sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sou professor universitário, e agora?


Manual para ensino no superior
Um manual de procedimentos para que professores universitários, sobretudo das áreas da saúde, biológicas e exatas, se adaptem melhor às dificuldades da prática pedagógica que certamente enfrentarão no início da carreira.

Essa é a proposta do livro Sou professor universitário, e agora?, que acaba de ser lançado pelo professor Miguel Carlos Madeira, da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araçatuba, pela Editora Sarvier.

Além de fazer recomendações utilitárias, relatar técnicas de ensino e experiências didáticas com alunos nos 46 anos de dedicação do autor ao ensino superior, a obra conta com artigos por ele escritos sobre educação e veiculados em publicações especializadas.

“Minha intenção foi escrever um livro essencialmente objetivo e prático, tal como a própria tarefa do professor. Para isso, os assuntos são divididos em três partes: antes, durante e depois da sala de aula”, disse Madeira.

A primeira parte se refere a providências que devem ser tomadas antes da primeira aula, como a elaboração do planejamento de ensino e definição dos objetivos. A segunda oferece estratégias de atuação em sala de aula, com destaque para as relações interpessoais do educador com o estudante e reflexões sobre a importância do estudo dirigido ou personalizado.

A terceira parte traz os artigos, que, segundo o autor, “são discursos complementares que interligam os textos e lhes dão acabamento.”

“A todo momento insisto que as técnicas de ensino devem evitar a repetição. O professor criativo muda as maneiras de ensinar, variando o formato das aulas. Um modelo de curso que prevê um único método didático, do início até o final, é pouco motivador”, observou.

Para Madeira, são muitas as dificuldades técnicas encontradas pelo professor no exercício de sua profissão. “Em geral, os cursos de graduação priorizam os avanços da ciência e a produção científica medida pelo número de publicações, muitas vezes não prevendo, em seus projetos pedagógicos, disciplinas voltadas para a prática de ensino. Nos cursos de pós-graduação essas disciplinas também são insuficientes, considerando que nem todo cientista é preparado para ensinar”, disse.

Antes de se aventurar no tema, ao pesquisar a literatura pedagógica com o olhar de professor da área da saúde, Madeira deparou com uma carência de publicações em linguagem objetiva para docentes de outras áreas do conhecimento que não a pedagogia.

“Uma das questões abordadas no livro vem de uma impressão pessoal de que pedagogo escreve para pedagogo. Nesse sentido o livro é destinado a especialistas em seu campo de conhecimento que, sem a formação pedagógica necessária, passam a exercer a docência, tanto em instituições públicas como privadas”, disse.

Madeira começou a lecionar a disciplina de anatomia em 1962, área na qual concluiu o pós-doutorado na Unesp. Ainda na universidade ministrou aulas nos cursos de medicina, em Botucatu, e de odontologia, em São José dos Campos e Araçatuba. Atualmente também leciona anatomia em universidades particulares, como o Centro Universitário Toledo (Unitoledo), em Araçatuba, e o Centro Universitário Católico Salesiano (Unisalesianos), em Lins.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

Superbactéria, Staphylococcus aureus - CA-MRSA, resistente a antibióticos é encontrada no Brasil

Causam infecções em pessoas que não tiveram contato com hospitais

"De repente a pessoa aparece com febre, dores articulares, acaba indo ao hospital e sendo internada. Rapidamente uma pneumonia é diagnosticada, o paciente desenvolve osteomielites, ou seja, apresenta uma infecção disseminada por uma bactéria que os médicos, no momento, não sabem como tratar, pois até então os Staphylococcus aureus (CA-MRSA) na comunidade não eram resistentes a determinados antibióticos, como as penicilinas semi-sintéticas e as cefalosporinas", assim explica os sintomas de quem está acometido da bactéria CA-MRSA a pesquisadora Agnes Figueiredo, diretora do Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes (IMPPG) da UFRJ.

Será que uma bactéria poderia ser tão forte a ponto de resistir a antibióticos? A possibilidade não só existe, como casos já foram identificados no Brasil. Trata-se de uma nova forma de MRSA, um tipo de Staphylococcus aureus imune às drogas mais usadas em seus tratamentos.

"Em meu laboratório trabalhamos basicamente com Staphylococcus aureus resistentes à meticilina, corresponde a um grupo de bactérias predominante nas infecções hospitalares. Porém, recentemente, esses microorganismos transpassaram os muros dos hospitais e estão causando infecções na comunidade, em indivíduos saudáveis, sem contato prévio com hospitais" constata Agnes.

Segundo a pesquisadora, a bactéria foi identificada desde a década 1990, inicialmente na Austrália, posteriormente disseminada para vários países, fato que deixou a comunidade médico-científica bastante preocupada. “Ela é chamada de CA-MRSA, referindo-se a Staphylococcus aureus resistentes à meticilina, associados à comunidade. O Staphylococcus aureus sempre existiu, mas o CA-MRSA resistente é uma evolução dessa bactéria em resposta ao uso abusivo de antimicrobianos. Hoje o CA-MRSA é a grande novidade”, explica Agnes Figueiredo.

De acordo com a professora, a bactéria assusta em primeiro lugar porque é nova. Pode acometer crianças e adultos sadios, indivíduos saudáveis, sem diabetes ou problemas cardíacos, nem imunologicamente comprometidos. Além disso, a evolução das doenças causadas pela bactéria é bastante acelerada. A bactéria pode gerar pneumonias muitas vezes fulminantes. Também pode causar fascite necrosante, uma necrose de tecido cutâneo que pode ser fatal se não for tratada cirurgicamente e com antimicrobianos adequados. Ainda dentre as possíveis doenças, há a endocardite, quando a bactéria atinge o tecido cardíaco, e a osteomielite disseminada. Também existem casos de comprometimento de vasos que resultaram em gangrena.

Contaminação
Segundo Agnes, qualquer indivíduo normalmente possui Staphylococcus aureus na pele. No entanto, não é normal que apresente uma estirpe resistente à meticilina. Acredita-se que a contaminação e a disseminação dessa bactéria resistente ocorrem pelo contato, portanto a contaminação é maior em situações de aglomerações. Nos Estados Unidos o fato foi observado em presídios e creches.

Este estudo também constatou surto entre atletas, pois o esporte proporciona contato físico e fatalmente ocasiona lesões nos praticantes. Ainda considerou-se a hipótese da transmissão pelo sexo anal, uma vez que nos EUA também houve grande incidência entre homossexuais. “Creio que com relação à transmisão via sexo anal não existe nenhuma comprovação, é uma hipótese. Eu acredito que o principal é o contato, a proximidade. E o Staphylococcus aureus coloniza mucosas, sendo a anal uma delas, então isso é possível”, avalia a pesquisadora.

"Felizmente, na maioria das vezes, o quadro da doença é mais brando, há lesões na pele tipo furunculose ou celulite, mas eventualmente, pode haver disseminação na corrente sanguínea a partir da lesão" observa Agnes.

Para a professora, os médicos se sentem inseguros ao tratar tais infecções, pois não há no Brasil um levantamento preciso sobre a incidência da bactéria. Sem os dados epidemiológicos, o tratamento empírico, que consiste na aplicação de antibióticos possivelmente adequados para tratar a infecção, não pode ser realizado com maior chance de acerto. “Eu acredito que, no Brasil, nossas taxas não devem ser tão baixas assim. No Rio Grande do Sul, por exemplo, onde detectamos as primeiras amostras, 8 casos surgiram sem que procurássemos. Então, se houver uma busca, acho que esse número vai aumentar. É fundamental fazermos um estudo envolvendo vários estados brasileiros, para podermos ter uma idéia mais realista do que está acontecendo no país”, propõe Agnes Figueiredo.

O agravante
A professora considera que a grande preocupação no momento é o fato das amostras da bactéria encontradas na comunidade, mais sensíveis aos medicamentos do que as estirpes hospitalares, estarem também invadindo os hospitais. “É possível que essas amostras venham a adquirir novos genes de resistência como conseqüência do uso intensivo de antimicrobianos nos hospitais e, depois disso, retornem ainda mais fortalecidas, resistentes, à comunidade. E isto já está acontecendo, existem casos no Brasil e nos EUA”, afirma Agnes.

A especialista considera esta situação extremamente crítica, agravada pelos poucos recursos aplicados pelas indústrias farmacêuticas na descoberta de novas drogas antimicrobianas. “A cada novo antibiótico lançado no comércio, a bactéria desenvolve um novo mecanismo. É preocupante, pois no passado o Staphylococcus aureus já matou um grande número de indivíduos, quando a penicilina ainda não havia sido descoberta”, alerta Agnes.

A pesquisa
No laboratório, são utilizadas técnicas com metodologia que envolve DNA. “É extraído o DNA total da bactéria, cortado com enzimas de restrição. Posteriormente, é feita uma corrida de eletroforese para realizar a separação das bandas. Com isso, se pode analisar o padrão de corrida e os tamanhos dessas bandas, possibilitando uma comparação. Também utilizamos técnicas de seqüenciamento de DNA para observarmos pequenas mutações entre essas bactérias e compararmos os diferentes alelos. Através da análise do genoma, conseguimos distinguir uma cepa da outra”, explica a professora.

De acordo com Agnes, as técnicas são sofisticadas, porém importantes, pois revelam o tipo de clone bacteriano que está emergindo no país. Conhecendo o clone, pode-se freqüentemente saber qual é o comportamento da bactéria em relação aos antimicrobianos.

As providências
"Com nosso atual estudo, queremos entender por que alguns clones predominam em relação a outros, se eles apresentam uma característica de virulência diferenciada, que proporcionam um poder de disseminação maior. Procuramos analisar a capacidade da bactéria de invadir células epiteliais, de colonizar o tecido hospedeiro. Analisamos também a produção de biofilme, uma vez que muitos dos Staphylococcus aureus, principalmente os hospitalares, têm a capacidade de aderir a cateteres, próteses ortopédicas, válvulas cardíacas, o que pode resultar em infecção disseminada" finaliza Agnes Figueiredo. (Fotos Agnes Figueiredo)

Fonte: Cília Monteiro / Olhar Vital

IPT se moderniza para comemorar 110 anos em 2009

Novos rumos para o IPT
Quando completar 110 anos, em 2009, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) estará passando por uma grande ação modernizadora.

De acordo com o diretor-presidente do instituto, João Fernando Gomes de Oliveira, professor titular da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, o projeto de modernização é uma iniciativa do governo estadual, que alocará a maior parte dos recursos estimados em R$ 150 milhões, incluindo participações de instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a FAPESP, além de empresas como Petrobras e Embraer.

O IPT, que conta atualmente com instalações distribuídas em 67 prédios, ocupando mais de 96 mil metros quadrados em São Paulo, Guarulhos e Franca, ganhará novas unidades no interior paulista: um laboratório de gaseificação de biomassa, em Piracicaba, e um laboratório de pesquisas e estruturas leves – material utilizado especialmente na indústria aeroespacial – em São José dos Campos.

Gomes de Oliveira afirma que o projeto tem o objetivo de estimular a estrutura de pesquisa e desenvolvimento, ampliar os serviços com alto conteúdo tecnológico e aprofundar o trabalho como centro de pesquisa pré-competitiva. O instituto passará a atuar em novas áreas, como microssistemas, nanobiotecnologia, estruturas leves e simulação numérica.

A estrutura do IPT, que conta com 13 centros, 30 laboratórios e 10 seções técnicas, ganhará sete novos laboratórios. O plano inclui também o investimento em formação de recursos humanos, com envio de pesquisadores ao exterior. O instituto tem hoje cerca de 500 pesquisadores e mais de 400 técnicos.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, visitou o IPT na última terça-feira (19/8) para conhecer o projeto, que em breve será lançado oficialmente. “O IPT está dando o exemplo para os demais institutos que padecem de problemas comuns, pois, além de criar novos desafios e objetivos, é preciso que as pessoas não se acomodem”, disse Rezende.

Gomes de Oliveira, que tomou posse do cargo de diretor-presidente no início de janeiro, com mandato de dois anos, concedeu à Agência FAPESP a seguinte entrevista:

Quais são os principais focos do projeto de modernização tecnológica do IPT?
O projeto foi estruturado sobre quatro princípios: promoção da pesquisa para inovação; estímulo às estruturas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas empresas; expansão e fortalecimento das áreas de atuação; e ampliação da presença regional.

Quando o projeto foi concebido?
A iniciativa foi do governo paulista, que se interessou por investir em uma grande ação modernizadora do IPT. Começamos a trabalhar no projeto e a discutir a aplicação dos recursos em março.

O que haverá de novo em relação à promoção da pesquisa para a inovação?
O IPT tem um forte componente de prestação de compromissos tecnológicos. Uma das metas é seguir nesse caminho, fortalecendo a pesquisa pré-competitiva, ou seja, trabalhar com capacidade própria no desenvolvimento tecnológico para depois negociar com a indústria, em vez de partir apenas de demandas específicas dela.

E quanto ao estímulo à estruturação de P&D nas empresas? Qual a estratégia?
Possivelmente vamos fazer isso trazendo escritórios dos centros de P&D das empresas para dentro do IPT. Outra possibilidade será criar uma incubadora de P&D dentro do instituto.

O IPT passará, então, a atuar em novas áreas?
Vamos procurar fortalecer os setores nos quais atuamos hoje, além de expandir para outras áreas, abrindo também novas unidades no estado. Posso citar como novos espaços de atuação as áreas de nanobiotecnologia, de estruturas leves – com o novo Centro de Pesquisas de Estruturas Leves em São José dos Campos, que atenderá diversas indústrias e especialmente a aeronáutica –, a área multiusuário de simulação numérica que estamos criando e a área de microssistemas e sensores. Com a nova unidade em Piracicaba, vamos fortalecer o setor de bioenergia, no qual já atuamos. Seguiremos atuando também na área de processos de gaseificação.

Com essa expansão haverá também um aumento da demanda por mão-de-obra qualificada?
Sim, e o projeto prevê uma readequação da gestão de recursos humanos. Queremos enviar pesquisadores para o exterior e, em contrapartida, trazer novas cabeças de fora. Também vamos renovar o sistema de avaliação de desempenho. Os investimentos totais do projeto envolvem, além da modernização laboratorial, a abertura de concursos. Estamos no momento com uma seleção aberta para 278 vagas.

Qual o orçamento total do projeto de modernização?
O orçamento é da ordem de R$ 150 milhões até 2010. Esses recursos estruturantes, em grande parte, estão sendo alocados pelo governo paulista. Mas a nova unidade de São José dos Campos, por exemplo, tem aporte do BNDES, Finep, FAPESP e da Embraer.

E a Petrobras investiu em quais projetos?
Em vários. Mas, no plano de modernização, a empresa está investindo especialmente em dois grandes projetos: um deles na área de bioenergia, com aporte de R$ 5 milhões. O outro, com aporte de R$ 8 milhões, é um laboratório de ensaios de estruturas pesadas, para apoiar o trabalho em plataformas para águas profundas.

Esses recursos já estão disponíveis?
Uma parte do orçamento está sendo executada. O processo de implantação dessa modernização envolve investimentos, compras e importações. O IPT tem procurado agir rapidamente e, para isso, criou um escritório de gestão do processo de modernização. Temos gente qualificada trabalhando nisso e as importações necessárias para a infra-estrutura dos novos laboratórios já começaram a ser feitas.

E quando os novos projetos começarão a operar?
Nossa expectativa é que no início de 2009 já tenhamos as inaugurações de laboratórios que estarão disponíveis para o apoio às indústrias, como o tanque de provas e o túnel de gravitação, que terão investimentos do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Petrobras. Também no início do ano deveremos inaugurar um centro robotizado de prototipagem rápida de plataformas de petróleo. O centro de bionanotecnologia, que terá aportes do governo paulista, necessitará de aquisição de materiais e contratação de pessoal e está previsto para o fim de 2009.

Quantos projetos são no total?
A programação inclui 34 reformas no IPT, incluindo sete grandes laboratórios e o centro de simulação numérica, que deverá estar pronto no início do ano. O centro de ensaios de estruturas pesadas – que precisará de R$ 13 milhões para testes em embarcações e em plataformas de águas profundas – deverá ficar pronto em julho de 2009.

Uma das principais novidades da Lei Paulista de Inovação é que ela se refere expressamente ao IPT, permitindo que o instituto crie subsidiárias para se associar a empresas. Isso estimulou a iniciativa de modernização?
A Lei Paulista de Inovação ajuda bastante por explicitar essa possibilidade de abrir subsidiárias e laboratórios em outras regiões. Esse recurso precisa ser pensado e será possivelmente utilizado. Mas a perspectiva de modernização já começou a ser trabalhada antes mesmo de a lei ser sancionada, em junho. A criação da unidade de São José dos Campos ganha segurança com essa lei, mas trata-se de um laboratório e não de uma subsidiária.

O projeto já foi lançado oficialmente?
Ele está sendo finalizado e será divulgado em breve. Mas no dia 19 de agosto, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, e o secretário estadual Alberto Goldman, do Desenvolvimento, visitaram o IPT para conhecer o projeto. Ambos manifestaram entusiasmo em relação aos planos.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Fiocruz lança o Helm Test para diagnóstico da esquistossomose


Novo teste para esquistossomose
O Helm Teste é o novo produto da linha de reativos para diagnóstico do Instituto de Tecnologia em Imunológicos (Biomanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Baseado na tecnologia do método Kato-Katz, o teste é recomendado pela Organização Mundial de Saúde e serve para fazer exame parasitológico de fezes. O produto foi lançado no 11º Simpósio Internacional sobre Esquistossomose, que termina nesta sexta-feira (22/8), em Salvador.

O método Kato-Katz dispensa água, luz ou qualquer acessório para preparar lâminas, que podem ser conservadas em temperatura ambiente até dois anos.

O exame das lâminas é possível logo após a sua preparação ou meses depois – se conservado em lugar seco, fechado e protegido de insetos – em um laboratório. Isso permite realizar testes em regiões distantes do país sem infra-estrutura laboratorial.

Segundo a Fiocruz, o produto, que tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), possibilita melhor diagnóstico e controle de qualidade com as lâminas, preparo mais fácil e exame parasitológico de fezes na determinação qualitativa e quantitativa de ovos de helmintos. São revelados ovos de Ascaris, Schistosoma, ancilostomídeos, Trichuris, Taenia e com menos freqüência os de Enterobius e Strongyloides.

A utilização do Helm Teste permitirá a identificação mais rápida da incidência de enfermidades como a esquistossomose. O Ministério da Saúde, por meio de Biomanguinhos, distribuirá, inicialmente, kits em seus programas de controle e combate à esquistossomose. O objetivo é contribuir para a melhoria dos padrões da saúde pública brasileira.

Mais informações: www.fiocruz.br

Fonte: Agência FAPESP

IPT lança notas técnicas da Agenda de Competitividade para a Indústria Paulista

Com o objetivo de descobrir em que estágio tecnológico e de competitividade internacional se encontram os principais setores da indústria paulista, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) está elaborando o estudo Agenda de Competitividade para a Indústria Paulista. A iniciativa foi encomendada pela Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo e atualmente se encontra em fase de finalização. O IPT é uma instituição sócio-fundadora da ABIPTI.

A pesquisa consiste em um amplo diagnóstico dos principais 25 setores produtivos da indústria paulista, com vistas a promover ações públicas e privadas que ampliem e reforcem a competitividade desses setores. “Eles representam perto de 60% do setor industrial paulista”, afirma a diretora de Gestão Estratégica do IPT, Denise Andrade Rodrigues, em entrevista ao Gestão CT.

No início de agosto, o instituto divulgou os diagnósticos setoriais, em forma de notas técnicas, que integram o estudo. O resultado do trabalho completo, com o sumário e as propostas de políticas a serem adotadas, deverá estar disponível dentro de um mês. “Hoje estamos numa fase de amadurecimento das propostas”, diz Rodrigues.

Segundo a diretora do IPT, as notas técnicas foram feitas por consultores e professores contratados pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pela Universidade de São Paulo (USP).

Rodrigues explica que o trabalho foi dividido entre as instituições por setor e de acordo com as competências diferenciadas de cada universidade. “Por exemplo, todo o banco de dados foi montado pelo grupo da Unicamp”, conta.

Ainda segundo ela, a metodologia adotada envolve um banco de dados comum a todos. Além disso, todas as perguntas do roteiro dos consultores eram iguais. “Todos os estudos tinham que obedecer aquela lógica, aquele encadeamento”, afirma. Para realizar o estudo, foi feito um workshop na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com discussões com alguns profissionais do setor industrial. Em seguida, foram feitas entrevistas com empresários, que deram origem à nota técnica 2. “Essa nota técnica foi submetida novamente a seminários setoriais na Fiesp. Então, todo esse processo envolveu entre 500 e 600 pessoas”, diz.

Setores promissores
A diretora aponta, como setores portadores de futuro, os setores de petróleo e gás, etanol e as áreas de fotônica e eletrônica. “Existem alguns setores que são novos para o Estado. Eles podem até nem ser novos para o país ou para o mundo, mas são novos para São Paulo”, destaca.

Um dos exemplos é a área de fotônica. De acordo com a nota técnica sobre o setor, os pesquisadores dessa área no Brasil estão engajados em pesquisas multidisciplinares, desenvolvendo aplicações da fotônica em áreas como cirurgia, oftalmologia, química, biologia, metalurgia, entre outras. “O Estado de São Paulo tem uma posição privilegiada dentro do Brasil no sentido de possuir um sistema de pesquisa já estabelecido em fotônica, porém em número de pesquisadores consideravelmente inferior ao de países mais desenvolvidos industrialmente”, diz o estudo.

Ainda de acordo com a nota, das dez instituições com maior contagem de publicações em fotônica, quatro são de São Paulo, sendo que as duas instituições com mais artigos nessa área são universidades estaduais. Além disso, 61% dos artigos em fotônica publicados no Brasil apresentam endereço no Estado.

A nota ainda destaca que iniciativas do MCT e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) foram importantes na formação de redes de competências nas diversas áreas do conhecimento, na consolidação de centros de excelência e crescimento de grupos emergentes com financiamentos de longo prazo.

Entre as iniciativas lembradas, constam os programas do MCT Núcleos de Excelência (Pronex), lançado nos anos 1980, e os Institutos do Milênio, em 2001. Pela Fapesp, é destacado o Programa Centros de Excelência em Pesquisa, Inovação e Disseminação (Cepid), de 2000. “Essas iniciativas tiveram forte impacto no setor de fotônica, criando condições para a formação de várias redes e clusters de excelência em fotônica no Brasil, assim reunindo grupos de diferentes instituições espalhadas geograficamente”, destaca a nota.

Para conferir o conteúdo das notas técnicas, acesse este link.

Fonte: Bianca Torreão / Gestão CT

6º Congresso Internacional Teoria Crítica e Inconformismo

O 6º Congresso Internacional Teoria Crítica e Inconformismo, que terá “Tradições e perspectivas” como tema central, ocorrerá de 8 a 12 de setembro, em São Carlos (SP).

Segundo os organizadores, o evento pretende aprofundar o conhecimento na área de Teoria Crítica da Sociedade, mostrando sua contribuição para a análise de questões relacionadas à formação educacional e cultural contemporânea.

Na ocasião serão apresentadas pesquisas científicas, na forma de comunicações e pôsteres, sobre temas diversos, entre eles “Teoria crítica, ética e formação”, “Indústria cultural, subjetividade e formação”, “Tecnologia e Cultura”, “Corporeidade e formação” e “Política e sociedade”.

A promoção é do Grupo de Estudos e Pesquisa "Teoria Crítica e Educação", vinculado às universidades Metodista de Piracicaba (Unimep), Federal de São Carlos (UFSCar) e Estadual Paulista (Unesp).

Mais informações: br.geocities.com/congresso.teoriacritica2008

Fonte: Agência FAPESP

Lançados editais que oferecem vagas para diversas unidades de pesquisa do MCT

O MCT publicou, nas edições dos dias 19 e 20 do Diário Oficial da União, uma série de editais que oferecem vagas em diversas unidades de pesquisa do MCT. As vagas contemplam o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), o Instituto Nacional do Semi-Árido (Insa), o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) e o Instituto Nacional de Tecnologia (INT).

O Insa, Cetem, Inpe, o MPEG, o Mast, o CTI (antigo Cenpra) e o INT são associados à ABIPTI.

Inpe
No Inpe, serão oferecidas 29 vagas destinadas aos cargos de pesquisador, tecnologista e técnico, em diversas áreas de atuação. O período de inscrições vai de 1º a 30 de outubro. A íntegra do edital está disponível neste link.

Insa
Já para o Instituto Nacional do Semi-Árido (Insa) serão disponibilizadas quatro vagas, todas da carreira de desenvolvimento tecnológico. Uma delas é destinada para profissionais de informática, que tenham nível médio completo. Outras duas vagas são para a área de agropecuária, para candidatos com curso técnico agrícola. Também existe uma vaga voltada para a área de comunicação, sendo que os interessados devem ter ensino médio completo. As inscrições podem ser feitas de 1º a 31 de outubro. Para conferir o edital, acesse este link.

CBPF
Para o CBPF, foram publicados diversos editais, um para cada uma das 11 vagas que estão sendo oferecidas. Quatro vagas podem ser disputadas por pesquisadores das áreas de física teórica: matéria condensada; cosmologia e gravitação; nanociência em física da matéria condensada; e física experimental de altas energias.

Também serão oferecidas três vagas para tecnologistas que atuem com microscopia eletrônica ou nanolitografia; eletrônica; e mecânica. As outras três vagas são destinadas a técnicos dos setores de eletrônica, mecânica e informática. As inscrições podem ser feitas de 29 de setembro a 28 de outubro. Os editais podem ser acessados neste link.

Cetem
Para o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) serão disponibilizadas doze vagas para cargos de nível superior e três vagas para cargos de pesquisador, tecnologista e técnico. As inscrições podem ser feitas de 1º a 31 de outubro. Para conferir os editais com as vagas, acesse este link.

Mast
O Mast abriu cinco vagas para as especialidades de pesquisador, tecnologista e técnico. Existem vagas para profissionais de nível superior e para profissionais de nível médio. O período de inscrições vai de 1º a 31 de outubro. Os editais podem ser acessados neste link.

INT
O instituto está oferecendo 25 vagas para os cargos de pesquisador, tecnologista e técnico para áreas como catálise, biotecnologia, biocombustíveis, nanotecnologia, microscopia eletrônica, ensaios de materiais poliméricos, entre outras. As inscrições podem ser feitas de 16 de setembro a 16 de outubro. Os editais podem ser conferidos neste link.

MPEG
O MPEG está disponibilizando quatro vagas para o posto de técnico, que exige o nível médio. Os selecionados deverão atuar nas seguintes áreas: editoração científica, ciências humanas – etnografia, zoologia e informação e documentação. Os interessados podem se inscrever de 2 a 31 de outubro. A íntegra do edital está disponível neste link.

CTI
No CTI serão oferecidas quatro vagas para cargos de nível superior, voltadas para as áreas de projetos de circuitos integrados; empacotamento eletrônico, energia solar, com foco em energia fotovoltaica; e segurança e sistemas da informação. O concurso ainda traz três vagas para cargos de nível médio. O período de inscrições vai de 1º a 30 de outubro. Os editais estão disponíveis neste link.

Fonte: Gestão CT

Artigo aborda os problemas enfrentados pelas instituições de pesquisa

Em artigo publicado no início deste mês no jornal Folha de S. Paulo, Rogério Cezar de Cerqueira Leite fala dos problemas enfrentados pelas instituições de pesquisa brasileira. No artigo, o autor protesta: “será possível entender esse fenômeno? Os três Poderes - o Executivo, o Legislativo e o Judiciário - confirmam a legalidade das OSs, e o imenso sucesso científico da sua fórmula legitima sua existência, mas forças reacionárias liqüidam tais instituições”. Confira abaixo a íntegra do artigo:

A arte de comprar bicicletas
Essa história pode parecer pueril. Mas é o que está ocorrendo com algumas das nossas mais bem-sucedidas instituições de pesquisa

Dois amigos, Alexei Fedorov Ivanovitch e Bob, decidiram resolver suas diferenças por meio de uma corrida de bicicletas. Cada um a seu jeito foi encomendar uma máquina. Bob firmou um contrato com o fabricante estabelecendo o nível de desempenho, características e datas limites. Ivanovitch, devido talvez a suas inclinações ideológicas, impôs certas condições adicionais: deveria haver concursos para os trabalhadores, estabilidade, isonomia salarial, licitação etc.

A corrida teve de ser postergada várias vezes a pedido de Ivanovitch e, quando a sua geringonça ficou pronta, o dinheiro não havia sido suficiente nem sequer para comprar o selim. "Ora", justificou-se o fabricante, "não é possível cumprir metas e ter qualidade quando há interferência externa no processo de produção." Ivanovitch justifica-se: "O dinheiro é meu, deve ser gasto como determino".

Pois bem, por falta de competitividade, o fabricante da bicicleta socialista foi à falência e seus funcionários ficaram sem emprego. Essa história pode parecer pueril, inverossímil, mesmo. No entanto, é exatamente o que está acontecendo neste momento com algumas das mais bem-sucedidas instituições de pesquisa do país.

Devido a uma série de acidentes, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, criado no início do governo Sarney pelo então ministro da Ciência e Tecnologia, Renato Archer, não fora institucionalizado até início do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.

Seu inquestionável sucesso nacional e internacional foi adequadamente atribuído pelo então ministro da Ciência e Tecnologia, Bresser-Pereira, à informalidade institucional.

Concebeu-se então uma fórmula inovadora. Uma instituição privada criada pela sociedade civil negocia com o governo um contrato de gestão, contrato este que estabelece objetivos, metas (incluídos prazos) etc. A instituição, denominada "organização social" (OS), se encarrega da gestão do laboratório, um patrimônio público, sem as desvantagens dos entraves burocráticos tradicionais, já que é uma instituição privada.

Fórmulas semelhantes vêm sendo adotadas mundo afora para diferentes setores de pesquisa e outros com inquestionável sucesso.

Por outro lado, gerência inadequada, objetivos deturpados, metas não atingidas, critério exclusivo do contratante ou outro motivo qualquer permitem ao governo romper o contrato unilateralmente, o que, em princípio, pode levar ao fechamento da organização social. Com isso, naturalmente se atinge a muito almejada gestão por resultados.

Mas eis que o incansável Ivanovitch reclama: "E os interesses dos trabalhadores?". Ora, eles estão na CLT e nas demais legislações do país, exatamente como acontece com todos os empregados do setor privado. O interesse público, quanto aos aspectos do setor penal e civil, também é defendido como em todas as demais instituições da sociedade civil.

Assim, foi proposta a criação das organizações sociais em 6/11/97 pelo Executivo e transformada em lei pelo Congresso Nacional em 15/5/98.

Contestada a constitucionalidade das organizações sociais por dois partidos importantes, PT e PDT, por quase unanimidade do Supremo Tribunal Federal foi confirmada sua pertinência constitucional, sua legitimidade, pela rejeição da liminar.

Não obstante, por incrível que pareça, o Tribunal de Contas da União, órgão do Congresso Nacional, em direto confronto com o mesmo Congresso Nacional que emitiu a legislação que rege as organizações sociais e em flagrante desobediência à decisão do Supremo, que confirma a legalidade das OSs, vem exigindo a adoção de práticas características da administração direta, que, a prosseguir nesse ritmo, acabarão por estatizar completamente as OSs.

Será possível entender esse fenômeno? Os três Poderes - o Executivo, o Legislativo e o Judiciário - confirmam a legalidade das OSs, e o imenso sucesso científico da sua fórmula legitima sua existência, mas forças reacionárias liqüidam tais instituições.

Uma nação não pode existir sem uma sólida burocracia. Todavia, ela só será construtiva enquanto mantida em seus devidos limites legais, pois seus impulsos expansionistas são inerentes à sua natureza.

No momento, viceja essa vocação para o estatismo regressivo porque encontra terreno fértil no esquerdismo obtuso e arcaizante e na mediocridade que a ele se simbiotizou.

Cabe agora ao Congresso Nacional e à Justiça confirmar a fórmula organização social ou eliminá-la. Mas que o façam como um ato de vontade política, e não como um acontecimento prosaico, sub-repticiamente imposto por forças ilegítimas, extemporâneas.

Artigo - Rogério Cezar de Cerqueira Leite - Folha de S. Paulo - 7/8/2008

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE , 77, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha.

Fonte: Gestão CT

Publicada lei que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica

Foi publicada, no Diário Oficial da União do dia 19, a Lei de nº 11.769, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) - 9.394/96 -, e dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica.

O artigo 26 da LDB diz que os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.

Neste artigo foi incluído o parágrafo 6º, com a seguinte redação: “A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo.” O parágrafo segundo diz que “o ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos”.

Segundo a lei, os sistemas de ensino terão três anos letivos para se adaptarem às exigências estabelecidas.

Veja a legislação neste link.

Fonte: Gestão CT