quarta-feira, 16 de julho de 2008

E.S. divulga pacote de ações voltadas para a formação dos alunos da rede pública

O governo do Espírito Santo anunciou, na tarde desta segunda-feira (14), a abertura de 340 vagas do Programa de Bolsa Científica, que vai incentivar a participação de estudantes em projetos de pesquisas ou de iniciação científica nas escolas de ensino fundamental, médio e profissional. Paulo Hartung também assinou um decreto abrindo crédito suplementar de R$ 700 mil à Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sect), para concessão de bolsas de mestrado e doutorado, e um projeto de lei que prevê o repasse de R$ 1 milhão à Sect, para atender despesas com a implantação do Centro de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (CPID), em Cariacica.

O anúncio do programa Bolsa Científica e a assinatura dos atos foram feitos durante entrevista coletiva, no Palácio Anchieta, que contou com a presença dos secretários de Educação, Haroldo Corrêa Rocha, e de Ciência e Tecnologia, Rogério Queiroz, além de alunos que serão contemplados pelas bolsas, em São Mateus.

O governador Paulo Hartung ressaltou que a iniciativa é mais um passo no sentido de incentivar os alunos a aperfeiçoar a formação e a se dedicar aos estudos. Hartung frisou que a prioridade número um do Governo é a educação.

“Não existe nada mais importante para a formação de nossos jovens do que a educação. Por isso, temos trabalhado com foco e sentido de prioridade. O setor vem recebendo investimentos superiores a R$ 1 bilhão em 2008, o maior volume de recursos da história da educação pública capixaba”.

Bolsa Científica
O Bolsa Científica contempla um estímulo anual, no valor de R$ 1.200,00, para cada estudante integrado ao programa. O objetivo é incentivar a participação de estudantes por meio de produção científica voltadas às comunidades do entorno das escolas. O projeto prevê a articulação da rede estadual de ensino com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e faculdades particulares. Professores dessas instituições atuarão como orientadores dos projetos desenvolvidos nas escolas.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Haroldo Corrêa Rocha, a Bolsa Científica é um incentivo a uma educação especializada e, principalmente, de qualidade no Estado. “Proporcionar aos nossos alunos esta oportunidade, de levá-los para outra rotina pedagógica e, assim, torná-los pesquisadores, é garantir na formação uma porta para o campo científico e até mesmo para o mercado de trabalho”, afirmou.

Na rede estadual, cada grupo de cinco alunos será atendido por professores tutores que acompanharão toda a produção. Em agosto, a Sedu e a Sect divulgam edital selecionando os estudantes e professores que participarão do Bolsa Científica. As áreas de atuação dos projetos serão de caráter social, natural e econômico.

Para se inscrever e ter direito ao benefício o estudante tem que estar regularmente matriculado em uma das séries do ensino fundamental – 5ª a 8ª, ensino médio ou educação profissional; não ter reprovação e nem recuperação no histórico escolar; comprovar freqüência mínima de 75% em todas as disciplinas; e estar desvinculado do mercado de trabalho.

O secretário enfatizou as formas como os estudantes podem participar e destacou a importância das instituições de ensino também atuarem como incentivadoras para estes jovens. “É importante as escolas co-participarem deste projeto junto aos seus alunos. Por isso, tornar os professores orientadores neste projeto é garantir o que é a educação: a arte de incentivar. Portanto, cabe também aos educadores agirem como propagadores nesta novidade que é a iniciação científica em nossas escolas”, concluiu.

A aluna da 8ª série da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio São Mateus, Amanda Malacarni, que é bolsista do projeto “Show da Química através do solo”, afirma que poder participar do projeto é algo que garante um aprendizado diferenciado. “A Bolsa é uma oportunidade para divulgar os nossos trabalhos, além de ser uma novidade que, com certeza, vai render resultados positivos na nossa educação”, destaca.

Para a coordenadora da escola de São Mateus, Dina Malacarni, os alunos da instituição estão empolgados com a iniciativa da Sedu. “Nossos alunos, assim como a Amanda, estão entusiasmados com a Bolsa. Vamos incentivar para que todos possam participar”, afirma.

O aluno interessado deve formalizar sua adesão ao projeto assinando um termo de compromisso. Em caso de menor de idade, o termo deverá ser assinado pelos pais ou responsáveis legais. As inscrições terão início no mês de agosto.

Além da Bolsa Científica, o Governo divulgou também um projeto destinado a subvencionar estudantes da rede estadual de educação que também sejam alunos de cursos técnicos no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefetes).

Denominado Bolsa Técnica, o benefício tem como objetivo incentivar a formação profissional dos estudantes por meio da concessão de uma subvenção no valor de R$ 1,8 mil por ano de estudo. O recurso será usado para custear despesas do aluno com sua educação. O valor destinado pelo Governo ao projeto de Bolsas Técnicas é de R$ 460.809 nos próximos 24 meses e beneficiará inicialmente 128 estudantes.

O projeto é direcionado inicialmente a estudantes de 13 escolas estaduais de Cachoeiro de Itapemirim e três de São Mateus. Eles se inscreveram durante o mês de junho e julho e farão prova de seleção no próximo dia 27.

Centro de Pesquisa
A implantação do Centro de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (CPID) é resultado de um convênio firmado entre o Governo do Estado e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Previsto para funcionar no município de Cariacica, o CPID será o primeiro centro de pesquisa do Espírito Santo na área industrial que atenderá às demandas dos meios geradores de ciência, tecnologia e inovação (C,T&I) e das empresas capixabas, realizando pesquisas e prestando serviços tecnológicos. Serão investidos R$ 11,5 milhões, sendo R$ 7,5 milhões da Finep e uma contrapartida do Estado de R$ 4 milhões. Parte da contrapartida será dada por empresas da região.

De acordo com o secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Rogério Silveira de Queiroz, o CPIDI será voltado para pesquisas aplicadas, devendo inclusive propiciar o desenvolvimento conjuntos com o setor produtivo. “A concepção técnica e as especificações dos laboratórios são resultados do trabalho de 40 pesquisadores e técnicos do Centro Federal Tecnológico do Espírito Santo (Cefetes) e Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema)”, disse.

Já o recurso de R$ 700 mil será para ampliação de bolsas de pós–graduação em instituições de ensino superior do Espírito Santo. Com este investimento, o Estado passa a ofertar 100 bolsas de mestrado e 28 de doutorado previstas já para começar em agosto deste ano. “Assegurar bolsas a todos os estudantes de doutoramento da Universidade Federal do Espírito Santo e a uma grande parcela dos estudantes de mestrado é garantir pessoal altamente qualificado, necessário à manutenção do crescimento do Espírito Santo”, ressaltou Queiroz.

Fonte: SECT-ES

Projeto incentiva setor metal mecânico do norte de SC

Um novo projeto foi lançado pelo Sebrae/SC para apoiar o desenvolvimento do setor metal mecânico da região norte de Santa Catarina. O objetivo é analisá-las e indicar o que deve ser melhorado para que se destaquem no mercado brasileiro. O Coordenador Estadual do Projeto, Roberto Tavares de Albuquerque, destaca que os resultados esperados com ações de capacitação em gestão, tecnologia e acesso a mercados vão aumentar em 30% a receita e em 20% a produtividade das empresas participantes do projeto até dezembro de 2010.

Estima-se em 421 o número de empresas do setor na região, que podem ser participantes do projeto, entre elas fabricantes de ferramentas, moldes, peças automotivas, peças usinadas entre outros. Encontros e missões de negócios são realizados esporadicamente para que os empresários troquem experiências e busquem a melhoria dos processos produtivos.

Segundo o gestor local do projeto, Jaime Dias Júnior, o projeto possui um comitê gestor formado pelo Sebrae/SC, Sindimec – Sindicato da Mecânica de Joinville -, o Núcleo de Usinagem e Ferramentaria da ACIJ, Núcleo de Usinagem e Ferramentaria da Ajorpeme e ACIJS. O orçamento disponibilizado para o projeto é de R$2 milhões que será destinado a ações diversas de acordo com as necessidades das empresas.

Empresas do setor metal mecânico que quiserem participar do projeto devem entrar em contato com o Sebrae de Santa Catarina em Joinville pelo telefone (47) 34334654.

Clique aqui para ter acesso ao material na íntegra.

Fonte: CIMM

60ª SBPC - Mudanças climáticas e Biodiversidade na Amazônia

Uma abordagem ampla sobre as mudanças climáticas globais e a biodiversidade na Amazônia foi feita pelo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), Adalberto Luis Val, ontem (15), na conferência Biodiversidade na Amazônia X Mudanças climáticas: causas e conseqüências. A conferência integra a programação da 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Campinas (SP).

Os indícios apresentados por Val mostram que as mudanças climáticas, que ocorrem em nível regional e global, estão afetando muitos ecossistemas. "Na realidade as mudanças climáticas, que de forma geral incluem mudanças nos regimes de temperatura ambiental, chuvas e ventos, acarretam secundariamente um vasto conjunto de efeitos biológicos, alguns dos quais acabam, de forma circular, contribuindo com mudanças ambientais regionais que intensificam os efeitos das mudanças climáticas tanto em nível regional como global", aponta.

O diretor do Inpa explica que o aquecimento do ambiente aquático, por exemplo, resulta na migração de algumas espécies de peixes para ambientes mais frios. O mesmo, segundo Val, ocorre com as populações de algumas espécies de plantas que se movimentam para altitudes maiores. "Isto é, as espécies de plantas começam a migrar para lugares mais altos em busca das temperaturas mais baixas", disse.

Na conferência, Val destacou como os efeitos das mudanças climáticas podem ser opostos, dependendo da biologia, da capacidade adaptativa e da distribuição e ocorrência das espécies nos diferentes ecossistemas. "A velocidade com que essas mudanças estão ocorrendo é superior a todas as que ocorreram nos últimos dez mil anos", disse.

De acordo com o diretor, estudos indicam que se as taxas de desmatamento atuais forem mantidas, entre 2% e 8% das espécies desaparecerão nos próximos 25 anos, e pelos menos 30% de toda a diversidade biológica existente no planeta sofrerão algum tipo de efeito das mudanças climáticas.(Caroline Soares - Assessoria de Comunicação do Inpa)

Fonte: Agência CT

IEA cria o Grupo de Filosofia, Sociologia e Historia da C&T

Em junho, foi criado o Grupo de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e Tecnologia do IEA. O núcleo da nova equipe é constituído pelos pesquisadores participantes do Projeto Temático Fapesp "Gênese e Significado da Tecnociência – Das Relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade", iniciado em março e com duração prevista de quatro anos.

O objetivo central do projeto temático e, conseqüentemente, do grupo é investigar os papéis desempenhados pelos valores éticos e sociais de indivíduos e instituições nas práticas científicas e tecnológicas da atualidade.

A exploração desses papéis desdobra-se em dois conjuntos de investigações:
  • a importância contemporânea da tecnociência (inclusive o impacto de sua pesquisa e desenvolvimento nos processos e na institucionalização da pesquisa científica);
  • os aspectos centrais do desenvolvimento histórico da tecnociência.
Dentre as questões a serem analisadas no primeiro conjunto estão:
  • as mudanças ocorridas nas décadas recentes nos modos de produção social do conhecimento tecnocientífico com o aumento do financiamento privado (e diminuição do financiamento público) da pesquisa científica;
  • o modo pelo qual essas mudanças afetam o status dos valores de objetividade, neutralidade e autonomia aos quais a comunidade científica tradicionalmente adere;
  • a função dos direitos de propriedade intelectual nesse processo;
  • os problemas teóricos (artificial-natural, identidade biológica etc.) e práticos (crítica ética, proposta de alternativas etc.) da biotecnologia atual;
  • a relevância de alternativas às práticas tecnocientíficas (por exemplo, agroecologia) e o papel da bioética e de abordagens influenciadas pelo “princípio de precaução” para a avaliação do significado dessas mudanças.
As investigações do segundo conjunto incluem:
  • a idéia do "controle da natureza" e os valores do progresso tecnológico e seu impacto na formação da pesquisa científica moderna;
  • as relações entre a ciência e a tecnologia na modernidade, especialmente o papel representado pelas máquinas e pelas idéias mecanicistas.
  • As ligações entre os dois conjuntos de investigações serão reforçadas pelo uso de um modelo de atividade científica que identifica as relações mutuamente reforçadoras que existem entre a adoção, na pesquisa, de estratégias metodológicas particulares e a sustentação de valores éticos e sociais particulares.

Outro objetivo do projeto é propiciar, através de uma série de eventos e publicações, discussões entre cientistas, filósofos e cientistas sociais (brasileiros e de outros países) com abordagens metodológicas e perspectivas éticas divergentes e verificar como os resultados dessas discussões podem ter um impacto positivo na pesquisa científica, no ensino de ciências e na educação superior.

O coordenador do projeto temático e do grupo é Pablo Mariconda, do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Os outros integrantes da equipe central são Hugh Lacey, professor emérito do Swarthmore College (EUA); Marcos Barbosa de Oliveira, do Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da Faculdade de Educação da USP; José Roberto Machado Cunha da Silva, do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do Instituto de Ciências Biomédicas; Sylvia Gemignani Garcia e Rui Braga, ambos do Departamento de Sociologia da FFLCH-USP; e Mauricio de Carvalho Ramos, do Departamento de Filosofia da FFLCH-USP. O grupo também conta com a colaboração de outros pesquisadores, membros correspondentes estrangeiros e pós-graduandos.

Programação
A primeira atividade pública do Grupo de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia foi o debate "Questões Concernentes à Perspectiva de Análise da Atividade Científica", no dia 25 de junho. Os debatedores foram (a partir da esq. na foto) Hugh Lacey, Marcos Barbosa de Oliveira e Pablo Mariconda.

No dia 6 de agosto terá início a próxima atividade: o 15º Seminário Internacional de Filosofia e História da Ciência, com Fernando Tula Molina, da Universidade Nacional de Quilmes (Argentina). Serão nove seminários nos dias: 6 e 13 de agosto; 10 e 24 de setembro; 8 e 22 de outubro; e 12, 19 e 26 de novembro. Os encontros acontecerão sempre às 10h, no Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA.

Terry Shinn, da Maison de Sciences de l´Homme (França), e Anne Marcovitch darão conferências no bimestre outubro/novembro. Shinn falará sobre "Organização Intelectual e Social da Pesquisa em Nano" (29 de outubro) e "(Des)Encantamento e Interpenetração: Modernidade, Pós-Modernidade e Formas de Reflexividade" (6 de novembro). Marcovitch tratará de "Nanociência e as Ciências da Vida" (31 de outubro) e de "Forma, Imagens e Instrumentação em Nanociência e Nanotecnologia" (4 de novembro). As conferências terão início às 10h, no Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA, e serão proferidas em inglês, sem tradução.

Todos os eventos do grupo terão transmissão ao vivo em www.iea.usp.br/aovivo. Para mais informações e inscrições os interessados devem entrar em contato pelo telefone (11) 3091-1688 ou e-mail .

Fonte: IEA/USP

60ª SBPC - Papel pioneiro do Brasil na resposta às mudanças climáticas

Embora já tenham provocado sequelas irreversíveis em escala planetária e ameacem seriamente o Brasil, inclusive economicamente, as mudanças climáticas causadas pela ação humana são apontadas pelo engenheiro Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), como uma oportunidade para o Brasil oferecer um modelo de desenvolvimento inédito à economia mundial. Primeiro brasileiro a conquistar um Nobel da Paz, Carlos Nobre é doutor em meteorologia e, em 2007 foi agraciado por seu trabalho na área ambiental. "As mudanças climáticas são um grande desafio e oferecem uma oportunidade única ao Brasil, que pode tornar-se o primeiro país tropical desenvolvido, se reagir rapidamente diante das escolhas que têm causado mudanças climáticas", avalia.

Para quem vê com ceticismo a relação causal entre industrialização desenfreada e aquecimento global, o cientista responde com números. "Todas as concentrações atmosféricas dos gases de efeito estufa vêm aumentando, tornando o aquecimento futuro inequívoco", disse. Nobre explica que em comparação com as variações dos últimos dez mil anos, o aumento das concentrações desses gases desde a revolução industrial é atípico. "Desde 1750, as concentrações de gás carbônico aumentaram 35%, de óxido nitroso subiram 18% e de metano chegaram a 148%", indica, lançando mão de dados da Organização Meteorológica Mundial.

Desafio
Nobre explica que para estabilizar a emissão desses gases em 2050, deve-se reduzir as emissões de CO2 em aproximadamente 60% a 70% em relação ao que se emite agora. "Ainda assim, já não há como frear alguns processos. A extinção de espécies é inevitável e já está acontecendo", avisa. Na palestra que proferiu nessa terça-feira (15), na Unicamp, e que fez parte da programação da 60ª reunião da SBPC, Nobre mostrou-se preocupado com o impacto do aquecimento global no Brasil.

Além das mudanças dramáticas percebidas no mundo inteiro e na irreversibilidade de alguns estragos ambientais – como o derretimento das geleiras e a extinção certeira dos ursos polares por volta de 2050 – o pesquisador indica conseqüências graves para o Brasil. Impactos severos nos recursos hídricos do Nordeste, desertificação da região semi-árida, destruição da biodiversidade do Cerrado e "savanização" da Amazônia são algumas tendências apontadas pelo cientista e que podem ser esperadas até o final desse século, conforme o atual modelo de desenvolvimento. Na economia, o maior impacto relativo ao aumento de temperatura poderá ser para a soja, com redução de até 60% na área potencial de plantio. Carlos Nobre lembra ainda que as mudanças climáticas globais afetam os mais pobres e o Brasil é vulnerável a elas. "As mudanças climáticas vão aumentar ainda mais as desigualdades e o aumento de preços dos alimentos é um dos sintomas disso", observou.

Se o Brasil é um dos países que mais podem sofrer com efeitos econômicos e sociais do aquecimento global, pode também ganhar destaque se apostar em soluções baseadas em desenvolvimento sustentável, na opinião do cientista. "Temos a vantagem de não precisarmos promover o desmatamento ou nos apoiarmos em combustíveis fósseis para continuar crescendo. Com a nossa capacidade de prosperar com recursos renováveis podemos oferecer ao mundo um modelo inédito de desenvolvimento sustentável e o Brasil pode tornar-se o primeiro país tropical desenvolvido de fato". O que a ciência brasileira pode fazer, conclui Carlos Nobre, é continuar oferecendo soluções para escolhas políticas que privilegiam os recursos renováveis. (Débora Pinheiro - Assessoria de Comunicação do MCT)

Fonte: Agência CT

"Economia Solidária, uma Proposta para Outro Mundo Possível"

Paul Singer, secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, faz a conferência "Economia Solidária, uma Proposta para Outro Mundo Possível" no dia 8 de agosto, às 10h, no Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA.

O evento terá como debatedores Mariana Almeida (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP) e Francisco Whitaker (Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo). A coordenação será de Sylvia Leser de Mello (Instituto de Psicologia da USP)

Quem não puder comparecer poderá acompanhar o evento pela internet em www.iea.usp.br/aovivo.

IGUALDADE
Em entrevista (leia a íntegra) publicada na revista "Estudos Avançados" 62 (janeiro-abril/2008), Singer diz que a economia solidária "demonstra que a alienação no trabalho, que é típica da empresa capitalista, não é indispensável". Considera que "o trabalho é uma forma de aprender, de crescer, de amadurecer, e essas oportunidades a economia solidária oferece a todos, sem distinção".

Singer define a economia solidária como um modo de produção cuja característica central é a igualdade de direitos, acrescida da autogestão, ou seja, "os empreendimentos são geridos pelos próprios trabalhadores coletivamente de forma inteiramente democrática, com cada membro tendo direito a um voto".

Na conferência, Singer tratará de diversos aspectos ligados ao desenvolvimento e regulamentação da economia solidária: adequação das cooperativas à legislação trabalhista, clubes de troca, empresas com autogestão, redes de cooperativas, crédito, microcrédito, incubadoras universitárias de cooperativas populares e até a questão das falsas cooperativas (empreendimentos que adotam o modelo cooperativista apenas para desonerar a folha de pagamento de encargos trabalhistas).

Serviço:
Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA, Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa J, 374, térreo, Cidade Universitária, São Paulo (mapa).

Mais Informações pelo telefone (11) 3091-1686 ou pelo e-mail .

Fonte: IEA/USP

Imprimatur ainda não conseguiu investir no Brasil, faltam pesquisas inovadoras

Imprimatur ainda não conseguiu investir no Brasil; causa é a falta de pesquisas que apresentem algo completamente novo para o mercado

A Imprimatur se instalou há 11 meses no Brasil e ainda não conseguiu fazer um investimento aqui. A empresa inglesa, que busca investir em tecnologias nascentes, não encontrou até agora, nas universidades brasileiras, nenhum trabalho de pesquisa que "possa resultar em algo totalmente novo no mercado". A afirmação é de Rosana Ceron Di Giorgio, que dirige o escritório da empresa no Brasil desde sua montagem em Campinas (SP).

"Não é fácil. A velocidade da universidade é outra, o pesquisador geralmente é também professor, ele envia o projeto para nós, depois demora a nos dar respostas. Infelizmente, a comercialização, a formação de uma empresa a partir do seu trabalho de pesquisa, não são prioridades para o pesquisador", disse Rosana no dia 2 de julho durante sua palestra no 6º Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira (Simtec). Dentro do Simtec, há o Simbio, simpósio sobre biotecnologia aplicada ao setor sucroalcooleiro, no qual Rosana falou da experiência internacional da Imprimatur. Em julho de 2007, Rosana deixou a Inova Unicamp, a agência de inovação da universidade paulista, para atuar na Imprimatur. Na Inova, dirigiu a área de transferência de tecnologia desde a criação da agência, em 2004.

Primeira tentativa: coccidiose aviária
Por enquanto, a Imprimatur está trabalhando apenas em um medicamento contra a coccidiose aviária, resultado de um trabalho de pesquisa da equipe do professor Adilson Leite, do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Unicamp. A coccidiose aviária é uma doença que afeta os frangos. Provoca infecção intestinal, debilidade e perda de peso. Anualmente, a doença causa prejuízos de US$ 20 milhões aos produtores. Os pesquisadores do CBMEG identificaram uma proteína que tem grande potencial para combater a doença. Como o professor já faleceu, a Imprimatur tenta convencer um de seus ex-alunos, hoje na iniciativa privada, a tornar-se empreendedor e participar da empresa. Enquanto isso, o fundo de capital de risco já liberou recursos para a equipe do CBMEG que trabalhou com Leite testar a tecnologia em animais. A pesquisa só tinha sido feita até os testes in vitro, em laboratório. A Imprimatur precisa dos resultados em animais para saber se a vacina realmente tem potencial e se vale a pena investir na formação da start-up. Esse tipo de teste é chamado de prova do conceito.

"Liberamos dinheiro para a compra dos insumos necessários para esse teste em novembro de 2007, mas só em junho os pesquisadores da Unicamp conseguiram comprá-los. Foi preciso uma autorização do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] para a importação dos insumos, que só foi obtida em maio último", contou Rosana no Simtec. Ela já havia tentado viabilizar essa tecnologia para o mercado quando era da Inova. Procurou empresas brasileiras e internacionais que poderiam se interessar pelo licenciamento, mas todas deram a mesma resposta: precisavam da prova do conceito, dos resultados dos testes em animais, para ver o potencial da pesquisa como produto para o mercado.

Por que, quase um ano depois, a Imprimatur ainda não investiu em uma empresa nascente no Brasil? "Recebemos uma proposta de um inventor, que trabalhou no desenvolvimento de um gerador [de energia]. O segredo da tecnologia era o acionamento do equipamento, mas o problema dos geradores não está nisso. A Imprimatur investe em coisas complexas, onde existe escassez de idéias, de soluções, que representam ruptura no mercado", justifica Rosana. "Em cada dez empresas em que se investe como capital semente, uma dá certo. E essa uma que dá certo precisa gerar recursos para o fundo que dêem retorno sobre os outros nove investimentos que não deram certo e sobre o investimento feito nela própria", completa ela, ao explicar a grande seletividade da companhia. Para fazer a prospecção e saber se um empreendimento está atuando realmente em alvo inovador, a Imprimatur consulta uma rede de 60 instituições de pesquisa espalhadas pelo mundo.

No Simtec 2008, a executiva apresentou um case internacional de investimento da Imprimatur, exemplificando como a companhia atua. A empresa húngara Quick Silver, da área de bioenergia, recebeu apoio da Imprimatur na sua constituição. O empreendedor, Andreas Kovacs, trabalhava para a empresa petrolífera húngara, e desenvolveu um novo processo de produção para biodiesel. Em parceria com o Centre for Process Innovation, centro de pesquisa inglês, a Imprimatur criou a start-up baseada na idéia de Kovacs. Rosana não revelou o valor investido na empresa.

A Quick Silver desenvolveu uma tecnologia que produz biodiesel a partir de óleo de canola, soja, girassol e óleo reciclado e que reduz em 20% os custos operacionais de produção, por usar menos insumos. A tecnologia baixou também o tempo de produção: em 30 minutos, indicam as pesquisas feitas até agora para o desenvolvimento da tecnologia, é possível produzir o biodiesel.

Rosana não deu detalhes sobre o funcionamento da tecnologia nem sobre os volumes de produção. Disse apenas que há duas patentes para o processo, que a empresa está viabilizando investimentos para a construção de uma planta-piloto e que a idéia é a Quick Silver vender a tecnologia para produtores agrícolas, e não ela mesma fazer o biodiesel. Kovacs é o diretor técnico da Quick Silver. A Imprimatur sempre nomeia um diretor para dar apoio na parte administrativa e financeira. (J.S.)

Informações sobre a Imprimatur Capital:
www.imprimaturcapital.com


Fonte: Inovação Unicamp

60ª SBPC - Balanço histórico

Um balanço histórico da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência foi feito pelos presidentes da SBPC, Marco Antônio Raupp, e da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis, e pelo professor titular do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Fernando Galembeck, durante a 60ª Reunião Anual da sociedade, em Campinas.

Galembeck chamou a atenção para o importante papel político exercido na história do Brasil. “A SBPC nasceu na oposição e sempre se saiu melhor quando assumiu posturas críticas”, disse. Em sua fala, fez um rápido apanhado de suas impressões sobre os encontros anuais de que participou desde os tempos em que era estudante, um registro que chamou de “Minha memória sentimental da SBPC”.

O pesquisador relembrou momentos pitorescos, como o encontro de 1972, quando distribuiu retroprojetores pelas salas, e também episódios dramáticos, como no encontro de 1977, realizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo durante a ditadura militar.

Galembeck também apontou o que considerou “erros” da SBPC. Entre eles, o fato de a comunidade científica brasileira não estar presente em diversas “interfaces” com a sociedade. “Muitos doutores formados desconhecem patentes e o papel da inovação no processo produtivo, o que é um grave pecado, especialmente quando eles vão atuar no setor privado”, destacou.

Segundo Raupp, o primeiro grande papel desempenhado pela SBPC foi o de unir os cientistas brasileiros a fim de apresentar propostas ao país. “Desde o nascimento da SBPC, a preocupação social esteve presente, ela está em seu DNA”, disse. Em um segundo momento, a entidade se tornou um veículo de divulgação da produção científica brasileira. “O cientista mostrava a cara para dizer que se fazia ciência no Brasil”, brincou.

Para o atual presidente da entidade, a SBPC serviu de base para a geração de várias instituições importantes na produção científica brasileira. Foi o caso da Universidade de Brasília (UnB), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e na ocasião da criação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) durante a abertura democrática na década de 1980.

No período da ditadura militar, a SBPC representou um fórum democrático de crítica ao regime. “Dos cerca de 40 mil sócios, cerca de 30 mil se filiaram durante o regime militar só para ter um espaço em que pudessem criticar o governo”, disse em simpósio realizado na Unicamp, que teve como coordenador Jailson Bittencourt de Andrade, professor da Universidade Federal da Bahia.

Palis lembrou que nem sempre a instituição foi tão abrangente como hoje. “Em 1981, fui o primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Matemática a participar de um encontro da SBPC. Antes disso, a matemática era muito pouco representada na entidade”, disse. Mencionou a criação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que também contaram com a participação ativa de membros da SBPC.

O matemático destacou que durante o governo de Fernando Collor de Mello, de 1990 a 1992, a SBPC freqüentou o Congresso Nacional em busca de verbas para a pesquisa. O mesmo ocorreu durante a criação dos fundos setoriais para pesquisa durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), quando os membros da comunidade científica angariaram votos importantes nas bancadas do governo e da oposição. “Nos momentos difíceis da história nacional, a SBPC sempre esteve presente”, ressaltou.

Raupp aponta duas pautas que consolidarão a importância da SBPC no futuro: o desenvolvimento sustentável e a economia do conhecimento. O crescimento com respeito ao meio ambiente e à sociedade e a capacidade de transferir rapidamente o conhecimento gerado na produção de bens de alto valor são, segundo ele, a chave para o desenvolvimento. “A SBPC continuará sendo chamada para dar opinião ou para participar das mudanças no país”, afirmou.

Fonte: Fábio Reynol / Agência FAPESP

Desvendado o perfil genético do guaraná

Rede de pesquisa, que inclui grupo da UnB, identifica oito mil genes da planta, o que contribuirá para entender suas funções fitoterápicas

Genuinamente brasileiro e conhecido por seu valor energético, o guaraná poderá se tornar um fruto ainda mais atrativo para o consumo e a indústria. É essa a perspectiva do Projeto Rede Amazônia Legal de Pesquisa Genômica (Realgene), que inclui 15 grupos de pesquisadores de todo o Brasil, entre os quais uma equipe da Universidade de Brasília (UnB). Em pouco mais de três anos de trabalho - desde 2003 -, os especialistas cadastraram cerca de 8,5 mil genes operacionais no fruto e semente do guaranazeiro, o que corresponde a quase 16 mil seqüências genéticas (Expressed Sequence Tags - ESTs). Elas são fundamentais para desvendar o metabolismo do fruto e aproveitar características como a produtividade, o sabor e a capacidade de se proteger de pragas. A UnB foi responsável pelo registro dos genes e demais ações referentes a bioinformática.

No primeiro trimestre de 2006, foi concluído o seqüenciamento genético do fruto pelo grupo de pesquisa formado pela equipe de cientistas da Universidade Federal da Amazônia (Ufam), coordenada pelo professor da instituição, Spartaco Astolfi Filho, e outras sete universidades. Cerca de seis meses depois, os dados já estavam compilados e adequadamente armazenados no Laboratório de Bioinformática e Biologia Molecular da UnB.

A partir das seqüências, foi possível desvendar genes que influem na síntese da cafeína, uma das substâncias mais atrativas do fruto, devido a seu caráter revigorante e capacidade de estimular a memória de curto e longo prazo. Também foram descobertos genes referentes à síntese de glicosídeo e licopeno. O primeiro componente é considerado benéfico para a saúde (probióticos); enquanto o último é responsável pela coloração vermelha e está associado à proteção contra o câncer. "O seqüenciamento genético representou um grande avanço no entendimento das vias metabólicas do guaraná. Um passo fundamental para a compreensão das funções fitoterápicas do fruto, um dos aspectos mais explorados pela indústria", afirma o professor do Instituto de Ciências Biológicas da UnB, Marcelo Brígido.

PRÓXIMOS PASSOS
Segundo ele, o maior interesse do projeto é a valorização do fruto brasileiro. Apesar de ter pouca participação na indústria nacional, o guaraná tem grande potencial mercadológico. "Trata-se de uma planta com alto poder econômico, pois é resistente a doenças e tem alta produtividade. Sem contar que tem impacto ecológico pequeno, pois é cultivada em pequenas comunidades entre a mata nativa", justifica. As descobertas proporcionadas pelo seqüenciamento genético serão o ponto de partida para o estudo molecular dos produtos naturais do fruto. Tal estudo servirá para futuras alterações genética da planta.

Os principais fatores possíveis a serem explorados referem-se aos aspectos energéticos e de defesa do guaraná. As substâncias da planta relacionadas à sua proteção natural contra doenças, descobertas nos genes, poderão evoluir para a produção de frutos e sementes mais resistentes, por exemplo. "O enfoque de cada estudo será escolhido de acordo com os produtos que possam ter valor de mercado", explica Brígido. Assim, a próxima etapa da pesquisa inclui mudanças genéticas na planta, de forma a aumentar sua atratividade econômica e industrial.

FRUTO GENUINAMENTE BRASILEIRO
O guaranazeiro, cuja denominação científica é Paullinia cupana, produz o fruto conhecido como guaraná. A planta é encontrada na Amazônia brasileira, em área que abrange os estados do Pará, Amazonas, Acre, chegando até o Rio Pindaré, no Maranhão. O fruto é conhecido por propriedades estimulantes e medicinais. Ele é usado na indústria farmacêutica e na fabricação de refrigerantes, xaropes, sucos, pó e bastões. O guaraná em pó é consumido principalmente em laboratórios e farmácias e vendido em lojas de produtos naturais.

INDÚSTRIA
Até a década de 80, a produção do guaraná estava concentrada no estado do Amazonas. Posteriormente, a cultura foi introduzida no Mato Grosso e na Bahia, de forma que hoje a região norte responde por apenas 26% da produção. O mercado interno consome 90% da produção nacional e se encontra em expansão, com o aumento progressivo do consumo de refrigerantes e de produtos naturais à base do fruto.

O guaraná é exportado em forma de sementes, xaropes, pó e refrigerante, principalmente. Entre os países compradores, destacam-se Japão, Itália, Inglaterra, Estados Unidos e Espanha. Por ano, são exportadas de 300 a 500 toneladas de guaraná, representando cerca de US$ 7 milhões. E as perspectivas são otimistas, devido ao apelo exótico e natural do guaraná, que se disseminou em diferentes países. Fonte: dna.biomol.unb.br/GR/


INSTITUIÇÕES ENVOLVIDAS NOS ESTUDOS GENÉTICOS DO GUARANÁ
1. Universidade Federal da Amazônia (Ufam)
2. Universidade de Brasília (UnB)
3. Universidade Federal do Amapá (Ufap)
4. Universidade Federal do Pará (UFPA)
5. Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
6. Universidade Federal do Tocantins (UFTO)
7. Universidade Federal do Acre (Ufac)
8. Universidade Federal de Roraima (UFRR)
9. Instituto Nacional de Pesquisa do Amazonas (Inpa)
10. Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen)
11. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

O Projeto Rede Amazônia Legal de Pesquisa Genômica (Realgene) recebe o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq). O investimento inicial foi de R$ 1,5 milhão

PRINCIPAIS PROPRIEDADES DO GUARANÁ
- estimulante;
- afrodisíaco;
- ação tônica cardiovascular;
- combate cólicas, nevralgias e enxaquecas;
- ação diurética e antipirético.

Contatos com o Professor Marcelo Brígido, do Laboratório de Biologia Molecular da UnB, pelo telefone (61) 3307 2423 (ramais 31 e 28).

Fonte: UnB

60ª SBPC - Lançado o 4º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero

A quarta edição do prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, cujas inscrições estarão abertas de 4 de agosto a 31 de outubro, foi lançada pela ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, e pela representante do presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Wrana Panizzi, na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas (SP).

O prêmio faz parte de um conjunto de iniciativas que a SPM vem implementando dentro do Programa Mulher e Ciência em parceria com o CNPq, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Educação e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).

Segundo o CNPq, fazem parte do programa o Encontro Nacional de Núcleos e Grupos de Pesquisa Pensando Gênero e Ciências e o edital de pesquisa em estudos de gênero e feminismo, que, este ano, concederá R$ 4 milhões para o apoio das propostas aprovadas.

Na mesa-redonda “Mulheres nas ciências”, coordenada pela professora Wrana, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a ministra destacou a maneira como as mulheres se beneficiaram das aberturas dos sistemas educacionais e de ciência e tecnologia nas últimas décadas.

“As mulheres são hoje a maioria nos cursos de graduação e pós-graduação das universidades brasileiras, mas há muito ainda a ser conquistado. Graças a essa maior escolarização, nos últimos anos diminuíram em 2% as desigualdades remuneratórias no mundo do trabalho. Mas, segundo projeções, serão necessários 87 anos para a superação de tais desigualdades”, disse Nilcéa.

Fonte : Agência FAPESP

Ministro visita Cetem

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, visitou as instalações do Centro de Tecnologia Mineral(Cetem), unidade de pesquisa do MCT, com sede na Cidade Universitária, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (15). O ministro foi recepcionado pelo diretor do Cetem, Adão Benvindo da Luz, que fez explanação a respeito do papel do Centro para o desenvolvimento tecnológico mineral brasileiro e apontou as diretrizes estratégicas da instituição.

O ministro conheceu a biblioteca do Cetem, a maior da América do Sul em informações minerais, com 10 mil volumes, e esteve em 10 laboratórios da instituição. Acompanharam o ministro na visita os coordenadores de áreas João Alves Sampaio( Processos Minerais); Ronaldo Santos( Processos Metalúrgicos e Ambientais); Zuleica Castilhos(Planejamento, Acompanhamento e Avaliação); Antônio Campos(Apoio Tecnológico à Micro e Pequena Empresa); Arnaldo Alcover (Análises Minerais) e José Pessanha( Administração).

Na visita aos laboratórios, Sergio Rezende conversou com pesquisadores e bolsistas, indagou sobre os objetivos dos projetos em andamento no Cetem, e ficou impressionado com as condições tecnológicas à disposição do trabalho dos técnicos.

Ao final da atividade, o ministro cumprimentou a direção do Cetem que, em suas várias linhas de atuação, está alinhado com a política do MCT. No encontro Rezende lembrou no Brasil são formados 10 mil doutores por ano. "Confio que o Cetem cumpre também o desafio de preparar sangue novo em áreas estratégicas com capacidade para garantir um futuro promissor para o País", disse. (Assessoria de Imprensa do Cetem)

Fonte: Agência CT

Simpósio Internacional : Inovações em Imunobiológicos e Toxinas Animais"

O simpósio internacional Innovations in Immunobiologicals and Animal Toxins será realizado no Instituto Butantan, em São Paulo, de 30 de julho a 1º de agosto, como parte das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil.

Segundo os organizadores, o objetivo do encontro é promover um extenso debate entre pesquisadores e especialistas em inovações em vacinas, soros antivenenos e toxinas, de modo a estabelecer políticas estratégicas no setor de saúde.

Paralelamente ao simpósio será realizado o Curso de Treinamento Internacional em Desenvolvimento Imunológico para a Saúde Pública.

Haverá cerimônia de entrega de medalhas à Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) e a Masato Tashiro, do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, do Japão.

Participarão das sessões pesquisadores do Programa Global de Influenza da Organização Mundial da Saúde, dos Centros Nacionais de Saúde e do Centro de Controle de Doenças (Estados Unidos), do Instituto Butantan, do Instituto Carso de Saúde (México), do Instituto Evandro Chagas, do Instituto Adolfo Lutz, da Universidade de Yamanashi (Japão) e de diversas outras instituições.

Mais informações:
www.butantan.gov.br/imprensa/noticiasib/pdf/symposium.pdf

Fonte: Agência FAPESP

Usinas nucleares poderão ter reator 100% brasileiro

A próxima usina nuclear brasileira, depois de Angra 3, poderá ter um reator de tecnologia 100% nacional. Poucos países detêm hoje essa capacidade. O Brasil escolheu a americana Westinghouse (Angra 1) e a francesa Areva (Angra 2 e 3) como fornecedores das usinas anteriores. Além delas, somente empresas japonesas e russas fabricam reatores de água pressurizada (PWR). A Coréia do Sul também anunciou ter desenvolvido essa mesma tecnologia - existem outros modelos.

O projeto de construção de um protótipo de reator está a cargo da Marinha. A unidade de geração de energia elétrica, conhecida como projeto Labgene, terá potencial para produzir 11 megawatts (MW) - o suficiente para iluminar uma cidade com 20 mil habitantes. Essa é uma das etapas mais importantes para a conclusão em oito anos, no máximo, do Programa Nuclear da Marinha.

A finalidade principal do programa é desenvolver um submarino de propulsão nuclear, mas o comandante da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto, destacou que haverá benefícios em áreas civis. "(O reator) é uma tecnologia de múltiplo emprego e teremos o domínio dela", frisou.

Ele disse que há "total interesse" em continuar desenvolvendo os reatores nacionais, expandindo sua capacidade de geração, e fornecer esses equipamentos às futuras usinas que serão construídas no país.

O Ministério de Minas e Energia prevê que Angra 3 entre em funcionamento a partir de 2014 e sejam erguidas mais quatro usinas até 2030 - cada uma com cerca de 1.000 MW - no Sudeste e no Nordeste. Informados sobre o teor das declarações de Moura, técnicos ligados ao ministério elogiaram os avanços do Programa Nuclear da Marinha, mas ressaltaram que dificilmente seria possível, em um horizonte de 10 a 15 anos, transformar um reator protótipo de 11 MW em algo do porte de uma usina de 1 mil MW (Valor Econômico)

Fonte: TN Petróleo

Congresso Nacional de Saúde - “Desafios da promoção da saúde”

A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais promoverá, de 12 a 15 de novembro, em Belo Horizonte, a primeira edição do Congresso Nacional de Saúde, que terá como tema “Desafios da promoção da saúde”.

Voltado a profissionais de diversas áreas da saúde, o evento será realizado no Campus Saúde da UFMG (Av. Professor Alfredo Balena, 190 – Bairro Santa Efigênia) e contará com a participação de especialistas de diversas instituições no país.

Segundo os organizadores, o evento pretende abrir espaço para a discussão interdisciplinar sobre a promoção da saúde e deverá também debater outras áreas além da saúde, como a de gestão.

Os interessados em apresentar trabalhos no congresso têm até 20 de agosto para enviar as propostas. O resultado da seleção será divulgado no dia 22 de setembro.

Mais informações: www.ufmg.br/congressodesaude

Fonte: Agência FAPESP

1869: Margarina é patenteada

No dia 15 de julho de 1869, o francês Hippolyte Mourriés recebeu em Paris o registro de patente para a produção de margarina como substituta da manteiga.

Corria o ano de 1867, época da industrialização na Europa. Os camponeses que foram trabalhar nas fábricas instaladas nos centros urbanos costumavam fazer um lanche na hora do almoço. A maioria comia pão sem manteiga, um produto caro e escasso.

Devido ao crescimento populacional, não havia alimentos com gordura suficiente para suprir as necessidades diárias do organismo humano. Frente a esta realidade, o imperador Napoleão III decidiu criar um substituto para a manteiga, para que seu povo, e, especialmente, seus soldados e marinheiros, não consumissem só carne.

Dois anos de pesquisa
O químico Hippolyte Mège-Mouriés recebeu a incumbência de desenvolver um produto que tivesse um sabor parecido com o da manteiga e que contivesse gordura. Até ser encontrada uma solução, o novo alimento exigiu dois anos de pesquisas.

Finalmente, em julho de 1869, a mistura pôde ser patenteada. Tratava-se de uma pasta com emulsão de água em óleo, à base de gordura animal, composta de sebo, leite desnatado e úbere triturado. Como sua aparência lembrava o aspecto brilhoso de uma pérola, recebeu o nome de margarina, em alusão à palavra grega "margaron", que significa pérola.

Preferência popular
Os principais países fornecedores de margarina, atualmente fabricada com óleo vegetal e diferentes medidas de gordura e óleo, são os Estados Unidos, a Rússia, a Índia e a Alemanha. Quanto ao consumo, há vários anos a margarina divide com a manteiga a preferência popular.

Entretanto, o caminho até a consolidação no mercado foi árduo. Ainda na época do Império, as donas-de-casa só consideravam "boa" a manteiga verdadeira. Elas acreditavam que, sendo mais barata, a margarina não podia ter a mesma qualidade.

Lei da margarina
Além disso, muitos comerciantes vendiam margarina como se fosse manteiga. Como conseqüência, entrou em vigor, no ano de 1887, a lei da margarina, que perdurou por quase 100 anos.

A lei determinava que, dentro de um estabelecimento, a manteiga e a margarina tinham ser especificadas e ficar bem separadas uma da outra . Nas localidades com mais de 5 mil habitantes, era proibido vender os dois produtos em uma mesma loja. Para completar, o nome "margarina" tinha que ser impresso com destaque na embalagem, com um grosso traço vermelho.

Hoje em dia, a questão não é mais a diferença entre os dois produtos e, sim, qual é mais saudável. Os defensores da manteiga garantem que os óleos contidos na margarina são perigosos. Porém, estudiosos já provaram que a margarina vegetal fornece vitaminas A, D e E, não altera o colesterol e seu consumo traz benefícios à saúde. (Carola Hossfeld (ms))

Fonte: DW