terça-feira, 29 de julho de 2008

1ª Reunião da Rede Ibero-Americana de Biofabricação: Materiais, Processos e Simulação - BioFab

Especialistas em biofabricação se reúnem no CTI Renato Archer
O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCT) realiza, até a próxima sexta-feira (1), em cooperação com o Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (Cyted), a 1ª Reunião da Rede Ibero-Americana de Biofabricação: Materiais, Processos e Simulação (BioFab).

A Biofab tem por objetivo desenvolver e compartilhar pesquisas para a criação de materiais substitutos biológicos – como tecidos, órgãos e ossos – para serem usados em procedimentos médicos, como cirurgias reconstrutivas e implantes.

O grupo é composto por especialistas do Brasil, Argentina, Portugal, Espanha, México, Cuba e Venezuela. As pesquisas envolvem os meios diretos de produção destes materiais, entre os quais a prototipagem rápida, campo de estudo conhecido como Medicina Regenerativa. Na Biofab são realizados estudos com células retiradas do paciente, que são cultivadas in vitro e depositadas sobre matrizes de suporte porosos produzidos em materiais biodegradáveis e biocompatíveis.

Nesta quarta-feira (30) e quinta-feira (31) também será realizado um workshop sobre o tema. Entre os assuntos abordados, constará a importância do software InVesalius no processo de biofabricação.

Veja aqui mais informações. (Assessoria de Imprensa do CenPRA)

Fonte: Agência CT

Bug Agentes Biológicos conquista mercados com vespinhas e traças para controle biológico de pragas

Já são vários imóveis distribuídos pelo Estado de São Paulo, de aparência bem comum. Nem se sabe que em dois deles, num bairro residencial de Piracicaba, 129 mil larvas da mariposa Diatraea saccharalis são condenadas à morte todos os dias. Uma a uma, elas são expostas, sem dó, à sua maior inimiga natural — a vespinha Cotesia flavipes — por 72 funcionárias da Bug Agentes Biológicos, empresa especializada em produzir insetos para combater pragas em lavouras de cana-de-açúcar, milho, tomate e outras culturas.

Conhecidas como broca-da-cana-de-açúcar, as larvas da D. saccharalis são responsáveis pela podridão vermelha, doença que atinge os canaviais e traz grandes prejuízos aos produtores de açúcar e álcool. Ao expô-las à C. flavipes, a Bug consegue obter milhares de novas vespinhas, que são então vendidas aos plantadores de cana.

Em outras duas unidades, uma na zona rural de Piracicaba e outra em Saltinho, a empresa produz diariamente, por método semelhante, dez quilos de ovos da traça Anagasta kuehniella. Por quilo desses ovos obtêm-se 360 milhões de vespinhas Trichogramma spp, outra inimiga das pragas que atacam plantações de diversas culturas: elas combatem a própria broca-da-cana, a lagarta-do-cartucho ou a lagarta-da-espiga. Trinta por cento dessa produção é exportada para sete países da Europa: Suíça, Espanha, França, Dinamarca, Grã-Bretanha, Itália e Bélgica. Com 120 funcionários ao todo, a Bug faturou R$ 1,5 milhões em 2007.

O começo
A Bug nasceu em 1999, em Piracicaba, dentro da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). A iniciativa de criá-la foi dos engenheiros agrônomos Danilo Scacalossi Pedrazzoli e Diogo Rodrigues Carvalho, na época alunos de mestrado sob orientação do professor José Roberto Postali Parra. A empresa recebeu o nome de CP2 Ltda-ME, de Carvalho e Pedrazzoli, que é razão social da Bug. "Escolhemos o nome fantasia Bug porque essa palavra em inglês significa inseto", conta Carvalho. "Também porque era um nome mundialmente conhecido na época, por causa do famoso 'bug do milênio', que atingiria todos os computadores do planeta. Outra razão foi para nos diferenciar das empresas 'bio' do Brasil, como Biocontrole, Biocontrol, Biocana, Bioagri, Bioagro, Bioresult; e do exterior, como Biocont! rol, Biotop, Bio Bee."

A empresa surgiu para aproveitar uma oportunidade de negócio gerada por um trabalho da Esalq em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), que é uma associação de citricultores e indústrias processadoras de frutas cítricas, a Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo (Coopercitrus) e a Universidade da Califórnia em Davis (UCDavis), dos Estados Unidos. Durante a pesquisa, essas instituições conseguiram sintetizar o feromônio (uma substância química que os insetos liberam para se comunicar ou para a fêmea atrair o macho) do bicho-furão-dos-citros (Ecdytolopha aurantiana), praga cuja lagarta ataca os frutos de plantas cítricas, como os laranjais.

Quando uma empresa do Japão industrializou o produto em forma de pastilha, os dois agrônomos enxergaram uma chance de ganhar dinheiro e fundaram a Bug. O primeiro objetivo da empresa foi produzir armadilhas para o bicho-furão-dos-citros usando as pastilhas japonesas como isca. Essas armadilhas são pequenas caixas vazadas — como se fossem tubos, só que no formato triangular — com as paredes internas untadas de cola, onde o inseto fica grudado. Várias dessas armadilhas são espalhadas pela plantação, cada uma com uma pastilha em seu interior. "Mas elas não servem para controlar a praga", explica Carvalho. "Sua função é apenas monitorar o nível de infestação do bicho-furão-dos-citros. Se o número médio de insetos por armadilha chega a oito, o produtor sabe que está na hora de usar! inseticida. Esse método racionaliza o uso do veneno."

O PIPE
Em 2001, os dois sócios resolveram ampliar a atuação da empresa e solicitaram um financiamento ao PIPE — o programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que apóia as pequenas inovadoras. O projeto "Criação massal e comercialização de Trichogramma spp e Cotesia flavipes para o controle de pragas agrícolas" foi aprovado para a Fase I do programa, desenvolvida durante o primeiro semestre de 2001. Os R$ 72.147,44 liberados pela Fapesp foram fundamentais para a Bug se firmar. "Com esse dinheiro compramos equipamentos permanentes, como estufa, câmara climatizada, autoclaves, geladeira, frízer e liquidificador industrial", conta Carvalho. "Além disso, serviu para que adquiríssemos material de consumo para seis meses, como dieta para as lagartas ! e frasquinhos."

Demonstrada a viabilidade econômica do projeto durante a Fase I, a empresa solicitou financiamento para a Fase II. De novo o pedido foi aprovado, dessa vez no valor de R$ 243.951,01. Essa fase durou dois anos, entre o segundo semestre de 2001 e o primeiro de 2003, e objetivou colocar o produto no mercado. "Na verdade, já vendíamos as Cotesias e Trichogrammas, mas queríamos expandir o negócio", diz Carvalho. Depois, a empresa recebeu ainda financiamento da Fase III do PIPE, no valor de R$ 468.674,60. Essa fase também durou dois anos, entre 2004 e 2005. O dinheiro serviu para aumentar a produção e expandir a empresa.

Em agosto de 2006, a Bug pediu financiamento para um segundo projeto, intitulado "Criação massal e comercialização dos parasitóides de ovos Trissolcus basalis e Telenomus podisi para o controle de percevejos da soja". Aprovado no início de 2007 diretamente para a Fase II do programa, o projeto deverá estender-se até o final de 2008. A Fapesp liberou R$ 399.660,00, dinheiro que está sendo utilizado para pesquisa e aumento de escala na produção desses inimigos naturais dos percevejos da soja. "Ainda não produzimos esses parasitóides comercialmente", diz Pedrazzoli. "Estamos acabando de adaptar a tecnologia que desenvolvemos em escala laboratorial para um processo industrial."

Estratégia de sucesso
A Bug repete assim a estratégia de sucesso que a transformou em uma das maiores produtoras brasileiras de insetos para controle biológico de pragas. Para chegar a essa posição, a empresa não precisou inventar nenhuma tecnologia — apenas se aproveitou de um conhecimento milenar. Apesar de só agora estar ganhando importância no Brasil, o controle biológico de pragas é mais antigo do que se imagina. Esse método era conhecido dos chineses, que já usavam formigas para controlar pragas de citros no século III a.C.

Na Idade Moderna, o uso de inimigos naturais teve seu marco em 1888, quando os norte-americanos adotaram a joaninha-australiana (Rodolia cardinalis) para combater o pulgão-branco-dos-citros (Icerya purchasi). "Foi o primeiro grande sucesso do controle biológico, que se tornou um exemplo clássico na literatura sobre o assunto", diz o engenheiro agrônomo Wilson Carlos Pazini, da Faculdade de Ciências Agrárias do campus de Jaboticabal da Universidade Estadual Paulista (Unesp). "Dois anos após a liberação da joaninha, o pulgão estava controlado." No caso da Bug, o que a empresa fez foi aperfeiçoar técnicas e equipamentos de criação e a dieta para os insetos. "No geral geramos apenas processos produtivos, que são de uso interno e por isso não precisam ser patenteados, pois não v! ão ser comercializados", explica Pedrazzoli.

Um dos insetos que a Bug produz, a Cotesia flavipes, é originário de Trinidad e Tobago e foi introduzido no Brasil na década de 70 do século passado. Desde então, vem combatendo com sucesso seu inimigo natural, a broca-da-cana. Até a década de 1980, o prejuízo causado por essa lagarta aos produtores de açúcar e álcool chegava a US$ 100 milhões por ano só em São Paulo. "Com a introdução e liberação da Cotesia flavipes no Estado, a intensidade de infestação da broca-da-cana, que era de 8% a 10%, passou para 2%", diz Pazini, da Unesp. "Isso resultou numa economia aproximada de US$ 80 milhões por ano, com a redução das perdas anuais de US$ 100 milhões para US$ 20 milhões."

O principal motivo desse prejuízo é a podridão vermelha. A lagarta em si não origina a doença, mas, ao furar o caule da cana para se alojar em seu interior e completar seu ciclo de vida, ou seja, transformar-se em mariposa, ela abre caminho para os fungos, os verdadeiros causadores da podridão vermelha. Essa doença provoca alterações químicas na planta, o que reduz a produção de açúcar e álcool. "Para uma produtividade de 80 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, as perdas para cada 1% de infestação da broca são de 616 quilos de cana, 28 quilos de açúcar e 16 litros de álcool", informa Mauro Sampaio Benedini, gerente regional de produtos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, voltada ao desenvo! lvimento tecnológico dos setores de cana, açúcar, álcool e bioenergia.

Por isso, afirma Bendini, o setor já se conscientizou de que o controle racional das pragas por meio de insetos ajuda a reduzir os custos de produção. Enquanto o combate às pragas dos canaviais com o uso de inseticida custa R$ 45 por hectare, o controle por meio da Cotesia flavipes custa R$ 15 e por meio da Trichogramma spp, R$ 36. Levando-se em conta que no Brasil são cultivados 5 milhões de hectares com uma produção de 387 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, a economia é considerável.

Mas as vantagens do controle biológico não estão apenas no menor custo. Em geral, os produtos químicos diminuem a infestação de pragas rapidamente só no início. É um controle emergencial, indicado para quando há níveis alarmantes de pragas ou para quando se quer um rápido extermínio delas. O problema é que os inseticidas provocam desequilíbrios ambientais, pois matam tanto a praga como seu inimigo natural. Após algum tempo, o inseto daninho volta em quantidade suficiente para afetar a plantação — e sem a presença de seu inimigo. O controle biológico, ao contrário, mantém a praga em nível de equilíbrio, sem causar danos.

Linhas de produção
As diversas unidades da Bug funcionam como fábricas de insetos, com verdadeiras linhas de produção. A de Piracicaba produz a Cotesia flavipes, que é a agente do bem, e a praga, que é a broca-da-cana. As outras duas unidades produzem a vespinha Trichogramma. Além disso, graças ao PIPE, a empresa mantém uma parceria com a Esalq, o que lhe permite realizar pesquisas e controle de qualidade da produção dos insetos nos laboratórios da escola.

A fábrica de Cotesias ocupa dois prédios de 800 metros quadrados cada. Tudo começa na Sala de Adultos, com temperatura de 22 °C, onde pupas da mariposa Diatraea saccharalis prestes a se tornar adultas são colocadas em várias gaiolas. De quatro a sete dias depois, os insetos adultos —uma mariposa de cor amarela-palha e hábitos noturnos — são retirados das gaiolas, juntados em casais e colocados em tubos de PVC de 20 centímetros de altura por 10 centímetros de diâmetro, forrados com um papel tipo cartolina. Cada tubo recebe de 30 a 50 casais, dependendo da época do ano. Em quatro dias, cada fêmea é capaz de colocar até 450 ovos.

Depois desses quatro dias, o papel é retirado e recortado em pedacinhos que contêm em média 250 ovos — mais ou menos o equivalente à postura de uma fêmea. Cada pedacinho vai para um tubo ou frasco de vidro desenvolvido pela própria empresa (no caso tubo, vão apenas 25 ovos), onde há uma dieta especial para as lagartas que eclodirão dos ovos, à base de proteína de soja, germe de trigo, açúcar e vitaminas. Esses frascos e tubos — centenas deles — são armazenados, em prateleiras semelhantes às de uma adega, na Sala de Desenvolvimento, onde a temperatura é de 30 ºC e a umidade relativa do ar fica em torno de 80%. Depois de eclodirem, 5% das lagartas são retiradas dos vidros no 15° dia. São as felizardas que completarão seu ciclo de vida, para virarem matrizes e darem continuidade à ! criação. As demais lagartas permanecem nos vidros por 30 dias, de onde saem, com cerca de um centímetro de comprimento, para ser parasitadas pela vespinha Cotesia.

As mãos hábeis das funcionárias treinadas retiram as lagartas dos vidros e as encostam em um minúsculo furinho no centro de pequenos frascos transparentes, semelhantes a embalagens de pastilhas. Em cada um desses frascos, cerca de 50 vespinhas voam agitadas. Quando entram em contato com as lagartas por meio do furinho, as vespinhas depositam seus ovos dentro delas. Dizendo assim, parece um processo demorado. No entanto, a Cotesia só precisa de uma fração de segundo para chegar até o furinho e introduzir seu ovopositor na lagarta, deixando dentro dela cerca de 50 ovos. É tão rápido que cada funcionária consegue expor de 3 mil a 5 mil lagartas por dia.

Depois disso, as brocas-da-cana vão para a Sala de Massa, onde a temperatura é de 25 ºC. Lá, ficam em placas de acrílico dentro de pequenos frascos achatados e transparentes. Nas placas há uma dieta de realimentação, que sustenta as lagartas enquanto os ovos das vespinhas se desenvolvem dentro delas até eclodir. Quando isso acontece, as pequenas larvas comem por dentro sua hospedeira. Dez ou 11 dias após o parasitismo, as larvas saem da lagarta já morta e se juntam numa massa de pupas, formando pequenos casulos que, juntos, parecem uma espuma branca.

Esses casulos são um dos produtos da Bug. A empresa os vende em copos de plástico cujo tamanho fica entre o de um copinho descartável de café e o de um copinho de água. Cada copo contém 30 casulos com cerca de 50 pupas de Cotesia flavipes — ou seja, dá origem a 1,5 mil vespinhas. O comprador recebe os copos e espera as pupas se transformarem no inseto. Então, vai até a lavoura, abre o frasco e caminha com ele por uns 25 metros, para que as vespinhas saiam e se espalhem pela plantação. Aí, por conta própria, elas vão fazer o que fazem na fábrica: colocar seus ovos no interior da broca-da-cana. E tudo se repete. "São necessárias 6 mil vespinhas para controlar a praga em um hectare", explica Pedrazzoli. "Hoje nós produzimos 250 milhões de Cotesias por mês, o que &eacut! e; suficiente para tratar 40 mil hectares de cana-de-açúcar."

Ovos de traça
O outro produto do portfolio da Bug é uma cartela com ovos da traça Anagasta kuehniella já parasitados pela vespinha Trichogramma. O poder de fogo dessa vespinha é maior do que o da Cotesia. Ela ataca e controla um número maior de pragas, como a própria broca-da-cana, a lagarta-do-cartucho, a lagarta-da-espiga e pragas de hortaliças, como o tomate. Sua produção também é mais fácil, pois ela pode ser criada em hospedeiros alternativos. "É diferente do que ocorre com a Cotesia, que só pode ser multiplicada em seu hospedeiro natural, isto é, a própria praga que ela combate, a broca-da-cana", explica Carvalho. "No caso da Trichogramma, nós usamos a Anagasta, que vive em grãos armazenados e se contenta com uma dieta mais simples, seca, composta ! apenas por farinha de trigo integral e levedura."

O processo de produção, no entanto, é semelhante. Primeiro, casais adultos da traça Anagasta são colocados em gaiolas para acasalar. Lá, as fêmeas põem os ovos, que em seguida são recolhidos. Uma parte deles é misturada à dieta à base de farinha e levedura, para manutenção da colônia. A outra parte — 95% — é esterilizada com raios ultravioletas e, depois, exposta em bandejas à vespinha Trichogramma, que, por sua vez, põe seus ovos dentro dos da traça.

Em outra sala, os ovos já parasitados são colocados em embalagens perfuradas que permitem a saída dos parasitóides no campo. As embalagens nada mais são do que cartelas biodegradáveis constituídas por três camadas de papelão. Mas há um segredo: a camada do meio possui pequenos "túneis" de dois milímetros de diâmetro. Quando as outras camadas são sobrepostas a ela, esses "túneis" formam pequenos recipientes ou cápsulas — cada um com capacidade para armazenar 2 mil ovos. Desenvolvida pela própria Bug, essa embalagem inovadora já está protegida por patente — a única que a empresa detém.

A empresa chegou à embalagem que usa hoje depois de várias tentativas que não deram certo. As versões anteriores eram vulneráveis a formigas, que comiam os ovos, impedindo a eclosão das vespinhas. Além de proteger os ovos desses predadores, a cápsula proporciona maior segurança quanto às possíveis mudanças de temperatura ou ocorrência de chuvas. Essas cartelas são vendidas aos produtores, que as colocam na própria planta ou em suportes. Quando as vespinhas eclodem, elas saem pelos furinhos e vão parasitar os ovos das pragas na lavoura.

A satisfação dos clientes pode ser medida pelos planos de expansão da Bug. "Estamos aumentando a produção e contratamos muitas pessoas nos últimos dias", diz Pedrazzoli. “Pretendemos, em um curto espaço de tempo, ser uma das maiores empresas de controle biológico de pragas do mundo. Temos como mercados-alvo o Brasil, a Argentina e o Uruguai, além do europeu no fornecimento de insumos."

Fonte: Evanildo da Silveira / Inovação Unicamp

Workshop Internacional "Complex Systems 2008" é promovido pelo Inpe

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), em São José dos Campos (SP), sediará o workshop internacional "Complex Systems 2008", entre os dias 30 de julho e 2 de agosto. O evento faz parte do Conference on Computational Physics (CCP/2008), que será realizado, pela primeira vez no Brasil, em Ouro Preto (MG), de 5 a 9 de agosto.

O "Complex Systems 2008" tem caráter multidisciplinar e envolverá apresentações orais e na forma de painéis sobre teoria e aplicações de ferramentas da matemática, da física e da computação no estudo de formação de padrões, processos não-lineares e caóticos, sistemas fora-do-equilíbrio, sincronização em redes extensas, complexidade computacional, além de outros temas relacionados à simulação e análise de dados para estudos do meio ambiente e do clima espacial.

O evento é coordenado pelos pesquisadores Fernando A. Oliveira, do Centro Internacional de Física da Matéria Condensada da Universidade de Brasília (UnB), e Reinaldo Roberto Rosa, do Laboratório Associado de Computação e Matemática Aplicada (LAC/Inpe). Durante o Complex Systems será realizada a primeira Assembléia da Associação Panamericana de Ciências Interdisciplinares Computacionais.

Mais informações aqui.

Fonte: Agência CT

Finep financia pesquisas em micro e pequenas empresas capixabas

Com recursos da ordem de R$ 2 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), a Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Fapes) vai investir mais de R$3 milhões para pesquisa em micro e pequenas empresas.

A ação será possível por meio do Programa de Apoio à Pesquisa na Empresa (Pappe Subvenção), que tem como objetivo selecionar propostas empresariais para obtenção de apoio financeiro não-reembolsável (subvenção econômica) para desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores no Espírito Santo. A contrapartida do governo do Estado é de R$ 1 milhão.

As inscrições para participação das empresas no programa estão abertas até o dia 11 de agosto. O Edital, formulários de inscrição e os procedimentos encontram-se no site da Fapes. Entre as áreas prioritárias contempladas no programa estão: biotecnologia, biodiversidade, agronegócios, fármacos, saúde, nanotecnologia, semicondutores, tecnologia da informação e comunicação, biocombustíveis, energias, meio ambiente, automação, logística, engenharias, fruticultura, rochas ornamentais e bebidas.

Poderão concorrer ao edital as empresas devidamente registradas na Junta Comercial do Espírito Santo e com faturamento anual de até R$ 10,5 milhões.

De acordo com a gerente de Inovação para Competitividade da Fapes, Érika Leal, no Programa de Apoio à Pesquisa na Empresa (Pappe), dentro da modalidade de subvenção econômica são aplicados recursos públicos não-reembolsáveis diretamente nas empresas para o desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica. “Esta é uma excelente oportunidade para as micro e pequenas empresas desenvolverem novos produtos e processos, fundamentais para ampliar a competitividade do setor produtivo capixaba”, disse.

Informações com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - SECT (Assessoria de Comunicação do MCT)

Fonte: Agência CT

Vale aposta em Turbina flex, carvão limpo e motor a etanol

Turbina flex, carvão limpo e motor a etanol são apostas da Vale em centro de tecnologia em instalação no parque de São José

O Centro Tecnológico de Energia (CTE) da Vale, antiga Companhia Vale do Rio Doce, ainda não tem sede nem laboratórios, mas já está em atividade, em instalações provisórias no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP). Graças a parcerias com universidades e a um orçamento de R$ 220 milhões para os dois primeiros anos, o centro, que já conta com 84 pesquisadores, toca três projetos em estágio adiantado de desenvolvimento: o de uma turbina flex, que gera energia a partir de gás, biogás ou etanol como combustível; o de um novo motor a etanol, que poderá ser tão eficiente como os motores de ciclo diesel; e o de um sistema mais limpo e eficiente do que os convencionais para transformar carvão em gás.

A construção da sede definitiva do CTE deve começar no primeiro trimestre de 2009, em uma área de 100 mil metros quadrados dentro do parque. Hugo José Teixeira Moura, diretor-presidente do centro, mostrou o projeto arquitetônico do prédio pela primeira vez no último dia 14, durante a mesa-redonda "Energia gerando idéias", na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Unicamp, em Campinas (SP). De acordo com a Vale, o CTE abrigará 500 pesquisadores — mas não há prazo estabelecido para atingir a meta. A empresa poderá utilizar ou vender os sistemas que desenvolver no centro. Moura não revela qual será a estratégia de negócio, que ainda está em elaboração.

Por que a Vale criou o CTE
O CTE é um dos três centros que a Vale criou para realizar atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas áreas de atuação definidas em sua estratégia geral de negócio: mineração, energia e meio ambiente. O trabalho do centro de São José dos Campos — o de mineração fica no Pará e o de meio ambiente, em Minas Gerais — é fundamental para a sustentabilidade da Vale no futuro. "Cerca de 5% de toda a energia gerada no País é consumida pela empresa", ressaltou Moura. O cenário energético é complicado para a empresa porque ela não poderá concretizar seus planos de crescimento se continuar dependendo apenas das fontes e da energia usadas e produzidas hoje. "Primeiro, vamos desenvolver produtos e sistemas para atender à demanda da própria Vale e, depois, de quem necessitar", disse.

O CTE, explicou Moura, parte de pesquisas pré-competitivas, de tecnologias que estão amadurecendo, e busca reduzir o risco tecnológico e chegar a resultados concretos, aplicando o conhecimento em escala industrial. Por meio das parcerias com universidades, os pesquisadores do centro vão demonstrar a viabilidade das tecnologias, trabalhar em protótipos e na validação, desenvolvimento e certificação do produto, chegando até a produção comercial. As missões do CTE são prover soluções de alto valor agregado em energia, produzir conhecimentos e desenvolver novas tecnologias, gerando produtos de qualidade e preservando o meio ambiente. "Pretendemos nos tornar uma referência mundial em energia alternativa", revelou Moura.

Cientista-chefe vem do INPE
Demétrio Bastos Netto, engenheiro aeronáutico e astronáutico, é o cientista-chefe do CTE. Depois de formar-se em ciências navais na Escola Naval brasileira, ele foi para a Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, para fazer mestrado e doutorado — este último como bolsista da Nasa, a agência espacial norte-americana. Em 1985, a Marinha cedeu-o para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), onde foi chefe do Laboratório Associado de Combustão e Propulsão e desenvolveu vários projetos — entre eles, um sobre reaproveitamento de turbinas. O pesquisador ficou "emprestado" no INPE até este ano, quando assumiu o comando do CTE. "Nunca trabalhei tanto", brincou. Apesar de reconhecer que o tempo de trabalho e a pressão são maiores agora, ele disse estar feliz com a experiência de atuar na iniciativa privada. "É um bom desafio e continuarei trabalhando com a mesma dedicação de quando estava no INPE", afirmou.

Falando a Inovação, Bastos Netto ressaltou que o CTE não vai "reinventar a roda". "Neste primeiro momento, estamos estudando tecnologias para a área de turbina, de motores e térmica", contou. "Outras áreas são de nosso interesse, como células a combustível, para a qual também formaremos um grupo. No futuro próximo, pretendemos nos preocupar com energia solar e eólica", acrescentou.

As tecnologias
A turbina flexível que o CTE está desenvolvendo, também chamada de turbogerador multicombustível, destina-se à geração de energia em localidades pequenas e distantes das linhas de transmissão. Pelo fato de usar gás, biogás ou etanol como combustível, ela poderá funcionar em qualquer lugar do País. Em março de 2007, após oito meses de trabalho, os cientistas conseguiram testar um protótipo capaz de gerar um megawatt de energia — quantidade suficiente para iluminar uma cidade de 6 mil habitantes. Os executivos do centro que participaram da mesa-redonda na reunião da SBPC não informaram qual combustível foi utilizado nesse teste.

O motor de combustão interna que também está sendo desenvolvido pela equipe do CTE, dito de nova geração, poderá ter de cem a mil quilowatts de potência. Segundo os executivos do centro, a tecnologia busca maximizar o potencial energético do etanol e é totalmente inovadora no que diz respeito ao sistema de combustão, à abertura de válvulas e à injeção direta de combustível. "Os motores flex hoje são movidos a gasolina e adaptados para usar álcool", explicou Hugo Moura. "Queremos um motor com consumo e eficiência superiores ou comparáveis aos dos motores de ciclo diesel", acrescentou.

O sistema para converter carvão em gás, tema do terceiro projeto do CTE em estágio mais adiantado de desenvolvimento, destaca-se por seu apelo ecológico. Atualmente, há dois tipos de gaseificadores: os de leito fixo, que emitem mais gases poluentes para a atmosfera, e os de leito fluidizado, como o da Vale. No primeiro, o carvão é colocado manualmente em uma grelha fixa, por baixo da qual entra o oxigênio que provocará a queima do combustível. No segundo, de alimentação automática, utilizam-se oxigênio e vapor para manter o carvão — moído — em suspensão. Dessa forma, o carvão fica em constante ebulição, o que permite um controle maior da combustão. O gás resultante desse processo serve para gerar energia em usinas elétricas e térmicas.

Os executivos do CTE afirmaram que o gaseificador criado pelo centro consegue queimar 70% da pedra de carvão em turbina ou em motor por meio do processo de leito fluidizado; os 30% restantes, afirmaram, viram cinza de carvão, rejeito que pode ser reaproveitado como adubo, por exemplo. Moura garantiu que a tecnologia da Vale é 30% mais eficiente do que a simples queima em caldeira, consumindo a mesma quantidade de carvão, mas não detalhou como se deram os ganhos de performance. "Temos patentes sendo geradas, então não posso dar muitos detalhes", desculpou-se. As atividades do centro já renderam dois depósitos de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e há outros pedidos em preparação.

Parceiros
Os parceiros de P&D do CTE incluem o INPE, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Instituto de Estudos Avançados do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (IEAv-CTA) e a Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos. "Estamos conversando com outras instituições, que ainda não têm planos de trabalho definidos", contou Moura. "Nossa idéia é ampliar o leque de parcerias, incluindo parceiros internacionais." Tirando o que o governo já investiu nos projetos abrigados hoje pelos convênios de transferência de tecnologia com as universidades, o dinheiro investido na formação do centro é apenas da Vale até agora. "Com a execução dos projetos, pretendemos utilizar outros recursos", adiantou. (J.S.)

Fonte: Inovação Unicamp

Ciclo: "As estratégias de inovação dos EUA, França, Finlândia e Japão "

Em abril, Glauco Arbix apresentou os principais resultados da Mobit, que agora terá debates sobre quatro países analisados

Em agosto e setembro, o Observatório da Inovação e Competitividade realiza um ciclo de debates para detalhar parte da pesquisa Mobilização Brasileira para a Inovação (Mobit), cujos principais resultados foram apresentados no dia 25 de abril no seminário "O Desafio da Inovação no Brasil e as Estratégias de 7 Países" (o vídeo do seminário está na seção Inovação Tecnológica da Midiateca Online).

O ciclo tratará das estratégias de inovação de quatro dos países pesquisados: EUA, França, Finlândia e Japão. Os debatedores serão pesquisadores participantes da pesquisa, outros especialistas e representantes das embaixadas dos países analisados. A programação é a seguinte:

11 de agosto, 10h — EUA, com Paulo Todescan Lessa Mattos (Fundação Getúlio Vargas-RJ), Alexandre Abdal (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento — Cebrap), um representante da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e um representante da Embaixada dos EUA; coordenação de Glauco Arbix (coordenador-geral do Observatório);

18 de agosto, 10h — França, com Mario Salerno (coordenador executivo do Observatório), Laura Parente (Laboratório Técnicas, Territórios e Sociedades — Latts —, França), um representante da ABDI e um representante da Embaixada da França; coordenação de Glauco Arbix;

25 de agosto, 10h — Finlândia, com Glauco Arbix, Joana Ferraz (Fundação Getúlio Vargas-SP), Pekka Hirvonen (Embaixada da Finlândia) e um representante da ABDI; coordenação de Mario Salerno;

1º de setembro, 10h — Japão, com Mario Salerno, Zil Miranda (Cebrap), um representante da ABDI e um representante da Embaixada do Japão; coordenação de Glauco Arbix.

A Mobit empreendeu um estudo comparativo de políticas industriais de base tecnológica dos EUA, França, Canadá, Irlanda, Reino Unido, Finlândia, Japão e Brasil. O estudo tratou a inovação como alavanca para o crescimento econômico brasileiro e recurso para a inserção ativa do país no cenário internacional. O trabalho foi encomendado pela ABDI ao Observatório e executado por equipe do Cebrap.

O Observatório é uma parceria entre o IEA (onde está sediado), ABDI, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O ciclo de debates conta com o apoio do Brazil Institute do Woodrow Wilson International Center for Scholars, EUA.

Serviço:
Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA, Avenida Prof. Luciano Gualberto, Travessa J, 374, Cidade Universitária, São Paulo (mapa)
Via internet : Transmissão ao vivo em www.iea.usp.br/aovivo.
Informações com Inês Iwashita , telefone (11) 3091-1685.

Fonte: IEA/USP

2º Congresso Ibero-Americano de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva - GeCIC

Ibict promove debate sobre internet e gestão do conhecimento
Brasília é palco de dois importantes encontros na área da ciência da informação: o 2º Congresso Ibero-Americano de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva (GeCIC) e o 2º Seminário sobre Informação na Internet. Os eventos, que terminam na sexta-feira (1º), estão sendo realizados no Complexo Cultural da República – Museu Nacional e Biblioteca Nacional de Brasília, e são promovidos pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/MCT).

Nos encontros, personalidades nacionais e internacionais irão debater temas como infodiversidade, gerenciamento de conteúdos na web, políticas nacionais de conteúdos digitais, experiências empresariais de apoio ao acesso digital à informação, informação governamental na Internet, Inclusão digital e uso de informação. Entre os participantes estão Chun Wei Choo, professor da Faculty of Information da University of Toronto, (Canadá), e Eduardo Orozco Silva, diretor de Inteligência Corporativa do Instituto de Información Científica y Tecnológica (IDICT), de Cuba.

A solenidade de abertura do 2º Seminário sobre Informação na Internet realizou-se neste domingo (27), no Museu Nacional. A palestra magna de abertura foi ministrada pela doutora em Ciências da Comunicação e professora titular do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), Brasilina Passarelli. O secretário de Política de Informática do MCT, Augusto Cesar Gadelha, o subsecretário das Unidades de Pesquisa do MCT, Luiz Fernando Schettino, o diretor do Ibict, Emir Suaiden, e o ex-presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB/MCT), Sérgio Gaudenzi, participaram da cerimônia.

Veja aqui a programação.(Assessoria de Comunicação do Ibict)

Fonte: Agência CT

Cristália desenvolve hormônio de crescimento em planta-piloto

Vocação para inovar e certeza de que a biotecnologia será a ciência do futuro. De acordo com o farmacêutico Roberto Debom, diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação do Laboratório Cristália, foram esses os motivos que levaram a empresa a investir "alguns milhões" no licenciamento e aperfeiçoamento da tecnologia de produção do hormônio de crescimento humano (hGH, na sigla em inglês) desenvolvida pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atualmente, a tecnologia está sendo testada em uma planta-piloto do Cristália em Itapira (SP). Outras empresas brasileiras já tentaram fabricar o hGH, mas não conseguiram atingir a escala necessária para poder comercializá-lo. Debom atribui esses insucessos às particularidades do processo, baseado no uso de microorganismos com o DNA modificado. "É vida gerando entidades químicas; o controle disse é muito complexo", justifica.

Segundo o presidente do Cristália, Ogari Pacheco, os testes da tecnologia da UFAM na planta-piloto da empresa devem terminar até dezembro, mais ainda não há nenhuma previsão de data para o lançamento do produto. "Só poderei ter uma idéia melhor no final do ano, quando concluirmos os estudos da produção em escala-piloto", disse ele durante sua palestra no Open Innovation Seminar, realizado em junho na capital paulista. Esses estudos mostrarão à empresa se os resultados positivos já obtidos pelos cientistas no laboratório de pesquisa poderão ser reproduzidos em uma escala maior de produção — e com o menor custo possível.

"Não basta sabermos fazer, precisamos ser competitivos", resume Roberto Debom. "Na biotecnologia, são as bactérias que trabalham fabricando os materiais. Quando elas trabalham bem, o material é mais abundante; quando trabalham mal, ele é menos abundante. Por isso, para sermos competitivos, elas têm de trabalhar bem", explica. Apesar de garantir que a densidade do hGH do Cristália já é de nível internacional, ele diz que o laboratório ainda está mais preocupado com a parte de pesquisa e desenvolvimento (P&) do que com a produção comercial do produto. "A empresa ainda tem muita coisa para decidir em relação à produção", revela.

O projeto do hGH foi transferido da UFAM para o Cristália há mais ou menos um ano, pouco tempo depois de o novo Laboratório de Biotecnologia da empresa ter começado a funcionar. Infra-estrutura bem-planejada e equipamentos adequados são dois dos três fatores que Debom considera essenciais para a condução de um projeto como esse. O terceiro fator é a excelência dos recursos humanos. "Isso é coisa para doutores", aponta. No Cristália, há seis doutores envolvidos no projeto, além de seis mestres e três graduados. Eles recebem orientação dos professores Spartaco Astolfi Filho, o responsável pelo início das pesquisas na universidade, e Josef Thiemann, que trabalhou na antiga Briobrás e hoje atua como consultor.

Se os testes na planta-piloto mostrarem que o Cristália poderá produzir o hGH em escala comercial, a empresa passará para a etapa dos testes clínicos em seres humanos, necessários para a posterior aprovação do medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo Debom, só há duas empresas que vendem o hormônio no Brasil atualmente, mas nenhuma delas o fabrica aqui. A meta da empresa é conquistar pelo menos 50% do mercado nacional.

Hormônio de crescimento humano
A hipófise, também chamada de glândula pituitária, localizada na base do cérebro, é a responsável por produzir o hGH no organismo. A produção é maior durante o sono e atinge o ápice na adolescência, para depois diminuir com o passar dos anos. Quando cai na corrente sangüínea, o hGH vai até o fígado e o induz a produzir os fatores IGF1 e IGF3, que promovem o crescimento dos órgãos internos e do corpo. Mas o hormônio também tem outras funções: ele amplia a retenção de cálcio, fortalecendo os ossos, faz a massa muscular aumentar e estimula a síntese de proteínas.

Em crianças, a deficiência de hGH, que pode vir desde o nascimento ou ser adquirida durante a infância, torna-as anormalmente pequenas para sua idade. Para tratar esse e outros problemas, como a síndrome de Turner, que tem origem genética e só afeta mulheres — as meninas desenvolvem-se na puberdade, mas não crescem —, a insuficiência renal crônica em crianças e adolescentes e algumas doenças genéticas que causam defeitos de formação óssea, é preciso administrar doses extras do hormônio.

O primeiro tratamento bem-sucedido de deficiência de hGH aconteceu em 1958. O endocrinologista Maurice Raben, da Escola de Medicina da Tufts University, de Boston, nos Estados Unidos, usou o hormônio extraído da hipófise de um corpo autopsiado para tratar um garoto de 17 anos. A partir daí, muitos endocrinologistas começaram a fazer acordos com necrotérios locais para obter as glândulas dos cadáveres que passavam por autopsia. O governo norte-americano criou até uma agência nacional para organizar a coleta. Em 1985, no entanto, quarto casos de mal de Creutzfeldt-Jacob, que provoca degeneração física e mental, foram diagnosticados em pacientes que haviam recebido hormônio obtido de cadáveres nos anos 1960. Em 2003, o número de casos já havia chegado a 26.

A companhia farmacêutica norte-americana Genentech desenvolveu a primeira versão sintética do hGH em 1981. Essa versão consistia em uma cadeia de 192 aminoácidos, um a mais do que possui o hormônio produzido pela hipófise. A versão idêntica ao hGH natural, chamada somatropina, surgiu um pouco mais tarde. Para obtê-la, os cientistas inserem o gene humano que comanda a síntese do hormônio no DNA de microorganismos, que passaram então a produzi-lo. A tecnologia desenvolvida pela UFAM, que o Cristália está aperfeiçoando, segue esse mesmo caminho e usa a bactéria Escherichia coli, encontrada normalmente no intestino de seres humanos e outros animais de sangue quente.

Outras tentativas
Antes do Cristália, a Hormogen Biotecnologia — hoje Proteogenética — e a Genosys também tentaram produzir o hGH no Brasil usando a bactéria E. coli. Para isso, ambas solicitaram financiamento à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por meio do primeiro edital do programa Pesquisa Inovativa na Pequena e Microempresa (Pipe). Apesar de terem concluído as duas fases de seus projetos, nenhuma delas conseguiu colocar o produto no mercado.

No caso da Hormogen, fundada em 1994 por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), houve uma parceria mal-sucedida. Em 2002, a Biolab Farmacêutica comprou 75% da empresa comprometeu-se a fazer todos os investimentos necessários para viabilizar a produção comercial do hormônio, mas o projeto não deu certo. A Biolab acabou devolvendo o controle da Hormogen para os pesquisadores do Ipen em 2006, que tiveram então de mudar o nome da empresa para Proteogenética. Já a Genosys, fundada em 1997 por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), chegou a trabalhar com escalas semi-industriais de produção. Um dos sócios da empresa assinou um protocolo de intenções para a produção do hormônio com a Multilab, de São Gerônimo (RS); porém, o projeto foi suspenso devido à entrada do barato hGH de origem chinesa no mercado nacional.

Fonte: Janaína Simões e Rachel Bueno / Inovação Unicamp

Conferência: A geomorfologia nos estudos das mudanças ambientais e do impacto humano

A contribuição da geomorfologia — uma das mais abrangentes disciplinas das ciências da Terra — em estudos sobre mudanças ambientais e em avaliações do impacto humano no ambiente constitui o cerne da conferência que o geógrafo físico e geomorfólogo Andrew Shaw Goudie, diretor do St. Cross College da Universidade de Oxford, faz no dia 12 de agosto, às 9h, no IEA.

Em sua exposição ("A Natureza Aplicada da Geomorfologia"), Goudie considerará diferentes contextos morfoclimáticos globais, diversas escalas e sistemas físicos, demonstrando potencialidades e limites da aplicação do instrumental conceitual e metodológico da geomorfologia para essas leituras e avaliações.

O evento é uma realização do Grupo de Ciências Ambientais do IEA e do Programa de Pós-Graduação em Geografia Física da FFLCH-USP, com apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP. A coordenação é de Cleide Rodrigues, do Departamento de Geografia da FFLCH-USP. O evento será em inglês, com tradução simultânea.

Perfil: Andrew Shaw Goudie
Geógrafo físico e geomorfólogo dos mais reconhecidos internacionalmente, Goudie dedica-se principalmente à geomorfologia de desertos, às mudanças climáticas, à arqueologia ambiental e ao impacto humano no ambiente. Tem trabalhado na África do Sul, Botsuana, Suazilândia, Namíbia, Omã e Emirados Árabes Unidos. É autor de cerca de 200 artigos científicos e de mais de 20 livros, dentre os quais dicionários e manuais de geomorfologia. Além de dirigir o St. Cross College, preside a Associação Internacional de Geomorfologia. Foi um dos criadores do Centro de Meio Ambiente da Universidade de Oxford e é membro da British Academy.

Serviço:
Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA, Avenida Prof. Luciano Gualberto, Travessa J, 374, Cidade Universitária, São Paulo (mapa)
Via internet : Quem não puder comparecer poderá acompanhar a conferência ao vivo em www.iea.usp.br/aovivo. Informações com Inês Iwashita, telefone (11) 3091-1685.

Fonte: IEA/USP

INPI e OMPI promovem treinamento de redação de patentes

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) promove, nos dias 12 e 21 de agosto, na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), em parceria com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o treinamento em Redação de Patentes. O curso é gratuito e visa a orientar inventores e gestores de tecnologia e de propriedade industrial a desenvolver as habilidades técnicas necessárias para a redação de pedidos de patentes. Serão oferecidas 50 vagas para representantes de instituições públicas e privadas.

Os interessados em participar do treinamento devem encaminhar currículo, até o dia 1º de agosto, indicando uma área de interesse oferecida no curso para os e-mails e A e B. Os participantes devem ter experiência prévia em propriedade industrial.

Nesta edição, as áreas de concentração serão biotecnologia e mecânica. Ministrado por especialistas internacionais e nacionais, o curso abordará temas como Preparação e Depósito de Patentes; Estratégias de Patenteamento; Organização, Educação e Motivação de Equipes Técnicas; e Ética Profissional.

Mais informações podem ser obtidas no site www.inpi.gov.br. (Com informações da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – Faperj)

Fonte: Gestão CT

3° Encontro da Rede PD&I em Carvão Mineral

A Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (Setec/MCT) realizará, nos dias 7 e 8 de agosto, em Canela (RS), o 3° Encontro da Rede PD&I em Carvão Mineral.

O evento tem como objetivo permitir o acompanhamento das atividades da Rede PD&I em Carvão Mineral, estimular a interação entre o setor produtivo e o acadêmico e planejar as atividades para o período de 2009/2010. Os debates contarão com as presenças de representantes dos setores acadêmico, produtivo e do governo. O secretário executivo da Setec/MCT , Luiz Antonio Elias Rodrigues, participará do encontro.

Segundo o coordenador de desenvolvimento de tecnologias setoriais do MCT, Eduardo Soriano, a intenção é promover uma maior integração da Rede PD&I com o setor produtivo. Durante o encontro serão realizadas mesas de discussão com os temas: Políticas Públicas para o Setor de Carvão Mineral; Fomento à Atividade de PD&I e ao Desenvolvimento Industrial; PD&I na Área de Carvão Mineral; e Demandas de PD&I do Setor Produtivo.

O MCT, por meio do Fundo Setorial de Energia Elétrica (CT-Energ), investiu nesta rede de pesquisa R$ 3,75 milhões em 2006 e investirá, em 2008, cerca de R$ 10,3 milhões para apoio a infra-estrutura laboratorial, formação de recursos humanos, execução de pesquisas na área cadeia produtiva do carvão mineral aplicada à geração termoelétrica, à siderurgia e ao meio ambiente.

O MCT também está implantando um campus avançado do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e está patrocinando, em parceria com a Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC) e iniciativa privada, a implantação do Centro Tecnológico do Carvão Limpo, ambos localizados em Criciúma (SC).A ABIPTI é parceira na realização do evento.

Informações complementares podem ser obtidas no site www.mct.gov.br.(Com informações do MCT)

Fonte: Gestão CT

Bahia promove curso gratuito de qualificação em tecnologia da informação

O Governo da Bahia oferece curso gratuito de qualificação em tecnologia da informação (TI) para jovens que querem começar uma carreira na área de tecnologia da informação. No município de Vitória da Conquista são oferecidas 17 turmas de 25 alunos cada. A meta do Plano Setorial de Qualificação em Tecnologia da Informação é preparar 20 mil alunos da rede pública de ensino até 2010.

Segundo informações da secretaria, com o limite de quatro candidatos por vaga, não há data limite para as inscrições, porque ao encerrar o número de candidatos por vaga, a página de inscrições é automaticamente bloqueada. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site www.sec.ba.gov.br. São oferecidos cursos de programadores em Java, redes e suporte técnico em informática.

O programa é uma ação das secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (Secti), que é uma instituição associada à ABIPTI, Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Educação (SEC) e da Assessoria de Gestão Estratégica de TIC (Agetic) da Casa Civil, em parceria com a Associação Brasileira das Empresas de Softwares e Serviços para Exportação (Brasscom), a Associação das Empresas Brasileiras de Software e Serviços de Informática (Assespro) e o Instituto Brasil para Convergência Digital (IBCD).

Mais informações podem ser obtidas pelo site www.secti.ba.gov.br e pelo telefone (71) 3116-5817. (Com informações da Secti)

Fonte: Gestão CT

Observatório da Educação lança edital focado na docência e formação de profissionais da educação básica

Chamada para pesquisa em educação
O Observatório da Educação, parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), lançou na semana passada seu segundo edital, pelo qual convoca pesquisadores e acadêmicos a apresentar propostas de pesquisa.

Segundo o Inep, serão investidos R$ 5,5 milhões anualmente, por quatro anos, em projetos de pesquisa em educação vinculados a cursos e programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado). O edital tem apoio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad).

O foco do edital são as questões relacionadas à docência e à formação dos profissionais da educação básica. Serão financiados até 20 projetos cujos participantes sejam de núcleos locais compostos por, pelo menos, um programa de pós-graduação stricto sensu de uma Instituição de Ensino Superior (IES), um docente orientador, um estudante de doutorado e dois estudantes de mestrado (para programas que oferecem os cursos de mestrado e doutorado) ou três de mestrado (para programas só de mestrado) e até seis estudantes de graduação; e de núcleos em rede, compostos por pelo menos três programas de pós-graduação stricto sensu de IES distintas, sendo uma delas a IES sede, três docentes orientadores, nove estudantes de doutorado ou pós-doutorado ou mestrado e até 18 estudantes de graduação.

As propostas devem ser enviadas até o dia 8 de setembro para o e-mail observatorio@capes.gov.br. Elas devem ser encaminhadas pelo coordenador do núcleo local ou pelo coordenador do núcleo em rede e pelo pró-reitor de pesquisa ou de pós-graduação da instituição sede.

Os projetos deverão se enquadrar em alguns dos eixos temáticos: educação básica, educação superior, educação profissional e tecnológica, educação continuada, educação de jovens e adultos, educação especial, educação no campo, educação quilombola, educação integral ou educação a distância.

O Observatório da Educação é uma iniciativa para promover o desenvolvimento de estudos e pesquisas educacionais, com a finalidade de estimular a produção acadêmica.

Mais informações:
www.inep.gov.br/download/imprensa/Edital_ObservatorioEducacao.pdf

Fonte: Agência FAPESP

Mesa Redonda: "Judaísmo e Cristianismo: Eterno conflito ou possibilidade de diálogo?"

Conflitos e diálogos
Com base em um estudo cujo tema é o fenômeno religioso, o livro A Eleição de Israel – A polêmica entre judeus e cristãos sobre a doutrina do povo eleito, de Ariel Finguerman, foi lançado em 2003. Com adaptações, a obra do pesquisador do Centro de Estudos Judaicos da Universidade de São Paulo (USP) acaba de ser publicada na Espanha e ganhará, em setembro, uma edição latino-americana a preços populares.

Para comemorar o sucesso internacional da obra, o centro da USP realizará, na próxima quinta-feira (31/7), em São Paulo, a mesa-redonda “Judaísmo e Cristianismo: Eterno conflito ou possibilidade de diálogo?”.

Além de Finguerman, participarão do debate Edson de Faria Francisco, da área de Bíblia da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), o padre Ilário Mazzarolo, da Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico-Judaico da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e o Rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP).

Finguerman, que atualmente finaliza doutorado na Universidade de Tel-Aviv, em Israel, com bolsa da FAPESP, realizou um estudo histórico comparativo entre a doutrina judaica do “povo eleito” e idéias similares no cristianismo, no confucionismo, na religião yorubá e na Babilônia.

“Várias religiões apresentam a idéia de um Deus único que escolhe um povo como seu mensageiro. Mas, em meio a todas elas, a relação entre judaísmo e cristianismo tem uma característica muito particular. Essa é a idéia fundamental do livro”, disse Finguerman.

Seguindo a metodologia da ciência da religião, o pesquisador investigou a atitude de diversas religiões, em relação às outras, em um mundo no qual várias delas se dizem eleitas.

“Ignorar e desprezar são as posturas mais freqüentes. Os católicos, por exemplo, nem tomam conhecimento de que os yorubá se consideram no centro do mundo. Outros desprezam a centralidade da antiga Babilônia como simples falsidade”, disse.

Mas o mesmo não ocorre entre judaísmo e cristianismo, segundo Finguerman, pois os cristãos adotaram a doutrina judaica como parte de seu cânone, que passou a ser conhecido como Antigo Testamento. No livro, o autor defende que essa situação causou um conflito permanente no corpo doutrinário cristão.

“O Antigo Testamento cristão traz em si a idéia da eleição do povo judeu. Ao adotá-lo, o cristianismo de certa forma legitimou a eleição judaica, o que foge ao padrão de ignorar ou desprezar. Mas o cristianismo, ao mesmo tempo, fez uma série de esforços teológicos para anular a eleição judaica presente nas escrituras, embora nunca se tenha conseguido apagá-la totalmente ”, disse.

Jornalismo e livros
Tendo concluído o mestrado em 1999, na USP, o pesquisador, que é formado em jornalismo e filosofia, mudou-se para Israel. Em 2000, quando teve início a segunda Intifada, deixou de lado os estudos acadêmicos e assumiu, até 2004, a cobertura jornalística do conflito árabe-israelense para a Rede Globo. O resultado da atividade jornalística foi o livro Retratos de uma Guerra, lançado em 2005.

Com o fim do conflito, em 2004, iniciou seu doutorado em Estudos Científicos do Judaísmo, na USP e na Universidade de Tel-Aviv. A tese, sobre o tema “Teologia do Holocausto”, será defendida em São Paulo em agosto.

O livro foi publicado em 2003 e teve uma segunda edição em 2005. Nesse intervalo, de acordo com Finguerman, surgiu a oportunidade de uma versão voltada para um público mais amplo. Um padre católico espanhol ligado à Teologia da Libertação, em visita ao Brasil, teve contato com o livro e julgou que ele seria de interesse para a linha progressista que defende um diálogo entre as religiões.

“Ele propôs que lançássemos uma edição popular, em espanhol, dentro de uma coleção de livros da Teologia da Libertação, com distribuição em toda a América Latina. Para manter o preço entre US$ 3 e US$ 4, abri mão dos direitos autorais. Esta edição será lançada em setembro”, contou.

Em contrapartida, o livro de Finguerman foi apresentado à editora acadêmica Ediciones El Almendro, sediada em Córdoba, na Espanha, que acaba da publicar a obra com o título La Elección de Israel – Estudio Histórico Comparado sobre la Doctrina del "Pueblo Elegido" en las Religiones.

Judaísmo e Cristianismo: Eterno Conflito ou Possibilidade de Diálogo?
Mediação: Suzana Chwarts, diretora do Centro de Estudos Judaicos da USP
Data: 31 de julho
Horário: 19h30
Local: Livraria Cultura (shopping Villa-Lobos)


La Elección de Israel – Estudio Histórico Comparado sobre la Doctrina del "Pueblo Elegido" en las Religiones
Autor: Ariel Finguerman
Lançamento: 2008
Preço: 18 euros
Mais informações: elalmendro.org

A Eleição de Israel – A Polêmica entre Judeus e Cristãos sobre a Doutrina do Povo Eleito
Autor: Ariel Finguerman
Lançamento: 2003
Preço: R$ 20
Mais informações: www.editorahumanitas.com.br

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Prêmio Brazil Women in Technology

Lançado prêmio de tecnologia para mulheres, as inscrições para o prêmio Brazil Women in Technology estão abertas até o dia 8 de setembro.

O prêmio, criado pelo Google, busca incentivar o envolvimento das mulheres nas produções e inovações tecnológicas, além de estimular a formação de uma rede de relacionamentos entre a nova geração de mulheres em áreas ligadas à computação.

As interessadas podem se inscrever no site www.google.com/jobs/brazilwomen.

Poderão participar mulheres de todo o país que estejam cursando graduação, mestrado ou doutorado, nos cursos de ciência da computação e engenharias.

As dez estudantes selecionadas serão premiadas com laptops e uma visita ao escritório de engenharia do Google, em Belo Horizonte (MG), onde vão assistir a palestras e participar de workshops.

A iniciativa surgiu após o Google constatar que existem poucas mulheres formadas na área de tecnologia na América Latina e foi inspirada no prêmio Anita Borg, que em diversos países premia mulheres envolvidas com tecnologia e tem apoio da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). (Com informações da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo è Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro)

Fonte: Gestão CT

Prêmio Mercosul de C&T , últimos dias para inscrições

As inscrições para o Prêmio Mercosul de C&T terminam no dia 4 de agosto. Organizado pelos países-membros e associados do bloco, o prêmio tem por finalidade reconhecer e premiar os melhores trabalhos de C&T que representem potencial contribuição para o desenvolvimento científico e tecnológico dos países-membros e associados ao Mercosul.

Além de incentivar a realização de pesquisa científica e tecnológica orientada para o bloco e contribuir para o processo de integração regional entre os países. Os trabalhos e a ficha de inscrição devem ser encaminhados aos organizadores do prêmio, por meio do site:
www.unesco.org.br/premiomercosul.

Os interessados em participar devem estar vinculados ao Mercosul, seja pela nacionalidade, naturalidade ou residência nos países membros e associados.

O tema deste ano é a produção de biocombustível de origem biológica, originado por meio da utilização de uma ou mais espécies vegetais, tais como cana-de-açúcar, mamona, soja, cânhamo, canola, babaçu, lixo orgânico, resíduos da agroindústria.

A premiação está dividida em quatro categorias: Iniciação Científica, com prêmio de US$ 2 mil, Jovem Universitário, US$ 3,5 mil, Jovem Pesquisador, US$ 5 mil e Integração, US$ 10 mil.

Veja o regulamento neste link.

1º Congresso Internacional de Metrologia Mecânica acontece no Rio de Janeiro

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e a Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM) realizarão, de 8 a 10 de novembro, o 1º Congresso Internacional de Metrologia Mecânica – 1º Cimmec. O evento pretende fortalecer o desenvolvimento da metrologia mecânica, principalmente no Brasil e na América Latina.

A iniciativa foi idealizada para aproximar, integrar pessoas e organizações, do país e do exterior, em um amplo e estratégico ambiente de intercâmbio técnico-científico, onde serão discutidos os mais recentes e avançados temas da metrologia mundial, em especial da metrologia mecânica, assegurando ferramentas para o desenvolvimento sem limites da ciência e tecnologia das medições, no contexto da chamada nova era da sociedade do conhecimento.

Informações sobre a programação podem ser obtidas neste link.

Fonte: Gestão CT

Proren - Programa Estadual de Racionalização do Uso de Energia é lançado no Rio de Janeiro

O Governo do Estado do Rio de Janeiro vai lançar, no dia 12 de agosto, o Programa Estadual de Racionalização do Uso de Energia (Proren). Entre os objetivos do programa está garantir a eficiência energética e reduzir impactos ambientais. O anúncio foi feito, no dia 23 de julho, pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, durante o sexto seminário do projeto Rio Além do Petróleo.

A iniciativa surgiu do Comitê Especial de Gestão Energética do Rio de Janeiro, grupo coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que reúne os principais órgãos e empresas dos setores energético e ambiental, além de entidades representativas dos principais consumidores.

Durante o seminário, foram debatidos ainda caminhos opções para alavancar o desenvolvimento socioeconômico e também a idéia de fazer do Rio de Janeiro a capital mundial da energia, proposta colocada em discussão pelo economista do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETs) Andre Unari.

No encontro, estavam presentes o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), João Carlos de Luca, o presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Eloi Fernandez y Fernandez, e o diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Julio Raimundo.

Fazem parte do Comitê Especial de Gestão Energética do Estado do Rio de Janeiro as secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico, de Ambiente e de Planejamento e Gestão, as empresas do setor energético Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG), Light, Ampla, Furnas, Eletronuclear, Usina Termelétrica Norte Fluminense, o IBP, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Associação Comercial e Fecomércio. Integram o comitê como convidados a Petrobras, a Eletrobrás e as universidades estaduais.

Além das instituições representadas no comitê, participam de ações do Proren as secretarias de Educação, Transporte e Ciência e Tecnologia, a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa), a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), a Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), a Associação Fluminense de Cogeração de Energia (Cogen Rio), o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), o Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee), a Fundação Coge e a AD-Rio.

Mais informações podem ser obtidas no site www.governo.rj.gov.br. (Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico)

Fonte: Gestão CT

Microarrays para tentar elucidar os mecanismos moleculares que induzem à dengue hemorrágica

Diferença intrigante
Pesquisadores do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM), braço da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, iniciaram um estudo para tentar elucidar os mecanismos moleculares que induzem à dengue hemorrágica.

O objetivo é esclarecer por que pessoas infectadas pelo mesmo tipo de vírus e com a mesma carga viral desenvolvem formas diferentes da doença – alguns pacientes apresentam sintomas da dengue hemorrágica fatal e outros, o tipo clássico.

“Estamos abrindo caminho para responder a essa pergunta”, disse Carlos Calzavara, pesquisador do CPqAM durante o 1º Encontro da Rede Pan-Americana de Pesquisa em Dengue, realizado na semana passada no Recife.

Apesar do contínuo aumento do conhecimento sobre a doença, a questão ainda não foi resolvida. Sabe-se, por enquanto, que a explicação está relacionada a uma série de fatores, como o tipo do vírus, a carga viral, o genoma do paciente, o estado geral do doente (se está bem nutrido e com o sistema imunológico equilibrado) e questões ambientais.

Calzavara explicou que o trabalho começou a ser desenvolvido com ensaio de microarrays de DNA, em uma parceria com a Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Os pesquisadores identificaram genes que, ainda na fase aguda da doença, são expressos de forma diferente em pacientes com dengue hemorrágica e com dengue clássica.

“Esse é o caminho para explicar o que leva pessoas infectadas com o vírus da dengue a responder de forma tão diversa à infecção”, afirmou. Segundo ele, milhares de genes foram identificados com expressão distinta. Agora, é preciso descobrir qual deles está vinculado à dengue hemorrágica.

No estudo, os cientistas priorizam seis genes possivelmente relacionados com sintomas da doença. Em busca das respostas, trabalham com uma amostra de pacientes com dengue hemorrágica (15 pessoas) e dengue clássica (15 doentes), comprovada em testes clínico, sorológico e molecular. Além de um grupo controle com cinco pessoas saudáveis.

“Usamos uma técnica de laboratório chamada PCR quantitativa em tempo real (qPCR), que permite medir o nível de expressão dos prováveis marcadores da dengue hemorrágica”, disse Calzavara. O objetivo final da pesquisa é tentar estabelecer um kit prognóstico do desenvolvimento da forma severa da doença.

Quando se chegar a esse estágio, com base na amostra de sangue, os pesquisadores terão condições de medir a propensão à dengue hemorrágica de um paciente que chega ao hospital com sintomas da doença. “Isso torna mais eficaz o atendimento ao paciente com dengue hemorrágica. Sabemos que o tempo de tratamento é crucial para a recuperação do paciente”, destacou.

O prognóstico, segundo o pesquisador do CPqAM, contribuirá com a diminuição da mortalidade e a redução do número de internações hospitalares. "Mas é um caminho ainda preliminar", afirmou.

Além de Calzavara, participaram do estudo Laura Gil e Ernesto Marques Júnior. Todos são vinculados ao Departamento de Virologia e Terapia Experimental do Instituto Aggeu Magalhães.

Fonte: Cleide Alves / Agência FAPESP

Composto comitê de coordenação do GPM/Brasil

O comitê de Coordenação do Núcleo Brasileiro do Programa Internacional de Medidas de Precipitação (GPM/Brasil) teve seus membros designados pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, por meio da Portaria de nº 63, publicada no Diário Oficial da União, do dia 25.

Compõem o comitê:
• Thyrso Villela Neto – Agência Espacial Brasileira (AEB);
• Maria Assunção Faus da Silva Dias (titular) e Luis Augusto Machado (suplente) - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe);
• Eduardo Delgado Assad (titular) e Edson Sano (suplente) – Embrapa;
• Carlos Augusto Morales Rodriguez (titular) e Augusto José Pereira Filho (suplente) – Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP ( IAG/USP);
• Alaor Moacyr Dall’ Átonia (titular) e Ivanete Maia Dias Ledo – Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet);
• Dalvino Troccoli Franca (titular) e Valdemar Santos Guimarães (suplente) – Agência Nacional de Águas (ANA).

A gerente do programa é Loiva Lopes Calderan, sendo sua suplente, Marta Carvalho Humann, as duas são da AEB.

Veja a portaria por este link.

Programa Microgravidade tem comissão de coordenação nomeada

A Agência Espacial Brasileira (AEB), instituição associada à ABIPTI, publicou, no dia 25, no Diário Oficial da União, Portaria nº 62, que designa membros para compor a Comissão de Coordenação do Programa Microgravidade. Compõem a instância:

• Thyrso Villela Neto – Agência Espacial Brasileira (AEB);
• Affonso Augusto Guidão Gomes - Academia Brasileira de Ciências (ABC);
• Irajá Newton Bandeira (titular) e Otávio Santos Cupertino Durão (suplente) - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entidade associada à ABIPTI;
• Flávio de Azevedo Corrêa Jr. (titular) e Ramon Machado Cardoso (suplente) - Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial/Instituto de Aeronáutica e Espaço (CTA/IAE).

A gerente do programa e sua suplente são, respectivamente, Marta Carvalho Humann e Loiva Lopes Calderan, ambas da AEB.

Veja a portaria por este link.

Fonte: Gestão CT

Designados membros para compor comissão de coordenação do Uniespaço

Por meio da Portaria de nº 23, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, designou membros para compor a Comissão de Coordenação do Programa Uniespaço.
Compõem a comissão:

• Thyrso Villela Neto – Agência Espacial Brasileira (AEB);
• Fernando Cosme Rizzo Assunção – Academia Brasileira de Ciências (ABC);
• Hélio Koiti Kuga (titular) e Amauri Silva Montes (suplente) – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe);
• José Bezerra Pessoa Filho (titular) e Algacyr Morgenster Jr. (suplente) – Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial/Instituto de Aeronáutica e Espaço (CTA/IAE).
Como gerente do programa foi designada Loiva Lopes Calderan da AEB, sendo sua suplente Marta Carvalho Humann, também da Agência.

Veja a portaria por este link.

Fonte: Gestão CT

R$ 8 milhões da Faperj para apoio às engenharias

Faperj lança programa de apoio às engenharias
A Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) lançou, na semana passada, o Programa Apoio às Engenharias. A iniciativa apoiará projetos conjuntos entre professores e alunos de instituições de ensino superior nas diversas áreas das engenharias e empreendedores de empresas brasileiras, sediadas no Estado do Rio de Janeiro. A data limite para submissão das propostas é o dia 12 de setembro.

Os projetos deverão contribuir para a criação, o fortalecimento e a ampliação de programas de pós-graduação stricto sensu em instituições fluminenses, em assuntos relativos às engenharias. Também deverão promover a inserção de mestres, recém doutores, alunos de graduação e pós-graduação em projetos de inovação tecnológica, desenvolvidos em parceria com empresas brasileiras, entre outros objetivos.

No total, o programa disponibilizará R$ 8 milhões, oriundos da Faperj. As propostas poderão ser classificadas nas seguintes faixas, de acordo com o montante solicitado: A – entre R$ 200 mil e R$ 400 mil, com um mínimo de cinco pesquisadores doutores; e B – até R$ 200 mil, com um mínimo de três pesquisadores doutores. Serão apoiadas até 12 propostas na faixa A.

Os projetos selecionados na faixa A poderão solicitar até duas bolsas de mestrado e duas de doutorado, para alunos dos programas de pós-graduação das instituições de ensino superior (IES) participantes; até duas bolsas de treinamento e capacitação técnica para mestres graduados em programas de pós-graduação das IES, visando sua inserção em empresa parceira para o desenvolvimento do projeto de pesquisa. Nesses casos, as bolsas terão duração máxima de 12 meses, com possibilidade de duas renovações por igual período.

As propostas da faixa B poderão solicitar uma bolsa de mestrado e uma de doutorado, para alunos dos programas de pós-graduação das IES partícipes; uma bolsa de treinamento e capacitação técnica para mestre graduado em programas de pós-graduação das IES, visando a sua inserção em empresa parceira para o desenvolvimento do projeto de pesquisa; uma bolsa de pós-doutorado, com vistas à sua inserção em empresa parceira para o desenvolvimento do projeto de pesquisa; até duas bolsas de iniciação tecnológica para graduandos das IES que acompanharão o desenvolvimento das propostas, tanto nas instituições quanto nas empresas.

Poderão ser custeados itens como material de consumo, material permanente e equipamentos, incluindo componentes ou peças de reposição de equipamentos; obras de infra-estrutura e instalações; despesas acessórias de importação e de instalações necessárias ao adequado funcionamento de equipamentos constantes nas propostas.

A íntegra do edital está disponível neste link

Fonte: Gestão CT

Curso de Comunicação Social da Ufes terá disciplina de jornalismo científico

A partir do próximo semestre, o curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) contará com a disciplina de jornalismo científico. A aula inaugural da nova matéria ocorrerá no dia 18 de agosto e será ministrada pelo apresentador do programa “TV é Ciência”, Lucyano Ribeiro. A iniciativa é da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia (Sect), em parceria com a TV Educativa do Espírito Santo.

A disciplina tem como objetivo formar competência em jornalismo científico, analisar a cobertura de ciência e tecnologia pelos meios de comunicação, além de realizar a produção de matérias e programas de divulgação científica. Em notícia divulgada pela Sect, Ribeiro explica que a implantação da nova matéria se justifica pela ampliação dos investimentos em ciência e tecnologia realizados pelo Espírito Santo. “Por meio da exibição do TV é Ciência percebemos o interesse da sociedade pela ciência neste novo ambiente, mais conhecido a partir da era do conhecimento e informação”, disse.

De acordo com informações da Sect, o programa “TV é Ciência” é pioneiro entre as televisões abertas locais, sendo que já foram exibidas 47 diferentes edições. Em sua segunda temporada, a iniciativa será exibida no canal 2, às terças-feiras, às 22h. A atração também será reprisada aos domingos, às 14h30. A proposta do programa é permitir aos estudantes, pesquisadores, profissionais e à população capixaba o acesso ao conhecimento científico. O “TV é Ciência” também pretende divulgar as pesquisas desenvolvidas no Espírito Santo e mostrar a importância cada vez maior da ciência e inovação no cotidiano das pessoas.

Durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Campinas (SP), neste mês, a pesquisadora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), Maria das Graças Caldas, apresentou dados de um mapeamento realizado em 2005 que aponta que, de um total de 304 cursos de jornalismo em todo o Brasil, apenas 31 oferecem disciplinas de jornalismo científico, sendo que 20 são ministradas em instituições privadas.

Na avaliação do secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Rogério Silveira de Queiroz, a formação de jornalistas com visão de mundo científico e tecnológico e suas peculiaridades é muito importante na divulgação do avanço do país e na motivação das novas gerações. “De fato, a boa veiculação crítica do sucesso da ciência e tecnologia é imprescindível para formar no cidadão e no futuro profissional a consciência do papel da C&T no desenvolvimento da sociedade”, afirmou.

Informações sobre a Sect/ES podem ser obtidas no site www.sect.es.gov.br.(Com informações da Sect/ES)

Fonte: Gestão CT

Restrição dos EUA à compra de componentes para o CBERS oportuniza inovação brasileira

As restrições impostas à importação de componentes para a fabricação do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, o CBERS-3, provocaram alterações no cronograma de lançamento do satélite.

Inicialmente previsto para ir ao espaço em 2009, o CBERS-3 só estará pronto para lançamento em 2010. As dificuldades de importação de componentes resultam da ação dos Estados Unidos. O governo dos EUA teme que exportações de produtos de empresas norte-americanas a ser embarcados no CBERS-3 resultem em transferência de tecnologias sensíveis para os chineses, que podem ser usadas por estes com fins militares.

As restrições atrasaram as entregas de partes dos subsistemas do CBERS-3 que eram de responsabilidade do Brasil na parceria com a China. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que gerencia o programa CBERS, contrata empresas no País para desenvolver e produzir parte desses subsistemas. Algumas dessas firmas tiveram problemas na importação dos componentes. Em julho, o instituto recebeu a notícia de que mais três componentes importantes não serão vendidos para o projeto.

A informação foi dada dia 17 de julho por Jânio Kono, gerente da área espacial do programa CBERS, durante mesa-redonda sobre o programa e a formação de recursos humanos para a indústria aeroespacial na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Kono não revelou quais são os três componentes que não serão entregues.

Os subsistemas do satélite sino-brasileiro sob responsabilidade do Brasil são: estrutura; suprimento de energia; telecomunicações de telemetria e telecomando; imageadores; transmissores de dados; gravador de dados; carga útil de coleta de dados. Além desses subsistemas, o Brasil fabrica os computadores de supervisão de bordo e controle de atitude. Em todos os subsistemas houve restrições de importação dos EUA que causaram atrasos no desenvolvimento, testes e fabricação. O país é líder em tecnologias espaciais.

As restrições dos EUA
Uma das empresas impedidas de comprar componentes nos EUA foi a Opto Eletrônica, de São Carlos (SP). A empresa ficou encarregada de montar duas câmeras do CBERS-3, e teve de cancelar um contrato de US$ 45 mil com a International Rectifier (IR), da Califórnia, em 2007. O componente comprado — um conversor de corrente altamente sensível — não pôde ser embarcado para o Brasil, mesmo depois de pago, porque as severas regras do governo dos EUA impediram a empresa californiana de fornecer o produto. Empresas norte-americanas que exportem tecnologia considerada sensível pelo Departamento de Estado dos EUA são fortemente penalizadas. O receio dessas penalidades, impostas pelo governo, fazem-nas desistir de negócios com países como China, Coréia do Norte, Cuba e Irã, entre outros.

As empresas dos EUA pedem a seus compradores no exterior para assinar o que chamam de "bomb letter". Na carta, o comprador se compromete a não dar a esses produtos nenhuma destinação que os EUA não aprovariam, como a fabricação de bombas — daí o nome. Limitar a transferência de tecnologia também é preocupação de outros países, que os faz adotar medidas e restrições semelhantes às dos EUA.

No caso norte-americano, há uma norma específica sobre isso, conhecida pela sigla ITAR — International Traffic in Arms Regulations. Nela, há uma lista que classifica os países em graus de proibição de exportação, segundo o desenvolvimento tecnológico e as relações comerciais e políticas de cada um deles com os EUA. A ITAR também enumera quais componentes devem ter a exportação restringida ou impedida. As firmas norte-americanas, ao cumprir a norma, deixaram de exportar vários componentes para o Brasil, em razão da participação da China no CBERS.

Câmera desenvolvida pela Opto sofreu atraso
Jarbas Caiado de Castro Neto, presidente da Opto, foi o primeiro a mencionar o embargo às importações por parte dos EUA durante a mesa-redonda na reunião anual da SBPC. A Opto desenvolve e constrói duas câmeras para o CBERS-3: uma multiespectral de alta resolução, conhecida pela sigla MUX, que a empresa desenvolve sozinha e que servirá para monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais; e uma câmera imageadora de amplo campo de visada, conhecida pela sigla WFI, desenvolvida em consórcio com a empresa Equatorial Sistemas. Esse último tipo de câmera cobre grandes extensões territoriais, maiores do que as cobertas pela MUX, por exemplo, que registra mais detalhes. "No caso da WFI, que é muito mais simples do que a MUX, se não fosse o boicote norte-americano, já estaríamos em uma etapa mais avançada", contou Castro Neto.

O empresário afirmou que, sem o embargo dos EUA, a câmera estaria sendo qualificada em modelo de vôo, praticamente a fase final de testes no desenvolvimento de um satélite. Em qualquer programa espacial, como lançamento de satélites, há uma série de testes feitos para qualificar os componentes, subsistemas, todas as tecnologias utilizadas. Qualificar significa verificar se os subsistemas e componentes atendem aos requisitos técnicos dados por quem encomendou o satélite. Esses requisitos definem o que cada componente ou subsistema deve fazer e dão os parâmetros para que estes "sobrevivam" às condições de vôo e ao ambiente espacial. Por exemplo: os componentes devem operar perfeitamente em ambientes sem gravidade, resistir a grandes variações de temperatura, etc.

Contudo, Castro Neto destacou que os problemas de importação, por conta da norma ITAR, não são de todo negativos, pois estão se transformando em oportunidade. Podem tornar o País mais independente de nações mais desenvolvidas no que se refere às tecnologias para os satélites, comentou ele na apresentação na SBPC.

Solução para o bloqueio de importações
Como participante da platéia, Jânio Kono, do INPE, usou o espaço de debates para oferecer mais informações sobre o assunto. Segundo ele, o maior problema no desenvolvimento do CBERS-3 foi o embargo às importações de componentes. Quando o Brasil e a China construíram o CBERS-2, já houve alguma restrição, lembrou. Para o CBERS-3, disse ele, as câmeras e todos os subsistemas que ficaram sob responsabilidade do Brasil foram afetados pelas dificuldades impostas pelos norte-americanos. "Projetos foram recomeçados, refeitos, componentes foram trocados, causando atrasos", enumerou Kono.

Por e-mail, Kono contou a Inovação, de maneira mais detalhada, a forma encontrada pelo INPE para ajudar as empresas parceiras a atender as encomendas, de modo a não aumentar ainda mais o atraso no lançamento do satélite causado pela restrição na importação de componentes de alta confiabilidade e qualificados para uso no espaço. "Os problemas e os atrasos foram diferentes para cada subsistema e estão sendo resolvidos caso a caso", contou. Procuram-se, em primeiro lugar, componentes qualificados com funções similares que possam substituir os restritos. "Se não forem encontrados, há um impacto maior no projeto. Em certos casos, optou-se por mudanças substanciais na concepção do subsistema", completou. Em outros casos, procura-se qualificar para o uso no CBERS, por meio de testes adicionais (chamados de up-screening), componentes para os quais não há garantia de qualificação dos fabricantes. "Isso deve ser feito com cuidado para não comprometer a confiabilidade do satélite", alertou.

Setor espacial no Brasil é marcado por poucas encomendas
O embargo na importação amplia os problemas das empresas do setor espacial no Brasil, que dependem muito do governo. Na Europa, as empresas do setor espacial têm encontrado um mercado em expansão por atuarem também em telecomunicações, por exemplo. Nos Estados Unidos, o programa espacial é estratégico e recebe grandes volumes de recursos por parte do governo, o que sustenta o setor. Já no Brasil, há forte sazonalidade, devido à instabilidade no repasse de recursos, por parte do governo, aos projetos que integram o programa espacial brasileiro. César Ghizoni, presidente da empresa Equatorial Sistemas e um dos palestrantes da mesa-redonda sobre a importância do CBERS na formação de recursos humanos nas indústrias, e Jarbas Caiado de Castro Neto, da Opto, falaram das estratégias diferentes para sobreviver também a essa sazonalidade.

Os dois primeiros satélites do programa, CBERS-1 e 2, quase não contaram com a participação de empresas privadas. Praticamente tudo do CBERS-1 foi desenvolvido pelo INPE, dentro dos subsistemas que eram de responsabilidade do País. No CBERS-2, empresas participaram discretamente, e isso se ampliou no CBERS-2B e no CBERS-3. Mas, por quase cinco anos, o programa CBERS não fez nenhuma encomenda para a iniciativa privada.

Empresas como a Opto, que atua em outros nichos de mercado, conseguem gerar caixa com outras atividades para se manter enquanto o governo não faz uma encomenda. No caso da Opto, ela utiliza a expertise conseguida pela divisão aeroespacial, que trabalha com sistemas imageadores (câmeras) para satélite e ópticos para defesa, para desenvolver e fabricar produtos para uso civil. Daí ela ter uma divisão médica, com foco em oftalmologia, e de filmes finos, que trabalha com lentes de óculos anti-reflexo.

Já a Equatorial, que atua exclusivamente no setor, seguiu outro caminho: fez parceria com empresas internacionais para participar de projetos de outros países. O programa espacial brasileiro não gera demanda que consiga manter uma empresa funcionando por muito tempo, devido à sazonalidade das encomendas. A saída, segundo Ghizoni, foi se internacionalizar. A Equatorial tem como acionista minoritária a European Aeronautics Defence and Space Company (EADS), e isso facilita a entrada da empresa brasileira em outros mercados.

Apesar dos problemas envolvendo o setor espacial no Brasil, ambas as firmas destacam como ponto positivo do programa espacial brasileiro o projeto CBERS. Trata-se do único projeto ativo do programa espacial nacional de longa duração. Completou 20 anos em 2008. E quando as empresas participam de um projeto como o CBERS, destacou Ghizoni, ganham ao se capacitar e formar pessoas capazes de lidar com tecnologias de última geração, pois os requisitos para trabalhar na área espacial são maiores do que os para desenvolver um produto para uso civil.

A Opto ilustra bem isso: a participação no CBERS é fundamental para suas outras atividades, porque amplia sua capacidade de inovar. Um exemplo: por ser muito sofisticado, o sistema de imagem do CBERS exigiu da Opto a montagem de uma equipe de físicos e engenheiros treinados em desenho óptico. Essa mesma equipe trabalhou na câmera de fundo de olho, produto da área oftalmológica da empresa. Essa câmera fotografa toda a retina do olho. Apenas duas outras empresas em todo o mundo — uma japonesa e outra alemã — produzem equipamentos similares.

Os próximos passos para o lançamento do CBERS-3
Segundo Jânio Koko, no momento o INPE está realizando testes para qualificação do projeto estrutural do satélite, em São Jose dos Campos (SP). Os modelos de engenharia dos subsistemas estão sendo entregues pelas empresas contratadas e deverão ser enviados para a China em agosto. A partir de setembro, um modelo de engenharia do satélite será integrado e o funcionamento e desempenho do satélite serão verificados. "Esses modelos de engenharia são semelhantes aos equipamentos que irão integrar os satélites de vôo, mas são fabricados com componentes não qualificados e não são submetidos aos testes ambientais de qualificação", explicou. Os componentes qualificados serão utilizados em modelos de qualificação e modelos de vôo dos equipamentos.

Além da Opto e da Equatorial, outras empresas, como Mectron, Cenic e Fibraforte, participam do projeto do CBERS-3, contratadas pelo INPE para desenvolvimento e montagem de partes dos subsistemas do satélite.

Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp

Prêmio Telmo Araújo de Divulgação Científica é lançado na Paraíba

No dia 25, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), instituição associada à ABIPTI, lançou o Prêmio Telmo Silva de Araújo de Divulgação Científica. De acordo com a entidade, a iniciativa é uma forma de reconhecimento ao trabalho do professor, pesquisador e gestor Telmo Araújo (in memorian), grande incentivador da divulgação da ciência e da tecnologia.

Por meio da premiação, a Fapesq também pretende incentivar a divulgação dos conhecimentos gerados nas instituições de C&T do Estado. A primeira edição do prêmio tem como tema “O Semi-Árido”. Ele conta com duas categorias: Universitária e Pesquisador. Podem concorrer na categoria Universitária os estudantes de graduação e pós-graduação regularmente matriculados em instituições de ensino superior do Estado da Paraíba.

Já a categoria Pesquisador é voltada para os docentes e profissionais com vínculo funcional/empregatício com universidades, institutos, centros, fundação de pesquisa e/ou desenvolvimento e demais órgãos de C&T, da administração pública direta, autarquia ou fundacional, empresas públicas ou sociedades de economia mista, ou organizações privadas sem fins lucrativos do Estado da Paraíba.

A iniciativa objetiva reconhecer e premiar o melhor trabalho escrito por estudantes, docentes e/ou profissionais, que possa se transformar em uma contribuição científica, tecnológica ou de inovação, na solução de problemas do cotidiano e na melhoria da qualidade de vida da população da região semi-árida da Paraíba. O trabalho premiado será publicado em forma de livro.

O vencedor na categoria Universitária receberá R$ 2 mil. Já o primeiro colocado da categoria Docente/profissional ganhará R$ 3 mil e 500 exemplares do livro publicado com os dois trabalhos premiados. Os autores ainda receberão certificado de premiação. Os classificados em segundo lugar nas duas categorias serão contemplados com o Troféu Telmo Silva de Araújo e com o Certificado de Menção Honrosa.

Os interessados deverão encaminhar as suas propostas, até o dia 30 de setembro, para a Fapesq, no seguinte endereço: Rua Emiliano Rosendo, s/n, Bodocongó, Campina Grande (PB). O resultado será divulgado até o dia 21 de outubro e a entrega do prêmio deverá ocorrer no dia 24 de outubro. O regulamento da premiação e ficha de inscrição estão disponíveis no site www.fapesq.rpp.br.

Homenagem
A personalidade homenageada pelo prêmio é natural de Recife (PE). Telmo Silva de Araújo se graduou e fez o seu mestrado em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O seu doutorado foi concluído em Tolouse, na França, na Universidade Paul Sabatier, e o pós-doutorado na LEEI/Enseiht, também em Tolouse. Entre outras funções, ele foi professor da Escola Politécnica de Pernambuco e engenheiro do Departamento de Energia do Estado.

Araújo foi para a Paraíba em 1979, como professor convidado da Universidade Federal da Paraíba, campus de Campina Grande. Na instituição, ele desenvolveu a área de eletrotécnica, coordenou vários projetos de pesquisa e manteve diversos convênios nacionais e internacionais. Também publicou inúmeros trabalhos em periódicos científicos, orientou dezenas de dissertações de mestrado e teses de doutorado, além de ter ocupado alguns cargos na administração da universidade.

O professor ainda dirigiu diversos cargos da administração pública e privada, em órgãos como a Prefeitura do Município de Campina Grande, onde foi secretário de Indústria e Tecnologia, secretário de Planejamento e presidente da Agência Municipal de Desenvolvimento (AMDE). Ele foi um dos idealizadores da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, onde foi diretor geral. Araújo também ocupou a presidência da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

Na década de 1980, idealizou diversas iniciativas voltadas para a divulgação da ciência e tecnologia. Entre elas, a Feira de Tecnologia de Campina Grande (Fetec), que teve o objetivo de levar à comunidade os resultados e as aplicações das pesquisas desenvolvidas nas instituições de ciência e tecnologia do Estado da Paraíba.

Informações sobre a Fapesq podem ser obtidas no site www.fapesq.rpp.br. (Com informações da Fapesq)

Fonte: Gestão CT