segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Variação do equilíbrio muscular durante uma temporada em jogadores de futebol categoria sub-20

Variation of the muscular balance during a season in under-20 soccer players


Músculos à prova
Uma pesquisa analisou o equilíbrio muscular dos flexores e extensores de joelho e a relação com a ocorrência de lesões em jogadores de futebol. O objetivo do estudo foi tentar avaliar se e quando, durante vários momentos ao longo da temporada de competição, existiria maior risco de lesões.

“Ainda não está clara a associação entre o equilíbrio muscular e a ocorrência de lesões, especialmente no futebol. Essa falta de clareza está associada principalmente às dificuldades envolvidas em estudar atletas. No nosso estudo, a relação de equilíbrio muscular se manteve em níveis considerados adequados, o que pode, pelo menos em parte, explicar o baixo índice de lesões”, disse Raphael Mendes Ritti Dias, doutorando na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Além de Dias, participaram da pesquisa Luiz Fernando Goulart, do Departamento de Futebol Profissional da Associação Atlética Ponte Preta, e Leandro Ricardo Altimar, do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas. O estudo foi publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte.

Participaram dos testes 15 atletas da equipe sub-20 da Ponte Preta, de Campinas (SP), durante um período de 29 semanas. O macrociclo englobou os períodos preparatório e competitivo, divididos em quatro mesociclos: etapa geral, especial, pré-competitiva e etapa competitiva.

Os resultados apontaram a existência de alterações na relação de equilíbrio entre os flexores e extensores durante o macrociclo de 29 semanas. Mas, segundo o estudo, essa alteração está dentro da normalidade. De acordo com Dias, os resultados sugerem que, nesse estudo de caso, “a carga de treino forçado não afetou a relação de equilíbrio muscular dos flexores e extensores”.

As análises indicam que houve aumento da força dos flexores na primeira fase do ciclo de preparação, que se manteve até antes da etapa competitiva. Nessa outra etapa se observou uma diminuição da força dos flexores. Já na força de extensores ocorreu o contrário: ela diminuiu na primeira etapa de preparação e se manteve ao longo da temporada de competição.

“Os resultados sugerem que não existem períodos sensíveis para a ocorrência de lesões em virtude de desequilíbrios musculares. Embora exista o aumento na força muscular de flexores ao longo da temporada – o que é extremamente importante para o futebol –, a relação entre as forças de flexores e extensores [equilíbrio] não se altera acentuadamente, possivelmente devido às adequadas cargas de treinamento prescritas”, explicou o pesquisador.

No estudo publicado, inicialmente fizeram parte da mostra 23 atletas, com entre 17 e 20 anos de idade e quatro a seis anos de prática na modalidade. Mas cinco deles não concluíram os testes por terem saído do clube, e três, por lesões.

“É extremamente complicado trabalhar longitudinalmente com atletas que estão envolvidos em competições, viagens, transferências. Ou seja, muitas vezes o estudo depende da viabilidade por parte do clube. Além disso, a dificuldade de incluir um grupo controle não submetido à intervenção limita a qualidade dos resultados. Estamos avaliando a melhor forma de minimizar essas dificuldades e limitações, para posteriormente, iniciarmos outros estudos”, apontou.

Tanto Dias como Altimar têm apoio da FAPESP na modalidade Bolsa de Doutorado e estão ligados ao Grupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício do Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Estadual de Londrina.

Para ler o artigo Variação do equilíbrio muscular durante uma temporada em jogadores de futebol categoria sub-20, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Plano Nacional de Mudanças do Clima incorpora metas de redução do desmatamento

O Plano Nacional de Mudanças do Clima, apresentado no último dia 25, em Brasília, faz com que o Brasil se comprometa pela primeira vez a possuir médias decrescentes de desmatamento em todos os biomas, mensuráveis a cada quatro anos, até atingir o chamado desmatamento ilegal zero.

É um plano ousado, com metas voluntárias e setoriais que, juntas, representam a redução de centenas de milhões de toneladas de gás carbônico por ano, seja pela redução do desperdício, seja pelo aumento da eficiência energética, ou ainda pela redução progressiva do desmatamento ou aumento progressivo do plantio de florestas nativas e comerciais?, destacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento reúne as ações que o país pretende colocar em prática para combate às mudanças globais do clima e criar condições internas para o enfrentamento de suas conseqüências. É fruto do trabalho do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CI, de caráter permanente, formado por 16 ministérios e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, liderados pela Casa Civil). O plano também recebeu contribuição da Conferência Nacional do Meio Ambiente, que este ano debateu o tema Mudanças Climáticas.

O texto foi apresentado pelos ministros Minc e Sérgio Rezende, de Ciência e Tecnologia, e pela secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Suzana Kahn. A partir da próxima segunda-feira (29), estará disponível para consulta pública por 30 dias pela internet. A expectativa é que receba contribuições de diversos setores e esteja pronto até a próxima Conferência do Clima da ONU, em dezembro, na Polônia.

Entre os objetivos do plano está eliminar a perda líquida da área de cobertura florestal no Brasil, até 2015. ?A partir desta data, o Brasil vai plantar mais do que cortar. Teremos um desmatamento legal e ilegal decrescente e um plantio de árvores crescente?, disse o ministro. As florestas são importantes por serem reservatórios ou sumidouros de carbono, fundamentais para a manutenção do equilíbrio do clima.

O ministro afirmou que o governo vai investir em "programas agressivos de reflorestamento de matas nativas" para conseguir cumprir o objetivo e acrescentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou uma verba R$ 1 bilhão, com 12 anos de carência, para aqueles que pretenderem recompor áreas de preservação permanente e reservas legais.

O Plano também possui metas de aumentar o estoque de carbono de biomassa no País em 6 milhões de hectares; fomentar aumentos de eficiência no desempenho dos setores produtivos e manter a elevada participação de energia renovável na matriz brasileira, inclusive com leilões específicos para fontes eólicas já em 2009. ?No caso da co-geração, devemos passar de 0,5% para 20%, um ganho muito significativo?, acrescentou Minc.

Na área de biocombustíveis, o objetivo é fomentar o aumento sustentável da participação do produto na matriz de transportes nacional. Considerando apenas a demanda nacional de combustível, estima-se que a sua produção poderá passar de 25,6 bilhões de litros em 2008 para 53,2 bilhões de litros em 2017. Segundo o ministro, apenas com o avanço da produção de etanol em 11% ao ano, 508 milhões de toneladas de C02 na atmosfera deixarão de ser jogados na atmosfera.

Adaptação - Em termos de adaptação, o Plano prevê o Mapeamento das Vulnerabilidades Urbanas em Face do Aquecimento Global e Efeito Estufa. O estudo, a ser iniciado pelo MMA ainda este ano, tem como objetivo a identificação das principais vulnerabilidades às mudanças climáticas nas aglomerações urbanas mais populosas do Brasil. Estima-se que as cidades consumam 75% da energia mundial e sejam responsáveis, direta ou indiretamente, por enorme porcentagem das emissões dos gases de efeito estufa. No Brasil existem mais de 10 aglomerações urbanas com mais de 2 milhões de pessoas, sendo que duas delas, Rio de Janeiro e São Paulo, estão incluídas na categoria de mega-cidades mundiais.

O MMA também trabalha na elaboração de manuais de orientação voltados às prefeituras do País. O objetivo é oferecer ferramentas para a realização de estudos de emissões e remoções antrópicas de gases de efeito estufa e para a elaboração de planos, programas, projetos e/ou ações locais relacionados à mudança do clima.

Fonte: Gerusa Barbosa / MMA

Cesar Gomes Victora, Ganhador do Prêmio Abraham Horwitz da Opas, é eleito presidente da IEA - Associação Internacional de Epidemiologia

Saúde e igualdade na infância
O brasileiro Cesar Gomes Victora, professor do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) ,conquistou o Prêmio Abraham Horwitz, concedido anualmente pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) ao profissional de maior destaque em medicina e saúde pública na América Latina e no Caribe.

O cientista, que atua especialmente na área de saúde materno-infantil, recebeu o prêmio no dia 29 de setembro, em Washington, nos Estados Unidos, durante a reunião do conselho diretor da Opas, instituição vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além da premiação, Victora acaba de se tornar o primeiro brasileiro eleito para a presidência da Associação Internacional de Epidemiologia (IEA). A eleição ocorreu durante o 18º Congresso Mundial de Epidemiologia, realizado também em setembro, em Porto Alegre, e o brasileiro assumirá o cargo no próximo congresso, em 2011, em Edimburgo, na Escócia.

De acordo com Victora, o prêmio internacional e a eleição para a presidência da IEA são resultado de extensos trabalhos sobre a saúde infantil em países de baixa renda e estudos sobre a desigualdade relacionada a indicadores materno-infantis.

“Esse reconhecimento representa um trabalho que não é só meu, mas de todo o grupo de epidemiologia da Ufpel e que inclui uma longa série de estudos epidemiológicos feita nos últimos 25 anos”, disse Victora.

Um dos principais trabalhos coordenados pelo professor, que já atuou como pesquisador ou consultor em mais de 40 países, assessorando a OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), foi um estudo prospectivo que acompanha, há mais de 25 anos, todas as mais de 6 mil pessoas nascidas em Pelotas (RS) em 1982.

“É um dos maiores estudos desse tipo em todo o mundo. Um dos objetivos de acompanhar até hoje as crianças nascidas em 1982 é estudar as conseqüências a longo prazo de eventos que ocorrem no início da infância, como doenças, subnutrição ou a interrupção da amamentação, por exemplo”, explicou.

Os trabalhos têm gerado uma série de publicações. “Esses estudos de cortes de nascimento permitem diversas abordagens. Pudemos demonstrar, por exemplo, que crianças com subnutrição em seus primeiros dois anos e que, posteriormente, apresentaram um rápido ganho de peso até os quatro anos, têm altíssimo risco de, na idade adulta, sofrer de pressão alta, diabetes e problemas cardíacos”, disse.

A importância dessa conclusão é que, por várias décadas, profissionais da saúde infantil têm promovido o ganho de peso rápido para jovens e crianças de países de baixa renda. “O fato de o ganho rápido de peso na infância levar ao aumento da morbidade e mortalidade de doenças crônicas provoca um dilema”, afirmou.

Victora, que tem mais de 400 artigos publicados, com mais de 5 mil citações, também realizou uma série de estudos sobre a importância da amamentação na saúde das crianças. “A repercussão internacional desses estudos culminou no prêmio da Opas e na presidência da IEA”, disse.

O cientista está envolvido também com uma série de estudos sobre saúde materna e infantil em países da África, América Latina e Ásia. Desde 1996, o grupo coordenado por ele em Pelotas foi designado como Centro Colaborador da OMS.

“A maior parte dos trabalhos em nível internacional tem ligação com a OMS e o Unicef, principalmente na África, onde ajudo a avaliar condições de saúde e a planejar programas de ação”, disse. Este ano o pesquisador já foi cinco vezes à África.

Sobrevivência infantil
Em 2003, coordenou a Série de Sobrevivência Infantil Lancet-Bellagio, um conjunto de cinco artigos científicos com grande impacto sobre as políticas globais publicados na revista The Lancet, em cujo conselho editorial Victora atua.

O trabalho teve origem em reunião realizada naquele ano em Bellagio, na Itália, quando especialistas de diversos países decidiram trabalhar em conjunto para alertar governos, instituições e a sociedade para o problema da mortalidade infantil.

“A série mostrou, por exemplo, que a adoção de medidas preventivas simples poderia evitar dois terços dos mais de 10 milhões de mortes anuais de crianças com menos de 5 anos, a maioria de causas como diarréia, pneumonia, malária ou problemas neonatais”, disse.

As medidas preventivas incluiriam a vacinação, o uso do soro reidratante oral, a promoção do aleitamento materno, a adoção de mosquiteiros tratados com inseticidas e o emprego de antibióticos.

Em 2007, Victora foi um dos coordenadores de uma nova série da Lancet, dessa vez com o tema Subnutrição maternal e infantil. O brasileiro é o autor principal de um dos cinco artigos: Conseqüências para a saúde adulta e o capital humano.

“Analisamos dados de cinco estudos prospectivos de longo prazo, como o que foi feito em Pelotas. Além do Brasil, foram abordados outros quatro países: Guatemala, Índia, Filipinas e África do Sul. Notamos que os índices de subnutrição materna e infantil têm impacto, na idade adulta nos índices de altura, escolaridade, renda, índice de massa corporal, concentração de glucose e pressão arterial”, afirmou.

De acordo com o perfil de Victora publicado na revista Lancet, o brasileiro “é um dos principais epidemiologistas do mundo em saúde infantil”. Para a diretora do Departamento da Saúde e Desenvolvimento da Criança e do Adolescente da OMS, Elizabeth Mason, o professor brasileiro “é basicamente um dos maiores pensadores em termos de epidemiologia da saúde infantil”.

Em 1991, Victora foi co-fundador do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Ufpel, que atualmente tem conceito máximo conforme a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Professor visitante das Universidades de Londres e Johns Hopkins, nos Estados Unidos, já orientou 11 doutores e 17 mestres. Recebeu o Prêmio Conrado Wessel de Medicina em 2005 e, em 2006, foi eleito para a Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

2º Simpósio História, Energia e Meio Ambiente

A segunda edição do Simpósio História, Energia e Meio Ambiente, que será realizado de 22 a 25 de outubro no Museu da Energia Usina-Parque do Corumbataí, em Rio Claro (SP), recebe até 10 de outubro resumos de trabalhos para apresentação.

Os trabalhos devem estar inseridos nos cinco eixos temáticos do encontro: “História, evolução e energia”, “Diversidade energética”, “Energia e meio ambiente”, “Energia a partir da perspectiva da educação” e “Darwin no contexto histórico brasileiro do século 19”.

O evento tem o objetivo de instigar o debate sobre temas como a história, os avanços tecnológicos e os aspectos ambientais da energia e sua importância ao longo do processo evolutivo.

“A eletricidade e a origem da vida”, “Seleção natural e evolução: as aves como modelo de aprendizagem”, “Darwin no Brasil: nossa contribuição para a Teoria da Evolução” e “Os avanços tecnológicos na conquista das diversas formas de energia” serão assuntos discutidos na ocasião.

Mais informações: www.fphesp.org.br/corumbatai/noticias/simposio.htm

Fonte: Agência FAPESP