quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Etanol de mandioca é desenvolvido na UnB

Pesquisa propõe estratégia para obter álcool a partir do tubérculo, barateando custos de produção


No que depender dos pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), em breve será possível abastecer o carro com álcool de mandioca. Estudiosos do Laboratório de Biologia Molecular da universidade estão cada vez mais próximos da tecnologia para transformar em realidade a nova matriz.

Uma contribuição recente está na tese de doutorado do biólogo Alexsandro Sobreira Galdino, defendida em 2008, que aponta os meios de tornar o processo de fabricação desse tipo de combustível viável e mais barato, o que pode aumentar o interesse do mercado pelo assunto.

A pesquisa ficou em 1° lugar no Prêmio Jovem inventor da Fundação de Apóio à pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF), resultado divulgado em outubro de 2008. No trabalho, Galdino alterou geneticamente uma levedura (fungo) que se tornou capaz de fermentar o amido, gerando etanol. A levedura do estudo é a Saccharomyces cerevisiae, a mesma utilizada para obter o álcool da cana-de-açúcar.

ALTERAÇÃO
O grande diferencial do estudo consistiu em manipular geneticamente o ser vivo, pois em sua forma natural, a S. cerevisiae não consegue degradar o amido, principal componente da mandioca. “Apesar de ser a levedura mais utilizada para a produção de etanol, ela não é capaz de utilizar o amido como fonte de energia. Por isso, a necessidade de modificá-la.”

Na cana, esse problema não existe, pois a planta possui açúcares já disponíveis. Por isso, a levedura se alimenta da substância e, logo em seguida, fermenta e produz o álcool. A mandioca, por sua vez, contém amido, formado por cadeias de glicose que podem ser quebradas com o uso de enzimas, inexistentes na S. cerevisiae.

ECONOMIA
O avanço obtido na pesquisa tem aplicação direta na melhoria do processo de fabricação do etanol de mandioca, de forma a torná-la interessante para o mercado.

Uma das formas empregadas hoje é coletar o amido, tratá-lo com enzimas muitas vezes importadas e só então pôr os açúcares em contato com a levedura CAT1. No trabalho de Galdino, a levedura geneticamente modificada com as duas enzimas tem capacidade de quebrar o amido e formar etanol em uma única etapa, reduzindo os custos de produção.

Existe apenas uma usina em operação atualmente no Brasil, na cidade de São Pedro do Turvo (SP), e uma planta piloto que será instalada no campus de Botucatu (SP) pelo Centro de Raízes e Amidos Tropicais (Cerat) da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp).

As usinas de etanol de mandioca podem complementar a disponibilidade de álcool quando se está fora do período de colheita da cana, uma vez que a entressafra dura de seis a sete meses por ano. O objetivo, diz Galdino, é complementar, e não concorrer com a produção do álcool tradicional. “Ninguém quer substituir a cana, mas sim aumentar a produção de etanol com uma fonte alternativa de substrato. E apostamos na mandioca.”

O etanol de mandioca tem uma importante vantagem. A usina para essa matriz é mais barata, o que facilita a inserção de empresários que não teriam capital para abrir uma fábrica para cana-açúcar, aumentando empregos diretos e indiretos, segundo informações da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (ABAM).

DNA
A fim de adaptar a S.cerevisiae para uso no processo da mandioca, Galdino inseriu na levedura 2 genes oriundos de outros microorganismos. O primeiro foi o gene da alfa-amilase da levedura Cryptococcus flavus, que codifica uma enzima capaz de quebrar o amido em cadeias menores.

Uma vez modificado, o microorganismo foi transferido para uma placa de petri (recipiente achatado de vidro ou plástico) contendo amido como fonte de carbono. Após coloração da placa com vapor de Iodo (I2), a expectativa se confirmou: a levedura cresceu lá dentro. “A primeira vez que vi o halo de hidrólise [círculo provocado pela alimentação do microorganismo] se formar, fiquei arrepiado”, diz.

O passo seguinte foi testar a S.cerevisiae modificada outra vez, agora com o gene da glicoamilase do fungo, o Aspergillus awamori, que também quebra o amido, mas de uma forma diferente. A enzima da A. awamori quebra as moléculas de amido nas extremidades, e não no meio da cadeia, como faz a alfa-amilase.

Os testes prosseguiram com resultados novamente favoráveis. Galdino inseriu, então, os 2 genes simultaneamente, para otimizar o trabalho das duas enzimas. A amilase de C. flavus faz a primeira quebra das moléculas de glicose do amido, facilitando o trabalho para a glicoamilase da A. awamori.








MERCADO

- Custo de usina de álcool de cana-de-açúcar, com capacidade de moagem anual de 1 milhão de toneladas de cana: R$ 130 milhões a R$ 140 milhões (incluído neste valor o parque industrial e o investimento agrícola).

- Custo de usina de álcool de mandioca com capacidade de moagem anual de 300 mil toneladas de mandioca: R$ 25 milhões, incluindo-se neste valor o parque industrial, de, aproximadamente, R$ 20 milhões, e mais R$ 5 milhões do plantio de mandioca, no sistema de parceria com contrato, plantando-se variedades adequadas para serem colhidas em épocas diferentes do ano.
(fonte: ABAM)

Mandioca Cana de açúcar

Produtividade agrícola(t / ha.ano)

30,0

80,0**

Açúcares Totais (%)

35,0

14,5**

Produtividade em açúcares (t / ha.ano)

10,5

11,6

Conversão teórica (m3/t açúcares)

0,718

0,681

Produtividade etanol(m3 / ha.ano)

7,54

7,90

Preço CIF matéria prima (R$ /t)*

110,00

38,70

Custo unitário etanol (R$/m3)

437,66

391,90

* Preços de maio/2005
** Dados ÚNICA/SP de maio/2005
(fonte: ABAM, artigo “Produção de Álcool da Mandioca”, do professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) Cláudio Cabello)

PERFIL
Alexsandro Sobreira Galdino é pós-doutorando na Universidade de Brasília (UnB), instituição na qual concluiu o doutorado em Biologia Molecular. É mestre em Bioquímica pela Universidade Federal do Ceará (UFC), na qual obteve a graduação em Ciências Biológicas. Recentemente obteve o 1° Lugar do Prêmio Jovem inventor da Fundação de Apóio à pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF). Contatos pelo e-mail

PIONEIRISMO A tese de doutorado Clonagem e Expressão de uma alpha-amilase de Cryptococcus flavus e sua aplicação na degradação do amido recebeu o 1º lugar da 1ª edição do Prêmio Jovem Inventor, da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF). O trabalho foi orientado pelo professor Fernando Araripe e co-orientado pelos professores Lidia Maria Pepe de Moraes (UnB) e Cirano José Ulhoa (UFG). Trabalhos pioneiros nesta área foram realizados ainda na década de 1980, no Laboratório de Biologia Molecular da UnB, pelos professores Spartaco Astolfi Filho e Lídia Maria de Moraes, que na época era sua aluna de mestrado. Com a crise do Proálcool nos anos 1990, os estudos perderam relevância. Agora, com a atenção mundial voltada para os biocombustíveis, os trabalhos foram retomados no Centro de Biotecnologia Molecular da UnB.

Fonte: Fabiana Vasconcelos / UnB - Ilustrações Marcelo Jatobá/UnB Agência

Criação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica é aprovada pela Câmara dos Deputados

No dia 5, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 3.775/08, que cria, no âmbito do Sistema Federal de Educação, a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. A proposição, de autoria do Poder Executivo, segue agora para apreciação do Senado Federal.

A rede será vinculada ao Ministério da Educação e será composta pelas seguintes instituições: institutos federais de educação, ciência e tecnologia; Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); e escolas técnicas vinculadas às universidades federais.

De acordo com o texto, os institutos federais são instituições de educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especializados na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos às suas práticas pedagógicas.

O PL ainda determina que, para efeito da incidência das disposições que regem a regulação, a avaliação e a supervisão das instituições e dos cursos de educação superior, os institutos federais serão equiparados às universidades federais. No âmbito de sua atuação, os institutos federais exercerão o papel de instituições acreditadoras e certificadoras de competências profissionais.

A proposta cria 38 institutos federais em todos os Estados e no Distrito Federal, a partir da reorganização dos centros federais de educação tecnológica (Cefets), das escolas técnicas e agrotécnicas federais, e das escolas técnicas vinculadas às universidades federais.

Os institutos oferecerão educação profissional e tecnológica em todos os níveis, com prioridade para o ensino médio, a fim de atender estudantes que concluíram o ensino fundamental, os quais deverão ficar com metade das vagas.
Outras 20% das vagas serão destinadas a cursos de licenciatura e programas especiais de formação pedagógica, destinados a formar professores para a educação básica, principalmente nas áreas de ciências e matemática. A intenção é qualificar os institutos como centros de referência no apoio à oferta do ensino de ciências nas instituições públicas de ensino.

Segundo o texto aprovado, a atuação dos institutos deverá contemplar as comunidades locais, com a geração e a adaptação de soluções técnicas e tecnológicas de acordo com as demandas sociais e as peculiaridades regionais. Para o ensino superior, serão oferecidos cursos de tecnologia, bacharelado, pós-graduação lato sensu de aperfeiçoamento e especialização, e stricto sensu de mestrado e doutorado. Também deverão ser desenvolvidos programas de extensão e de divulgação científica e tecnológica.

Os institutos ainda deverão ministrar cursos de formação inicial e continuada de trabalhadores, para capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização de profissionais em todos os níveis de escolaridade. A íntegra do PL está disponível neste link.

Resolução dispõe sobre as normas para a liberação planejada no meio ambiente de OGMs de origem vegetal

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) disponibilizou uma resolução que dispõe sobre as normas para liberação planejada no meio ambiente de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) de origem vegetal e seus derivados. O texto foi publicado na edição do dia 7 do Diário Oficial da União.

De acordo com a resolução, a autorização para a liberação planejada de um OGM de origem vegetal e seus derivados poderá ser suspensa ou revogada pela CTNBio, a qualquer tempo, caso sejam detectados efeitos adversos sobre o meio ambiente ou sobre a saúde humana e animal, ou ainda, mediante a comprovação de novos conhecimentos científicos.

O texto determina que o requerente deverá manter registro de acompanhamento individual da liberação planejada de OGM de origem vegetal no meio ambiente, incluindo, entre outras, as informações referentes às medidas de segurança, práticas agronômicas, coleta de dados, descarte, armazenamento, transferência de material e eventual destinação do OGM e seus derivados.

Após a aprovação pela Comissão Interna de Biossegurança (CIBio), a requerente deverá submeter a sua proposta à CTNBio acompanhada de: requerimento de liberação planejada; informações sobre o OGM de origem vegetal; informações sobre a liberação planejada do OGM de origem vegetal; mapas e croquis para a liberação planejada do OGM de origem vegetal; pedido de importação de material vegetal, quando for o caso.

Segundo a resolução, a CTNBio adotará as providências necessárias para resguardar as informações sigilosas de interesse comercial apontadas pela requerente e assim por ela consideradas, desde que sobre essas informações não recaiam interesses particulares ou coletivos constitucionalmente garantidos.

Cada proposta será analisada por, pelo menos, duas subcomissões setoriais permanentes da CTNBio. As instâncias terão um prazo simultâneo de 90 dias para a análise e a elaboração de pareceres para posterior aprovação da liberação planejada por decisão do plenário da CTNBio. A comissão poderá exigir informações complementares, bem como a apresentação de novos documentos, devendo a requerente manifestar-se no prazo máximo de 90 dias, contados a partir da data do recebimento da correspondência enviada, sob a pena de arquivamento do processo. A íntegra da resolução está disponível neste link.

Fonte:Gestão CT

Michael Donoghue concede entrevista à FAPESP

Mudar é mais fácil do que evoluir

Em suas pesquisas, o professor Michael Donoghue, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade Yale, nos Estados Unidos, procura entender por que existem mais espécies em certas áreas do planeta e quais são os fatores ecológicos e evolutivos que explicam os padrões de distribuição dos organismos.

De acordo com o biólogo, unindo os estudos sobre biodiversidade e evolução será possível compreender melhor essa dinâmica e fazer previsões sobre os futuros impactos das mudanças climáticas na distribuição das espécies. Donoghue também é diretor do Museu Peabody, fundado em 1866, um dos mais antigos museus de história natural no mundo.

Os estudos do norte-americano indicam que, quando uma mudança climática ocorre em determinado ambiente, a evolução pode se encarregar da adaptação das espécies locais. Mas é mais provável, de acordo com ele, que a área vá receber novas espécies, já adaptadas ao novo clima em outros locais – contanto que existam corredores que permitam essa migração.

O problema, segundo ele, é que a ação humana causou uma fragmentação da paisagem sem precedentes, dificultando a comparação com períodos anteriores de mudanças climáticas. Esse problema, aliado à escassez de dados biológicos, torna as previsões extremamente difíceis.

Em visita ao Brasil para participar do simpósio “Biologia evolutiva e conservação da biodiversidade: aspectos científicos e sociais”, na sede da FAPESP, em São Paulo, Donoghue concedeu à Agência FAPESP a seguinte entrevista:
Um dos focos centrais de seu trabalho é compreender por que existem mais espécies em algumas áreas do planeta do que em outras. Por que é tão difícil entender essa distribuição?
Há muitos anos estudamos a biodiversidade, mas ainda temos muito poucos elementos para responder a perguntas como essa. Por exemplo, não sabemos quantas espécies existem na Terra. Na realidade, não temos a menor idéia. Há cerca de 1,8 milhão de espécies descritas, mas estima-se que existam mais de 10 milhões ainda desconhecidas. Não conhecemos, provavelmente, mais que 10% ou 20% do total das espécies na Terra. Então é muito difícil responder a esse tipo de pergunta, porque nosso conhecimento é muito limitado.

Também não há dados suficientes sobre a distribuição das espécies conhecidas?
Sabemos muito pouco sobre isso. Se eu apontar para um animal específico e perguntar onde aquela espécie está distribuída na Terra, a resposta mais freqüente será “não se sabe”. Não temos um inventário integrado que dê uma boa noção de onde os organismos vivem. Isso é especialmente verdadeiro para microrganismos. Temos realmente muito pouca noção de quantas espécies de microrganismos existem e onde elas estão distribuídas. Tentamos responder a essas questões muito amplas e temos que lidar com muitas lacunas de informação. Há muita informação básica que simplesmente não temos.

Por que seria importante responder a esse tipo de questão?
Se pudermos determinar com mais precisão o número de espécies e onde elas vivem, talvez possamos ter melhores respostas sobre as mudanças que elas sofrerão no futuro. Esse tipo de informação nos colocará em posição muito melhor para fazer previsões sobre o futuro da biodiversidade.

Que tipo de pesquisa precisa ser feita para compreender por que há mais espécies em determinados lugares do planeta?
Para explicar os padrões de biodiversidade é preciso conectar diversas áreas do conhecimento, unindo especialmente a biologia evolutiva e a ecologia. Precisaremos saber o máximo que pudermos sobre a ecologia desses organismos, mas também sobre sua história evolutiva, em que lugares suas linhagens tiveram origem e por quanto tempo ocuparam determinada área. Para construir essa biogeografia histórica, temos que unir muitos métodos diferentes – moleculares e ecológicos – que precisam ser integrados. A combinação dessas informações provavelmente dará as melhores respostas.

Essa combinação nunca foi feita?
Até agora, ao observar a biodiversidade, os padrões de distribuição e por que há mais espécies nos trópicos, a ênfase tem sido dada principalmente nas características ecológicas. O que estamos tentando fazer é trazer essas informações para a história evolutiva. E acho que isso pode dar um quadro mais refinado.

Além do inegável avanço científico, essa combinação de conhecimentos teria implicações importantes para a aplicação?
Tem imensas implicações, porque neste momento estamos enfrentando vários desafios ambientais. Temos a destruição dos hábitats, o desmatamento, espécies invasoras de diferentes áreas e as mudanças climáticas globais. Tudo isso terá efeito sobre a biodiversidade e sua distribuição. E isso é muito importante de entender. Gostaríamos de fazer previsões sobre o que acontecerá com a biodiversidade onde houver mudanças climáticas. Os organismos vão apenas se mudar, outras espécies vão se extinguir, outras vão se originar? É o tipo de questão que teremos que responder.
O conhecimento sobre períodos anteriores de mudanças climáticas também pode contribuir para tornar essas previsões mais precisas?
É claro que no passado houve vários episódios de mudança climática e, portanto, esse conhecimento nos dará condições de começar a ter alguma idéia sobre as conseqüências que podem ocorrer. Mas a tarefa de fazer previsões atualmente é mais difícil do que nunca, porque estamos em um momento crítico. O ser humano construiu cidades e expandiu a agricultura, fragmentando a paisagem em um nível inédito. Isso dificulta qualquer analogia com o que ocorreu anteriormente. Mesmo melhorando o conhecimento do passado será mais difícil projetá-lo para o futuro.

Seus estudos indicam que é mais fácil para as espécies mudar de lugar do que evoluir. Poderia explicar essa idéia?
Se isolarmos uma montanha, fechando suas bases, as espécies que vivem na parte baixa podem evoluir e criar habilidades para viver no topo. Essa seria uma maneira de se ter novas espécies no topo da montanha: elas fariam adaptações. Isso certamente ocorre. Mas, com freqüência, o que acontece é que os organismos já estão adaptados a viver em um clima semelhante, mas desenvolveram essas adaptações em algum outro lugar. E aí eles simplesmente se mudam e tomam posse da nova montanha, antes que os organismos tenham chance de ir para cima. Os estudos mostram que é mais fácil mudar para uma área que desenvolver adaptações.

Por que esses organismos mudam de ambiente?
Algumas das mudanças são apenas por acaso, são circunstanciais. Mas na maior parte das vezes trata-se de mudança climática. Os climas estão mudando e há novos ambientes ficando disponíveis. Quando há a origem de uma nova montanha, também temos um novo ambiente. E se os organismos tiverem um corredor disponível, alguma passagem para alcançar esse novo ambiente, eles se mudam para lá e assumem o local. A questão então é: qual é o balanço, o equilíbrio entre as mudanças e as adaptações dos organismos? Isso é muito crítico também para se fazer previsões sobre o futuro. Quando o clima muda, há uma evolução rápida para se adaptar ao novo clima, ou há simplesmente um remanejamento de organismos para outras áreas? O que sugiro é que não acontece uma evolução rápida. Em vez disso, os organismos se mudam. Mas para isso é preciso que haja um corredor. E agora os humanos estão tornando isso difícil porque estamos fragmentando a paisagem natural.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Unicamp e Immunoassay assinam contrato para comercializar tecnologia de detecção de parasitoses intestinais: TF-Test

TF-Test chega ao mercado

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Immunoassay, empresa de material hospitalar e laboratorial, assinam nesta quinta-feira (13/11), às 10 horas, em Campinas (SP), contrato para a exploração comercial de uma tecnologia de exame parasitológico de fezes desenvolvida na empresa.

A novidade deverá contribuir para o combate das parasitoses intestinais no homem, um dos problemas mais freqüentes da saúde pública, principalmente em regiões tropicais.

Batizado de TF-Test (Three Fecal Test, na sigla em inglês), o produto oriundo da tecnologia já está sendo produzido e distribuído para vários hospitais e laboratórios de análises clínicas, entre os quais o Hospital Albert Einstein, o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O desenvolvimento do TF-Test contou com apoio da FAPESP ao projeto Desenvolvimento de Novos Kits Destinados ao Diagnóstico de Parasitoses Intestinaisem Amostras Fecais por meio do programa Pesquisa Inovativa na Pequena e Micro-Empresa (PIPE). A articulação do convênio foi realizada pela Inova Unicamp, a agência de inovação da universidade.

O produto, que é abrangente para todas as espécies parasitárias e tem alta sensibilidade diagnóstica, inclui um kit com um tubo coletor-usuário e um kit para o laboratório, constituído por um tubo de centrifugação e um conjunto de filtros contendo duas telas metálicas.

Segundo Sumie Hoshino Shimizu, professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do projeto, a vantagem dessa técnica é concentrar as amostras, fazendo o diagnóstico mesmo nos casos mais difíceis, em que o indivíduo apresenta baixo grau de infestação. "Nos testes tradicionais, muitos casos dão resultados negativos falsos", disse.

Os tubos de coleta do teste contêm conservantes que preservam a amostra fecal em condições de análise até 30 dias, sem necessidade de refrigeração. A porcentagem de acerto do produto é de 96,8%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam mais de 3,5 bilhões de pessoas infectadas com alguma espécie de parasita intestinal, além de que as doenças infecciosas e parasitárias figuram entre as principais causas de morte, sendo responsável por 2 milhões a 3 milhões de óbitos por ano em todo o mundo.

Fonte: Agência FAPESP

Árvores da floresta estacional semidecidual: guia de identificação de espécies

Um guia prático de campo
O livro Árvores da floresta estacional semidecidual: guia de identificação de espécies será lançado nesta sexta-feira (14/11), às 19 horas, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, em São Paulo.

Trata-se de um guia elaborado com o objetivo de facilitar a identificação em campo de espécies arbóreas que ocorrem na floresta estacional semidecidual, que cobria toda a face ocidental da área de domínio da Mata Atlântica.

O livro foi feito com base no projeto “Quarenta hectares de parcelas permanentes”, ligado ao Programa Biota-FAPESP, que estudou as espécies da Estação Ecológica de Caetetus – um dos últimos remanescentes dessa floresta no Estado de São Paulo.

Os autores são Viviane Soares Ramos, Giselda Durigan, Geraldo Franco, Marinez Ferreira de Siqueira e Ricardo Ribeiro Rodrigues. Rodrigues é o coordenador do Programa Biota-FAPESP.

O livro apresenta a chave de identificação baseada em caracteres vegetativos, acompanhada de um glossário ilustrado dos termos técnicos, ao lado de ilustrações que mostram a aparência da casca, ramos, folhas, flores e frutos e algum detalhe adicional que contribua para facilitar o reconhecimento da planta.

O público-alvo são profissionais que trabalham na área, coletores de sementes, viveiristas, paisagistas, professores e pessoas fascinadas por árvores e florestas em geral.

Mais informações: www.edusp.com.br

Fonte: Agência FAPESP

O sentido formativo das humanidades

O conceito de formação e seu sentido formativo em diferentes áreas do conhecimento (literatura, filosofia e artes) serão analisados por professores da Faculdade de Educação (FE) e Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP no seminário "O Sentido Formativo das Humanidades", nos dias 27 e 28 de novembro, das 14 às 17h, no Auditório da FE-USP. O evento é a primeira atividade pública do Grupo de Estudos sobre Temas Atuais da Educação, criado em agosto no IEA.

Na primeira sessão do seminário (dia 27), Franklin Leopoldo e Silva, do Departamento de Filosofia da FFLCH-USP, falará sobre "O Conceito de 'Formação'" e outro expositor (a ser confirmado) tratará de "O Sentido Formativo da Literatura". A sessão será coordenada por José Sérgio Carvalho, do Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da FE-USP e integrante do grupo do IEA.

Na segunda sessão (dia 28), Celso Favaretto, do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da FE-USP, discutirá o "O Sentido Formativo das Artes" e Ricardo Fabbrini, do Departamento de Filosofia da FFLCH-USP, falará sobre "O Sentido Formativo da Filosofia". A coordenação desta sessão será de outro integrante do grupo, Celso Beisiegel, do Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da FE-USP.

O Grupo de Estudos sobre Temas Atuais da Educação tem como eixos centrais de trabalho a realização de seminários sobre políticas públicas de educação e a produção de sínteses de estudos e pesquisas educacionais. (Leia mais sobre o grupo na edição 121 deste boletim.)

SEMINÁRIO "O SENTIDO FORMATIVO DAS HUMANIDADES"
Data: 27 e 28 de novembro, das 14h às 17h
Local: Auditório da Faculdade de Educação, Av. da Universidade, 308,
Bloco B, térreo, Cidade Universitária, São Paulo
Via web: transmissão ao vivo em www.iea.usp.br/aovivo
Informações: com Sandra Sedini , telefone (11) 3091-1688

Fonte: IEA/USP

Unidade Temática de C&T da Rede Mercocidades promove primeira reunião em Porto Alegre

Nos dias 21 e 22 de novembro, em Porto Alegre (RS) será realizada reunião da Unidade Temática de Ciência e Tecnologia da Rede de Mercocidades. No primeiro dia, o evento terá início às 9h e término às 18h. No segundo dia haverá visita técnica na Restinga.

Constam na programação: entrega do Prêmio de Mercocidades de Ciência e Tecnologia; 4ª Mostra em Políticas Públicas Municipais (a ser realizada em outubro de 2009); debate sobre a problemática da energia nas cidades: e o uso de energias alternativas; entre outras atividades.

Informações sobre a programação completa e formas de inscrição, podem ser obtidas na Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Acesse o site www.portoalegre.rs.gov.br/.

Os contatos para dúvidas e solicitação de ficha de inscrição são os e-mails 1,2,3, e pelos telefones são (51) 3289-7318 e (51) 3289-6282.

Fonte: Gestão CT

The Energy Biosciences Institute – Realizing Cellulosic Biofuels and Benefiting the Environment

A palestra The Energy Biosciences Institute – Realizing Cellulosic Biofuels and Benefiting the Environment, com Stephen Long, diretor adjunto do Energy Biosciences Institute, nos Estados Unidos, ocorrerá no dia 17 de novembro, na sede da FAPESP, em São Paulo.

A palestra será realizada no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), das 10h30 às 12h. As vagas são limitadas.

Long é professor do College of Agricultural, Consumer and Environmental Sciences e do College of Liberal Arts and Sciences, ambos da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

O Energy Biosciences Institute, que tem como objetivo desenvolver novas fontes de energia e reduzir o impacto do consumo energético no meio ambiente, é uma colaboração entre a Universidade de Illinois, a Universidade da Califórnia em Berkeley e o Laboratório Nacional Lawrence Livermore, com apoio financeiro da gigante do setor energético BP.

Para se inscrever no evento, clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP

26º Workshop Temático do Centro de Toxinologia Aplicada

O 26° Workshop Temático do Centro de Toxinologia Aplicada (CAT) ocorrerá no dia 26 de novembro, no auditório do Museu Biológico do Instituto Butantan, em São Paulo, com o tema central “Animal toxins as models for the development of new analgesic drugs”. O CAT é um dos 11 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.

O evento será aberto por Sérgio Ferreira, do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, que apresentará a palestra “Pain and analgesia: new molecular targets and development of peripheral analgesics”.

O encontro reunirá palestrantes de diversas instituições de ensino e pesquisa do país, entre os quais Erich Fonoff, do Hospital Sírio-Libanês, que falará sobre “Current challenges in clinical pain” e João Batista Calixto, da Universidade Federal de Santa Catarina, que abordará “Natural products as source of new analgesic drugs”.

Outras palestras de destaque são “Animal toxins as models for development of new analgesic drugs – the Discovery of Prialt and crotalphine”, com Gisele Picolo, do Instituto Butantan, e “Analgesic effects in rodents of native and recombinant toxins isolated from the venom of spiders”, com Marcus Vinicius Gómez, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Mais informações: (11) 3726-1024.

Fonte: Agência FAPESP

5° Seminário Nacional de Educação Brasil Competitivo

MBC promove o 5° Seminário Nacional de Educação Brasil Competitivo que acontece em Brasília

O Movimento Brasil Competitivo (MBC) promove, no dia 18 de novembro, em Brasília, o 5º Seminário Nacional de Educação Brasil Competitivo. O evento quer proporcionar uma ampla discussão sobre o tema e sua importância para a promoção do desenvolvimento econômico e social do País de forma sustentável, envolvendo gestores públicos, educadores, empresários, economistas e representantes de organizações sociais, fundações e institutos. A programação do seminário inclui painéis com os temas Educação – Desafios e Necessidades, Iniciativas Empreendedoras e Educação Empreendedora. Em paralelo ao evento, será também realizada a 27ª Reunião do Conselho Superior do MBC. Mais informações, no site www.mbc.org.br/mbc/portal/5seminario.

As inscrições podem ser feitas pelo telefone (61) 2229-2101, ou pelo e-mail . (Com informações do MBC)

Fonte: Gestão CT