quarta-feira, 10 de setembro de 2008

LHC é acionado com sucesso

O experimento entrou em funcionamento nesta quarta-feira com o objetivo de tentar revelar a origem do universo

O Gran Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), o maior acelerador de partículas do mundo, entrou em funcionamento nesta quarta-feira perto de Genebra, com o objetivo de revelar os segredos da matéria e da origem do universo.

Um primeiro feixe de prótons foi injetado no LHC, um anel de 27 km de circunferência esfriado a 271,3 graus abaixo de zero, 100 metros sob a terra na fronteira entre França e Suíça. Depois da injeção do feixe foram necessários cinco segundos para obter dados, declarou o diretor do projeto LHC, Lyn Evans.

As colisões de prótons que serão provocadas no interior do LHC devem permitir detectar partículas elementares que não foram observadas até hoje, entre estas o bóson de Higgs, a última peça do quebra-cabeças chamado Modelo Standard, que resume os conhecimentos atuais da física das partículas.

As três energias colocadas em prática vão propulsar partículas a mais de 99,9999% da velocidade da luz e permitirão criar durante uma fração de segundo o estado do Universo do Big Bang, ou seja o nascimento do Universo há 13,7 bilhões de anos.

O projeto, com um custo de 3,76 bilhões de euros, teve participação em mais de 10 anos de físicos e engenheiros de todo o mundo.(FP)

Fonte: Cosmo

Energias renováveis serão a única alternativa a longo prazo, afirma José Goldemberg

Única solução
Na conferência de abertura do 1º Simpósio sobre Etanol de Celulose, realizado nesta terça-feira (9/9) na sede da FAPESP, o físico José Goldemberg falou sobre “O papel da biomassa na matriz energética mundial”. Segundo ele, os combustíveis fósseis ainda predominam em todo o planeta, o que traz uma série de problemas, todos relacionados à sustentabilidade.

“Além da exaustão dos combustíveis fósseis e do grande problema ambiental que eles causam, com a diminuição das reservas ficamos cada dia mais dependentes dos países do Oriente Médio”, disse o pesquisador do do Centro Nacional de Referência em Biomassa, vinculado ao Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP.

Segundo ele, as energias renováveis serão a única alternativa viável a longo prazo. “Muitos defendem a energia nuclear, mas se esquecem de que ela só é utilizável para a produção de eletricidade. E o verdadeiro problema energético que enfrentamos não tem relação com a eletricidade e sim com os combustíveis”, afirmou.

Goldemberg destacou que os transportes são responsáveis por mais de 70% de todas as emissões de monóxido de carbono do mundo. “Eles também são responsáveis por mais de 40% das emissões de óxidos de nitrogênio e por quase 50% do total de hidrocarbonetos”, afirmou.

O cientista explicou que a principal matriz energética utilizada no mundo é o petróleo (35%), seguida do carvão (25%), biomassa tradicional (8,5%), energia nuclear (6%) e o conjunto de todas as energias renováveis (3,4%), incluindo 1,9% de biomassa moderna.

O quadro muda bastante no Brasil: petróleo (44%), energias renováveis (41,8%) – sendo 13% hídrica e 6,5% biomassa moderna –, biomassa tradicional (22%), gás natural (7,5%), carvão (7%) e energia nuclear (1,4%). “É um dos poucos lugares no mundo onde o uso de energias renováveis passa de 50% do total consumido”, disse.

No Estado de São Paulo, segundo Goldemberg, a configuração muda ainda mais: petróleo (40%), cana-de-açúcar (30%), energia hídrica (17%), gás natural (6%), carvão (3%), biomassa tradicional (2%) e outras energias renováveis (2%).

Goldemberg garantiu que a posição do Brasil é confortável em relação ao potencial de exploração do etanol. “O principal concorrente, que são os Estados Unidos, utilizam o milho. O problema com o milho é que o calor usado para produzir o etanol vem de fora, ao contrário do que ocorre com a cana-de-açúcar. Como a matriz energética deles se baseia em carvão, no fundo, o uso do milho se ressume a transformar carvão em etanol, o que compromete o balanço energético”, explicou.

O cientista encerrou citando o que considera “mitos sobre os biocombustíveis”. “O primeiro é que a produção de biocombustíveis leva ao desmatamento e à fome. Não há dados que comprovem isso. Ao contrário, vários estudos que vêm sendo feitos desmentem essas falácias”, disse.

Os outros dois mitos, segundo ele, são que os biocombustíveis não reduzem as emissões de gás de efeito estufa e que eles são viáveis apenas em “nichos” como o Brasil. “Esses mitos também não têm fundamento”, afirmou.

Fonte:Fábio de Castro / Agência FAPESP

Proteína de cobra combate melanoma

Pesquisa desenvolvida pela professora Thereza Christina Barja-Fidalgo, do Laboratório de Farmacologia Bioquímica e Celular do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (IBRAG/UERJ), comprovou que as desintegrinasproteínas isoladas do veneno de serpentes — atuam na redução da capacidade de ativação e de migração das células cancerígenas.

Na célula sadia, o ritmo das atividades é controlado por uma programação ajustada num ciclo de ativação, proliferação e morte. Já as células cancerígenas desenvolvem mecanismos que iludem seu relógio biológico, mantendo-se constantemente ativadas. Desta forma, criam uma capacidade de sobrevivência e multiplicação diferenciada, além de alto poder de adesão aos tecidos e migração para outras regiões do organismo.

Ao trabalhar com desintegrinas purificadas do veneno de cobras como a Bothrops jararaca (espécie comum no Brasil) e das serpentes asiáticas Agkistrodon rhodostoma e Trimeresurus flavoviridis, a professora e seu grupo observaram que estas estruturas são capazes de reduzir significativamente a proliferação e a migração de células de um tipo de melanoma, altamente metastásico em camundongos.

“A metástase do melanoma ocorre através do sangue. Quanto mais vascularizado o órgão, maiores são as chances de as células tumorais se proliferarem, atingindo os pulmões, por exemplo”, esclarece Thereza Christina. Os pesquisadores concluíram que a ação das desintegrinas diminui as chances de formação de novos tumores, além de reduzir a atividade das células do melanoma, inibindo o crescimento acelerado do tumor.

Embora nos experimentos com camundongos as desintegrinas tenham se mostrado promissoras na terapia antitumoral e antimetastásica, a professora diz que estas proteínas devem ser encaradas como protótipos para o desenho de novas drogas, capazes de reproduzir tais efeitos em humanos, pois sua obtenção a partir de veneno bruto ainda é cara e de pouco rendimento.

Fonte: Alexandre Almeida e Henrique Galvão / UERJ

Eficiência Energética e Competitividade na América Latina

BID debate desafios na área de energia e divulga ranking de eficiência energética

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com os governos da Alemanha e Suíça, promove nos dias 15 e 16 de setembro, em São Paulo, a conferência "Eficiência Energética e Competitividade na América Latina". O evento reunirá autoridades do setor público e privado, representantes de agências reguladoras, pesquisadores, gestores da América Latina e Europa.

Na conferência, que será aberta pelo presidente do BID, Luis Alberto Moreno, a instituição financeira vai divulgar o relatório “Como economizar US$ 36 bilhões – sem desligar as luzes”, com um ranking de eficiência energética na América Latina e com algumas alternativas de como países podem continuar a crescer, gerando energia com menos impactos ambientais.

Para o BID, a eficiência energética é uma prioridade para vários governos da América Latina e do Caribe porque querem manter taxas relevantes de crescimento, em meio ao significativo aumento dos preços do petróleo e a crescente preocupação com o aquecimento global. “Maior eficiência no uso e produção de energia podem manter e aumentar a competitividade econômica dos países”, lembra o relatório do BID. Alternativas para a área de transportes, infra-estrutura pública, indústria, residências e prédios comerciais serão apresentadas e debatidas.

O encontro faz parte da Iniciativa de Energia Sustentável e Mudança Climática (SECCI na sigla em inglês), fundo de apoio lançado em 2007 pelo BID. A SECCI tem como objetivo estimular a ampliação dos investimentos no desenvolvimento de biocombustíveis, energia renovável, eficiência energética e uma ampla gama de opções de energia sustentável, como crédito de carbono. A iniciativa tem hoje cerca de 30 ações distribuídas entre países da América Latina, entre eles, o Brasil.

Mais informações pelo site : www.iadb.org/index.cfm?language=English

Fonte: Assessoria BID

Sectes recebe delegação australiana

O Pólo de Excelência Mineral e Metalúrgico, da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (Sectes), recebeu a visita de uma delegação da Curtin University of Technology, sediada em Perth, na Austrália. Na manhã de hoje (09/09), Steven Reddy e Mark Woffenden estiveram no Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde apresentaram as ações da instituição de ensino da Austrália.

Os convidados estão em Belo Horizonte para conhecer instituições e pesquisadores nas áreas de Mineração e Metalurgia. Na tarde de ontem (08/09), a delegação esteve na sede da Sectes. O objetivo da iniciativa é a criação de avenidas de cooperação, visando a internacionalização das pesquisas em Minas Gerais.

A Austrália Ocidental, onde está sediada a universidade, é a principal área de produção mineral daquele país. Segundo o gerente executivo do pólo de Excelência Mineral e Metalúrgico, Renato Cimineli, a Curtin tem uma atuação híbrida, investindo tanto em pesquisa fundamental quanto em pesquisa aplicada. “Eles têm um modelo que busca alinhar toda capacitação da universidade com a área mineral e metalúrgica. Isso é bastante semelhante ao modelo que o pólo está adotando aqui”.

Para o Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Duque Portugal, esse trabalho que os Pólos de Excelência vêm fazendo reflete claramente a proposta de construção de capital intangível, formação de alianças estratégicas e internacionalização. “Encontramos uma coincidência perfeita com a Curtin University. A proposta deles é muito similar à nossa. O que queremos é criar ambientes favoráveis à economia do conhecimento para atrair investimentos com alto valor agregado, novos negócios e parceiros. Acreditamos que esse intercâmbio será produtivo para fortalecer ainda mais a proposta do Pólo Mineral e Metalúrgico”, afirmou.

Fonte: SECTES

Pesquisas sobre etanol de celulose farão do Brasil um dos líderes na área de biologia vegetal

Ganhos embutidos
O investimento em pesquisas sobre etanol de celulose não será importante apenas para o setor produtivo, mas trará também avanços científicos que poderão fazer do Brasil um dos líderes mundiais na área de biologia vegetal.

A afirmação foi feita por Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), durante o 1º Simpósio sobre Etanol de Celulose, realizado nesta terça-feira (9/9) na sede da FAPESP. O evento integra o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

O pesquisador destaca que o principal objetivo do BIOEN é aprimorar a extração do etanol da biomassa mas que, depois de compreender melhor a planta da cana-de-açúcar, os pesquisadores poderão conseguir resultados que vão além dos esperados inicialmente.

“Ao buscar respostas para os desafios científicos do etanol de celulose, o que aprenderemos a respeito do funcionamento dos microrganismos e da parede celular trará avanços que beneficiarão toda a área da nanotecnologia, por exemplo. Se conseguirmos cumprir os objetivos, estaremos integrando o BIOEN aos programas Genoma e Biota, da FAPESP, permitindo que o Brasil produza tecnologias de classe mundial no setor de biologia vegetal”, disse Buckeridge à.

Segundo ele, há, no entanto, uma série de desafios a serem superados para dominar o etanol de celulose, que é visto como o grande salto tecnológico para os biocombustíveis do futuro. Hoje, a indústria brasileira de etanol se baseia no caldo de cana, que contém um terço da energia da planta. Os outros dois terços estão no bagaço e na palha, que são ricos em celulose.

“Ainda não conhecemos bem a fisiologia da cana. O metabolismo é parcialmente conhecido, graças a trabalhos excelentes realizados por cientistas sul-africanos e australianos. Precisamos estudar vários aspectos relacionados a hormônios e sinalização celular, por exemplo, que são focados nas modificações que a parede celular sofre durante o crescimento e o desenvolvimento da planta”, disse Buckeridge.

Os cientistas farão estudos sob diversas perspectivas para entender as conexões metabólicas e fisiológicas que envolvem a parede celular. Seria possível, segundo Buckeridge, acumular mais energia na cana obtendo plantas transgênicas capazes de produzir paredes celulares mais grossas, capazes de acumular mais celulose. Mas isso demandaria a descoberta de um processo eficiente para degradar a celulose.

“Um objetivo essencial é aprender mecanismos eficazes para degradar a parede celular e liberar a energia em seu interior. Uma alternativa é a hidrólise ácida, mas ela não permite um controle tão preciso da quebra das ligações químicas como seria possível com o uso de enzimas. Outra opção é o uso de microrganismos como fungos e bactérias”, afirmou.

Segundo ele, no âmbito do BIOEN um grupo tentará encontrar microrganismos que degradem naturalmente a parede celular. Se necessário, serão feitas modificações que levem a melhores enzimas. “Teremos que estudar a estrutura dessas enzimas e, talvez, por meio da biologia sintética, produzir enzimas que o fungo não tem, mas que seriam da própria planta, para exercer determinado papel. Tudo isso sempre com modificação genética”, afirmou.

De acordo com o professor do IB-USP, os microrganismos, os insetos e a própria planta são os detentores do “segredo” para extrair a energia das paredes celulares, que por sua vez são uma mescla de polímeros arranjados de forma extremamente complexa, que exigem diversas enzimas diferentes para quebrá-las.

“A estratégia mais eficiente para degradar a parede celular é da própria planta, que utiliza para isso mecanismos muito sutis. Se conhecermos esses mecanismos, poderemos utilizá-los no momento exato, fazendo com que determinado conjunto de genes se expresse no momento preciso. Seria uma forma de teleguiar o sistema para a produção de energia”, disse.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Plantações de eucalipto no Brasil, alguns esclarecimentos


Esclarecimentos sobre as plantações de eucalipto no Brasil
No Brasil, sempre que se dá um boom na área plantada com eucalipto ou no seu mercado, coincidentemente reacendem acintosas críticas a ele e ao seu cultivo, a eucaliptocultura, vindas de pessoas e instituições quase sempre despreparadas para tal críticas.

É evidente e natural que muitas falhas e mazelas ocorreram na história da condução dos reflorestamentos no País, mas tudo reparável e dentro das conformidades da legislação da época. Entendemos a necessidade das críticas e do diálogo, fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, mas nos opomos a certas miopias e ao modo truculento que se tentam impor a rejeição aos plantios florestais.

Apesar de sabermos que outras culturas (soja, cana, etc) também sofrem deste flagelo, aparentemente nada é tão desproporcional e descabido quanto as jurássicas e anacrônicas críticas sobre a eucaliptocultura. Triste é saber que elas são arbitrária, infundada, sem discernimento e desprovida de quaisquer critérios técnico e científico.

Reconhecemos que existem críticos sérios e instituições de peso discutindo e apontando falhas nesta questão, o que é extremamente salutar para o setor continuar progredindo, o problema é o lado escuso e pejorativo disso que, muitas vezes, pode retardar o crescimento da área plantada, prejudicando os produtores rurais, que depois de longos períodos tenebrosos, vêm obtendo rendas com a venda da madeira.

Por isso caro leitor, sabendo sobre todos os esforços enveredados ao longo destes mais de 40 anos de pesquisa florestal no Brasil para alcançar a forma mais sustentável de atender a demanda de nossa sociedade por produtos florestais é que, inegavelmente, não podemos nos omitir e aceitar pacificamente certas calúnias e ultrajes a tal espécie.

Desta forma, buscando refletir sobre o que tem de positivo nestas críticas, evitando deixar se levar pela arrogância em que, circunstancial e estrategicamente, determinados indivíduos tentam de forma virulenta e autoritária impor suas opiniões, e sabendo o quanto as plantações de eucalipto são importantes para o desenvolvimento é que ousamos comentar, sobre tal assunto, no sentido de contribuir para que melhor se esclareça a população, mas ciente de que é impossível esgotar toda a matéria, dada as controvérsias, complexidades e polêmicas que lhe são peculiares.

Apesar disso, não serão os atentados à lógica e os desrespeitos à ciência, por parte de certos astutos, que inibirão os renomados especialistas na condução das suas investigações florestais, nem tampouco pelas ameaças bombásticas que o aumento das áreas de plantio com eucalipto vai deixar de ocorrer. Pois, se não foi na época dos incentivos fiscais ao reflorestamento, onde havia total carência de informações e conhecimentos sobre a atividade de reflorestamento, não vai ser agora, na era da competitividade florestal brasileira, com toda bagagem cientifica conquistada, que as histerias preconceituosas vão intimidar os atores do complexo florestal.

Assim, antes de comentar pontualmente cada elemento das críticas, principalmente aqueles relacionados às questões sociais e econômicas, cabe ressaltar sobre a espécie, sua importância, seu histórico e a evolução das plantações, do setor, do mercado, da política, dos produtos e das indústrias florestais, para melhor entender as razões e as justificativas de nossa postura como defensor dos interesses do setor florestal e do bom manejo das plantações de eucalipto no Brasil.

O eucalipto é uma espécie arbórea pertencente à família das Mirtáceas e nativa, principalmente, da Austrália. São mais de 670 espécies conhecidas apropriadas para cada finalidade da madeira. No Brasil, seu cultivo em escala econômica deu-se a partir de 1904, com o trabalho do agrônomo silvicultor Edmundo Navarro de Andrade, para atender a demanda da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Mais precisamente a partir de 1965, com a lei dos incentivos fiscais ao reflorestamento que durou até 1988, sua área de plantio no Brasil aumentou de 500 mil para 3 milhões de hectares.

Estes incentivos, mesmo sob as limitações da época, contribuíram para uma maior participação do setor no PIB nacional, na geração de emprego, renda, impostos, divisas e infra-estrutura. Sob o aspecto ambiental, vale ressaltar a diminuição na pressão sobre as florestas nativas, proteção da fauna, flora, água, solos, etc.

No que tange ao mercado florestal, este tem melhorado substancialmente devido ao crescimento da economia dos BRICs. Em função do rápido crescimento das plantações de eucalipto, que atingem produtividades cerca de 10 vezes superiores às dos países líderes deste mercado, o Brasil vem ganhando posições de destaque no mercado. Vários estudos têm comprovado estes ganhos de competitividade da indústria florestal (celulose, chapas e serrados), em detrimento dos países tradicionais.

Os projetos de reflorestamento, independente da espécie plantada, caracterizam-se pelo elevado risco, técnico e econômico, a que estão sujeitos. Na maioria das vezes, estes riscos estão associados ao longo prazo, onde tudo se torna possível de ocorrer, como incêndios, pragas, doenças, sinistros, volatilidades de mercado e preços, afetando a viabilidade e a atratividade destes projetos.

Outra característica negativa deste tipo de projeto é o preço ainda baixo do produto florestal (madeira), em razão da existência de uma condição de mercado onde a competição se faz de forma imperfeita, prejudicial no curto prazo aos produtores rurais e, no médio e longo prazo, às empresas e consumidores.

No entanto, começa a se observar mudanças significativas neste mercado, onde o aumento na demanda por madeira, sem a correspondente oferta, tem provocado elevações nos preços. O diferencial deste tipo de projeto comparado com o agrícola, é que o aumento nos preços não reflete imediatamente no aumento da oferta, pelo fato de que do plantio à colheita leva-se, pelo menos, de seis a sete anos. Daí se acreditar que estes preços continuarão subindo por, no mínimo, mais seis anos.

Com isso, este colapso na oferta, popular “apagão florestal”, está provocando mudanças profundas e positivas no mercado, valorizando a madeira e aumentando a atratividade, o que é benéfico para todos os agentes econômicos envolvidos, como produtor, empresa e consumidor. Como alteração estrutural, pode dizer que vem ocorrendo o repasse da atividade florestal aos produtores rurais, reduzindo assim a monocultura extensiva e seus impactos ao ambiente e a população rural. Geralmente, este repasse tem sido feito através de uma parceria entre empresas florestais e produtores rurais, denominada de fomento florestal.

Além de tudo isso, é possível destacar ainda como aspectos positivos da eucaliptocultura o fato de que, por ser uma espécie exótica não há tanta restrição legal quanto ao seu corte. Pode ser plantada em diversos locais e escala e utilizada para produzir lenha, carvão, celulose, moirões, escoras, postes, dormentes, desdobros, móveis, construção, apicultura, óleos e taninos e quebra-ventos.

Mesmo diante de tantos benefícios das plantações florestais para a nação, estranhamente não faltam espaços para críticas que comentaremos abaixo, que enquanto construtivas são bem vindas, porém do contrário, devem ser rechaçadas veementemente.

As principais tiranias ao eucalipto e a eucaliptocultura alegam que ele é uma espécie exótica, piora o déficit hídrico do solo, reduz a fertilidade e o pH do mesmo, afugenta a fauna, as plantações formam grandes latifúndios e monocultura, apresenta pouca contribuição na geração e formação da renda e emprego, provocam o êxodo rural e reduzem o valor da propriedade rural.

No que se refere às questões de natureza ambiental apontadas acima, vale ressaltar que por razões éticas, não hesitaremos aprofundar quaisquer comentários técnicos, mas apenas discuti-los do ponto de vista político e econômico. Também que não se faz, logicamente, qualquer comparação entre as plantações e as florestas nativas. No entanto, fazem-se algumas comparações com as culturas agrícolas e pastagens, apesar de não haver necessidade para isso, pois o Brasil é um país continental com grande ociosidade de terras, havendo espaço e recursos naturais para todas. Antecipando, afirmamos que os benefícios das plantações florestais superam em muito os daqueles plantios e pastagens.

Além disso, gostaríamos de esclarecer ao amigo leitor, que na ciência natural os fenômenos são complexos e dinâmicos, não se trata de algo exato, daí dizer que os efeitos de uma ação sobre os meios bióticos e abióticos são de difíceis diagnósticos, mensuração e prognóstico. Então quando vemos leigos falando com propriedade de determinados efeitos da eucaliptocultura sobre o ambiente, nos indignamos, pois nem os maiores especialistas, respeitados internacionalmente, muitas vezes, hesitam afirmar a respeito.

Tal como o eucalipto, praticamente, toda a nossa base alimentar é constituída de espécies exóticas, como o arroz, milho, feijão, trigo, soja, abacaxi, café, etc., além do mais, num mundo irmanamente globalizado, não faz sentido nenhum levante de xenofobia, mas sim de confraternização entre os povos e culturas.

No tocante a parte hídrica, o eucalipto é taxado como uma espécie consumidora de grande quantidade de água. A titulo de curiosidade, o leitor deve pesquisar e comparar o consumo de água para cada unidade produzida de carne, cana-de-açúcar, batata, milho, soja, etc, e verá quem realmente é a verdadeira bomba hidráulica vegetal. De qualquer forma, seria leviano de nossa parte afirmar com toda propriedade que o eucalipto reduz ou não a quantidade de água no solo, alterando a vazão dos cursos d´água, pois isto é inerente a qualquer cultura e o que está em jogo é o manejo adequado da microbacia. O certo é que o eucalipto, por ser uma espécie de rápido crescimento, apresenta um gasto energético alto e daí a necessidade de se hidratar, mas podemos garantir que dificilmente uma outra espécie seria tão eficiente no uso deste recurso quanto ele. Por isso que em regiões de maior precipitação, o consumo e o crescimento florestal tendem a ser maior.

Mais importante é dizer que em regiões áridas, onde a silvicultura tem sido viável, só se consegue agricultar, se implantar um conjunto ostensivo de irrigação, consumindo quantidades significativas de água. Assim, fica a pergunta, onde o amigo leitor viu uma plantação florestal sendo irrigada conforme se vê na agricultura?

Quanto à redução da vazão, a principal atitude a tomar é simplesmente fazer cumprir a legislação florestal que proíbe qualquer tipo de plantação comercial num raio de 50 metros das nascentes e, nas áreas consideradas de recarga, sugere-se orientar os produtores a manejarem suas plantações sob técnicas conservacionistas do solo, de forma a não expô-lo num nível que prejudique o estoque de água no solo e no lençol freático.

Em resumo, podemos afirmar que o balanço hídrico das plantações florestais é positivo em relação ao das agrícolas em razão do aumento da infiltração e da redução do deflúvio. Assim, por mais que as plantações florestais possam aumentar a evapotranspiração, isto é bem menor que a quantidade de água que ela estocou no solo.

Em relação a redução da fertilidade e acidez do solo, só gostaríamos de colocar o seguinte, das plantações florestais apenas se explora a madeira, composto orgânico formado por moléculas de carbono, oxigênio e hidrogênio, retiradas do ar pelo processo da fotossíntese, tal que se a exploração ocorrer após a rotação ecológica e se as cascas do tronco forem deixadas no campo, dificilmente ocorreria um empobrecimento do solo, pelo contrário, vai é melhorar devido a reciclagem dos nutrientes absorvidos das camadas mais profundas pelas raízes pivotantes e liberados com a exsudação e com a decomposição da matéria orgânica (folhas, cascas, etc) que cai sobre o solo. Isso explica parte do interesse dos sojicultores em adquirir terras que outrora foram reflorestadas.

Vários estudos demonstram que, com o reflorestamento, a fauna tem retornado nas propriedades. Uma das razões é devido às empresas possuírem grandes extensões de florestas nativas e plantadas, além de programas de educação ambiental visando a proteção dos animais e, à medida que os reflorestamentos vão se deslocando para as áreas dos produtores rurais e estes vão se conscientizando, o resultado não vai ser diferente, ou seja o reaparecimento e aumento da fauna. Certamente isto não ocorreria em áreas agrícolas, em razão do intenso movimento de pessoas e máquinas, uso de defensivos químicos e, am alguns casos, queimadas.

No tocante a monocultura extensiva, regime que independe da espécie e da atividade, esclarecemos que isto é conseqüência natural dado o contexto em que os reflorestamentos se iniciaram; prejudicial para todos, pois não há nada de estratégico as indústrias serem latifundiárias; e são evolutivas, no futuro os produtores, certamente, abastecerão boa parte do consumo. As razões disso são que, a madeira de reflorestamento apresenta baixo coeficiente preço sobre peso específico em razão de ser um produto pesado e de baixo valor comercial. Esta condição, muito peso para pouco preço, faz com que o valor de uma carga de caminhão seja relativamente baixo, quase o seu custo de transporte. Isto forçaria a localização dos reflorestamentos próximos da indústria consumidora para que se viabilize o projeto. Sendo que a instalação de um projeto industrial exige altos investimentos iniciais, o que requer um nível elevado de produção para que sejam diluídos seus custos por unidade produzida, levando a formação de grandes empreendimentos florestais, operando em economia de escala.

Desta forma, tudo isso, baixa rentabilidade e atratividade de até pouco tempo atrás, coeficiente preço/peso específico, exigência de elevado investimento inicial, produção em escala e obrigação ao auto-suprimento, forçou as empresas florestais a adquirirem grandes quantidades de terras (latifúndios) e formarem, inexoravelmente, extensas áreas florestadas (monoculturas).

Neste sentido, o latifúndio, a monocultura e os grandes maciços florestais localizados no entorno das empresas dificultaram a existência de outros produtores e consumidores de madeira próximos, eliminando as possibilidades de concorrência, de aumento nos preços da madeira, levando a constituição de monopólios naturais.

Porém, com as mudanças no mercado conforme descritas, a tendência é que boa parte do abastecimento fique a cargo dos produtores, que de fato deveria ter sido desde o início. No entanto prezado leitor, quem realmente está bancando o reflorestamento para os produtores são as empresas florestais com seus programas de fomento, pois os públicos têm sido tímidos. Apesar de elas estarem desempenhando muito bem estes programas, o problema é que eles são onerosos, foge do core business delas e as obriga se aventurar numa engenharia financeira que não as competem, mas sim aos agentes financeiros que ainda estão sonolentos a este novo e fantástico eldorado florestal.

Com relação a emprego, tem sido dito que os reflorestamentos geram desemprego, favorecendo o êxodo rural. Calúnia como esta chega a ser bizarra. A título de contrastar isto, prezado leitor, informamos-lhe que um dos entraves da expansão do reflorestamento em várias regiões se deve a falta de mão-de-obra, pois principalmente para as montanhosas, onde é praticamente impossível mecanizar a maior parte das operações, e sendo estas intensivas em trabalho, o que tem sido narrado por produtores é que, mesmo querendo reflorestar, não encontram gente para trabalhar.

Talvez para as regiões de topografia mais plana, o processo de mecanização, pode acarretar num menor uso de mão-de-obra. Mas isto é uma conseqüência natural do nosso sistema econômico, que exige progresso tecnológico, no entanto há de se notar as vantagens disso para a competição e para o trabalhador, pois sendo mais competitiva a empresa, maior a chance de continuar empregado e melhores as condições de trabalho, pois se há 30 anos ele operava uma ferramenta manual (machado) nas operações florestais, hoje ele dirige uma máquina segura, confortável e ergonômica (harvester).

Não ignoramos o fato de a mecanização provocar o desemprego, mas temos que entender que as empresas precisam evoluir, reduzir custos e conquistar mais e novos mercados, com isso crescer e contratar mais mão-de-obra, certamente boa parte daquelas que outrora fora dispensada, e que agora encontrará condições mais humanas de trabalho.

Atualmente, culpar o reflorestamento pelo êxodo rural é repugnante, pois podem escrever, é ele quem está invertendo o êxodo causado pela nova agricultura, pois com a expansão e o surgimento de novos projetos florestais, o Brasil será, mesmo com algumas pessoas e instituições tentando prejudicar, o maior produtor florestal do mundo, o que vai demandar uma quantidade enorme de madeira, conseqüentemente mais áreas reflorestadas e mais emprego.

Existem muitas áreas ociosas, degradadas e mal aproveitadas no Brasil, onde se poderia investir em reflorestamentos. Para estes locais, o eucalipto é uma excelente opção econômica, ambiental e social. Naturalmente, ele valorizará as terras das propriedades rurais, principalmente as localizadas em regiões montanhosas.

Por isso, sabemos que não é só privilégio das plantações florestais os impactos negativos advindos, mas sim de qualquer ação antrópica, então o que nos cabe é analisar e decidir sobre os custos e benefícios delas, para saber se determinada atividade pode ou não ser implantada e, se sim, quando, como, onde e quem fazer, porém nunca, insanamente, proibi-la e rotulá-la sem quaisquer fundamentos.

Finalmente, meu paciente leitor, não queremos alardear que o eucalipto é a panacéia para todos os nossos problemas e nem fazer apologia a ele, mas garantimos que ele é o elixir que faltava para a sobrepujança do agronegócio para a região centro-sul brasileira e é a melhor opção para reduzir a pressão sobre as florestas nativas da região norte. No entanto, querer impedir o crescimento da eucaliptocultura no Brasil é uma traição às esperanças de uma aurora para uma grande parcela do nosso sofrido povo brasileiro, principalmente os que vivem no meio rural, desiludidos de quaisquer perspectivas de desenvolvimento. Ninguém segura o meu Brasil Florestal.

Perfil:
Sebastião Renato Valverde
Professor de Política e Gestão Florestal do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa. Viçosa (DEF), MG,contatos pelo e-mail

Fonte: Painel Florestal

2º Simpósio de Controle Biológico

A Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) realizará, de 17 a 20 de setembro, em Botucatu, interior paulista, a segunda edição do Simpósio de Controle Biológico.

O evento visa a atualizar alunos de graduação e pós-graduação dos cursos de agronomia, zootecnia, engenharia florestal e biologia, além de técnicos, produtores rurais e profissionais da área agropecuária, em temas referentes aos métodos e sistema de controle biológico, com ênfase na pecuária e nas culturas de cana-de-açúcar, soja e produtos florestais.

As palestras vão tratar do controle biológico de pragas como as da soja, do trigo, pinus e cana-de-açúcar. Serão divulgadas ainda técnicas e inovações tecnológicas na área de controle biológico, que se caracteriza pelo controle de uma praga usando seus próprios inimigos naturais.

Segundo a organização do encontro, o avanço das pesquisas na área exige a integração de esforços entre profissionais de diferentes setores e também a mudança de hábitos do agricultor.

Mais informações: www.fca.unesp.br

Fonte: Agência FAPESP

Seminário Ética na Pesquisa Científica

Ética na Pesquisa Científica
O Seminário Ética na Pesquisa Científica será realizado no dia 6 de outubro, em Belo Horizonte, com o objetivo de promover debates sobre as repercussões sociais e éticas dos avanços científicos.

O evento é promovido por meio de uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e o Programa Citi, da Universidade de Miami, que oferece cursos na área de ética na pesquisa e possui mais de 900 instituições associadas em todo o mundo. As inscrições são gratuitas e já estão abertas.

Na programação, estão previstos debates sobre pesquisas com o vírus HIV, marcos legais para preservação da integridade da pesquisa e ética em pesquisas genômicas. Um dos destaques será o painel “Educação em ética na pesquisa: desafio para as instituições universitárias”.

Entre os especialistas no assunto confirmados para as palestras estão Ken Goodman e Paul Braunschweiger, ambos da Universidade de Miami, Dirceu Greco, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Maria de Fátima Freire de Sá, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Mais informações: www.fapemig.br/seminario

Fonte: Agência FAPESP