domingo, 14 de setembro de 2008

UnB abre 230 vagas para professor

Concursos, autorizados por Portaria Interministerial de abril do ano passado, devem acontecer ainda neste semestre

A Universidade de Brasília (UnB) vai abrir concursos para preencher as vagas ocupadas por professores substitutos ainda neste semestre. As seleções serão realizadas seguindo a Portaria Interministerial n° 22 de 30 de abril de 2007.

“Nós descobrimos a possibilidade de abrir as vagas em junho, quando chegamos à Reitoria”, explicou o vice-reitor pro tempore da UnB, José Carlos Balthazar. Segundo ele, representantes da Secretaria de Ensino Superior (SESu) do Ministério da Educação (MEC) demonstraram surpresa pelo fato de a UnB não ter aberto os concursos anteriormente.

A portaria faculta às universidades realizar concurso público e prover cargos de Professor de 3º Grau observados os limites estabelecidos no próprio documento. Antes dela, as vagas deixadas por professores aposentados, por exemplo, não podiam ser gerenciadas pela universidade.

De acordo com os limites fixados pela norma, a UnB pode abrir 230 vagas (veja quadro). “Uma nota técnica da SESu de agosto de 2007 permite que o quantitativo de professor substituto contabilizado no banco de professores equivalentes seja convertido em professor efetivo”, explicou o vice-reitor.

Balthazar contou que a universidade está criando um comitê de Gerenciamento do Banco de Professor Equivalente vinculado ao CEPE. “A meta do comitê é promover gradativamente a redução de assimetrias e de carências nos quadros docentes das unidades e departamentos”, esclareceu.

DISTRIBUIÇÃO DAS VAGAS
222 professores substitutos
8 distribuídas de acordo com carências específicas
230 no total

Concurso vai contemplar as unidades que atualmente se apóiam fortemente no trabalho de professores substitutos para completar suas listas semestrais de oferta de disciplinas.

Fonte: UnB Agência

Nanoarte - Da Colméia às Flores

Exposição Nanoarte ganha versão digital na Web e em DVD

Com o sucesso da Nanoarte, exposição de imagens de microscopia do CMDMC, o Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (UNESP-LIEC) investe na difusão e combinação da ciência com a arte com utilização de novos meios como a Internet e DVD.

Assim, o trabalho que já foi exposto no evento da SBPC e no centro cultural da USP - São Carlos ganha novos meios de divulgação com utilização da tecnologia: foram desenvolvidas a versão digital da exposição na Web e em DVD, permitindo uma interação maior das pessoas com as imagens.

A captação das imagens foi realizada com equipamentos de ultra-resolução com a obtenção de imagens nanométricas bem interessantes e com formas variadas. A seleção de imagens foi feita por David C.Fugazza e a composição feita por Rorivaldo de Camargo e Ricardo Tranquilin.
O desenvolvimento das versões digitais é resultante da parceria com a Aptor Software, spin-off do CMDMC, que utilizou modernas técnicas para incrementar a exposição `virtual'. O usuário pode compartilhar suas opiniões com outros por e-mail, convidando amigos para visualizar e votar nas melhores imagens para formar um ranking.

Alumina Porosa, Complexo Hexaciano Metálico, Óxido de Ferro e Estanho, Óxido de Zinco são algumas das substancias que deram origem a esse interessante conjunto de imagens. Tais amostras foram feitas por pesquisadores do CMDMC em suas pesquisas científicas sendo que algumas foram se mostrando formas interessantes.

Uma inovação foi a colorização das imagens com utilização de recursos computacionais de última geração do CMDMC. Com a utilização de cores foi possível ressaltar detalhes e diferenciar estruturas possibilitando uma melhor visualização.

O título do DVD desenvolvido é "Nanoarte - Da Colméia às Flores", pois algumas imagens lembram o formato de formações de flores e colméias. O conteúdo do DVD também pode ser acessado pelo You Tube ou site do CMDMC.

Este novo DVD se soma a um conjunto de outros já produzidos pelo CMDMC como "Nanotecnologia: o Futuro", "Nanotecnologia: Inovação" e "Nanotecnologia: Cosméticos".

Para uma ambientação sonora das imagens tanto no DVD quanto na Web foi utilizada a reprodução de músicas clássicas. Mozart, Bizet e Beethoven são alguns dos clássicos compositores que ajudar a dar vida nas imagens microscópicas.

O internauta pode fazer e ler comentários sobre a imagem. Também é possível votar em escala de estrelas em relação ao gosto de cada um, sendo que é feita uma média para se saber qual a imagem que o público mais gostou e a cada mês serão informados rankings de votação.

O site da Nanoarte pode ser acessado pelo endereço:
www.cmdmc.com.br/nanoarte.

De acordo com o Prof. Elson Longo, diretor do CMDMC, "com a utilização de novas tecnologias um número maior de pessoas poderá entrar em contato com as imagens e também com a possibilidade de utilização de recursos áudio-visuais que complementam a visualização".

O que é Nanotecnologia e sua relação com a arte
Nanotecnologia é um neologismo e se refere à capacidade de compreender e controlar fenômenos e materiais em escalas nanométricas, usualmente, de 1 a 100 nanômetros. Inclui estudos de átomos, moléculas ou macromoléculas, especialmente a manipulação, combinação e integração, para criar e utilizar estruturas, dispositivos e sistemas que tenham propriedades e funções únicas devido ao seu tamanho diminuto.

Todas as ciências naturais se encontram na nanotecnologia, inclusive a arte.

Os autores desta obra explicam: "Ao selecionarmos as imagens, se fez necessário um aparato tecnológico onde procuramos entender o formato original da foto e a relação desta com a proposta deste trabalho e a composição técnico-fotográfica aplicadas nas exposições. As exposições colocarão o cidadão comum dentro do mundo da tecnologia, de modo a aguçar as curiosidades através das fotos exclusivas, possíveis de serem contempladas somente através de trabalhos desta natureza".

Fonte: J.A.S. / CMDMC

Anencefalia, sim ou não ao aborto


Anencefalia: entre o sim e o não
Quase sempre assuntos controversos costumam estimular o debate social e dividir opiniões. A discussão a respeito do aborto de fetos gerados sem cérebro não é diferente. Desde o último dia 26, o Supremo Tribunal Federal (STF) vem promovendo audiências públicas para ouvir as diferentes opiniões sobre o tema. Dessa forma, tanto cientistas quanto representantes religiosos poderão expor seus argumentos, contrários ou favoráveis à interrupção da gravidez de bebês com anencefalia, como a deficiência é cientificamente conhecida.

Setores que se opõem a esse tipo de aborto alegam que seja um atentado contra a vida. Por outro lado, entidades a favor acreditam que a mãe tem o direito de decidir. O caso da menina Marcela de Jesus Ferreira, que sobreviveu durante um ano e oito meses, embora tivesse anencefalia, despertou ainda mais polêmica.

Para falar sobre a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos, o Olhar Vital convidou a professora Eliane Falcão e o obstetra José Paulo Pereira Júnior.

Eliane Brígida Moraes Falcão
Professora do Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde da UFRJ e autora da pesquisa “Ciência e religiosidade: crenças religiosas entre cientistas”

“A origem da vida e dos seres humanos é objeto de interesse e fascínio de ambos os campos, ciência e religião. Diferentes religiões apresentam posicionamentos diferentes também para questões relacionadas à vida humana, ao aborto e ao destino. Embora a tendência seja a de defender a manutenção da vida, vista como criação divina, é possível encontrar posicionamentos diferenciados até mesmo no interior de cada religião. Veja o exemplo da entidade feminista Católicas pelo Direito de Decidir que expressa posição independente da religião católica. A origem da vida, assim como o início da vida humana, são temas relevantes das ciências que atualmente trabalham com hipóteses explicativas sustentadas por valiosos dados, mas ainda sem respostas completas. Entretanto as pesquisas têm fornecido importantes elementos, decisivos para situações cotidianas em casos de anencefalia: não só tornou possível a identificação deste fenômeno, como explicou os extremos limites da manutenção de sua vida.

Explicações científicas e religiosas para diferentes fenômenos ou temas convivem e, por vezes, conflitam ao longo da história das culturas humanas. As ciências, por definição e práticas metodológicas, estão enquadradas em um campo da cultura que pretende ter no constante questionamento e aprimoramento de técnicas investigativas o aperfeiçoamento de suas explicações e a legitimidade de um determinado tipo de conhecimento, o científico, sem recorrer ao que, grosseiramente, poderemos chamar de sobrenatural. Ou seja, as ciências permanecem no plano dos fenômenos naturais e sociais sem recorrer a possíveis poderes ou elementos considerados divinos ou extra-naturais. Isto não quer dizer que as ciências criticam ou desprezam necessariamente as crenças religiosas, apenas quer dizer que elas buscam outro tipo de explicações. Há cientistas profundamente religiosos e que não confundem os dois campos, apenas os diferenciam. As religiões são caracterizadas por conhecimentos e práticas valorizadas por tradições, que se organizaram a partir de algumas crenças não passíveis (e não precisam) de refutação objetiva ou empírica, e tendem à manutenção de suas visões e crenças ao longo do tempo.

Entretanto, não significa que as tradições religiosas sejam avessas a qualquer mudança. Ainda que permaneçam elementos dogmáticos como, por exemplo, a existência de um Deus no cristianismo ou de Orixás nas religiões de origem africana, o estudo das religiões apresenta hoje um amplo repertório de mudanças que ocorreram ao longo da história. E nessas mudanças encontram-se esforços de incorporação de elementos que vieram, inclusive, do campo das ciências.

Diferentes religiões compõem o conjunto das organizações da sociedade brasileira e, nesse sentido, devem ter também o direito à voz. Entretanto, não devem ser privilegiadas em relação às outras organizações. O estado laico está (deve estar sempre) em processo e, por isso, o Supremo Tribunal Federal deve manter as portas abertas para ouvir, considerar e discutir os diferentes posicionamentos das diferentes faces da sociedade. Se não o fizesse, o Supremo estaria confundindo poder secular com o que algumas religiões chamam de poder divino, ou agiria com base em convicções dogmáticas.

José Paulo Pereira Júnior Ginecologista, obstetra e chefe do setor de Medicina Fetal da Maternidade Escola da UFRJ

“A anencefalia consiste em uma deficiência fetal que ocorre por volta da quarta ou quinta semana de gestação, resulta na não-formação do cérebro, por diversos motivos. Nesses casos, mesmo sem tecido cerebral, a criança apresenta funções relacionadas ao que se chama de instinto. Na verdade, não é o cérebro propriamente dito o responsável por essas funções, mas outras estruturas que permitem, por exemplo, que o coração da criança bata ou que ela se movimente. Dessa forma, do ponto de vista de função integrada superior, não há visão, audição, paladar, aprendizado ou emoções, uma vez que estas se processam no cérebro.

Há uma diferença fundamental entre cérebro e encéfalo, duas áreas distintas que as pessoas geralmente costumam confundir. O cérebro, juntamente com as outras estruturas localizadas no crânio, compõe o encéfalo. Então, dizer que o bebê possui uma parte do encéfalo é diferente de falar que não existe cérebro. Anencefalia significa ausência de tecido cerebral encefálico. Portanto, o primeiro ponto é distinguir anencefalia de outras situações em que essas estruturas se formam, mesmo que de maneira deficiente. Um exemplo é o caso da menina Marcela de Jesus, do interior de São Paulo. Não tive acesso a informações mais detalhadas sobre esse caso, mas soube que não era anencefalia, e sim outra má-formação do sistema nervoso central.

A anencefalia pode ser diagnostica por volta da 11° ou 13° semana de gestação através do ultra-som realizado por especialistas. Na dúvida, pode ser realizada ainda a ressonância magnética. Os bebês sobrevivem, em média, dois ou três dias após o parto. Dessa forma, não existe tratamento.

Quanto à prevenção, alguns grupos preconizam que, do mesmo modo que a utilização de ácido fólico em gestantes carenciais pode diminuir o número de aberturas na coluna (disrafia de coluna), ou mesmo de fechamento do tubo neural mais alto, talvez ajude um pouco também na forma de prevenção da anencefalia.

Esta má-formação fetal pode trazer ainda riscos para as gestantes. A anencefalia com excesso de líquido amniótico, conhecida como poli-hidraminia, pode levar, por exemplo, ao aumento de volume do útero, parto prematuro e descolamento de placenta.

Portanto, pessoalmente, acho fundamental explicar isso tudo para a gestante. Se ela decidir avançar com a gestação, ninguém deve tentar influenciá-la, mas respeitar sua vontade. Por outro lado, acredito também que se a paciente entender que manter a gravidez pode ser um fator de sofrimento extremo, deve ser dada a chance de interrupção. Em minha opinião, decidir por ela é falta de humanidade. O papel do médico é respeitar o desejo da paciente, dentro dos limites médicos e fazer o que estiver ao seu alcance, respeitando o ponto de vista legal”.

Fonte: Luana Freitas / Olhar Vital

Habermas recebe o Prêmio Europeu de Cultura Política da Fundação Hans Ringier

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Harbermas foi agraciado com o Prêmio Europeu de Cultura Política, da Fundação Hans Ringier.

Nascido em 1929,Habermas é reconhecido mundialmente por suas teorias que influenciaram significativamente o desenvolvimento das ciências sociais modernas e da filosofia moral e também pela atuação em diferentes universidades.

Habermas recebeu a premiação de 50 mil euros durante o Festival de Cinema de Locarno, na Suíça. Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marco Aurélio Werle, a importância da filosofia de Habermas reside no modo como consegue mobilizar a tradição crítica da filosofia moderna, especialmente de Kant, Hegel e Marx, na direção de um enfrentamento dos dilemas que assolam a época contemporânea.

“Esse dilemas se definem pela possibilidade de encontrar bases que permitam a realização da liberdade entre os homens e a comunicação recíproca. Embora crítico da metafísica e da filosofia centrada nos discursos totalizantes e dogmáticos, Habermas acredita no poder da razão no estabelecimento de padrões universais de entendimento, pautados na possibilidade argumentativa da linguagem”, explica o filósofo Werle, exbolsista do DAAD e com doutorado sanduíche na Alemanha.

Habermas, que em 2009 completará 80 anos, nasceu em Düsseldorf. De 1949 a 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia nas universidades de Göttingen, Zurique e Bonn. Lecionou em Heidelberg. Mais tarde, foi contratado como assistente de Theodor Adorno no Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt. Em 1968, passou a lecionar em Nova York.

Ao voltar para a Alemanha em 1971, Habermas foi diretor do Instituto Max Planck por mais de uma década. Nos anos 1980, transferiu-se para a Universidade Johann Wolfgang von Goethe, em Frankfurt, onde permaneceu até aposentar-se, em 1994. Apesar da aposentadoria, continua a produzir artigos e novos trabalhos.

Fonte: DAAD

"Vozes da Amazônia" - Cientistas digitalizam cantos de pássaros da Amazônia


Coletânea é destinada a observadores de aves e àqueles que têm o hobby de viajar pelo mundo dos pássaros.

Quatro CDs onde os artistas são os pássaros da Amazônia e seus variados cantos foram lançados na sexta-feira (25/07), durante as comemorações de 54 anos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os CDs fazem parte do primeiro volume da Coletânea “Vozes da Amazônia brasileira”, organizada pelos pesquisadores Luciano Nicolás Naka, Mario Cohn-Haft; Philip Stouffer, Curtis Marantz, Andrew Whittaker e Richard Bierregaard do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF).

Os observadores vão curtir os que não são poderão descobrir que os cantos dos pássaros são ótimos sons para relaxar. A coletânea reúne sons inéditos de 340 espécies de aves diferentes. “São espécies que ocorrem regularmente nas reservas onde o Inpa tem projetos de pesquisa como as Reserva do PDBFF na ZF3, Adolpho Ducke, Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) - e outros projetos nas reservas da ZF2 e todas essas matas ao norte de Manaus”, informa Cohn-Haft.

O pesquisador explica que a coletânea surgiu como uma ferramenta educativa para treinamento de estagiários, alunos e pesquisadores do PDBFF. “O ouvido é uma ferramenta muito poderosa no estudo de levantamento de aves. Para estudar as aves, principalmente as aves florestais amazônicas, tem que escutar muito mais do ver. Esses alunos podem exercitar o ouvido com esses sons, dessa forma vão poder reconhecer as vozes dos pássaros das áreas onde eles vão trabalhar”. Segundo Cohn-Haft os estudantes podem comparar os sons que escutam no mato com os sons que estão gravados nos CDs.

Mas segundo o pesquisador a idéia se expandiu. “Eu sou um dos seis autores dessa coletânea. O Philip Stouffer iniciou o trabalho de compilação. Ele teve a iniciativa de organizar suas próprias gravações de forma a escolher uma série didática. Mas esse trabalho inicial tinha um objetivo menos ambicioso que acabou se tornando. A continuação da compliação e organização do material para um público maior ficou por conta do Luciano Naka.”

A intenção era criar um material didático para os alunos sem nenhuma visão comercial. A partir daí os demais pesquisadores tiveram a idéia de levar o trabalho mais adiante. “Ao invés de almejar um público relativamente restrito, resolvemos criar um produto com nível de qualidade internacional e para um público completamente aberto e amplo”, explica Cohn-Haft.

Do estudo ao hobbie
A coletânea pretende atender ao pesquisador, estudante, observador de aves, interessado em aprender ou até mesmo aqueles que têm o hobbie de viajar pelo mundo para ver aves. E também as pessoas que gostam apenas de ouvir os sons naturais sem preocupação de identificação nenhuma.

“Essas pessoas vão ter um material de excelente qualidade. Entre as espécies, o uirapuru, curió, mutum, jacu, jacamim, bacuraus, corujas e gaviões e centenas de passarinhos que pouca gente conhece, mas se quiser conhecer o jeito mais eficiente é pela voz”.

Cohn-Haft ressalta que os CDs não têm vozes humanas; cada faixa apresenta uma espécie diferente, sem anúncios, apenas o pássaro cantando. “A identificação está no encarte. Se você quiser saber qual é o pássaro que está cantando, pega o encarte e identifica”.

A coletânea estará à venda no valor de R$ 85,00 reais pela Editora do Inpa. Todo o lucro será revertido a mais estudos de vocalizações de aves amazônicas. O trabalho foi financiado pela ONG Conservação Internacional do Brasil. Ao todo foram produzidos mil exemplares da coletânea.

Fonte: Rosilene Corrêa / Inpa

UnB desenvolve técnica que reduz câncer de boca em 90%


Estudo com camundongos feito na UnB mostra potencial para tornar tratamento mais barato e menos invasivo

Pesquisas conduzidas na Universidade de Brasília (UnB) devem contribuir para tornar o tratamento de câncer de boca mais seguro, mais barato e mais rápido. Só no Brasil são 10 mil novos casos por ano. A nova metodologia testada em camundongos reduziu em 90% o tamanho dos tumores.

A técnica baseia-se na injeção de um derivado da ftalocianina no organismo, uma substância que não produz nenhum efeito, a não ser que seja ativada por um feixe de luz especial. A estratégia dos pesquisadores é aguardar algumas horas, até a substância ser metabolizada pelas células sadias e se concentrar nas células doentes, para então aplicar a luz.

Segundo o dentista João Paulo Longo, que abordou o assunto em sua dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Medicina (FM), essa é uma das principais vantagens do método. “A luz só produz efeitos no alvo. Por isso, os efeitos colaterais são menores”, afirma.

Por agir no local específico do tumor, o método pode evitar as decorrências indesejadas do tratamento atual com quimioterapia e radioterapia, que agem indistintamente em todo o corpo, e por isso causam queda de cabelo, náusea, vômito e fadiga. Além disso, é comum nesses casos a intervenção cirúrgica, que pode causar deformações no paciente e criar problemas na deglutição e convívio social.

Longo explica que a simplicidade da técnica permite, ainda, que ela seja usada nos próprios ambulatórios com equipes menores que aquelas necessárias para um atendimento que envolva internação ou cirurgia. Essa junção de fatores traz mais um benefício para o tratamento, que é o de baixar os custos.

LABORATÓRIO
Para chegar aos resultados, o dentista induziu o câncer em mais de 20 camundongos, divididos em três grupos. A doença foi causada na língua, região da boca em que os tumores são mais comuns (chegando a quase 30% do total), por agentes químicos em um dos grupos de animais, e por injeção de células tumorais nos dois outros grupos.

Quando a enfermidade já havia se instalado, era aplicada a terapia com laser em comprimento de onda de 670 nanômetros. Os camundongos foram avaliados em diferentes períodos de tempo e apresentaram, na média, redução em 90% na extensão do câncer após 24 horas da aplicação da terapia.

LINHA
A pesquisa de Longo deu continuidade a um estudo de 2005, também feito na UnB, que comprovava a eficiência da ftalocianina em testes in vitro. Na ocasião, a dentista Erica Tapajós obteve diminuição de 80% de células dos tumores com 12 horas após a realização do procedimento e, em 24 horas, 100% das células doentes.

Os resultados animaram a equipe, que partiu para a segunda fase do estudo com a intenção de comprovar se os efeitos se repetiam em animais, tese confirmada nos dados encontrados pelo dentista. Para o orientador dos dois estudantes, o professor do Instituto de Biologia (IB) da UnB Ricardo Bentes, os estudos estão no caminho certo. “Tenho uma expectativa e uma confiança muito grandes nesse tratamento”, afirma. A linha de estudos se iniciou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), com o professor Antônio Tedesco.

PRÊMIO
A avaliação do tratamento em células in vivo e in vivo rendeu o prêmio de melhor trabalho científico de graduação para as alunas Maitê Mijan e Larissa Duarte no encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica (SBPQO), realizado em agosto e setembro de 2008. Elas, que participaram da pesquisa de João Paulo Longo, vão representar o Brasil na Reunião Anual da American Dental Association (ADA) em outubro de 2009 no Havaí.

O QUE É?
O câncer de boca é uma denominação que inclui os cânceres de lábio e de cavidade oral (mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua e assoalho da boca). O câncer de lábio é mais freqüente em pessoas brancas, e registra maior ocorrência no lábio inferior em relação ao superior. O câncer em outras regiões da boca acomete principalmente fumantes, e os riscos aumentam quando o tabagista é também alcoólatra.

SINTOMAS
O principal sintoma deste tipo de câncer é o aparecimento de feridas na boca que não cicatrizam em uma semana. Outros sintomas são ulcerações superficiais, com menos de 2 cm de diâmetro, indolores (podendo sangrar ou não) e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal. Dificuldade para falar, mastigar e engolir, além de emagrecimento acentuado, dor e presença de linfadenomegalia cervical (caroço no pescoço) são sinais de câncer de boca em estágio.

CIRURGIA
A cirurgia radical do câncer de boca evoluiu com a incorporação de técnicas de reconstrução imediata, que permitiu largas ressecções e uma melhor recuperação do paciente. As deformidades, porém, ainda são grandes e o prognóstico dos casos, intermediário. A quimioterapia associada à radioterapia é empregada nos casos mais avançados, quando a cirurgia não é possível. O prognóstico, nestes casos, é extremamente grave, tendo em vista a impossibilidade de se controlar totalmente as lesões extensas, a despeito dos tratamentos aplicados.

(Informações do Instituto Nacional de Câncer – Inca)

NANOTECNOLOGIA
A Terapia Fotodinâmica, utilizada nesta dissertação de mestrado, valeu-se da nanotecnologia para desenvolver o sistema de liberação de drogas. Esses sistemas são estratégias criadas para que uma droga ou fármaco seja absorvido mais rapidamente ou lentamente pelo organismo, bem como para direcionar esses fármacos para algum tecido alvo.
Na dissertação foram utilizados lipossomos, pequenas vesículas com aproximadamente 100 nanômetros de diâmetro, que carregam e direcionam as drogas aos tecidos tumorais. Alguns autores classificam os lipossomos como sistemas de liberação nanoestruturados.

Na dissertação foram utilizados lipossomos, pequenas vesículas com aproximadamente 100 nanômetros de diâmetro, que carregam e direcionam as drogas aos tecidos tumorais. Alguns autores classificam os lipossomos como sistemas de liberação nanoestruturados.

PERFIL
João Paulo Longo é mestre em Patologia Molecular pela Universidade de Brasília (UnB), mesma instituição em que concluiu a graduação em Odontologia.

Fonte: UnB Agência

Pós-Graduação em Agronegócio na UFG

As inscrições para o Processo Seletivo do Programa de Pós-Graduação em Agronegócio, nível Mestrado, da Universidade Federal de Goiás estarão abertas a partir do dia 20 de outubro de 2008.

O objetivo do PPAGRO é formar profissionais capacitados para compreender e atuar no agronegócio, de forma a responder aos desafios de manter e ampliar a competitividade do agronegócio e, ao mesmo tempo, assegurar a devida atenção às questões da sustentabilidade ambiental e inclusão social.

Maiores informações pelo link , pelo telefone (62) 3521-1538 ou pelo e-mail

Fonte: Profa. Cleonice / UFG

Amazônia já sofre mudança no clima, de acordo com o relatório Vale / Inpe

O primeiro relatório regionalizado sobre as alterações climáticas na Região Amazônica, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sob encomenda da Vale, comprova o que estudos menos específicos já diziam: está havendo um processo acelerado de aumento dos extremos climáticos na região, com elevação da temperatura geral, aumento da mínima e da máxima, maior concentração de chuvas em menor número de dias, resultando em alternância de fortes precipitações com longos períodos de seca.

O trabalho, específico para os Estados do Maranhão e do Pará, que concentram as atividades da Vale na região, prevê que a temperatura média pode subir até 2 graus Celsius do leste do Pará até o Maranhão de 2010 a 2040, quando em todo o século passado o aumento da temperatura terra foi de apenas 0,8 grau Celsius. O resultado até o fim deste século pode ser a transformação de toda a área que vai do leste do Amazonas até o Maranhão em uma vegetação rala, semelhante à savana da África.

O estudo tomou por base observações de 36 estações meteorológicas, selecionadas entre mais de cem para aumentar a confiabilidade, e combinou modelos regionais com os critérios de avaliação adotado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas.

Segundo o pesquisador Gilvan Sampaio, coordenador-adjunto do trabalho, como os modelos utilizados dividem os territórios estudados em áreas de 200 a 300 quilômetros, foram utilizados métodos de refinamento que permitiram reduzir a escala para 50 quilômetros.

Como em outros estudos semelhantes, foram utilizados dois cenários, o primeiro, benigno, no qual as emissões de carbono pela atividade humana passa das atuais 380 partes por milhão (ppm) para 620 ppm em 2100 e o segundo, com as emissões saltando de 380 para 850 ppm .

Sob a coordenação do pesquisador Carlos Nobre, do Inpe, considerado uma das maiores autoridades do país em meteorologia, o trabalho testou o modelo em dados já existentes de 1977 a 2007, constatando na prática a tendência ao aumento dos extremos climáticos, para em seguida construir os cenários para três períodos: de 2010 a 2040, de 2041 a 2070 e de 2071 a 2100.

De acordo com as projeções, que Sampaio admite estarem ainda sujeitas a muitas ressalvas por falta de dados e por divergências entre os modelos, a temperatura do Estado do Maranhão pode subir de 4,5 a 6 graus Celsius até o fim deste século. O índice pluviométrico pode baixar de 1,5 a 1mm por dia (no cenário de maiores emissões, chove mais).

Sampaio disse que a transformação do Maranhão e do Pará em uma região semi-árida, à semelhança da existente em parte do Nordeste brasileiro, não deve ocorrer por causa da influência positiva que o fluxo de unidade do Oceano Atlântico tem sobre a região. Mas ele adverte que, se antes de chegar a savana a área for ocupada por plantações, de soja, por exemplo, os efeitos podem ser mais graves, dada a influência que a alteração pode ter sobre o regime de chuvas. O pesquisador disse não ter dúvidas de que os maiores problemas climáticos, não só da área estudada como de todo o Brasil, são o desmatamento e as queimadas.

No fim da apresentação do trabalho, feita em um hotel de Belém, pesquisadores locais questionaram o estudo, especialmente a não incorporação como parceiro, da área de pesquisas climáticas da Universidade Federal do Pará (UFPA). O professor Everaldo de Souza, um dos que mais questionaram, disse não discordar das conclusões, mas ressaltou que ainda falta uma metodologia que permita separar o que é o efeito das mudanças naturais e o que é o efeito da ação humana.

O estudo encomendado pela Vale ao Inpe, ao custo de R$ 1,5 milhão, está dividido em três etapas. As duas próximas, segundo Flávio Barbosa Montenegro, gerente-geral de Mudanças Climáticas e Assuntos Estratégicos de Sustentabilidade da mineradora, vão especificar conseqüências das mudanças climáticas sobre os vários aspectos da vida na região, incluindo agricultura, saúde e outros. Originalmente elas estão previstas para serem concluídas daqui a seis meses e a um ano, mas, segundo ele, pode ser que tudo fique pronto em seis meses. Ele disse também que o convênio com o Inpe deve ser o ponto de partida para uma série de estudos da empresa sobre questões climáticas e ambientais na região.

Montenegro disse que o objetivo da Vale é tanto obter informações para planejar a sustentabilidade ambiental e sócio-econômica das suas atividades, como também oferecer dados para o planejamento de políticas públicas. Segundo dados da mineradora, ela investiu no ano passado US$ 110,2 milhões em projetos ambientais no Pará e US$ 25,4 milhões no Maranhão, respectivamente, 834% e 234% a mais do que em 2006.(Amazonia.org.br / Chico Santos - Valor Econômico)

Fonte: Portal do Meio Ambiente