terça-feira, 7 de outubro de 2008

Toxina extraída do veneno da jararaca é capaz de inibir a metástase do melanoma

Câncer envenenado

Cientistas do Laboratório de Genética do Instituto Butantan estão testando os efeitos da jararagina, uma toxina presente no veneno da jararaca (Bothrops jararaca) para tratar o melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele. De acordo com a coordenadora dos estudos, Itamar Romano Garcia Ruiz, os resultados obtidos até agora são promissores.

Segundo ela, a literatura científica internacional indica que toxinas presentes em diversos organismos são eficientes para diminuir a proliferação de células tumorais in vivo e in vitro. Isso levou o grupo, que trabalha com a genética do câncer desde 1996, a investigar os efeitos da toxina da jararaca sobre tecidos cancerosos.

“Estudamos culturas de células de melanoma tratadas com a jararagina, uma das toxinas que compõem o veneno da jararaca. Tivemos uma série de resultados, incluindo uma significativa inibição da proliferação do tumor”, disse Itamar.

A pesquisadora afirma que o grupo está testando os efeitos da toxina na morfologia, adesão, migração e invasão celular. Em todos os casos, segundo ela, os resultados são promissores. O tratamento mostrou uma importante redução das metástases. “No entanto, ainda falta um longo caminho para que essas pesquisas resultem efetivamente em uma alternativa para o tratamento da doença”, afirmou.

O trabalho é feito em parceria com a Divisão de Ciências Fisiológicas e Químicas, que extrai a jararagina do veneno das serpentes do Instituto Butantan. “O veneno das serpentes é uma sopa de vários tipos de substâncias que produz um efeito anestésico e degrada os tecidos. A jararagina é uma proteína que faz parte dessa sopa”, explicou Itamar.

O veneno dos animais, em especial as cobras e os anfíbios, serve como proteção ou arma natural, instalada durante a evolução. “Cada um tem seu mecanismo. No caso das cobras o veneno é importante, já que elas não têm braços para agarrar as presas. As substâncias presentes ali anestesiam e paralisam a presa. Procuramos aproveitar a riqueza desse composto de substâncias”, disse.

Um metal posicionado em determinado local de sua estrutura dá à jararagina a capacidade de degradar outras proteínas. “O que possibilita o uso contra o câncer é que essa proteína tem a capacidade de reconhecer uma parte da membrana da célula tumoral, ligando-se a ela e impedindo sua evasão, bloqueando a metástase. A literatura científica mostrava que o nível de metástase diminuía com o uso do veneno. Nós começamos a usar apenas essa componente do veneno para aumentar a eficiência dessa propriedade”, disse.

Biomarcadores e clonagem
Além de estudar as culturas de células tumorais do melanoma, o grupo realiza uma série de pesquisas sobre a estrutura do DNA e a expressão gênica desses tumores. “Outra linha que estamos começando envolve a clonagem e o seqüenciamento do gene que codifica a jararagina, com a finalidade de obter uma ferramenta que, no futuro, seja útil para combater o melanoma”, explicou Itamar.

No laboratório, os estudos sobre o câncer tiveram início em 1996, segundo a pesquisadora, sempre com o apoio da FAPESP. Na linha que trata da regulação gênica e da estrutura do DNA, os estudos são feitos em colaboração com o Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

“Eles nos forneceram os tumores dos pacientes, que usamos para analisar o DNA, comparando-o com o próprio tecido saudável ou com o sangue do paciente. Com isso, temos estudado o RNA-repetitivo para tentar desenvolver biomarcadores que nos permitam mostrar se as intervenções cirúrgicas foram suficientes. Além da utilidade imediata para os médicos, esse tipo de estudo nos dá novas informações sobre como se desencadeiam e progridem os processos tumorais”, afirmou.

Quando um paciente com um tumor é submetido a cirurgia, uma margem de tecido saudável é extraída, para evitar que o câncer retorne. “Quando a pele é costurada, uma pequena parte que fica saliente é extraída, servindo como controle para estudo do tecido perto do próprio tumor. O mesmo é feito com o sangue – estudamos os leucócitos, que têm DNA. Com isso, estudamos a estrutura do DNA tumoral, tentando correlacionar a gravidade do tumor com as alterações observadas”, contou.

A outra linha de estudos do laboratório é voltada para a investigação dos genes que codificam toxinas como a jararagina e a botropsina. “O DNA é formado por partes codificadoras, conhecidas como éxons, e partes intermediárias, ou íntrons. Estamos estudando a estrutura total, considerando éxons e íntrons. Para isso temos que clonar e seqüenciar esses genes, o que fazemos em colaboração com a área de biotecnologia”, disse Itamar.

Até há pouco tempo os íntrons eram conhecidos como “DNA-lixo”, mas hoje, de acordo com a pesquisadora, sabe-se que 80% deles codificam o RNA e estão ligados à regulação dos genes.

A parte molecular dos estudos sobre os efeitos da jararagina em cultura de células de melanoma deverá ser concluída até o fim do ano. A clonagem da jararagina começou a ser feita este ano, pela mestranda Alessandra Finardi de Souza.

“O seqüenciamento já está bastante adiantado. O objetivo da clonagem é usar o domínio interessante da toxina para combater a célula tumoral. Em vez de fazer todo o processo bioquímico de extração da proteína, separando a jararagina de todas as outras componentes do veneno, teremos o gene clonado e poderemos expressar e produzir só o que nos interessa para agir sobre a célula tumoral”, explicou.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Certificação de conformidade das usinas produtoras etanol tem início em São Paulo

Certificação de Etanol - Inmetro já inicia testes para certificação de conformidade da produção de usinas; três usinas serão escolhidas para piloto

Começam neste mês de outubro os testes de campo do Programa de Avaliação de Conformidade para Etanol Combustível. O programa visa a superar barreiras não tarifárias que podem vir a ser criadas para o etanol brasileiro no comércio exterior e está a cargo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). De acordo com o diretor de qualidade do Inmetro, as usinas que participarão dos primeiros testes estão sendo escolhidas pelo instituto com o apoio da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa parte do setor produtivo nas discussões em torno do programa. Alfredo Lobo informa que serão selecionadas uma usina de São Paulo, uma nordestina e outra do Centro-Oeste. A certificação é voluntária.

O documento-base contendo a proposta inicial do governo para a avaliação de conformidade para etanol ficou em consulta pública por 20 dias no site do Inmetro. Apesar de o prazo ter se encerrado em 28 de agosto, a instituição ainda está recebendo sugestões de aperfeiçoamento do documento, que será usado nos testes com a produção das três usinas. As diretrizes do documento resultaram das discussões realizadas em reuniões e dois painéis de debate, para os quais o Inmetro convidou representantes dos setores acadêmico, empresarial e do governo. Mais de 200 pessoas participaram apenas dos painéis, destaca Lobo.

"A idéia é fazer, até dezembro, duas ou três certificações-piloto para aprofundar a análise e verificar o nível de rigor dos requisitos", diz ele a respeito dos testes. Em novembro e dezembro, o Inmetro espera fechar os critérios para certificação e enviar uma proposta de regulamento de avaliação para o MDIC discutir com os ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e do Trabalho, também envolvidos no assunto da certificação do etanol. A decisão de implementar a certificação ficará a cargo dos ministérios.

O que será avaliado para a usina obter o selo do programa
O programa de avaliação visa a determinar critérios sócio-ambientais para concessão de um certificado que terá um selo de identificação da conformidade. Esse selo, na prática, atestará para os compradores de etanol que toda a cadeia produtiva de uma usina segue boas práticas de produção e cumpre os requisitos definidos pela regulamentação do programa no que se refere aos aspectos sócio-ambientais, com destaque para a redução na emissão de gases de efeito estufa. Com a certificação, o Brasil pretende mostrar para os compradores internacionais que o etanol produzido aqui é sustentável do ponto de vista ambiental, responsável do ponto de vista social e contribuidor do esforço para a redução de emissões de carbono.

A primeira parte do programa refere-se à composição e à qualidade do etanol. As diretrizes propostas na atual regulamentação seguem os padrões técnicos já definidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para biocombustíveis. No Anexo B da proposta de regulamentação da avaliação de conformidade do Inmetro estão definidas as especificações da ANP a ser consideradas, como aspecto, cor, acidez total, teor alcoólico, quantidade máxima permitida de ferro, sódio e cobre, e métodos de ensaio para determinar as quantidades.

"O ideal nesse caso é existir uma norma internacional. Estamos conversando com a ISO para chegarmos a ela", revela. ISO é a sigla em inglês para a Organização Internacional de Normalização (International Organization for Standardization), com sede em Genebra, Suíça, entidade composta por vários países e que trata das questões de normas e certificação para o mercado internacional.

Impacto sócio ambiental
A segunda parte do programa trata da avaliação do impacto sócio-ambiental do processo produtivo. Este será analisado como um todo: do plantio da cana-de-açúcar até a saída do etanol da usina. No Anexo A constam os princípios, critérios e indicadores que servirão para avaliar se uma usina pode receber o selo de identificação de conformidade. O primeiro princípio refere-se à racionalidade no uso dos recursos naturais. Entre os pontos a ser analisados pelos auditores no processo de certificação estão o atendimento ao zoneamento agroecológico, quando este existir; a atualização da licença ambiental, que deve ser renovada de três em três anos; a adoção de práticas que minimizem ou promovam a reutilização de recursos hídricos; a existência de evidências de aumento de mecanização; a utilização ou não da biomassa para geração de energia elétrica; entre outros.

O segundo princípio trata da proteção, recuperação e conservação da biodiversidade. Os auditores vão observar se a usina mantém unidades de conservação na área de influência de plantio e se respeita áreas de reserva legal e de preservação permanente, por exemplo. O terceiro princípio diz respeito às águas, ao solo e ao ar, com destaque para a redução da queima da palha da cana; a implementação de políticas de redução, tratamento ou reaproveitamento ambientalmente adequado de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos; o manejo integrado de pragas e doenças; as boas práticas de uso de defensivos agrícolas e fertilizantes.

O quarto princípio enumera o que seriam as boas práticas em relação a questões trabalhistas, previdenciárias, de saúde e segurança do trabalhador. Serão indicadores para esse princípio a observação de critérios de segurança e saúde no transporte, preparação, manuseio de agrotóxicos, maturadores e outros insumos; o uso de equipamentos de proteção individual, fornecidos gratuitamente aos trabalhadores e em bom estado de conservação; a existência de alojamento para os trabalhadores sazonais migrantes; a existência de programas de treinamento e aprimoramento da mão-de-obra, com o objetivo de diminuir o número de acidentes de trabalho; o respeito aos limites legais de jornada de trabalho e períodos de descanso; entre outros aspectos.

Análise da emissão de gases estufa ainda demora
Um terceiro ponto do programa de avaliação da conformidade para o etanol é a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEEs). No primeiro princípio do Anexo A, que trata da racionalidade no uso dos recursos naturais em busca da sustentabilidade, exige-se que as usinas certificadas tenham adotado ações para minimizar a emissão dos GEEs. Essa parte precisa ainda de mais trabalho, diz Lobo, para chegar à metodologia de cálculo. A usina, nesse caso, vai autodeclarar seu fator de redução em comparação a um combustível fóssil — no caso, gasolina. A falta de metodologia para aferir a redução traz a necessidade de mais profissionais capacitados para checar o balanço de GEEs apresentado. Por isso, na fase-piloto, as empresas não estão obrigadas a entregar esse documento. Passarão a estar seis meses depois da definição da metodologia e da formação de uma massa crítica de especialistas qualificados.

Há, ainda, uma série de requisitos mínimos, já especificados em outras certificações ISO, que devem ser cumpridos pela usina para que ela passe pelo processo de certificação. São normas constantes da ISO 9.001, que trata da gestão da qualidade, da ISO 14.001, que trata da gestão ambiental, e da ISO 16.001, que traz os critérios para certificação em relação à gestão de responsabilidade social. O documento do Inmetro não trata do uso do solo, ou seja, da substituição de uma cultura alimentar ou da pecuária pela cana-de-açúcar como um requisito a ser avaliado na obtenção da certificação. No entanto, uma das preocupações internacionais no que se refere à produção de etanol é justamente a hipótese de o cultivo da cana deslocar a produção de outras culturas ou a atividade de pecuária para a região Amazônica.

Como vai funcionar o programa de certificação
O processo de avaliação da conformidade começa com a declaração da usina quanto ao fator de redução de GEE. É a primeira etapa. A autodeclaração, no futuro, será validada pelo Inmetro, por meio de especialistas. Na etapa seguinte, a usina deve solicitar o início do processo, enviando documentos que comprovem a propriedade das terras e da usina, o atendimento às leis que regulamentam a produção de cana e etanol, uma avaliação sobre os fornecedores de cana, caso a usina adquira matéria-prima de terceiros, entre outros.

Após a análise da solicitação e da documentação, será feita uma auditoria inicial por uma entidade chamada no documento de organismo de certificação de produto (OCP). Trata-se de organização certificadora acreditada pelo Inmetro. Já existem cinco organizações em busca de homologação pelo instituto. Nessa etapa, o certificador vai dizer o que precisa ser melhorado e o que já está de acordo com o programa de avaliação de conformidade. A seguir, serão definidos os ensaios a ser realizados com amostra do produto, e os laboratórios que os conduzirão.

Se todos os resultados obtidos estiverem dentro dos critérios estabelecidos no programa de avaliação, o atestado de conformidade será emitido. Para que a usina continue com o selo, a empresa certificadora acreditada pelo Inmetro fará auditorias de manutenção e repetirá os ensaios anualmente.

Fonte: Janaína Simões / Unicamp

Em 6 de outubro de 1887 nascia o arquiteto Le Corbusier

Em 6 de outubro de 1887 nascia Charles-Édouard Jeanneret, mais conhecido como Le Corbusier, cuja obra revolucionou a arquitetura do século 20.


Nascido em La Chaux-de-Fonds, nos Alpes da Suíça francesa, Le Corbusier foi, juntamente com Walter Gropius e Mies van der Rohe, um dos principais precursores da Arquitetura Moderna. Sua obra foi essencial para a formação do modernismo brasileiro.

Se foi o alemão Mies van der Rohe quem deu forma à arquitetura racionalista difundida em países do Norte, como os Estados Unidos, Reino Unido e Japão, foi a obra de Le Corbusier que resgatou a herança greco-romana e um certo tempero do Oriente para a arquitetura dos países do Sul. Para ele, a arquitetura nos Alpes suíços, nas montanhas do Rio e nas ruas de Paris deveria ser semelhante àquela das costas do Mediterrâneo.

Homem de letras
Le Corbusier incorporou o que Marx chamou de o "homem renascentista do futuro". Foi pintor, arquiteto, designer e, como escritor, publicou mais de 50 livros em 60 anos de trabalho. Não foi à toa que, ao ser perguntado pela profissão, na ocasião de sua naturalização como cidadão francês, por volta de 1930, Le Corbusier respondeu: "Letrado".

Após uma série de viagens pela Europa e Turquia e após estágios nos escritórios de Auguste Perret, em Paris, e Peter Behrens, em Berlim, Charles-Édouard Jeanneret deixou finalmente sua cidade natal para viver em Paris em janeiro de 1917.

Através de publicações como a revista L'Esprit Nouveau (O Espírito Novo) e o livro Por uma Arquitetura, editados no início dos anos de 1920, Le Corbusier defende o purismo na arquitetura e lança as bases de um modernismo racionalista.

Seus estudos para estruturas independentes de pilares e lajes o levam a formular, no final dos anos de 1920, aquilo que se poderia chamar a lei fundamental do Modernismo: os "cinco pontos da arquitetura".

Tais pontos foram materializados em projetos como a Villa Savoye, nos arredores de Paris, com seus pilotis, sua planta e fachada livres, seu teto-jardim e suas janelas corridas horizontais.

Tropicalismo
A viagem à América do Sul em 1929 foi essencial para a correção que se nota em seu racionalismo, a partir de 1930. Le Corbusier entregou-se não somente aos braços de Josephine Baker, com quem viajou no mesmo navio, mas deixou-se inebriar pelas montanhas do Rio e pelo curso sinuoso dos rios que viu, ao inaugurar a primeira linha de aviação comercial aérea, em viagem de Assunção para São Paulo pilotada pelo autor Saint-Éxupery.

Diferentemente do plano urbanístico que fez para Buenos Aires, Montevidéu e São Paulo, o desenho sinuoso dos prédios projetados para o Rio de Janeiro marca o início da segunda fase de Le Corbusier. Chamada de maneirista pelo crítico americano Charles Jencks, esta fase vem a influenciar de forma decisiva a opção modernista dos brasileiros de resgatar o passado colonial e mediterrâneo.

Le Corbusier voltaria poucos anos mais tarde ao Brasil para dirigir o projeto da sede do Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, em 1936. Entre os arquitetos que trabalhavam com Le Corbusier no primeiro arranha-céu modernista da história estavam Lúcio Costa, Afonso Eduardo Reidy e Oscar Niemeyer.

Curvas barrocas
Se a presença de Le Corbusier foi essencial para o desenvolvimento do mais importante movimento da arquitetura brasileira, a obra do pupilo Niemeyer o influencia em sua última fase, que Charles Jencks denomina de "barroca".

Tal influência se comprova no concreto das curvas da capela de Capela de Notre-Dame-du-Haut, em Ronchamp, ou nos projetos para a cidade indiana de Chandigarh.

A personalidade de Le Corbusier nem sempre foi, no entanto, das mais fáceis. Sua colaboração com o governo de Vichy durante a ocupação nazista na França e seu comportamento quanto ao projeto das Nações Unidas são exemplos do egoísmo e da ambição do mestre franco-suíço.

A arte da arquitetura
Le Corbusier tentou impedir que Niemeyer apresentasse seu projeto vencedor para a sede da ONU, já que não queria modificações em sua proposta original. Outros incidentes similares são também citados por Charles Jencks na monografia que escreveu sobre Le Corbusier.

Entretanto, nem Niemeyer nem Jencks deixam de reconhecer a genialidade de Le Corbusier, que sempre tentou dar um tom humano à sociedade industrial, aceitando a intelectualidade e o lirismo da arte e a arquitetura como parte dela.

Fonte: Carlos Albuquerque /DW-WORLD

Supercomputador do INPE será adquirido através de concorrência internacional

Propostas para supercomputador
O novo sistema de supercomputação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) será adquirido por meio de concorrência internacional, de acordo com as normas descritas no edital que acaba de ser publicado no site da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate).

O prazo para o envio das propostas é 13 de novembro. A licitação tem por objeto a contratação de empresa para o fornecimento de um sistema composto de supercomputador, rede de comunicações de propósito geral e sistema de armazenamento para o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) do Inpe, incluindo sua instalação, treinamento de pessoal e documentação.

O sistema, lançado em julho, é financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e pela FAPESP, que investirão R$ 35 milhões e R$ 15 milhões no projeto, respectivamente. A Funcate é responsável pela administração do projeto de aquisição do sistema.

A expectativa é que o aporte conjunto de recursos do MCT e da FAPESP permita que o Brasil abrigue um dos seis maiores centros mundiais de previsão numérica de tempo e clima e de modelagem de mudanças climáticas globais.

O novo sistema de supercomputação será utilizado nas atividades do Inpe em previsão de tempo, clima e mudanças globais. Será usado também por pesquisadores da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas do MCT e do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

A capacidade de processamento do novo supercomputador será 50 vezes maior do que o Inpe dispõe hoje, o que permitirá a elaboração de cenários de mudanças climáticas globais de alta resolução espacial para os próximos séculos e projeções sobre extremos climáticos para a América do Sul.

O novo sistema, que será instalado em Cachoeira Paulista (SP), será compartilhado ainda entre o Cptec e o novo Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe, que se encarregará das pesquisas sobre mudanças climáticas, gerando cenários futuros para apoiar estudos de impactos e vulnerabilidade e subsidiando a elaboração de políticas públicas sobre adaptação e mitigação.

Mais informações sobre o edital:
www.funcate.org.br:8080/Funcate/licitacao.htm

Fonte: Agência FAPESP

Fernando Galembeck, da Unicamp, explica descoberta que dá base a duas patentes

Entrevista: Fernando Galembeck - Professor do Instituto de Química da Unicamp vê ponto de vista da empresa como enriquecedor para pesquisador na universidade

"Vou lhe contar um segredo: não tenho diploma de doutor." A revelação, feita com um sorriso no canto da boca, surpreende por vir do professor da Unicamp Fernando Galembeck, um dos principais pesquisadores brasileiros em química. Mas ele logo se explica: "Fiz o doutorado na época em que essa ainda era uma atividade interna das universidades. Por isso, só tenho um papelzinho da USP [Universidade de São Paulo] dizendo que sou doutor".

Foi justamente quando se preparava para conseguir esse papelzinho, recebido em 1970, que Galembeck teve a oportunidade de conviver com o polonês Pawel Krumholz — que fora assistente do químico austríaco Fritz Feigl, famoso por ter criado a técnica de "análise de toque". Essa convivência ajudou a traçar o caminho que o jovem pesquisador, então com menos de 30 anos, percorreria em sua vida acadêmica. "Na cabeça do Krumholz, não fazia sentido separar pesquisa e indústria", lembra.

Antes de chegar ao Instituto de Química (IQ) da Unicamp, em 1980, Galembeck fez pós-doutorado nas Universidades da Califórnia e do Colorado, nos Estados Unidos, lecionou na USP e também na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Hoje, é um entusiasta pelas parcerias entre academia e setor produtivo."É importante trabalhar com empresas porque elas têm informações que não temos, percebem coisas que nós não percebemos", explica.

Galembeck desenvolveu projetos com empresas de todos os portes desde que entrou na Unicamp. Um deles, com a multinacional Bunge, durou nove anos e resultou no Biphor, pigmento branco para tintas à base de água que incorpora nanotecnologia. Apesar de ter sido lançado em 2005, o Biphor ainda não começou a ser comercializado. "A volatilidade do mercado de commodities criou uma incerteza muito grande para o produto", justifica o pesquisador, referindo-se à alta do preço do fosfato de alumínio, matéria-prima do pigmento.

Em 2009, contudo, a pequena empresa paulistana Orbys deve dar início à produção industrial do Imbrik, nanocompósito de borracha natural e argila desenvolvido a partir de uma patente de Galembeck. Em seus 28 anos de Unicamp, o professor soma 18 patentes depositadas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Segundo a Agência de Inovação Inova Unicamp, essas patentes repercutiram em mais de 40 depósitos, quando incluídas suas versões internacionais.

Dia 10 de setembro, Galembeck recebeu Inovação em sua sala no IQ para a seguinte entrevista:

Além de estar entre os pesquisadores da Unicamp que mais depositam patentes, o senhor é conhecido por trabalhar constantemente em parceria com empresas. O que o levou a se aproximar do setor produtivo?
O trabalho com empresas começou há muito tempo. Um dos motivos que me fizeram seguir esse caminho foi o convívio com meu orientador de tese na USP, Pawel Krumholz, polonês que havia sido assistente do Fritz Feigl em Viena e veio parar no Brasil fugido da II Guerra [Feigl é tido como um dos maiores químicos analíticos do século XX; austríaco, viveu no Rio de Janeiro de 1940 até sua morte, em 1971. Nota do E.]. Como era estrangeiro, Krumholz teve dificuldade para conseguir emprego em universidades e foi trabalhar na indústria. Ele só entrou na USP quando o governo federal desapropriou a Orquima, em 1965 [criada em 1942, a Orquima – Indústrias Químicas Reunidas S/A possuía uma unidade no bairro Brooklin Paulista, em São Paulo, na qual beneficiava areias monazíticas para obtenção de urânio. Nota do E.]. Na cabeça dele, não fazia sentido separar pesquisa e indústria. Também foi importante o serviço que a USP me passou quando voltei do pós-doutorado nos Estados Unidos: montar um laboratório de química coloidal na universidade, com patrocínio da Unilever. Trabalhei nisso durante algum tempo e depois fui para Inglaterra e Holanda. Lá, vi que as pessoas da universidade e as da indústria sempre discutiam coisas e faziam projetos em conjunto. O terceiro ponto importante foi a parceria com a Pirelli, iniciada quando eu já estava aqui na Unicamp. Trabalhei com a empresa durante vários anos — de 1984, 1985 a 1991 — e tenho artigos publicados em revistas científicas com gente de lá. Um dos projetos feitos com a Pirelli gerou um produto importante: um cabo de alta tensão que foi usado no Eurotúnel. O último projeto, em 1991, foi sobre cabos para risers de produção de petróleo em grande profundidade. Naquela época, grande profundidade queria dizer mil metros.

O senhor disse que a parceria com a Orbys foi importante, do ponto de vista científico, porque levou à descoberta de que o Imbrik é estabilizado por adesão eletrostática. Como funciona essa adesão?
As partículas de borracha natural e de argila do Imbrik têm superfície negativa. Por isso, as pessoas costumam pensar que elas se repelem. Mas essas partículas estão em um líquido que também contém íons de carga positiva — eles precisam estar lá, sempre. Quando o líquido seca, forma-se um "sanduíche": partículas negativas de borracha natural, íons positivos e partículas negativas de argila. Esta é a adesão eletrostática: o "mais" atrai os dois "menos". Descobrir que o Imbrik estabiliza-se dessa forma foi interessante porque mostrou que nem sempre a teoria e a ciência básica vêm antes da aplicação, como se costuma pensar. A borracha vulcanizada foi feita quando ninguém tinha a menor idéia a respeito da ciência da vulcanização, e há muitos outros exemplos semelhantes.

A existência da adesão eletrostática ainda não havia sido constatada?
A adesão eletrostática era até um pouco desmoralizada na literatura. Apesar de ter sido bastante discutida no passado, ainda não havia evidências claras de que ela acontecia. As pessoas observavam alguns efeitos, mas os atribuíam a outros tipos de interações — não às interações entre íons. Se cortarmos um polímero contendo partículas de sílica, por exemplo, em filmes bem finos, veremos como essas interações são fortes. Nos filmes, a estrutura do polímero será semelhante à de uma espuma, com vazios e paredes, só que em duas dimensões. Embora os dois materiais não se misturem facilmente, a presença de uma partícula de sílica não fará nem as paredes mais esticadas do polímero arrebentar.

Uma das duas patentes derivadas do projeto do Imbrik que a Unicamp depositou em agosto deste ano diz respeito à produção de laminados de nanocompósitos. Para que serviriam esses laminados?
Vou dar um exemplo dramático: blindagem contra projéteis. As blindagens, como os pára-choques de automóvel e outros objetos que precisam resistir a impactos, são feitas, em geral, de camadas alternadas de materiais moles e duros. O problema é que esses materiais não costumar ser bem compatíveis. Já com um laminado de um nanocompósito como o Imbrik, é possível alternar camadas sem nenhum problema. Por uma razão muito simples: a matriz é a mesma — a borracha. A adesão entre o material rígido e o material mole é perfeita.

E qual seria a utilidade da outra patente?
A outra patente trata da obtenção de nanocompósitos de termoplásticos [plásticos que se tornam maleáveis quando aquecidos. Nota do E.], como polietileno, polipropileno, poliéster. É uma aplicação da idéia da adesão eletrostática, mas não em borracha, como no Imbrik.
O senhor participa do desenvolvimento de produtos baseados no Imbrik?
Não. Há etapas bem diferentes no processo de inovação. Em algumas, o papel da universidade é muito importante. Em outras, a universidade não dá grande contribuição. Posso até brincar de fazer uma bolinha de tênis, mas não tenho a competência necessária para isso [a bolinha de tênis deverá ser o primeiro produto baseado no Imbrik a chegar ao mercado. Nota do E.].

Que outros assuntos o senhor pesquisa em seu laboratório na Unicamp?
Temos uma linha de trabalho que ainda não deu nenhum resultado prático, mas que acho extremamente interessante: a de eletrostática de materiais. Você já levou choque ao vestir uma roupa no frio, descer do carro ou encostar em alguma coisa? Tudo isso é eletrostática — e isso mata pessoas, provoca ignição espontânea de combustível em postos de gasolina, explode fábricas. Começamos a estudar esse problema, que é antigo, há sete ou oito anos. Nossa primeira surpresa foi encontrar manchas em mapas elétricos de sólidos isolantes — aqueles que não são metais nem semicondutores. Para 99% dos alunos e professores de física, química ou engenharia, a superfície desses sólidos é neutra. Mas os mapas mostraram que há regiões escuras, que são negativas, e regiões claras, que são positivas. Essa descoberta nos permitiu entender a distribuição de cargas em materiais como o poliestireno, um látex usado na fabricação de tintas. As partículas de poliestireno são negativas no centro, devido à presença de grupos sulfato, e positivas na borda, onde há íons potássio. Para outros materiais, como papel e polietileno, tivemos de adotar um modelo baseado em trocas de moléculas de água e íons com a atmosfera. Publicamos o primeiro artigo sobre esse modelo em 2005. O segundo artigo saiu no começo deste ano e o terceiro acabou de ser aceito, depois de uma batalha que durou meses.

Como funciona esse modelo?
O que o modelo tem de novo é o fato de considerar o papel da água presente na atmosfera. Sobre todas as superfícies existe uma camada de água imperceptível à visão e ao tato, na qual se formam íons com carga positiva ou negativa. Os choques são provocados pela carga desses íons. O objetivo do nosso trabalho é, de um lado, conseguir melhores condições de segurança pessoal e industrial; de outro, conhecer os fenômenos para poder aplicá-los em dispositivos, máquinas e materiais que hoje não sabemos como fazer. Se entendermos como as coisas acontecem, acho que conseguiremos fazer muitas patentes.

O senhor poderia citar uma possível aplicação dessa linha de pesquisa?
Uma bem delirante? Captar eletricidade da atmosfera. Já existem tênis, saltos de sapato e até sutiãs femininos que captam a energia do movimento da pessoa e a transformam em energia elétrica — segundo os relatos que ouvi, dá para manter o celular carregado. Essa aplicação não tem nada a ver com o que pesquisamos, mas mostra a possibilidade que existe: se hoje se consegue gerar energia elétrica a partir do movimento de uma pessoa, provavelmente conseguiremos aproveitar a energia elétrica da atmosfera. Para isso, precisamos ter controle. Com metais, nós temos: ligamos na tomada, há passagem de corrente elétrica, o motor gira, a lâmpada acende. Com isolantes, ainda não.

Fonte: Rachel Bueno / Inovação Unicamp

Brasil conquista a Olimpíada Ibero-Americana de Física

A equipe brasileira foi a campeã na 13ª Olimpíada Ibero-Americana de Física, realizada em Morélia, no México, de 28 de setembro a 3 de outubro.

Além de ganhar três medalhas de ouro e uma de prata, a equipe obteve a melhor nota nas provas experimental e teórica e a primeira posição na classificação geral. É a primeira vez que o Brasil ganha três medalhas de ouro. Este ano a Olimpíada Ibero-Americana contou com a participação de 68 estudantes do ensino médio de 19 países.

Os contemplados com medalha de ouro foram os cearenses Mariana Quezado Costa Lima e George Gondim Ribeiro e o paulista Leonardo Mendes Valerio Almeida. Já a prata ficou com Deric de Albuquerque Simão, também do Ceará.

Mariana foi a primeira mulher a ganhar ouro e a maior nota geral em todas as 13 edições do evento. George, por sua vez, se destacou na prova experimental. Os cearenses residem em Fortaleza e Almeida mora em Santos.

Segundo o professor Carlito Lariucci, do Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás, que acompanhou os alunos na competição, esse resultado é fruto do trabalho que a Sociedade Brasileira de Física (SBF) vem realizando por meio da Olimpíada Brasileira de Física (OBF).

Nesse evento anual são selecionados os alunos que representam o país nas competições internacionais de física. Os quatro estudantes que participaram da 13ª Olimpíada Ibero-Americana de Física foram selecionados na OBF de 2006.

“Desde então, eles receberam treinamento de seus professores, dos coordenadores estaduais da OBF, além de terem feito diversas provas seletivas”, conta Lariucci. Antes da viagem ao México eles ainda passaram por um treinamento intensivo no Instituto de Física da Universidade de São Paulo em São Carlos, sob a coordenação do professor Euclides Marega Jr.

O desempenho dos estudantes brasileiros melhora a cada ano. Em 2007, a equipe brasileira ficou com a segunda colocação na Ibero-Americana e levou medalha de bronze na Olimpíada Internacional. Este ano, além de vencer a Ibero-Americana, ganhou pela primeira vez uma medalha de prata na Internacional.

Fonte: Agência FAPESP

El Estado Mundial de la Agricultura y La Alimentación 2008 - SOFA 2008

En su nueva edición del informe anual El Estado de la Agricultura y la Alimentación 2008 (SOFA 2008), la FAO hace un llamado a revisar las políticas y subsidios a los biocombustibles. Según el informe, las oportunidades y riesgos relacionados a los biocombustibles dependen de las políticas adoptadas.

Las políticas actuales tienden a favorecer a los productores de algunos países desarrollados, por sobre aquellos que operan en la mayor parte de los países en desarrollo. El desafío es reducir y gestionar los riesgos, además de compartir las oportunidades y beneficios de una manera más amplia.

Qué: Lanzamiento del SOFA 2008
Cuándo y donde: 7 de octubre, a las 10h en Roma, Italia.
Quién: Director General de la FAO, Jacques Diouf, y el Director General Adjunto del Departamento de Desarrollo Económico y Social, Hafez Ghanem.
Transmisión en directo via webcasting desde la dirección Web:
www.fao.org/webcast/

Contacto: Oficina Regional de la FAO para América Latina y el Caribe: (+562) 923 2176 - e-mail

Indústrias Romi ampliam investimentos em P&D

Indústrias Romi internacionalizam engenharia de produto com instalação de centro tecnológico em fábricas compradas na Itália

Com R$ 26,3 milhões aplicados em pesquisa e desenvolvimento em 2007 — quase 25% a mais em relação ao investimento de 2006 —, as Indústrias Romi agora iniciam a internacionalização dessas atividades, com a conclusão da operação de compra da empresa Sandretto Industrie, tradicional fabricante italiana de injetoras de plástico. Essa aquisição é mais do que a compra de duas fábricas da empresa na Itália, na região de Turim, de quatro subsidiárias comerciais e de centros de serviço e escritórios de venda espalhados pela Europa: a Romi vai montar um centro tecnológico na Itália, onde irá desenvolver novos produtos em injetoras de plástico — para começar. Segundo cálculos da Romi, 45% dos produtos que estavam no portfolio da empresa em 2007 foram desenvolvidos entre 2005 e o ano passado.

Fundada em 1930 por Américo Emílio Romi, a empresa brasileira pertence ao setor de máquinas e equipamentos. Produz as chamadas máquinas-ferramenta, categoria em que estão as máquinas que produzem peças de diversos tamanhos e materiais, como os tornos e centros de usinagem. As máquinas-ferramenta da Romi produzem caixas de câmbio, engrenagens de câmbio, juntas homocinéticas, compressores automotivos e polias de transmissão.

A Romi produz também máquinas injetoras de plástico — como as fabricadas pela Sandretto —, usadas para montagem de pára-lamas de motocicletas, lanternas automotivas, corpos de celulares, cadeiras e utilidades domésticas. Fabrica sopradoras de plástico, utilizadas na produção de embalagens plásticas para líquidos; um sistema patenteado de usinagem de furos de alta precisão — o Romicron —, que permite acertar a ferramenta de um torno ou centro de usinagem em ajuste mínimo de 0,5 mícron; e peças de ferro fundido e usinadas. A Romi vai investir R$ 230 milhões até 2011 para expandir a produção dessas peças.

A companhia, maior fabricante de máquinas-ferramenta do Brasil, vende seus produtos para empresas de vários setores, como o automobilístico, o de energia e o de infra-estrutura. No ano passado, exportou 13% de sua produção, para 32 países. O volume de vendas externas, 41,7% maior do que o de 2006, gerou US$ 42,8 milhões de faturamento — 50,9% vindos dos Estados Unidos. A Romi abriu seu capital em março deste ano, ao entrar na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Novo centro de desenvolvimento na Europa
Os detalhes dos planos para o novo centro de pesquisa e desenvolvimento na Europa ainda não são revelados pela empresa, que finalizou a compra da Sandretto em meados de julho. Mas José Carlos Romi, diretor de tecnologia da empresa de seu avô, conta que cinco funcionários do Brasil estão trabalhando na reestruturação da agora subsidiária da Romi na Itália. Um desses empregados é do chamado grupo de engenharia, responsável pelo desenvolvimento.

Por enquanto, conta José Carlos, a equipe na Itália é pequena: seis pessoas ao todo, três delas mais experientes. "Vamos aumentar a equipe. Os profissionais que estão indo do Brasil vão liderar projetos. A idéia é contratar lá as pessoas", diz. Ele não revela quantos mais serão contratados nem o valor de investimento na montagem do centro. Isso está em estudo. "A área forte de engenharia [na Itália] está entre Veneza e Milão. Também nessa área temos muitos fornecedores de componentes que participam do desenvolvimento de produtos", acrescenta.

Em inovação, o forte da Romi são as atividade de engenharia e desenvolvimento tecnológico. Estas últimas não estão concentradas em um único prédio, mas espalhadas pelos vários galpões da empresa em Santa Bárbara (SP), ao lado das linhas de produção de cada segmento. A origem das inovações da Romi são os clientes, explica o diretor. "Não estamos lançando tendência de mercado em tudo que fazemos. Nenhuma empresa no setor de máquinas faz isso. O que elas desenvolvem depende do mercado em que atuam: quanto mais desenvolvido, mais a empresa estará na frente", comenta.

O maior mercado para a Romi é o Brasil. Aqui, a demanda por inovação é ainda menor e menos sofisticada, apesar de esse perfil estar se alterando nos últimos anos, segundo José Carlos. Nos produtos destinados também à exportação, a empresa procura seguir as tendências internacionais para ser competitiva no mercado externo. Se, por um lado, o real valorizado prejudicava as exportações, por outro, ao facilitar as importações, forçava os clientes da Romi a competir duramente no mercado interno: "o cliente vai atrás da inovação para ganhar produtividade", destaca. Agora, a situação vai mudar, de acordo com a profundidade da crise de crédito, ainda em avaliação.

A engenharia de produto da Romi
Segundo André Luís Romi, gerente de relações institucionais da empresa, entre os 202 funcionários da área de engenharia, 141 trabalham na engenharia de desenvolvimento de produto. Outro grupo de engenheiros atua em engenharia de fábrica, um terceiro grupo atua em controle de qualidade e venda. Os 141 funcionários da área que a Romi chama de engenharia de produto estão vinculados à Diretoria de Tecnologia e representam 4,9% dos recursos humanos da empresa.

Os engenheiros de produto são divididos de acordo com a linha de produção. Cada grupo está instalado no respectivo galpão onde se fabrica o produto do qual ele é responsável. Há uma equipe que atua na engenharia eletrônica, outra que desenvolve tecnologia para chaparia — materiais e fôrmas que envolvem e cobrem as máquinas — e outra em injetoras para plástico. Por fim, a unidade de painéis elétricos e cabagem (parte que cuida da distribuição de fios e cabos, ou seja, da parte elétrica das máquinas produzidas pela empresa) também tem uma equipe de engenharia.

A maior área de desenvolvimento de produtos está na parte da fábrica que produz as máquinas-ferramenta. Nesse setor, a qualidade do ar é controlada para evitar contaminação no processo, como queda de areia ou acúmulo de poeira nos equipamentos em produção. Na equipe de engenharia de produto, vê-se desde pessoas muito jovens, recém-formadas, a engenheiros veteranos. São de nove a dez pessoas, entre técnicos e engenheiros. Um deles tem doutorado, outros três são mestres.

O foco do trabalho dessa equipe, que fica em uma sala toda de vidro instalada ao lado da planta industrial, é desenvolver máquinas pesadas para indústrias de base, como a de energia, e também para as indústrias de aço, agrícola etc. Nesse mesmo galpão funciona o Laboratório de Desenvolvimento de Produto, onde os protótipos são testados. A linha de montagem da fábrica conta com área especial para produzir esses protótipos. Assim, a atividade de desenvolvimento de novos produtos não interfere na produção rotineira da empresa.

Nesse laboratório também são colocados em testes os equipamentos que já estão sendo produzidos e vendidos. Os engenheiros, nesse caso, testam os limites dos equipamentos, sujeitando-os a trabalhar em altas temperaturas e em outras condições extremas, explica José Carlos Romi. "Dessa forma, a gente se antecipa ao que pode acontecer em campo e testa a durabilidade dos nossos produtos", completa.

Como resultado dos investimentos ao longo da sua história, a Romi tem mais de 60 patentes de invenção concedidas e outros 30 pedidos em análise no Brasil e no exterior. A empresa lançou, apenas este ano, 12 novas máquinas-ferramenta. Entre os produtos estão os novos tornos da linha Comando Numérico Computadorizado — CNC Romi Centur —, e novos centros de usinagem como o Romi D 800, capaz de usinar peças metálicas de até 3 mil quilos em ambientes de alta produção, como na usinagem de grandes componentes de aeronaves, moldes, máquinas agrícolas e ferramentaria, entre outros. A área de P&D da empresa procurou inovar também na forma do produto, desenvolvendo uma base monobloco para o Romi D 800 que absorve vibrações. Com isso, a usinagem das peças é mais precisa.

Empresa usa incentivos fiscais, mas não conseguiu subvenção
A Romi usa os incentivos fiscais para inovação previstos na Lei 11.196/2005, chamada "do Bem", mecanismo avaliado positivamente pela empresa. "Estamos aumentando nosso P&D por conta desse benefício. Ampliamos nosso quadro de P&D. Do ano passado para cá, só em máquina-ferramenta, passamos de 50 para mais de 80 profissionais", informa José Carlos. Os recursos mantidos na empresa por conta dos incentivos fiscais são usados em novas atividades de P&D. A empresa tentou usar a subvenção econômica, mas não teve nenhum projeto aprovado até agora. "Temos muito menos restrições orçamentárias do que já tivemos. Hoje é mais tranqüilo porque o resultado gerado pela área de P&D é reconhecido pela empresa", destaca.

Interação com institutos de pesquisa e universidades
A Romi faz parcerias pontuais com institutos de pesquisa e universidades. Um dos contratos que tem é com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), para usar os laboratórios da instituição na realização de ensaios eletromagnéticos, com vistas à certificação de seus produtos para venda na União Européia. Em dezembro de 2007, a empresa firmou um convênio com a Associação de Pós-Graduandos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (APG-ITA). O objetivo do convênio é fazer um trabalho conjunto de pesquisa para desenvolvimento de novos produtos e processos e formação de recursos humanos.

A empresa também tem um convênio com a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) para capacitação de recursos humanos, e outro com a Unicamp para realização de testes nas áreas de vibração e comportamento térmico. Além disso, já desenvolveu software em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). De que forma essas cooperações podem ajudar a universidade a cumprir seu papel, que é formar pessoas? "O aluno, futuro engenheiro, vai sair da universidade para trabalhar exclusivamente em laboratório de energia atômica? Com DNA? Não. Ele vai trabalhar na fábrica", responde José Carlos. Ou seja, para ele, a vantagem desse tipo de parceria está na formação de alunos com experiência e conhecimento sobre coisas práticas.

O histórico tecnológico da Romi
A Romi começou produzindo máquinas agrícolas, como arados e semeadoras. Atendia um mercado que comprava equipamentos agrícolas norte-americanos. Apenas em 1941 a empresa entrou no ramo de máquinas-ferramenta, copiando, nos primeiros cinco anos, produtos alemães.

A Segunda Guerra Mundial levou a Romi a um grande crescimento, por causa dos excedentes de guerra na indústria norte-americana. A existência de muitas máquinas com pouco uso nos EUA permitiu que a Romi mudasse completamente seu parque fabril e ampliasse o desenvolvimento de produto. Nos anos 1950, com a migração de estrangeiros para o Brasil, engenheiros vindos da Itália, da Alemanha e dos EUA foram trabalhar na empresa, o que alavancou ainda mais o desenvolvimento. "Dessa fase em diante, a empresa sempre teve o seu departamento ou escritório técnico, que desenvolvia produtos", lembra José Carlos. (J.S.)

Fonte: Inovação Unicamp

Distribuição da taxocenose íctica em córregos de cabeceira da bacia do Alto Rio Paraná, DF

Estudo acha 12 espécies inéditas de peixes - Pesquisador da UnB encontra animais em nascentes do Parque Nacional de Brasília, perto da área urbana


A biodiversidade do cerrado brindou os pesquisadores com mais uma surpresa. Bem perto de uma área urbana densamente povoada, no Parque Nacional de Brasília, existem 12 espécies de peixes novas para a ciência.

Os animais habitam os córregos das bacias do Bananal e de Santa Maria/Torto, desde as nascentes até partes mais próximas do lago Paranoá, onde esses cursos deságuam. A descoberta foi feita pelo biólogo Pedro De Podestà Uchôa de Aquino, durante um ano de trabalho na região.

Segundo o pesquisador, só foi possível encontrá-los porque o local está protegido da ação humana. “Essa é uma característica de ambientes bastante preservados. Mostra que o Parque está cumprindo sua função.”

Tão surpreendente quanto registrar os indivíduos foi verificar que eles são encontrados com grande freqüência nesse ecossistema. As novas espécies catalogadas respondem por 42,9% das 28 que habitam no local.

Com o levantamento, começa-se a se preencher uma lacuna de conhecimento sobre peixes em riachos no DF. São bem poucos os estudos na área, apesar do potencial da região. Nas proximidades afloram três grandes bacias hidrográficas do País, o que leva a crer que o número de animais sem descrição científica seja bem maior.

COLETA
Para chegar a esses exemplares, Aquino escolheu 14 pontos, divididos igualmente entre a sub-bacia do Bananal e a sub-bacia de Santa Maria/Torto. Cada um foi visitado em quatro ocasiões, sempre em diferentes épocas do ano (seca, chuva, transição da estiagem para chuvas e vice-versa).

Como o estudo requeria um levantamento dos animais presentes na região, o pesquisador e sua equipe colheram todos os indivíduos que conseguiram em cada trecho, numa extensão de 30 metros em cada curso d´água.

Tanto trabalho resultou na coleta de 8.614 peixes, a grande maioria indivíduos de pequeno porte, menores que 15 cm. Antes que o leitor se espante com o número, o biólogo trata de explicar que a quantidade é uma parcela pequena e que não interfere no ambiente.

CARACTERIZAÇÃO
Esse total foi analisado, chegando-se a identificação de 28 espécies, sendo 12 novas para a ciência. A quantidade de cada uma, entretanto, varia bastante. Cinco dominam o ranking, sendo a mais numerosa Knodus moenkhausii, com 5.558 indivíduos, ou 64,5 %. Em seguida vêm, respectivamente, a Astyanax sp., com 965 exemplares, ou 11,2%; Hyphessobrycon balbus, com 955 exemplares, ou 11,1%; Hasemania sp., com 482 unidades, ou 5,6%, e Planaltina myersi, com 326 unidades, ou 3,8%. Enquanto isso, há quatro espécies que registram um único habitante, e mais quatro espécies que contaram apenas dois exemplares.

Os números são considerados excelentes, principalmente a julgar pela quantidade de espécies não nativas , também chamadas de exóticas, presentes no Parque. Por um capricho da natureza, alguns peixes vivem apenas nas nascentes, onde a mata de galeria, que abranda o calor do sol e deixa a água fresca, forma o ambiente ideal para peixes menores, de cerca de 2 cm. Outros preferem a porção dos córregos mais próximos à foz, em que o volume d´agua é maior e a disponibilidade de alimentos também.

Aquino considera fundamental manter esse tesouro vivo, principalmente em vista da pressão urbana em torno dos limites do Parque. “É interessante que tenhamos mais unidades de conservação para termos um ambiente íntegro e preservarmos essas espécies.”

Os resultados do estudo estão na dissertação de mestrado Distribuição da taxocenose íctica em córregos de cabeceira da bacia do Alto Rio Paraná, DF, defendida pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia no Instituto de Ciências Biológicas (IB) da UnB, em 2008. O trabalho foi orientado pela professora Claudia Padovesi Fonseca.

PERFIL
Pedro De Podestà Uchôa de Aquino é mestre em Ecologia pela Universidade de Brasília (UnB), graduado em Ciências Biológicas pela mesma instituição. Contato pelo e-mail

Daiane Souza/UnB Agência

Museu Goeldi abre vagas para pesquisadores

Oportunidades para pesquisa em Belém

O Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, abriu concurso público para os cargos de pesquisador adjunto I, técnico e tecnologista pleno I e II.

Com jornada de trabalho de 40 horas semanais, as inscrições estão abertas até 31 de outubro. O concurso para o cargo de pesquisador adjunto I, cujo salário bruto será de R$ 5.247,10, oferece duas vagas: uma para a área de antropologia social e uma para a área de botânica.

Para a área de antropologia social, os candidatos devem ter curso superior em ciências sociais, antropologia ou áreas afins, além de título de doutor e ter realizado pesquisa relevante em antropologia social, com ênfase em etnologia indígena.

No caso do pesquisador em botânica, os interessados devem ter curso superior em ciências biológicas, ciências naturais ou áreas afins, além de título de doutor com pesquisa científica em botânica com ênfase em taxonomia de criptógamas.

Para o provimento do cargo de tecnologista pleno I o museu também está oferecendo duas vagas: uma para a área de design expográfico, para candidatos com curso superior de arquitetura e urbanismo, museologia e áreas afins; e uma para a área de tecnologia da informação, para candidatos com curso superior em sistemas de informação, processamento de dados ou engenharia da computação.

Os candidatos para as duas vagas devem ter grau de mestre ou experiência de pelo menos três anos em atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. O salário é de R$ 2.629,92.

Para o cargo de tecnologista pleno II, há uma vaga para a área de química analítica ou instrumental, na qual os candidatos devem ser graduados em química, engenharia química, geoquímica ou química industrial, e outra vaga para a função de gerência de coleções zoológicas, destinada a candidatos formados em ciências biológicas ou áreas afins.

Os candidatos, que concorrerão a um salário bruto de R$ 3.159,17, também precisam ter título de doutor ou grau de mestre com experiência de, pelo menos, cinco anos em atividades de pesquisa e desenvolvimento.

O concurso público para provimento de quatro vagas em cargos de técnico, por sua vez, é destinado a candidatos com nível médio completo. As vagas são para as áreas de editoração científica, ciências humanas (etnografia), zoologia, e informação e documentação.

O salário bruto será de R$ 1.358,18, com acréscimo de 27% para os aprovados em cargos de nível intermediário portadores de certificado de especialização. Os editais com as informações sobre os concursos já estão disponíveis no portal do Museu Goeldi.

Mais informações: www.museu-goeldi.br

Fonte: Agência FAPESP

Villares Metals eleva investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação

Compra da Villares Metals por grupo austríaco eleva investimento em P&D; aços especiais alcançam sucesso no mercado internacional

Em 2007, a Villares Metals, situada em Sumaré, interior de São Paulo, registrou um recorde: fabricou 85 milhões de toneladas de produtos, 7,4% de aumento em relação a 2006. A produção gerou receita líquida de US$ 492 milhões e US$ 73 milhões de lucro líquido. A razão do sucesso da empresa — adquirida em 2004 pelo grupo siderúrgico austríaco Böeller-Uddeholm AG — é sua competência na produção dos chamados aços especiais de alta liga. Os aços da Villares Metals concorrem, com sucesso, no mercado internacional; foi a expertise da empresa que chamou a atenção da multinacional austríaca e que levou à decisão de compra.

Essa expertise começou a nascer no meio da década de 1970, quando a então Aços Villares criou seu centro de pesquisa e desenvolvimento. Ao longo de 30 anos, o centro se manteve em funcionamento. Mas após a aquisição da empresa pelo grupo Böeller, o investimento em P&D deu um salto. Em 2003, antes da compra, a Villares investiu 593 mil euros (US$ 858,49 mil, pela cotação de 19 de setembro) em P&D&I. Em 2008, o valor já ultrapassa a casa dos 2 milhões de euros (US$ 2,9 milhões). A cifra representa aproximadamente 0,5% do faturamento.

"Os aços da Villares Metals têm alto valor agregado e demandam conhecimento profundo da sua metalurgia. Isso nos leva à necessidade de ter forte atividade tecnológica, de pesquisa, desenvolvimento e inovação", explica Celso Antonio Barbosa, gerente de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento da empresa. Ele conta que o aço comum é o mesmo há cem anos. "Mas toda hora está sendo lançado um aço de alta liga melhorado, porque à medida que começamos a colocar muitos elementos de liga, temos infinitas combinações", explica. Aços comuns resultam de ligas de ferro com manganês e carbono, basicamente. Um aço especial de alta liga tem cromo, tungstênio e outros elementos. Diferentes composições atendem a diferentes especificações e necessidades.

Peso da pesquisa e desenvolvimento
Os produtos desenvolvidos pela área que Barbosa chefia nos últimos cinco anos respondem por 7,3% da venda líquida da empresa. Em 2003, a Villares Metals quis saber quanto do faturamento dela, naquele ano, havia resultado de produtos desenvolvidos desde que a área de pesquisa e desenvolvimento foi organizada na empresa, em 1974. Descobriu que 55% do faturamento vinha de produtos para os quais a área havia contribuído. As empresas de siderurgia têm produtos de ciclo de vida mais longos, por isso inovações antigas ainda estavam presentes no portfolio da Villares Metals. São sete patentes depositadas nos últimos cinco anos no País, nos Estados Unidos e na Europa. A empresa demorou a estabelecer a política de proteção dos seus inventos, daí o número pequeno de patentes. A demora se deu por conta do mercado protegido. Agora, com a internacionalização e uma política mais agressiva de exportações e a venda da companhia para um grupo estrangeiro, a empresa adotou uma política estruturada de proteção de sua inovação.

Dois tipos de aços especiais de alta liga — os usados em brocas, chaves de fenda e de rosca e os usados em pistões de motores de veículos, resistentes a altas temperaturas e corrosão — são a especialidade da Villares Metals. Foram eles que chamaram a atenção do grupo Böeller quando este buscou a liderança mundial nesses dois nichos. Nenhuma das subsidiárias do grupo austríaco produzia esses tipos de aços. Hoje, a Villares Metals é líder na produção dos aços para pistões de motores para os mercados europeu e norte-americano. Ligas especiais da Villares Metals estão, por exemplo, em válvulas de exaustão dos carros da Fórmula Indy, categoria do automobilismo norte-americano; ou em peças para implantes ortopédicos. A companhia produz ainda peças forjadas para a indústria do petróleo; e aço inox, para cutelaria, artigos de cozinha, implantes cirúrgicos e plataformas petrolíferas.

Antes do final de 2008, a Villares Metals lançará um aço para uso na fabricação de moldes para plásticos, resultante dos investimentos em P&D. "Esse aço tem menor custo de produção. Usa menos elemento de liga, menos recursos naturais, menos energia, ou seja, tem um processo de fabricação simplificado. É um aço verde", orgulha-se Barbosa. Dos laboratórios da empresa também sairá a chapa inox especial para os blindados a ser construídos para o Exército brasileiro.

A Villares Metals na Böhler-Uddeholm AG
A Villares Metals passou a se chamar assim após a compra da antiga Eletrometal pela Aços Villares, em 1996. Em 2000, o grupo espanhol Sidenor passou a ter 52% das ações do grupo Aços Villares. Em 2004, a Villares Metals foi vendida pela Sidenor para a concorrente, a multinacional austríaca Böhler-Uddeholm AG, que adiou seus planos de montar uma empresa na China para produzir aços especiais na Ásia e preferiu comprar a firma brasileira. As principais empresas produtoras do Grupo Böhler-Uddeholm estão na Áustria, Suécia, Alemanha e no Brasil. O grupo possui 150 unidades comerciais próprias em 50 países, nos cinco continentes. Em balanço divulgado em fevereiro deste ano, o grupo Böeller anunciou ter tido lucro líquido de 248 milhões de euros (US$ 359,03 milhões) em 2006 e de 325 milhões de euros (US$ 470,5 milhões) em 2007.

A Villares Metals, hoje subsidiária brasileira da Böhler-Uddeholm, é uma siderúrgica semi-integrada. Siderúrgicas são chamadas de "integradas" quando produzem aço a partir do minério de ferro. A Villares Metals é semi-integrada porque parte de sucatas e ferros-liga para fabricar seus aços especiais — por isso, também é chamada de "recicladora". Um de seus principais concorrentes no Brasil é o grupo Gerdau.

Investimento em P&D em 2009
A Villares Metals deve investir 2,1 milhões de euros (US$ 3,04 milhões) em P&D no Brasil em 2008. A área tem 22 funcionários, 13 deles com nível superior. Oito engenheiros com mestrado ou doutorado concluído ou a finalizar estão na carreira de pesquisador; há sete técnicos, todos com nível superior; e sete pessoas que trabalham em outras áreas de apoio à atividade do centro de P&D. No grupo Böhler, como um todo, há 160 pesquisadores; em 2007, o investimento em P&D alcançou 25 milhões de euros (US$ 36,19 milhões), 1,2% do faturamento da multinacional.

Para 2009, o investimento da Villares Metals fica praticamente estável: a previsão é de 2,2 milhões de euros (US$ 3,18 milhões) em P&D. A média dos investimentos feitos entre 2003 e 2008 e a projeção para 2009 mostram que a empresa aplica em torno de 0,4% a 0,5% do faturamento em P&D. Segundo dados da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), a média das empresas de siderurgia que produzem aços especiais é de 0,27% no Brasil. A média mundial do setor siderúrgico, de acordo com Barbosa, é de 0,7%.

A estabilidade em relação ao faturamento não revela o crescimento nominal do investimento em P&D: em 2003, a Villares Metals investiu 593 mil euros (US$ 858,49 mil); depois da aquisição da Böhler, o patamar do investimento subiu para 1 milhão de euros (US$ 1,45 milhão), chegando agora à casa de US$ 2,9 milhões. "A partir de 2004, por determinação da corporação, fizemos um plano de aumento dos investimentos em P&D, mas não estamos conseguindo acompanhar, em termos percentuais, o aumento do faturamento do grupo. Este cresce mais do que o investimento em P&D", explica o gerente de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento.

Além da decisão da matriz de ampliar os investimentos em P&D no Brasil, a Villares Metals também contou com outro mecanismo que a motivou a gastar mais com essas atividades: os incentivos fiscais para inovação previstos na Lei 11.196/2005, apelidada "do Bem". Desde 2006, a Villares Metals usa os incentivos. Obteve 357 mil euros (US$ 516,83 mil) em 2006; mais 430 mil euros (US$ 622,51 mil) em 2007; deve conseguir 576 mil euros (US$ 833,88 mil) em 2008 e 605 mil euros (US$ 875,86 mil) em 2009.

A empresa também obteve recursos dentro do programa Subvenção Econômica para contratação de dois pesquisadores. Usa as bolsas do programa para formação de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (RHAE), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo qual a agência de fomento financia projetos de P&D de empresas que formem pesquisadores com alto nível de especialização. A Villares Metals também paga bolsas para doutorandos e pós-doutorandos que estejam trabalhando em projetos de interesse da empresa. Atualmente, um deles estuda na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e o outro está no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Estudam dois dias e trabalham três dias na empresa.

Só a Villares Metals
O aço que a Embraer usa no trem de pouso de seus aviões é fruto do trabalho de pesquisa e desenvolvimento da Villares Metals. A siderúrgica orgulha-se das várias certificações que atestam a qualidade de seus processos de produção e dos produtos que fabrica. Uma delas é a certificação de seus aços de aplicação aeronáutica obtida junto à Embraer. A Villares Metals é a única empresa instalada no Brasil a ter a certificação da Embraer para fornecimento de aços especiais.

A Villares Metals é também a única empresa fora dos Estados Unidos a ter a homologação para produzir uma liga especial (de níquel), a INC 718, usada em turbinas de aviões. A homologação confirma para o mercado mundial que essa liga possui as características necessárias para ser empregada nas turbinas: é feita de um material muito homogêneo e resiste a pressões e temperaturas exigidas em vôo.

Os aços "verdes"
Uma das principais fontes de inovação da Villares Metals hoje é a causa ambiental. Além do "aço verde", a empresa desenvolveu um "processo verde", que fez frente ao aumento do preço das matérias-primas metálicas internacionais nos últimos quatro anos. "Elementos de liga, como o vanádio, praticamente quadruplicaram de preço. Por isso, desenvolvemos um conceito que já existia em nosso laboratório, retomado dos anos 1990: um aço que tem muito menos elemento de liga, mas que tem praticamente o mesmo desempenho do convencional", revela Barbosa, sem dar detalhes do processo.

Esse novo aço foi testado e aprovado por um cliente da Villares Metals nos Estados Unidos, um grande fabricante de um tipo de ferramenta, a broca. Também já foi aprovado por um fabricante no Brasil e está em teste na Argentina. "Queremos transformá-lo em padrão internacional. Esse é o grande segredo para o sucesso de um produto: virar padrão adotado por todos", afirma.

Outro produto ligado a demandas ambientais é um novo tipo de aço para válvula de motores que atende às normas Euro 5, da União Européia, que limitam a emissão de gás carbônico a 120 miligramas por quilômetro rodado. "Isso exigiu mudanças nos motores que levaram a índices de solicitação e corrosão das válvulas que não existiam antes", diz. Os materiais usados hoje para trabalhar nessas condições são muito caros, feitos à base de níquel. Esse projeto, em teste com clientes da Villares Metals na Alemanha, visa a oferecer ligas alternativas, mais baratas, intermediárias entre o aço e a liga de níquel, e com desempenho equivalente ao delas.

Outras áreas de inovação
Inovação em processos também faz parte do cardápio do P&D da Villares Metals. A empresa acaba de desenvolver um processo em que consegue transformar escória em espuma, o que aumenta a eficiência térmica do processo de produção do aço em até 6%. Outra área importante para a inovação é a de simulação. "As técnicas computacionais estão sendo fortemente estimuladas por nós. Ao invés de tentativa e erro, a modelagem computacional pode mostrar, por exemplo, como o aço se comporta quando está sendo deformado na prensa", detalha Barbosa.

Outra inovação, implantada em maio deste ano na fábrica, é a substituição do óleo por água em uma das etapas de produção do aço. Os blocos de aço são temperados no óleo para resfriar. Se jogados quentes na água, os blocos trincam e estilhaçam. "Por computação e experimentação, nossos pesquisadores viram como o núcleo de um bloco grande de aço se resfriava com óleo. Se colocássemos e tirássemos o bloco da água, conseguiríamos fazê-lo chegar à mesma temperatura resfriada que conseguíamos com o óleo, sem trincar o bloco", explica. O tempo que o bloco deveria ficar na água e quantas vezes ele deveria ser mergulhado no líquido foi descoberto por simulação de computador. Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp ajudaram a empresa com as simulações no tanque de água.

A Villares Metals também desenvolveu para um fornecedor da Petrobras um aço especial para revestimento de poços de petróleo, que inova por ter maior resistência à corrosão. O produto é candidato a ser aplicado nas operações de exploração do petróleo localizado no pré-sal; no momento, está em uso na Bacia de Campos. "Acredito que precisaremos de um aço mais resistente à corrosão. Estamos discutindo agora os inoxidáveis dúplex [sic]", acrescenta. Esses aços são feitos com uma combinação de ligas que criam elevadas propriedades mecânicas e de resistência à corrosão. Eles são utilizados nas indústrias química, petroquímica, de papel e celulose, siderúrgica, alimentícia e de geração de energia.

Ligas especiais: nicho de mercado recomendado pelos pesquisadores
A entrada da Villares Metals nas ligas especiais foi uma idéia nascida no Centro de P&D da firma. As temperaturas do processo de fabricação dessas ligas, uma combinação de ferro, níquel e outros elementos como o cromo, são muito parecidas com as do ferro — o que possibilita a utilização das mesmas máquinas que produzem aços especiais na produção das ligas de níquel. E foram os pesquisadores do Centro de P&D da empresa que demonstraram para a direção da Villares Metals que era possível diversificar a linha de produção, partindo para as ligas de níquel, sem ter de investir muito na compra de equipamentos ou na alteração da linha de produção de aço.

"Começamos a produzir essas ligas de níquel no início da década de 1980, em um projeto que foi liderado pela pesquisa. Convencemos a companhia de que era possível e era um bom negócio", lembra Barbosa. As ligas de níquel têm propriedades superiores às dos demais aços, e podem suportar solicitações mecânicas e corrosivas extremas, que os aços existentes no mercado não agüentariam. São usadas, por exemplo, em válvulas de combustão interna de automóveis, turbinas a gás e implantes cirúrgicos. Uma tonelada de liga de níquel custa US$ 35 mil no mercado mundial. Para efeitos de comparação, a tonelada do aço comum produzido pelas siderúrgicas integradas, como a CSN, é vendida por apenas US$ 500. (J.S.)

Fonte: Inovação Unicamp

6º Workshop Internacional sobre Radiações Não-Ionizantes

Pesquisadores de diversos países estarão reunidos, entre os dias 14 e 18 de outubro, no Rio de Janeiro, no 6º Workshop Internacional sobre Radiações Não-Ionizantes.

Na ocasião serão analisados os últimos dados científicos relacionados aos efeitos biológicos de radiações não-ionizantes, especialmente aquelas emitidas por antenas e equipamentos de telefonia celular, estações transmissoras de rádio e televisão e linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica.

Esta é a primeira vez que o evento, que também abordará aspectos de proteção e limites de exposição a esse tipo de radiação, ocorre em um país da América Latina. Espera-se que as discussões também possam subsidiar novas recomendações para limites de exposição.

A realização tem o apoio dos ministérios da Ciência e Tecnologia, Minas e Energia, Saúde, Meio Ambiente, das Comunicações, Agência Nacional de Energia Elétrica, Agência Nacional de Telecomunicações e Comissão Nacional de Bioeletromagnetismo.

Mais informações: www.icnirp.org/NIR2008/NIR2008.htm

Fonte: Agência FAPESP

4º Encontro Nacional das Comissões de Biossegurança

O Encontro Nacional das Comissões de Biossegurança (Encibio), que está na sua quarta edição, será realizado de 27 a 30 de novembro, em São Paulo, com o tema central “Biossegurança e bioética na fronteira da ciência”.

Estarão reunidos presidentes e membros das comissões das diversas instituições de ensino e pesquisa envolvidas com manipulação, armazenamento e descarte dos organismos geneticamente modificados.

O coordenador do encontro é o professor Mario Hiroyuki Hirata, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo ele, o objetivo é estabelecer uma associação de idéias e de interesses comuns à nação no que diz respeito à política de biossegurança no Brasil, e não de um grupo ou universidade de forma particular, o que torna o evento importante nos aspectos científico, político e social.

A promoção é da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, em colaboração com a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, Universidade Estadual Paulista, Universidade Federal de São Paulo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Universidade Federal de Viçosa.

Mais informações: www.encibio2008.com.br

Fonte: Agência FAPESP