sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Programa de Cooperação Itália-Mercosul

Termina no próximo dia 26 o prazo para inscrições no Programa de Cooperação Itália-Mercosul, que será executado pelo Instituto Mercosul de Formação e pela Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul.

No Brasil, as inscrições podem ser feitas junto a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores.

O programa prevê a participação de 60 especialistas, selecionados na Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, nos cursos de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Fortalecimento do Mercosul, Integração Produtiva, Políticas de Inclusão Social na Construção do Bloco e Formação de Funcionários Operativos do Mercosul.

Na primeira etapa, as aulas serão ministradas em Montevidéu (Uruguai) e terão a participação de professores e especialistas italianos e dos países do bloco. A segunda etapa contará com a tutoria italiana a distância e o desenvolvimento de projetos. As atividades didáticas serão realizadas em espanhol, português e italiano.

O programa também prevê estágio em cada setor específico para 20 participantes (quatro grupos de cinco integrantes), que permanecerão três semanas na Europa. Para participar o interessado deve ser cidadão de um dos países do Mercosul.

As atividades serão desenvolvidas em duas fases. Para os cursos de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Fortalecimento do Mercosul e Integração Produtiva do Bloco a primeira etapa será entre os dias 10 e 21 de novembro. Já a segunda etapa está prevista para março de 2009.

Para os cursos de Políticas de Inclusão Social na Construção do Mercosul e Formação de Funcionários Operativos do Bloco as aulas serão ministradas nas seguintes datas: primeira etapa, de 24 de novembro a 5 de dezembro e segunda etapa, de 23 de março a 3 de abril. As candidaturas deverão ser apresentadas com o formulário específico “Pedido de Inscrição”.

Mais informações: www.mercosurpresidenciacrpm.org/becas.php

Fonte: Agência FAPESP

CNPq lança edital Água e Saúde Pública

O Edital MCT/CT-HIDRO/CT-SAÚDE/CNPq nº 45/2008 - Água e Saúde Pública -recebe propostas até o dia 30 de outubro.

O objetivo é apoiar projetos relacionados a temas estratégicos na área de recursos hídricos com vistas à prevenção de doenças veiculadas pela água e provocadas pelo uso da água contaminada, contemplando as especificidades regionais e promovendo a melhoria da qualidade de vida da população carente do País, em particular do Semi-Árido.

As propostas aprovadas serão financiadas com recursos no valor global estimado de R$8 milhões, nas rubricas de capital, custeio e bolsas, sendo R$ 4 milhões provenientes do Fundo Setorial de Saúde (CT-Sáude) e R$ 4 milhões provenientes do Fundo Setorial de Recursos Hídricos (CT-Hidro).

Veja a íntegra do edital por este link.

Fonte: Gestão CT

Missão da COFECUB - Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária e Científica com o Brasil em vista ao País

Missão francesa
O Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária e Científica com o Brasil (Cofecub, na sigla em francês) pretende criar projetos que ajudem a formar recursos humanos para as novas universidades federais brasileiras, de acordo com o presidente do comitê, Pierre Jaisson.

Jaisson, que visitou a sede da FAPESP, em São Paulo, nesta quinta-feira (18/9), tendo sido recebido por Celso Lafer, presidente da Fundação, disse que os projetos ainda não foram formalizados, mas poderão ser a principal novidade do Cofecub para 2009, quando o comitê completará 30 anos.

“Uma forma interessante de ampliar nossa colaboração com as instituições brasileiras seria voltar a atenção para as novas universidades federais, que terão necessidade de muitos jovens professores. Para ajudá-las a decolar, poderíamos implementar projetos triangulares entre elas, as universidades francesas e as universidades brasileiras já consolidadas”, disse Jaisson à Agência FAPESP.

O comitê avalia e coordena três acordos franco-brasileiros, de acordo com Jaisson, que é professor do Laboratório de Etologia Experimental e Comparada da Universidade de Paris 13 e preside o Cofecub há dois anos e meio. O acordo mais antigo envolve o comitê e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“O acordo Capes-Cofecub, que também completará 30 anos em 2009, envolve todas as universidade do Estado de são Paulo, que representam uma grande proporção dos projetos selecionados”, disse Jaisson, que, em sua visita ao Brasil, participou de uma reunião com a coordenação do Capes-Cofecub em Campo Grande (MS).

“Esse acordo teve um efeito muito significativo, permitindo a formação de mais de 1,5 mil doutores brasileiros, além de mais algumas centenas de doutores franceses. É um acordo de formação de jovens pesquisadores por meio de projetos de pesquisa em comum”, destacou.

O acordo envolve principalmente pesquisadores brasileiros, mas também muitos franceses, segundo Jaisson. “Há grande interesse de estudantes franceses por bolsas no Brasil, especialmente em determinadas áreas como biologia, medicina, física, química, informática, matemática e ciências sociais”, disse.

Segundo Jaisson, a demanda por bolsas na área de biologia poderia ser ainda maior devido à grande biodiversidade brasileira, mas há entraves burocráticos. “Infelizmente, há dificuldades para os pesquisadores que trabalham com biodiversidade. Não se pode exportar amostras vivas do Brasil sem formalidades que levam anos, o que representa grande dificuldade para a biologia. Quando as regras do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se tornarem mais flexíveis, certamente a França enviará mais pesquisadores”, apontou.

Além do Capes-Cofecub, o comitê também mantém acordos com a Universidade de São Paulo (USP) e com a FAPESP. “O USP-Cofecub, ao contrário do acordo com a Capes, não é destinado a formar doutores. Trata-se de um acordo de pesquisa entre pesquisadores seniores. Já o FAPESP-Cofecub é um acordo de mobilidade especialmente voltado para estudante franceses de pós-doutorado”, explicou.

A Universidade de Paris 13, que sedia o Cofecub, também mantém há 15 anos o programa Ecos (Avaliação-orientação da Cooperação Científica, na sigla em francês), que envolve seis países da América Latina e apóia intercâmbio de pesquisadores em períodos de curta duração para doutorandos.

“Temos versões do Ecos no Chile, no Uruguai, na Argentina, na Colômbia, na Venezuela e no México. Pensamos atualmente em articular alguns desses programas entre eles para formar um programa semelhante ao Cofecub envolvendo o Mercosul”, declarou.

Jaisson afirmou que, embora a gestão dos programas Ecos e do Cofecub não tenham relação direta, há sinergia entre eles. “Ambos estão na mesma universidade francesa, a Paris 13, que é responsável por gerenciá-los. Há uma grande integração na avaliação de projetos”, disse.

Segundo ele, o impacto do Cofecub é bastante considerável, especialmente do ponto de vista qualitativo. “Todos os projetos do Cofecub são avaliados por dois especialistas de cada lado. Com uma análise rigorosa de quatro revisores, é possível que algum bom projeto possa nos escapar, mas temos certeza de que todos os que são aprovados são excelentes. A excelência é o nosso critério fundamental”, afirmou.

O Cofecub também tem grande impacto humano, segundo Jaisson. “Temos entre 250 e 300 missões de cada lado, com especialistas brasileiros e franceses, além dos estudantes. São dois estudantes por projetos no acordo com a Capes. Temos mais de 110 projetos em curso, então há mais de 220 estudantes brasileiros que têm bolsas na França atualmente”, disse.

Mais informações: www.univ-paris13.fr/cofecub-ecos

Fonte: Agência FAPESP

Entrevista com o Presidente da Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação do Congresso Nacional

Seção Impressão entrevista o presidente da Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação do Congresso Nacional

Nesta edição, a Seção Impressão entrevista o presidente da Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação do Congresso Nacional, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG). Durante a conversa, ele fala sobre o trabalho do grupo, que surgiu em 2007 com a proposta inicial de atuar em prol da pesquisa agropecuária. No entanto, a atuação da frente foi recentemente ampliada.

De acordo com Piau, ao longo dos últimos meses, diferentes segmentos de vários elos da economia brasileira manifestaram preocupação com a pouca representatividade da pesquisa e da inovação no Congresso Nacional. “Para nós ficou claro que não existe nenhum outro movimento parlamentar para apoiar essas demandas”, afirma.

Entre outros pontos, ele também fala sobre o convite que foi feito recentemente à ABIPTI para atuar como secretaria executiva do grupo. O parlamentar destaca que a frente é um movimento de 219 deputados e senadores e precisa de uma secretaria executiva dinâmica e atuante, com forte mobilidade operacional, dotada de profissionais competentes e com forte interação com a cadeia brasileira da pesquisa e inovação. Veja, a seguir, a entrevista na íntegra:

O senhor preside a Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação, que foi instalada no ano passado. Quais são as prioridades da instância?
Uma Frente Parlamentar é uma associação suprapartidária de pelo menos um terço de membros do Poder Legislativo Federal, destinada a promover o aprimoramento da legislação federal sobre determinado setor da sociedade.

A Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação é um movimento político suprapartidário, com parlamentares de praticamente todos os Estados brasileiros, que visa promover e intervir no desenvolvimento de políticas públicas, no aprimoramento da legislação nacional e no fortalecimento da pesquisa e da inovação. Procura remover obstáculos que limitam o desenvolvimento científico e tecnológico do país e aumentar a alocação de recursos orçamentários e financeiros ao desenvolvimento científico e tecnológico.

As prioridades para o período 2008/2010 fazem parte do Plano de Trabalho e foram organizadas para: a) organizar a agenda legislativa da pesquisa e da inovação; b) promover e intervir no desenvolvimento de políticas públicas, visando o fortalecimento da pesquisa e maior desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil; c) manter um canal permanente de comunicação com as organizações que formam a Cadeia Brasileira de Pesquisa e Inovação visando remover obstáculos que impedem a maior eficácia da pesquisa e da inovação tecnológica na economia brasileira; d) fortalecer e consolidar a presença e o posicionamento das entidades que integram a Cadeia Brasileira de Pesquisa e Inovação no Congresso Nacional, visando ao aprimoramento da legislação referente à P,D&I; e) promover a alocação de recursos orçamentários e financeiros para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

Enfim, a nossa intenção é buscar no desenvolvimento científico e tecnológico uma base de suporte para o desenvolvimento do país fazendo aqui na Câmara dos Deputados toda ação necessária para o fortalecimento do setor.

Em entrevista ao Gestão C&T , o secretário executivo da Frente, Dante Scolari, nos explicou o motivo da mudança no nome da instância, que foi inicialmente chamada de Frente Parlamentar Mista de Apoio à Pesquisa Agropecuária e Transferência de Tecnologia. Como o senhor avalia essa mudança e o que de fato ela representa em ações?
O pensamento inicial era fazer uma frente realmente mais voltada para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro, pois havia uma forte demanda das organizações de pesquisa agropecuária de todo o país nesse sentido. Essas ICT’s do agronegócio possibilitaram ao país um grande domínio tecnológico em termos de agricultura tropical, principalmente com base em conhecimentos oriundos da chamada “revolução verde” que preconizava o uso de insumos modernos como fertilizantes, produtos fitossanitários e sementes melhoradas geneticamente, além de irrigação, melhoria na capacidade de gestão, infra-estrutura de apoio a produção, políticas setoriais especificas, entre outros.

Com o avanço do conhecimento, principalmente nas chamadas áreas portadoras de futuro (biotecnologia, nanotecnologia, agricultura de precisão e agroenergia) essas instituições estão seriamente preocupadas, pois o país pode perder essa condição de liderança competitiva na produção agrícola tropical no mundo. A biotecnologia orientada para a agricultura avança a passos de gigante em vários países que são nossos competidores no mercado mundial e vários produtos agrícolas já incorporam inovações biotecnológicas, inovações essas protegidas sob a legislação de patentes.

Essas ICT’s sabem perfeitamente que a produção de alimentos no futuro próximo estará altamente dependente desses novos conhecimentos e que qualquer limitação na geração dessas novas biotecnologias poderá causar uma forte dependência tecnológica da agricultura brasileira. Desse modo, quando do seu lançamento, a Frente sinalizou para todos os atores de pesquisa, desenvolvimento e inovação orientados para o agronegócio esse compromisso de trabalhar para possibilitar um avanço acelerado na legislação que trata dessa matéria no Congresso Nacional.

Questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável e tecnologias sociais, envolvendo os problemas relacionados com a disponibilidade de água potável, fontes mais baratas e limpas de energia, além da saúde, medicamentos e alimentos, bem como tecnologia nuclear, células solares e combustíveis alternativos, etc., estão presentes na pauta brasileira de P,D&I. Na área médica, por exemplo, existe uma grande discussão sobre o uso de células troncos para pesquisas terapêuticas voltadas ao ser humano – a indecisão do Estado brasileiro acaba atrasando esse tipo de pesquisa no país e pode significar maior dependência no futuro. Essa discussão está presente no Congresso Nacional.

Ao longo dos últimos meses, diferentes segmentos de vários elos da economia brasileira manifestaram preocupações semelhantes, inclusive com a pouca representatividade da pesquisa e da inovação no Congresso Nacional. Para nós ficou claro que não existe nenhum outro movimento parlamentar para apoiar essas demandas. Desse modo entendemos que a Frente deve trabalhar orientada para atender a demanda de todos os segmentos da pesquisa e da inovação no país. Além da agropecuária, informática, comunicação, construção civil, papel e celulose, aviação, segmento automotivo, área médica, cosméticos, transportes, automação bancária, energia, etc. passaram a fazer parte do escopo de trabalho da Frente.

Essa mudança significa que o nosso compromisso parlamentar com o sistema brasileiro de pesquisa e inovação tecnológica assumiu uma importância muito maior. Apesar de haver uma grande concentração de cientistas nas instituições científicas e tecnológicas públicas (quase 80% dos cientistas e engenheiros) já existe um forte movimento de inovação tecnológica em um grande número de empresas privadas. Esse processo intenso pode ser verificado quando se observa o crescente volume de recursos remetidos ao exterior por conta das importações de tecnologias em vários setores da economia.

Esse processo de importação de tecnologias é muito importante para a sociedade brasileira e deve ser fortalecido. A crescente internacionalização da nossa economia significa a modernização das nossas estruturas produtivas, a melhoria contínua de métodos e produtos, a redução de custos e o aumento da competividade, gerando mais emprego e mais renda para o país. Mas entendemos que uma parcela importante desse conhecimento tecnológico pode ser gerada no país, principalmente por meio de parcerias entre agentes públicos e atores privados.

O Poder Executivo tem feito um grande esforço nesse sentido, com uma forte atuação em termos de políticas específicas de vários ministérios, com destaque para o MCT, MDIC e Mapa que procuram estimular e fomentar a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação tecnológica. Cabe ao Congresso Nacional um papel relevante nesse processo - criar uma legislação que seja de fato um instrumento de estímulo e fomento ao desenvolvimento tecnológico da economia brasileira. E a Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação pretende ser o elo da sociedade brasileira junto ao Congresso.

Quais contribuições o senhor acredita que a ABIPTI poderá dar à secretaria executiva da frente?
A frente é um movimento de 219 deputados e senadores e precisa realmente de uma secretaria executiva dinâmica e atuante, com forte mobilidade operacional, dotada de profissionais competentes e com forte interação com a cadeia brasileira de pesquisa e inovação. Nesse processo analisamos várias alternativas operacionais, como fundações, empresa de propósito específico, empresa privada de prestação de serviços, associações de classe da área de pesquisa e inovação, sociedades científicas etc.

Chegamos a conclusão que o ideal era uma organização que tivesse credibilidade pública, conhecimento desse mercado de pesquisa e inovação, forte interação com atores públicos e entes privados, experiência no trato da coisa pública e que tivesse como desafio aceitar esse compromisso. Nesse contexto, o nome da ABIPTI surgiu como a organização que preenchia todos esses requisitos, portanto não há necessidade de se criar algo novo. Então a ABIPTI pode operar como uma secretaria da frente, inclusive arrecadando recursos para o desenvolvimento dos trabalhos e, portanto, pode fazer toda essa operação de secretaria. A escolha da ABIPTI para mim é uma escolha feliz porque é um órgão tradicional, de conceito e que poderá conduzir este aspecto da secretaria muito bem. Esperamos que a ABIPTI aceite esse desafio de ser a figura operacional da nossa frente.

O Congresso Nacional conta atualmente com diversas frentes parlamentares. No entanto, apenas um número restrito de frentes tem se mostrado atuante. Como o senhor avalia o papel desempenhado por essas instâncias?
Realmente são várias frentes parlamentares e poucas têm uma atividade mais freqüente ao longo do exercício do ano legislativo. Julgo que criar é fácil, fazer funcionar é difícil. O Congresso Nacional não dispõe de recursos específicos no seu orçamento para bancar o trabalho dessas associações. Além disso, muitas vezes as frentes são criadas para defender ações legislativas específicas em determinados momentos da vida nacional. Cumprido esse objetivo, o trabalho dos parlamentares acaba sendo orientado para o atendimento de outras demandas específicas.

Como sabemos, o Brasil é um país que não prima pela simplificação das leis, muito pelo contrário, a legislação brasileira de um modo geral é complexa e confusa e isso dificulta o trabalho parlamentar nas frentes. Mas algumas tem tido uma atuação política expressiva. As frentes, por exemplo, do meio ambiente e da agropecuária, da qual também sou membro, são frentes com atividades parlamentares intensas. Nesses dois casos, existe uma forte participação de segmentos expressivos da sociedade por meio de pessoas e de organizações. Essa participação constante, pressão e demanda permanente de pessoas e de instituições são o oxigênio e a vida destas frentes parlamentares e é isso que queremos: participação forte e atuação de todos os atores da cadeia brasileira de pesquisa e inovação.

Existem muitas instituições públicas, universidades, empresas estaduais de pesquisa, além de empresas da iniciativa privada que dependem do parlamento para ajustar a legislação e ter os incentivos tecnológicos. Acredito que com uma secretaria bem estruturada, com a frente bem coordenada e conduzida, com parlamentares envolvidos no desenvolvimento do setor de ciência e tecnologia, podemos colocar esta frente tão ativa quanto as mais ativas aqui da Câmara Federal.

O senhor é relator da Subcomissão de Ciência e Tecnologia da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. Qual é o principal objetivo dessa subcomissão?
A CCTCI regimentalmente atua para o aperfeiçoamento do arcabouço legal e no acompanhamento e fiscalização das ações do Poder Executivo. Especificamente atua no desenvolvimento científico e tecnológico, na política nacional de ciência e tecnologia e organização institucional do setor e em acordos de cooperação com outros países e organismos internacionais. Pode-se notar que são objetivos abrangentes e difíceis de serem alcançados.

Na área de C&T foi criada essa subcomissão específica, onde sou o relator e o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB/DF) ocupa a presidência nessa legislatura, que regimentalmente atua para aperfeiçoar os marcos legais, acompanhar e fiscalizar as ações do Poder Executivo, acompanhar a execução orçamentária dos fundos setoriais, garantir a aplicação integral dos recursos orçamentários previstos nas rubricas de ciência e tecnologia (emendas à LDO) e propor emendas ao orçamento destinando recursos ao setor.

Nós não podemos fazer tudo, cobrir tudo, então elegemos depois de vários debates na própria comissão, juntamente com o deputado Rodrigo Rollemberg os caminhos a seguir. Nessa legislatura os objetivos gerais dessa Subcomissão são fazer o acompanhamento da política nacional de ciência e tecnologia, principalmente no que diz respeito à execução orçamentária e financeira dos fundos setoriais e dos programas de apoio ao desenvolvimento tecnológico de empresas e instituições científicas e tecnológicas.

Especificamente, estamos fazendo o seguinte. Nos fundos setoriais, o acompanhamento do desempenho orçamentário e financeiro do fundo voltado à interação universidade-empresa, o chamado Fundo Verde-Amarelo e do CT-Infra. A informação disponível é que a execução desses fundos está muito abaixo do que seria esperado e que há demora na liberação dos recursos aprovados pelo Congresso Nacional. A nossa tarefa é acompanhar e fiscalizar essas execuções orçamentárias e financeiras. Também estamos acompanhando o desempenho orçamentário e financeiro dos programas de apoio ao desenvolvimento tecnológico de empresas baseados em subvenção econômica (financiamentos não-reembolsáveis) e incentivos fiscais. Queremos saber por que a iniciativa privada não está utilizando plenamente os recursos disponíveis. Se a pouca utilização for devida a entraves na legislação, queremos ajudar a resolver.

Além disso, queremos saber o que está acontecendo com o desempenho orçamentário e financeiro do Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos. Entendemos que o desenvolvimento e a ampliação dos parques tecnológicos deve ser uma grande prioridade para o Brasil, a semelhança do que já acontece em outros países. Então, essa subcomissão acompanha de perto o trabalho que a Finep e o MCT estão realizando nessas áreas. Basicamente, essas são as prioridades da subcomissão para o ano de 2008.

O senhor é pesquisador da Epamig. Qual é a sua avaliação em relação à atuação da empresa e das Oepas de maneira geral?
As OEPAs são organizações estaduais relevantes para o fortalecimento tecnológico do setor agropecuário nos 16 Estados brasileiros onde atuam. Executam um importante papel, na geração de inovações, na difusão de novas tecnologias de produção juntamente com os sistemas estaduais de assistência técnica e extensão rural e também na agregação de valor à produção agropecuária. Em um grande número de Estados, são importante fonte de inovações principalmente para os pequenos e médios produtores. As Oepas têm prestado um trabalho relevante com relação ao desenvolvimento do conhecimento. Os governos estaduais, com os escassos recursos de que dispõem, e dentro das limitações dos seus orçamentos, procuram apoiar financeiramente da melhor maneira essas organizações.

Mas estamos vivendo uma época onde o avanço do conhecimento é muito rápido e onde a tendência é que novos conhecimentos possam surgir a intervalos de tempo cada vez menores. As novas ferramentas a disposição dos pesquisadores, principalmente a utilização da informática, biotecnologia e nanotecnologia são catalisadores poderosos na geração de novos conhecimentos e inovações. Sem um forte apoio do governo federal e de parcerias estaduais proativas, permanentes e duradouras com agentes públicos e privados, dentro e fora do agronegócio, principalmente com as universidades, essas organizações terão dificuldades em continuar desempenhando esse importante papel social e econômico para o país.

O papel delas é fundamental na geração de soluções tecnológicas diferenciadas em regiões específicas e para diferentes cadeias produtivas regionais, onde os órgãos federais de P&D, como a Embrapa, não conseguem atuar. Portanto o governo federal pode e deve participar com recursos para fortalecer estas entidades que muitas vezes precisam de recursos adicionais para modernizar laboratórios, capacitar recursos humanos e financiar despesas de custeio nos projetos de P&D. Em muitos casos, com pouco dinheiro se consegue fazer muita coisa. A Frente está atenta a esses problemas e vamos trabalhar para fortalecer também os sistemas estaduais de P, D&I.

Fonte: Bianca Torreão / Gestão CT

FNDCT poderá ter aumento de 52% em 2009

A proposta orçamentária da União 2009 deverá prever um crescimento de 52% nos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

O percentual foi aprovado, no dia 16, pelo Conselho Diretor do fundo e representa R$ 3 bilhões. A informação foi dada ontem (17), pelo presidente da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), Humberto Barbato, durante a abertura do 7º Encontro Nacional da Inovação Tecnológica (Enitec), que acontece até hoje (18), em Brasília. “Em 2009, serão colocados à disposição do MCT e da sociedade R$ 3 bilhões, o que é um número nada desprezível quando se fala em pesquisa e em inovação”, disse Barbato.

Durante o evento, o gerente técnico dos fundos setoriais da Finep, Alexandre de Andrade, informou que esse aumento do FNDCT em mais de 50% é justificado por dois fatores. Um deles é o cumprimento do cronograma de descontingenciamento do governo federal, onde ano a ano teria uma regressão no valor contingenciado. O outro motivo é um forte aumento na arrecadação. “A maior parte do FNDCT é rastreada do petróleo e a produção aumentou também”, disse.

O presidente da Protec destacou que, durante a reunião do Conselho Diretor do FNDCT, teve a oportunidade de afirmar que o futuro da indústria do Brasil passa por aquela instância, principalmente o futuro da pequena e média empresa. “Estas são as que mais necessitam do compartilhamento dos riscos da inovação, fator esse vital para a sobrevivência em um mundo cada vez mais globalizado”, afirmou Barbato.

Visão da indústria
Ainda durante a abertura, o diretor geral do Serviço Social da Indústria (Sesi), Antônio Carlos Brito Maciel, lembrou que as empresas vêm encontrando dificuldades em promover a sua capacitação tecnológica em razão da rapidez das mudanças e, principalmente, dos elevados custos e riscos do investimento em inovação. Ele lembrou que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) dedicou grande esforço à aprovação das leis do Bem e de Inovação.

Maciel ainda apontou como avanço a ser comemorado o consenso em torno do qual a idéia de que a inovação é requisito indispensável à competitividade das empresas. “É preocupante, entretanto, que o gasto nacional em pesquisa e desenvolvimento seja de apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB), que é bem inferior aos países emergentes”, afirmou.

Ele apontou ações diretas do Sistema Indústria voltadas para a inovação, em grande parte por meio da CNI/Sesi/Senai/IEL. Maciel destacou que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) possui um conjunto singular de competências laboratoriais, de serviços técnicos e tecnológicos, e de capacitação de recursos humanos com capilaridade nacional e cultura de atendimento às empresas industriais. “As suas ações possibilitam ganhos de produtividade e competitividade para as empresas que são atendidas pela sua ampla rede de centros tecnológicos”.

O diretor ainda citou o Programa de Propriedade Intelectual para a Indústria, desenvolvido pela CNI/Senai em parceria com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); o Programa Inova Engenharia, desenvolvido pela CNI/Senai/IEL; e os congressos brasileiros de inovação na indústria, que até hoje já mobilizaram mais de 1,5 mil participantes.

A cerimônia de abertura do 7º Enitec ainda contou com a participação do superintendente do IEL, Carlos Rocha Cavalcante, do diretor de Inovação da ABDI, Evando Mirra, do diretor geral da Protec, Roberto Nicolsky, e da Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, Samira Crespo.

Informações sobre o 7º Enitec podem ser obtidas no site www.protec.org.br.

Fonte: Bianca Torreão / Gestão CT

10º Encontro Nacional de Hospitais da Rede Sentinela

Encontro nacional de hospitais discute segurança do paciente

Mais de 300 profissionais discutem, a partir desta quarta-feira (17), em São Paulo (SP), o que os hospitais públicos e privados estão fazendo para aumentar a segurança dos pacientes e melhorar a qualidade dos serviços. O 10º Encontro Nacional de Hospitais da Rede Sentinela vai reunir gestores de risco de 210 hospitais brasileiros, além de palestrantes internacionais, técnicos de vigilâncias sanitárias, pesquisadores e representantes do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Os profissionais brasileiros conhecerão as experiências de duas instituições canadenses apontadas como referência em segurança do paciente: Safer Health Care Now, da província de Alberta e Centre for Global Health Innovation, ligado à universidade de Toronto.

Além da apresentação de experiências nacionais e internacionais bem sucedidas, serão abordados temas, como a acreditação de hospitais e a avaliação de novas tecnologias em saúde. Serão discutidas também a evolução e a qualidade da produção de notificações de eventos adversos (efeitos não desejados decorrentes do uso) e de queixas técnicas (suspeitas de alteração ou irregularidade de um produto) por parte dos hospitais.

O encontro será aberto às 18h pela chefe do Núcleo de Gestão do Sistema Nacional de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária (Nuvig), Luiza de Marilac Meireles e pelo ex-diretor-presidente da Anvisa e atual superintendente corporativo do Hospital Sírio-Líbanês, Gonzalo Vecina Neto.

Simultaneamente, ocorrerá o encerramento do curso de pós-graduação “Saúde Baseada em Evidências”. Resultado de uma parceria entre a Agência Nacional de Vigilãncia Sanitária (Anvisa) e o Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital Sírio-Líbanês, o curso formou 957 alunos em 23 estados brasileiros.

O objetivo do curso é capacitar os profissionais da Rede Sentinela para a análise crítica da efetividade e segurança dos tratamentos médicos atualmente disponíveis.

Hospitais Sentinelas
Criada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a Rede de Hospitais Sentinelas constitui uma rede nacional de hospitais, cuja finalidade é a notificação ativa e qualificada de queixas técnicas e eventos adversos relacionados a materiais médico-hospitalares, equipamentos eletro-eletrônicos, medicamentos, sangue e hemoderivados, saneantes e kits diagnósticos.

As notificações geradas dentro dos hospitais são encaminhadas à Anvisa por meio do Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária (Notivisa). Em 2007, as instituições de saúde (hospitais e clínicas) foram responsáveis por 99% (2156) das notificações relacionadas a eventos adversos e 80% (4947) das notificações referentes a queixas técnicas.

O agrupamento e interpretação das notificações aperfeiçoa o conhecimento sobre os efeitos dos produtos, torna possível alterar recomendações sobre seu uso e cuidados, além de subsidiar ações de proteção à saúde pública.

Confira a programação (PDF)

Fonte: Ascom - Anvisa

Imigração e Raça na conformação das identidades e da estrutura social paulista

O seminário Imigração e Raça na conformação das identidades e da estrutura social paulista será realizado nos dias 25 e 26 de setembro, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia, o encontro tem apoio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFSCar e do Grupo de Trabalho Migrações Internacionais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).

Entre os convidados do evento estão Boris Fausto, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo, e Georg Reid, pesquisador da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

No dia 25, às 9h, Andrews falará sobre "Imigrantes e Afrodescendentes na América Latina, 1880-1930: um enfoque comparativo". Fausto apresentará a palestra "Identidades paulistas: O influxo dos imigrantes”, às 14 horas do mesmo dia.

O simpósio será realizado no auditório do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar, na área sul do campus São Carlos.

Mais informações: www.ufscar.br

Fonte: Agência FAPESP

Protec realiza a entrega do Prêmio Inovar para Crescer

A Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec) realizou, ontem (17), em Brasília, durante o primeiro dia do 7º Enitec, a cerimônia de entrega do Prêmio Inovar para Crescer. Instituída em 2005, a premiação é um reconhecimento ao esforço continuado das indústrias na constante agregação de inovações tecnológicas como uma ferramenta básica da estratégia de competitividade e crescimento.

A vencedora na categoria Grande Empresa foi a Marcopolo, fabricante de carrocerias de ônibus desde 1949, com sede em Caxias do Sul (RS). Hoje, a empresa fatura R$ 2 bilhões, investe 5% de sua receita em pesquisa e desenvolvimento e tem um departamento com 300 funcionários nessa área. O prêmio foi recebido pelo coordenador de Design de Produtos da Marcopolo, Petras Amaral Santos.

“A Marcopolo está bastante orgulhosa de receber esse prêmio porque ela vem investindo continuamente em exportações e em se tornar uma empresa competitiva. Por meio da inovação continuada como processo inserido no DNA da empresa ela vem conquistando mercados e produzindo inovações”, disse Santos.

Na categoria Média Empresa a ganhadora foi a Ecil Met Tec, fabricante de sensores para siderurgia fundada em 1929, no Rio de Janeiro (RJ). Hoje, a empresa está instalada em Piedade (SP). A empresa tem um faturamento de R$ 100 milhões, exporta para diversos países e investe 2% da sua receita em P&D de inovações. A premiação foi recebida pelo diretor geral da Ecil Met Tec, Nelson Luis Freire. “Esse prêmio está ligado ao fato de uma empresa tão antiga ter que se reinventar continuamente para permanecer no mercado em que atua, que é eminentemente tecnológico”, disse.

Informações sobre o Prêmio Inovar para Crescer podem ser obtidas no site www.protec.org.br.

Fonte: Bianca Torreão / Gestão CT

Finep lança edital para criação de CVTs

No último dia 16 de setembro, a Finep lançou uma chamada pública, no valor de R$ 10 milhões, para criação e modernização de centros vocacionais tecnológicos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Os recursos não são reembolsáveis. As propostas selecionadas serão apresentadas em arranjo, por instituições de ensino e pesquisa, públicas ou privadas, sem fins lucrativos. Os projetos devem ser encaminhados por meio eletrônico até o dia 20 de outubro de 2008.

A iniciativa dos centros vocacionais tecnológicos prevê a articulação com a sociedade para a oferta de oportunidades de inserção profissional e produtiva do trabalhador de todas as idades. Os cursos propiciam desde a formação profissional básica até o ensino tecnológico e de experimentação científica.

O formulário para apresentação da proposta vai estar disponível no site www.finep.gov.br amanhã. A divulgação da lista das entidades selecionadas na chamada pública será a partir do dia 28 de novembro.

A chamada pública está disponível neste link.Mais informações, no site www.finep.gov.br.

Fonte: Gestão CT

Dor nos dentes e gengivas e fatores associados em adolescentes brasileiros: análise do inquérito nacional de saúde bucal SB-Brasil 2002-2003

Dental and gingival pain and associated factors among Brazilian adolescents: an analysis of the Brazilian Oral Health Survey 2002-2003

Números dolorosos
Uma pesquisa realizada em 250 municípios brasileiros constatou alta prevalência de dor nos dentes ou nas gengivas entre adolescentes de 15 a 19 anos. O estudo, que envolveu municípios das cinco regiões do país, de diferentes portes populacionais, identificou o problema em 35,6% dos jovens.

Para a análise foram utilizadas informações de 16.126 adolescentes que participaram do Levantamento Epidemiológico Nacional de Saúde Bucal (SB-Brasil), entre 2002 e 2003. O estudo foi publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, editada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De acordo com uma das autoras do trabalho, Karen Glazer Peres, professora do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), embora existam poucos estudos de base populacional que possibilitem comparações, o índice de prevalência de mais de 35% é considerado alto.

“Praticamente um em cada três adolescentes apresentou dor de dente em um curto espaço de seis meses anteriores à pesquisa”, disse Karen. O estudo contou com outros pesquisadores da UFSC e da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

Ela destaca que outra pesquisa de acompanhamento de adolescentes até 12 anos de idade, feita em Pelotas (RS), também apontou números preocupantes. “Observamos ali que 63% dos entrevistados relataram dor de dente em algum momento da vida e 11% no período de um mês anterior à entrevista”, disse Karen, que também é pesquisadora associada da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel).

Na análise das variáveis independentes, o estudo baseado em dados do SB-Brasil apontou alta prevalência em adolescentes que não estudam (40,2%), com menor escolaridade (41,8%) e com menor renda per capita, que relataram mais dor nos dentes ou nas gengivas que os demais. Verificou-se também que o problema afeta mais as meninas (37,8%) do que os meninos (32,6%).

Karen afirma que existem duas possíveis explicações para uma maior prevalência feminina. “Alguns pesquisadores apontam que diferentes mecanismos biológicos são desencadeadores da dor em homens e mulheres. E, por outro lado, essa diferença pode estar representando normas sociais para a expressão da dor. Ou seja, os meninos procuram se mostrar mais resistentes e, portanto, tendem a relatar menos dor”, disse a professora, que é formada em odontologia pela UFSC.

Continuidade do estudo
Segundo ela, o tamanho da amostra garantiu resultados robustos. Outro ponto que contribuiu para dar solidez ao estudo foi o tempo. O período de seis meses teve base em um parâmetro adotado a partir de estudos encontrados na literatura.

“A opção de se perguntar sobre a experiência de dor de dente ocorrida nos últimos seis meses não está relacionada ao desenho da pesquisa. Esse é um dos parâmetros encontrados na literatura, pelo qual se optou, possibilitando comparações com outros estudos”, explicou.

A associação entre condição socioeconômica e dor nos dentes ou nas gengivas corroborou o que se verificou em estudos anteriores, mas não existe consenso na literatura científica sobre essa associação. Segundo Karen, o desenho do estudo não permite inferir causalidade, e sim associação.

“Pesquisas com delineamento mais apropriado para esse tipo de inferência têm mostrado que indivíduos pertencentes a estratos sociais desfavorecidos economicamente têm pior condição de vida, menor acesso a bens de consumo e auto-cuidado, além de utilizar menos os serviços de saúde. Essas pessoas apresentam maior prevalência e gravidade da cárie dentária, principal causa de dor de dente”, apontou.

A pesquisa terá continuidade a partir de 2010, quando está previsto um novo levantamento epidemiológico de saúde bucal nacional. Karen alerta para a necessidade de se garantir o acesso da atenção à saúde bucal e do cuidado desses grupos com o objetivo de garantir a eqüidade, um dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Diminuir a prevalência de dor é um dos principais objetivos da profissão odontológica e do SUS. Somente neste próximo estudo poderemos saber se essa meta foi atingida”, disse.

Para ler o artigo Dor nos dentes e gengivas e fatores associados em adolescentes brasileiros: análise do inquérito nacional de saúde bucal SB-Brasil 2002-2003, de Karen Glazer Peres e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Inovação é a chave para que se faça a transição tecnológica para a sociedade sustentável

Agenda da Protec é a mesma que a do meio ambiente, diz secretária do MMA

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) defendeu, ontem (17), que a inovação é a chave para que se faça a transição tecnológica para a sociedade sustentável. “Não há nenhuma dissonância conceitual entre o MMA e as proposições da Protec”, destacou a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do órgão, Samira Crespo, durante a abertura do 7ª Encontro Nacional da Inovação Tecnológica. O evento se encerra hoje (18), em Brasília.

“A agenda da Protec é a agenda do meio ambiente”, afirmou a secretária. No entanto, ela ponderou que o MMA não tem tido nenhum protagonismo na procura do desenvolvimento de mecanismos de incentivo à inovação tecnológica. “Talvez porque as nossas tarefas sejam muito vinculadas à própria natureza normatizadora do ministério”, justificou.

Nesse sentido, Crespo ressaltou a atuação do órgão no Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), onde o ministério trabalha com resoluções que condicionam, ou colocam limitações ao desenvolvimento ou à comercialização de produtos. “Elas agem numa linha indutora do mercado, mas não apontam os mecanismos de incentivo”, afirmou.

A secretária ainda destacou a atuação do MMA em outra linha, a da Agenda 21 3P, que é voltada para ajudar o setor público a organizar as compras sustentáveis. “Ou seja, compreendendo que esse setor é um grande comprador do país nos serviços e produtos, ele deve ter posições de induzir o mercado a adotar tecnologias e conversões tecnológicas para melhor atender os parâmetros da sustentabilidade”, disse.

Entretanto, Crespo reconheceu que essas duas linhas de atuação são mais no sentido de colocar condicionantes e normas, e não incentivos. Segundo ela, o MMA não tem a cultura de trabalhar os mecanismos, sejam eles financeiros ou de outra natureza. “Em nome do ministro, venho trazer uma mensagem de que nós queremos mudar. Queremos sim integrar os grupos de trabalho para criar os mecanismos de incentivo”, afirmou.

Ozônio
A secretária lembrou que no dia 16 foi comemorado o Dia Internacional de Proteção à Camada de Ozônio e que o Brasil tem feito um excelente serviço atuando de maneira proativa e exemplar, capturando os gazes CFCs e cumprindo o Protocolo de Montreal. Nesse contexto, Crespo citou que o ministério desenvolve dois programas piloto onde são recicladas geladeiras.

De acordo com ela, recentemente o presidente Lula solicitou que esse programa fosse ampliado no próximo ano, para que fosse reciclado um milhão de geladeiras. A secretária destacou que, no entanto, não existe tecnologia no país para reciclar esse número. “Ou seja, esse é um exemplo emblemático de como você tem uma política pública, um direcionamento, mas ainda não tem no mercado a tecnologia necessária para que se destrua de modo ecologicamente correto e ambientalmente responsável um milhão de geladeiras”, destacou.

Fonte: Bianca Torreão / Gestão CT

Jornalistas se reúnem no MCT para discutir a cobertura da Semana Nacional de C&T

No último dia 12 de setembro, foi realizado na Sala dos Conselhos do MCT, em Brasília, um encontro das assessorias de comunicação das instituições participantes da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2008 (SNCT). Na ocasião, foi discutido o papel das assessorias na divulgação das atividades de ciência e tecnologia bem como a importância da C&T para a vida das pessoas e o desenvolvimento do país.

Durante o encontro, o assessor de comunicação do MCT, Ubirajara Júnior, alertou aos presentes que as informações sobre a SNCT 2008, cujo tema será a “Evolução e Diversidade”, precisam contribuir para que a população possa conhecer e discutir os resultados, a relevância e o impacto das pesquisas científicas e tecnológicas e suas aplicações.

No encontro, as instituições que estiveram presentes por meio de suas assessorias foram o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Serviço de Apoio às Pequena e Médias Empresas do Distrito Federal (Sebrae/DF), o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/DF), instituição associada à ABIPTI, entre outras. A ABIPTI esteve representada no encontro por jornalista da Agência Gestão C&T de Notícias.

Na mesma ocasião, as instituições apresentaram os veículos que disponibilizarão para a divulgação da SNCT. No fim, ficou definido um novo encontro a ser realizado no dia 10 de outubro na Sala dos Conselhos do MCT, às 9h.

Mais informações sobre a SNCT, por este link.

Fonte: Alessandra Braga / Gestão CT

Professor Charles Naspitz Especialista em alergia infantil falará sobre Asma na Rádio Pesquisa Brasil

Desafio da asma
O programa de rádio Pesquisa Brasil do próximo fim de semana terá como destaque a entrevista com o professor Charles Naspitz, fundador da disciplina de alergologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Especialista em alergia infantil, Naspitz fala sobre o desafio de compreender e tratar a asma. O cientista publicou até o momento 162 artigos científicos e quatro livros que são referência na área, três deles editados apenas em inglês.

Em 2007, a Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia, entidade mais prestigiosa da área no mundo, considerou um trabalho publicado por Naspitz em 1968 como um dos seis mais importantes em alergia e imunologia nos últimos 40 anos.

Nesse estudo desenvolvido durante mestrado na Universidade McGill, no Canadá, Naspitz demonstrou pela primeira vez que grãos de pólen provocam alterações morfológicas nos linfócitos, células de defesa que identificam e ajudam a eliminar microrganismos infecciosos ou substâncias estranhas ao corpo.

A descoberta do fenômeno levou à identificação de outros mecanismos celulares na resposta in vitro ao ragweed, tipo de pólen (derivado de ervas do gênero Ambrosia) ao qual os pacientes estavam sensibilizados.

Pesquisa Brasil é transmitido pela Rádio Eldorado AM (700 kHz) aos sábados, às 11h, e às 20h de domingo. Nos mesmos horários, pode ser acompanhado pela DirecTV, no canal de áudio 883, ou pela internet, no endereço www.radioeldoradoam.com.br.

A partir da tarde de segunda-feira, os interessados também podem ouvir o conteúdo do programa no site da revista Pesquisa FAPESP.

Fonte: Agência FAPESP

CTNBio aprova novos OGMs - Organismos Geneticamente Modificados

Novos OGMs são aprovados

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira (18/9) a liberação comercial de mais quatro variedades de organismos geneticamente modificados (OGMs). Foram aprovadas duas variedades de milho, uma de algodão e uma vacina animal contra a circovirose suína.

"Esses processos estavam sendo analisados há muito tempo e como já estavam concluídos colocamos em votação. A aprovação dá seqüência aos trabalhos da CTNBio", disse Walter Colli, presidente da comissão. Com o aval, o próximo passo é a liberação do produto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A primeira liberação comercial aprovada na sessão foi para uma variedade de milho tolerante a glifosato, que recebeu 16 votos favoráveis, três contra e uma abstenção. Na seqüência foi aprovado o pedido para liberação de uma semente de algodão, também tolerante a glifosato, que obteve 16 votos a favor, um contra e três abstenções.

A outra espécie de milho, também tolerante ao glifosato, foi aprovada com 16 votos favoráveis e quatro contra. Os membros da CTNBio aprovaram ainda, com 20 votos a favor, a comercialização de mais uma vacina contra a circovirose suína.

Ainda foram aprovados sete pedidos de liberação planejada no meio ambiente (pesquisa). Os integrantes da comissão aprovaram também diversas medidas, como alteração em Comissão Interna de Biossegurança (CIBio) e em Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB).

Mais informações: www.ctnbio.gov.br/upd_blob/0000/509.doc

Fonte: Agência FAPESP

Agroenergy - Feira Internacional de Tecnologias para Produção e Distribuição de Energias Limpas e Renováveis

Feira internacional de energias limpas e renováveis acontece em setembro

Nos dias 5 a 7 de novembro, será realizada, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo (SP), a primeira edição da Feira Internacional de Tecnologias para Produção e Distribuição de Energias Limpas e Renováveis (Agroenergy).

A feira será organizada pelo Grupo Cipa, responsável pela organização de feiras e congressos. O evento tem como objetivo agrupar em um mesmo espaço empresas que oferecem soluções para as necessidades mundiais de energia.

Ao todo, serão apresentados sete setores de energia: renováveis, solar, eólica, biomassa e seus produtos derivados, por célula a combustível, hidrelétrica, hidráulica (mares, ondas e correntezas).

Simultâneo a feira será realizada a conferência “Carbono Zero” que tem como propósito discutir as tecnologias para geração e distribuição de energias renováveis, bem como os formatos, aplicação e fornecimento. A programação da feira será das 14h às 20h.

Mais informações pelo link:www.feirasnacipa.com.br/agroenergy, ou pelo telefone (11) 5585-4355.

Fonte: Gestão CT

5º Congresso Brasileiro de Transplante de Fígado, Pâncreas e Intestino

O 5º Congresso Brasileiro de Transplante de Fígado, Pâncreas e Intestino será realizado em Búzios (RJ), de 9 a 11 de outubro de 2008.

O evento contará com a participação de palestrantes nacionais e estrangeiros, como Claus Niemann, da Universidade de São Francisco (Estados Unidos), John O’Grady, do Hospital King's College (Inglaterra), Jorge Reyes, da Universidade de Washington (Estados Unidos), e Ugo Boggi, da Universidade de Pisa (Itália).

Entre os principais tópicos do encontro estão “Novas propostas em imunossupressão”, “Recidiva da doença de base”, “hepatite fulminante”, “aspectos técnicos do transplante intervivo”, “transplante de pâncreas” e “transplante de intestino”.

Mais informações: www.gapcongressos.com.br/transplante2008 ou (21) 2215-4476 (RJ) ou 4004-0435, ramal 1301 (outros estados).

Fonte: Agência FAPESP

CNPq anunciará em outubro vencedores do 23° Prêmio Jovem Cientista

No dia 22 de outubro, o presidente do CNPq, Marco Antonio Zago, anunciará os vencedores do 23° Prêmio Jovem Cientista, que tem como tema a “Educação para Reduzir as Desigualdades Sociais”.
A cerimônia de entrega do prêmio acontecerá no dia 27 de novembro, no Palácio do Planalto, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o evento, será lançado oficialmente o tema da próxima edição do prêmio: Energia e Meio Ambiente.

Prêmio
O Prêmio Jovem Cientista tem como objetivo estimular a pesquisa, revelar talentos e investir em estudantes profissionais que procuram alternativas para os problemas brasileiros.

Mais informações, no site http://www.cnpq.br/, ou pelo telefone (61) 2108-9414.
Fonte: Gestão CT