sábado, 26 de julho de 2008

As origens da biodiversidade amazônica

Paleodistributions and Comparative Molecular Phylogeography of Leafcutter Ants (Atta spp.) Provide New Insight into the Origins of Amazonian Diversity

Isolamento causado por inundação da região e mudanças climáticas gerou diversificação de espécies

Pesquisadores brasileiros e norte-americanos lançam nova luz sobre a origem da grande riqueza da biodiversidade amazônica. Estudo feito com formigas saúvas aponta que a diversificação de espécies animais na Amazônia teria sido fruto do isolamento promovido pela inundação de grande parte da região e, posteriormente, pelas mudanças climáticas durante a última era do gelo, há cerca de 21 mil anos.

As razões que originaram a alta diversidade de espécies na Amazônia ainda não são bem compreendidas. O novo estudo corrobora uma hipótese controversa e que tem sido duramente criticada: a de que múltiplas e distintas espécies evoluíram depois da separação dos animais em refúgios isolados, cada um com seu próprio conjunto de pressões ambientais seletivas.

Segundo essa teoria, o declínio da pluviosidade durante períodos de máximo glacial restringiu a distribuição de florestas úmidas na Amazônia. Então, espécies que habitavam essas florestas teriam ficado igualmente isoladas em refúgios ao longo da periferia da bacia amazônica, em regiões que mantiveram sua umidade mesmo em épocas de aridez. Essa condição teria resultado no isolamento reprodutivo e na possibilidade da ocorrência de especiação.

Além das mudanças climáticas da idade do gelo, outro evento também teria gerado diversificação na Amazônia por meio da separação de populações, como sustenta o estudo, publicado na revista PloS One desta semana. Entre 10 e 15 milhões de anos atrás, algumas áreas da América do Sul hoje cobertas pela floresta teriam sido inundadas pela elevação dos níveis dos oceanos, o que isolou as regiões mais elevadas, como os Andes. Nessas “ilhas”, as espécies poderiam evoluir independentemente de outras.

A lição das saúvas
Para testar essas hipóteses sobre a influência da geografia e do clima na formação de novas espécies na Amazônia, os pesquisadores, liderados por Scott Solomon, da Universidade do Texas em Austin (Estados Unidos), estudaram três espécies de formigas saúvas: Atta cephalotes, Atta sexdens e Atta laevigata. Essas formigas têm pequena mobilidade e hoje são encontradas em todas as regiões em que estavam os prováveis refúgios.

Segundo os cientistas, esta é a primeira vez que invertebrados são usados nesse tipo de estudo. Pesquisas anteriores analisavam principalmente aves e mamíferos. “Não se pode pensar em estudar a diversificação de espécies na Amazônia sem seu grupo de animais mais numeroso: os invertebrados”, diz à CH On-line um dos co-autores do estudo, o bioquímico Mauricio Bacci Jr., da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro.

Para o estudo, a equipe inicialmente tentou reconstruir a distribuição geográfica das três espécies de formiga no passado, por meio de uma simulação que considera as condições climáticas e ambientais em que vivem hoje e os locais que exibiam o mesmo perfil antigamente. Em seguida, a partir da análise genética das espécies, verificou-se que, nas regiões onde se localizavam antigos refúgios, vivem hoje formigas mais ancestrais na cadeia evolutiva. “Os insetos têm a marca genética dos eventos que causaram sua diversificação”, constata Bacci Jr.

Atravessando rios
Os pesquisadores também testaram uma terceira hipótese para a origem da biodiversidade amazônica: a de que os rios da região, largos e numerosos, teriam funcionado como barreira geográfica para o fluxo genético entre populações. “Mas os resultados descartam essa possibilidade”, diz Bacci Jr. Análises feitas na parte mais larga do rio Amazonas mostram que as três espécies de formigas se localizam dos dois lados e que o fluxo de genes ocorreu regularmente. “Encontramos inclusive formigas geneticamente iguais”, destaca.

Mas como é possível minúsculas formigas cruzarem rios tão largos? Segundo Bacci Jr., sabe-se que as formigas voam durante seu acasalamento, mas não o suficiente para atravessar o rio Amazonas. Ele esclarece que já foram observados ninhos de formigas flutuando em rios e que há casos de travessia de insetos em pedaços de madeira e outros fragmentos.

Os resultados da pesquisa, no entanto, não resolvem todos os mistérios da biodiversidade tropical nem explicam por que ela excede tanto a de zonas temperadas. “Há outros mecanismos de diversificação além da formação de refúgios”, ressalta o pesquisador. E completa: “Nem todas as espécies foram afetadas por esses eventos.”

A equipe agora pretende correlacionar as evidências moleculares com achados paleontológicos, na tentativa de especificar mais precisamente as datas em que ocorreu a diversificação das espécies na região amazônica. (Thaís Fernandes / Ciência Hoje On-line)

Para ler o artigo" Paleodistributions and Comparative Molecular Phylogeography of Leafcutter Ants (Atta spp.) Provide New Insight into the Origins of Amazonian Diversity" acesse o link

Fonte: Sbef News

Professor da UnB desenvolve palheta de bambu para uso em orquestra


Professor da UnB, único profissional no Brasil a fazer objeto para instrumentos de sopro, adota planta nativa e barateia custos

No Brasil são raros os artesãos que fabricam instrumentos ou acessórios para música clássica, seja por uma questão cultural ou falta de interesse econômico. Quase todos os artefatos de uma orquestra provêm do exterior. No entanto, um professor da Universidade de Brasília (UnB) tem mostrado ser possível criar produtos de qualidade com matéria-prima e técnica nacionais.

Ebnezer Maurílio da Silva, docente do Departamento de Música, é o único profissional do País a desenvolver todas as 12 variedades de palhetas usadas nos diferentes tipos de saxofone, fagote, oboé e corne inglês. E com uma vantagem a mais: custo praticamente zero, em um mercado que paga até R$ 40,00 por uma pequena palheta.

Esse objeto, de no máximo sete centímetros de comprimento, assemelha-se a uma fina espátula de madeira. É encaixado na extremidade em que o músico encosta os lábios para tocar, ajudando a obter um som limpo e harmonioso. A beleza do som que chega aos ouvintes depende de uma boa relação entre ela e seu dono.

Silva descobriu no País, mais precisamente no Distrito Federal, onde mora, quatro espécies de uma gramínea, semelhante ao bambu, que podem ser usadas para fazer o acessório. “A planta é quase uma praga. Por isso, muitas vezes vai para o lixo. Fiquei surpreso porque na Europa, que é o principal fabricante de palhetas, não existe essa abundância, tanto que eles precisam importar a matéria-prima do Vietnã”.

ARTESÃO
Depois de identificar os vegetais, da espécie Arundo donax, o professor foi atrás de máquinas para fazer as próprias palhetas. Entre os equipamentos comprados estão uma lixadeira comum, financiada com recursos da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), que transforma o gomo cilíndrico da gramínia em uma folha com uma face reta. Também comprou uma cortadeira elétrica.

De cada tubo (espaço delimitado entre dois gomos da planta) são obtidas uma média de 16 matrizes. Depois disso, os pedaços são cortados no formato de um molde e afinados em uma das pontas, até atingir a espessura de 0,01 milímetro, a mesma de uma folha de papel.

Todo o trabalho é feito dentro da oficina que o professor montou dentro de sua casa no setor Park Way, em Brasília, onde Silva cultiva a gramínea no quintal e também guarda seu estoque. A Arundo donax é colhida nos meses de maio, junho e julho. “Nessa fase o vegetal está em período de dormência e tem menos seiva, portanto, mais maleabilidade”, explica. Mesmo assim, para obter mais flexibilidade, a matéria-prima precisa ser deixada em processo de envelhecimento por dois, quatro ou seis anos.

INOVAÇÃO
Com o progresso de suas incursões, Silva aproveitou para agir em outra seara profissional: a de engenheiro. Até aquele momento, ele havia descoberto apenas como fazer as palhetas simples, que levam apenas uma folha de bambu. Outros instrumentos, entretanto, usam um modelo duplo, formado pela junção de duas unidades côncavas.

Aliando criatividade e tecnologia, ele desenvolveu nada menos que oito equipamentos, todos com pedido de patente já solicitado, para elaborar esses novos objetos. Chegar a esse ponto, entretanto não foi fácil. “Quem tem essa tecnologia, não ensina, nem vende. Tive de começar tudo do zero”, conta.

Para um musicista profissional, fazer as próprias palhetas representa uma economia substancial, considerando que cada uma delas dura apenas uma semana. Apesar da possibilidade de ganho comercial com a invenção, o professor prefere manter a fabricação apenas para uso próprio e de seus alunos na UnB. “Já dedico grande parte do meu tempo às atividades de docência. Eu precisaria treinar uma outra pessoa, mas é difícil colocar esse tipo de negócio nas mãos de quem não toca.”

OUTRAS INCURSÕES
Além dos acessórios, Silva pesquisa novas madeiras para instrumentos musicais, principalmente a flauta. Ele já encontrou uma espécie de cheiro adocicado que parece reunir características favoráveis, mas não revela ainda o nome. “É importante descobrir o potencial das madeiras que existem no Brasil e que nunca foram testadas. A Europa tem muito menos espécies que nós.”

Fiel ao seu propósito de inventor, Silva também desenvolve um modelo de tudel – tubo de metal que lembra o formato de uma interrogação, onde se encaixa uma palheta nos fagotes. O objeto é feito em fibra de carbono, um material leve e extremamente resistente. Se tudo der certo, será possível alcançar notas ainda mais agudas com o instrumento.

PERFIL
Ebnezer Maurílio Nogueira da Silva graduou-se em Música pela Northern Illinois University, nos EUA. Doutorou-se no mesmo tema na Florida State University e fez mestrado em Instrumentos de Madeira na Ohio University. Atualmente é professor do Departamento de Música (MUS) da UnB e pesquisa a arte de fazer palhetas desde 1997. Contatos pelo e-mail

Fonte: Fabiana Vasconcelos / UnB

O 63º Congresso da ABM começa a partir de segunda-feira

Pierre Gugliermina, CTO da ArcelorMittal, grupo que lidera a produção de aço no mundo, participa, na próxima segunda-feira (28), no Mendes Convention Center, em Santos (SP), da sessão de abertura do 63º Congresso Anual promovido pela Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM). O executivo falará sobre os desafios tecnológicos para a próxima década.

A ArcelorMittal, controladora no Brasil entre outras das siderúrgicas instaladas em Tubarão (ex-CST), Timóteo (ex-Acesita), João Monlevade (ex-Belgo) e São Francisco do Sul (ex-Vega do Sul), tem capacidade de produção de 120 milhões de toneladas/ano. A título de comparação, toda a produção de aço brasileira somou 33,8 milhões de toneladas em 2007.

A programação oficial do 63º Congresso da ABM será aberta pelo presidente da entidade e da ArcelorMittal Brasil, José Armando de Figueiredo Campos. Em seguida, Omar Silva Júnior, diretor Industrial da Usiminas / Cosipa, empresa anfitriã do evento, dará as boas-vindas aos congressistas, convidados e autoridades.

Considerado o maior fórum de debates do setor mínero-metalúrgico da América Latina, o Congresso da ABM acontece em um dos melhores momentos da indústria de mineração, siderurgia e de não-ferrosos (alumínio, níquel, cobre, zinco) no Brasil e no mundo. Os investimentos do setor totalizarão US$ 88,9 bilhões até 2012 na expansão das atuais usinas e instalação de novas plantas no País.

A programação da noite inclui homenagens e inauguração da Expomet 2008, exposição de fornecedores de produtos e serviços para a cadeia metalúrgica, seguida de coquetel.

São esperados no 63º CONGRESSO ANUAL DA ABM aproximadamente mil pessoas, entre líderes empresariais e especialistas nacionais e estrangeiros ligados às indústrias, universidades e centros de pesquisa que atuam no universo da metalurgia e dos materiais.

O evento prossegue até o dia 31, com extensa programação, cujo tema principal é ‘Crescimento Sustentável’, um dos grandes desafios que o setor terá que enfrentar para alcançar novos patamares no ranking dos grandes players mundiais.

Fonte: Assessoria ABM

1ª Primeira Escola Temática Química dos Produtos Naturais

A biodiversidade brasileira em produtos naturais
O Instituto de Química (IQ) da UFRJ realizou no auditório do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) sua 1ª Primeira Escola Temática Química dos Produtos Naturais, entre os dias 21 e 23 de julho. O evento foi organizado pelos professores Ângelo da Cunha Pinto e Cláudia Resende juntamente com alunos de mestrado, doutorado e de iniciação científica do IQ.

A Escola abordou a aliança entre os conhecimentos de Química e Farmácia, além de chamar atenção para a biodiversidade do território brasileiro e sua potencial utilidade na produção de fitofármacos e fitoterápicos.

Segundo o professor Ângelo da Cunha, os fitofármacos podem ser compreendidos como substâncias retiradas da planta capazes de desempenhar atividade medicinal. Já os fitoterápicos seriam a planta em si, por exemplo, a raiz ou o caule moído, capaz desempenhar essa função medicinal, terapêutica ou curativa.

A fitoterapia constitui uma forma de terapia medicinal que vem crescendo notadamente nestes últimos anos, ao ponto de, atualmente, o mercado mundial de fitoterápicos girar em torno de U$ 28 bilhões. No Brasil esse número aproxima-se dos U$ 500 milhões.

–"O Brasil detém, aproximadamente, um terço da flora mundial, incluída a maior floresta tropical e úmida do planeta, a Amazônica. Além de sua biodiversidade terrestre, há de se dar importância à amplitude de seus ecossistemas aquáticos, devido a grande extensão de seu litoral. Neste contexto de ampla escala de produtos naturais, era de se esperar o desenvolvimento de importantes pesquisas em farmacologia. No entanto, o país não exerce significativo destaque no mercado mundial, ficando, inclusive, atrás de países menos desenvolvidos tecnologicamente" declara Ângelo.

Segundo ele, o Brasil ocupa um por cento em termos de fitoterápicos do mundo. “O que se comercializa aqui são plantas, principalmente vindas da China e Índia. Nós comercializamos somente três plantas brasileiras como fitoterápicos, uma é o guaraná, utilizado como estimulante, a espinheira santa, no combate à úlcera, e a outra é o guaco, indicado no tratamento da tosse”, exemplificou.

Se uma planta medicinal é utilizada por determinada etnia há dezenas de gerações significa ou que sua toxidade é baixa ou é nula, caso contrário as pessoas não a usariam. Segundo o professor, essa é a vantagem de estudar produtos naturais, torna-se muito mais fácil chegar a determinado fármaco através do histórico de uso das plantas, do que, por exemplo, através da síntese química.

Para um fitoterápico ser comercializado, o mesmo deve ter um histórico de pelo menos 30 anos de uso. A retirada das substâncias da estrutura ao isolamento de uma planta ou de um organismo marinho, até chegar ao medicamento leva na faixa de 12 anos. O custo é acima de 500 milhões de dólares, alguns pesquisadores cogitam até 1 bilhão de dólares. Estima-se que somente uma a cada dez mil substâncias que já apresentaram atividade medicinal, chegue às prateleiras.

A 1ª Escola Temática em Química também veio desmistificar a imagem dos fitoterápicos veiculadas na grande mídia. Segundo Ângelo da Cunha Pinto, nem todos os medicamentos à base de produtos naturais no mercado fazem bem à saúde. “Há plantas altamente tóxicas e letais. Por isso deve-se atrelar importância à aliança entre o químico e o farmacólogo, que ao trabalharem juntos, avaliam a capacidade do extrato de determinada planta de desempenhar a atividade pela qual é reconhecida popularmente”, afirmou.

Produtos naturais
Debater sobre o tema dos produtos naturais foi a forma encontrada pelos professores de resgatar a importância que o Rio de Janeiro exerceu nessa área. Os primeiros estudos químicos brasileiros sobre plantas foram realizados na cidade do Rio por um farmacêutico alemão chamado Theodoro Peckolt. Neste tempo, o Rio já correspondeu ao pólo nacional farmacológico. No início do século XX, era abrigo do Instituto de Química Agrícola, onde foram desenvolvidos estudos para produtos naturais, atividade que seria interrompida, em 1962, no governo de João Goulart, por não viabilizar essas pesquisas como prioritárias. “Com o fechamento do Instituto, houve uma diáspora dos profissionais pelo Brasil, principalmente para São Paulo. Hoje, diria que SP tem 50% da comunidade científica em estudos de produtos naturais. Essa escola resgata a tradição do Rio nessa área”, afirmou Ângelo. (Priscilla Prestes - AgN/CT)

Fonte: Olhar Vital