projetos existem, mas estão sendo mal elaborados tanto no Pappe Subvenção, no Juro Zero e outros programas."

Subvenção
"Está havendo uma forçada de barra para colocar o que não pode nas propostas, por exemplo: colocar como dispêndio a compra de máquina. Isso não exite. A renúncia fiscal é para a empresa fazer pesquisa ou contratar unidade de pesquisa. Então há coisas erradas que eu acredito que, às vezes, é por desconhecimento", disse Reinaldo Danna sobre os projetos encaminhados aos editais de Subvenção Econômica.

Danna ressaltou que falta às empresas entenderem o que é a Lei de Inovação e como elas podem se relacionar com esses mecanismos.

Também, na mesma mesa de debates, participou o chefe do Departamento de Projetos e Programas (DPEP/Finep), Rochester Gomes da Costa. Ele ressaltou que, até hoje, nenhum projeto do primeiro edital do Pappe Subvenção (2006) foi contratado.

"Mas digo que foi um excelente edital para identificarmos a demanda das micro, pequenas e médias empresas (MPEs) nas unidades da Federação, mas só saberemos se esse foi um mecanismo eficaz, quando tivermos dados concretos, de projetos contratos", disse. O Pappe Subvenção é feito em parceria com os Estados.

Para Costa, é importante lembrar que todos esses mecanismos foram criados recentemente e que o aprendizado tem sido importante. "A partir do momento em que os projetos estiverem mais maduros poderemos ter mecanismos eficazes de acompanhamento e avaliação."

Fonte: Fabiana Santos/ Gestão CT