quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Aumenta em 65% a retirada de madeira da Amazônia


Dado referente a um período de 16 anos mostra que desmatamento fornece 91% do material, diz estudo na UnB

Um levantamento feito no Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB) mostra que de 1990 a 2006 a quantidade de madeira retirada da floresta Amazônica saltou de aproximadamente 18 milhões de metros cúbicos para cerca de 30 milhões de m³. Ou seja, um aumento de 65%.

O crescimento está calcado na exploração ilegal dos recursos naturais da região. O estudo, feito pelo pesquisador Júlio César da Silva, sob orientação do professor Humberto Ângelo, mostra que a produção originada do desmatamento mantém-se sempre muito acima daquela que vem dos planos de manejo florestal.

Em 2006, a madeira de derrubada representou 91% do total retirado. Em anos anteriores, a porcentagem chegou a praticamente 100%, principalmente de 1990 a 1993, e de 1995 a 1998.

Enquanto isso, as toras provenientes do manejo, que são uma forma sustentável de explorar a região, registram um crescimento bastante tímido. Passaram de zero para cerca de 2,5 milhões de m³ nesses 16 anos, com pico de 5 milhões de m³ em 2005. Em 2006, esse modelo representou apenas 8,33% da exploração de madeira.

As estatísticas refletem a dificuldade em manter a exploração dentro da legalidade, tendo em vista que, pelas atuais regras, um proprietário de terras tem direito a derrubar 20% de sua área. Os 80% restantes, que recebem o nome de reserva legal, podem até ser explorados, mas com o limite de 35m³ por hectare, aprovados pelos planos de manejo.

DIFICULDADES
Um conjunto de variáveis contribui para que a madeira vinda do desmatamento predomine nas estatísticas. Porém, segundo Silva, entre os principais motivos estão as dificuldades para o fortalecimento de práticas de manejo, que ele analisou em sua tese de doutorado.

Em primeiro lugar, aparece a falta de competitividade da produção do manejo. “Na serraria, a madeira vinda de áreas desmatadas custa 30% a 50% menos, dependendo da praça. Os compradores têm preferência pela madeira de preço menor, visando lucros maiores”, diz. Além disso, depois de processada, não há diferenças entre uma madeira e outra.

A grande diferença está nos gastos para obtê-las. No desmatamento, o proprietário precisa apenas obter uma licença para derrubar todas as árvores. Além disso, pode reaproveitar a área com plantação ou criação de bois. Já no manejo, é possível retirar, no máximo, 35m³ de madeira por hectare. Para isso, o dono deve apresentar um plano de manejo florestal assinado por um engenheiro florestal, ressaltando que nenhuma atividade agrícola ou de pecuária é permitida na reserva legal.

Essa assimetria de custo entre desmatamento e exploração sustentada se reflete diretamente no número de pedidos de planos de manejo protocolados na gerência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Amazônia. Entre 1990 e 2001 a média foi de 49 por ano. A quantidade subiu nos anos seguintes e chegou a incríveis 1.259 em 2005, para cair mais de 60% no ano seguinte, indo a 449.

LEGISLAÇÃO
De acordo com Silva, outro fator que atrapalha o fortalecimento dos planos de manejo são as constantes mudanças da legislação. “Em 16 anos foram mais de 20 legislações diferentes”, afirma. Por isso, um proprietário que age dentro da lei pode se transformar em um infrator quando as exigências mudam.

Foi o que aconteceu quando a área de reserva legal, em 1996, aumentou de 50% para 80%. Com isso, os donos de terra que desmataram mais que os atuais 20% permitidos precisam recuperar a diferença para se adequarem à legislação. Quem não o faz, fica impedido de aprovar novos pedidos de exploração nos órgãos governamentais, pois a reserva legal está abaixo do que prevê a legislação.

Além disso, aumentaram as exigências nos planos de manejo, que passaram, depois de 2005, a requerer o uso de georreferenciamento (técnica que usa imagens de satélite para mapear o terreno). Recentemente, também se tornou mais rigorosa a fiscalização das normas de segurança no trabalho, passando a ser exigido o uso de botas e equipamento de proteção individual (EPI).

DESAFIOS
De acordo com o estudo, as exigências dos planos de manejo, cujo objetivo é proteger a floresta, acabam tendo – paradoxalmente - o efeito contrário. Os proprietários sempre dão um jeito de conseguir madeira para abastecer o mercado: ou vão cortar árvores além da conta na reserva legal, ou comprar novas propriedades para desmatar os 20% permitidos.

Já os donos de serrarias, que recebem o produto, contam com o aporte extra dos 20% de árvores vindas dos terrenos em que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vêm assentando famílias. “Os madeireiros esperam vir o projeto de assentamento para comprar a madeira”, afirma Silva.

Para o pesquisador, é preciso readequar uma série de ações para preservar a Amazônia. Uma delas é classificar a região em setores, conforme sua vocação, seja a preservação da floresta, a plantação de soja ou a criação de gado. Antes, porém, é necessária a elaboração de um plano de Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE), que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) promete para 2009.

O estudioso sugere, ainda, a revisão das ações do Incra na Amazônia, dada a alta freqüência de assentamentos, no qual cada família recebe 100 hectares. Outra atitude considerada fundamental pelo engenheiro é realizar ações que estimulem a realização dos planos de manejo florestal. Por exemplo, abrir linhas de crédito para os interessados em manejar sua reserva legal. “À medida em que o manejo está mais fraco, o desmatamento está mais forte. É preciso fortalecer o manejo para enfraquecer o desmatamento.”

PERFIL
Júlio César da Silva é doutor e mestre em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB), graduado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Contatos pelo e-mail ou pelo telefone (61) 3316 1643

Fonte: Daiane Souza/UnB

Antileishmanial and antitrypanosomal activity of bufadienolides isolated from the toad Rhinella jimi parotoid macrogland secretion

Cientistas dos institutos Adolfo Lutz e Butantan isolam, a partir das toxinas da pele do sapo-cururu, dois esteróides capazes de matar o parasita causador da leishmaniose, cujos casos estão aumentando no Brasil. Uma das moléculas também é eficaz contra a doença de Chagas

Esteróide anfíbio
A leishmaniose visceral está avançando no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, houve um aumento de 61% entre 2001 e 2006, quando foram registrados 4.526 casos. A doença, para a qual não foi desenvolvido novo medicamento desde 1912, é fatal em mais de 90% dos casos sem tratamento.

A solução para o problema pode estar na secreção da pele do sapo-cururu (Rhinella jimi). Um estudo de bioprospecção realizado por um grupo de pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz e do Instituto Butantan isolou, a partir do veneno do sapo, dois esteróides ativos capazes de destruir a leishmânia, o parasita causador da doença, sem causar danos às células de mamíferos. Uma das moléculas também mata o Trypanosoma cruzi, que causa a doença de Chagas.

Apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio Regular a Pesquisa, o estudo foi coordenado por André Tempone, do Laboratório de Toxinologia Aplicada do Departamento de Parasitologia do Instituto Adolfo Lutz. Os resultados foram publicados na revista Toxicon.

"O foco do nosso laboratório são as doenças negligenciadas. O objetivo desse projeto era estudar os venenos de diversos anfíbios como ferramenta para a busca de novos fármacos. Depois de uma triagem feita com diversos animais, elegemos o sapo-cururu, já que ele mostrava aspectos interessantes para bioprospecção", disse Tempone.

Segundo ele, o laboratório do Adolfo Lutz prefere estudar metabólitos secundários como esteróides e alcalóides. "Essas moléculas são mais interessantes do ponto de vista farmacêutico, por serem menores e mais fáceis de sintetizar", explicou.

Depois de eleger o sapo-cururu, os pesquisadores se dedicaram a todas as etapas de isolamento das moléculas. "A glândula parotóide do sapo conta com uma quantidade imensa de veneno, que tem uma toxicidade imensa. Mas, com a purificação da molécula ativa, eliminamos a parte tóxica e testamos o elemento ativo no parasita", disse Tempone.

As duas moléculas isoladas foram a telocinobufagina e a helebrigenina. Ambas se mostraram ativas contra a leishmânia. A segunda, também para o Trypanosoma cruzi. "Curiosamente, descobrimos na literatura que a telocinobufagina é produzida também pelo organismo humano. Não foi muito estudada, mas possivelmente tem funções no controle da pressão sangüínea", apontou.

Bioma negligenciado
A espécie de sapo estudada é típica da caatinga, uma região seca e inóspita para os anfíbios, cujo ciclo vital exige a presença de água. Essa característica contribui para a eficiência de seus mecanismos de adaptação. É possível que o animal use o veneno para se defender de predadores e também de microrganismos.

"Não sabemos ainda se o sapo usa esses esteróides para proteção, mas é possível que, como vivem em um lugar seco e têm pele muito sensível, eles sirvam para defender o animal de fungos e bactérias no chão", disse Tempone.

Segundo ele, o projeto teve uma contribuição fundamental do pesquisador do Instituto Butantan Carlos Jared, que realizou coleta de anfíbios em todo o país " inclusive no pouco estudado bioma da caatinga. Jared levantou a hipótese de que os esteróides são possivelmente incorporados pelo sapo por meio da dieta.

"Essas moléculas já eram conhecidas em plantas da região, mas até agora não haviam sido observadas no sapo. Possivelmente elas são conseguidas pelo animal por meio de um inseto que ingeriu determinadas plantas", disse Tempone.

Apesar da toxicidade da secreção da pele do sapo, os pesquisadores observaram que os esteróides, além de não apresentarem toxicidade para a célula hospedeira da leishmânia, também não têm atividade de hemólise, que é o rompimento das células vermelhas do sangue.

"Tudo isso faz com que essas moléculas sejam modelos interessantes. Agora que identificamos sua estrutura química, vamos tentar sintetizá-las e testar novos desenhos com potencial para uma eficiência ainda maior. O passo seguinte será a aplicação de testes em animais", afirmou Tempone, cuja pesquisa teve apoio dos pesquisadores Daniel Pimenta, do Instituto Butantan e Patrícia Sartorelli, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A doença é transmitida pela picada de flebotomíneos, hospedeiros do parasita leishmânia. O inseto se contamina ao sugar o sangue de mamíferos infectados e, ao picar um animal ou pessoa sadia, o flebótomo injeta secreção salivar com as leishmânias. A forma tegumentar da doença atinge as mucosas do corpo e causa lesões na pele, enquanto a leishmaniose visceral ataca o fígado humano e pode levar o indivíduo à morte.

Presente em todo o país, especialmente no litoral e na região Norte, a leishmaniose visceral avança a passos largos em território paulista, desde que o primeiro caso foi registrado, em 1985. "Em 2007, tivemos 256 casos e 21 óbitos. Até três meses atrás, haviam sido registrados 35 casos e dois óbitos no estado em 2008", destacou Tempone. De acordo com o cientista, não há no mercado medicamentos seguros para a forma fatal da doença, pois os utilizados são altamente tóxicos.

"Usamos até hoje o metal antimônio, cuja aplicação foi feita pela primeira vez em 1912. Os medicamentos são extremamente tóxicos. Para a doença de Chagas, só há um remédio, que tem 50% de eficácia se for administrado no início da doença. Mas o problema é que só se descobre a doença quando ela está avançada", afirmou.

O artigo Antileishmanial and antitrypanosomal activity of bufadienolides isolated from the toad Rhinella jimi parotoid macrogland secretion, de André Tempone e outros, pode ser lido por assinantes da Toxicon em dx.doi.org/10.1016/j.toxicon.2008.05.008.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

IMT firma parceria com a FIESP e integra Projeto Interação Universidade-Empresa

Instituição já desenvolve curso de pós-graduação direcionado as MPMIs

O Instituto Mauá de Tecnologia assinou, no último dia 11, convênio com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - FIESP para integrar o Projeto Interação Universidade-Empresa. Como o nome sugere, o objetivo do projeto, desenvolvido pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria - DEMPI da FIESP, é integrar o conhecimento das universidades à pratica das empresas e contribuir para a capacitação e melhoria da gestão nas MPMIs. Paralelamente, a iniciativa visa estimular os universitários ao empreendedorismo e incentivar o estágio nessas empresas que, segundo a Fiesp, são responsáveis por 98% dos negócios existentes no país. Além do IMT, integram o projeto outras 19 instituições, entre universidades e centros de pesquisas de São Paulo.

O presidente da FIESP, Paulo Skaff, destacou que, apesar da forte atuação da entidade na área da educação, faltava maior proximidade com as universidades. "Nosso objetivo é o mesmo: queremos melhorar o ensino no Brasil e, para isso, precisamos nos unir", afirmou. O superintendente geral do IMT, professor Paulo Bógus, confia que este convênio, o segundo assinado pela instituição com a FIESP, gerará ainda mais frutos que o anterior, que resultou no desenvolvimento de um curso de Pós-graduação em Logística destinado aos dirigentes de micro, pequenas e médias empresas. "Tenho certeza que este vai gerar um número maior de cursos", comentou, após a assinatura.

Segundo Carlos Monteiro, diretor da FIESP, para as micro, pequenas e médias empresas uma melhor capacitação é mais importante que crédito e pode significar uma redução no índice de mortalidade do setor. "Temos convicção de que melhorando a capacitação nessas empresas, estamos dando um passo muito importante", disse ele. A idéia é que representantes das empresas alvo do convênio participem de cursos, palestras, seminários, workshops na capital e interior do Estado. Há a expectativa de que dessa interação resulte melhoria da capacitação das MPMIS e seus colaboradores, por meio da introdução de novos conceitos de gestão.

O IMT pretende colaborar realizando cursos de atualização para gestores de micro, pequenas e médias empresas, além de incentivar o oferecimento, a essas empresas, de projetos desenvolvidos por alunos de diversas habilitações dos cursos ministrados no Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia.

INSTITUTO MAUÁ DE TECNOLOGIA - IMT
O Instituto Mauá de Tecnologia - IMT é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, cujo objetivo principal é promover o ensino técnico-científico, visando a formação de recursos humanos altamente qualificados, que contribuam para o desenvolvimento socioeconômico do País.

Fundado em 11 de dezembro de 1961, o IMT foi autorizado pelo MEC, em janeiro de 2000, a criar seu Centro Universitário com sede no Campus de São Caetano do Sul, onde são oferecidos os cursos de graduação em Design do Produto, Engenharia e Tecnologia, além do programa de Pós-graduação em Engenharia de Processos Industriais. Nesse Campus também está instalado o Centro de Pesquisas, que por meio do desenvolvimento de projetos de pesquisa, trabalhos orientados por professores e estágios, complementa a formação dos alunos. No Campus de São Paulo estão a Escola de Administração Mauá e o Centro de Educação Continuada em Engenharia e Administração.

Fonte: IMT

Sistema de tratamento de esgoto doméstico utiliza plantas ornamentais, brita e bambu


Água tratada naturalmente
O engenheiro civil Luciano Zanella desenvolveu um sistema de tratamento de esgoto doméstico que associa a beleza das plantas com o bom desempenho na purificação de efluentes de produtos naturais.

O sistema utiliza espécies ornamentais fixadas em pedra ou bambu colocados sobre uma camada de terra. No recipiente, a água passa pelos espaços entre as pedras (ou anéis de bambu), que, com a ajuda das raízes das plantas, fazem a filtração.

O estudo foi feito como trabalho de doutorado, (PLANTAS ORNAMENTAIS NO PÓS-TRATAMENTO DE EFLUENTES SANITÁRIOS: WETLANDS-CONSTRUÍDOS UTILIZANDO BRITA E BAMBU COMO SUPORTE), defendido na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo Zanella, pesquisador do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento, vinculado ao Centro Tecnológico do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o dispositivo é indicado para o tratamento complementar ao esgoto doméstico, após esse ter passado por uma primeira etapa de purificação para remoção dos resíduos mais pesados.

Em testes realizados na Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, o engenheiro utilizou seis tanques de 2 mil litros cada. Os tanques receberam amostras de esgoto que já tinham passado por um primeiro tratamento na faculdade, sendo que em três recipientes foram adicionadas pedras brita nº 1 até a borda e, nos outros três, anéis de bambu.

"A eficiência média de remoção de sólidos em suspensão foi de cerca de 60% para os tanques com brita e de 33% para os tanques com bambu. Os valores médios de matéria orgânica foram de 22 miligramas por litro (mg/l), com 60% de eficiência de remoção, para os tanques de pedra brita, e de 36 mg/l, com 33% de eficiência de remoção, para os construídos com leito de bambu", disse Zanella à Agência FAPESP. O esgoto que saía da estação apresentava valor médio de matéria orgânica de 54 mg/l.

Os resultados médios obtidos para outro parâmetro de qualidade da água, demanda química de oxigênio (DQO), que mede indiretamente a carga de matéria orgânica contida na amostra, foram de 63,9% para os dispositivos com brita e plantas mistas e 55,8% sem o uso de plantas. No caso dos anéis de bambu, os índices foram de 29,7% e 20,4%, respectivamente.

Segundo o pesquisador, o sistema mantém o padrão estético dos jardins, diminuindo os níveis de rejeição da população para os dispositivos de tratamento de efluentes. Podem ser utilizadas diversas espécies de plantas, entre as quais copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica), papiro (Cyperus papyrus) e biri (Canna edulis), que colaboram com o tratamento do esgoto ao mesmo tempo em que absorvem nutrientes como fósforo e nitrogênio para crescer com qualidade.

"A planta cresce em cima do esgoto, que serve como uma espécie de adubo natural para as espécies. O sistema lembra o processo de hidroponia acrescido da ação de microrganismos. Outra vantagem é que ele não necessita de nenhum tipo de produto químico ou eletricidade", disse Zanella.

Por ser considerado de baixo custo, o sistema é considerado ideal para pequenas propriedades. A água gerada pode ser utilizada para a irrigação de plantações e as plantas podem servir como uma fonte de renda extra pela exploração comercial das flores e fibras vegetais.

"Em uma população rural, por exemplo, seria possível plantar espécies ornamentais para venda. As fibras do caule do papiro, uma das plantas que melhor se adaptaram ao sistema, também podem ser usadas para artesanato na confecção de produtos como papel ou luminárias", disse.

Vantagens do sistema

Esgoto – Possibilidade de pós-tratamento de esgotos de origem doméstica com adequação de parâmetros às exigências legais.
Estética – Melhoria significativa no fator estético de estações com a utilização de plantas ornamentais para o tratamento de esgotos, deixando de lado a sina de local inóspito, podendo, por exemplo, com os devidos cuidados, ser transformadas em parques para visitação e passeio público, facilitando sua aceitação por parte da população.
Água de irrigação Economia de água de irrigação das culturas vegetais utilizadas no sistema aliadas ao tratamento de efluentes.
Fertilizantes – O esgoto pode ser uma boa fonte de nutrientes, entrando no lugar de fertilizantes industrializados para a vegetação presente no sistema, podendo propiciar bons resultados de crescimento vegetal a baixos custos.
Fonte de renda – No caso de uso de plantas ornamentais e valor comercial, existe a possibilidade de venda das flores de corte cultivadas ou de artesanato produzido com fibras ou folhagens, gerando divisas. O cultivo de flores com a utilização de esgoto como um dos insumos da cultura poderá, por exemplo, tornar-se uma atividade remuneratória alternativa em pequenas comunidades, servindo como uma pequena fonte auxiliar de renda.
Fonte: Tese de doutorado “Plantas ornamentais no pós-tratamento de efluentes sanitários: Wetlands-construídos utilizando brita e bambu como suporte”, defendida em abril de 2008. / Jornal da Unicamp
Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP // Jornal da Unicamp

TWAS - Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento - oferece bolsas de pós-graduação na China e Índia

Pós-graduação na China ou Índia
A Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS - Third Wo), organização internacional autônoma fundada em 1983, em Trieste, na Itália, tem como objetivo promover a excelência científica para o desenvolvimento sustentável do hemisfério Sul.

Desde 1986, a entidade tem apoiado cientistas e instituições de países em desenvolvimento em uma série de programas, que representam excelente oportunidade de intercâmbio de pesquisadores.

O Programa de Bolsas de Pós-Graduação TWAS-CAS para Pesquisa, oferecido em conjunto com a Academia Chinesa de Ciências é direcionado a pesquisadores de países em desenvolvimento que queiram concluir o último ano do pós-doutorado em uma de mais de 80 das principais instituições chinesas.

Despesas com visto e passagens ficarão a cargo da TWAS, enquanto a CAS se encarregará do pagamento da bolsa, suficiente para cobrir gastos com aluguel, alimentação e seguro-saúde. Os interessados devem ter proficiência em inglês. A data-limite para inscrições é 31 de agosto de cada ano.

O Programa de Bolsas de Pós-Graduação TWAS-DBT, para pesquisa ou treinamento, é uma parceria com o Departamento de Biotecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia da Índia. É voltado a jovens cientistas de países em desenvolvimento que queiram fazer parte ou toda a pós-graduação em biotecnologia em instituições de pesquisa indianas. Os interessados devem ter proficiência em inglês. As inscrições podem ser enviadas até o dia 31 de agosto de cada ano.

A TWAS oferece outros programas para pesquisa de pós-graduação na Índia, em física, em parceria com o Centro Nacional para Ciências Básicas S.N. Bose, e em ciências naturais, com a Associação Indiana para Cultivo da Ciência. Nos dois os interessados devem ter proficiência em inglês, podem permanecer até quatro anos (em caso de treinamento) ou até um ano (pesquisa) na instituição desejada e os prazos de inscrição vão até 30 de junho de cada ano.

A mesma data-limite é válida para interessados em fazer pós-graduação (pesquisa ou treinamento) no Paquistão, no Centro Internacional para Ciências Químicas e Biológicas, em Karachi, e no Centro Nacional de Excelência em Biologia Molecular, em Lahore.

Outro programa de destaque da TWAS é o de Bolsas para Pesquisa ou Treinamento Avançado, voltado a cientistas que desejam fazer parte da pós-graduação em outro país em desenvolvimento. A duração é de três meses a um ano e o prazo de inscrição termina no dia 1º de outubro. Não há idade limite para participação.

As operações administrativas e financeiras da TWAS são conduzidas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Mais informações sobre esses e outros programas da TWAS, bem como instruções para aplicações, estão disponíveis no endereço:
www.twas.org/exchange.

Fonte: Agência FAPESP

1º Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica

O 1º Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica será realizado de 2 a 5 de setembro, em Belém, com promoção do Museu Paraense Emilio Goeldi (Mpeg).

O evento discutirá questões teóricas e metodológicas, além dos problemas sociais e políticos da arqueologia na Amazônia. Serão apresentados estudos arqueológicos realizados recentemente na região e discutida a necessidade de maior embasamento teórico para as práticas de educação patrimonial.

A abertura do encontro será marcada por uma homenagem à arqueóloga norte-americana Betty Meggers, especialista em cultura pré-colombiana, que realizou estudos sobre arqueologia pré-histórica na bacia Amazônia, em especial na ilha do Marajó.

Mais informações: marte.museu-goeldi.br/arqueologia/eiaa

Fonte: Agência FAPESP

36º Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia - Cobenge 2008

O 36º Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia - Cobenge 2008 será realizado entre 9 e 12 de setembro, em São Paulo, reunindo professores, pesquisadores, estudantes e profissionais que atuam nas várias modalidades da engenharia, ou áreas relacionadas.

O evento, realizado pela Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), congrega mais de 150 instituições de ensino em todo o Brasil e reúne órgãos oficiais e instituições de ensino ligados ao setor. A organização será feita em parceria com a Escola de Engenharia Mauá do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

O objetivo é criar um fórum propício à discussão de temas essenciais à educação em engenharia no Brasil, além de compartilhar experiências realizadas nas escolas de engenharia. O tema abordado na edição deste ano é "Educação, mercado e desenvolvimento: mais e melhores engenheiros".

Mais informações: www.cobenge2008.com.br

Fonte: Agência FAPESP