sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Parques Tecnológicos no Brasil

Indústria do conhecimento
O Brasil precisaria de investimentos, públicos e privados, da ordem de R$ 10,2 bilhões nos próximos cinco anos para que seu sistema nacional de inovação e empreendedorismo dê um salto de qualidade. A condição, entretanto, é que esse salto seja impulsionado com a aplicação desses recursos na estruturação de cerca de 20 parques tecnológicos em regiões estratégicas do país.

Essas são as proposições do estudo Parques Tecnológicos no Brasil, organizado pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e divulgado nesta quinta-feira (13/11) durante a 4ª edição da Nanotec, feira do setor de nanotecnologia que se encerra hoje (14), em São Paulo.

“O estudo propõe estratégias para que o país comece a se preparar para a criação efetiva de uma indústria do conhecimento, tendo como ponto de partida uma nova estrutura de parques tecnológicos no Brasil”, disse o conselheiro da Anprotec e coordenador do levantamento, José Eduardo Fiates.

Os setores empresariais mais estimulados por esse universo de parques são os de tecnologias da informação e da comunicação, energia, biotecnologia, eletrônica, instrumentação, serviços, meio ambiente e agronegócios.

“Os parques tecnológicos são o ambiente favorável para as empresas por oferecerem os três elementos principais para que o conhecimento se transforme em desenvolvimento: acesso à tecnologia, relacionamento para a criação conjunta de soluções inovadoras e alta capacidade de penetração no mercado”, disse Fiates.

O trabalho foi realizado em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), no período de fevereiro de 2007 a março de 2008, sob encomenda dos ministérios da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Fiates explica que cerca de 50 entidades participaram da elaboração do estudo, da geração ao processamento dos dados, de associações de classe a órgãos estatais, passando pelas comissões de ciência e tecnologia da Câmara dos Deputados e do Senado, além de dezenas de universidades e institutos de pesquisa.

“Dez workshops foram realizados com a presença de especialistas em parques tecnológicos, brasileiros e do exterior, para a discussão dos dados e indicação dos resultados, após as sucessivas pesquisas de campo nos parques brasileiros, cujos dirigentes responderam a uma série de questionários”, disse Fiates.

O sistema de parques tecnológicos no Brasil foi comparado, no cenário internacional, a iniciativas semelhantes na França, Reino Unido, Espanha, Irlanda, Finlândia, Japão, China, Índia, Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura, Malásia, Nova Zelândia e Estados Unidos.

“As simulações de investimentos do estudo foram feitas com base em comparações dos recursos destinados aos parques desses países. Tivemos acesso a números exatos de quanto se investiu nesses empreendimentos e fizemos ponderações, a partir dos dados coletados nos parques nacionais, para chegar aos números dos investimentos públicos e privados de que o Brasil necessita”, detalhou.

No mundo, são mais de 1,5 mil parques tecnológicos em atividade, sendo que, de acordo a Anprotec, nas experiências bem-sucedidas as empresas instaladas geram, em média, US$ 3 de receita anual para cada US$ 1 investido na implantação do parque.

Os resultados do estudo confirmam a iniciativa do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, projeto que teve origem em 2002 na Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, com apoio da FAPESP.

A meta do governo paulista é ter parques instalados em alguns dos principais centros de desenvolvimento econômico e tecnológico no estado, como a Grande São Paulo, Campinas, São Carlos, Ribeirão Preto e São José dos Campos. Além dessas, diversas outras cidades são candidatas a receber parques, como Piracicaba, Santa Bárbara do Oeste, Sorocaba e São José do Rio Preto.

Sérgio Risola, coordenador geral do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) da Universidade de São Paulo (USP), destaca que São José dos Campos é o primeiro a entrar em funcionamento no estado com o conceito de parque tecnológico.

O objetivo do governo de São Paulo é apoiar o setor privado para alavancar esses centros de inovação e implantar o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, criando sinergias que possam assegurar a competitividade do estado.

Áreas prioritárias
Com as informações do estudo em mãos, a Anprotec pretende estimular os gestores públicos a definir quais serão os 20 parques, considerados de excelência, que estarão aptos a receber os incentivos.

O levantamento da Anprotec sugere ainda que, dos R$ 10,2 bilhões necessários para alavancar os parques tecnológicos no Brasil, cerca de R$ 1,9 bilhão tenha origem em investimentos públicos e o restante em aplicações privadas.

As políticas públicas sugeridas pelo estudo, segundo ele, são baseadas em dois eixos centrais. O primeiro se concentra na concepção da infra-estrutura dos parques tecnológicos e nos investimentos em projetos âncora de ciência, tecnologia e inovação. “O incentivo a esses projetos científicos é fundamental, caso contrário o parque pode acabar se tornando um condomínio industrial de empresas de base tecnológica”, disse Fiates.

O segundo pilar das políticas e estratégias sugeridas se baseia nos investimentos a pesquisa e desenvolvimento realizados dentro das empresas instaladas nos parques, incluindo recursos para a instalação de laboratórios e contratação de recursos humanos qualificados.

“Todas essas proposições partem do pressuposto de que o Brasil já conta com instrumentos legais para o apoio a essas iniciativas. O que precisamos é orientar melhor esses marcos legais nas direções de interesse e aplicar mais recursos nesses instrumentos”, afirmou Fiates.

Mais informações pelo link.

Fonte: Thiago Romero/ Agência FAPESP

Metabolic syndrome patient compliance with drug treatment

Adesão sem compreensão
Uma nova pesquisa, feita na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade de São Paulo, indica que pacientes com diagnóstico de síndrome metabólica e que estavam sob tratamento medicamentoso com anti-hipertensivos, antilipêmicos (redutores de colesterol) e agentes antidiabéticos apresentam elevado índice de adesão ao tratamento, apesar de demonstrar desconhecimento sobre os fatores de riscos cardiovasculares, fortemente relacionados ao distúrbio.

O principal objetivo do estudo, publicado na revista Clinics, foi avaliar o nível de adesão de portadores de síndrome metabólica ao tratamento medicamentoso. Além disso, os pesquisadores investigaram a associação entre a adesão, acesso e uso de medicamentos e o conhecimento dos fatores de risco cardiovasculares, considerando as variáveis clínicas, sociais e demográficas.

De acordo com uma das autoras, Nilcéia Lopes, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Fármacos e Medicamentos da FCF, a síndrome metabólica pode ser entendida como um conjunto de fatores de risco que, ocorrendo simultaneamente em um mesmo indivíduo, aumenta a chance de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes do tipo 2.

“Indivíduos com síndrome metabólica apresentam três vezes mais probabilidade de sofrer infarto ou acidente vascular cerebral, quando comparados com aqueles que não a apresentam. Entre os fatores de risco se destacam a presença de sobrepeso ou obesidade – especialmente a obesidade abdominal –, a hipertensão arterial, o estado de pré-diabetes ou mesmo diabetes e alterações no metabolismo dos lipídios, especialmente no aumento de triglicérides”, disse.

O estudo foi realizado em duas fases. Na primeira, foi feita a coleta e análise das informações registradas nos prontuários médicos, com o objetivo de identificar pacientes com diagnóstico de síndrome metabólica. Nessa primeira fase, foram identificados 550 registros de hipertensos e/ou diabéticos.

Segundo Nilcéia, devido à falta do diagnóstico explicitado de síndrome metabólica o primeiro passo foi identificar os registros eletrônicos de pacientes. “Após a etapa da coleta de dados, foram identificados 243 pacientes elegíveis para a etapa posterior, que pretendeu confirmar o diagnóstico de síndrome metabólica, avaliar a adesão ao tratamento medicamentoso e determinar as associações entre as variáveis analisadas. Concluíram essa fase 75 pacientes”, explicou.

A média de idade dos entrevistados foi de 63 anos, sendo que 54% deles eram mulheres. Cerca de 47% dos entrevistados tinham baixa escolaridade, com menos de quatro anos de estudo formal. E cerca de 60% deles possuíam baixa renda familiar, de até cinco salários mínimos mensais.

A média da circunferência da cintura foi de 112 centímetros para os homens e 103 para as mulheres. Para a população brasileira, segundo o estudo, medidas iguais ou superiores a 80 centímetros para mulheres e a 90 centímetros para homens caracterizam a presença de obesidade abdominal.

De acordo com Nilcéia, um ponto de destaque foi o baixo nível de conhecimento sobre dieta e dislipidemia – o aumento anormal da taxa de lipídios no sangue – apresentado pelos entrevistados. “É fato que conhecimento sobre doenças e seus tratamentos não é garantia de adesão, mas é um importante fator para a participação ativa do paciente nas decisões relativas ao seu estado de saúde”, afirmou.

Em relação ao conhecimento dos fatores de risco cardiovascular, 47% dos pacientes exibiram bom nível, ou seja, acertaram pelo menos 75% de todas as perguntas. “Mas quando a análise foi realizada para cada grupo de perguntas separadamente, verificou-se baixo nível de conhecimento sobre dieta e dislipidemia”, disse.

Todos os participantes do estudo utilizaram o Sistema de Saúde para a obtenção de medicamentos. No entanto, 34,7% dos entrevistados relataram comprometer até 10% da renda familiar com medicamentos.

Também assinam o artigo Antonio Carlos Zanini, da FCF-USP, orientador do estudo, e Antonio Casella-Filho e Antonio Carlos Palandri Chagas, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Para ler o artigo Metabolic syndrome patient compliance with drug treatment, de Nilcéia Lopes e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara /Agência FAPESP

Neurônios e Universo em expansão serão as palestras ministradas na Exposição Einstein neste final de semana

O ciclo de palestras complementar à exposição Einstein, promovido pela revista Pesquisa FAPESP em parceria com o Instituto Sangari, prossegue no sábado (15/11), às 15h, com duas palestras. A entrada é franca.

Martín Cammarota, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, falará sobre “O tempo e a memória”, enquanto Roberto Covolan, professor da Universidade Estadual de Campinas, abordará o tema “Impactos da obra de Einstein no campo da física médica”.

No domingo (16), às 11h, Gary Steigman, professor da Universidade do Estado de Ohio, Estados Unidos, dará a palestra “O mistério do Universo em aceleração”. Rogério Rosenfeld, físico e professor do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista, coordenará a palestra, que terá tradução simultânea.

Steigman comentará que, diferentemente do que previam as leis de gravidade formuladas por Isaac Newton e revisadas por Albert Einstein, o Universo está em expansão. Em 1917, Einstein modificou a Teoria da Relatividade Geral acrescentando um termo que pudesse explicar a aceleração observada do Universo, mas depois ele próprio rejeitou essa modificação.

As palestras serão realizadas no Pavilhão Armando de Arruda Pereira (antigo prédio da Prodam), Parque do Ibirapuera, portão 10, São Paulo, SP.

Mais informações: www.revistapesquisa.fapesp.br e www.einsteinbrasil.com.br

Fonte: Gestão CT

UK-Brazil Innovation Forum

Discutir as alternativas de cooperação em inovação entre o Brasil e o Reino Unido é o principal objetivo do fórum UK-Brazil Innovation, que será realizado nos dias 18 e 19 de novembro, na Cidade Universitária, em São Paulo.

O evento será organizado pelo Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec-Sudeste), em conjunto com a Embaixada Britânica no Brasil, para compartilhar as melhores práticas e experiências em gestão da inovação e promover a internacionalização da inovação gerada nos setores público e privado.

Outro objetivo é a exposição de instituições brasileiras responsáveis por desenvolver inovações tecnológicas e a promoção de oportunidades de cooperação com as instituições britânicas. O evento dará oportunidade para estreitar o contato entre representantes de agências de tecnologia e inovação britânicos e brasileiros e Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT).

Especialistas discutirão temas como “O sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação”, “Ações para apoiar institutos de pesquisa e parques científicos”, “Estudos estratégicos e políticas de ciência e tecnologia no Brasil”, “Tecnologias brasileiras: casos de sucesso” e “Brasil, a economia do conhecimento natural”.

O fórum terá participação de representantes de instituições como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Cambridge, Universidade de Oxford, Imperial College, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Agência USP de Inovação, Ministério da Ciência e Tecnologia e as secretarias estaduais de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Mais informações: www.inovacao.usp.br

Fonte:Agência FAPESP