quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Fapemig e SEE lançam edital que busca promover pesquisas na educação

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), instituição associada à ABIPTI, e a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) lançaram, ontem (27), o edital “Apoio a projetos de pesquisa em educação”.

Pesquisadores de todo o Estado envolvidos com o tema já podem enviar suas propostas, que devem abordar a análise das políticas públicas de Minas Gerais. O prazo para o encaminhamento dos projetos vai até 30 de setembro.

Ao todo, serão investidos R$ 500 mil nas propostas aprovadas. Durante a cerimônia, que contou com a presença de reitores, pró-reitores e gestores da área de ciência e tecnologia, a secretária de Educação, Vanessa Guimarães, em texto da Agência Minas, destacou a importância da parceria. Segundo Guimarães, a proposta é potencializar a ação do Estado na área de C&T para promover a educação.

O edital tem cinco linhas temáticas: ensino fundamental; ensino médio; educação profissional; educação especial e educação de jovens e adultos. A proposta é que os pesquisadores utilizem o banco de dados da SEE para subsidiar seus projetos.

As propostas contempladas terão prazo de execução de 12 meses. Entre os itens financiáveis estão equipamentos, softwares, diárias e passagens e bolsas de estudos. O edital completo está disponível neste link.

Informações adicionais podem ser obtidas na central de informações da Fapemig no e-mail ou pelos telefones (31) 3379-8651/8396. (Com informações da Fapemig).

Fonte: Gestão CT

UFES inaugura Núcleo de Biotecnologia



Clique na imagem abaixo para ver a programação:


Fonte: UFES

Ital comemora 45 anos

Hoje (28), o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-Apta), associado à ABIPTI, comemora os seus 45 anos. O instituto foi criado em 30 de agosto de 1963 como Centro Tropical de Pesquisas e Tecnologia de Alimentos (CTPTA), um anexo do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Na tarde de hoje, a programação prevê reunião com a presença de parceiros, colaboradores e autoridades que, juntos, recordarão a trajetória de contribuição do Ital para o setor do agronegócio.

Também consta da programação a inauguração dos novos laboratórios de química e da Planta-piloto de Extração de Óleos Vegetais do Centro de Ciência e Qualidade dos Alimentos (CCQA-Ital).

Segundo texto do instituto, essa é a primeira planta do Brasil, que, além de extração por prensagem, realiza a extração de óleos de sementes, por solvente em escala piloto. A planta conta com dois extratores com capacidade para 25 quilos cada e para processar entre 75 e 100 quilos de material por dia. Ainda segundo o texto, a vantagem do procedimento é o rendimento: quase a totalidade do óleo é retirada da semente. Enquanto no processo tradicional, por prensagem, o resíduo carrega entre 10 e 15% do óleo, com a utilização do solvente esse percentual cai para entre 0,5 e 1%.

Ital
O Ital é composto por três grandes áreas, especializadas em tecnologia, ciência e qualidade de alimentos e embalagem.

A área de tecnologia inclui as seguintes unidades: Centro de Tecnologia de Carnes (CTC); Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Cereais e Chocolates (Cereal Chocotec); Centro de Tecnologia de Laticínios (Tecnolat); Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Hortifrutícolas (Fruthotec); Grupo de Engenharia e Pós-Colheita (GEPC); Centro de Ciência e Qualidade dos Alimentos (CCQA); Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea).

O Ital fica localizado em Campinas. O diretor geral é Luis Fernando Ceribelli Madi, que foi presidente da ABIPTI por dois mandatos.

Para mais informações, acesse o site www.ital.sp.gov.br.

Fonte: Gestão CT

Fapemig aperfeiçoará o Programa de Capacitação de Recursos Humanos

No dia 12, o Conselho Curador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) aprovou uma série de aperfeiçoamentos para o Programa de Capacitação de Recursos Humanos (PCRH) da instituição. As propostas foram sugeridas pela Câmara responsável pelo programa e resultam de quatro meses de trabalho dos seus integrantes.

Uma das sugestões prevê o apoio ao pós-doutorado. A idéia é apoiar a formação de pesquisadores de instituições estaduais nas atividades de pesquisa, consolidando a sua atuação. Entre as despesas financiáveis constam as mensalidades, passagens e auxílio-instalação. O programa também apoiará doutorados-sanduíche no país, no exterior ou em empresas.

Entre as novidades também consta a inclusão de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) nos programas de mestrado e doutorado interinstitucional – minter e dinter. A implementação poderá ser feita das seguintes formas: plena, o que permite aos ICTs propor programas na condição de instituição receptora, ou parcial, apenas como instituição associada.

A partir de agora, o apoio financeiro a modalidades que ocorrerão em outros países ficará condicionado à apresentação, no ato da solicitação de apoio, de atestado de proficiência na língua inglesa ou no idioma oficial da instituição pesquisada.

No que diz respeito às despesas financiáveis de alunos de mestrado e doutorado no local de domicílio, a proposta é que o PCRH passe a custear 50% das mensalidades. O valor seria equivalente a uma mensalidade parcial para aqueles que fazem seu curso em outra instituição que não a sua, mas funcionando no mesmo domicílio. A idéia é incentivar a qualificação das instituições atendidas pelo programa.

De acordo com a Fapemig, para definir as propostas, a Câmara do PCRH também escutou as instituições contempladas pelo programa. Em julho, seus representantes se reuniram na fundação para apresentar demandas e opinar sobre os projetos em desenvolvimento.

“A proposta principal foi conhecer um pouco melhor as instituições, o que elas têm feito, onde querem chegar e como a Fapemig pode ajudar”, explicou, na época, o coordenador da Câmara, Sandro Márcio da Silva, professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Segundo ele, o PCRH tem, hoje, basicamente dois focos: a requalificação dos servidores, porque a estrutura das instituições mudou muito, e estimular o pós-doutorado, para que Minas se insira no roteiro científico nacional.

O Programa de Capacitação de Recursos Humanos foi criado em 1994 com o objetivo de atender à demanda por uma boa qualificação e capacitar os pesquisadores e técnicos das instituições estaduais dedicadas às atividades de C&T. No ano passado, foram concedidas 382 bolsas por meio do programa, que incluem desde cursos de mestrado e doutorado até treinamentos especiais. Em relação a 2006, foi registrado um crescimento de 70%, quando foram concedidas 225 bolsas. Com a inclusão de novas instituições, neste ano, a previsão é que a quantidade de bolsas seja ainda maior.

Informações sobre o PCRH podem ser obtidas no link: www.fapemig.br/pcrh.php. (Com informações da Fapemig)

Fonte: Gestão CT

FIIT - Fundo de Incentivo à Inovação Tecnológica - é regulamentado

Na semana passada, foi publicado, no Diário Oficial de Minas Gerais, o decreto nº 44.874, que regulamenta o Fundo de Incentivo à Inovação Tecnológica – FIIT. O fundo estava previsto na Lei Estadual de Inovação, que foi sancionada em janeiro.

A idéia do FIIT é apoiar projetos inovadores e estimular a constituição de alianças entre empresas e instituições de pesquisa. A gerência do fundo ficará a cargo da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapemig) atuará como agente executor e financeiro.

“O fundo permitirá o financiamento de projetos de pesquisa e inovação direto para as empresas, sem a necessidade de aprovação de crédito ou intervenientes”, afirma Ediney Neto Chagas, gerente de Propriedade Intelectual da Fapemig, em notícia divulgada pela fundação. De acordo com ele, os recursos, não reembolsáveis, irão contemplar principalmente as empresas de base tecnológica.

Para obter o apoio financeiro do FIIT é necessário ter a aprovação, pela Fapemig, do projeto de pesquisa ou de desenvolvimento de produtos e processos inovadores e a comprovação da regularidade jurídica, fiscal e financeira do contemplado.

Em seguida, será necessária a definição dos procedimentos para a apresentação de projetos e disponibilização de recursos. Isso deve ser feito a partir de reuniões do grupo coordenador, formado por representantes da Sectes, da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), da Secretaria de Fazenda (SEF), da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede), da Fapemig e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

A íntegra do regulamento do FIIT está disponível neste link.(Com informações da Fapemig)

Fonte: Gestão CT

E.S. conta com novo subsecretário de C&T

O Espírito Santo conta com um novo subsecretário de Ciência e Tecnologia. É o economista José Antônio Resende Alves. Ele tomou posse na semana passada.

Alves é mestre em engenharia de produção, com ênfase em finanças e análise de investimento pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Hoje, ele leciona nos cursos de administração e engenharia da Faculdade Faesa, em Vitória.

Entre outros cargos, Alves foi subsecretário de Orçamento e Finanças da Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) e também já atuou como assessor técnico do diretor financeiro do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES).

Em notícia divulgada pela Sect/ES, o subsecretário explica que a sua meta será trabalhar para o avanço da ciência, tecnologia e inovação no Espírito Santo, dando suporte para a execução dos projetos e atividades que já estão em curso na secretaria. Em paralelo, buscar novas possibilidades de ações na área de tecnologia que possam contribuir para o desenvolvimento das cadeias produtivas do Espírito Santo.

Informações sobre as ações da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Espírito Santo podem ser obtidas no site www.sect.es.gov.br. (Com informações da Sect/ES)

Fonte: Gestão CT

A Reforma Psiquiátrica Brasileira: perspectivas e problemas

Laboratorio de Salud Mental: proyecto de investigación

Laboratoire de Santé Mentale: projet de recherche

Mental Health Laboratory: research project

Vivências que aproximam
A reforma psiquiátrica brasileira instituiu novas práticas terapêuticas para pacientes acometidos de transtornos mentais, que representaram notáveis avanços no âmbito da saúde pública no país. Apesar disso, especialistas apontam que ainda existe uma grande distância entre esse movimento e a realidade brasileira.

Em artigo na Revista Latinoamericana de Psicolopatologia Fundamental, integrantes do Laboratório de Saúde Mental da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental (AUPPF) destacam problemas e perspectivas da reforma com objetivo de “aprimorar as práticas clínicas por meio da construção de uma experiência que seja internacionalmente compartilhada”.

Segundo eles, o sucesso da reforma depende de novas formas de clinicar e praticar o tratamento, e supõe que o trabalhador em saúde mental esteja preparado para realizar essas atividades. “Sabe-se, entretanto, que entre o código e a prática há uma distância que nem sempre se revela nos relatórios oficiais encaminhados, periódica e sistematicamente, ao Ministério da Saúde”, destacam.

Para os autores do estudo a reforma precisa criar um dispositivo para que tais vivências se transformem em experiências, ou seja, em saberes socialmente compartilhados, desenvolvendo capacidades de pesquisa em saúde mental.

“E, para que isso ocorra, é necessário que as vivências eminentemente práticas dos trabalhadores de saúde mental sejam narradas e registradas, constituindo um arquivo fundamental da memória de práticas promovidas pela reforma”, disse Manoel Tosta Berlinck, coordenador do laboratório e um dos autores do artigo.

Esse dispositivo de registro vem sendo criado e implantado pela AUPPF, sociedade científica sem fins lucrativos que reúne 50 professores doutores de 23 universidades do Brasil, Argentina, Colômbia, México e França.

Em 2007, a AUPPF criou o Laboratório de Saúde Mental, destinado a estimular a escrita de narrativas por trabalhadores de saúde mental junto com uma reflexão a respeito delas. Essas narrativas são arquivadas e publicadas na internet, no endereço:
www.fundamentalpsychopathology.org.

“Outro objetivo do laboratório é obter informações sobre as práticas que vêm sendo realizadas no âmbito da reforma psiquiátrica brasileira. Para isso foram selecionados trabalhadores de saúde mental de São Paulo e de outros estados para escreverem narrativas sobre suas vivências”, disse Berlinck, que também é professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

“O laboratório é um dispositivo de autoria, arquivo e divulgação de narrativas e de reflexões sobre as práticas ocorridas no âmbito da reforma, que servirão de feedback para o Ministério da Saúde e para as secretarias estaduais e municipais de Saúde, os quais poderão se beneficiar em seu trabalho pelo aperfeiçoamento da política pública em saúde mental”, destacou.

Diferenças regionais
A reforma psiquiátrica é um movimento sociopolítico no âmbito da saúde pública iniciada em 1990 com a Declaração de Caracas, aprovada por aclamação pela Conferência Regional para a Reestruturação da Assistência Psiquiátrica dentro dos Sistemas Locais de Saúde, realizada naquele ano na capital venezuelana.

Foi preciso quase uma década de trabalho e discussões para que o Brasil, que aderiu à declaração, fizesse a sua lei. Publicada em 10 de novembro de 1999, a Lei nº 9.867 permite o desenvolvimento de programas de suporte psicossocial para pacientes psiquiátricos em acompanhamento nos serviços comunitários.

“É um valioso instrumento para viabilizar os programas de trabalho assistido e incluí-los na dinâmica da vida diária, em seus aspectos econômicos e sociais”, destacam os autores do artigo A Reforma Psiquiátrica Brasileira: perspectivas e problemas, publicado na Revista Latinoamericana de Psicolopatologia Fundamental.

Mas o grande salto ocorreu apenas em 31 de julho de 2003, com a Lei nº 10.708, que instituiu o auxílio-reabilitação psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais, egressos de internações. “Essa lei, conhecida como ‘Lei do Programa de Volta para a Casa’, estabelece um novo patamar na história do processo de reforma psiquiátrica brasileira, impulsionando a desinstitucionalização de pacientes com longo tempo de permanência em hospital psiquiátrico, pela concessão de auxílio-reabilitação psicossocial e inclusão em programas extra-hospitalares de atenção em saúde mental”, destacam os autores.

Mas, segundo os integrantes do Laboratório de Saúde Mental da AUPPF, a distância entre a política de saúde mental e a realidade é algo que precisa ser muito trabalhado. Um exemplo é a sua municipalização.

“Essa medida esbarrou nas diferenças regionais e locais existentes no país e podemos dizer que a reforma é hoje desigual e relativamente combinada. Há municípios que aplicam corretamente os recursos repassados pelo governo federal. Outros realizam aplicações que poderiam ser chamadas de excêntricas. Além disso, a capacitação específica dos trabalhadores de saúde mental não é levada em consideração no processo seletivo de emprego pelas prefeituras”, disse Berlinck.

A reforma também redireciona o modelo da assistência psiquiátrica, regulamenta cuidado especial com a clientela internada por longos anos e prevê possibilidade de punição para a internação involuntária ou desnecessária.

“Trata-se de uma questão complexa e indefinida, que ocupa psiquiatras forenses desde o século 19 e que, hoje, solicita a atenção de juízes, advogados, psicólogos, psicanalistas, filósofos e trabalhadores de saúde mental”, disse Berlinck.

“Sabe-se, hoje, que a decisão sobre a imputabilidade de um ato criminal não é só uma decisão judicial stricto sensu. Ela precisa se basear em uma criteriosa avaliação multidisciplinar baseada na idéia fundamental que ‘cada caso é um caso’. Além disso, resta sempre uma avaliação subjetiva que é de responsabilidade do juiz que lavra a sentença”, ressaltou.

Outro problema, segundo o pesquisador, é que o ensino universitário brasileiro ainda não se adaptou a essa política pública, levando a uma defasagem entre formação universitária e os requisitos advindos da prática. “O sistema universitário tende a oferecer um ensino geral e abstrato que é rico de conteúdo, mas que ignora, em grande parte, as especificidades da reforma psiquiátrica e o trabalho que, nesse âmbito, tem sido realizado”, afirmou Berlinck.

A universidade teria, segundo ele, um importante papel a desempenhar no aperfeiçoamento do pessoal que trabalha na área. Entretanto, aqui também há grandes obstáculos, “pois as prefeituras são muito resistentes a desenvolver um programa de aperfeiçoamento continuado de recursos humanos”.

O artigo é assinado também por Ana Cecília Magtaz, professora de Psicopatologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), e por Mônica Teixeira, jornalista na TV Cultura e coordenadora do Núcleo de Pesquisas e Desenvolvimento de Novas Tecnologias para a TV Pública.

Para ler o artigo A Reforma Psiquiátrica Brasileira: perspectivas e problemas, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

LNLS procura pesquisadores em área de espelhamento de Raio-X e bioquímica

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS/MCT) está à procura de pesquisador com ampla experiência em teoria de espalhamento de Raios-x a baixo ângulo, com interesse em instrumentação e/ou metodologia desta área.

Os candidatos devem ter capacidade para desenvolver pesquisa independente, coordenar as Linhas de Luz de espalhamento de Raios-x a baixo ângulo instaladas na Fonte de Luz Síncrotron do LNLS, contribuir para o melhoramento e avanço contínuo destas instrumentações científicas e prover apoio a usuários externos.

Os candidatos devem enviar currículo e uma carta explicitando seu interesse por esta vaga até o dia 20 de setembro para o e-mail ou pelo correio (LNLS, Caixa Postal 6192 - CEP 13083-970, Campinas, SP) - sigla RESAS2008.

Bioquímica
O LNLS também oferece oportunidade para profissional atuar na área de bioquímica de proteínas. Serão considerados para a vaga candidatos com curso superior em Biologia, Bioquímica, Química, Farmácia ou em área relacionada, que possuam experiência/formação com ênfase em purificação e caracterização de proteínas, conhecimento de sistemas automatizados de cromatografia líquida, análise química de proteínas e proteômica. Conhecimento de inglês no nível técnico é essencial.

Os candidatos devem enviar Currículo Vitae e uma carta explicitando seu interesse por esta vaga até o dia 20 de setembro para o e-mail ou pelo correio (LNLS, Caixa Postal 6192 - CEP 13083-970, Campinas, SP) - sigla LBM2008. (Assessoria de Imprensa do LNLS)

Fonte: Agência CT

Fungibras, empresa de cultivo de cogumelos, amplia mercado usando equipamento desenvolvido com apoio do PIPE

Fungibras Indústria e Comércio em Fungicultura Ltda. - Processo de produção baseado em equipamento desenvolvido com apoio do PIPE amplia mercado de empresa de cultivo de cogumelos

Quem vai ao restaurante japonês e experimenta os deliciosos fungos mergulhados no molho de soja, não imagina de onde eles possam ter vindo. E como não se trata mais dos tempos em que o homem se alimentava do que acabara de coletar — pelo menos nos restaurantes —, a Fungibras Indústria e Comércio em Fungicultura, empresa produtora, é uma das possíveis origens.

Quem adentra a empresa, vê sua equipe rodeada por sacos de serragens em uma sala climatizada, a organizar o lote de matrizes de cogumelos que serão entregues no dia seguinte. Descalço, para não contaminar o ambiente, um dos sócios, o engenheiro agrônomo Guilherme Castilho Da Eira, orienta dois funcionários do laboratório sobre como será a armazenagem do principal produto: o substrato com micélios para cultivo esterilizado de diversas espécies de cogumelos.

Micélio é o nome do talo retirado do "chapéu" do cogumelo, a partir do qual o fungo se multiplica; o substrato, uma mistura de serragem, farelos, calcário e água, que forma o ambiente propício para sua proliferação. Dependendo da encomenda, varia a espécie dos micélios que o laboratório da Fungibras implanta no substrato. Os mais procurados são os alimentares, como shimeji, shiitake ou champignon. Mas há quem queira cultivar cogumelos medicinais — que a Fungibras também oferece.

A indústria atua desde 2003 no mercado e está localizada às margens da rodovia Marechal Rondon, no Distrito Industrial de Botucatu, a 235 quilômetros de São Paulo. A região de Botucatu é das mais prósperas do Brasil na produção de cogumelos. O Estado de São Paulo responde por 70% do volume desse cultivo. Mogi das Cruzes, a 270 quilômetros de Botucatu, é a maior produtora do País. Botucatu não tem tanto destaque nesse mercado, mas a empresa quer justamente pegar o rastro das grandes da região, como Mogi, Jaú e Sorocaba, fabricando aquilo que pode ser chamado de berço para a produção dos fungos — sementes e substratos de cultivo.

O engenheiro agrônomo Augusto Ferreira Da Eira, doutor em agrobiologia agrícola, foi quem teve a idéia de fundar a Fungibras. A empresa é como uma extensão de seu trabalho na área de microbiologia na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, onde militou como pesquisador no segmento de fungicultura por 35 anos. Augusto uniu sua longa experiência com os fungos à carência em Botucatu de uma empresa que produzisse os substratos. A Fungibras vende o composto aos produtores da região já com os micélios introduzidos — que o engenheiro agrônomo produz em laboratório "sem nada de agrotóxico, podendo ser considerado um produto orgânico", diz. Para o produtor, o trabalho é colocar a massa dentro de uma câmara climatizada e esperar que brotem os cogumelos.

Guilherme e Frederico Castilho Da Eira, filhos de Augusto, também engenheiros agrônomos, assumiram os trabalhos da empresa e colocam, literalmente, a mão na massa. O processo de produção de fungos na Fungibras é "axênico" — quer dizer, livre de outros organismos, por haver um processo de esterilização do substrato, necessário para impedir o aparecimento de pragas e doenças no produto final. Essa metodologia difere da técnica chamada in natura, em que os micélios são "inoculados" diretamente em troncos de madeira, ainda muito comum em algumas regiões do Brasil, inclusive na líder Mogi das Cruzes. "Nas toras, a produção do cogumelo pode demorar de seis meses a um ano. Aqui, o processo é mais controlado. Quando chega à idade certa de maturação, o cogumelo brota", explica Augusto.. Ele mostra um saco do substrato amarronzado dentro da sala de incubação. A cor é sinal da maturação, apenas 30 dias depois de iniciado o processo. "Isso é importante para manter o mercado. O comerciante quer receber toda semana certa quantidade de quilos do cogumelo. Se a produção for 'quando Deus quiser', não se pode manter o cliente. Nosso processo é mais seguro", garante o engenheiro agrônomo.

O fungo não reina no Brasil
Os cogumelos chegaram ao Brasil vindos de um dos maiores produtores, a China. A iguaria chegou na década de 1950, e os primeiros cultivos aconteceram em Mogi das Cruzes. Mesmo rico em vitaminas, proteínas e sais minerais, o produto ainda não é tão apreciado no Brasil.

No Reino Fungi, existem catalogadas mais de 250 mil espécies; delas, cerca de 2 mil são comestíveis. A produção mundial de cogumelos alcançou crescimento de 60% nos últimos dez anos, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (Faostat, na sigla em inglês). Apesar do aumento da produção mundial, estimada em 3,19 milhões de toneladas anuais, o Brasil continua na retaguarda no consumo de cogumelos. Em 2004, estima-se que o País tenha consumido 8 mil toneladas. Há o fato de o cogumelo ser considerado exótico; o estigma de conter substâncias venenosas; e, além de tudo, o preço. "O cogumelo é caro porque a produção é cara. Investimento e custo de produção são muito altos. Para se manter no mercado, é preciso ter uma estrutura razoável", elucida Guilherme; ele acrescenta que o cultivo exige cuidados peculiares relacionados ao clima. O preço do quilo varia de R$ 8, no caso do champignon, o mais difundido no País, até R$ 17, no caso do shiitake e do shimeji, muito utilizados na culinária japonesa.

Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), no universo de centenas de módulos e boxes para comercialização de alimentos, não existe um único exclusivo para a venda de cogumelos. Segundo Alessandro França Paula, proprietário do Granada Hortifruti, um dos distribuidores do produto em São Paulo, a iguaria representa cerca de 30% de suas vendas. "Os maiores clientes são a rede hoteleira e os restaurantes. A classe média é a grande consumidora de cogumelos no Brasil", afirma.

Em 2004, o PIPE
A Fungibras é a única empresa a produzir o substrato em Botucatu, mas enfrenta concorrência de outras brasileiras. Todas as que utilizam a metodologia do substrato trabalham com autoclaves para esterilizar a massa onde será injetado o micélio. O processo é custoso e trabalhoso. O substrato é colocado em pequenos pacotes plásticos dentro da máquina e submetido a altas temperaturas.

A empresa de Botucatu também começou a produzir seus substratos com autoclaves. No entanto, os resultados das pesquisas de Augusto apontaram um caminho mais fácil. Ele projetou e criou o Esterilizador Homogeneizador, uma máquina em formato de betoneira — essas que a construção civil usa para misturar cimento — com aproximadamente 2,5 metros de altura. O engenheiro mostra o Esterilizador Homogeneizador no pátio da indústria, enquanto enumera com orgulho todos os recursos que desenvolveu e que aumentaram em dez vezes a produção. A principal vantagem em relação à autoclave é a esterilização dinâmica — não há necessidade de ensacar o substrato. O inventor explica: "Quando se fecha a escotilha, entra água muito quente para esquentar a máquina e o material. O vapor utilizado para esterilizar é gerado lá dentro. No dia seguinte, é feita a inoculação. Nenhuma outra empresa do Brasil possui isso. Em outros países, existem processos similares, mas não tão eficientes", orgulha-se.

Segundo ele, a máquina, que tem capacidade para 1,5 tonelada, faz num dia o que a autoclave faria em dez. "Ganhamos eficiência com economia de tempo e pessoal", enfatiza. O substrato sai do esterilizador por uma porta ligada internamente a um dos três laboratórios do prédio, ambiente totalmente estéril que, por causa da produção axênica, tem de dispor de paredes isoladas, insuflador de ar e sistema de refrigeração.

Para a concretização do projeto do equipamento inovador, Augusto solicitou financiamento à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em 2004, um ano após a abertura da empresa. Na primeira fase, com financiamento de R$ 70 mil, tirou do papel o protótipo do equipamento, a fim de testá-lo. Os resultados positivos e promissores levaram à apresentação de um segundo projeto de pesquisa ao programa que apóia as pequenas inovadoras. A Fapesp aprovou a segunda fase do projeto, que começou em 2005. Com R$ 280 mil, a Fungibras construiu a máquina em escala plena, de 5,7 mil litros. O financiamento custeou também materiais de laboratório e cinco bolsistas, e o projeto foi encerrado, com sucesso, em setembro de 2007.

Repercussão com patente
De uma indústria que ficou incubada até setembro de 2006 no Núcleo de Desenvolvimento Empresarial de Botucatu, a Fungibras começa a ganhar notoriedade no mercado. Dona de uma área de 3 mil metros quadrados, a empresa, que tem sete funcionários (e terá nove, em breve), inicia agora uma nova etapa, a do patenteamento do Esterilizador Homogeneizador. "A papelada já está pronta para ser entregue ao Núcleo de Patentes e Licenciamento de Tecnologia (Nuplitec) da Fapesp. O que atrasou foram adaptações após a Fase II. Agora, a Fungibras poderá patentear a máquina testada", explica o pesquisador. Como argumento para a concessão da patente, será descrito o processo de esterilização dinâmica, além da forma de aquecimento do substrato, entre outros diferenciais.

A Fungibras passa assim a colher os frutos de seu trabalho de pesquisa. Com a máquina em funcionamento desde novembro de 2006, a indústria ganhou mais dez clientes, de seu rol de 40. "São duas toneladas por mês de shiitake e shimeji", calcula Augusto.

"Mudamos atualmente o foco para produção própria de cogumelos, pois a rentabilidade é bem maior que a do substrato. Nossas câmaras novas de cultivo já absorvem 16 toneladas de substrato axênico por mês, o que significa que atingimos a metade da capacidade da máquina desenvolvida no projeto do PIPE. Somente após consolidarmos essas novas câmaras de cultivo é que começaremos o marketing para maximizar o uso do equipamento."

Até agora, a família Da Eira atribui suas conquistas ao boca a boca — que tem disseminado sua qualidade entre os produtores. O preço está ajudando também. A Fungibras cobra R$ 1,30 pelo quilo do substrato axênico, enquanto os grandes fabricantes o vendem a R$ 1,40.

Fonte: Lívia Komar/ Inovação Unicamp

Uece desenvolve primeiro ovário artificial


Pesquisadores do Ceará desenvolvem primeiro ovário artificial

Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico (CNPq/MCT), está desenvolvendo um ovário artificial. A técnica oferece aos óvulos condições favoráveis de crescerem, amadurecerem e ovularem fora do ovário, ou seja, in vitro, até ficarem prontos para a fecundação. "O ovário é repleto de óvulos que normalmente in vivo, dentro do animal, sofrem uma eliminação de 99,9%. Esta perda é muito grande. Com a técnica do ovário, fazemos o desenvolvimento artificial deles in vitro. Se tivermos 10% de eficiência, teremos o potencial de produzir 6 mil bezerros por animal, por ovário", explica o coordenador do projeto, o veterinário da Uece, José Ricardo de Figueiredo.

A técnica do ovário artificial, desenvolvida pelos pesquisadores, ainda se encontra em fase de testes, mas já demonstra ter potencial de aplicação para a indústria farmacêutica, permitindo a realização de testes in vitro da ação de fármacos sobre folículos, antes de empregar em experimentos envolvendo animais ou seres humanos. Há também a utilização na formação de bancos genéticos para animais em extinção e para tratamentos de infertilidade na reprodução humana, possibilitando uma alternativa aos métodos atuais de produção de embriões in vitro, que utilizam procedimentos como a superovulação ou a punção e geram desconforto para a mulher, além de custos elevados. "Para o bem-estar animal, por se tratar de um modelo exclusivamente in vitro, reduzirá o estresse sofrido com os procedimentos atuais de superovulação, colheita de embriões e punção. É uma alternativa ao uso de animais em experimentos", explica o médico veterinário José Ricardo.

Rede
Para promover o desenvolvimento da biotécnica do ovário artificial e da produção de embriões in vitro, os pesquisadores criaram a Rede de Pesquisa Moifopa-PIV Brasil. "O objetivo é fazer um levantamento da infra-estrutura dos laboratórios envolvidos para otimizar a utilização da capacidade instalada de pesquisa, realizando intercâmbio de estudantes, técnicos e pesquisadores, a criação de projetos interinstitucionais, além de evitar a duplicidade de estudos, fazer a padronização das condições de pesquisas, como o meio de cultivo de base comum aos laboratórios, e integrar os grupos", explica o coordenador José Ricardo.

Difusão
Para promover a difusão de tecnologia, os coordenadores da Rede estão lançando a segunda edição do livro Biotécnicas Aplicadas à Reprodução Animal. Organizado pelos professores José Ricardo de Figueiredo (Uece), Paulo Bayard Dias Gonçalves, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e Vicente José de Figueiredo Freitas, da Uece, o livro contou com a colaboração de 61 autores e co-autores nos diferentes capítulos. (Assessoria de Comunicação do CNPq)

Fonte: Agência CT

Professor do ITA conquista segundo lugar no Primeiro Desafio da Liga de Robótica Simulada Internacional RoboChamps

Navegação de robôs
Competindo com mais de 6,5 mil pessoas de 77 países, Jackson Matsuura, professor do Departamento de Sistemas e Controle do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), conquistou o segundo lugar no Primeiro Desafio da Liga de Robótica Simulada Internacional RoboChamps.

A competição é promovida pela Microsoft para demonstrar a plataforma Microsoft Robotics Developer Studio. Além de Matsuura, apenas mais um competidor foi premiado: Dave Sprague, um apaixonado pela robótica dos Estados Unidos que ficou em 1º lugar.

A RoboChamps, que é aberta a estudantes, professores, pesquisadores em robótica e desenvolvedores de todo o mundo, oferece ambientes realistas em três dimensões, versões simuladas de robôs reais e desafios instigantes em diferentes cenários computacionais. Os competidores têm a oportunidade de programar robôs simulados para completar uma série de desafios, que exigem habilidades específicas tanto dos robôs como dos competidores.

O desafio foi navegar um robô em um labirinto cheio de armadilhas. Das mais de 6,5 mil pessoas que fizeram o download da plataforma para participar, apenas Matsuura e Sprague foram capazes de fazer com que o robô navegasse para fora do labirinto e, por isso, serão premiados com robôs reais.

Sprague receberá um modelo CoreWare Corobot, no valor aproximado de U$ 3,2 mil, e Matsuura ganhará um Boe-Bot Kit, que custa cerca de U$ 210.

Com a conquista, os dois também terão o direito de disputar vaga nas finais da RoboChamps que, segundo a organização, ocorrerão durante a Microsoft’s Professional Developers Conference, que será realizada de 27 a 30 de outubro, em Los Angeles.

Mais informações: www.ita.br

Fonte: Agência FAPESP

Itaipu vai usar sobra de água para produzir hidrogênio combustível, com tecnologia criada na Unicamp

A hidrelétrica de Itaipu deve começar a produzir hidrogênio combustível até o final do ano que vem. O projeto executivo da construção de um laboratório que servirá como planta-piloto para produção e desenvolvimento da tecnologia do hidrogênio está pronto e foi apresentado pelo Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Física da Unicamp, parceiro da empresa nas pesquisas sobre a economia do hidrogênio.

Itaipu decidiu investir na tecnologia do hidrogênio para aproveitar a água que sobra em épocas de muita chuva. Quando o volume de água é superior à capacidade de armazenamento de Itaipu e a energia a ser gerada por esse volume de água não tem como ser consumida, a água é "vertida", ou seja, abrem-se as comportas e ela passa livremente. Na prática, a água vertida é energia perdida. "Não temos como armazenar grandes quantidades de energia. A idéia é aproveitar essa água para, por meio do processo de eletrólise, produzir hidrogênio", explica o engenheiro Marcelo Miguel, técnico da Divisão de Engenharia de Itaipu.

A Unicamp presta assessoria técnica e científica para a implementação do Programa de Hidrogênio em Itaipu. As obras da planta-piloto estão orçadas em R$ 1 milhão e a hidrelétrica prepara o edital para licitar a construção, que deve começar também em 2009. O laboratório terá quase 600 metros quadrados de área construída e foi projetado para produzir 10 metros cúbicos de hidrogênio por hora.

A iniciativa é parte da International Partnership for the Hydrogen Economy (IPHE), cooperação que reúne vários países em torno do assunto. O Brasil tem um programa nacional com foco na economia do hidrogênio, sob gestão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Trata-se do antigo Programa Brasileiro de Sistemas Células a Combustível, que em 2005 passou a se chamar Programa de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Economia do Hidrogênio.

O Estado do Paraná também organizou um programa sobre o tema, com o objetivo de tornar-se referência em economia do hidrogênio, dentro do qual se insere Itaipu. A primeira ação do Estado paranaense foi lançar, em fevereiro deste ano, o Estudante HidroGÊNIO Paraná, programa que busca mobilizar as escolas dos ensinos fundamental e médio para trabalhar com o tema energia do hidrogênio.

O papel da universidade na parceria
A rota tecnológica da eletrólise, que usa a energia elétrica para separar elementos químicos — no caso, as moléculas de hidrogênio e oxigênio que formam a água —, foi indicada pelo Laboratório de Hidrogênio da Unicamp como a mais apropriada para a planta-piloto de Itaipu. Com ela, a energia que iria embora com a água vertida em períodos de excesso de chuva será captada por Itaipu para produzir hidrogênio.

Um dos desafios enfrentados por grupos de pesquisa de vários lugares do mundo é produzir hidrogênio a custos competitivos. Mas, em Itaipu, as pesquisas terão uma preocupação maior com o uso do hidrogênio em veículos. A usina utilizará o hidrogênio produzido em pequena escala em veículos que circulam dentro de suas instalações para transporte de visitantes e funcionários. Dois ônibus e dois carros serão as "cobaias" do desenvolvimento da tecnologia em Itaipu. "Em todo o mundo, temos desenvolvimento de veículos que usam hidrogênio. É um grande mercado", aponta Ennio Peres da Silva, coordenador do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp.

Ele explica que um dos desafios para pesquisa e desenvolvimento é a falta de infra-estrutura para armazenamento e disponibilidade do hidrogênio nos postos de abastecimento. Outro está no processo de eletrólise em si, pois ele se realiza em corrente contínua e a energia que sai da usina para ser usada na planta-piloto vem em corrente alternada. Há equipamentos especiais para fazer a mudança de um modo para outro, chamados de retificadores de corrente, mas são peças muito caras. "Uma das linhas de pesquisa que estamos pensando em seguir é fazer esses equipamentos aqui, de forma a baratear o processo, o que reduziria o investimento necessário para produzir hidrogênio e, por conseqüência, diminuiria o preço do hidrogênio", completa Silva.

A planta-piloto contribuirá para o avanço do conhecimento sobre as etapas da eletrólise, as células a combustível, a operação de uma planta produtora de hidrogênio, a durabilidade de equipamentos, entre outros pontos. "Terá um importante papel na formação de recursos humanos, pois falta gente no Brasil para trabalhar em uma produção de hidrogênio em maior escala", acrescenta o pesquisador da Unicamp. Atualmente, quatro alunos de mestrado estão concluindo seus estudos, com apoio da usina, e deverão trabalhar na planta-piloto quando esta começar a operar. Dois são brasileiros e dois são paraguaios, dado o caráter binacional de Itaipu, localizada na divisa com o Paraguai.

E há, ainda, as pesquisas envolvendo os veículos que usam hidrogênio. "Todas as grandes montadoras, hoje, tem protótipos de veículos movidos a hidrogênio", destaca o engenheiro de Itaipu, Marcelo Miguel. Itaipu já tem convênio com a Fiat para desenvolvimento de veículos elétricos. Ainda vai selecionar um parceiro do setor automobilístico para o projeto do hidrogênio.

Ainda não há modelo de negócio bem definido
A empresa ainda não definiu o modelo de negócio final. "Ainda não está muito claro como as coisas serão na economia do hidrogênio. Imaginamos que a produção será próxima dos locais de consumo, porque, do contrário, seria preciso gastar muita energia para transportar o hidrogênio ou fazer um sistema complexo de dutos", explica Miguel. A empresa paulista de ônibus urbanos EMTU, que opera em linhas que interligam cidades do Grande ABC a São Paulo, está montando um posto de abastecimento de hidrogênio e vai testar veículos movidos a esse combustível. A Petrobras também anunciou a montagem de um posto flex, que terá vários tipos de combustíveis, entre eles o hidrogênio, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, onde está o centro de pesquisa da empresa.

A regulação do mercado é um ponto nebuloso, dado o caráter sazonal da produção de hidrogênio. Em princípio, a tecnologia seria voltada para o aproveitamento da energia que é desperdiçada quando há excesso de água nos reservatórios. Mas como ficará a produção nos períodos em que os reservatórios estão em níveis mais baixos? "Tudo isso ainda está sendo estudado pelo programa. Por enquanto, a produção é muito pequena e experimental, mas, com certeza, como o hidrogênio é o elemento mais abundante na natureza e como o esforço é integrado pelos diversos segmentos produtivos, não deverá faltar [hidrogênio] para a projeção que estamos vendo", responde o engenheiro. "Em última análise, se o mundo todo resolver usar o hidrogênio, podem surgir complementares, como foi o álcool para a gasolina. Enfim, são pesquisas", completa.

A empresa ainda não definiu como vai trabalhar essa tecnologia no mercado, pois tudo dependerá dos resultados da planta-piloto e do tamanho da demanda. Ela poderá vender o hidrogênio para o mercado veicular ou fornecer energia estacionária, aquela que é ofertada para residências e indústrias. Neste último caso, faria algo semelhante à iniciativa do Centro de Pesquisas em Energia Elétrica (Cepel), que, em parceria com a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), está desenvolvendo e implantando uma célula a combustível de membrana polimérica (PEM) com potência nominal de 5 quilowatts.

O sistema PEM adotado pela Cepel foi desenvolvido pela empresa Electrocell e é um dispositivo eletroquímico em que um combustível (no caso, o hidrogênio) e um agente oxidante reagem diretamente, produzindo eletricidade. Esse sistema é de baixa potência, ideal para aplicações em comunidades isoladas, em residências, conjuntos residenciais ou em pequenas unidades comerciais. Itaipu poderá fazer algo nesse sentido com sua planta-piloto de produção de hidrogênio, para fornecer energia estacionária. (J.S.)

Inovação Unicamp

Energy in Perspective BP Statistical Review of World Energy 2008

O economista-chefe da BP (British Petroleum), Christof Rühl apresentou no último dia 26, no Rio de Janeiro,na sede do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis – IBP (Av. Almirante Barroso, 52, 21º andar – Centro), palestra sobre o relatório anual de estatísticas do setor de energia da BP para 2008.

Apresentado inicialmente em julho deste ano, em Madrid, durante o World Petroleum Congress (WPC), o relatório aborda a alta dos preços, o crescimento econômico e a demanda de energia, o mercado de óleo (crescimento do consumo, desenvolvimento do mercado, desafios do suprimento etc), e outros combustíveis (gás, carvão, energia nuclear e renováveis).

Durante o WPC, o CEO da BP, Tony Hayward, afirmou que o petróleo não está em falta e que já foi descoberto óleo o suficiente para manter o nível de consumo atual por mais 42 anos. “Não ha escassez física. No entanto, claro que, à medida que ha um aumento da demanda, uma alta dos preços, e preciso passar por uma reestruturação na forma de concepção dos projetos”, avaliou. “A alta dos preços é um alerta. O mundo precisa urgentemente de investimentos em energia de todos os tipos: óleo, gás natural, carvão, energia nuclear e energias alternativas. A curto prazo, precisaremos de todos esses tipos de energia. E igualmente importante: precisamos consumir energia de forma mais eficiente”, concluiu.

Para Hayward, o problema estaria na fraca elaboração de políticas de exploração. “Cerca de 80% das reservas de óleo do mundo estão nas mãos de companhias de petróleo estatais, que possuem um certo monopólio para exploração do óleo. Se essas reservas fossem completamente exploradas, o mundo poderia facilmente produzir 100 milhões de barris por dia ou mais”, disse, durante o evento.

No que diz respeito ao consumo, o relatório aponta que o mundo está consumindo óleo mais rápido do que se está encontrando, mesmo com grandes reservas. “O aumento dos preços afetam não apenas as operadoras, mas também, obviamente, o consumidor. Pelo menos a médio prazo, a era da energia barata acabou”, afirmou na ocasião.

Uma das maiores empresas européias do setor, a BP é considerada uma petroleira inovadora. Ainda no final dos anos 90, foi uma das primeiras a se interessar pelo avanço dos biocombustíveis e a buscar alternativas para amenizar os efeitos das mudanças climáticas. Em 2000, mudou o nome de British Petroleum para BP, sigla para a expressão "Beyond Petroleum" (em português, Além do Petróleo) e passou a apresentar-se não como uma petroleira, mas como uma empresa de energia.

A empresa conta com uma área de biocombustíveis no Brasil, em Campinas, interior de São Paulo, próxima de municípios e de empresas ligadas à produção de etanol e ao desenvolvimento de novas tecnologias para o plantio e a industrialização da cana-de-açúcar e sede no Rio de Janeiro. (Cassiano Viana / Tn Petróleo)

Veja a palestra Energy in Perspective BP Statistical Review of World Energy 2008, realizada pelo Sr. Christof Ruhl, Economista-Chefe da BP, no dia 26/08 na Sede do IBP, clicando aqui

CAS Engenharia desenvolve sistema de monitoramento de fluxo de energia

Solução reduz perdas de energia
No setor de energia elétrica, as perdas comerciais na sua distribuição resultam num prejuízo de mais de R$ 1 bilhão por ano e, segundo Welson Jacometti, diretor executivo da empresa CAS Engenharia, a identificação e eliminação dos fatores que determinam estas perdas é a forma mais eficiente de melhorar os resultados financeiros das concessionárias.

Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, o índice de perdas por furto ou fraude registrado pelas distribuidoras alcança 5% de toda a energia produzida no País, o que representaria cerca de 21 mil dos 422 mil gigawatts-hora produzidos no ano passado que, somadas às perdas naturais nas linhas de transmissão, que atingem 12%, faz com que a perda geral no Brasil chegue a cerca de 17%.

"Com custos operacionais quase sempre já otimizados ao limite, resta à indústria de distribuição de energia tornar-se mais eficiente, identificando, combatendo e eliminando as perdas não técnicas", diz Domingos Iório, diretor de produção da CAS Engenharia.

A solução RS2000 e-Power, sistema de monitoramento de fluxo de energia, junto com a plataforma Hemera, desenvolvidas pela empresa, permitem a coleta automatizada de dados e sua análise em tempo real, verificando inconsistências no sistema de medição, evitando perdas técnicas - medidor com defeito, cabo solto, por exemplo - e perdas comerciais, informando diretamente ao centro de controle da concessionária.

"A partir da análise dos dados enviados ao cliente pela rede de telefonia celular, caso seja identificada alguma inconsistência, é disparada uma ordem de manutenção, a um custo muito baixo. Antes a comunicação via rede celular era feita a partir da troca de mensagens de texto, o que encarecia o produto. Com a rede GPRS você tem o pacote de dados a preços muito mais baixos e com contratos especiais para este tipo de cliente", diz Iório.

Como utiliza o mesmo padrão universal utilizado na internet (o protocolo IP), o GPRS otimiza as comunicações de dados através das redes móveis.

Sendo baseado em pacotes, permite que a utilização da infra-estrutura da rede de comunicação existente se dê somente quando uma operação de transmissão e ou recepção é requerida ao invés de estabelecer um link permanente. Isto aumenta a eficiência do meio de comunicação e melhora a qualidade dos serviços de conexão.

O grande atrativo da tecnologia GPRS está na possibilidade de se manter uma conexão "permanente" de dados e assim, os usuários não precisam conectar o sistema toda vez que necessitarem de acesso aos serviços.

Outra vantagem é que a tarifação é feita apenas sobre os dados efetivamente transmitidos e dessa forma o usuário não paga pelo tempo de conexão.

O custo de implantação da solução - hardware, que é instalado junto com o medidor da concessionária no cliente + software - depende da aplicação de cada empresa mas, como exemplo, Iório cita o caso de uma concessionária que, há dois anos, com a identificação de apenas três fraudes pagou todo o seu investimento, de cerca de R$ 6 milhões.

Segundo Jacometti, "a tecnologia nos permite hoje conhecer cada um dos consumidores de uma companhia de distribuição em moldes similares ao que ocorre na indústria financeira ou de telecomunicações. Neste novo cenário, a eficiência das companhias na medição irá refletir-se, então, em dois aspectos: a capacidade de entender tecnicamente o que ocorre em campo com o instrumento de medição em tempo real e o ambiente que o cerca, e a capacidade da companhia de relacionar-se com seus consumidores de forma rápida, eficiente e positiva".

Além da medição de energia elétrica, a solução também é utilizada por concessionárias de água e gás, controlando vazão e pressão e indexando todos os dados.

"O hardware é o mesmo, o que muda é o software. Para as distribuidoras de água, é muito importante ter este controle, até para evitar acidentes, além do desperdício. Nestes casos, o consumo é muito maior durante o dia e, de madrugada, se a vazão continuar a mesma e não houver ajuste das válvulas, existe o risco de rompimento de tubulações", diz Iório.

Criada há oito anos, a CAS Tecnologia tem hoje como clientes Light, Cemig, Sabesp, CET, ItaúBBA, Citibank, Dell, ThyssenKrup, Alcoa, Roche, Siemens e Garoto, entre outras, e clientes na República Dominicana, Chile e África do Sul.

Tem cerca de 12 mil pontos instalados para concessionárias e a expectativa é instalar mais 10 mil pontos até o final deste ano.

O serviço de monitoramento e análise remota do fluxo de consumo de energia representa 65% do faturamento da empresa que, em 2007, atingiu R$ 20 milhões.

Fonte: Jornal do Commercio