quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Novos métodos para aferir a qualidade da solda são desenvolvidos na UnB


Som e luz avaliam qualidade de solda - Pesquisas feitas na UnB aprimoram controle sobre o processo. Fábricas e construtoras são maiores beneficiadas

O processo de soldagem, utilizado para unir peças de metal, é primordial para o funcionamento de fábricas e o andamento de construções. Na Universidade de Brasília (UnB), pesquisadores comprovaram a eficiência de dois novos métodos para analisar se uma soldagem está bem feita ou se apresenta riscos de ruptura.

Os engenheiros Éber Huanca Cayo e Daniel Bebiano descobriram que tanto o som quanto a luz emitidos durante o procedimento podem ser usados com essa finalidade. A principal vantagem de ambos é permitir uma avaliação da solda no exato momento em que elas estão sendo feitas.

Essa possibilidade faz com que falhas nem sempre perceptíveis a olho nu sejam identificados mais facilmente com ajuda de equipamentos e computadores. “A partir da análise e entendimento da acústica do processo de soldagem é possível obter um método para a detecção e localização de defeitos na solda”, diz Cayo. Com isso, as empresas podem atuar diretamente no ponto em que houve o problema e saná-lo mais rapidamente. As pesquisas foram orientadas pelo professor Sadek Crisostomo Absi Alfaro.

INFRA-ESTRUTURA
Segundo Cayo, que defendeu o mestrado sobre o uso do som para avaliação da qualidade em soldagem no Departamento de Engenharia Mecatrônica (ENM), o novo método pode ajudar principalmente as indústrias brasileiras de base. “É uma tecnologia com potencial de ser utilizada principalmente nos países em desenvolvimento, que precisam montar indústrias, infra-estrutura e garantir fontes de energia e muitos processos de fabricação.”

O tipo de solda estudada por ele, chamada de GMAW ou MIG/MAG, é a mais utilizada nos setores secundários da economia, responsáveis por gerar produtos de base para outras áreas. Sua aplicação vai da soldagem das peças de um gasoduto à união de estruturas metálicas para prédios ou estádios, como no caso do Ninho do Pássaro, na China.

Levando em consideração a retomada de investimentos de vulto no País em infra-estrutura, há que se imaginar uma demanda cada vez maior pelo processo e por sua eficiência. “À medida que a solda foi se popularizando, cresceu a demanda por qualidade”, diz Cayo.

Os resultados da pesquisa foram obtidos com testes em peças, nos quais eram induzidos defeitos ou havia obstáculos, como peças sobrepostas de metal, graxa, ou mesmo problemas como a falta do gás de proteção, liberado na ponta da tocha da solda, resultando na oxidação do metal e gerando defeitos na solda.

ENERGIA
Já os estudos de Bebiano partiram na direção da análise da luminosidade própria de um processo de soldagem. “Pela intensidade luminosa conseguimos ver a perturbação e detectar defeitos”, explica.

A luz emitida no processo é captada por um equipamento acoplado ao aparelho de solda e levada por um cabo de fibra ótica a um equipamento que a lê, o espectrômetro. De lá, parte para um sistema de computador que interpreta as informações.

O nível de detalhamento obtido pela técnica é indicada para processos de solda mais refinadas, principalmente aquelas utilizadas em placas de até 6 mm, que utilizam solda do tipo TIG. Essas chapas devem ser unidas por uma temperatura não muito alta, para evitar provocar furos, nem tão baixa, que seja insuficiente para unir as peças.

A tecnologia desenvolvida pelo engenheiro acusa tanto a descontinuidade na placa, ou seja, a falta de preenchimento de metal, quanto a porosidade, que pode ser causada pela falta de isolamento contra o oxigênio ambiente no momento da solda. A aplicação encontra-se na indústria espacial, nuclear e de tubulações de baixa pressão.

TRANSFERÊNCIA
Segundo Bebiano, a idéia é agregar as várias tecnologias de controle de qualidade em solda feitas na UnB e repassá-las ao setor produtivo. Hoje, essas técnicas ainda não são aplicadas comercialmente, o que leva os empresários a gastar tempo e dinheiro em avaliações que poderiam ser otimizadas.

Para aprimorarem seus processos, basta que as indústrias se aproximem dos pólos de produção de conhecimento em soldas no Brasil. Enquanto a UnB se detém na área de qualidade, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprimora a fabricação de máquinas de solda e geração de potência, e as Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e de Uberlândia (UFU) investem nos melhores materiais para soldas.

PERFIL
Éber Huanca Cayo é mestre em Sistemas Mecatrônicos pela UnB. Formou-se em Engenharia Eletrônica pela Universidad Nacional de San Agustín (Arequipa - Peru). Contatos pelo e-mail

Daniel Bebiano também é mestre em Sistemas Mecatrônicos, graduado em Engenharia Mecatrônica pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) . Contatos pelo e-mail

Fonte: Fabiana Vasconcelos / UnB

Participação estatal em EPEs será discutida no BNDES

Reunião sobre regulamentação e participação estatal em EPEs acontece no BNDES


Nesta sexta-feira (24), será realizada, no edifício do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em São Paulo, às 15h, reunião sobre a regulamentação da participação estatal em empresas de propósitos específicos (EPEs) de fomento à pesquisa científica e inovação, que está em fase de elaboração.

As atividades com vistas à regulamentação estão sob coordenação da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), órgão da Presidência da República. A secretaria realiza o trabalho antes executado pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE). Esta instância criou um Grupo Executivo (GE) ad hoc para operacionalizar essas atividades. O GE, formado inicialmente pelo NAE, Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil (SAG), Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (STI/MDIC), MCT, Finep e Embrapa, realizou uma série de encontros para discutir, principalmente, os objetivos das EPEs com participação estatal, as propostas de regulamentação dessa figura jurídica, as críticas quanto à conveniência e oportunidade de participação do Estado nas EPEs, ou quanto à possibilidade jurídica de sua criação, e, por fim, os aspectos que devem ser considerados no instrumento eleito para regular a participação do Estado nesse tipo de empresa privada.

No intuito de ampliar a participação no GE, outros órgãos governamentais e entidades foram convidados a contribuir. Entre eles, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), BNDES e, ainda, a Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

No último dia 6, em reunião realizada na sede da Anpei, em São Paulo, o secretário de Tecnologia Industrial do MDIC, Francelino Grando, e o diretor executivo da Anpei, Olívio Ávila, sugeriram a participação de outros atores para contribuir no processo de regulamentação. A ABIPTI foi convidada a participar da reunião do dia 24, no BNDES. Outra instituição que foi inserida nas discussões foi a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

A Anpei, a Embrapa e a Anprotec são instituições associadas à ABIPTI. (Com informações da STI/MDIC)

Fonte: Gestão CT

DFG e CNPq apóiam viagens de cooperação científica entre Brasil e Alemanha

A Fundação Alemã de Pesquisa Científica (DFG) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) estão recebendo requerimentos de recursos para viagens de cientistas do Brasil e da Alemanha em projetos de cooperação nas seguintes áreas de pesquisa: biotecnologia, nanotecnologia, tecnologia da informação biodiversidade e desenvolvimento sustentável, ciências da saúde, humanas e sociais, bem como engenharia e química.

O programa de fomento baseia-se em acordo bilateral de 6 de dezembro de 2007. Os requerimentos devem cumprir as respectivas diretrizes da DFG e do CNPq. Cientistas do Brasil com parcerias com grupos de pesquisa da Alemanha apresentam seus requerimentos ao CNPq, mencionando seu parceiro de cooperação na Alemanha. Cientistas da Alemanha entregam seus pedidos à DFG.

Somente serão fomentados projetos aprovados tanto pelo CNPq quanto pela DFG. Os custos de viagem e estada serão cobertos pela respectiva instituição fomentadora do país de origem do cientista.

Os requerimentos devem ser entregues até 27 de novembro de 2008.

Mais informações no site do CNPq www.cnpq.br/editais/index.htm (ver Edital N° 61)

Contatos: Carmen Negraes e Bárbara Quaresma Rocha ou pelo telefone (+61) 2108-9444 l

Mais informações no site da DFG:
www.dfg.de/forschungsfoerderung/formulare/download/1_806.pdf

Contatos: Dr. Dietrich Halm, Tel. (+49-228) 885-2490 ou Prof. Dr. Helmut Galle (DFG Brasil) .

Fonte: DAAD

Gestão de bacias hidrográficas

Dificuldades conceituais

A bacia hidrográfica passou a ser adotada como unidade de gestão das águas brasileiras em 1997. Embora a adoção do conceito apresente limitações e inconvenientes que geram divergências, ela representa um avanço para as políticas de aproveitamento de recursos hídricos no país. A conclusão é de uma pesquisa realizada na Escola Politécnica (EP) da Universidade de São Paulo (USP) e publicada na revista Estudos Avançados.

De acordo com um dos autores do artigo, Rubem La Laina Porto, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da EP, uma das principais dificuldades é que os limites administrativos entre municípios, estados e países não coincidem obrigatoriamente com os limites das bacias hidrográficas. Isso pode, segundo ele, criar dificuldades técnicas e legais ao planejamento e à gestão do aproveitamento dos recursos hídricos de uma bacia.

A Lei 9.433, de 1997, segundo Porto, iniciou a implantação da gestão integrada das águas no Brasil, com a descentralização para o nível local. Mas ainda há uma grande dificuldade de efetiva descentralização. A outra autora do artigo é Monica Ferreira Amaral Porto, também professora do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da EP-USP.

“Outro exemplo de dificuldade de adoção do conceito de bacia ocorre no semi-árido brasileiro porque o aproveitamento dos seus recursos hídricos ocorre de forma muito concentrada em torno dos açudes. É possível, entretanto, que essa tendência se altere em razão da realização recente de obras integradoras, como construção de adutoras e transposições de águas”, disse Porto.

O pesquisador salienta que não se encontrou até hoje um recorte territorial que represente uma alternativa melhor à bacia hidrográfica. “Qualquer outro recorte que se adote deixará de considerar as importantes inter-relações do ciclo hidrológico. Essa constatação reforça a importância de ações de articulação, integração e negociação em todo o processo e planejamento e gestão de recursos hídricos”, disse.

O objetivo do trabalho, segundo Porto, foi apresentar o conceito de bacia hidrográfica, o modo como o país se encontra organizado para essa forma de gestão e também discutir os pontos difíceis da gestão integrada e a necessidade de aperfeiçoamento do sistema de decisão.

De acordo com o pesquisador, o termo “bacia hidrográfica” é um conceito objetivo, baseado em elementos topográficos, que faz parte da política brasileira do setor desde 1997. Mas, embora não haja divergências em torno do conceito, pode haver diferentes pontos de vista em relação ao espaço territorial que se deve adotar como unidade de gerenciamento.

“A adoção da bacia hidrográfica como unidade de gestão é coerente porque ela guarda relação física direta com a água. Tudo o que ocorre em uma bacia hidrográfica, em termos de quantidade e qualidade de suas águas, costuma estar altamente inter-relacionado”, afirma.

Segundo ele, os sistemas de gestão de recursos hídricos brasileiros, o federal e os estaduais, adotam conceitos modernos e democráticos como a descentralização do processo decisório e a ampla participação da sociedade.

“A possibilidade de cobrança pelo uso da água, introduzida pela Lei nº 9433, de 1997, é também um instrumento eficiente para a conservação dos recursos hídricos e para o financiamento parcial das necessidades dos sistemas de gestão”, disse. Os resultados obtidos desde a promulgação da lei, segundo ele, foram significativos, mas os resultados obtidos estão muito aquém das necessidades.

“Para melhorar a eficiência do sistema é mais ou menos consenso entre especialistas que alguns aspectos deveriam ser tratados em profundidade. Um deles é a excessiva burocracia do Estado brasileiro, que resulta em baixa eficácia e altos custos de transação do sistema”, afirmou. Outro ponto é o aperfeiçoamento do sistema de comitês de bacia, além de investimentos em capacitação de recursos humanos e desenvolvimento de instituições técnicas.

No caso do Estado de São Paulo, Porto salienta que é “importante rever o funcionamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), importante fonte de financiamento do sistema, para colocá-lo efetivamente a serviço da melhoria do processo decisório”.

Para o professor da EP-USP, a descentralização é uma doutrina pregada por muitos, mas praticada por poucos. Segundo ele, existem setores que julgam que perderão poder com a descentralização do processo decisório e tenderão a reagir contra o conceito.

“Outros fatores entram também em jogo. Os processos de decisão descentralizados tendem a ser mais complexos, mais dispersivos, mais demorados, resultando em maiores custos de transação e não garantindo, a priori, que levarão às melhores decisões. Por outro lado, a descentralização pode conferir mais legitimidade às decisões e maior eficácia na obtenção de resultados, desde que todo o processo seja conduzido de forma competente”, disse.

Apesar desses entraves, o pesquisador aponta que os Comitês de Bacias Hidrográficas representam um enorme avanço em termos conceituais, pois constituem o palco no qual atuam, com poder decisório, diversos segmentos da comunidade. Representatividade e descentralização são os princípios em que se baseiam esses comitês.

“Entretanto, somos obrigados a reconhecer que, com raras exceções, o funcionamento do sistema ainda é pífio. As razões, numerosas e complexas, merecem análises mais abrangentes e profundas. O que deve ser considerado central na área de recursos hídricos é somar avanços, a cada dia, mesmo que sejam pequenos. Acho que isso a sociedade brasileira está conseguindo”, disse.

Para ler o artigo Gestão de bacias hidrográficas, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

R$ 6 bilhões para o MCT em 2009

Ministro da C&T acredita em orçamento de R$ 6 bilhões para 2009

Na tarde de ontem (20), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, durante a abertura oficial da 5ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), o ministro da C&T, Sergio Rezende, se mostrou otimista com relação ao orçamento do MCT para o ano de 2009. “Serão cerca de R$ 6 bilhões para 2009 sendo que, em 2002, foi R$ 1,5 milhão. Portanto, quadruplicou o orçamento em sete anos. Esses recursos serão investidos nas universidades, nos centros de pesquisas e em áreas estratégicas", afirmou Rezende. O orçamento de 2008 ficou em torno de R$ 5,6 bilhões.

O ministro comemorou, durante a solenidade, o número de projetos inscritos nesta 5º edição da semana. Ao todo, são quase 10 mil eventos a serem realizados durante a SNCT em todo o país.

Em sua fala, Rezende afirmou que a Semana Nacional de C&T é importante para aproximar, ainda mais, o sistema de ciência, tecnologia e inovação da população. "A semana representa um espaço privilegiado para divulgar, aprender e debater temas científicos e tecnológicos", disse o ministro.

Na sua opinião, as atividades de divulgação científica, distribuídas por todo país, são um sucesso devido a uma ação conjunta e crescente entre a comunidade científica e educacional, que também contribui para a melhoria do ensino de ciências e matemática.

Já o secretário de C&T para Inclusão Social, Joe Valle, disse acreditar que a "semana é um evento de grande porte e só pode ser comparado à Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), que neste ano teve 18 milhões de inscritos". Valle afirmou que a semana é uma iniciativa onde produtores e consumidores de ciência se encontram.

SNCT
O objetivo da semana para a qual estão programadas quase 10 mil atividades, distribuídas em 371 cidades com a participação de 606 instituições de C&T de todo o país, é popularizar a ciência e a tecnologia. Em sua 5ª edição, a iniciativa traz como tema "Evolução e Diversidade", em comemoração aos 150 anos da teoria da evolução pela seleção natural de Charles Darwin e Alfred Wallace, naturalistas revolucionários que tiveram suas pesquisas influenciadas pela natureza tropical.

Participam da 5ª SNCT instituições de pesquisa e ensino, universidades, centros federais de educação tecnológica (Cefets), secretarias estaduais e municipais de ciência e tecnologia e de educação, órgãos governamentais, museus e centros de ciência, entidades científicas e tecnológicas, organizações não governamentais, empresas, cientistas, professores, técnicos, estudantes, comunicadores da ciência e da tecnologia e pessoas que se interessam pelos assuntos ligados à C&T.

Veja as atividades da semana cadastradas em todo o Brasil por este link.

Prêmio
Durante a abertura, foi entregue pelo ministro da C&T, Sergio Rezende, na presença de secretários do MCT e autoridades do governo, o 6º Prêmio Destaque do Ano de Iniciação Científica do CNPq/ MCT.

O prêmio é um reconhecimento aos trabalhos de destaque entre os bolsistas de iniciação científica do CNPq e às instituições participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) que tiveram relevância para o alcance das metas do programa.

Neste ano, foram enviados trabalhos de 82 instituições, das quais 67% são universidades públicas, 17% universidades privadas e 16% institutos de pesquisa. Receberam o prêmio nove estudantes, na categoria bolsista de iniciação científica. Ao todo, foram avaliados 147 trabalhos, sendo 37 da área de ciências exatas, da terra e das engenharias, 39 de ciências humanas e sociais, letras e artes e 38 de ciências da vida. Os nomes dos estudantes e os trabalhos contemplados na categoria Bolsistas de Iniciação Científica estão disponíveis neste link.

Fonte: Alessandra Braga / Gestão CT