sábado, 12 de julho de 2008

Rastreamento identifica e atesta origem sustentável de peixe

O projeto identificou mais de 50 espécies que podem ser comercializadas

Ainda neste ano, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM/MCT) lançará um serviço inédito na área de consumo de produtos sustentáveis. O sistema eletrônico permitirá rastrear a origem de peixes ornamentais manejados por população tradicional moradora da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA/Amazonas) e que serão vendidos para os mercados interno e externo. O protótipo do sistema já está funcionando. A primeira coleta de peixes ornamentais para venda está prevista para setembro deste ano. A comercialização de peixes ornamentais é uma alternativa de renda para os moradores da Reserva Amanã, cujas principais atividades de subsistência são agricultura, caça e pesca.

Ao rastrear a origem do peixe ornamental vindo da Reserva Amanã, o consumidor terá a garantia de que a coleta ocorreu de acordo com critérios de sustentabilidade, seguidos por comunidades tradicionais de uma unidade de conservação. Outra vantagem é que nesse modelo as populações poderão receber mais pela venda dos peixes. "Pesquisas comprovam que há consumidores dispostos a pagar mais pelo diferencial de compra apresentado por um produto resultado de processo sustentável", observa o diretor técnico-científico do IDSM, Helder Queiroz.

A estimativa é que o sistema esteja disponível a partir de setembro, mês em que está prevista a primeira coleta manejada de peixes ornamentais pelos moradores de comunidades da Reserva Amanã. Para acessar o sistema de rastreamento, o consumidor deverá informar o número do lote ao qual o indivíduo adquirido pertence, dado que deverá ser fornecido pelo vendedor. Dessa forma, o comprador poderá verificar informações como parâmetros físicos-químicos da água e coordenadas geográficas do local da coleta, entre outras. "Ao garantir a origem sustentável do produto e responder pelo produtor, acreditamos que os próximos elos da cadeia produtiva - os importadores, exportadores e vendedores finais – também possam se interessar em atestar que seu modo de produção também é sustentável", afirma Queiroz.

Este protótipo também poderá ser aplicado a outros recursos manejados vindos das reservas Mamirauá e Amanã, como a madeira e o pirarucu. De acordo com Helder Queiroz, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) solicitou ao Mamirauá a realização de um projeto piloto de sistema de rastreamento com os pirarucus neste ano. Caso seja bem-sucedido, o modelo será proposto para outros locais que fazem manejo de pesca.

Estudos e manejo
O Programa de Manejo de Peixes Ornamentais teve início em 1995, quando foi assinado um convênio com a Petrobras para monitorar cinco espécies de peixes ornamentais: Pterophyllum scalare (acará bandeira), Mesonauta insignis (acará boari), Astronotus ocellatus ( acará – açu), Pygocentrus nattereri (piranha caju) e Osteoglossum bicirrhosum (aruanã branca). Dessas cinco espécies, três são consideradas interessantes para comércio (acará-bandeira, acará boari e aruanã branca). "O projeto identificou mais de 50 espécies que podem fazer parte deste comércio. Neste ano, esperamos lançar o plano de manejo para a exploração sustentável das 20 primeiras", explica.

No final de 1995, o Instituto Mamirauá e a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) firmaram cooperação para o projeto "Uso Sustentável de Peixes Ornamentais", financiado pela Darwin Initiative da Inglaterra. O objetivo geral é proteger a biodiversidade de peixes ornamentais das RDS’s Mamirauá e Amanã, ao implantar um programa de manejo participativo.

Para tanto, o IDSM realizou estudos da cadeia produtiva para a venda de peixes ornamentais, bem como elaborou um plano de negócios para a sua venda, além de pesquisas sobre a biologia reprodutiva e ecologia das espécies selecionadas. Também promoveu cursos de capacitação para os moradores da Reserva que participam do programa, e assessorou a criação da Associação de Manejadores de Peixes Ornamentais, formada por representantes de oito comunidades da RDSA. (Foto: Divulgação da Assessoria de Imprensa do IDSM / Assessoria de Imprensa da RNP )

Fonte: Agência CT

Treinamento em modelagem numérica de cenários de mudança do clima Eta/CPTEC

De 13 a 18 de julho, técnicos de vários países da América Latina e Espanha participam do "Treinamento em modelagem numérica de cenários de mudança do clima Eta/CPTEC". A atividade será realizada no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), em Cachoeira Paulista (SP).

O evento contará com a participação de representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai, Venezuela e Espanha.

O projeto conta com o financiamento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e do Governo Espanhol, e com o apoio da "Red Iberoamericana de Oficinas de Cambio Climático (RIOCC)" e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Com o evento, técnicos do CPTEC poderão trocar experiências com especialistas da América Latina, participando conjuntamente no aperfeiçoamento do modelo Eta/CPTEC, de forma que ele possa ser aprimorado para corresponder mais apropriadamente às necessidades da região. A atividade também fortalecerá as avaliações de impactos, vulnerabilidade e adaptação à mudança do clima em setores prioritários nos países da América Latina.(Assessoria de Comunicação do MCT)

Fonte: Agência CT