segunda-feira, 4 de agosto de 2008

CNI aponta a retomada do crescimento industrial

Pesquisa da CNI aponta a retomada do crescimento industrial
O faturamento da indústria de transformação brasileira cresceu 10,5% em junho ante igual mês do ano passado. No mesmo período, as horas trabalhadas na produção avançaram 6,6%, a remuneração paga aos trabalhadores aumentou 5,2% e o emprego, 4%. As informações são da pesquisa Indicadores Industriais de junho, divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) simultaneamente em Florianópolis e em Brasília.

Na comparação com maio deste ano, o faturamento real subiu 2%, na série com ajustes sazonais. Na mesma comparação, as horas trabalhadas cresceram 1,5% e o emprego, 0,5%. A utilização da capacidade instalada atingiu 83,3% em junho, acima dos 82,2% registrados no mesmo mês de 2007. Esse é o maior nível de utilização da capacidade instalada desde o início da série, em janeiro de 2003.

De acordo com o gerente-executivo da Unidade de Avaliação, Pesquisa e Desenvolvimento da CNI, Renato da Fonseca, apesar do avanço registrado em junho, o indicador de utilização da capacidade instalada se mantém estável ao longo dos últimos meses. "O gráfico mostra uma alta em relação a maio, que tinha sido mais baixo, e uma estabilidade em relação aos últimos meses. A utilização da capacidade instalada tem uma linha estável no gráfico enquanto as demais variáveis, como emprego e faturamento, têm linhas ascendentes, de clara alta", afirma Fonseca.

Faturamento
O faturamento real aumentou em 16 dos 19 setores pesquisados pela CNI. No acumulado do primeiro semestre, o faturamento aumentou em 17 setores. As atividades que se destacaram de janeiro a junho foram veículos automotores (24,4%), material eletrônico e de comunicação (23%) e outros equipamentos de transporte (20,1%).

Na variável das horas trabalhadas na produção, o ano de 2008 é o melhor desde 2003, quando se iniciou a nova série histórica (depois da atualização da metodologia). Quinze dos 19 setores pesquisados registraram crescimento das horas trabalhadas na produção na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em seis desses setores o ritmo de alta é acima de dois dígitos.

O emprego industrial se expande há 31 meses, ou seja, desde dezembro de 2005. "A regularidade também se aplica ao ritmo de crescimento, que se mantém em torno de 4% há um ano", afirma o texto da pesquisa. A expansão é mais forte nos setores de alimentos e bebidas e de máquinas e equipamentos.

Fonte: CNI

Impacto das mudanças climáticas na produção de energias renováveis

Pesquisadores de várias instituições brasileiras estão reunidos nesta segunda-feira (4) para discutir e avaliar os resultados obtidos com o projeto "Mudanças Climáticas e Energias Renováveis".

Participam da iniciativa - financiada pela Petrobras, através da Rede Temática de Mudanças Climáticas - pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável e a Universidade de Salvador. A reunião acontece no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro (RJ).

O projeto visa a produzir uma análise, em alta resolução espacial, do impacto projetado pelas mudanças climáticas no potencial de diversas fontes de biomassa para fins energéticos e da energia eólica no território nacional. Esta análise poderá subsidiar políticas energéticas de médio e longo prazo para o País.

Nos últimos anos, desenvolveu-se no Brasil a capacidade de gerar cenários de mudanças climáticas sobre a América do Sul em alta resolução espacial. Neste estudo, as projeções regionalizadas para a América do Sul - geradas pelo Inpe, com modelos climáticos regionais - serão utilizadas para dois cenários de emissão de gases de efeito estufa do IPCC: cenários A2, de maior emissão, e B2, de menor emissão, para o Século XXI.

No campo da bionergia e biocombustível, o estudo avalia a resposta a cenários climáticos atuais e futuros para oito culturas agrícolas, com alto potencial para a produção de bioenergia e bicombustíveis e consideradas representativas para o País: algodão, cana-de-açúcar, girassol, soja, mamona, dendê, amendoim e canola.

A metodologia utilizada neste estudo considera os mesmos parâmetros do zoneamento agrícola em 2007 e simula como as culturas irão responder às mudanças climáticas projetadas para o Brasil, de forma a avaliar como as áreas e os municípios serão afetados pelos efeitos térmicos e hídricos.

No caso da cana-de-açúcar, a base para a avaliação dos impactos será o zoneamento estabelecido pelo Ministério da Agricultura, que leva em consideração não somente os parâmetros climáticos, mas também os de solos, relevo, destinação de áreas agrícolas para produção de alimentos versus bionergia, áreas de preservação permanente e áreas de alta biodiversidade nos diversos biomas brasileiros. Espera-se que o aumento da temperatura promova um crescimento da evapotranspiração e, conseqüentemente, um aumento na deficiência hídrica, na ausência de aumentos significativos da precipitação pluviométrica, com reflexo direto no risco climático para a agricultura. Por outro lado, com o aumento das temperaturas, ocorrerá uma redução no risco de geadas no sul, sudeste e sudoeste do País, acarretando um efeito benéfico às áreas atualmente restritas ao cultivo de plantas tropicais.

A dinâmica climática deverá causar uma migração das culturas adaptadas ao clima tropical para as áreas mais ao sul do País ou para zonas de altitudes maiores, para compensar a diferença climática. Ao mesmo tempo, haverá uma diminuição nas áreas de cultivo de plantas de clima temperado do País. Resultados preliminares indicam que um aumento da temperatura próximo a 3°C causará um possível deslocamento da cana-de-açúcar para áreas de latitudes mais altas.

No que concerne à energia eólica, em mais de 71.000 km2 do território nacional, as velocidades de vento são superiores a 7 m/s à altura de 50 m acima da superfície - altura típica para os aerogeradores - tornando o Brasil um dos países com o maior potencial de geração de energia eólica do mundo.

Entretanto, as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global podem modificar as circulações atmosféricas próximas à superfície e afetar o potencial eólico. Cenários de mudanças dos ventos para o final do século, em alta resolução espacial para os cenários A2 e B2 do IPCC e modelagem matemática em alta resolução, permitirão estimar como o potencial eólico será alterado, e há indicações preliminares de que pode haver diminuição deste potencial. (Assessoria de Imprensa do Inpe)

Fonte: Agência CT

Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, inscrições encerram-se dia 15

Últimos dias de inscrição em prêmio para bolsistas de iniciação científica
Encerra-se no próximo dia 15 o prazo de inscrição para o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica - edição 2008 - nas instituições de ensino superior e institutos de pesquisa. O prêmio é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) em parceria com o British Council.

O objetivo é premiar os bolsistas de iniciação científica do CNPq que apresentaram relatório final relevante e com qualidade e as instituições participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) que contribuíram para o alcance dos objetivos do Programa.

Cada premiado receberá R$ 3,6 mil, bolsa de mestrado, passagem aérea e hospedagem para participar da 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Manaus (AM), em 2009. O British Council concederá uma visita a centros de excelência no Reino Unido para o primeiro lugar da área de Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes.

Confira o regulamento aqui (Assessoria de Comunicação do CNPq )

Fonte: Agência CT

Seminário "As Ciências no Brasil no Período Joanino"

Seminário internacional discute as ciências no Brasil
Marco do desenvolvimento das ciências e das técnicas no Brasil, a transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro criou um espaço público letrado, de circulação de idéias e formação de opinião.

As transformações ocorridas no período, que provaram ser possível produzir conhecimento em uma pátria situada nos trópicos, serão tema do seminário "As Ciências no Brasil no Período Joanino", que acontece de 17 a 20 de agosto. Aberto ao público, o evento é organizado pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast/MCT), em parceria com a Casa de Oswaldo Cruz (COC).

Durante o encontro, pesquisadores brasileiros e estrangeiros farão uma reflexão historiográfica acerca dos processos de construção e legitimação do saber que se instauraram no Brasil a partir de 1808, ano da chegada de Dom João VI e da Família Real. É nessa época que são criadas no Rio de Janeiro instituições fundamentais para o desenvolvimento das ciências, como a Real Biblioteca, a Academia Real Militar, a Escola Médico-Cirúrgica e o Jardim Botânico. A cidade é transformada em centro do Império Português. Além disso, a imprensa foi permitida e os primeiros jornais e livros começaram a ser impressos no Rio e na Bahia.

A abertura do Seminário acontece no domingo (17), às 19h. As palestras serão realizadas de segunda a quarta, das 9h às 17h, no auditório do Museu da Vida. Parte das comemorações pelos 200 anos da chegada da Família Real ao Brasil, o evento é patrocinado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Além disso, recebeu o apoio da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) e da editora Dantes.

Veja aqui a programação. (Assessoria de Comunicação do Mast)

Fonte: Agência CT

Bolsas DAAD nas áreas de música, artes e design

Estão abertas até 20 de outubro as inscrições para o programa de bolsas do DAAD nas áreas de artes plásticas e música para o período 2009/2010.

Brasileiros com até 30 anos, graduados em artes plásticas, design ou música podem concorrer a bolsas de estudo complementar na Alemanha. O próprio candidato escolhe a instituição na qual gostaria de realizar os estudos e o professor mais indicado na área em que pretende se aperfeiçoar. O estudante não precisa necessariamente realizar um curso ou especialização que conceda um título acadêmico.

Na primeira fase, os candidatos passam por uma seleção criteriosa realizada pelo DAAD. Os candidatos escolhidos realizam então uma prova na universidade alemã. Caso o bolsista não seja aprovado, terá de retornar ao país de origem e não poderá dar continuidade à bolsa. O programa tem duração de um ano, podendo ser prorrogado apenas em casos excepcionais.

A bolsa inclui 750 euros por mês, ajuda de custo para passagem aérea, seguro-saúde, curso de alemão de quatro meses na Alemanha e pagamento de taxas universitárias até 500 euros. Para mais informações, confira o edital no link: rio.daad.de/shared/pos_graduacao.htm


Fonte: DAAD

Acordos internacionais não envolvem adaptação às mudanças climáticas, afirmam especialistas

Protocolos e ações insuficientes
Do mesmo modo que os países se organizaram para evitar o holocausto nuclear durante a Guerra Fria, o medo de uma catástrofe climática deve mover os governos de hoje a buscar saídas para o aquecimento global.

A afirmação é do sociólogo Eduardo Viola, da Universidade de Brasília (UnB), que coordenou uma mesa-redonda formada por outros seis especialistas para debater os esforços internacionais em torno das questões climáticas. A discussão fez parte do 6º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, realizado na semana passada na Universidade Estadual de Campinas.

A antropóloga Myanna Lahsen, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontou um paradoxo perigoso na questão das mudanças climáticas. Segundo ela, os países em desenvolvimento, que seriam os mais vulneráveis às mudanças climáticas, são os que menos contam com recursos e conhecimento científico para as ações de adaptação necessárias.

Além da falta de incentivos financeiros para os países menos desenvolvidos, a pesquisadora aponta o problema do foco estreito com que os debates internacionais têm tratado a questão. “Falam como se o problema fosse limitado a uma só área”, criticou.

Carlos Nobre, também do Inpe, ilustrou o problema da diferença entre as ações de países ricos e periféricos na adaptação às mudanças. “Só na baía de São Francisco os Estados Unidos investiram mais de US$ 100 milhões em estudos de adaptação. Os países periféricos não devem ter gasto metade [para esse fim]”, disse o pesquisador, que integra o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Segundo Nobre, os acordos internacionais almejados pelas nações mais ricas envolvem apenas a mitigação das emissões de gases estufa. “Quando o assunto é adaptação, a coisa muda de figura. E uma cooperação que vise somente a mitigação e deixe de fora a adaptação é muito incompleta”, afirmou.

A adaptação envolve gastos com planejamento e infra-estrutura para preparar o país para as alterações no clima. “No Rio de Janeiro, por exemplo, um aumento do nível do mar pode significar a realocação de 500 mil pessoas. E isso não tem sido pensado por países como o Brasil”, disse Nobre.

Como uma das soluções, Emílio La Rovere, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aponta a criação de mecanismos para fazer fluir incentivos econômicos dos países do hemisfério Norte para os do Sul. “Não adianta falar, por exemplo, que o transporte público de massa trará benefício local e que, por isso, deve receber investimentos locais. Se não tivermos dinheiro isso simplesmente não será feito”, disse.

La Rovere também destaca a necessidade de repensar o protocolo de Kyoto, no sentido de conter também as emissões de países como Índia e China, que crescem a níveis preocupantes.

Importância de Kyoto
Jacques Marcovitch, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e ex-reitor da Universidade de São Paulo, comparou as atuais conferências internacionais sobre mudanças climáticas ao problema dos gases CFC na década de 1980, que foram banidos do setor industrial por destruírem a camada de ozônio.

Segundo ele, nos dois casos, céticos tentaram tirar a credibilidade do sistema adotado e apresentar o problema como um mito. “Em 2012, quando o prazo do protocolo chegar ao fim, poderemos medir realmente as mudanças”, apontou.

No entanto, entre os participantes da mesa-redonda houve divergência quanto ao protocolo de Kyoto atingir o mesmo sucesso do caso dos CFCs. “Foi um episódio bem diferente. Na época, já havia um produto para substituir os CFCs e pronto para ir para a prateleira. A solução agora é bem mais complicada”, disse José Eli da Veiga, também professor da FEA-USP.

Para ele, a luta contra as emissões só é comparável ao fim da escravidão, que causou um forte impacto na economia mundial. Também quanto à eficácia, apontou que o protocolo de Kyoto tem mostrado que pode ficar bem atrás dos resultados dos acordos pela camada de ozônio. “De 2006 a 2007, as emissões de gases estufa, que deveriam diminuir, cresceram 3%”, completou Viola, da UnB.

O cientista político Sérgio Abranches, do Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, criticou a estrutura montada para as conferências do clima. “A forma adotada de assembléia geral exige unanimidade nas decisões, pois cada voto tem poder de veto. Com isso, é impossível costurar grandes acordos”, disse. Segundo ele, a participação mundial na questão do clima é fundamental.

Sem isso, fenômenos como a migração de indústrias sujas para países com legislação mais branda tornam qualquer acordo climático inócuo. Pois, como lembrou Carlos Nobre, “o lugar onde os gases estufa são emitidos não será necessariamente o mesmo que sofrerá os seus efeitos”.

Fonte: Fábio Reynol, de Campinas / Agência FAPESP

Infra-estrutura em rede opera robôs à distância

Laboratórios remotos
Pesquisadores de diversas instituições brasileiras desenvolveram e testaram uma infra-estrutura de rede para laboratórios que permite a operação de robôs a distância e a execução remota de experimentos sofisticados por meio da internet. O projeto, segundo os autores, poderá se transformar em uma importante ferramenta para o ensino de robótica.

O projeto do WebLab de robótica móvel foi realizado no âmbito do projeto Laboratório de Acesso Remoto (REALabs), que tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa e reúne pesquisadores do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

De acordo com Eliane Guimarães, da Divisão de Robótica e Visão Computacional do CTI, o WebLab permite a execução remota de experimentos como mapeamento do ambiente e navegação por visão, sonar ou laser e navegação e localização simultâneas, além de outros experimentos robóticos.

“Utilizando uma série de serviços, acessíveis a partir da linguagem de programação Java e que permitem monitorar e atuar sobre os robôs, os alunos podem desenvolver uma vasta gama de experimentos em robótica móvel e avaliá-los em ambientes simulados antes de colocá-los em ação”, disse Eliane.

Pesquisadores de instituições localizadas em outras cidades podem fazer experimentos com robôs móveis, interagindo e acessando dados coletados por eles. Segundo ela, uma vez que os algoritmos são validados em ambiente simulado, os alunos podem submetê-los para execução no ambiente real propiciado pelo WebLab.

“A execução do algoritmo é acompanhada por interface de teleoperação que permite ao aluno visualizar o experimento por meio de vídeo em tempo real, além de operar manualmente o equipamento, caso necessário. A utilidade didática é muito grande”, afirmou Eliane.

O REALabs tem o objetivo de desenvolver uma federação de WebLabs sobre a rede KyaTera – projeto cooperativo da FAPESP para o estudo de tecnologias da internet avançada apoiado por uma rede de fibras ópticas que interliga os laboratórios participantes, ligado ao Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia).

“Desde 1997 alguns participantes do projeto têm desenvolvido infra-estruturas de software para WebLabs de forma independente. O objetivo do REALabs é integrar esses esforços utilizando a rede KyaTera”, disse.

Demonstração prática
Eleri Cardozo, professor titular da Feec, conta que o WebLab de robótica móvel foi testado em julho, durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Campinas (SP).

“No estande do CTI foi montado um ambiente de navegação para robôs móveis e ali foram dispostas duas câmeras panorâmicas de alta resolução, com infra-estrutura de rede composta de ponto de acesso sem fio, servidor e roteador. O ambiente incluía tamtém dois robôs móveis equipados com câmeras de bordo, sonares e sensor a laser. O acesso do WebLab foi feito a partir dos estandes do CTI e da FAPESP”, disse Cardozo.

Utilizando as câmeras disponíveis no ambiente e nos robôs, os alunos puderam obter imagens e gravar vídeo para fins de documentação do experimento.

“O WebLab permite ainda o acesso em grupo, disponibilizando, para esses casos, uma interface de chat e passagem de permissão para controle de concorrência no acesso aos equipamentos”, disse o pesquisador.

Segundo ele, o experimento apresentado na reunião da SBPC foi uma demonstração da versão atual dos WebLabs que vêm sendo desenvolvidos desde 1997. “Nesse caso, usamos bastante as tecnologias de internet, de forma que o navegador do usuário tem um papel importante para o acesso. O WebLab de robótica móvel foi testado pela primeira vez na rede KyaTera”, contou.

Cardozo explicou que os experimentos podem rodar em três locais: embarcado no robô, em um servidor do WebLab ou no próprio terminal remoto do usuário. No primeiro caso, o algoritmo do usuário é transferido para o robô e executado no seu processador de bordo. O tráfego seria limitado ao acompanhamento, por meio das câmeras, de alguns resultados que o computador transfere ao experimento.

No segundo caso, com o experimento rodando no servidor, há um tráfego intenso de telemetria dentro do laboratório e a interação com o servidor a partir do terminal do usuário se reduz ao acompanhamento.

“No terceiro caso, toda a telemetria de controle – isto é, tudo o que pode ser obtido do ambiente – precisa fluir entre o terminal remoto do usuário e o WebLab. Nesse aspecto, a rede de alto desempenho é fundamental, porque o experimento se dá em tempo real e não tolera atrasos”, disse.

O grupo de Cardozo prioriza a construção de WebLabs cuja interface de controle esteja conectada a um computador que se comporte como um servidor web. “Com isso, não usamos nada de proprietário. O usuário precisa apenas do navegador ou de uma aplicação em Java ou outra linguagem que permita essas interações com o servidor web”, disse.

Acesso pela internet
Ao acessar um laboratório localizado em outra cidade, o usuário capta imagens do ambiente em que estão os robôs e é capaz de interagir com eles. Segundo Cardozo, isso faz dos robôs equipamentos interessantes para esse tipo de experimento.

“Os robôs capturam informações e interagem com o ambiente de maneira muito rica. Os que utilizamos têm uma câmera embarcada que pode ser movimentada remotamente. Contam também com sonares, sensores de ultra-som que permitem determinar um obstáculo em proximidade. E são equipados com medidores de distância a laser capazes de fazer varredura em 180 graus e cuja precisão permite estimar o formato dos obstáculos. Os robôs possuem ainda uma rede de comunicação sem fio e uma série de sensores, como bússolas, GPS e giroscópios”, explicou.

A infra-estrutura dos WebLabs permite tarefas comuns a todos eles, de acordo com Cardozo. “A gerência de usuários, o cadastramento, a disponibilização do equipamento por um determinado tempo, a submissão de experimentos para o equipamento e os protocolos de segurança são comuns, independentemente do domínio de aplicação”, disse.

O acesso ao equipamento é feito por uma página da web, segundo Cardozo, e isso permite eliminar os problemas com firewalls. “Usamos protocolos da web e o equipamento acessado exatamente como uma página. Ele pode também apresentar o acesso à telemetria em um formato XML, bastante popular nas aplicações web. O controle é similar ao que se usa quando se preenche um formulário na internet. Com isso é possível que sua aplicação possa rodar dentro de um navegador. É um modelo muito flexível”, afirmou.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Sem estruturas produtivas e sociais será difícil defender a Amazônia, afirma Mangabeira Unger

O ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos e coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS), Mangabeira Unger, afirmou no último dia 31, que sem estruturas produtivas e sociais organizadas, a Amazônia será um imenso vazio difícil de ser defendido.

"Toda a Amazônia brasileira hoje é um caldeirão de insegurança jurídica. Ninguém sabe quem tem o quê. Para tirar a Amazônia dessa situação, precisamos equipar as organizações que fazem a regularização fundiária na região, simplificar as leis sobre a propriedade da terra e organizar o que diz respeito às propriedades da União. Se os 25 milhões de brasileiros que moram na Amazônia legal não tiverem oportunidades econômicas legítimas, eles passarão a atuar em atividades que devastarão a floresta e a questão ambiental passará a ser um caso de polícia", disse.

O ministro conheceu hoje as atividades desenvolvidas pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e se reuniu com oficiais generais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica que atuam na região.

Mangaberia Unger ressaltou a relação existente entre a preservação, o desenvolvimento e a defesa da região, e defendeu a necessidade de assegurar aos produtores locais alternativas satisfatórias de trabalho, em conformidade com o bem-estar ambiental.

Na reunião com os oficiais das três Forças Armadas, no Comando Militar da Amazônia (CMA), o ministro revelou que foram debatidos o monitoramento, a mobilidade para circulação na região (terrestre, aérea e fluvial) e o potencial de combate para defesa da Amazônia.

"O monitoramento da Amazônia não é um comércio, é uma necessidade. Não podemos ficar na dependência da tecnologia estrangeira. Temos que ter nossos próprios equipamentos e satélites e integrar os diferentes sistemas de monitoramento existentes no país", disse o ministro.

De acordo com Mangabeira Unger, até o dia 7 de setembro, ele e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, irão apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um conjunto de propostas relacionadas à defesa da Amazônia.

O ministro Nelson Jobim é presidente do Comitê Interministerial de Formulação da Estratégia Nacional de Defesa e Mangabeira Unger é o coordenador do comitê.

"Certamente, esse trabalho terá que se desdobrar em iniciativas subseqüentes. É a primeira vez na história de nosso país que a Amazônia ocupa o foco da atenção brasileira e não está sendo vista como retaguarda e sim como vanguarda. A Amazônia não é um problema e sim uma oportunidade e um desafio para repensarmos a nossa estratégia de defesa. Significa estar pronto para desempenhar as responsabilidades de defesa numa série de hipóteses de emprego da força armada e, num caso extremo, se necessário, ter o potencial de conduzir uma guerra de resistência nacional", afirmou.

O comandante do militar da Amazônia, general Augusto Heleno Pereira, disse que o encontro do ministro Mangabeira Unger com os oficiais generais representou uma reunião histórica.

Ele disse que o Brasil precisa "acordar" para o problema da soberania da Amazônia. O general defendeu a participação de instituições de ensino e pesquisa para conscientizar que a Amazônia precisa de cuidados especiais no que diz respeito à sua preservação.

"As possibilidades de defesa da região amazônica devem ser trazidas para uma discussão nacional ampla e com a participação da sociedade. É uma aspiração nossa que o assunto defesa seja tratado não só pelos militares, mas pela sociedade brasileira. Precisamos que essa discussão saia do âmbito militar e seja tratado no âmbito acadêmico e entre os formadores de opinião, por exemplo. Esse não é um problema que interessa só aos militares, mas à sociedade brasileira", destacou o general Heleno.

Fonte: Amanda Mota / Agência Brasil

PPBio tem estrutura ampliada

Criado em 2004 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) está desenvolvendo um sistema integrado de informação sobre biodiversidade, para facilitar a gestão do patrimônio natural e fortalecer ações de pesquisas que apóiem o desenvolvimento sustentável dos biomas brasileiros. Na Amazônia Oriental, o programa é articulado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).

Por intermédio do MPEG, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá, a Universidade do Estado do Maranhão, a Universidade do Estado de Mato Grosso e a Embrapa Amazônia Oriental receberão este mês equipamentos de informática, GPS, desumificadores de ar, medidores de oxigênio e PH, paquímetro, dinamômetro, entre outros.

O Programa de Pesquisa em Biodiversidade está estruturado em três componentes: Coleções , Inventários e Projetos Temáticos. Segundo o MPEG, um de seus principais objetivos é a formação de uma rede de pesquisa para a geração de dados que permitam avaliar a riqueza, a diversidade local e a compreensão dos processos que influenciam a distribuição das espécies na Floresta Amazônica.

Com um modelo descentralizado de gestão, o programa estabeleceu Núcleos Regionais (NR) de pesquisa em todos os estados da Amazônia Oriental, com sítios de pesquisa associados. Esses NRs agregam grupos de pesquisa que replicam, por sua vez, protocolos padronizados de coleta em todos os sítios escolhidos.

Na porção oriental da Amazônia, existem quatro NRs implantados, no Pará, Amapá, Maranhão e Mato Grosso. Os sítios escolhidos para desenvolvimento dos trabalhos de coleta de dados são as florestas Nacionais de Caxiuanã (PA), Nacional do Amapá (AP), a Reserva Biológica do Gurupi (MA) e o Parque Nacional Juruena (MT).

Mais informações: marte.museu-goeldi.br/ppbio

Fonte: Agência FAPESP

US$1 bilhão para o fundo mundial para Amazônia, diz BNDES

O Fundo da Amazônia, criado nesta no dia 1°, por meio de um decreto assinado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, terá cerca de 1 bilhão de dólares em recursos em seu primeiro ano, informou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na quinta-feira (31).

O primeiro aporte do fundo ocorrerá no mês de setembro e será feito pela Noruega, em coroas norueguesas, totalizando aproximadamente 100 milhões de dólares.

"Pode ser um pouco menos ou um pouco mais", disse o chefe do Departamento de Meio Ambiente e Responsabilidade Social do BNDES, Eduardo Bandeira de Mello, a jornalistas nesta quinta-feira.

O fundo vai financiar basicamente quatro ações ligadas a atividades alternativas de desenvolvimento, conservação de florestas, inovação científica voltada para o melhor aproveitamento do meio ambiente e capacitação de órgãos para preservar a Amazônia.

A previsão do banco é que no primeiro ano a captação atinja 1 bilhão de dólares. E a estimativa é que o Fundo da Amazônia possa receber ao menos 21 bilhões de dólares até 2021.

"Será uma doação voluntária que não prevê nenhum incentivo ou contrapartida", afirmou. "A cada ano, o orçamento previsto para o Fundo será revisto. Quanto maior a redução do desmatamento, maior será a chance de captação de recursos."

Ele destacou que os cálculos de captação de doações são feitos com base em números calculados pelo Ministério do Meio Ambiente sobre o desmatamento na média dos dez anos anteriores.

O BNDES será gestor e administrador dos recursos e coube ao Ministério do Meio Ambiente a captação inicial.

"O Ministério do Meio Ambiente confiou ao BNDES essa missão em razão da nossa credibilidade e da nossa estrutura bancária. Projeto a projeto, a decisão caberá ao BNDES (selecionar o projeto que receberá apoio)", afirmou o executivo.

Segundo ele, foi criado também um Comitê Orientador para receber os projetos e pedidos de apoio financeiro.

"Esse é um mercado voluntário para ajudar o Brasil no esforço de evitar o desmatamento. Dele podem participar empresas, ONGs e países de todo mundo", acrescentou o executivo.

Ele prometeu celeridade do Banco na liberação dos recursos para evitar o avanço do desmatamento na Amazônia. (Estadão Online)

Veja a íntegra do DECRETO Nº 6.527, DE 1º DE AGOSTO DE 2008.

Fonte: Ambiente Brasil

Nova família do bacilo da tuberculose é identificada

Pesquisadores da UFRJ, em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fiocruz, e a Universidade Cornell, em Nova Iorque, identificaram uma nova família do Mycobacterium tuberculosis, agente causador da tuberculose. Iniciada em 2002, a pesquisa analisou cerca de 400 culturas deste bacilo.

Luiz Lazzarini, professor de Pneumologia da Unidade de Pesquisa em Tuberculose do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da UFRJ, explicou ao Olhar Vital sobre o trabalho desenvolvido. “Existem vários tipos de bacilos, cada um com suas particularidades. Para facilitar a investigação, eles são agrupados em famílias, para que se possa identificar algumas características próprias e observar se há alguma particularidade maior nas denominadas famílias do Mycobacterium tuberculosis”, relata o professor.

A pesquisa
O primeiro passo da pesquisa foi a percepção da ausência de pedaços dos genes no bacilo. “Os estudos começaram no Rio de Janeiro, quando detectamos que havia um determinado grupo das bactérias e que faltava um pedaço desse grupo, ao avaliarmos pelo método genético. O bacilo pode perder pedaços dos seus genes, isso faz parte da dinâmica normal da bactéria. Então fomos investigar a perda do pedaço desse gene, e descobrimos que não era pequena. Percebemos que o pedaço que ele perdeu é o maior já descrito sobre uma bactéria na literatura de Microbiologia”, explica Lazzarini.

A bactéria recebeu o nome de RDRIO. “RD significa Região de Deleição, o que faz alusão à perda do gene, e RIO por ter sido descoberta no Rio de Janeiro”, esclarece Luiz.

Segundo o professor, apesar da perda de um grande pedaço do gene, que normalmente é ruim para a bactéria, aparentemente o RDRIO levou uma vantagem. “Fomos estudar o que estava dentro do pedaço que foi perdido, pois indícios apontavam que poderia ser algo importante. Era necessário saber o quão freqüente a bactéria está por aí”, lembrou Lazzarini.

Pacientes do HUCFF foram acompanhados durante os estudos. “Percebemos que um em cada três pacientes, nas áreas mais diversas do Rio de Janeiro, estava infectado por essa bactéria. No início pensávamos que a bactéria era apenas uma descoberta, mas vimos que era muito freqüente. Nenhuma outra família de bactérias tuberculosas é tão freqüente quanto a que encontramos”, observa o pesquisador.

O próximo passo foi investigar se esse índice era característico apenas do Rio de Janeiro, ou se o RDRIO estava presente também em outras localidades. “Testamos amostras de culturas de bactérias tuberculosas por todo o Brasil, e percebemos que esta bactéria estava presente no país inteiro. Depois, começamos a ver em outros países, continentes, até concluirmos que ela se apresenta em todo o globo terrestre. Encontramos a bactéria na América do Norte, América Central, América do Sul, Europa, África e Ásia. Não achamos na Oceania, mas não testamos lá. Porém, existem dados indiretos que indicam que a bactéria também está presente na Oceania. Algo que me chamou atenção foi que essa bactéria não é rara, pelo contrário, ela aparentemente é muito importante para a epidemia global de tuberculose”, explica Lazzarini.

Foram realizados estudos tanto no Rio de Janeiro quanto em Belo Horizonte, e ambos mostraram que pacientes infectados por esta bactéria tinham mais cavitação no pulmão. “A cavitação é um buraco aberto no pulmão, e uma estratégia que a bactéria utiliza para se proliferar. Então, em quem possui cavitações, crescem mais bactérias que são transmitidas mais facilmente. Ou seja, para a bactéria, fazer cavitação no pulmão é uma vantagem. No estudo do Rio de Janeiro, achamos ainda outras características, como mais febre e emagrecimento, o que não apareceu no de Minas Gerais. De forma geral, constatou-se que a clínica do paciente infectado por essa bactéria é diferente, forma-se um quadro mais grave”, esclarece o professor.

"Posteriormente, foi feito um estudo em Nova York, reproduzindo estes achados. Lá eram quase dez por cento de infecções causadas pelo RDRIO. Isto também chama a atenção, já que os Estados Unidos recebem fluxo de vários países, inclusive da região da Ásia. Não esperávamos, uma vez que dez por cento é uma porcentagem bem alta. E lá, também achamos a característica de mais cavitação nos pulmões" afirma o pesquisador.

Fácil proliferação
Embora tenha perdido um pedaço grande de seu gene, aparentemente o RDRIO causa uma doença que se transmite mais. Por isso, ele está se espalhando pelo mundo. De acordo com Lazzarini, o que ainda não foi constatado é uma diferença em relação ao tratamento. Sendo assim, a infecção pelo RDRIO é tratada de uma maneira similar a de infecções por outras bactérias.

Segundo o professor, existem alguns indícios de que, ao perder esse pedaço de gene, o bacilo se tornou mais escondido do sistema imunológico do ser humano. Ele constata que este pode ser um dos mecanismos pelo qual o RDRIO está se espalhando tanto. “Ele deixou de ser muito identificado, esta é uma das hipóteses que estamos elaborando. Não está confirmada, necessita de mais estudos, mas aparentemente o bacilo aprendeu, ao perder esse gene, a se esconder melhor”, afirma Luiz.

De acordo com o pesquisador, a estratégia da bactéria para se espalhar não foi ser resistente ao antibiótico, mas transmitir-se mais facilmente. “Isto abre perspectiva de descoberta de novas drogas e de novas medicinas. Os passos seguintes serão avaliar esses genes que foram perdidos e de que maneira isso ajudou o bacilo a sobreviver”, relata Luiz. (Cília Monteiro / Olhar Vital)

Fonte: UFRJ

Estudante brasileiro ganha medalha de prata na Olimpíada Internacional de Física - IPhO

Conquistas inéditas na Olimpíada Internacional de Física

Guilherme Victal Alves da Costa, de 16 anos, aluno do terceiro ano do ensino médio no Colégio Objetivo, em São Paulo, conseguiu um feito inédito na Olimpíada Internacional de Física (IPhO, na sigla em inglês). Ele foi o ganhador da primeira medalha de prata de um estudante brasileiro na competição.

A 39ª edição da IPhO ocorreu em Hanói, capital do Vietnã, de 21 a 29 de julho. Até então, o melhor desempenho de estudantes brasileiros havia sido a conquista da medalha de bronze, no ano passado.

O Brasil participa da competição desde 2000 por iniciativa da Sociedade Brasileira de Física. Os alunos são selecionados na Olimpíada Brasileira de Física (OBF). Outros estudantes brasileiros também tiveram êxito em 2008: dos cinco que foram ao Vietnã, quatro tiveram seu desempenho reconhecido.

O paranaense Alex Atsushi Takeda, do Colégio Universitário, de Londrina, ganhou medalha de bronze, enquanto André Gentil Guerra Agostinho, do Colégio Gênese, no Recife, e Rafael Parpinel Carvina, do Colégio Objetivo, de São Paulo, foram reconhecidos com menções honrosas. Também representou o país o paulistano Vitor Mori, do Colégio Etapa.

A equipe brasileira foi chefiada pelo professor Euclydes Marega Júnior, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), que também coordenou os trabalhos de preparação dos estudantes.

Participaram da 39ª Olimpíada Internacional de Física cerca de 400 alunos do ensino médio, de 90 países. A medalha de ouro foi entregue a 46 estudantes, 47 ganharam prata e 78 bronze. O diploma de menção honrosa foi atribuído a 87 participantes.

O Brasil teve ainda o melhor desempenho entre os países da América Latina. Em seguida veio Cuba, com uma medalha de bronze. Dois estudantes argentinos, dois colombianos e um mexicano também ganharam menção honrosa. Mais informações sobre a competição:
http://ipho2008.hnue.edu.vn

OBF 2008
Termina na quarta-feira (6/8) o prazo para as inscrições das escolas de todo o país que desejarem participar da Olimpíada Brasileira de Física 2008.

Depois de credenciada, a escola poderá inscrever quantos alunos quiser. Podem participar alunos do último ano do ensino fundamental e das três séries do ensino médio. A prova da primeira fase da OBF será realizada no dia 16 de agosto.

As inscrições podem ser feitas pelo endereço:
www.sbfisica.org.br/olimpiadas

Fonte: Agência FAPESP

10th International Workshop Separation Phenomena in Liquids Gases


O 10th International Workshop Separation Phenomena in Liquids Gases será realizado em Angra dos Reis, de 11 a 14 de agosto, com a presença de pesquisadores de diversos países.

Durante o encontro serão discutidos aspectos teóricos e experimentais do fenômeno de separação em gases líquidos e assuntos relacionados, tais como métodos químicos, eletromagnéticos, por plasma, a laser e novos métodos prospectivos.

No primeiro dia haverá homenagem ao físico austríaco Gernot Zippe, que morreu em maio aos 89 anos e foi o criador da centrífuga Zippe, usada para lidar com isótopos de urânio.

Serão realizadas sete sessões técnicas, cada uma composta por três ou quatro palestras.

O workshop é promovido pelo Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) e tem apoio da FAPESP, na modalidade Auxílio a Organização de Reunião Científica e/ou Tecnológica, e do CNPq.

Mais informações: www.ieav.cta.br/SPLG2008

Em 1922 ocorria a transmissão da primeira peça radiofônica

M: – Jack! Jack, o que está acontecendo?
J: – As lâmpadas se apagaram
M: – Onde você está?
J: – Aqui!
M: – Onde? Não consigo te achar!
Mary e Jack estão soterrados numa mina de carvão.
M: – Por que as lâmpadas se apagaram de repente?
J: – Sei lá! Com certeza vão acender de novo.
M: – Você acha?

Danger (Perigo) é o nome dessa peça radiofônica de Richard Hughes, levada ao ar, pela primeira vez, em janeiro de 1924, em Londres. O rádio estava apenas engatinhando, mas já se havia descoberto o potencial dramático dessa nova mídia.

Disputa pelo pioneirismo
Há uma controvérsia sobre qual foi de fato a primeira peça radiofônica da história. Uns dizem que foi O Lobo, transmitida no dia 3 de agosto de 1922, nos Estados Unidos. Outros consideram que foi Perigo, peça da qual foram realizadas, posteriormente, várias novas produções.

O jovem casal Mary e Jack e o velho Bax estão numa velha mina, semi-soterrados:

M: Isto é água! A mina está sendo inundada, vamos morrer afogados! Jack!
B: Queria ter tanta fé em Deus como esses mineiros. Droga, assim seria mais fácil morrer.
M: Jack, Jack, não! Não, não quero morrer. Não quero! Não quero! Não quero!
B: Precisamos todos acreditar, minha jovem!

Quando Perigo foi levada ao ar pela primeira vez, em 1924, os atores falavam ao vivo, no estúdio da rádio, vestindo inclusive figurinos. Na época, não existia gravação. Logo as peças radiofônicas alcançaram enorme popularidade.

No fim da década de 30 tornaram-se uma nova forma de entretenimento. Artistas de renome, como o alemão Bertolt Brecht, escreveram obras especialmente para o rádio. Os temas prediletos, ao lado de adaptações de livros famosos, eram as histórias dramáticas, como a da peça Perigo.

(Um estrondo.)

M: Jack!
J: Meu Deus, Mary!
M: Jack, Jack, o que foi?
(Estrondo, ruído de desabamento, tosse.)
M: A poeira, estou com falta de ar. Não posso mais respirar. Jack!
J: Pare de berrar. Como é que você pode respirar se fica berrando?
M: Jack!
J: Agüente, Mary. Não aconteceu nada. Ninguém ficou ferido.

Entre literatura e teatro
Nas décadas de 40 e 50, a peça radiofônica amadureceu como gênero artístico. Foi o período áureo das novelas de rádio brasileiras, por exemplo. A dramaturgia era tradicional, a linguagem radiofônica não se distanciava da literatura nem do teatro.

A revolução estética ocorreu em meados da década de 60, com o surgimento das peças de rádio experimentais, não mais baseadas numa estrutura linear de narração. O rádio deixou de contar estórias e começou a explorar o potencial dramático da reprodução sonora.

Na Alemanha, o chamado "Hörspiel" (tradução literal: peça para ser ouvida) abriu um novo campo de experiências, ligadas à música eletrônica que surgiu na década de 50, desenvolvendo-se paralelamente ao gênero dramático.

O conceito de "arte acústica" define hoje a convergência de diversas tendências, que têm em comum o fato de estarem explorando as possibilidades artísticas e dramáticas do som e voz falada. Por exemplo: as paisagens sonoras (soundscapes), a ecologia sonora, a poesia acústica (e radiofônica), as instalações sonoras, música concreta e eletrônica.

Narrativas emocionantes são padrão
Ao lado de todas essas novas tendências, o rádio continua criando peças mais tradicionais, que contam estórias narrativas e provocam emoções, como o medo, alegria, saudade, tristeza, enfim, tudo o que a imaginação radiofônica foi capaz de suscitar no ouvinte, desde a década de 20.

J: Alguém está batendo!
(Batidas.)
M: A água já chegou até a minha cintura, Jack!
J: Estamos aqui! Aqui! Aqui em baixo. Vão nos salvar, talvez.
B: Socorro! Depressa, seus desgraçados. Vai, depressa, estamos nos afogando! Depressa, depressa!!
(Abre-se uma saída.)
M: Conseguimos.
Resgatadores: Segurem a corda aí em baixo.
B: Segurem!
(Os resgatadores puxam Mary e Jack para cima.)
Resgatadores: Agora o terceiro. Segurem aí em baixo!
(Silêncio.)
J: Bax! Bax! ... Bax?

Fonte: Gábor Halász / DW

2º Simpósio Internacional em Educação e Filosofia

O 2º Simpósio Internacional em Educação e Filosofia, com o tema “Experiência, Educação e Contemporaneidade”, será realizado em Marília (SP), de 25 a 29 de agosto.

O evento destina-se à comunidade científica (profissionais, docentes e alunos de graduação e de pós-graduação) interessados na temática a ser abordada e, particularmente, em discutir as relações entre educação e filosofia.

No primeiro dia será realizado o minicurso “O problema da experiência na filosofia de Dewey e Foucault”, com Jim Garrison, da Virginia Tech, Estados Unidos.

A sessão de abertura “La dignidad de un acontecimiento. Acerca de una pedagogía de la despedida” ficará a cargo de Fernando Bárcena Orbe, do Departamento de Teoria e História da Educação da Universidade Complutense de Madri, Espanha.

O simpósio é organizado pelo Grupo de Estudo e Pesquisa Educação e Filosofia (Gepef) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A programação completa do evento, que tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Organização de Reunião Científica e/ou Tecnológica, e mais informações estão disponíveis em www.gepef.pro.br/evento.htm

Fonte: Agência FAPESP