sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Primeira indústria de semicondutores ferroelétricos na América Latina será instalada no Parque Ecotecnológico de São Carlos


Novos chips em 2011
A primeira indústria de semicondutores ferroelétricos na América Latina será instalada no Estado de São Paulo, no Parque Ecotecnológico de São Carlos, no interior paulista.

O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (2/10), no gabinete do reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo, pelos representantes das duas companhias responsáveis pelos investimentos no projeto, a norte-americana Symetrix Corporation e o Grupo Encalso-Damha, sediado em São Carlos.

A Agência FAPESP noticiou em primeira mão, em janeiro, que o empreendimento seria instalado no Brasil, mas na ocasião faltava definir qual região seria beneficiada com o negócio.

Os chips com memórias ferroelétricas são diferentes dos processadores de computador, que são ferromagnéticos. Uma importante aplicação está nos cartões bancários ou de crédito. As memórias ferroelétricas podem ser lidas e escritas cerca de 100 trilhões de vezes, enquanto a memória magnética de um cartão comum suporta apenas algumas dezenas de milhares de leituras.

Para que o produto seja desenvolvido no Brasil serão investidos até US$ 1 bilhão na nova fábrica. “A estimativa é que as construções tenham início no segundo semestre de 2009 e a operação comece no final de 2011”, disse Ricardo Castelo Branco, diretor comercial da joint-venture entre os dois grupos empresariais.

“A fábrica deve faturar cerca de R$ 100 milhões nos primeiros anos de funcionamento. O mercado mundial de chip de memória gira em torno de US$ 53 bilhões e o Brasil tem entre 1% e 2% desse mercado. O objetivo do empreendimento é faturar com a substituição das importações desses dispositivos. Inicialmente, queremos suprir o mercado brasileiro, mas a idéia é exportar também”, disse Castelo Branco.

Uma boa notícia para pesquisadores e estudantes brasileiros é que a iniciativa contará com apoio científico e tecnológico do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP, vinculado ao Instituto de Química da Unesp, em Araraquara.

O suporte de pesquisa e desenvolvimento (P&D), que inclui a transferência de conhecimento do processo de obtenção de memórias ferroelétricas e sua caracterização, será coordenado pelo físico José Arana Varela, professor do Instituto de Química e pró-reitor de Pesquisa da Unesp, e pelo químico Élson Longo, diretor-geral do CMDMC. Varela é também vice-presidente da FAPESP.

“A Unesp produz conhecimento, mas não é sua detentora. O país é o grande detentor do conhecimento gerado nas universidades paulistas e cabe à iniciativa privada gerenciá-lo do ponto de vista industrial pensando no desenvolvimento do país”, disse Marcos Macari, reitor da Unesp.

O CMDMC conta com cerca de 20 teses de doutorado e dissertações de mestrado concluídas na área de materiais ferroelétricos, especialmente filmes finos para memória. São mais de 60 artigos científicos publicados pelo grupo de pesquisa em revistas nacionais e internacionais.

Aplicações diversas
Estima-se que a fábrica gere pelo menos 700 empregos diretos na região de São Carlos, mão-de-obra altamente qualificada que deverá ser formada por mestres e doutores de áreas como química, física, engenharia, matemática e design de circuitos integrados.

Os chips de memória produzidos na fábrica serão usados, entre outras aplicações, nos chamados "cartões inteligentes" (smart cards), que têm aplicações que vão desde movimentações bancárias de entidades financeiras e bilhetes para o transporte público até documentos, telefonia celular e TV digital. Esses chips deverão ser usados ainda na produção de sensores de infravermelho voltados à indústria automobilística

“Essa iniciativa marca a criação de uma cadeia produtiva gerada por um novo segmento industrial no Brasil”, disse Luciano de Almeida, secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, também presente no anúncio da instalação da fábrica no interior paulista.

Segundo ele, a questão dos semicondutores no Brasil sempre envolve discussões complexas, uma vez que tecnologias dessa natureza precisam aliar o grande mercado consumidor em todo o mundo com a capacidade de desenvolvimento de tecnologias cada vez mais avançadas.

“Trata-se de um produto que se modifica a cada seis meses. Estamos confiantes nesse projeto, pois os grupos de pesquisa do Estado de São Paulo vêm demonstrando a capacidade tecnológica necessária para atender essa alta velocidade de desenvolvimento”, afirmou o secretário-adjunto.

Fundada em 1986 na cidade de Colorado Springs, nos Estados Unidos, a Symetrix atua na produção de memórias não-voláteis com aplicações eletrônicas, científicas, automotivas, médicas e industriais. A empresa tem cerca de 200 patentes na área de microeletrônica e as licencia para fabricantes no Japão, Coréia, Europa e Estados Unidos.

O Grupo Encalso-Damha é um conglomerado de empresas de construção pesada e empreendimentos imobiliários com mais de 40 anos de atuação em diversos segmentos, entre os quais engenharia civil, agronegócio, infra-estrutura urbana, shopping centers e concessões de rodovias.

A instalação da indústria se beneficiará de um decreto presidencial relacionado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Ciência e Tecnologia, que isenta de todos os impostos federais as empresas do setor de semicondutores, uma das quatro prioridades da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce) do governo federal.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

O Desenvolvimento do Controle Circadiano do Comportamento

DEVELOPMENT OF CIRCADIAN CONTROL OF BEHAVIOR

Os processos circadianos (com periodicidade diária e definidos pelo "relógio biológico" dos organismos) afetam muitos comportamentos da maioria das espécies animais, mas ainda falta compreender melhor o desenvolvimento desse controle.

Essa é uma das áreas de pesquisa do etólogo Jerry A. Hogan, professor emérito do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, Canadá, que faz a conferência "O Desenvolvimento do Controle Circadiano do Comportamento" no dia 6 de outubro, às 15h, no IEA. O evento será em inglês (sem tradução) e terá coordenação de César Ades, diretor do IEA.

Hogan é um conhecido etólogo que tem contribuído com os estudos do comportamento animal com pesquisa sobre sistemas motivacionais. Seus interesses atuais incluem o desenvolvimento da comunicação, da alimentação e de comportamentos de limpeza de galos, abrangendo aspectos de ritmicidade biológica.

Na conferência, ele apresentará dados obtidos em experimentos com galos em que fica demonstrada a existência de controle circadiano da limpeza de areia, da alimentação e do sono. Discutirá também os resultados de outros experimentos que indicam a experiência como um fator necessário para o desenvolvimento do controlo circadiano do sono. Esses resultados serão comparados com dados a respeito do desenvolvimento do controle circadiano do sono em bebês.

Serviço:
DEVELOPMENT OF CIRCADIAN CONTROL OF BEHAVIOR
Conferencista: Jerry A. Hogan (Universidade de Toronto, Canadá)
Data: 6 de outubro, 15h
Local: Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA (mapa)
Via web: transmissão ao vivo em www.iea.usp.br/aovivo
Informações: Cláudia Regina, telefone (11) 3091-1686

Fonte: IEA/USP

Simpósio Ciência e Literatura - Duas Visões do Nosso Tempo - homenageia José Goldemberg e Antonio Candido de Mello e Souza

Pioneiros do conhecimento brasileiro
O simpósio Ciência e Literatura - Duas Visões do Nosso Tempo homenageou, nesta quinta-feira (2/10), os 80 anos do físico José Goldemberg e os 90 anos do crítico e ensaísta Antonio Candido de Mello e Souza. O evento foi realizado pelo Centro Interunidade de História da Ciência da Universidade de São Paulo (USP), dirigido pelo professor Shozo Motoyama, do Departamento de História.

Durante o evento, o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, ressaltou a importância da contribuição de Antonio Candido para a Fundação e para a ciência brasileira. De acordo com ele, graças a Candido no Estado de São Paulo o fomento a pesquisa não se limita às ciências exatas.

“Há muitos anos temos uma situação absolutamente diferente de fundações similares em outros lugares do mundo. A National Science Foundation, nos Estados Unidos, até hoje não financia pesquisas na área de filosofia e literatura, por exemplo, coisa que a FAPESP faz desde 1963, graças à visão dos fundadores e à contribuição do professor Antonio Candido”, disse.

Brito Cruz também destacou a proximidade de Goldemberg com os projetos da FAPESP e sua “imensa e incessante contribuição ao desenvolvimento científico do Brasil”. Segundo ele, a prova dessa contribuição é que Goldemberg participa ativamente de dois importantes programas de pesquisa anunciados recentemente pela FAPESP.

“São programas que tratam de temas profundamente relacionados e nos quais o professor Goldemberg tem atuado muito intensamente como consultor. Trata-se do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), lançado em agosto, e do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), lançado em julho”, disse Brito Cruz.

O secretário adjunto de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Ricardo Toledo Silva, lembrou que as atuações de Candido e Goldemberg na sociedade e na comunidade científica têm um ponto em comum: ambos conseguiram articular com sucesso diferentes áreas do conhecimento com grande profundidade teórica e prática.

“Esses dois pioneiros, em sua trajetória, seguiram o caminho mais difícil e mais frutífero. Ambos conseguiram articular, de forma horizontal, o conhecimento de diferentes áreas. Mas, além disso, conseguiram também, por meio de sua intensa atuação pública, algo ainda mais notável: fazer com que esse conhecimento horizontal fosse transferido para a sociedade”, disse Silva, que é professor titular do Departamento de Tecnologia da Arquitetura da USP.

Para descrever a atuação de Candido e Goldemberg, Silva citou o livro O quadrante de Pasteur, de Donald Stokes, que utiliza dois eixos cartesianos para classificar as atividades de pesquisa. O eixo vertical associa a produção científica à sua relevância como gerador de conhecimento fundamental.

O eixo horizontal corresponde à relevância em termos de aplicações imediatas. O quadrante de Pasteur corresponde à área em que há o máximo de conhecimento fundamental associado ao máximo de aplicações. “Goldemberg e Candido estão sem dúvida no quadrante”, afirmou.

O presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola e diretor da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Luiz Gonzaga Bertelli, fez uma reflexão sobre a importância do trabalho de Goldemberg para reduzir o problema ambiental do aquecimento global.

“Precisamos demonstrar reconhecimento e gratidão a esse grande físico e estadista brasileiro. Seu trabalho em prol das energias limpas e as cinco décadas de sua profunda atuação pública têm ajudado a reduzir os graves problemas dos impactos do consumo energético no meio ambiente”, afirmou.

Segundo Bertelli, diariamente 800 novo veículos passam a circular no congestionado trânsito da capital paulista. Na área metropolitana, o impacto dessa motorização tem sido uma das mais graves ameaças à qualidade de vida dos habitantes.

“Em 2008, temos uma quantidade de carros na cidade cerca de 30% maior que há 20 anos. O estado, que tem 40% da frota automotiva do país, já tem 15 milhões de veículos. São três habitantes para cada carro. Como mostram nossas reuniões no Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, graças às iniciativas de Goldemberg quando foi secretário do Meio Ambiente, temos conseguido reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes dessa situação”, disse.

Contra o desenvolvimentismo
O professor titular do Departamento de História da USP, Nicolau Sevcenko, lembrou que o processo de “introdução da modernidade a qualquer custo”, iniciado no Brasil durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, em 1955, e que culminaria com o processo de globalização das últimas décadas, agravou as condições sociais e econômicas da população. Segundo ele, intelectuais como Antonio Candido tiveram um papel importante na crítica desses processos.

“Antonio Candido, assim como Goldemberg, sempre lutou contra a lógica perversa do desenvolvimentismo. O conhecimento da literatura e da arte que herdamos de Antonio Candido ao longo dos anos teve um papel emancipador”, apontou.

Antonio Candido iniciou a carreira na USP, em 1942, como assistente de ensino de Fernando Azevedo, em sociologia. No ano seguinte, colaborando com o jornal Folha da Manhã, resenhou os primeiros livros de João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector.

Em 1945, obteve o título de livre-docente e, em 1954, o grau de doutor em Ciências Sociais. Em 1974, tornou-se professor titular de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, contribuindo para a formação de grande parte da intelectualidade nacional. Aposentado em 1978, manteve-se atuante como crítico e foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).

José Goldemberg se formou na USP em 1950, onde concluiu o doutorado em 1954. Em 1957 tornou-se livre-docente e, em 1970, professor titular do Instituto de Física da USP.

Membro da Academia Brasileira de Ciências, foi reitor da USP entre 1986 e 1990. Foi secretário da Ciência e Tecnologia do governo federal (1990-1991), ministro da Educação (1991-1992) e secretário do Meio Ambiente (1992). Foi secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (2002-2006) e atualmente é pesquisador do Centro Nacional de Referência em Biomassa, vinculado ao Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP. (Foto: Marcos Santos - USP Online)

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP

Estudo da UFRJ traça radiografia do setor elétrico

No segundo dia do 5º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase 2008), realizado nesta quinta-feira (2), o professor Nivalde José de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GESEL/UFRJ), apresentou a pesquisa exclusiva "Tendências do Setor Elétrico", com os desafios e oportunidades do setor de energia no país.

A pesquisa, coordenada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com representantes das 17 associações que participam do Enase mostrou: os riscos de novo apagão no Brasil, a alta nos preços do megawatt para o consumidor, as principais medidas para garantir o desenvolvimento e a possibilidade das fontes alternativas.

As perguntas foram formuladas pela equipe de pesquisadores do Gesel-UFRJ, buscando-se delimitar um horizonte analítico para o cenário macroeconômico e setorial no período de 2009-2012. Foram aplicados questionários para 17 Entidades, tendo-se obtido retorno de 15 respostas.

Em suma, a pesquisa indicou que: os agentes do setor elétrico estão vendo a crise de maneira positiva; o faturamento do setor elétrico – no segmento de atuação de cada entidade – deverá apresentar para os próximos quatro anos (2009-2012) um crescimento maior que a inflação; o volume de invesimentos necessários, para o setor, poderá exceder os recursos disponíveis para financiamento via BNDES; o resultado do leilão de energia de reserva para o equilíbrio do sistema elétrico brasileiro foi positivo; o resultado do leilão de energia de reserva não irá diminuir a volatilidade do PLD, além disso o leilão distorce os mecanismos de mercado e precisa de ajustes; o Ministério do Meio Ambiente mudou de postura no licenciamento ambiental para o setor; o marco regulatório implantado no Brasil a partir de 2003 precisa de ajustes.

Outro aspecto importante que foi abordado no estudo, foi a questão da possibilidade do Brasil sofrer risco de novo racionamento de energia elétrica nos próximos cinco anos. 46,7% das entidades afirmaram que esse risco é baixo e os demais, que apontaram como média ou alta a possibilidade de racionamento, indicaram o ano de 2011 como o ano mais provável para a crise.

Fonte :Maria Fernanda Romero / Tn Petróleo

Simpósio de Tecnologia de Informação Aplicada ao Setor Sucroalcooleiro

O Simpósio de Tecnologia de Informação Aplicada ao Setor Sucroalcooleiro será realizado nos dias 9 e 10 de outubro na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, em Piracicaba (SP).

Segundo os organizadores, o objetivo é transmitir referências sobre informações estratégicas, assessoria em sistemas de gestão, otimização e manejo da cultura, custo agrícola, previsão de safra, mapeamento de processos agrícolas e avaliações, entre outros assuntos.

“Gerenciamento de risco no agribusiness”, “Matemática aplicada à indústria sucroalcooleira”, “Zoneamento e modelagem aplicados à cana-de-açúcar” e “Novas tecnologias de informação no apoio à gestão da produção canavieira” são alguns dos temas das palestras.

A realização é do Grupo de Estudos Luiz de Queiroz e da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz.

Mais informações: www.fealq.org.br, pelo e-mail ou (19) 3417-6604.

Fonte: Agência FAPESP