segunda-feira, 14 de julho de 2008

Casca de café substitui carvão vegetal

Subproduto do grão tem alto potencial energético. Seu uso diminui custos e poluição, além de combater o desmatamento

Na safra de 2004/2005, o Brasil produziu 33 milhões de sacas de café, o equivalente a 2 milhões de toneladas do produto. Desse total, que garante ao Brasil liderança absoluta na produção do grão, praticamente a metade, ou cerca de 1 milhão de toneladas, era composta por resíduos da casca do café, atualmente de baixo uso comercial. Esse subproduto, no entanto, pode ser usado como fonte de energia na indústria, diminuindo custos das empresas, reduzindo a poluição ambiental e agregando valor ao que normalmente vai para o lixo.

Segundo estudo do professor do Departamento de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (UnB) Luiz Vicente Bocorny Gentil, a casca tem um potencial energético próximo ao da madeira. Experimentos permitiram identificar que a queima de cada quilo do material seco, com 0% de umidade, gera 3.933 quilocalorias, número considerado excelente pelo pesquisador se comparado à lenha, principal fonte usada pelas empresas, que produzem, 4.932 quilocalorias.

A constatação pode resultar em uma opção mais barata e ecologicamente correta para empresas que usam madeira na geração de energia. Dados de 2005 apontam que, naquele ano, a lenha respondia por 14,17% da matriz energética brasileira. Suprir parcelas desse mercado significa cortar menos árvores e contribuir para a redução do desmatamento.

“A própria indústria de café pode consumir a casca in natura nas fornalhas que secam o grão”, afirma o agrônomo, doutorando no Departamento de Engenharia Florestal (EFL) da UnB sob orientação do professor Ailton Teixeira do Vale, especialista em bioenergia.

VALOR AGREGADO
Hoje, o resíduo tem uma aplicação bem menos rentável. A principal utilização se limita à forragem do solo das plantações de café, como meio de manter a umidade da terra e evitar o crescimento de capim. A segunda opção ocorre nas granjas, no pátio onde ficam as galinhas, com a função de absorver fezes e urina dos animais, a fim de evitar a proliferação de doenças.

No entanto, a casca pode também ser prensada, transformando-se em cilindros chamados briquetes, e assim ser queimada em fornalhas. Há no Brasil 60 empresas de briquetagem, que produzem os cilindros principalmente a partir de resíduos de madeira. Nesse processo, qualquer tipo de material orgânico pode ser prensado no formato de pequenos cilindros, como forma de substituir a lenha em indústrias de oleaginosas, cerâmica ou outras que utilizem fornos para alimentar caldeiras ou para secagem.

Uma tonelada de briquete feito com casca de café seria uma alternativa a mais no mercado, que atualmente comercializa uma tonelada de briquete de serragem e restos de madeira por valores entre R$ 350 e R$ 400.

SUSTENTABILIDADE
Segundo Gentil, o uso do material reúne uma série de benefícios. Em primeiro lugar, ajuda a “limpar” o meio ambiente, já que reduz a quantidade de subprodutos deixados na natureza. Em segundo, contribui para a minimização do desmatamento de áreas nativas, pois substitui a madeira. Por fim, ao mesmo tempo em que constitui uma fonte energética de custo zero, pode gerar renda aos produtores de café.

Já Ailton do Vale, professor e pesquisador da área de energia de biomassa afirma que, ao contrário dos derivados de petróleo, os combustíveis renováveis a partir de biomassa, como é o caso da casca de café, seqüestram o carbono emitido na queima para realização da fotossíntese.

Os resultados estão no artigo Caracterização energética e rendimento da carbonização de resíduos de grãos de café e de madeira duke, de autoria de Ailton Teixeira do Vale, Luiz Vicente Gentil, Joaquim Carlos Gonçalez e Alexandre Florian da Costa, que foi publicado na revista Cerne, da Universidade Federal de Lavras.

PERFIL
Luiz Vicente Bocorny Gentil é doutorando em Ciências Florestais no Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB), e mestre em Máquinas Agrícolas pela Universidade de São Paulo (USP). É graduado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).Contatos pelo e-mail

Ailton Teixeira do Vale é doutor em Agronomia/Energia na Agricultura pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Ciências Florestal pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), graduado em Engenharia Florestal também pela UFV. Contatos pelo e-mail

Roberto Fleury/UnB Agência

Brasil, França e EUA discutem energias renováveis

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sediou reunião entre empresários brasileiros e especialistas do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e da região de Rhône-Alpes, na França. O encontro foi realizado no dia 7, na sede da Fiesp com o objetivo de discutir as novas tendências e perspectivas para o setor de energias renováveis.

Na pauta de discussão constavam o desenvolvimento de energias renováveis e da matriz energética, a internacionalização dos pólos de competitividade e dos clusters de Rhode Alpes e as oportunidades de negócios em um mundo de recursos finitos.

O vice-presidente do Conselho Regional de Energia da França, Hervé Saulignac, informou que o governo francês vai investir mais de 100 milhões de euros no desenvolvimento de novas tecnologias de energia renovável. O valor é 3,5 vezes maior do que foi investido no ano passado, segundo o vice-presidente.

Durante o evento, no qual também estavam presentes representantes do setor privado do Estado da Pensilvânia (EUA), foram discutidas algumas vantagens estratégicas no desenvolvimento de energias renováveis. A maior facilidade na obtenção de financiamento junto os bancos e isenção fiscal sobre impostos gerados a partir da produção desse tipo de energia foram alguns dos pontos levantados.

Estavam presentes, da comitiva de Rhône-Alpes, o diretor da Associação de Energia e Meio Ambiente, Christian Labie; o diretor mundial de Operações da Enterprise Rhône-Alpes International, Xavier Lalande; o diretor da Federação de Meio Ambiente, Michel Faber e dos Estados Unidos, o conselheiro sênior sobre Energias Renováveis para o Estado da Pensilvânia, Daniel Desmond.

Mais informações podem ser obtidas no site www.fiesp.com.br. (Com informações da Fiesp)

Fonte: Gestão CT

Fucapi oferece curso de Gestão de Projetos e especialização em Produtividade e Qualidade

As inscrições para a especialização em Produtividade e Qualidade e para o curso Master Business Administration (MBA) em Gestão de Projetos do Centro de Pós-Graduação e Extensão (CPGE) da Fundação do Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi) estão abertas até o dia 8 de agosto. As aulas serão iniciadas no dia 11 de agosto.

A especialização em Produtividade e Qualidade da Fucapi possibilita ao graduado obter competências para a implementação de processos de mudanças organizacionais voltados para a qualidade e produção de uma empresa. Já o curso MBA em Gestão de Projetos propicia uma visão integrada das atividades de projetos e identifica as variáveis para a competitividade empresarial. O curso, destinado a profissionais graduados em qualquer área acadêmica, tem duração de 12 meses. A especialização e o curso exigem o pagamento de uma taxa no valor de R$ 50 e apresentação de documentos como diploma e histórico da graduação.

A inscrição deve ser feita no Centro de Pós-Graduação e Extensão (CPGE/Fucapi), na Coordenação do CPGE, bloco F, sala F1, na Avenida Governador Danilo de Matos Areosa, 381, Distrito Industrial.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail e pelos telefones (92) 2127-3128 e (92) 2127-3039.

Informações sobre a Fucapi podem ser obtidas pelo site portal.fucapi.br. (Com informações da Fucapi)

Fonte: Gestão CT

Fapitec divulga resultados de editais

Na semana passada, a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica de Sergipe (Fapitec-SE) divulgou os resultados de dois editais. São eles: de Apoio à Realização de Reunião ou Evento Científico e Tecnológico (Praev) e o de Auxílio para Participação de Pesquisadores em Eventos Científicos ou Tecnológicos (Prapec).

Segundo texto da Fapitec, ao todo, foram apresentadas 45 propostas, das quais 29 foram qualificadas após análise do Conselho Científico da Fapitec. Os recursos destinados ao Praev vão ajudar na realização de nove eventos científicos sediados em Sergipe – entre congressos, encontros, simpósios, seminários e colóquios -, dois deles de abrangência internacional.

Por meio do Prapec, 20 pesquisadores receberão auxílio para que possam apresentar trabalhos científicos em eventos nacionais e internacionais. Veja o resultado do Praev por este link. O do Prapec pode ser acessado neste link.

Ainda de acordo com informações da fundação, os resultados são referentes apenas ao primeiro período estipulado no edital - para eventos realizados de 21 de julho a 30 de setembro do corrente ano. Ainda estão previstos dois outros momentos para a apresentação de propostas: um para eventos entre primeiro de outubro e 31 de dezembro de 2008; e o último deverá conceder benefícios para eventos realizados de primeiro de janeiro a 30 de abril de 2009.

Os recursos para cada edital são da ordem de R$ 120 mil, os recursos são oriundos do Fundo Estadual para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funtec).

Novo prazo
Os interessados em participar da segunda fase, já podem apresentar propostas, o prazo limite é o dia 15 de agosto para ambos os editais.

Os projetos devem ser entregues em envelope devidamente lacrado e identificado, na sede da Fapitec/SE, localizada à avenida Dr. Carlos Rodrigues da Cruz, s/n - Bairro Capucho (no complexo Sergipetec).

A íntegra do edital do Praev neste link. Já o edital do Prapec pode ser acessado por este link . (Com informações da Fapitec)

Fonte: Gestão CT

Os segredos da reeleição

Para continuar no cargo, candidatar-se por um grande partido faz toda a diferença, mostra estudo da UnB

Exercer um bom mandato não garante a reeleição dos governantes. Políticos identificados com a melhoria dos instrumentos da gestão pública apresentam os mesmos índices de continuidade no cargo de candidatos que mantiveram ou pioraram a gestão. O dado, surpreendente, está na pesquisa do cientista político Antonio Lassance, autor da dissertação de mestrado Bases da Política Brasileira: um estudo das reeleições nos municípios”, defendida no Instituto de Ciência Política (Ipol) da Universidade de Brasília (UnB).

O estudo revela a existência de motivos mais relevantes para continuar no cargo, como o partido do candidato. O estudo analisou 240 variáveis, referentes a mais de 5.500 municípios, na série histórica das três últimas eleições municipais (1996, 2000 e 2004). Confrontou nove indicadores e variáveis para descobrir quais delas se destacaram na reeleição dos candidatos.

Nas eleições de 2000 e 2004, por exemplo, a porcentagem de reeleição foi de 18,3% para os políticos com melhores índices em sua gestão, e de 18,73% para aqueles com índices regular ou ruim. “O fato de melhorar os instrumentos de gestão faz diferença para o funcionamento das prefeituras, mas dialoga pouco com o público”, afirma Lassance.

Para chegar a esses dados, o pesquisador utilizou dados das Pesquisas de Informações Básicas Municipais (Munic), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre eles, constam estatísticas sobre a relação entre o número de servidores por habitante, a existência de empresas públicas específicas para certas demandas, bem como a existência de plano diretor e elaboração de lei de diretrizes orçamentárias.

O PESO DA SIGLA
Por outro lado, a pesquisa identificou uma característica comum entre os reeleitos: o peso dos grandes partidos. As agremiações de maior influência na vida nacional apresentam as menores taxas de insucesso quando comparadas aos partidos “nanicos”. Nas votações de 2000 e 2004, pequenos partidos como o Partido Social Democrata Cristão (PSDC), Partido Trabalhista do Brasil (PT do B) e Partido Social Liberal (PSL) tiveram fracasso em 87,5%, 83,33% e 80% das tentativas, respectivamente.

Entre os grandes, a taxa de fracasso é bem mais baixa. Para o Partido dos Trabalhadores (PT), legenda do presidente da República, esse número foi de 24,59%. Para o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), de 29,78%, para o Democratas, de 33,67%, e para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), 33,64%.

Segundo o cientista político, a explicação está no relacionamento dos prefeitos de seus partidos com aliados instalados nos governos estaduais ou federal. Isso se traduz em mais recursos provenientes de emendas parlamentares ao orçamento e programas que beneficiam tais localidades, que dependem sobretudo de decisão política.

“O eleitor vota em uma determinada pessoa porque acha que ela tem atributos que o outro não tem, como implementar programas, por exemplo”, diz. Lassance enumera, ainda, dois outros motivos. Um, de que os partidos são essenciais na definição das regras do jogo e as fazem com o objetivo de fortalecer suas estratégias e a de seus correligionários. Além disso, “os partidos são referências para o debate público e economizam detalhes do julgamento feito pelos eleitores”.

REGIÕES
Outra descoberta da pesquisa foi que o perfil de reeleições é praticamente o mesmo desde as pequenas cidades rurais até as grandes metrópoles. “As diferenças existem, mas elas têm pouca relevância para as reeleições”, afirma. Lassance analisou seis grupos urbanos: pequenas cidades rurais, pequenas cidades urbanas, cidades médias (100 a 500 mil habitantes), cidades grandes (acima de 500 mil habitantes), capitais e as duas megalópoles brasileiras (Rio de Janeiro e São Paulo).

Perfil
Antônio Lassance é doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), mesma instituição onde concluiu o mestrado, também em Ciência Política. É graduado em História pela UnB. Contatos pelo e-mail

Fonte: Daiane Souza/UnB Agência

R$ 1 milhão do CNPq para cooperação entre Brasil e países africanos - ProÁfrica

Foi lançado no último dia 8, pelo CNPq, o Edital MCT/CNPq N º 012/2008 - Programa de Cooperação Temática em Matéria de Ciência e Tecnologia (ProÁfrica). As propostas podem ser submetidas até o dia 25 de agosto.

O edital tem por objetivo apoiar atividades de pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação, mediante a seleção de propostas para apoio financeiro a projetos no âmbito do ProÁfrica. As propostas devem ser apresentadas sob a forma de projeto e encaminhadas ao CNPq, exclusivamente, via internet.

A avaliação das propostas deste edital será realizada por intermédio de análises e avaliações comparativas, por isso serão realizadas as seguintes etapas: Etapa 1 - Análise pela Área Técnica do CNPq – Enquadramento; Etapa 2 - Análise pelos Consultores ad hoc; Etapa 3 – Análise, julgamento e Classificação pelo Comitê Julgador; Etapa 4 – Aprovação pela Diretoria Executiva (DEX) do CNPq.

As modalidades de apoio do edital compreendem três chamadas. São elas: Chamada 1 – Apoio financeiro para realização de visitas exploratórias; Chamada 2 - Apoio financeiro a atividades de projetos conjuntos de C&T&I; e Chamada 3 - Apoio financeiro para realização de eventos em C&T&I.

O valor global do edital é de R$ 1 milhão. O valor máximo por proposta será de R$ 30 mil para Chamada 1; R$ 80 mil para a Chamada 2; e R$ 60 mil para a Chamada 3.

Veja a íntegra do edital no link: www.cnpq.br/editais/ct/2008/012.htm

Fonte: Gestão CT

Vencedoras do Prêmio Capes de Teses 2007

Três doutoras premiadas
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Fundação Conrado Wessel (FCW), premiaram as autoras dos três trabalhos vencedores do Grande Prêmio Capes de Teses 2007.

Na cerimônia de entrega do prêmio, que ocorreu na noite de quinta-feira (10/7), em Brasília, foram agraciadas Maria Laura Schuverdt, do Programa de Pós-Graduação em Matemática Aplicada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Solange Maria Teixeira, do Programa de Pós-Graduação de Políticas Públicas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Ana Lia Pedrazzolli, do Programa de Pós-Graduação em entomologia da Universidade de São Paulo (USP).

Elas receberam bolsa de pós-doutorado no exterior, certificado e US$ 15 mil. Na edição de 2007 da premiação foram inscritas 417 teses. A seleção envolveu o trabalho de 51 comissões e 207 consultores de diversas instituições de ensino superior do Brasil.

O Grande Prêmio Capes de Teses é concedido anualmente com o objetivo de homenagear as melhores teses de doutorado aprovadas em cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) em diferentes áreas do conhecimento. O objetivo é ampliar a participação acadêmica nos programas de pós-graduação e contribuir para aumentar a visibilidade das pesquisas brasileiras.

Fonte: Agência FAPESP

A 60ª reunião anual da SBPC tem início

Começa a 60ª reunião anual da SBPC
Depois de seis décadas, a maior reunião científica da América Latina está de volta a Campinas (SP). A cidade no interior paulista sediou em 1949 a primeira reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), fundada no ano anterior.

Com o tema “Energia, ambiente e tecnologia”, a 60ª edição do evento foi aberta na noite deste domingo (13/7), no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em cerimônia que recebeu mais de mil pessoas.

A previsão dos organizadores é que o evento, que terá cobertura diária da Agência FAPESP, receba um público de aproximadamente 15 mil pesquisadores, docentes e estudantes do ensino superior, médio e fundamental.

A reunião foi aberta por cenas de um documentário sobre o papel da SBPC como um dos únicos fóruns de debates democráticos da sociedade brasileira durante os anos de regime autoritário. Em seguida, Marco Antonio Raupp, presidente da SBPC, enfatizou o papel da entidade como espaço de expressão democrática da sociedade brasileira e destacou que a instituição continua cumprindo sua missão de discutir os impactos sociais da ciência.

“O tema da reunião deste ano remete a alguns dos principais desafios do país. São temas que precisam ser discutidos com consciência social por quem produz conhecimento. Queremos desenvolvimento econômico, mas não a qualquer preço. É preciso que ele se apóie na sustentabilidade econômica, ambiental e social”, disse.

Raupp também destacou o engajamento da instituição no trabalho na ampliação da educação em todos os níveis, para atender às necessidades econômicas e sociais da sociedade brasileira.

“Queremos uma revolução educacional em larga escala. O desenvolvimento sustentável e a economia do conhecimento são os pilares de um país que quer encarar o desafio de uma educação e qualidade massificada. Por isso a SBPC está aberta às discussões sobre novos caminhos, idéias e mecanismos que acelerem essa revolução”, disse.

Jorge Almeida Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior (Capes), contou que o Ministério da Educação está lançando uma convocação para que professores, pesquisadores e estudantes ajudem a corrigir os rumos do ensino básico no país.

“Os três principais desafios da educação são a restauração da qualidade do ensino médio, o problema da questão regional, com ênfase na capacitação de recursos humanos para a Amazônia, e o avanço da relação da universidade com o setor industrial”, disse.

Para combater os problemas da educação básica, segundo Guimarães, Capes e MEC contam não apenas com a ajuda das entidades científicas, mas também com a participação do movimento estudantil. “Convocamos a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) para unir esforços por essa causa”, disse.

A presidente da UNE, Lucia Stumpf e o presidente da ANPG, Hugo Valadares, foram convidados pela organização da SBPC a discursar na abertura do evento. Ambos reivindicaram uma reforma universitária e mais investimentos. “Queremos uma universidade privada regulamentada e um ensino público mais forte”, disse Lucia.

Promoção da inovação
Sergio Rezende, ministro da Ciência e Tecnologia destacou que o trabalho da SBPC, ao longo dos últimos anos, tem inspirado a elaboração da política nacional de ciência e tecnologia. “Por esse motivo em especial gostaria de congratular os 60 anos bem vividos da entidade e desejar vida longa, através de todos os seus dirigentes, a essa grande sociedade”, disse.

Resende lembrou que no primeiro mandato do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a política nacional de ciência e tecnologia se baseou em quatro eixos centrais, entre os quais uma maior expansão geográfica do sistema de C&T e o incentivo à política industrial e tecnológica de comércio exterior.

“Os outros dois eixos são as áreas estratégicas nacionais, com ênfase para a Amazônia, o semi-árido e os setores espacial e nuclear, e as ações voltadas para a divulgação e melhoria da ciência e tecnologia, de modo que essas duas venham a contribuir para desenvolvimento nacional”, salientou.

Segundo Rezende, a experiência adquirida com a criação desses eixos estratégicos levou à elaboração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado à Ciência e Tecnologia, que pretende investir mais de R$ 40 bilhões em pesquisas e capacitação científica até 2010.

“Esse plano de ação foi criado não apenas como uma política para o MCT, mas como uma política para o governo federal como um todo, que envolve vários ministérios e grandes parcerias com agentes estaduais para uma maior integração nacional. Trata-se de uma política de Estado e não de governo”, afirmou.

“A nossa expectativa é que a promoção da inovação tecnológica nas empresas, que é um dos grandes desafios desse novo plano de ação, seja uma das iniciativas que se consolidem nos próximos anos. Para isso já contamos com muitos instrumentos e parcerias com estados, em especial com o de São Paulo, por meio da FAPESP”, disse o ministro.

O anfitrião José Tadeu Jorge, reitor da Unicamp, comparou a evolução do número de participantes das reuniões anuais da SBPC. “A primeira edição da reunião contou com pouco menos de 150 participantes e esta tem um público esperado de cerca de 15 mil pessoas. Isso é prova da evolução das atividades de pesquisa e inovação ao longo das últimas décadas, mas mostra também a dedicação de muitos brasileiros ao desenvolvimento do conhecimento novo”, assinalou. A primeira reunião da SBPC foi realizada em outubro de 1949, no Instituto Agronômico (IAC), em Campinas.

Carlos Vogt, secretário do Ensino Superior de São Paulo, que representou o governador José Serra, fez votos de que a 60ª edição da reunião consiga transcorrer dentro de um ambiente fértil de produção de conhecimento por meio da apresentação de teses e novas idéias. “Essa rica produção tem caracterizado as reuniões da SBPC em sua luta pelo conhecimento e em sua luta histórica pela democracia no país”, disse.

O evento teve ainda homenagens ao geneticista Crodowaldo Pavan e ao físico Sérgio Mascarenhas de Oliveira. Além deles e dos palestrantes, participaram da mesa de abertura o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis, e os organizadores da 60ª reunião, Marcelo Knobel, do Departamento de Física do Estado Sólido e Ciência dos Materiais da Unicamp, e Eduardo Guimarães, do Departamento de Lingüística da Unicamp.

Vasta programação
A programação, dividida em 17 núcleos temáticos, aborda o tema “Energia, ambiente e tecnologia” de forma transversal em quase 300 atividades, incluindo conferências, simpósios, mesas-redondas, minicursos, apresentação de pôsteres, encontros de sociedades científicas, assembléias e sessões especiais.

A reunião contempla ainda a SBPC Jovem (com 200 atividades voltadas para crianças e adolescentes), a SBPC Cultural (com manifestações de artistas da região), a ExpoT&C (com estandes de empresas e instituições ligadas à Tecnologia e Ciência), a Feira do Livro e a Feira de Artesanato. A Unicamp contará com o envolvimento de mais de 300 estudantes que prestarão monitoria nas mais variadas atividades da reunião.

A educação para ciência no ensino básico terá um enfoque especial, constituindo o tema de 13 atividades. Diversas sessões discutirão a importância dos 60 anos da SBPC, do centenário da emigração japonesa e do Ano Internacional do Planeta Terra.

Os núcleos centrais de discussão serão voltados para temas como “60 anos da SBPC”, “Etanol de cana-de-açúcar”, “Conhecimento, desenvolvimento e inovação tecnológica”, “Aquecimento global e ambiente”, “Biodiversidade e conservação”, “Darwin: 150 anos da origem das espécies” e “Experimentação com animais de laboratório”.

Também estão na pauta dos núcleos temáticos os tópicos “Pesquisa científica e legislação brasileira”, “Educação para a ciência no ensino básico”, “Cidade como espaço social”, “100 anos da imigração japonesa”, “Programa CBERS”, “Multidiversidade cultural”, “Saúde pública: doenças endêmicas”, “O papel da Embrapa na produção de biocombustíveis” e “Ano internacional do planeta Terra”.

Mais informações: www.sbpc2008.unicamp.br

Fonte: Fábio de Castro e Thiago Romero/ Agência FAPESP

Tratamento com células tronco para pacientes sem nível de consciência - EUREKA

Prezados Senhores,

Minha mãe (69 anos), foi acometida de 03 AVC's (o primeiro isquêmico em agosto/07 e os dois seguintes hemorrágicos em outubro/07), estando atualmente respirando com auxílio de ventilador (traqueostomia + ventilador), sendo alimentada por sonda ora pelo nariz ora boca (em virtude de sinosite desenvolvida pela sonda). Foi-lhe colocada uma válvula para jogar o licor de cérebro no estomâgo. Não apresenta atualmente nível de consciência, porém o tinha a cerca de 04 meses embora mínimo, pois respondia a alguns comandos básicos.

Através desta descrição ainda que superficial, gostaria de se possível obter informações acerca do tratamento com células tronco para pacientes nestas condições.

Atenciosamente,

Renato S. Z.