quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Políticas Urbanas, Territórios e Exclusão Social: Índia—Brasil, uma Perspectiva Comparativa

Os impactos da expansão urbana provocada pela exclusão social nas cidades indianas e brasileiras

A expansão urbana decorrente de processos de exclusão social em cidades indianas e brasileiras tem impacto direto em áreas importantes para a conservação ambiental. As pesquisas sobre essa questão e sobre as políticas públicas a ela ligadas serão debatidas no seminário internacional "Políticas Urbanas, Territórios e Exclusão Social: Índia—Brasil, uma Perspectiva Comparativa", nos dias 27 e 29 de agosto, no IEA.

Segundo os organizadores do seminário, as populações urbanas e periurbana brasileira e indiana enfrentam os mesmos desafios: graves problemas de moradia, crescimento exponencial das favelas (no Brasil) e slums (na Índia), fragmentação social e espacial das cidades, áreas periurbanas com crescimento maior do que o das áreas centrais, fortes contrastes sociais, e pressões e ameaças sobre o ambiente.

Além disso, políticas públicas municipais, estaduais, metropolitanas ou nacionais para enfrentar esses sérios desafios nos níveis social, econômico e ecológico muitas vezes não produzem os resultados esperados no tempo necessário.

Apesar dos diferentes estágios de desenvolvimento de Índia e Brasil, as políticas e suas estratégias podem ser comparáveis tanto nos programas quanto nos métodos de ação e nos resultados. No entanto, essa comparação só pode ocorrer com uma reflexão sobre as políticas e ações em seu próprio contexto.

Essa é a razão de os pesquisadores levarem em consideração o papel de situações peculiares de cada megacidade. Em que aspectos Mumbai se assemelha a São Paulo e não a Delhi? Como funcionam os sistemas urbanos de Mumbai, São Paulo, Rio de Janeiro ou Delhi? Essas são algumas das questões a serem debatidas no encontro.

O seminário é uma realização do programa de pesquisa Exclusão Social, Territórios e Políticas Urbanas (SeTup), integrado por 18 especialistas do Brasil, França e Índia, com patrocínio da Agência Nacional de Pesquisa (ANR) da França e apoio do IEA, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam) da USP.

PROGRAMA
27 de agosto
8h—8h30 BOAS-VINDAS AOS PARTICIPANTES
César Ades — diretor do IEA
8h30—9h CONFERÊNCIA DE ABERTURA: "AS METRÓPOLES
BRASILEIRAS NO CONTEXTO DA URBANIZAÇÃO"

Ana Fani Alessandri Carlos — FFLCH-USP
TEMA: FLORESTAS PERIURBANAS: POLÍTICAS, ATORES E CONFLITOS
9h—11h I. A FLORESTA NA CIDADE: OS PARQUES EM SEU AMBIENTE URBANO
Hervé Théry — Centro de Pesquisa e Documentação sobre a América Latina (Credal), França, e Cátedra Pierre Monbeig da FFLCH-USP

II. PROTEÇÃO POR ETAPAS: HISTÓRICO DA CONSTRUÇÃO

Benedito Oscar Correia — FFLCH-USP
Neli Aparecida de Mello — EACH-USP
Louise Bruno — Instituto Libertas, União Européia
Emmanuel Bon — Centro de Estudos da Índia e da Ásia do Sul (Ceias), França

III. EVOLUÇÃO DOS USOS: SUA NATUREZA E SEUS ATORES
NO INTERIOR E NO ENTORNO DA FLORESTA

Ailton Lucchiari — FFLCH-USP
Frédéric Landy — Universidade Paris X Nanterre, França
Emmanuel Bon — Ceias, França
11h—11h15 Intervalo
11h15—12h15 TESTEMUNHOS DE GESTORES E DEBATES
Ricardo Calmon e Bernardo Issa — Parque Nacional da Tijuca
12h15—14h Intervalo
14h—16h IV. TIPOLOGIA DOS CONFLITOS E ESPACIALIZAÇÃO
Neli Aparecida de Mello — EACH-USP
Ailton Lucchiari — FFLCH-USP
Frédéric Landy — Universidade Paris X Nanterre, França
Marie-Hélène Zérah — Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), França, e Centro de Ciências Humanas (CSH), Índia

V. MODELO INSTITUCIONAL E GOVERNANÇA

Wagner Costa Ribeiro — IEA, FFLCH-USP e Procam-USP
Emmanuel Bon — Ceias, França
Marie-Hélène Zérah — IRD, França, e CSH, Índia
Louise Bruno — Instituto Libertas, União Européia

VI. DESAFIOS E POLÍTICAS ATUAIS: O AMBIENTAL É SOLÚVEL NO SOCIAL?
Pedro Jacobi — Procam-USP
Emmanuel Bon — Ceias, França
Frédéric Landy — Universidade Paris X Nanterre, França
Marie-Hélène Zérah — IRD, França, e CSH, Índia
16h—16h15 Intervalo
16h15—17h30 TESTEMUNHO DE GESTORES
Fernando Descio — Parque Estadual da Cantareira
Maria Lúcia Bellanzani — Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos (a ser confirmada)
17h30—18h CONFERÊNCIA: "FLORESTAS URBANAS: OS RISCOS DA PRESSÃO ANTRÓPICA
(Conferencista a ser confirmado)
27 de agosto
TEMA: TRATAMENTO DE FAVELAS
8h30—10h POLÍTICAS URBANAS E CONTEXTOS JURÍDICOS: PERSPECTIVAS COMPARATIVAS

I. URBANIZAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS
Processos de Megalopolização e Ajustes nas Políticas Públicas
de São Paulo e Mumbai em face das suas Favelas

Mari-Charlotte Belle — Universidade Paris Sorbonne

II. CONTEXTO JURÍDICO
Aspectos Legais da Remoção e Reassentamento nas
Cidades Indianas, Focalizando Especialmente Delhi

Usha Ramanathan — Centro de Estudo das Sociedades em Desenvolvimento (CSDS), Índia

Aspectos Legais da Regularização Fundiária no Rio de Janeiro e São Paulo
Rafael Soares Gonçalves — Núcleo de Pesquisa e Extensão Favela e Cidadania (Faci) da UFRJ e Laboratório Sociedades em Desenvolvimento no Espaço e no Tempo (Sedet), França
10h—10h15 Intervalo
10h15—12h15 BRASIL — PERSPECTIVAS DE COMPARAÇÃO INTRANACIONAL

I. O DISCURSO E A PRÁTICA, A REMETIÇÃO OU A NOVIDADE DAS POLÍTICAS
Políticas Públicas Tardias na Periferia: o Caso da Favela Maravilha
Mônica Virginia de Souza — EESC-USP
Inclusão e Exclusão: uma Análise sobre os Discursos e as Práticas no Desdobramento das Intervenções do Programa Favela Bairrinho nas Favelas de Praia da Rosa e Sapucaia
Lenise Fernandes e Fátima Gomes — Faci/UFRJ

II. AS CHAVES PARA POLÍTICAS BEM SUCEDIDAS?
Rocinha (Rio) e Paraisópolis (São Paulo), Favelas 'Exemplares': uma Comparação do Processo de Urbanização e Regularização em Duas das Maiores Favelas do Brasil
Nicolas Bautes — Universidade de Caen Baixa Normandia, França
Maria-Caroline Saglio — Instituto Nacional de Línguas e Civilizações Orientais (Inalco) e Ceias, França

Debatedora: Vera Telles — Cenedic-USP
12h15—14h Intervalo
14h—16h ÍNDIA — PERSPECTIVAS DE COMPARAÇÃO INTRANACIONAL
I. REMOÇÕES, PROGRAMAS DE REURBANIZAÇÃO E DE
REASSENTAMENTO: EXPERIÊNCIAS DE DELHI E MUMBAI

Véronique Dupont — IRD, França
Marie-Caroline Saglio — Inalco e Ceias, França

II. ILUSTRAÇÃO DO CAMPO: POLÍTICAS DE REABILITAÇÃO EM MUMBAI
Reabilitação nas Favelas de Mumbai: Complexidade de Atores
Apresentação de Trabalhos: Marion Pollet — Universidade Paris X Nanterre, França

O Impacto dos Programas de Reassentamento na Inserção Urbana
em Relação ao Acesso ao Emprego: o Caso de Chandivali, Mumbai

Apresentação de Trabalhos: Damien Vaquier — Universidade de Clermont-Ferrand, França

Debatedor: Robert Cabanes — IRD, França
16h—16h15 Intervalo
16h15—17h30 MESA-REDONDA: REFLEXÕES SOBRE A EXCLUSÃO SOCIAL
E AS METRÓPOLES BRASILEIRAS E INDIANAS
Sérgio Gonçalves — Secretário da Habitação e Desenvolvimento Urbano de Osasco
Dulce Helena Cazzuni — Secretária de Desenvolvimento, Trabalho e Inclusão de Osasco
17h30—18h DEBATE DE ENCERRAMENTO: ÍNDIA E BRASIL: PARCERIAS POSSÍVEIS
Serviço:
Seminário Internacional: Políticas Urbanas, Territórios e Exclusão Social: Índia—Brasil, uma Perspectiva Comparativa
Data: 27 e 29 de agosto, das 8h30 às 18h
Local: Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA (mapa).
Informações: com Cláudia Regina, , telefone (11) 3091-1686; Clenes Louzeiro e Luciano de Souza.
Via internet: transmissão ao vivo em www.iea.usp.br/aovivo.

Fonte: IEA

HP anuncia segunda chamada mundial de projetos em março

Diretor de laboratórios HP anuncia que empresa fará segunda chamada mundial de projetos em março; primeira lista é divulgada

Entre fevereiro e março de 2009, os laboratórios de pesquisa e desenvolvimento da Hewlett-Packard (HP Labs) lançarão sua segunda chamada mundial de projetos de pesquisa em áreas de interesse da empresa.

Em maio deste ano, a HP fez a primeira experiência nesse sentido e considerou o resultado positivo. A firma pediu projetos para a comunidade acadêmica que atendessem a 41 tópicos de pesquisa, temas estratégicos para seus negócios. Recebeu mais de 450 projetos de 34 universidades situadas em 14 países do Hemisfério Norte. Dia 14 de agosto, divulgou a lista dos 41 projetos escolhidos, que passaram a integrar a carteira de projetos do HP Labs, a estrutura que gerencia as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D&I) da empresa.

Há projetos de Portugal, da China, da Índia, da Turquia. A maior parte dos selecionados é de universidades dos EUA. A segunda chamada de projetos está aberta a todos e pesquisadores brasileiros podem participar.

A iniciativa faz parte da prática da inovação aberta, ou open innovation, que consiste em fazer atividades de P&D&I em parceria com universidades, institutos de pesquisa públicos e privados, órgãos de governo e outras empresas. A inovação aberta é uma tendência entre as grandes firmas. Rich Friedrich, diretor do escritório de open innovation dos HP Labs, esteve em São Paulo para falar da estratégia da HP nesse assunto durante palestra promovida pela Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei) dia 21 de agosto, no auditório da Faculdade de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

A diretoria de open innovation da HP cuida das atividades de P&D&I que buscam tecnologias de ruptura. Ela faz a gestão das parcerias de longo prazo estabelecidas pela empresa. A equipe coordenada por Friedrich é formada por 25 pessoas.

A chamada para seleção de projetos é divulgada uma vez por ano no site dos HP Labs. Os temas são definidos previamente por um comitê formado pela área de P&D e pelas unidades de negócio da companhia. O comitê analisa e aprova os projetos, que têm de 10 a 25 páginas. Eles devem descrever a tecnologia, explicar por que ela é importante, qual impacto terá nos negócios da HP, o estado em que se encontra, entre outras informações. Há projetos que a empresa aprova e financia parcialmente.

A HP experimenta a inovação aberta como forma de ampliar sua capacidade de inovar. "Nem todas as pessoas criativas trabalham para a HP", observou o executivo. Outros fatores que reforçam a necessidade de fazer parcerias para inovar são os recursos limitados das empresas para as atividades de P&D&I. A HP tem receita anual média de US$ 100 bilhões e investe US$ 3,5 bilhões em P&D&I. São 30 mil engenheiros, e outros 600 pesquisadores espalhados pelos sete laboratórios da empresa no mundo, trabalhando em uma carteira de aproximadamente 125 projetos. A maior parte do esforço em P&D&I concentra-se em Palo Alto, Estados Unidos, sede da HP.

O compartilhamento de riscos também é outro forte motivador para a adoção do modelo aberto de inovação. A pressão do mercado por ciclos rápidos de inovação requer a busca por idéias em várias fontes. "Trabalhamos com universidades, outras empresas e governo para fazer mais projetos entrarem no mercado ou criar novos mercados", justificou. "Queremos contatar e agrupar especialistas do mundo todo nas nossas áreas de interesse, acessar pessoas criativas, tentando identificar as tecnologias breakthrough", completou. A empresa também busca projetos multidisciplinares, que têm maiores chances de gerar inovações radicais por lidar com ampla gama de áreas do conhecimento.

Linhas de pesquisa originam novos negócios
Os laboratórios da HP trabalham em cinco grandes linhas de pesquisa. Uma das mais importantes é a que lida com a cloud computing, ou "computação em nuvem", nicho no qual a HP entrará em breve, com seis centros de excelência espalhados pelo mundo. A cloud computing é uma das tendências em TI e um conceito usado pelo Google, por exemplo, que tem servidores espalhados pelo mundo armazenando informações de usuários de serviços como o Gmail, de e-mail, ou o Blogger, de blogs. A cloud computing seria uma "nuvem" de computadores conectados à Internet que substitui os servidores de armazenamento e processamento de dados das empresas, o que permite que elas economizem com a infra-estrutura de TI.

A linha de pesquisa sobre "computação em nuvem", chamada dynamic cloud services, busca novas plataformas para a Internet, novas tecnologias e soluções para esse tipo de serviço. "Pretendemos instalar seis centros de excelência em cloud services, alguns nos Estados Unidos, em Cingapura, na Alemanha... Talvez instalemos um no Brasil. Cada centro terá de mil a 4 mil computadores e vai trabalhar na criação de aplicativos em ambiente geográfico grande, como faz o Google. Queremos que os centros sejam abertos a outras empresas", contou Friedrich.

Outra linha de pesquisa da HP é a "explosão de informações", que trata de como adquirir, analisar e entregar a informação correta para indivíduos ou clientes corporativos em um mundo dominado pelo excesso de informações, por conta da Internet. São recursos necessários também para trabalhar com a cloud computing. Aqui, por exemplo, estão estudos sobre sistemas quânticos, que podem ampliar a capacidade de armazenagem e processamento de dados. A terceira linha de pesquisa, transformação de conteúdo, concentra estudos sobre formas inovadoras de trabalhar do analógico para o digital, novos dispositivos personalizados e modos de comunicação entre dois dispositivos — um iPod e um celular, por exemplo.

A quarta linha chama-se infra-estrutura inteligente. São pesquisas voltadas para projetos mais inteligentes e seguros de dispositivos e arquiteturas para sistemas grandes que conectem indivíduos ou clientes corporativos. A quinta e última linha é a de sustentabilidade. Nela estão projetos envolvendo novas tecnologias, infra-estrutura em TI e novos modelos de negócio que procurem diminuir o uso de energia e, em especial, a emissão de carbono.

Princípios e lições da open innovation
Nas relações de parceria, a HP segue alguns princípios para minimizar os riscos de a cooperação e o projeto darem errado. A primeira regra é focar a estratégia de negócio da empresa. A HP também procura organizar a parceria da forma mais simples possível, para aumentar a eficiência. Outra diretriz na prática da open innovation é manter comunicação permanente com os parceiros. Os projetos precisam ser ambiciosos, em vez de focar apenas o incremental. Além disso, a qualidade é mais importante do que a quantidade de parcerias feitas.

Friedrich também comentou algumas lições que a HP aprendeu ao longo dos anos com a open innovation. O risco tem de ser compartilhado entre os parceiros. As parcerias devem ser feitas com agentes que tenham experiências complementares à da empresa. É importante observar as companhias de outros setores, pois suas necessidades e a forma como elas enxergam o mundo podem gerar novas idéias de inovação. Deve-se começar com projetos pequenos, pois os muito grandes tendem a ser mais complicados quando não se tem experiência com parcerias. A documentação técnica deve ser registrada como artigo, não como apresentação em slides, pois o texto corrido ajuda a identificar os pontos fracos do projeto. A empresa não pode perder a visão de longo prazo.

Outra lição, comentada de forma mais detalhada pelo executivo dos HP Labs, diz respeito às patentes. Os termos em propriedade intelectual devem ser "razoáveis", segundo ele. A política de propriedade intelectual da HP é muito clara. O que é desenvolvido apenas pela universidade pertence à própria instituição. A titularidade dos desenvolvimentos feitos só pela HP é da firma. Quando o desenvolvido é conjunto, a propriedade é compartilhada. "Há universidades nos Estados Unidos que exigem 100% da titularidade em todos os projetos e isso não faz muito sentido, porque universidade não é uma corporação, a missão dela é ensinar", afirmou. "Nos EUA, há universidade que acha que as patentes valem US$ 1 bilhão. Isso pode acontecer na área farmacêutica, por exemplo, mas não em TI: nossos produtos utilizam várias patentes, dificilmente uma única patente em TI valerá US$ 1 bilhão. Não façam no Brasil o que as universidades norte-americanas fazem", recomendou.

Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp

Reformulação e expansão dos cursos superiores de tecnologia no Brasil: as dificuldades da retomada da educação profissional

Reformulation and expansion of the higher technological courses in Brazil: the difficulties of the professional education retaken

Reformulación y expansión de los cursos superiores de tecnología en Brasil: las dificultades de la retomada de la educación profesional

Impacto desconhecido
Os cursos superiores de tecnologia (CST) já foram vistos como mera alternativa para quem não tinha condições de ir à universidade. Hoje, eles superaram o preconceito e, graças a uma série de ações públicas, tornaram-se fundamentais.

De acordo com um estudo publicado na revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, o que falta é criar indicadores que permitam um acompanhamento sistemático a fim de incrementar os resultados dos CST.

O artigo, assinado pelos professores Adriana Roseli Wünsch Takahashi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Wilson Aparecido Costa de Amorim, da Universidade São Judas Tadeu, é parte da tese de doutorado de Adriana, defendida na Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com Adriana, o objetivo do estudo foi discutir o papel organizador do Estado e as políticas públicas implementadas nos últimos anos para a reformulação e expansão do sistema profissional de educação, especialmente nos CST, com a finalidade de melhorar suas formas de avaliação de impacto.

“O desafio da educação tecnológica superior é o preenchimento ágil, com qualidade, de lacunas de mão-de-obra criadas no mercado de trabalho pela disseminação de novas tecnologias. Tendo em vista o tempo em que tais cursos estão em funcionamento e a tendência de expansão, é justamente neste momento que se faz necessário avaliar as políticas públicas a fim de confrontar os resultados atuais com seus propósitos de implementação”, disse a pesquisadora.

O Brasil registrou nos últimos anos, segundo o estudo, um crescimento exponencial dos cursos de educação profissional, principalmente na graduação. Entre 2000 e 2002, os cursos tecnológicos registraram um crescimento de 74% (de 364 para 636), segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), contra 36% dos cursos de graduação tradicionais.

Apesar da importância da disseminação dos CST, o artigo alerta para os problemas relacionados à expansão sem controle. A deficiência de atos regulatórios comprometeria, segundo os autores, a qualidade da educação profissional, aumentando o risco de oferta de cursos com baixa efetividade educacional. Por isso, é importante a discussão e análise das políticas públicas de controle e avaliação.

“Como as conseqüências dessas iniciativas no âmbito educacional geram resultados de médio e longo prazos, elas requerem acompanhamento sistemático e contínuo. Nos últimos anos, a cultura de avaliação foi implantada no sistema educacional brasileiro, trazendo significativos benefícios à implementação dos cursos tecnológicos. Mas o Brasil ainda carece de avançar na criação e melhoria de uso dos seus indicadores a fim de incrementar seus resultados”, afirmou Adriana.

Segundo ela, a trajetória da educação profissional no Brasil conviveu ao longo do tempo com o preconceito que marcou essa modalidade de ensino, uma vez que sempre esteve associada à formação de classes menos favorecidas. Mas essa situação vem mudando desde 1996, com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

“A estratégia governamental de fomentar esses cursos não constitui uma novidade quanto à criação de uma nova modalidade de ensino, mas sim quanto à reorganização, reformulação e expansão de tais cursos. Os alunos com formação tecnológica estão conquistando espaço no mercado de trabalho e garantindo cada vez mais aceitação, o que tem atenuado o preconceito existente”, disse.

Aceitação no mercado
Embora o estudo identifique a crescente importância dos CST, segundo Adriana, ainda é difícil avaliar como os egressos desses cursos vêm sendo aceitos no mercado de trabalho, uma vez que o ensino tecnológico de nível superior é uma inovação recente na estrutura educacional brasileira.

“Algumas pesquisas mostram que em determinadas áreas há inclusive carência de tecnólogos. Porém, futuras pesquisas nesse sentido podem auxiliar ao investigar o papel das Instituições de Ensino Superior, das agências de fomento, das organizações públicas de regulamentação, ou mesmo da sociedade na forma de pesquisa com discentes e egressos”, destacou.

A pesquisadora afirma que as dificuldades dessa modalidade de cursos estão inseridas na mesma problemática da educação brasileira. “Em algumas áreas há poucos docentes e, em outras, a dificuldade é a qualificação técnica e pedagógica. Há também a insuficiência de oferta de vagas no setor público, além dos problemas de estrutura física e materiais.”

Segundo ela, a educação profissional não se limita à inserção no mercado de trabalho e à inclusão social. A retomada dos investimentos públicos nesse setor tangencia outros importantes tópicos, como o desenvolvimento da Economia Baseada no Conhecimento (EBC) e a difusão de um Sistema Nacional de Inovação.

“As pesquisas mostram que não há exemplos de países que tenham ingressado na categoria de EBC ou simplesmente no grupo dos países mais desenvolvidos sem uma população com nível educacional mais elevado e sem investimentos em pesquisa. E para um país participar competitivamente no mercado internacional, precisa de formação geral de qualidade, preparo técnico e cidadania”, afirmou.

Atualmente, a educação profissional em vigor no Brasil é constituída por três níveis: o primeiro de formação inicial e continuada de trabalhadores; a educação profissional técnica de nível médio; e a educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação.

“Os principais atributos dos CSTs são o foco, a rapidez, a inserção no mercado de trabalho e a metodologia. Ou seja, a formação em um campo de trabalho definido, aliada às necessidades atuais, com carga horária de dois a três anos, visando à rápida inserção do aluno no mercado de trabalho de acordo com as tendências da demanda”, disse.

Para ler o artigo Reformulação e expansão dos cursos superiores de tecnologia no Brasil: as dificuldades da retomada da educação profissional, de Adriana Roseli Wünsch Takahashi e Wilson Aparecido Costa de Amorim, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

15º Congresso Brasileiro de Meteorologia: Primeiras Impressões

Revisão necessária
A legislação brasileira que regulamenta os parâmetros de emissão de gases poluidores na atmosfera foi criada no início da década de 1990, mas 70% do conhecimento científico em poluição e saúde no país foi produzido após essa data.

A preocupante contradição foi apontada por Paulo Afonso de André, pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), nesta terça-feira (26/8), em São Paulo, durante o 15º Congresso Brasileiro de Meteorologia, evento promovido até o dia 29 pela Sociedade Brasileira de Meteorologia.

“Ao pesquisarmos em publicações científicas, focando no tema da poluição e saúde, concluímos, pelo número de artigos encontrados, que a legislação ambiental atual, que precisa de atualização, foi produzida com o conhecimento gerado até o fim da década de 1980, que representa menos de um terço do que se sabe hoje sobre o assunto”, disse André, logo após proferir a palestra “Meteorologia urbana e saúde”.

A legislação ambiental em vigor no país, segundo ele, determina os parâmetros de qualidade do ar que devem ser monitorados, entre os quais a exposição ao material particulado (PM, na sigla em inglês), uma mistura de partículas líquidas e sólidas em suspensão no ar classificadas de acordo com o seu diâmetro. A norma ambiental determina como máxima a exposição a partículas inaláveis PM 10, que têm diâmetro inferior a 10 mícrons.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por outro lado, recomenda o monitoramento da qualidade do ar nas grandes cidades por meio de partículas em concentrações PM 2,5, entre outros parâmetros. “Esse valor ainda não é considerado pela legislação brasileira, apesar de, para a comunidade científica, ser uma realidade há mais de dez anos”, apontou.
André, que é coordenador do Núcleo de Equipamentos e Projetos do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da FMUSP, explicou que a maioria dos estudos de monitoramento ambiental no país já segue a concentração PM 2,5, pois se sabe que essa é a fração de poluição do ar capaz de penetrar no aparelho respiratório, podendo atingir os brônquios e os alvéolos pulmonares e causar doenças como asma, bronquite e enfisema pulmonar.

“Por outro lado, sabemos que boa parte das partículas inaláveis de PM 10 é retida pelos sistemas de defesa do organismo humano. Hoje, o PM 2,5 é mandatório nas pesquisas em saúde e, dependendo da revista científica, não é nem permitida a publicação de resultados de estudos com PM 10”, afirmou.

O pesquisador lembrou que, enquanto os cálculos científicos de risco da poluição do ar para a saúde humana são feitos com base em PM 2,5, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo de São Paulo, tem como base os instrumentos legais e segue o PM 10 como parâmetro de monitoramento da qualidade do ar das cidades.

“A Cetesb tem feito monitoramentos exploratórios em nível de aprendizado com base no PM 2,5, uma vez que todos sabem que aí mora um grave problema ambiental e que, esperamos em breve, a legislação brasileira deve mudar. Mas, por enquanto, a obrigação é monitorar seguindo o padrão legal de PM 10”, disse.

Segundo André, calcula-se que o PM 2,5 represente cerca de 50% das partículas inaláveis de PM 10. “A legislação ambiental precisa ser atualizada para que o monitoramento do ar seja realizado apenas com base nessa concentração prejudicial de interesse. Hoje, os resultados são mascarados em parte porque os órgãos competentes devem medir o elefante inteiro, enquanto apenas seu rabo causa o efeito prejudicial”, comparou.

Os pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP desenvolvem uma série de estudos sobre o assunto a partir do monitoramento das principais regiões metropolitanas do país. “São áreas que, invariavelmente, têm um perfil de poluição urbana devido à participação significativa da frota de veículos automotivos”, apontou.

Estima-se que a exposição à matéria particulada, mesmo em níveis considerados seguros pela legislação ambiental, esteja associada a aproximadamente 800 mil mortes anuais causadas por doenças cardiorrespiratórias em todo o mundo, principalmente em crianças e idosos, das quais 35 mil ocorrem na América Latina.

Supermáquina coletiva
No Congresso Brasileiro de Meteorologia, Maria Assunção Dias, pesquisadora do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentou a palestra “Previsão de tempo, de clima e suas aplicações ao meio ambiente”.

Ela respondeu a uma questão feita por Maria Gertrudes da Silva, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMET), sobre o desafio que envolve a utilização coletiva do supercomputador para simulações avançadas das mudanças climáticas globais – o sistema, que será adquirido por meio de uma parceria entre a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a FAPESP, será instalado no CPTEC.

“O CPTEC está ciente do grande desafio da utilização do supercomputador por meio de uma rede aberta de pesquisadores?”, questionou a presidente da SBMET, anfitriã do evento. “O Ministério da Ciência e Tecnologia propôs o desafio da rede aberta, mas nós, meteorologistas, precisaremos nos preocupar com a operacionalização das máquinas. Ficaremos mais tranqüilos se o CPTEC estiver preparado para essa abertura, garantindo a operação”, observou Maria Gertrudes.

Maria Assunção, que também é docente do Instituto Astronômico e Geofísico (IAG) da USP, lembrou que esse tipo de supercomputador é extremamente visado por hackers e que o CPTEC está se preparando por meio de um amplo sistema de segurança para impedir invasões. O sistema computacional deverá ser utilizado para estudos sobre projeções dos extremos climáticos para a América do Sul, por meio de edital a ser divulgado pela FAPESP.

“Existem diferentes maneiras de prevenir invasões, como dividir a máquina em duas partes, uma operacional e outra de pesquisa. Uma de nossas maiores preocupações nesse momento é criar uma plataforma que dê acesso seguro aos usuários e que consiga contemplar todas as suas necessidades de investigação”, disse ela.

“Hoje o grande desafio do CPTEC é disponibilizar sua capacidade de laboratórios multiusuários para permitir o processamento aberto do supercomputador às instituições de ensino e pesquisa brasileiras. Trata-se de uma mudança de paradigma, uma vez que o centro esteve fechado a usuários externos, evitando que hackers derrubem as operações”, afirmou Maria Assunção.

O supercomputador, que terá capacidade de processamento sustentado de 50 a 60 vezes maior do que a que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) possui atualmente, será instalado em Cachoeira Paulista junto ao Centro de Ciência do Sistema Terrestre. Para sua aquisição serão destinados R$ 35 milhões pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e R$ 13 milhões pela FAPESP.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

Programa BECA / IEB recebe inscrições até dia 29

O IEB - Instituto Internacional de Educação do Brasil lança o Edital para a segunda chamada de 2008 do Programa BECA - Bolsas de Estudo para a Conservação da Amazônia.

Com o apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, o Beca concede bolsas de estudo para o aperfeiçoamento acadêmico e profissional de estudantes que atuam em áreas relacionadas à conservação da biodiversidade na Amazônia brasileira, permitindo-lhes aprimorar o seu desempenho.

Quem pode se candidatar:
Poderão se candidatar todos os cidadãos brasileiros ou residentes legais no País, que sejam estudantes de nível médio em instituições de ensino amazônicas, com pesquisas ou trabalhos relacionados à conservação da biodiversidade na região Amazônica.

O prazo final para as inscrições é dia 29 de agosto. Não serão aceitas as candidaturas realizadas nos antigos formulários. Acesse o edital completo no site: www.iieb.org.br.

O IEB
O IEB é uma associação civil brasileira sem fins lucrativos, cuja missão é capacitar, incentivar a formação, gerar e disseminar conhecimentos e fortalecer a articulação de atores sociais para construir uma sociedade sustentável.

Mais informações pelo e-mail ou pelo site www.iieb.org.br

Fonte: IEB

UFRN e Petrobras inauguram Laboratório de Automação em petróleo

A Petrobras e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte inauguraram o Laboratório de Automação em Petróleo (LAUT), nesta quinta-feira, dia 21, às 10 horas, no campus central da UFRN, em Natal.

A companhia aplicou R$ 670 mil para a obra do laboratório, construído em uma área de 620m². O espaço tem quatro salas de pesquisas, auditório com cinqüenta lugares, salas de reuniões, biblioteca, salas de treinamento, para pesquisadores visitantes, de informática, para empresas parceiras e para pré-incubação de empresas.

O laboratório também é responsável pelo desenvolvimento de projetos de pesquisa e equipamentos para automação de poços (AUTOPOC), gerenciamento da informação para automação industrial (GERINF), estudo e implemento de técnicas para controladores não-lineares (REDICONT), detecção de vazamentos em dutos (SONIC), projeção e instalação de sistemas identificadores de contaminação (BCSENSOR), rede de instrumentação e controle (REDIC) e desenvolvimento de programas para unidades de bombeio (RODCAD).

A cada ano é fortalecida a parceria entre a Petrobras e UFRN para o desenvolvimento de novas tecnologias em projetos ligados ao setor de petróleo e gás natural no RN. A empresa investiu de 1999 a 2007 R$ 84 milhões para construção e melhoria de 37 laboratórios de pesquisa e pagamento de bolsas aos pesquisadores, dotando a instituição com o moderno Núcleo de Estudos em Petróleo e Gás Natural. Isto propiciou também a criação da pós-graduação em petróleo e da graduação em Química do Petróleo. No próximo ano a UFRN vai ofertar vagas para graduação em Engenharia de Petróleo.

Na opinião de Fernando Lima, gerente geral da Petrobras no Rio Grande do Norte e Ceará, a parceria entre a companhia e a Universidade Federal do Estado é tida atualmente como uma referência nacional, pela alta qualidade dos projetos. “O maior legado que a Petrobras deixa para o Rio Grande do Norte é o pólo tecnológico constituído na Universidade. Os projetos desenvolvidos aqui exercem importante papel no desenvolvimento do Estado”, destacou José Ivonildo Rêgo, reitor da UFRN.

Fonte: Agência Petrobras

Professor Victor Pandolfelli é eleito membro da Academia Mundial de Cerâmica -AMC

Reconhecimento internacional
O professor Victor Pandolfelli, do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi eleito membro da Academia Mundial de Cerâmica (AMC).

A indicação foi feita por pesquisadores estrangeiros e empresas brasileiras como reconhecimento às pesquisas desenvolvidas na área de materiais cerâmicos para aplicação em alta temperatura. Como membro da AMC, Pandolfelli participará dos fóruns internos promovidos para acompanhar o crescimento da área e apontar possíveis estratégias de desenvolvimento.

Segundo ele, a eleição é reflexo de prêmios internacionais recebidos, que lhe deram visibilidade. Pandolfelli já recebeu cerca de 52 premiações, no Brasil, Japão, Alemanha e Estados Unidos.

"Essa eleição representa o resultado de um trabalho em equipe que, durante esses 28 anos, contou com a participação de dezenas de pessoas que estiveram presentes, como alunos, docentes e vários pesquisadores", disse Pandolfelli.

A equipe de Pandolfelli trabalha com concretos refratários, que têm aplicações principalmente em siderurgia, petroquímica e na indústria de alumínio – áreas cujos processos envolvem altas temperaturas e materiais corrosivos. Os trabalhos publicados pelo grupo receberam ainda outros três prêmios internacionais nos últimos seis anos.

Atualmente, o professor é o único representante do hemisfério Sul na Federação Internacional de Ensino e Pesquisa de Materiais de Alta Temperatura, cujo objetivo é promover a educação de profissionais globais que possam atuar sem fronteiras com reconhecimento mundial em trabalhos realizados na área.

No ano passado, Pandolfelli conquistou o prêmio Alfred W. Allen, concedido pela American Ceramic Society. A comissão responsável pela premiação seleciona, a cada dois anos, com base em revistas indexadas em bases internacionais, os trabalhos que deram as contribuições científicas consideradas mais relevantes na área de cerâmicas refratárias.

Pandolfelli foi coordenador de dois Projetos Temáticos da FAPESP na área de cerâmicas refratárias, é pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e já publicou mais de 400 trabalhos científicos.

Fonte: Agência FAPESP

PUC-Rio desenvolve sistema para perfuração de poços no pré-sal

O sistema Octopus (Otimização Conjunta da Trajetória e Localização de Poços Utilizando Simulação de Reservatórios), desenvolvido pelo Laboratório de Inteligência Computacional Aplicada (ICA) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) para a Petrobras, traz novidades que serão utilizadas na extração de petróleo na camada pré-sal.

A tecnologia já é usada pelo Centro de Estudos e Pesquisas da estatal (Cenpes) para a identificação precisa do local de perfuração de poços de petróleo. E pode ser muito útil para o pré-sal, segundo o coordenador do ICA, Marco Aurélio C. Pacheco.

A nova versão do sistema usa o método denominado ‘proxy’ (aproximador). Trata-se de um programa que imita os simuladores de reservatórios. O ‘proxy’ dará à Petrobras condições de obter respostas nos simuladores dos reservatórios com maior velocidade. O tempo de resposta para os estudos dos especialistas passará de uma hora para cerca de um segundo.

“Isso oferece eficiência, que é o que a Petrobras precisa para poder em 2010 declarar a comercialidade dos poços do pré-sal. Ela tem pressa de avaliar, de colocar em produção. E todos os estudos precisam ser feitos no menor tempo possível”, afirmou Pacheco. Além disso, a plataforma tecnológica que está em desenvolvimento no ICA vai implicar na redução de custos para a estatal.

O laboratório da PUC-Rio está desenvolvendo uma plataforma de apoio à decisão, com vários módulos ou ‘softwares’ (programas de computador), onde se destaca o Octopus, que auxiliam os técnicos da Petrobras no processo de exploração e produção de reservatórios. “É um otimizador da localização dos poços”, acrescenta o coordenador do ICA.

O Octopus mostra onde devem ser feitas as perfurações. O sistema indica também se o poço deve ser injetor ou produtor, além das dimensões que ele deverá possuir, para extrair a maior quantidade de óleo dentro do período de exploração. “Ou seja, faz o projeto completo, sempre com a interferência do especialista. Apenas facilita o trabalho dele. Confirma as suas expectativas ou ajuda a alterar as suas propostas de exploração”, explica Pacheco.

Outro ponto que o ICA desenvolve para a Petrobras se refere ao conceito de campos inteligentes ou gerenciamento digital. Essa tecnologia moderna e em processo de desenvolvimento envolve sensores de vários tipos, que transmitem informações sobre o que está acontecendo na plataforma, no poço e no seu entorno em termos de temperatura, pressão, viscosidade, entre outros dados. “São métodos inteligentes de programação, que oferecem a possibilidade de atuar sobre o campo”, garante o especialista.

Isso significa que o campo pode ser controlado quase em tempo real, “abrindo e fechando válvulas, deixando o óleo passar ou não, em busca de maior eficiência na produção”, detalha o especialista. O técnico revela que a otimização da produção é feita em nível global, planejando a operação de todos os poços produtores e reservatórios e também dos injetores.

Os aperfeiçoamentos deverão ser incorporados ao Octopus ao longo dos próximos 24 meses, de acordo com Marco Aurélio Pacheco. O ICA está investigando também um fator importante para os campos de petróleo nas camadas pré-sal, que é a injeção do gás produzido no campo.

Marco Aurélio Pacheco diz ainda que a tendência é aproveitar o gás que é expelido junto com o petróleo, porque os reservatórios do pré-sal se encontram muito distantes, a cerca de 200 quilômetros da costa, o que torna mais complexo, e até inviável em termos de gasoduto, o transporte do gás extraído. “Então", diz ele,"a tendência é re-injetar o gás. Ele não se perde, ele produz pressão no óleo e, eventualmente, pode ser extraído de novo. Essa é uma das características peculiares que o sistema pretende incorporar para a parte do pré-sal”.

Fonte: Agência Brasil

IEA e Universidade de La Frontera inauguram Cátedra Bernardo O'Higgins

No dia 28 de agosto (quinta-feira), no IEA, será inaugurada a Cátedra Bernardo O'Higgins, fruto de acordo de cooperação acadêmica entre a USP e a Universidade de La Frontera (Ufro), Chile. A inauguração terá duas conferências:
  • às 10h — Sergio Bravo Escobar, reitor da Ufro, falará sobre "O Sistema de Educação Superior no Chile";
  • às 15h — Hector Betancourt, professor do Departamento de Psicologia da Ufro, tratará de "Cultura e Comportamento: Investigando Discrepâncias Étnicas em Saúde e Educação".
O objetivo da cátedra, que leva o nome do libertador do Chile e ficará sediada no IEA, é incrementar o intercâmbio científico e cultural e estabelecer relações de cooperação entre as duas universidades.

Graças ao acordo, acadêmicos chilenos de ciências naturais e humanas atuarão no IEA como professores visitantes. Além do intercâmbio de docentes, o acordo prevê a realização de atividades de pesquisa conjunta, participação em seminários e o intercâmbio de materiais acadêmicos. A programação de atividades será negociada anualmente pelas duas universidades e convênios específicos serão firmados para cada iniciativa.

A seleção dos pesquisadores chilenos será feita pela Vice-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufro, por meio da Bolsa Bernardo O'Higgins. Caberá ao IEA propiciar as condições para a estada dos pesquisadores na USP.

A coordenação técnica e administrativa da cátedra é constituída pelo diretor de Cooperação Internacional da Ufro e pelo diretor do IEA. O prazo de validade do acordo é de cinco anos. O compromisso poderá ser renovado se houver concordância das duas partes.

Serviço:
INAUGURAÇÃO DA CÁTEDRA BERNARDO O'HIGGINS
Conferências de Sergio Bravo Escobar e Hector Betancourt
Data: 28 de agosto, às 10h e às 15h
Local: Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA (mapa).
Informações com Sandra Sedini pelo e-mail ou pelo telefone (11) 3091-1688.
Via internet: as duas conferências terão transmissão ao vivo em www.iea.usp.br/aovivo.

Fonte: IEA

1º Fórum da Rede Cooperativa de Comunicação para Cultura de Prevenção de Desastres

O 1º Fórum da Rede Cooperativa de Comunicação para Cultura de Prevenção de Desastres debaterá o papel dos meios de comunicação e das redes sociais na prevenção de desastres causados por fenômenos naturais e pela ação humana. O evento ocorrerá no dia 29 de agosto, em Florianópolis.

O evento é parte do projeto “Percepção de risco, a descoberta de um novo olhar”, voltado para promover a cultura de prevenção de desastres. O projeto é iniciativa da Secretaria Executiva da Justiça e Cidadania do Estado de Santa Catarina (SJC), em parceria com o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O fórum terá participação de representantes da Estratégia Internacional para Redução de Desastres (EIRD), da Organização das Nações Unidas (ONU). Na abertura, o capitão Márcio Luiz Alves, diretor estadual de Defesa Civil, falará sobre a relação da instituição com a mídia nos desastres em Santa Catarina.

Silvia Llosa, representante da sede da EIRD em Genebra, fará uma palestra sobre perspectivas da entidade para uma cultura de prevenção de desastres.

A programação inclui ainda uma oficina prática – com a psicóloga Daniela Lopes, da Defesa Civil Nacional e conselheira da Organização dos Estados Americanos (OEA) para assuntos da área, e com a vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, Cilene Victor – sobre o papel da imprensa no contexto das mudanças climáticas.

Mais informações: www.percepcaoderisco.sc.gov.br

Fonte: Agência FAPESP

1º Simpósio sobre Universidades Globais

O 1º Simpósio sobre Universidades Globais será realizado entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro, em São Paulo, com o objetivo de ampliar o entendimento das relações internacionais universitárias no mundo contemporâneo.

O evento, organizado pela Assessoria Internacional da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também visa a discutir as políticas adotadas por outros países para a cooperação com o Brasil.

O simpósio terá a participação do presidente da FAPESP, Celso Lafer, além de representantes do Ministério das Relações Exteriores, de Agências Internacionais de Cooperação Acadêmica e de especialistas em direito internacional e em programas de internacionalização de ensino e pesquisa.

O público-alvo é composto por lideranças universitárias, gestores de cooperação internacional, de intercâmbios acadêmicos, pesquisadores, docentes, pós-graduandos e estudantes de todas as áreas.

Mais informações: proex.epm.br/eventos08/assessoria

Fonte: Agência FAPESP