segunda-feira, 21 de julho de 2008

“Lei Seca” e a Saúde Pública

Por dentro da “Lei Seca”
Mais de um milhão de pessoas morre anualmente em todo o mundo em conseqüência de acidentes de trânsito que envolvem o uso de bebidas alcoólicas. No Brasil esse número se aproxima de 40 mil, mortes ocorridas principalmente em fins de semanas e feriados.

Estes dados alarmantes contribuíram para a implantação, no dia 20 de junho, da Lei 11.705, a popular “Lei Seca” que estabelece o limite de 0,2g de álcool por litro de sangue de motoristas em todo país; o transgressor está sujeito à multa de R$ 955, suspensão da carteira de habilitação por 12 meses e até a detenção.

"O Brasil é um dos países com a maior taxa de mortalidade no trânsito. Vivemos hoje um estado de calamidade pública: morrem mais pessoas em acidentes de trânsito do que na guerra do Iraque" revelou José Mauro Braz de Lima, coordenador do Centro de Estudos de Prevenção e Reabilitação do Alcoolismo (Cepral) da UFRJ e autor do livro Alcoologia – alcoolismo na perspectiva da saúde pública, recentemente relançado em edição mais completa pela Med Book.

O neurologista fez parte de uma pesquisa realizada pelo Programa Acadêmico sobre Álcool e outras Drogas da UFRJ que evidenciou a presença de álcool em 75% dos casos de acidentes de trânsito com vítimas fatais encaminhadas para o Instituto Médico Legal (IML), além de constatar que a concentração de álcool no sangue, alcoolemia, de cerca de 30% dos corpos analisados era menor que o limite de 0,6g/l, o máximo permitido antes da “Lei Seca” entrar em vigor.

José Mauro, há mais de 20 anos, desenvolve pesquisas sobre os efeitos do álcool na saúde pública e no trânsito, sempre lutou pela redução da alcoolemia permitida no Brasil, acredita que a nova lei é uma medida eficiente para a redução dos acidentes de trânsito: “Países da União Européia, como Suécia e França, já reduziram de 0,5 grama para 0,2 grama o limite de álcool por litro de sangue do motorista e conseguiram ótimos resultados” e justifica o limite adotado dizendo que ele não dá margem para falsos positivos, como pode ocorrer no Japão, onde a tolerância é realmente zero.

O Brasil tem uma das mais fortes indústrias de bebidas alcoólicas do mundo. Com a recente compra da cervejaria americana Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser, a InBev, fabricante belgo-brasileira que domina o mercado brasileiro, se tornou líder mundial na indústria cervejeira e uma das cinco maiores empresas de bebidas do mundo. “A indústria da cerveja dobrou sua produção de cerca de 4,8 bilhões de litros por ano, em 1995, para cerca de 10 bilhões de litros por ano, em 2005”, acrescentou José Mauro que vê na “Lei Seca” um avanço, mas acredita que outras medidas, como o controle das propagandas de bebidas alcoólicas, devem ser tomadas.

"A recomendação de "beber com moderação" é insuficiente. É preciso muito mais: informar, educar, fiscalizar e punir" afirmou José Mauro que propõe a formação de uma comissão mista integrada por especialistas de diversas áreas, como a jurídica, educacional e médica, e pelas secretarias estaduais e municipais juntamente com a polícia rodoviária federal, com o intuito de promover uma ampla e transparente discussão sobre os impactos do álcool nos acidentes de trânsito.

O mito da cerveja
Com relação às propagandas de bebidas alcoólicas, o especialista vê a necessidade de um controle similar ao existente com o cigarro. “Existe uma cultura pesada de incentivo ao consumo do álcool entre os jovens, em potencial ao da cerveja. É preciso, então, esclarecer que essa bebida não é fraca”, alertou José Mauro que explica que apesar de a cerveja ter apenas 5% de teor alcoólico, ao tomar uma lata de 350 ml o indivíduo ingere 17,5 ml de álcool, o que representa 13g de álcool puro. Deste modo, uma dose de cerveja equivale em quantidade de álcool às outras bebidas consideradas mais fortes como o vinho, a cachaça e o whisky, pois uma taça de vinho de 150ml com teor alcoólico de 12% ou uma dose de caipirinha de 40 ml a 40% de gradação, apesar de serem mais concentrados, têm volume menor que a latinha de cerveja.

O neurologista traçou um perfil do consumo de álcool no país e constatou que os jovens perfazem a maior demanda de bebidas alcoólicas no Brasil e é justamente esta parcela da população a mais envolvida em acidentes de trânsito. O perfil revelou também que cerca de 40% dos consumidores de bebidas alcoólicas representam perigo ao volante, pois 10% são dependentes e 20% são aqueles que “abusam nos finais de semana e dirigem embriagados”.

O álcool e o organismo
"O álcool atua na região frontal do cérebro, responsável pelo raciocínio lógico e pelo julgamento das situações de risco, por isso o motorista alcoolizado se sente mais corajoso e deixa de avaliar o perigo dos seus atos" disse José Mauro sobre tão discutido efeito do álcool no trânsito. Uma das polêmicas que surgiram com a nova lei são as diferentes reações ao álcool nos diferentes indivíduos. Muitos alegam que a lei é injusta, pois pessoas com maior massa corporal poderiam beber mais porque o álcool se dissolveria melhor e não atingiria a mesma concentração no sangue que em uma pessoa mais magra. Para o especialista realmente há diferença entre a absorção do álcool pelo organismo entre pessoas de pesos, sexos e idades diversas, porém esta diferença não é significante e a alcoolemia é praticamente a mesma entre diferentes indivíduos que consomem a mesma quantidade de bebida em mesmas condições.

Uma dúvida freqüente, surgida após a implantação da “Lei Seca” é quanto tempo depois de beber o motorista pode dirigir sem perigo de causar acidentes e de ser pego no teste do etilômetro. Segundo José Mauro, o álcool atinge o topo de concentração no sangue uma hora após ser ingerido e somente volta ao estado inicial, livre de álcool, cerca de seis horas depois, eliminado pelos rins, pulmão e transpiração. O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), organização não governamental que dispõe de um banco de dados baseado em publicações científicas reconhecidas nacional e internacionalmente, recomenda que após consumir um chope ou uma taça de vinho, o indivíduo espere cerca de duas horas para poder dirigir com tranqüilidade. No entanto, se este indivíduo tiver consumido a bebida com o estômago vazio este tempo aumenta consideravelmente. Também segundo informações da Cisa, os homens metabolizam mais rapidamente o álcool ingerido, pois as enzimas estomacais masculinas agem de modo mais eficaz do que as do organismo feminino.

O álcool e a universidade
A UFRJ foi pioneira na adoção de uma disciplina sobre álcool e drogas na grade da Faculdade de Medicina e desde então vem se empenhando em pesquisas sobre o assunto. A universidade concentra tanto os pesquisadores quanto o principal público alvo das bebidas alcoólicas, os jovens, e por isso constitui um importante foco de ação. José Mauro vê na universidade um instrumento de ação social que deve ser usado para melhorias e deixa sua opinião: “o papel da universidade é favorecer o espaço para uma discussão embasada sobre os problemas relacionados ao álcool e a outras drogas. Ela tem o compromisso de se envolver com temas de impacto social”, finaliza o entrevistado.

Fonte: Olhar Vital / UFRJ

Cidades brasileiras são labirínticas e dificultam o deslocamento

Estudo revela ser mais difícil se deslocar aqui que em outros países. Salvador (BA) e Uberlândia (MG) lideram ranking de complicação

Na mitologia grega, a complexidade dos labirintos é uma arma para enclausurar monstros e forjar deuses que escapam desses redutos com ajuda de um novelo de lã. Bem longe do Minotauro, os brasileiros enfrentam quase a mesma dificuldade para se deslocar em suas próprias cidades.

Segundo um estudo desenvolvido pelo arquiteto Valério Augusto Soares de Medeiros em sua tese de doutorado, defendida na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília (UnB), os centros urbanos daqui são os mais “labirínticos” do mundo quando comparados com outras 120 aglomerações espalhadas pela América, Europa e Ásia, incluindo Lisboa, Londres, Veneza, Pequim, Hong Kong, Nova York e Cidade do México. As cidades brasileiras campeãs no quesito complexidade são Uberlândia (MG) e Salvador (BA).

“É mais difícil se localizar e se orientar nessas cidades. Principalmente para um visitante, aquele que chega pela primeira vez”, explica Medeiros. A análise baseia-se na facilidade de deslocamento ao longo das vias, que devem ser tão curtas e retas quanto possível para facilitar a ida de um local a outro.

MAPAS - Para chegar a essa conclusão, Medeiros traçou o mapa de 44 cidades brasileiras, a maioria com mais de 300 mil habitantes. Também incluiu no estudo alguns municípios de menor porte, tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os mapas contêm o traçado das ruas. Elas recebem cores representando o quanto são acessíveis em relação ao contexto urbano, todas analisadas a partir de sua localização na cidade e da maneira que se articulam com a malha.

Em praticamente todas as metrópoles brasileiras os desenhos parecem colchas de retalhos. Ou seja, fragmentos que se juntam sem uma ordenação clara, resultando quase sempre em padrões labirínticos. Os nacos de pano no artesanato correspondem aos bairros, condomínios e loteamentos construídos sem um planejamento territorial que considere a visão global da cidade.

“Esse problema tem origem nas décadas de 1950 e 1960, quando a política habitacional subsidiava a construção de conjuntos em regiões distantes dos centros, por conta dos preços mais baixos”, diz o arquiteto. A essa questão juntam-se, ainda, o inchaço populacional em razão de uma migração intensa, e a ocupação dos espaços vazios, bem como a expansão urbana pela iniciativa privada a partir dos anos 1980.

DIVISÃO - Para o pesquisador, os labirintos brasileiros evidenciam a segregação entre centro e periferia ao criar obstáculos para o trânsito entre os dois locais. Desta maneira, o formato das cidades pode tomar feições negativas quando se torna um elemento a mais na geração de conflitos sociais. Ou um caráter positivo, quando a acessibilidade tende a promover uma vivência urbana mais integrada e democrática.

Quando se comparam as relações de acessibilidade entre as grandes cidades brasileiras e aquelas tombadas, ou entre as grandes cidades brasileiras e os seus centro antigos (cujo traçado viário usualmente corresponde ao que foram estas cidades até o século XIX), as cidades do passado saem em vantagem quanto à acessibilidade e aos bons padrões de orientação e localização, favorecendo a urbanidade.

Nas grandes metrópoles, diz o pesquisador, os centros antigos são como oásis em meio ao labirinto. “Apesar do reconhecido estado de decadência e abandono de alguns desses espaços, ali estão localizadas as melhores e mais acessíveis estruturas. São capazes de promover a interação e o contato entre indivíduos, a razão original de existirem as cidades”, afirma Medeiros.

Mais que uma curiosidade, o retrato da acessibilidade ou facilidade de deslocamento pelas ruas de uma cidade pode auxiliar na elaboração de planos diretores que definam áreas de expansão urbana e, consequentemente, eixos de crescimento e de maior fluxo de pessoas. “Há também implicações nas políticas públicas e no mercado imobiliário, principalmente quando consideramos a simulação de cenários urbanos futuros”, diz.

É possível, por exemplo, encontrar formas de aproveitar áreas potencialmente mais capazes de concentrar fluxo de pessoas, destinando-as ao uso comercial e de serviços. “Por outro lado, nos locais de menor circulação, seriam construídas habitações ou condomínios fechados”, explica.

BAZARES – E em relação ao mundo? Medeiros revela que, antes de começar a apuração, acreditava que as cidades árabes ou persas, entre todas, fossem as mais fragmentadas ou labirínticas. Tal impressão se deve à imagem dos grandes bazares e feiras naquelas ruas estreitas, irregulares e sem saída, que dificultam o deslocamento de pessoas e comprometem o senso de orientação e localização espacial. “Foi uma surpresa descobrir que esse era um posto ocupado pelas cidades brasileiras, enquanto a imagem labiríntica das cidades árabes ou persas era um mito”.

Hamedã, no Irã, passou por um processo de transformação significativo ao receber grandes vias de importância global para a cidade, cruzando o bazar, o que tornou a acessibilidade e o deslocamento urbano mais fácil. “Nas grandes cidades brasileiras, o processo de crescimento horizontal em enormes periferias, sem um planejamento global que considerasse as relações entre as diversas regiões, criou o efeito contrário”. Já na Europa e na Ásia foram observadas algumas semelhanças nos desenhos das cidades.

Cidades brasileiras analisadas
(municípios do programa Monumenta
ou com mais de 300 mil habitantes)

- São Paulo (SP)
- Rio de Janeiro (RJ)
- Vitória (ES)
- Uberlândia (MG)
- Salvador (BA)
- Recife (PE)
- Fortaleza (CE)
- São Luís (MA)
- Maceió (AL)
- Teresina (PI)
- Natal (RN)
- João Pessoa (PB)
- Aracaju (SE)
- Goiânia (GO)
- Anápolis (GO)
- Palmas (TO)
- Cuiabá (MT)
- Porto Velho (RO)
- Pelotas (RS)
- Porto Alegre (RS)
- Alcântara (MA)
- Antônio Prado (RS)
- Aracati (CE)

- Belém (PA)
- Brasília (DF)
- Cachoeira (BA)
- Diamantina (MG)
- Florianópolis (SC)
- Goiás (GO)
- Icó (CE)
- Lençóis (BA)
- Manaus (AM)
- Mariana (MG)
- Mucugê (BA)
- Oeiras (PI)
- Olinda (PE)
- Ouro Preto (MG)
- Parati (RJ)
- Penedo (AL)
- Petrópolis (RJ)
- Pirenópolis (GO)
- Porto Seguro (BA)
- Rio de Contas (BA)
- Rio Grande (RS)
- Tiradentes (MG)


Base comparativa – países do mundo

- Alemanha
- Bélgica
- Espanha
- Inglaterra
- Holanda
- França
- Portugal
- Suécia
- Finlândia
- Noruega
- Itália
- Estados Unidos
- Irã
- Arábia Saudita
- Egito

- Chipre
- Grécia
- Índia
- Nova Zelândia
- Líbano
- Iugoslávia
- República Tcheca
- China
- Bangladesh
- Turquia
- Malásia
- Japão
- Barein
- Tailândia
- Equador
- México


Valor de integração
(quando menor, mais difícil o deslocamento)
1º -

Brasil

– 0,768
5º -

Cidades Árabes/Persas

– 0,904
2º - Ásia – 0,867
6º - América Latina
(exceto Brasil)
– 1,359
3º - Europa
(exceto Portugal)
– 0,873
7º - Estados Unidos – 1,550
4º - Portugal – 0,876




PERFIL
Valério Augusto Soares de Medeiros doutorou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (UnB), com período “sanduíche” na Bartllet School of Graduate Studies (Inglaterra), com a tese Urbis brasiliae ou sobre cidades do Brasil: inserindo assentamentos urbanos do País em investigações comparativas. Sua graduação, também em Arquitetura, foi realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Contatos pelo e-mail

Fonte: UnB

Desenvolvido laser mais eficiente, barato e compacto

Tecnologia desenvolvida pelo professor Flávio Caldas Cruz, do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp, abre perspectivas para a produção de lasers contínuos mais eficientes, baratos e compactos do que os encontrados atualmente no mercado.

O invento, cujo pedido de patente foi protocolado no final de 2007, está pronto para ser transferido para a indústria. Embora tenha outras aplicações, esse tipo de equipamento é muito utilizado em pesquisas científicas, como nos estudos de física atômica e molecular, química, espectroscopia e análise. "Testamos um protótipo em laboratório, e os resultados foram excelentes", afirma o pesquisador.

De acordo com o professor Flávio, a tecnologia nasceu da necessidade de agregar novos e melhores instrumentos à pesquisa realizada no Departamento de Eletrônica Quântica do IFGW, mais especificamente pelo Grupo de Lasers e Aplicações, do qual ele faz parte. "Essa necessidade vem do fato de os equipamentos serem muito caros, não estarem disponíveis no mercado ou necessitarem de características especiais", explica.

No caso da patente em questão, a inovação proposta pelo docente está relacionada com um sistema classificado de laser de estado sólido, que emprega um cristal de safira dopado com titânio [o primeiro laser demonstrado em 1960 também era baseado em safira, porém dopada com cromo: o cristal de rubi.

Para mais informações consulte:
www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2008/ju401pag3.html

Fonte: Anpei

Amazonas busca tornar o Brasil auto-suficiente na produção de fibras de juta e malva

O governo do Amazonas e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) querem tornar o Brasil auto-suficiente na produção das fibras de juta e malva e, para tanto, buscam novas alternativas para estimular o cultivo de sementes e das fibras têxteis – feito em solos e em períodos diferenciados. A expectativa é de que os primeiros resultados apareçam já em 2009.

Em virtude das significativas possibilidades de geração de emprego e renda para milhares de ribeirinhos no Amazonas e da crescente demanda por embalagens ecologicamente corretas – geradas a partir dessas duas plantas – a produção de fibras têxteis ganha cada vez mais espaço no mercado em substituição aos populares sacos plásticos.

Só no Amazonas, que é o maior produtor nacional de juta e malva, existem atualmente quase cinco mil produtores rurais que fazem a colheita das fibras às margens dos rios. A distribuição de 125 toneladas de sementes pela Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror) e o incremento de R$ 1,2 milhão na atividade por parte da Suframa prometem trazer melhores resultados para a próxima safra, no primeiro trimestre de 2009, e colocar o país no caminho da auto-suficiência.

Usadas sobretudo na confecção de sacarias biodegradáveis para o armazenamento de grãos, as fibras de juta e malva precisam atingir todos os anos a produção de 20 mil toneladas para poder atender à atual demanda do mercado nacional. Desse total, mais de 12 mil toneladas são provenientes de Manacapuru, no Amazonas. O restante vem do Pará – cerca de mil toneladas – e do sul da Ásia, mais precisamente de Bangladesh.

Em entrevista à Agência Brasil, o secretário executivo da Sepror, Ferdinando Barreto, explicou que o desafio é preparar o Amazonas para cultivar as sementes da juta e da malva. "Por exigirem condições diferenciadas de solo e tempo de maturação, historicamente, o cultivo da fibra ficou para o Amazonas e o da semente, para o Pará", disse. Segundo Barreto, as sementes de juta e malva usadas para fabricação das fibras no Amazonas são compradas do estado vizinho ao preço médio de R$ 15 o quilo.

"As sementes são produzidas em áreas de terra firme, que não são inundadas e no Pará são mais comuns de serem cultivadas. No Amazonas não há culturas nesse tipo de solo. Já a fibra é produzida em áreas de várzea, que no Amazonas são imensas. Há também variação no tempo necessário para coleta de fibra e de sementes. Para colher a semente, é preciso esperar uns sete a oito meses. Já para a produção das fibras, basta seis meses", explica.

Situado em meio a milhares de quilômetros de rios, o Amazonas detém cerca de 24 milhões de hectares de áreas de várzea, que também são usadas em outros cultivos, como mandioca, arroz, milho, mamão, maracujá e para a criação de animais. Nesses mesmos espaços foi introduzido o cultivo de malva e juta por colônias de japoneses, no município de Parintins, entre as décadas de 40 e 50.

A juta é originária da Ásia e a malva é genuinamente amazônica. Até o fim deste ano, cerca de 9 milhões de hectares de área de várzea devem estar ocupados pelas plantações de juta e malva, cujas sementes são, em grande parte, distribuídas pelo governo e por empresas privadas, que transformam as fibras em tecidos.

"São gigantescas extensões de várzea. Por enquanto, nossos produtores atuam somente em pedaços de terra de no máximo três hectares. Além do que o governo vai doar de semente este ano (125 toneladas), eles ainda vão poder contar com cerca de 55 toneladas doadas pela iniciativa privada", explica Ferdinando, acrescentando que em Manacapuru está mais de 90% da produção nacional.

O secretário de Produção Rural do Amazonas, Eron Bezerra, ressaltou que, no caminho da produção auto-sustentável, o Amazonas se prepara para promover a plantação e a colheita de sementes nas áreas de terra firme. Seguindo um planejamento específico, a Sepror prevê o início das atividades em até 45 dias, numa área de até 500 hectares nos municípios de Itacoatiara, Manacapuru, Parintins e, provavelmente, Iranduba. Assim, até julho de 2009, as sementes produzidas no estado já devem estar prontas para doação e venda ao preço máximo de R$ 6 o quilo.

"Quem no Amazonas precisar de mais sementes do que o que é doado pelo governo e pelas empresas vai poder comprar o quilo por R$ 9 a menos do que o valor que é cobrado hoje no Pará", diz Bezerra. Para ele, o mercado é promissor, pois produtos como o café, por exemplo, devem, obrigatoriamente, ser embalados em sacarias de fibras como as de juta e malva.

"Aos poucos, o uso dessas fibras deve aumentar consideravelmente. Entre as décadas de 50 e 70, o Amazonas chegou a produzir 90 mil toneladas, mas houve uma redução impactante da produção em função da entrada dos sacos de plástico no mercado nacional e por isso a maioria das sacarias nacional e mundial foi substituída", conta.

Com a produção local de sementes, o Amazonas espera obter pelo menos 80% das 180 toneladas de sementes que utiliza todos os anos. "Estamos só aguardando a liberação do recurso da Suframa até o fim de agosto para iniciar o plantio e a produção das sementes nas áreas de terra firme. Isso significa também que todo investimento que hoje é destinado ao Pará passará a ficar no próprio Amazonas, gerando renda para a população", finaliza o secretário.

Fonte: Amanda Mota/ Agência Brasil

“Os Desafios da Atenção à Saúde Mental e ao Uso de Álcool e outras Drogas junto aos Adolescentes Privados de Liberdade no Rio de Janeiro”

Seminário marca o início da parceria entre UERJ e DEGASE para o combate às drogas

Para marcar o inicio da parceria entre a UERJ e o Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas (DEGASE), a Universidade promove, no dia 4 de agosto, o seminário “Os Desafios da Atenção à Saúde Mental e ao Uso de Álcool e outras Drogas junto aos Adolescentes Privados de Liberdade no Rio de Janeiro”. O objetivo é formular e viabilizar ações conjuntas para o enfrentamento do problema das drogas no país.

A parceria, que foi assinada recentemente, tem como objetivo desenvolver ações de ensino, pesquisa, prevenção e tratamento do uso de drogas junto aos adolescentes atendidos pelo órgão do governo do estado. O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (NEPAD/UERJ) será a unidade executora das atividades previstas no projeto.

As inscrições para o evento, que acontece no auditório 11 do Pavilhão João Lyra Filho da UERJ (Campus Maracanã), devem ser feitas pelos telefones 2589-3269/4309 ramais 31 e 32.

Confira a programação completa do seminário:


8h30 às 10h30 – Mesa Redonda “Políticas Públicas sobre Atenção à Saúde dos Adolescentes Privados de Liberdade” com:
- Ricardo Vieiralves - Reitor da UERJ,
- Adriana Anselmo Cabral - Primeira Dama do Estado do Rio de Janeiro
- Teresa Porto - Secretária de Educação do Rio de Janeiro,
- Eduardo Cameleiro - Diretor do DEGASE,
- Prof. Maria Thereza Aquino - Diretora do NEPAD,
- Thereza de Lamare - Coordenadora de Saúde do Adolescente e do Jovem do Ministério da Saúde,
- Dra. Juliana Silva Pimenta - Coordenadora de Ações Relacionadas a Crianças e Adolescentes da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro
- Dr. Hugo Fernandes - Coordenador de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde,
Moderadora: Dra. Lígia Bittencourt, psicanalista do NEPAD e consultora do Ministério da Saúde.

10h30 às 11h – coffee break

11h às 13h – Mesa Redonda: “Subjetividade, Drogas e Adolescência em Conflito com a Lei” com:
- Dra. Lígia Bittencourt – NEPAD
- Dr. Paulo Becker
- Dra. Ivone Ponczek – NEPAD
- Benilton Bezerra – professor do Instituto de Medicina Social da UERJ
Moderadora: Dra. Fátima Alves Dias Tremura – diretora da Divisão de Psicologia do DEGASE

Fonte: UERJ

60ª SBPC - Unicamp e CPFL firmam acordo para desenvolvimento de inovações para o mercado de veículos elétricos

Um centavo por quilômetro
A CPFL Energia e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) formalizaram, na tarde de sexta-feira (18/7), um protocolo de intenções para o desenvolvimento de inovações voltadas ao mercado de veículos elétricos.

A cerimônia, no estande da empresa na Expo T&C, no último dia da 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas (SP), deu início ao projeto Desenvolvimento de Tecnologia e Mercado de Veículos Elétricos.

O objetivo do projeto é estudar características técnicas para o aprimoramento tecnológico de um modelo de moto elétrica importado pela CPFL, de modo a contribuir para a economia de combustíveis fósseis e para a preservação do meio ambiente. O veículo é silencioso e não emite gases tóxicos causadores do efeito estufa.

“Nos últimos quatro anos, a empresa vem desenvolvendo 26 projetos de pesquisa e desenvolvimento em parceria com a Unicamp, dos quais 16 foram encerrados com resultados positivos, em um valor global de cerca de R$ 26 milhões. Esse projeto que acaba de ser lançado certamente será exitoso, pois trará mais qualidade de vida paras as pessoas e um futuro melhor para o planeta”, disse Paulo Cezar Coelho Tavares, vice-presidente de Gestão de Energia da CPFL.

Após assinar o protocolo de intenções, o reitor José Tadeu Jorge expressou seu apoio ao projeto. “Para a Unicamp é uma satisfação muito grande estreitar essa nova parceria, uma vez que mais um trabalho sendo iniciado significa que os encerrados deram certo, o que nos permite pleitear novos projetos”, afirmou.

“Essa parceria entre universidade e empresa mostra que a academia está cumprindo seu papel de produzir conhecimento novo e fazer com que essas inovações beneficiem o país, produzindo emprego, renda e gerando riqueza para o desenvolvimento”, disse.

De acordo com Luiz Antônio Rossi, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp, que será responsável pelas pesquisas, elas se concentrarão em áreas como a otimização da tração do veículo em diferentes condições de uso e tipos de terreno encontrados no Brasil, ampliação de autonomia e redução do tempo de recarga da bateria.

Atualmente, o veículo tem autonomia de 50 quilômetros e leva quatro horas para recarregar a bateria. O projeto pretende elevar a autonomia para 150 quilômetros e reduzir o tempo de recarga para duas horas. O custo por quilômetro percorrido gira em torno de R$ 0,01.

“Um dos principais gargalos é o sistema de bateria, que, por ser de chumbo ácido, é muito pesada, tem vida útil pequena e tempo de recarga grande. Elas deverão ser substituídas por baterias de íon lítio, que têm potência maior e são mais resistentes. Com isso, teremos tempo menor de substituição e conseguiremos vencer distâncias maiores”, disse Rossi.

Outros gargalos serão resolver o condicionamento da potência da moto, que envolve o sistema formado por bateria, parte mecânica e tração. “Além de estudarmos motores de ar comprimido, o projeto inclui ainda a criação de uma logística de mercado para a recarga de baterias em lojas especializadas, em troca de uma espécie de cartão de abastecimento”, explicou.

“O desafio do Nipe é grande por envolver o desenvolvimento responsável do ponto de vista tecnológico, ambiental e social”, concluiu Rossi. Segundo ele, essas pesquisas deverão ser realizadas em um prazo de seis meses, quando a CPFL Energia, seguindo um plano de negócio predefinido, deverá importar cerca de 50 novas unidades da moto elétrica para adaptação tecnológica e comercialização.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

Aspectos Legais e Estratégias de Negócios em Propriedade Intelectual, para TV Digital

Seminário avalia estratégias de negócios em propriedade intelectual para TV Digital

O Brasil sediará, amanhã (22), o workshop internacional Aspectos Legais e Estratégias de Negócios em Propriedade Intelectual. O evento integra as atividades de cooperação do GTC-Brasil-Japão para a implantação da TV Digital, e é uma promoção conjunta do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Consulado Geral do Japão em São Paulo, Ministério do Interior e Comunicações do Japão e a Associação de Industrias e Empresas de Radio - ARIB do Japão. O workshop será realizado no Centro de Pesquisa Renato Archer (Cenpra/MCT), que fica na rodovia Dom Pedro I (SP-65), km 143,6, Campinas (SP).

Os palestrantes convidados, reconhecidos pela expertise na matéria são A.Prof. Ichiro Nakayama, da Shinshu University no Japão e Takao Ogiya do Centro Nacional de Informação e Treinamento em Propriedade Industrial – INPIT do Japão, instituição púbica japonesa apoiada pelo METI- Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão.

O workshop Aspectos Legais e Estratégias de Negócios em Propriedade Intelectual contará com a presença de especialistas dos dois países. "Vamos discutir quais são as implicações e os impactos gerados nas políticas públicas, considerando o modelo de TV Digital japonês. Também queremos avaliar como serão as novas áreas, o tratamento legal no ambiente digital, e os impactos sobre os aspectos legais no conteúdo. Em geral, vamos explorar mais os direitos envolvidos na transmissão", disse o secretário de Política de Informática (Sepin/MCT), Augusto Gadelha, que coordena os trabalhos nas áreas de semicondutores, recursos humanos e gestão dos direitos de propriedade intelectual no Grupo de Trabalho Conjunto Brasil-Japão (GTC), que deu seqüência ao programa de implantação da TV Digital no Brasil.

O desenvolvimento de novas aplicações para o modelo também será discutido no seminário. Um dos pontos que tem despertado o interesse dos investidores japoneses é o sistema, desenvolvido no Brasil, que permite a interatividade da TV Digital. "Quando os japoneses começam a ter interesse por essa matéria, significa que estão reconhecendo que o Brasil está agregando inovações ao sistema. Portanto, não queremos mais falar em um modelo japonês, mas sim em um sistema internacional nipo-brasileiro", destaca. Ainda de acordo com o secretário, o governo do Brasil também tem interesse em debater pontos relacionados aos direitos de propriedade intelectual do modelo. "Em termos de propriedade intelectual no Brasil não se pensa apenas nos detentores de direitos. É preciso pensar em um balanceamento entre os detentores desse direito, os consumidores e as políticas públicas que abrangem a sociedade", disse.

Programa
09h30 - 09h45 Abertura – Secretário Augusto Gadelha MCT/Sepin e Tadaaki Yokoo, Diretor da ARIB
09h45 – 11h15 – A.Prof. Ichiro Nakayama, Shinshu University - Aspectos Legais dos Direitos de Propriedade Intelectual
11h15 – 11h30 - Coffee break
11h30 – 13h00 – Grandes temas e questões atuais em Propriedade Iintelectual
13h00 – 14h30 Almoço
14h30 – 16h00 – Takao Ogiya, Centro Nacional de Informação e Treinamento em Propriedade Industrial - INPIT - Estratégias de Negócios no Uso de Propriedade Intelectual
16h00 – 16h15 - Coffee break
16h15 – 16h45 - Takao Ogiya, INPIT - Estratégias de Negócios no Uso de Propriedade Intelectual
17h45 – 18h00 – Encerramento – Marylin Peixoto, diretora MCT/Sepin

Fonte: Assessoria de Comunicação do MCT / Agência CT

60ª SBPC - Regulamentação do setor de telecomunicação é destaque

A necessidade da participação dos cientistas e da sociedade nos debates sobre o marco regulatório do setor de telecomunicação foi o tema principal do simpósio Mídias Digitais de Massa: Regulação, Tecnologias e Democracia, que ocorreu dia17, na 60ª Reunião Anual do Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC). No evento, três especialistas ressaltaram a importância de conciliar conhecimento técnico com participação cidadã para democratizar as tecnologias digitais, em particular na implementação da TV digital.

“É preciso que a sociedade e os pesquisadores participem do debate sobre o modelo regulatório do setor das telecomunicações”, pontua o superintendente de serviços de comunicação de massa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ara Apkar Minassian. Segundo ele, na atualização da legislação, será preciso considerar que as redes de radiodifusão, Internet, telefonia e TV a cabo passem a convergir cada vez mais, usando a mesma tecnologia para oferecer diversos serviços. “As comissões brasileiras de comunicação, abertas à participação de todos, são uma oportunidade para que os brasileiros tenham acesso ao que é discutido em fóruns internacionais e possam influir nas decisões nacionais”, sugere.

Para o professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sérgio Bampi, a comunidade científica precisa colaborar mais para que a televisão digital no Brasil se torne um instrumento de inclusão social e democratização. O cientista considera que a TV digital é, ao mesmo tempo, uma oportunidade “única de inclusão digital e capacitação tecnológica para o Brasil”

Bampi destacou os trabalhos desenvolvidos pelo Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec/MCT), em Porto Alegre, que oferece soluções em microeletrônica digital, analógica e mista. O professor ressaltou o middleware do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD), o Ginga. “Trata-se de uma solução inovadora para programação interativa. A difusão internacional do Ginga é um objetivo estratégico importante para o Brasil, que poderá resultar em futuras parcerias e novos negócios”, prevê.

Segundo o professor do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Zuffo, a TV digital significa um avanço importante, que atualizou, no Brasil, o casamento entre ciência e tecnologia. “A dinâmica da TV digital fez a comunidade científica despertar de um sono profundo. O Brasil superou a tecnologia japonesa”, comemorou. (Débora Pinheiro - Assessoria de Comunicação do MCT)

Fonte: Agência CT

Cai isenção de ICMS de equipamentos para pesquisas

O Conselho Nacional de Política Fazendária cancelou o Convênio ICMS 104, de 24 de outubro de 1989, que autorizava a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) "na importação de bens destinados a ensino, pesquisa e serviços médico-hospitalares".

Em outras palavras: Equipamentos de alta tecnologia não fabricados no Brasil, que gozavam do incentivo fiscal estadual para efeito de pesquisas científicas e serviços na área médica, agora, passarão a pagar o ICMS, mesmo que eles venham para o país para efeito de ensino, pesquisa, ou para serviços médicos e hospitalares. A medida do Confaz também é válida para uma lista enorme de reagentes químicos não produzidos no País.

Curiosamente a revogação ocorreu por meio do cancelamento da cláusula segunda do Convêno ICMS 71/2008 de julho deste ano, que prorrogava até 31 de dezembro, todos os acordos que fossem destinados à insenção do imposto para a realização de pesquisas cientificas, ensino e serviços hospitalares.

No dia 15 de julho, os secretários estaduais de Fazenda se reuniram em Brasília e decidiram aprovar um novo acordo, o de número 95/2008. Este revoga a cláusula segunda do Convênio 71/2008, justamente a que prorrogava, numa lista de centenas de acordos de isenção do imposto até o fim deste ano, o de nº 104/1989.

Isenções
O Convêno 104 de 1989 visava garantir que bens importados para fins de ensino e pesquisas científicas, assim como, equipamentos hospitalares não pagassem o ICMS na circulação pelo País. Da mesma forma, favorecia uma lista de reagentes químicos necessários à indústria.

A validade deste Convênio terminaria no ano de 2000. Mas ele foi sucessivamente prorrogado até dezembro deste ano mas, agora, os secretários de Fazenda decidiram recuar e anteciparam o fim da vigência do benefício.

No texto original, o convênio destinava-se a isentar o ICMS até 30 de abril de 2000 "no recebimento de aparelhos, máquinas, equipamentos e instrumentos médico-hospitalares ou técnico-científicos laboratoriais sem similar produzido no país, importados do exterior diretamente por órgãos ou entidades da administração pública, direta ou indireta, bem como, fundações ou entidades beneficentes ou de assistência social portadoras do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social".
"O disposto nesta Cláusula somente se aplica na hipótese de as mercadorias se destinarem para as atividades de ensino, pesquisa ou prestação de serviços médico-hospitalares", informava o parágrafo primeiro do Convênio 104 e se estendia aos casos de doação "ainda que exista similar nacional do bem importado" (parágrafo segundo).

A isenção seria concedida, individualmente, mediante despacho da Secretaria de Fazenda ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal. Ao mesmo tempo, ela viria de medida semelhante adotada pelo governo federal, com isenção ou com alíquota reduzida a zero dos Impostos de Importação ou sobre Produtos Industrializados.
A isenção valia para:

1. A partes e peças, para aplicação em máquinas, aparelhos, equipamentos e instrumentos;
2. a reagentes químicos destinados à pesquisa médico-hospitalar;
3. a medicamentos arrolados em anexo.
A inexistência de produto similar produzido no país seria atestada:
I - por órgão federal competente ou por entidade representativa do setor produtivo de máquinas, aparelhos e equipamentos com abrangência em todo o território nacional;
II - na hipótese de partes, peças e reagentes químicos, sendo inaplicável o disposto no inciso I, por órgão legitimado da correspondente Secretaria de Estado da unidade federada competente para exigir o imposto relativo à importação.

O Convênio 104/1989 também dispensou a apresentação do "Atestado de Inexistência de Similaridade" nas importações beneficiadas pela Lei Federal nº 8.010, de 29 de março de 1990, realizadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e por entidades sem fins lucrativos, credenciadas pelo instituto para fomento, coordenação e execução de programas de pesquisa científica e tecnológica ou de ensino.

Agora sem os efeitos desta liberação, o custo de aquisição destes equipamentos vai aumentar porque o ICMS possui uma variação de 25% a 40%. O Confaz não explicou as razões para cancelar o benefício nem informou de quem partiu a proposta de acabar com a isenção do ICMS nesta área. O Convênio 95/2008 - que gerou toda esta confusão - foi publicado na edição desta quarta-feira, 16/07, no Diário Oficial da União.

Fonte: Ipesi

60ª SBPC - Mobilidade acadêmica para acelerar o desenvolvimento e descentralizar a atividade científica

Movimentos necessários
Tradicionalmente, no Brasil, são as instituições públicas de ensino que incentivam a mobilidade acadêmica entre estudantes para a troca de experiências, apesar de cerca de 80% deles estarem em universidades privadas que, na maioria dos casos, não contam com centros de pesquisa e laboratórios para a realização de pesquisas.

A tendência foi discutida durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na semana passada, em Campinas (SP).

“O aluno não aprende apenas com o professor, mas também convivendo em uma comunidade científica que lhe ensina com base inclusive em recursos tecnológicos e de internet que nós, professores, muitas vezes não temos domínio”, disse Maria Clotilde Ferreira, professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

Clotilde defende a maior mobilidade dos estudantes para o avanço do conhecimento gerado na academia e fora dela. “Assim como andorinha sozinha não faz verão, cientista sozinho não faz pesquisa”, disse a psicóloga.

“O pesquisador deve sempre buscar uma maior flexibilidade para tentar trabalhar com suas pesquisas e também entender onde os resultados desses estudos poderão ser úteis, pensando na sociedade, nos projetos e programas de governo e na transferência de conhecimento para aplicações em empresas e indústrias. O acadêmico precisa sair da dimensão fechada de sua docência e pesquisa para começar a ampliar seu olhar”, afirmou.

Por outro lado, Clotilde mostrou-se extremamente preocupada com a questão da constituição da família como uma conseqüência negativa da mobilidade dos pesquisadores, uma vez que as pós-graduandas de todo o país estariam, segundo ela, adiando cada vez mais a maternidade. Ela também defendeu uma maior mobilidade social e empresarial da comunidade acadêmica.

Desconcentração científica
Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, também destacou o papel da mobilidade acadêmica para o progresso da ciência. “A ciência é um ato social, feito em constante comunicação com o outro, o que pode ocorrer em um almoço ou com a leitura de um artigo científico. A mobilidade tem papel fundamental para essa comunicação”, destacou.

Para ele, a mobilidade acadêmica, em suas várias formas, é pouco praticada no Brasil, seja quando um pesquisador muda de instituição ou quando apenas passa uma temporada em outra universidade para adquirir novos conhecimentos. “Essa é uma opção ainda pouco explorada para acelerar o progresso científico no país”, disse.

Considerando que no Brasil a atividade científica é distribuída de forma heterogênea, com poucas instituições fortes de pesquisa concentradas em alguns lugares no país, a idéia de mobilidade, segundo Brito Cruz, é mais necessária ainda quando o assunto é promover a desconcentração da atividade científica.

“A mobilidade se torna mais importante quando se considera que 75% dos doutores brasileiros são formados no Estado de São Paulo. Se a ciência quer chegar a outros lugares essas pessoas devem se mover, não por obrigação, mas por enxergarem condições de realização profissional em outras localidades”, apontou, lembrando também da importância de trazer cientistas de outros países que possam contribuir para as atividades de pesquisa brasileiras.

Brito Cruz destacou, nesse contexto, o que chamou de “apoio institucional e local” como fator preponderante para a mobilidade acadêmica, em especial no caso dos pesquisadores, que têm outro nível de compromissos sociais e profissionais, e levando em conta também que a lógica de funcionamento do ensino superior público e privado é completamente distinta.

“Uma das grandes restrições à mobilidade acadêmica no país se refere às questões relacionadas ao apoio institucional, que incluem toda a infra-estrutura para a pesquisa como a existência de pessoal qualificado e instalações físicas adequadas, e ao apoio local, que significa, por exemplo, a existência de uma fundação de amparo à pesquisa, que funcione no estado para o qual o cientista está se mudando. A falta desse tipo de apoio desestimula a mobilidade”, afirmou.

“Com exceção de algumas universidades públicas, as instituições de ensino e pesquisa brasileiras infelizmente ainda dão pouco valor e incentivo à mobilidade estudantil. Nós gostaríamos que os bolsistas e os jovens pesquisadores da FAPESP tivessem mais iniciativas nesse sentido para que a ciência feita no Brasil possa progredir melhor”, disse.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

1881: Nasce físico, filósofo e pioneiro da radiologia, o alemão Friedrich Dessauer

A 19 de julho de 1881 nasceu Friedrich Dessauer, inovador da medicina, cientista notável, empresário engajado e um dos pioneiros da radiologia.

Friedrich Dessauer nasceu em Aschaffenburg, norte do estado da Baviera, como nono filho de um conselheiro comercial. Em 1899, começou a estudar Eletrotécnica e Física em Munique e Darmstadt. Ele próprio desenvolveu aparelhos para radiografia e radiologia, instalados num laboratório que criou especialmente no ano de 1900 (Laboratório Eletrotécnico de Aschaffenburg – ELA).

A partir de 1906, Dessauer passou a dirigir o Instituto de Eletrotécnica de Frankfurt, que fundiu no ano seguinte com o de sua cidade natal, chegando a ter temporariamente 500 funcionários. Paralelamente a atividades em diversos institutos e universidades, participou ativamente na política, sendo deputado pelo Partido de Centro, no Reichstag em Berlim, entre 1924 e 1933.

Devido às críticas ao regime nacional-socialista, em 1933 ele foi preso várias vezes e afastado de todos os cargos. No ano seguinte, mudou-se para Istambul, na Turquia, onde criou o Instituto de Radiologia e Biofísica, que dirigiu por três anos. Depois disso, assumiu a direção do Instituto de Física na Universidade de Friburgo, na Suíça, retornando a Frankfurt em 1953.

Pioneirismo na radiologia
O raio-X havia sido descoberto em 1895 pelo físico alemão Wilhelm Konrad Roentgen (1845-1923). Friedrich Dessauer, hoje patrono de várias escolas e instituições educacionais e científicas na Alemanha, começou a divulgar os resultados de suas pesquisas com radiação em 1898.

Em 1903, publicou o Compêndio do Sistema Radiológico, e cinco anos mais tarde, foi um dos pioneiros na descrição de efeitos terapêuticos dos raios-X. Nas suas obras Energia nuclear e bomba atômica ou A alma na esfera da técnica procurou conciliar duas áreas aparentemente distintas, as ciências naturais e a filosofia.

Ele também foi o primeiro na época a associar pesquisas nos âmbitos da física e biologia, no Instituto de Biofísica de Frankfurt do Meno (hoje do Instituto Max Planck). Friedrich Dessauer faleceu em 16 de fevereiro de 1963, na idade de 82 anos, em Frankfurt. (rw)

Fonte: DW

“Um novo mundo nos trópicos (sob o signo da incerteza)”

Um novo mundo nos trópicos?
O economista João Paulo dos Reis Velloso, 77 anos, foi ministro do Planejamento, criou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ajudou a fazer da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) uma agência competente e ainda trabalhou para transformar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em fundação.

Depois que saiu do governo em 1979 Reis Velloso fez uma breve incursão pela iniciativa privada, mas se reencontrou na tarefa de pensar o Brasil, apresentar idéias e projetos para o país no Fórum Nacional que inventou em 1988 e que, a essa altura, já acumula 80 livros onde ambos estão muito bem documentados.

O 20º Fórum, ocorrido entre 26 e 30 de maio último, no Rio de Janeiro, com o tema “Um novo mundo nos trópicos (sob o signo da incerteza)”, forneceu a ocasião perfeita para a conclusão desta entrevista que, na verdade, começara em fins de 2005 (para uma tese de doutorado). A conversa, apesar da interrupção de dois anos e meio, continuou fluente.

A impressão que ficou desse 20º Fórum Nacional foi de que estamos diante da possibilidade real de um momento de virada no Brasil. Qual o seu balanço das idéias que passaram pelo fórum?
Eu acho que o Brasil realmente está diante de uma grande oportunidade, como há muito tempo não tínhamos. É claro que há alguns problemas na área chamada macroeconômica, com a inflação querendo voltar e uma nuvem escura no horizonte relativamente à questão de vulnerabilidade externa que não havia, mas, como somos criativos, inventamos um câmbio flutuante que flutua para baixo e ainda ontem o dólar deu menos de R$ 1,6. Sugiro que você viaje já ou pelo menos compre todas as passagens. Isso se deve em grande medida ao fato de que estamos usando demais a política monetária, quer dizer, elevação de taxa de juros, nós somos o país com maior taxa de juros do mundo, e não estamos usando a política fiscal, contenção de gastos, falando claramente. Quer dizer, nós estamos sob o signo da incerteza mundialmente. Porque há três crises, simultaneamente.

Falou-se muito sobre essas crises no fórum. Quais são elas?
A crise financeira dos Estados Unidos, a crise dos alimentos e a crise do petróleo. Principalmente nas duas últimas, o Brasil é a solução, não é o problema. Nós discutimos muito isso e já vínhamos trabalhando numa idéia que permite incorporar essa nova oportunidade que permitirá ao Brasil transformar-se no melhor dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China). É o que chamo de estratégia da economia criativa, baseada na economia do conhecimento. Trata-se de usar as aptidões modernas que a economia do conhecimento fornece para vir a ter uma economia criativa. Ou seja, criatividade nas empresas, criatividade dos trabalhadores e até criatividade no governo, se é que isso é possível, dadas as nossas tradições ibéricas. No fórum tivemos, por exemplo, o pronunciamento de um colunista famoso do New York Times, Roger Cohen, dizendo “o futuro do Brasil é agora”. Então não é mais aquela história de “Brasil, o país do futuro”.

Clique aqui para ler o texto completo na edição 137 de Pesquisa FAPESP.

Fonte: Mariluce Moura / Agência FAPESP

60ª SBPC - Desmatamento contribui fortemente para o aquecimento global

O Ano Internacional do Planeta Terra também esteve em discussão na 60 ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terminou dia 18, em Campinas (SP). O consultor do setor de energia e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), John Albuquerque Forman, atribui o aquecimento global a dois vetores importantes: um natural e outro a intervenção humana. "O aspecto natural se relaciona com a atividade solar, com o posicionamento do eixo da Terra em relação aos raios cósmicos. Nesse caso, o conhecimento ainda é bastante restrito", disse.

John Forman acrescenta que a atividade humana também é responsável pelo aquecimento da atmosfera, ao gerar os chamados gases de efeito estufa. "Frear a elevação da temperatura exigirá uma luta intensa. Temos um desafio muito difícil para superar", disse.

O diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCT), Pedro Leite, destaca que no Brasil o principal fator de preocupação é o desmatamento. De acordo com ele, 75% das emissões de gases está relacionado à derrubada de florestas. "Sabemos que se não houver alguma forma de compensar esse derrubada, com o crescimento da fixação de carbono em algum outro lugar, o dano, do ponto de vista do aquecimento global, é irreparável. Estamos numa fase em que é preciso colocar para a sociedade exatamente a questão: Ou tomamos atitude ou teremos que enfrentar uma elevação na temperatura que pode variar entre 3 e 4 graus dentro de alguns anos", advertiu.

Para Pedro Leite, uma das soluções para o problema passa pela mudança de hábito da população. "Não bastam só alternativas energéticas mais limpas. Temos que, seguramente, mudar paradigmas e valores da sociedade. Enquanto todos quiserem ter um ou dois carros, o problema não será resolvido. Mesmo que tenhamos uma fonte energética limpa, como a fusão nuclear, que só daqui a cem anos se tornará factível, ainda assim teremos o problema causado pelos equipamentos que serão utilizados pela sociedade", conclui.

O coordenador-geral de Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Carlos Oiti, que coordenou a sessão, avaliou de forma positiva os debates e acrescentou que o tema foi tratado de maneira uniforme. "A questão climática foi debatida não como uma catástrofe, mas como uma oportunidade de aproveitamento e de troca de experiências", opinou. (Deográcia Pinto - Assessoria de Comunicação do MCT)

Fonte: Agência CT

Brasil carece de pesquisadores em genômica

Falta pessoal em genômica
“Samba, futebol e... genômica”. Assim o jornal britânico The Economist abriu reportagem sobre o mapeamento brasileiro do genoma da Xyllella fastidiosa em 2000, anunciando que o país seria reconhecido também pela sua ciência de ponta.

De lá para cá, o Brasil caiu de terceiro para o oitavo lugar em número de pesquisas de mapeamento genômico. Mas isso não quer dizer que o trabalho foi reduzido, pelo contrário, aumentou, e muito. “A oitava colocação ainda é um lugar de honra e estamos na frente de muitas nações industrializadas”, disse a bióloga Ana Tereza Vasconcelos, coordenadora do Laboratório de Bioinformática do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ).

Na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na semana passada em Campinas, a pesquisadora apresentou um panorama das pesquisas de mapeamento genético e os desafios a serem enfrentados nessa área.

“O maior gargalo na pesquisa não está mais em equipamentos, custos ou tempo, mas na falta de recursos humanos especializados”, destacou. Segundo ela, esse não é um problema exclusivo do Brasil. O mundo inteiro está sofrendo a falta de pessoal que saiba, por exemplo, criar algoritmos para trabalhar com dados genômicos.

Não é para menos. O volume de informação da área tem crescido exponencialmente desde 1995, quando pela primeira vez o genoma de um organismo vivo, a bactéria Haemophillus influenzae, foi completamente mapeado.

Segundo Ana Tereza, o avanço da genômica se deve muito ao advento da internet, que levou laboratórios espalhados pelo planeta a trocar informações e dividir o trabalho de identificação dos genes. Com o tempo, novos softwares e técnicas de mapeamento permitiram reduzir o tempo das pesquisas e o seu custo.

Para ter uma idéia, o primeiro genoma humano mapeado levou 15 anos para ficar pronto e custou US$ 3 bilhões. O mais recente precisou de apenas dois meses de trabalho a um custo total de US$ 900 mil. No mundo todo, 827 genomas já foram completamente seqüenciados, e esse número tem crescido rapidamente.

O genoma humano é particularmente importante para a medicina. “Nosso genoma é como se fosse o manual de instruções”, comparou Ana Tereza. O projeto The Cancer Genoma Atlas (TCGA) do LNCC, por exemplo, acompanha 106 pacientes e já conseguiu identificar novas regiões do genoma que podem estar associadas a um tipo de câncer.

Medicina translacional
Ana Tereza acredita que, em breve, redes de computadores poderão processar dados clínicos desde o consultório médico, associá-los a informações de artigos relacionados ao problema e sugerir soluções. O procedimento faria parte de uma nova área do conhecimento batizada de medicina translacional.

O mapeamento genético ainda envolve o genoma das bactérias causadoras de doenças, o que abre alternativas de novos tratamentos, e até de vetores de patologias, como o do mosquito da malária, Aenopheles darlingi, um dos projetos em andamento coordenado pelo LNCC.

Ao todo, 25 laboratórios brasileiros formam uma rede de pesquisas de mapeamento genético, centralizada no LNCC. Essa rede também auxilia no estudo da biodiversidade e em soluções para a agropecuária brasileira.

O Brasil também tem se destacado no desenvolvimento de ferramentas para a bioinformática, como o software Sabiá, utilizado por instituições nacionais e estrangeiras para mapear genes. Mas, segundo Ana Tereza, serão precisos muitos mais craques da bioinformática para manter a fama internacional para além do samba e do futebol.

Fonte: Fábio Reynol / Agência FAPESP

60ª SBPC - Reunião termina com saldo positivo

"Para preparar essa reunião anual, trabalhamos mais de seis meses de maneira intensiva", disse o professor Eduardo Guimarães, da Unicamp. Ele foi um dos coordenadores locais da 60ª Reunião da SBPC, e considerou a edição de 2008 do evento um sucesso. Guimarães informou, nessa tarde, que na versão sênior, o evento teve mais de seis mil pessoas inscritas e a SBPC Jovem teve quase dois mil inscritos. Ele indicou que o número de pessoas que circularam nos stands foi porém duas vezes superior ao dos inscritos na SBPC e que, pela SBPC Jovem, passaram mais de cinco mil pessoas.

Durante os meses que antecederam o encontro, e até o final do evento, oitenta funcionários, 26 voluntários, dez bolsistas, 326 monitores, 90 vigilantes, 60 profissionais de serviços de limpeza e 9 colaboradores no plantão de emergência estiveram diretamente envolvidos com as atividades da SBPC. Houve ainda participação de 30 empresas contratadas e terceirizadas para a preparação e a infra-estrutura da reunião anual. Na ExpoT&C, foram contratantes 23 empresas e participaram mais de 60 expositores. Cerca de 250 pessoas estiveram envolvidas na logística.

O presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, se disse extremamente satisfeito com os resultados da reunião e agradeceu a Unicamp diante de todos. Raupp falou da importância dos focos temáticos discutidos ao longo da reunião, entre 13 e 18 de julho, salientando a responsabilidade da SBPC ao representar a comunidade científica engajada em fazer da ciência uma ferramenta de melhoras sociais. Também elogiou os investimentos feitos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. "O investimento de R$ 10 bilhões por ano em ciência e tecnologia é incomparável com o que foi investido em governos anteriores. Esse investimento é realizado de acordo com um planejamento integrado, que enxerga na área de ciência e tecnologia um motor de inovação". Marco Antonio Raupp disse que a SBPC acompanhará atentamente a execução das propostas e atenderá ao pedido feito pelo presidente Lula, que incitou a comunidade científica a cobrar do governo que s investimentos na área de C&T sejam bem executados.

Os números da SBPC
Inscritos com antecedência: 5.934
Inscritos no local: 330
Total de inscritos: 6.264

Estados com maior número de inscritos:
São Paulo: 2052
Pará: 375
Minas Gerais: 368

Público circulante estimado por dia, incluindo a programação científica, a ExpoT&C, a Feira do Livro e a Feira de Artesanato: 3 mil
ExpoT&C: 23 empresas contratantes e mais de 60 expositores

Atividades
7 assembléias
80 conferências
14 encontros
55 mesas-redondas
7 sessões especiais
71 simpósios
43 minicursos, com a participação de 1.261 matriculados

Números da SBPC Jovem
Inscritos com antecedência: 986
Inscritos no local: 765
Total de inscritos: 1.751
Público circulante estimado por dia: mil jovens e crianças

Fonte : Débora Pinheiro / Assessoria de Comunicação do MCT / Agência CT

Crotoxina: 70 anos de descobertas

Em 1938, dois pesquisadores do Instituto Butantan, K.H. Slotta e H. Fraenkel-Conrat, publicaram na revista Nature artigo em que descreviam o isolamento, a caracterização e a cristalização da crotoxina, enzima extraída do veneno da cascavel.

Em 1988, foi instituída a Sociedade Brasileira de Toxinologia (SBTx), tornando ainda mais efetiva a relevância do estudo das toxinas realizado no país. Esses fatos históricos e científicos serão lembrados no seminário Crotoxina: 70 anos de descobertas, que será realizado no Instituto Butantan, em São Paulo.

Entre os palestrantes estarão Henrique Moisés Canter, Suzana Gouveia Fernandes e Yara Cury, do Butantan, Maria Elena de Lima Perez Garcia, da SBTx e Universidade Federal de Minas Gerais, Marcos Mattos Fontes, da Universidade Estadual Paulista, e André Menezes, do Centro de Toxinologia Aplicada, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.

O seminário será realizado no Auditório do Museu Biológico, no Instituto Butantan, das 9 às 17h. O instituto fica na Av. Vital Brasil 1.500, São Paulo.

Mais informações pelo e-mail ou (11) 3726-7222 (ramal 2117).

Fonte: Agência FAPESP

Dentista da UnB desenvolve método auxiliar para diagnosticar osteoporose

Nova maneira de diagnosticar doença ajuda no tratamento precoce e poderá gerar grande economia ao SUS, diz estudo da UnB

O cirurgião-dentista André Leite comprovou um método auxiliar para diagnosticar a osteoporose. Sob a orientação da professora Ana Patrícia de Paula, da Reumatologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), o pesquisador investigou formas de identificar a doença por meio de radiografias tiradas da boca dos pacientes. O novo método poderá gerar uma significativa economia para o Sistema Único de Saúde.

Segundo ele, por meio de uma análise odontológica, um cirurgião-dentista é capaz de indicar um paciente para a avaliação médica antes que ele caia, frature o osso e seja internado. A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado Correlação entre os índices radiomorfométricos de radiografias panorâmicas e a densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa, defendida na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB).

Leite avaliou 351 mulheres na pós-menopausa (principal grupo de risco para a osteoporose) e comparou o resultado dos exames de densitometria óssea – utilizados para diagnosticar a doença – com os aspectos das radiografias panorâmicas analisadas. O pesquisador percebeu que, por meio de uma avaliação visual do desgaste de um osso da face, a mandíbula, é possível predizer se o paciente possui osteoporose ou baixa massa óssea.

“Os pacientes com a parte cortical da mandíbula fina têm 15 vezes mais chances de desenvolver osteoporose do que aqueles que apresentam a espessura normal”, explica Leite. “Isso acontece porque a osteoporose é sistêmica, ou seja, afeta todos os ossos do esqueleto, que se desgastam por igual.”

A radiografia panorâmica é um exame simples, utilizado para avaliar os dentes e os ossos da face de um paciente de uma só vez. De acordo com o pesquisador, este é um bom procedimento de triagem na Odontologia, pois serve para identificar a presença de restaurações, a quantidade de dentes e se há processos infecciosos ou lesões de cárie. “Ele dá uma visão ampla para a condição da saúde bucal”, diz o cirurgião-dentista. E tem uma grande vantagem. Custa apenas R$ 7,00, enquanto uma densitometria óssea não sai por menos de R$ 53,00 no Sistema Único de Saúde (SUS).

“O melhor é que, agora, com a radiografia panorâmica, é possível priorizar os pacientes que precisam fazer a densitometria óssea”, destaca o pesquisador. “Além de o exame ter alta sensibilidade, ele tem alta especificidade. O paciente que tiver a cortical normal, sem perda óssea, não tem necessidade de fazer o exame específico.”

E como a radiografia da boca é um exame básico, de rotina, sua utilização para predizer a doença pode auxiliar no diagnóstico precoce da osteoporose. Essa prática já vem sendo adotada na Clínica Odontológica do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

OSTEOPOROSE
Um dos grandes benefícios apresentados pela radiografia panorâmica é proporcionar o diagnóstico da osteoporose antes da ocorrência de fraturas. “A osteoporose é uma doença silenciosa, que só se manifesta depois que acontecem as fraturas. As pessoas que têm essa doença só procuram o serviço médico depois de quebrar um osso, como o quadril e a coluna vertebral. Aí já é tarde, porque o custo para o SUS é muito maior”, lamenta o pesquisador.

A osteoporose é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. Ela tem um grande impacto na população, pois o custo gerado pelo seu tratamento é muito alto. Leite lembra que um estudo feito recentemente na China avaliou 3,8 mil pacientes e descobriu que, a cada 15 pessoas internadas com fratura de quadril, uma morre no primeiro ano. E, dos pacientes avaliados, 30,8% morreram no segundo ano após a fratura. Ela é, portanto, uma doença de alta mortalidade e morbidade, pois, os doentes que não morrem, podem ficar incapacitados.

PERFIL
O cirurgião-dentista André Ferreira Leite é mestre em Ciências da Saúde pela UnB, professor substituto de Radiologia Odontológica e Clínica Integrada da UnB e radiologista do Hospital Universitário (HUB). Contatos pelo e-mail .

Fonte: Rodolfo Borges / UnB