quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pesquisador da UnB desenvolve sistema que reproduz qualquer objeto em três dimensões

Máquina criada por engenheiro na UnB para reparos em turbinas de hidrelétricas pode ser usada em moldes cirúrgicos

Usando uma câmera pequena, um feixe de laser, um motor e muita criatividade, o engenheiro mecatrônico Luciano Ginani conseguiu desenvolver um sistema que reproduz qualquer objeto em três dimensões. O trabalho foi realizado durante o mestrado em Sistemas Mecatrônicos na Universidade de Brasília (UnB).

O equipamento de 300g, do tamanho de uma caixa de bombom, faz o mesmo serviço de outros encontrados no mercado, mas com uma importante diferença. “Montamos tudo com US$ 3 mil, uma redução de custo muito grande, pois no mercado os preços vão de US$ 10 mil a US$ 15 mil”, afirma.

Com o aparato, é possível mapear qualquer superfície, desde uma chave de fenda a uma parede. Embora existam inúmeras aplicações, o equipamento deve ser usado mesmo para reparos nas pás de turbinas em usinas hidrelétricas.

Ginani explica que essas hélices sofrem fraturas e podem se quebrar pelo choque com a água. A função do sistema será a de fazer um mapa em 3D delas, que oferece recursos como medidas e coordenadas, inexistentes em uma foto comum. Essa informação será usada por um robô, também em desenvolvimento pela UnB, para efetuar as soldas no local.

O uso de robôs nessas atividades evita que um profissional se arrisque no ambiente pouco amigável em que se localiza uma turbina. Dentro delas, a temperatura chega aos 40ºC e a umidade atinge 100%. A pesquisa tem apoio das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), que gerencia 14 usinas em cinco estados.

Além dessa vantagem, a mecanização pode reduzir o tempo de reparo. Afinal, quanto menor o tempo em que o sistema hidrelétrico estiver parado, menos prejuízos terá a empresa. O mestrando Ênio Vasconcelos Filho, amparado por uma equipe de alunos e professores, vai construir o robô que executará os comandos.

FUNCIONAMENTO
Para “fotografar” um objeto, o equipamento faz uma varredura de cima a baixo com um feixe de raio laser de 2,5 miliwatts, considerado de baixa potência. Somente raios com mais de 100 miliwatts geram danos. O reflexo da luz é captado por uma câmera simples, quase do tamanho de uma webcam.

Durante o procedimento, um pequeno motor move o ponto de luz até que toda a superfície tenha sido registrada. Para reproduzir uma mão, por exemplo, são suficientes 150 linhas gravadas com o uso do raio laser, ou seja, 150 registros. Quanto mais faixas, melhor a definição.

Depois, um conjunto de cabos leva as informações para um computador, que pode ser de configuração doméstica. No programa criado pelo engenheiro, é possível visualizar o objeto em tamanho real.

Embora a aplicação em turbinas seja a prioridade, Ginani explica que o equipamento pode ser usado para as mais diversas finalidades, principalmente na área médica. É possível fazer moldes de dentes, de aparelhos para audição ou até mapear o corpo de alguém que vai se submeter a cirurgia plástica.

Perfil
Luciano Ginani é mestre em Sistemas Mecatrônicos pela Universidade de Brasília (UnB), mesma instituição pela qual concluiu a graduação em Engenharia Mecatrônica.Contatos pelo e-mail

Fonte: UnB

"Nexo Técnico Epidemiológico (NTE) - Decreto nº 6.042/07".

Participe do Seminário da MBA Treinamentos e esclareça com especialistas suas dúvidas sobre o decreto nº 6.042/07, além de conhecer medidas de prevenção que podem ser implantadas em sua empresa e reduzir riscos de doenças e acidentes.

O Ministério da Previdência Social divulgou um aumento de quase 150% no número de notificações de ocorrência de doenças diretamente ligadas ao trabalho, do ano passado para cá. Especialistas na questão não se alarmam com o alto índice e afirmam que, esse percentual é resultado das alterações nas regras vigentes relacionadas às doenças e acidentes do trabalho.

A partir de abril de 2007, quando entrou em vigor o decreto nº 6.042/07, a ocorrência de doenças ocupacionais que antes era de responsabilidade dos peritos médicos, passou a ser feita com base no Nexo Técnico Epidemiológico (NTE), que utiliza um critério de identificação entre a doença e a atividade exercida na empresa.

Em janeiro de 2009, entra em vigor uma nova mudança também já bastante comentada, o Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que irá medir o grau de segurança de trabalho nas empresas e poderá aumentar ou diminuir as alíquotas de Contribuição Previdenciária relacionadas ao risco ambiental do trabalho.

Topicos abordados

  • Abordagem Jurídica Nexo Técnico Epidemiológico
    José Carlos Wahle
    Sócio do Veirano Advogados
  • O papel dos Planos de Saúde na prevenção de acidentes de trabalho
    Syllene Nunes
    Médica formada pela Faculdade de Medicina da USP, mestrado e doutorado pela UNIFESP-EPM;
    pós-doutorado pela FMUSP, Consultora em Gestão de Saúde, atual Responsável Técnica pela CABESP
  • Gestão das Relações de Trabalho com ênfase na Prevenção de Acidentes
    Fábio de Toledo Piza
    Consultor de Segurança do Trabalho; Sócio-Fundador e Diretor Técnico Administrativo daAgência Brasil de Segurança (ABS)
  • Case: Novelis de Segurança
    José Antenor Camargo de Souza
    Engenheiro Mecânico com especialização em segurança e engenharia ambiental;
    Gerente de EHSQ da Divisão de Laminados da Novelis no Brasil
  • Perícias médicas no ambiente corporativo
    Dra. Elaine Buono
    Especialista em medicina ocupacional, perita judicial e diretora clínica da EAB - Saúde Ocupacional

Data
30 de Julho de 2008

Local
Blue Tree Towers Paulista Premium
Rua Peixoto Gomide, 707 - Cerqueira Cesar
São Paulo/SP

Horário
das 08:30 às 18:00

  • No ato da sua inscrição informe o site InovaBrasil e obtenha 5% de desconto
Fonte: MBA Treinamentos

Tratamento de Aids é menor entre pobres do Distrito Federal

Falta de informação é considerado principal obstáculo desse público no Distrito Federal, afirma estudo feito na UnB

As condições socioeconômicas desfavoráveis são o maior empecilho para pacientes seguirem o tratamento contra a Aids, concluiu a tese de doutorado (Adesão ao tratamento anti-retroviral em Brasília - DF. 2006-2007) do médico Cláudio Viveiros de Carvalho, defendida em 2008 na Faculdade de Ciências da Saúde (FS) da Universidade de Brasília (UnB), sob orientação do professor Edgar Merchán-Hamann.

De acordo com o estudo, realizado com 253 pessoas no Distrito Federal, o grupo formado por pessoas com ensino fundamental incompleto tem 2,4 maior probabilidade de não aderir ao uso dos medicamentos que pessoas com escolaridade superior. A proporção se assemelha entre aqueles que ganham até três salários mínimos, cuja tendência é 2,3 vezes maior de não tomar os anti-retrovirais, em comparação com a população com renda maior.

Para o pesquisador, a explicação está na falta de informação, predominante nesse grupo, levando-os a se comportar de forma oposta ao público mais esclarecido. “Quem tem nível econômico melhor é mais instruído, tem facilidade de acesso, uma vida mais estruturada e tende a cuidar mais da própria saúde”, diz. A falta de escolaridade interfere até em ações simples para um cidadão com estudo, mas dificultosas para quem não sabe ler. Por exemplo, alguns pacientes analfabetos não conseguiam decorar quais os horários indicados para cada comprimido.

Como conseqüência, a população desfavorecida em termos sociais, econômicos e escolares torna-se mais propensa à mortalidade. A interrupção gera fortalecimento do vírus e surgimento de infecções. Outros estudos sobre o tema já mostraram essa correlação, tendo em vista que a evolução dos medicamentos aumentou o tempo de vida dos pacientes.

Os resultados refletem a pauperização e a mudança de perfil dos infectados em Brasília. Até o começo dos anos 1990, a epidemia predominava entre pessoas com elevado nível de escolaridade, especialmente moradores do Plano Piloto. Estudos da própria UnB indicavam prevalência maior entre pessoas com renda de 20 salários mínimos. Porém, nesta pesquisa, a incidência se desvia para o grupo com renda média de 5 salários mínimos.

CONSCIENTIZAÇÃO
De uma forma geral, a investigação sobre adesão dos brasilienses ao tratamento apontou que a maior parte dos 253 entrevistados segue as recomendações médicas. Esse grupo apresentou adesão média de 89,5%, sendo que 73,2% ingerem a quantidade correta dos remédios.

Em comparação com números nacionais, referentes a uma pesquisa do Ministério da Saúde realizada em 2004, o comportamento dos infectados em Brasília manteve-se na média do país, que revelou 73% de adesão integral.

SURPRESAS
Na busca por informações que elucidassem o porquê da não adesão ao tratamento contra o HIV, o médico desfez alguns conceitos e surpreendeu-se com outros dados. A pesquisa apontou que, além dos fatores socioeconômicos, situações ligadas ao dia-a-dia dos pacientes interferem na motivação para se cuidar.

Carvalho esperava que os serviços de saúde figurassem entre fatores que levam à não adesão, mas o estudo mostrou que o poder público tem buscado cumprir sua obrigação. “A distribuição é gratuita, os medicamentos estão disponíveis e os pacientes têm uma certa facilidade de acesso”, diz. No Distrito Federal, há oito centros de referência, incluindo Plano Piloto e satélites.

Em relação aos serviços médicos, as reclamações ficaram por conta da necessidade de receber um tratamento mais humano de médicos e enfermeiros. Também foi recorrente a reclamação contra o atendimento nas farmácias de dispensação, que deveria privilegiar o sigilo para não constranger quem busca o coquetel, e instituir a consulta farmacêutica, em que um profissional da área orienta os doentes quanto à interações medicamentosas e restrições, por exemplo.

GÊNERO
Outra descoberta que chamou a atenção de Carvalho foi a forma diferente como homens e mulheres encaram o HIV. Em conversas realizadas com quatro grupos, dois de homens e dois de mulheres, os representantes do sexo masculino mostraram mais preocupação com os direitos e questões práticas, como trabalho. “Já as mulheres demonstram maior sofrimento, por questões ligadas à própria doença, mas também por terem sido abandonadas, pela solidão e por não serem compreendidas”, diz.

PERFIL
Cláudio Viveiros de Carvalho é doutor em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em Medicina Coletiva pela UnB e em Medicina do Trabalho pela Universidade de São Paulo (USP). É graduado em Medicina pela UnB.Contatos pelo e-mail .

Fonte: Fabiana Vasconcelos / UnB

Comitê Gestor da Rede de Pesquisas em Carvão Mineral se reúne em Brasília

A Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (Setec/MCT) promove, nesta quinta-feira (24), a Reunião do Comitê Gestor da Rede de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação em Carvão Mineral.

Participam do encontro membros do Comitê Gestor da Rede, representantes do governo, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem/MCT), da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Também integram o Comitê, representantes do Grupo de Trabalho Interministerial de Integração de projetos federais de recuperação ambiental da Bacia Carbonífera do Sul do Estado de Santa Catarina, que é formado por ministérios das Minas e Energia, Meio Ambiente, Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e Advocacia Geral da União (AGU).

A reunião tem por objetivo avaliar o rendimento da Rede e planejar a agenda de ações e atividades para o período 2008-2009.

A reunião da Rede de Pesquisa em Carvão Mineral será realizada nesta quinta-feira (24), a partir das 10h30, em Brasília (DF), no MCT. Mais informações sobre a Rede de Pesquisas em Carvão Mineral podem ser obtidas aqui ou pelo (061) 33317-7817. (Assessoria de Comunicação do MCT)

Fonte: Agência CT

Gabinete de Curiosidades de Domenico Vandelli

Memória recuperada
Muito antes das atuais ameaças à fauna e à flora brasileiras, a preocupação com a preservação dos recursos naturais do Brasil eram questões importantes para um naturalista do século 18 que conheceu o país sem nunca ter pisado em seu território.

Em uma época em que o Brasil era um dos focos da curiosidade científica européia, o italiano Domenico Vandelli (1735-1816), que deixou Pádua para se fixar em Lisboa a convite do Marquês de Pombal, tornou-se o elo de ligação entre a natureza brasileira e o Iluminismo, ao idealizar e articular as viagens científicas patrocinadas pela coroa portuguesa – as célebres “viagens filosóficas” – para pesquisar e catalogar a exuberante diversidade da colônia.

Foi ele também o criador, em 1768, do primeiro jardim botânico de Portugal, o jardim da Ajuda, projeto encomendado pelo rei dom José com o objetivo de proporcionar educação científica para o príncipe, dom João.

Em 1808, Vandelli foi um dos conselheiros da Corte que orientou o príncipe regente a partir para o Rio de Janeiro antes da invasão napoleônica. Devido a essa influência, dom João teria fundado o Jardim Botânico do Rio de Janeiro no mesmo ano, logo após sua chegada.

Apesar de não ser muito conhecido por aqui, o trabalho do naturalista e suas importantes contribuições científicas são o tema da exposição O gabinete de curiosidades de Domenico Vandelli, no novo Museu do Meio Ambiente, espaço criado no Jardim Botânico para comemorar seus 200 anos.

“A maior contribuição de Vandelli para a ciência foi o seu cuidado com o uso da natureza brasileira. Ele pensava a natureza do Brasil como um grande tesouro. Para ele, deveria haver um regulamento dos bosques para que as árvores não fossem retiradas de forma predatória. Vandelli também estudava mineralogia e descreveu uma série de plantas”, disse a curadora da exposição, Anna Paula Martins.

No comando da cadeira de história natural da Universidade de Coimbra, o naturalista atravessou três reinados em Portugal; o de dom José, o de dona Maria e o de dom João. No período, criou os primeiros museus de história natural do país.

A importância desses espaços para a divulgação científica é expressa em uma frase de Vandelli estampada em uma das salas da exposição: “O museu é um livro sempre aberto no qual o observador se instrui com prazer”.

Por conta disso, as paredes do Museu do Meio Ambiente são ilustradas com palavras-chaves e seus significados. Assim, o visitante pode entender o que é, por exemplo, um “gabinete de curiosidades”, expressão que dá nome à exposição.

“Do ponto de vista da história, os gabinetes de curiosidades foram os precursores dos museus. Eram os lugares onde os colecionadores dos séculos 17 e 18 guardavam, ainda sem catalogar ou sistematizar, tudo o que julgavam pitoresco e exótico”, explicou Anna Paula.

Viagens filosóficas
Como professor, Vandelli teve uma série de alunos pertencentes à elite brasileira que foram estudar em Coimbra, entre eles José Bonifácio, Alexandre Rodrigues Ferreira, Vieira Couto e Manuel Arruda da Câmara. Em 1777, com o Tratado de Santo Ildefonso e a demarcação do território brasileiro, Vandelli envia para o Brasil viajantes naturalistas, seus discípulos, e cria orientações de como eles vão conhecer a então colônia. Sua proposta era elaborar uma “história natural das colônias”.

“As viagens filosóficas eram viagens de pesquisas de campo para o reconhecimento de um território até então desconhecido. Os viajantes e correspondentes levavam o material recolhido para Portugal. As amostras coletadas eram identificadas, armazenadas, estudadas, cultivadas na colônia e enviadas para a metrópole”, disse Anna Paula.

Um dos viajantes filosóficos discípulos de Vandelli foi Alexandre Rodrigues Ferreira, que em 1783 iniciou uma viagem de nove anos à Amazônia brasileira. Além de chefiar a viagem, ele preparou os diários, coordenou o trabalho dos desenhistas e fez as remessas de produtos naturais para Portugal.

Outra viagem foi feita pela serra do Ibiapaba, localizada entre o Piauí e o Ceará, e uma outra pela baía de Camamu, no sul da Bahia. “Algumas pessoas se correspondiam diretamente com Vandelli, como João Manso Pereira, que nunca esteve em Portugal e, portanto, não o conheceu pessoalmente. Ele escreveu sobre porcelana, azeite e sabão”, disse a curadora.

Realizadas em um período de mapeamento e investigação da colônia, as viagens filosóficas descreviam as plantas do lugar, os animais, as águas, as pedras e como as pessoas ali moravam. Das viagens filosóficas despachadas de Lisboa em 1783 resultaram diversos diários e inúmeras memórias de mineralogia.

O por quê do nome viagens filosóficas é outra curiosidade que o visitante da exposição no Rio de Janeiro pode saciar. Na época, o nome “filosofia” tinha uma conotação um pouco diferente da atual: referia-se a uma “ciência que abrange os estudos do corpo humano (medicina), física retórica (matemática) e descobertas e experimentos com produtos naturais (naturalismo).

Os relatos das memórias científicas desses viajantes compõem uma caixa com oito livros, parte do projeto fruto de uma pesquisa financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em que foram digitalizados acervos de Vandelli espalhados no Brasil, em Portugal e na França. O material inclui ainda os roteiros das viagens.

“Quando dom João veio para o Brasil, ele trouxe uma parte desse acervo, que ficou dispersa aqui. Outra parte foi incorporada ao acervo do Museu de História Natural de Paris, depois de ser levada para a França após a invasão napoleônica à península ibérica. Durante a invasão napoleônica, eles vão com a intenção de transformar aquilo em patrimônio francês”, destacou Anna Paula.

Segundo ela, isto explica o desconhecimento e a obscuridade em relação ao nome de Vandelli. “Ele não veio para o Brasil junto com a família real e, ao negociar as trocas de acervos com os naturalistas franceses que chegaram junto com Napoleão, restou a Vandelli a marca de traidor”, disse.

Muro verde
Além dos manuscritos originais das viagens filosóficas, a exposição no novo museu conta ainda com projeções em vídeo. Por meio de uma dessas projeções, tem-se a impressão de que se está por debaixo de um dragoeiro, planta nativa dos Açores e que foi primeiramente descrita por Vandelli. A “viagem filosófica” por todos os ambientes da exposição é acompanhada por uma trilha sonora permanente de sons naturais do Jardim Botânico à noite.

Outro destaque da exposição é a Greenwall, jardim vertical cuja tecnologia é resultado de uma pesquisa de mais de 15 anos do biólogo australiano Mark Paul. São plantas vivas sobre um suporte em material reciclado que é fixado sem contato direto com a parede.

A idéia é trazer a natureza ao ambiente urbano contemporâneo e solucionar a perda de espaço que as plantas sofrem nas cidades. Na parede oposta à Greenwall, um espelho de cobre de baixa definição, criado pelo artista Luiz Zerbini, reflete ao mesmo tempo a planta e o observador, a natureza e o homem.

Por isso mesmo, o espaço foi batizado pelo artista de “observação e reflexão”. “Isto tem muito a ver com a forma pela qual Vandelli conheceu o Brasil sem nunca ter vindo aqui. Ele imaginou o país através da representação e observação de desenhos e materiais de nossa natureza levados para Portugal”, disse Anna Paula.

A exposição apresenta ainda uma coleção de insetos do Museu Nacional e a coleção minerológica de Werner, trazida por dom João 6º ao Brasil junto com a família real. “A idéia de nossa exposição é recriar um universo de ciência de 200 anos atrás”, afirmou a curadora.

O gabinete de curiosidades de Domenico Vandelli será exibido até 31 de agosto no Museu do Meio Ambiente no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que fica na rua Jardim Botânico nº 1008.

Mais informações: (21) 3874-1808

Fonte: Washington Castilhos / Agência FAPESP

Estudo internacional compara índices de sobrevivência de pessoas com câncer

Discrepâncias internacionais
Um estudo conduzido por mais de 100 cientistas em 31 países, entre os quais o Brasil, revelou grandes discrepâncias regionais em relação às taxas de sobrevivência de pessoas com câncer. A pesquisa é a primeira a comparar diretamente dados sobre a doença em um número tão expressivo de países.

O trabalho identificou variações não apenas entre os países, mas dentro deles. Um exemplo destacado foi a diferença observada nas taxas de sobrevivência entre brancos e negros nos Estados Unidos. O estudo, chamado de Concord, foi coordenado por Michel Coleman, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, e será publicado na edição de agosto da revista Lancet Oncology.

Os pesquisadores usaram dados de cerca de 2 milhões de pacientes de 101 bases de dados em cinco continentes para comparar a sobrevida em cinco anos de cânceres de mama, colo-retal e próstata. O Brasil foi o único país da América do Sul no estudo, que incluiu Argélia, Austrália, Cuba, Estados Unidos e Japão – os demais eram europeus.

De 16 dos 31 países, os dados cobriram toda a população. Os pacientes foram diagnosticados com a doença entre 1990 e 1994 e acompanhados até o fim de 1999. Os dados foram ajustados para levar em conta diferenças internacionais em taxas de mortalidade e variações de idade.

As maiores taxas de sobrevivência foram observadas nos Estados Unidos (mama e próstata), Japão (cólon e reto em homens) e França (cólon e reto em mulheres). Índices altos de sobrevida para a maioria dos cânceres foram verificados no Canadá e na Austrália. Na outra ponta ficou a Argélia, com os piores indicadores tanto para homens como para mulheres.

O Brasil ficou em 17º em câncer colo-retal em homens, em 22º em próstata e em 23º em colo-retal em mulheres. A taxa de sobrevida brasileira em câncer de mama só ficou à frente da Eslováquia e da Argélia entre os países avaliados. A parte brasileira no estudo foi conduzida por pesquisadores do Departamento de Epidemiologia da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca e do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Nos Estados Unidos, foram analisados 16 estados e áreas metropolitanas. Nova York apresentou as piores taxas para todos os tipos da doença estudados, com exceção do câncer de reto em mulheres, em que o Wyoming ficou no fim da lista. Os melhores indicadores ficaram com Seattle (próstata), Idaho (reto em homens) e Havaí (todos os demais).

Na comparação entre brancos e negros foi identificado o que os pesquisadores chamaram de “golfo”, com os primeiros apresentando sobreviva de 7% (próstata) a 14% maior (mama).

Na Europa, a França apresentou os melhores resultados em cânceres de reto e cólon, enquanto Suécia ficou em primeiro em mama e Áustria em próstata. As piores taxas de sobrevivência de pacientes foram observadas em nações do leste europeu, como a Eslováquia (reto em homem e mama) e Polônia (os demais).

“Os resultados podem ser atribuídos a diferenças no acesso a serviços de diagnóstico e de tratamento. A variação na Europa, por exemplo, está associada com níveis de desenvolvimento econômicos e com os gastos de cada país com saúde. Outro fator de aumento da sobrevida é o investimento em tecnologia”, destacaram os autores.

Lancet Oncology: www.thelancet.com/journals/lanonc

Fonte: Agência FAPESP

História da imprensa no Brasil

Os 200 anos da imprensa no Brasil

A história do quarto poder no Brasil será o tema discutido no dia 23 de julho, às 19 horas, em São Paulo, na série Encontros com a Pesquisa.

A palestrante será a professora de história social do Departamento de História da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis, Tânia Regina de Luca, organizadora, com Ana Luiza Martins, do livro História da imprensa no Brasil, que acaba de ser lançado pela Editora Contexto.

A obra preenche uma lacuna, já que há uma paradoxal dificuldade, quando o assunto é a mídia brasileira, de encontrar quem faça a história de quem faz a história. Mesmo o bicentenário da imprensa nacional passou em branco. A palestra será uma oportunidade para conhecer melhor a imprensa por dentro

Tânia é autora também de A revista do Brasil: um diagnóstico para a (N)ação, entre outras obras.

O evento, que ocorre uma vez por mês na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na capital paulista, é realizado pela Livraria Cultura e pela revista Pesquisa FAPESP com o objetivo de debater temas que serviram de base para reportagens publicadas na revista.

Mais informações: (11) 3024-3599

Fonte: Agência FAPESP

6º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política

O 6º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), que ocorrerá de 29 de julho a 1º de agosto na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), terá 23 mesas-redondas e 39 sessões de sete áreas temáticas, que receberam a inscrição de 764 trabalhos.

As mesas-redondas discutirão temas como violência e políticas públicas, eleições municipais e sucessão presidencial, o Brasil e os desafios ambientais globais, os 20 anos da Constituição, ação afirmativa, políticas sociais e pobreza, modelos de desenvolvimento depois das reformas liberais e a situação da democracia na América Latina.

Vários debates tratarão de Relações Internacionais, com foco especial nos desafios colocados para os países latino-americanos e nas percepções da opinião pública sobre as questões internacionais.

As sete áreas temáticas são Cultura Política e Democracia; Eleições e Representação Política; Estado e Políticas Públicas; Instituições Políticas; Política e Economia; Relações Internacionais; e Teoria Política

Mais informações: www.cienciapolitica.org.br

Fonte: Agência FAPESP

Empregos Verdes na indústria da construção: desafios e oportunidades para conciliar geração de renda e conservação ambiental

O coordenador do Programa de Ação em Construção da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Edmundo Werna, irá proferir a palestra “Empregos verdes na indústria da construção: desafios e oportunidades para conciliar geração de renda e conservação ambiental”, nesta quinta-feira (24/7), em São Paulo.

O evento é promovido pelo Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), pela OIT e pelo Conselho Brasileiro da Construção Sustentável (CBCS).

O objetivo é discutir os impactos sociais e econômicos que ocorrerão com a adoção de tecnologias sustentáveis em larga escala, com foco específico na geração de emprego e renda. Segundo Werna, os países precisam começar a se preparar para essas mudanças, cujos impactos ainda são desconhecidos e não necessariamente positivos.

“Se houver uma tendência de se construir prédios com sistema de ventilação natural, visando eliminar o ar-condicionado, as pessoas que trabalham nesse segmento poderão perder seus empregos. Então os governos precisarão pensar maneiras de dar proteção social a esses trabalhadores e de criar empregos em outros seguimentos para absorvê-los”, exemplifica Werna. Por outro lado, novas tecnologias exigirão treinamento de mão-de-obra e podem criar novas oportunidades de emprego.

Mais informações: www.poli.usp.br

Fonte :Agência FAPESP