sexta-feira, 11 de julho de 2008

UFRJ estuda novos fármacos contra leishmaniose

Desconhecida e traiçoeira. Estas são as características da Leishmaniose, doença que afeta entre 1,5 e 2 milhões de pessoas anualmente no mundo todo, e é considerada endêmica em 88 países tropicais e subtropicais – inclusive o Brasil. Apesar da pouca fama, sua força de disseminação não é nada insignificante. Aqui, a doença atinge cerca de 4 mil pessoas por ano - grande parte na região Nordeste – sendo mortal em 5% a 10% dos casos.

A pesquisadora do Laboratório de Quimioterapia Experimental para Leishmaniose, do Instituto de Microbiologia da UFRJ, estuda o desenvolvimento de novos medicamentos fitoterápicos contra este mal. “Dentre os tipos de leishmaniose temos a tegumentar, que causa feridas na pele, o que pode fazer com que os pacientes confundam com outras doenças e não busquem o tratamento correto e a visceral ou calazar, que é mais preocupante, pois ataca as vísceras, causando aumento de fígado e baço, por exemplo”, explica a Dra. Maria do Socorro Carvalho, Coordenadora do Laboratório.

Fitoterápicos
As plantas medicinais são usadas já há muitas centenas de anos por populações ancestrais, como por exemplo os indígenas e quilombolas brasileiros. A pesquisa deste grupo analisa extratos de diversas plantas, descobre seu princípio ativo e promove a interação desta substância com a leishmania. “Caso exista alguma ação, observamos se ela é benéfica, e se conseguimos debelar a infecção com este fitoterápico. Algumas destas substâncias trouxeram resultados promissores”, comemora a professora. Dentre estas, destacam-se o Ocimum basilicum, Ocimum gratissimum, Cocos nucifera e o Croton cajucara. Esta última apresentou a melhor resposta à doença, por necessitar de doses menores para surtir os efeitos desejados.

“A leishmania é um protozoário muito resistente. O flebótomo (inseto hematófago que transmite a doença) infecta o ser humano com a Leishmania, que ataca diretamente os macrófagos - células de defesa do organismo que são hospedeiras do protozoário. Dentro deles, o parasita se multiplica, rompendo a célula e infectando outros macrófagos, ” explica Maria do Socorro.

Os medicamentos atualmente ministrados em portadores da doença trazem efeitos colaterais severos, por sua alta toxicidade. Além disso, não podem ser encontrados facilmente em qualquer farmácia, tendo que recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS). “A pessoa com leishmaniose deve ser tratada corretamente em um Centro de Doenças Infecciosas. Este tipo de diagnóstico e tratamento não é rotina de hospitais particulares”, lamenta a professora. O objetivo maior do laboratório é encontrar uma opção de tratamento menos tóxica para o ser humano.

Experimentos
Os experimentos acontecem em duas etapas: primeiro a parte in vitro (em meio de cultura), seguida pela in vivo, com camundongos. “Primeiro extraímos o macrófago da cavidade abdominal do camundongo. Ambos, parasitas e macrófagos, são tratados ou não com diferentes concentrações dos compostos antes do ensaio de interação macrófago-parasita. Na segunda parte, infectamos o camundongo com a Leishmania. Por possuir o sistema imunológico muito semelhante ao dos seres humanos, são os animais mais adequados para este teste. Após a infecção, tratamos o animal com o fitoterápico. Durante 120 dias, observamos se a doença tende a regredir ou não. Porém, caso o resultado in vitro seja positivo, as chances de os testes in vivo também surtirem efeitos similares são muito promissoras”, explica a professora.

Ainda não há previsão de chegada destes novos fármacos nas prateleiras das farmácias. Em um segundo momento, a indústria farmacêutica deve realizar mais uma bateria de testes com estas substâncias, para comprovar sua maior eficiência em relação aos medicamentos atuais.

Fonte: Priscila Biancovilli / Olhar Vital

Sismaden - Sistema de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais , será lançado hoje

Alerta às mudanças climáticas
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lança nesta sexta-feira (11/7), em São José dos Campos (SP), o Sistema de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Sismaden), uma ferramenta de geoprocessamento para controle, recuperação, armazenamento e processamento de dados ambientais.

O sistema integra dados hidrometeorológicos e informações adicionais necessários para a execução das análises e definição de alertas, de acordo com o risco de ocorrência de desastres naturais provocados por extremos climáticos.

A operação do Sismaden, que tem política de utilização livre e pode ser baixado gratuitamente na internet, disponibiliza o acesso a dados atuais de observação e previsão climática, além de gerar modelos matemáticos para a criação de mapas de risco das áreas observadas.

“Qualquer usuário pode fazer o download do software, configurá-lo em sua máquina, montar uma base de dados e começar a monitorar, em tempo real, uma área geográfica de interesse”, disse Eymar Sampaio Lopes, coordenador do Sismaden e pesquisador da Divisão de Processamento de Imagens do Inpe.

“Para isso é necessário fazer a associação entre as informações climáticas, como dados sobre chuvas, temperatura e vento, com os mapas fornecidos pelo sistema que representam os planos de riscos aos desastres naturais, como enchentes, deslizamentos de terra, raios, tornados, furacões, tremores de terra e fenômenos de seca”, explicou.

O Sismaden conta com um amplo banco de dados climático elaborado pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe, com informações coletadas em todas as regiões do país, e também pode receber novos dados para a configuração do sistema de acordo com as necessidades de cada usuário.

Um alerta é gerado para cada situação de risco detectada e notificações são emitidas. “Isso ocorre por meio da definição do que chamamos de ‘estado de alerta’, que é dividido em estados de observação, atenção, alerta e alerta máximo, seguindo os padrões de risco utilizados pelos órgãos de defesa civil de todo o mundo. O alerta gerado é enviado para usuários cadastrados por meio de ferramentas como e-mail ou mensagens pelo celular”, disse Lopes.

Os usuários do sistema são divididos em dois grupos: os “operadores do sistema”, que são as organizações que monitoram a possibilidade de ocorrência de desastres naturais; e os “clientes dos alertas”, ou agentes que executam as ações preventivas para a diminuição de perdas no caso da ocorrência de um desastre.

“Essa é a primeira versão no Brasil de um software para o monitoramento on-line e integrado de dados meteorológicos brutos, considerando seus diferentes modelos de análise para a geração de alertas. Outro fator importante é que pessoas leigas também poderão monitorar, por meio do cadastro de um login e senha, as análises climáticas em tempo real disponibilizadas no sistema por outros usuários”, explicou.

Arquitetura de serviços
O desenvolvimento dos modelos de análise do sistema contou com a participação de técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e também de pesquisadores vinculados ao Projeto Serra do Mar, um Projeto Temático apoiado pela FAPESP.

O projeto tem o objetivo de promover estudos da previsibilidade de eventos meteorológicos extremos na Serra do Mar, região de importância estratégica para o Estado de São Paulo tanto pelo desenvolvimento sustentável, por abrigar as porções remanescentes da Mata Atlântica, como pelo desenvolvimento econômico favorecido pelas ferrovias, rodovias, dutovias e instalações industriais e portuárias.

Todo o desenvolvimento da base de dados do Sismaden foi realizado sobre a biblioteca TerraLib, tecnologia do Inpe para desenvolvimento de aplicativos geográficos com base no conceito de serviços SOA (Service Oriented Architecture, na sigla em inglês), no qual um serviço tem caráter de funcionalidade independente.

“Os serviços SOA permitem que os usuários adicionem outras funcionalidades ao sistema por meio de diferentes módulos que podem ser construídos e adaptados no software. Nesse caso é possível criar um serviço específico que faça com que todas as medidas de chuva coletadas pontualmente em uma determinada região, por exemplo, se transformem em uma superfície visual ou um mapa de chuvas que serão analisados automaticamente e de maneira periódica pelo sistema de alerta”, disse Lopes.

Mais informações: www.dpi.inpe.br

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

Laboratório da UERJ/Resende se prepara para creditação junto ao Inmetro

O Laboratório de Metrologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro em Resende se prepara para receber a creditação junto ao Inmetro.

De acordo com o professor Luiz Gonzaga Filho, o laboratório, inaugurado no ano passado, busca o reconhecimento do Inmetro para que, em seguida, possa ser utilizado para aferição de instrumentos dimensionais de alta precisão das indústrias da região do Vale do Paraíba.

O laboratório tem entre suas atividades a didática e a pesquisa e a expectativa é de que o laboratório esteja apto a creditação o mais rápido possível, estando de acordo com os requisitos e protocolos do Inmetro.(Mônica Sousa)

Fonte: UERJ

Universidade Carlos III de Madrid estudia análisis de citaciones de la revista Ciência da Informação

Esta investigación estudia el análisis de citaciones utilizadas por los autores que publican dentro de la revista Ciência da Informação, de donde fueron recuperados 278 artículos científicos en el periodo de 1995 a 2003.

Se han aplicado técnicas cuantitativas de investigación para analizar las citas de las revistas utilizadas, trabajando con el factor de impacto de las revistas ISI y algunas del SciELO. Otro aspecto fue analizar las citas de libros, tesis, actas de congresos, documentos electrónicos y comunicaciones, que son una fuente fundamental en la confección de un trabajo científico.

Posteriormente se investigaron las relaciones y la colaboración institucional de los autores que publican dentro de la revista Ciência da Informação. Fue recuperado un total de 6.249 citas, donde fueron analizadas, visualizadas y representadas en el grafico 1 dos autores con más citas,

ARTIGO : Análisis de citación de la revista Ciência da Informação

Fuente: CRIS

Aluno da FEI vence o prêmio Altran e ganha estágio na F-1

Gustavo Brambilla, 24 anos, estudante do último semestre de engenharia mecânica automobilística no Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI), foi o vencedor da edição 2008 do prêmio mundial da Academia de Engenharia Altran.

A partir de setembro, Brambilla integrará a equipe de engenharia do ING Renault F-1 Team, em Enstone, na Inglaterra, por um período de seis meses, com direito a acomodação, carro e bolsa, no total de 6,5 mil libras.

O estudante representou o Brasil na final, realizada em Enstone, com outros seis candidatos de países europeus. O projeto escolhido propõe o desenvolvimento de um sistema hidráulico que refina a variação de cambagem da suspensão dianteira para carros de fórmula 1.

“O objetivo é oferecer uma regulagem mais precisa para cada trecho do circuito, permitindo aumentar a velocidade nas curvas e diminuir o espaço necessário para frenagens”, disse Brambilla.

O concurso teve a etapa final realizada na fábrica de motores da equipe ING Renault F1, em Enstone. É a terceira vez que um representante brasileiro fica entre os primeiros colocados, com duas segundas colocações em 2006 e 2007.

A Altran mantém especialistas na unidade de motores da equipe Renault de fórmula 1 em Enstone e na fábrica de chassis, em Viry-Châtillon, na França. “Desde que a Academia de Engenharia Altran foi criada temos recebido projetos de candidatos do mundo todo, que sonham em trabalhar em uma escuderia de ponta”, disse Anderson Alves, diretor da empresa.

Fonte: Gestão CT

Biodiesel abastece Jeeps em festival de Garanhuns (PE)

O biodiesel abastecerá veículos de trilha que participam, de sexta-feira (11) a domingo (13), do 16º Festival do Jeep de Garanhuns, cidade do Agreste de Pernambuco. O evento reúne cerca de 160 veículos, abastecidos com 20% do biodiesel produzido na Usina Experimental de Produção de Biodiesel de Caetés, município que fica a 257 quilômetros do Recife.

A Usina Experimental é administrada pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene/MCT), que cedeu 500 litros de biodiesel para o abastecimento dos veículos e, também, levará para o evento um motor (B100), que funciona com 100% de biodiesel, para demonstrar a queima do biocombustível.

Os motores dos Jeeps participantes serão avaliados no evento por técnicos do Serviço Nacional da Indústria (Senai), que tem parceria com o Cetene. "O impacto do uso do biocombustível será analisado visualmente, com a checagem do nível de emissão de fumaça pelos carros, e também será avaliado o nível de óleo, para medir possíveis modificações do biodiesel no motor", explica James Melo, pesquisador e gerente da usina.

O 16º Festival do Jeep de Garanhuns será aberto nesta sexta-feira (11), com a realização de inscrições e recepção dos participantes. No sábado, às 12h, os jeepeiros participarão da largada para cumprir a Trilha do Lobisomem, passeio ecológico na zona rural de Garanhuns. No domingo (13), às 9h, será iniciada a 3ª Etapa do Campeonato Pernambucano de Jeep Cross (Indoor).

O Festival do Jeep faz parte da pré-programação do Festival de Inverno de Garanhuns, que esse ano se realiza entre os dias 17 e 26 e está na sua 18ª edição. (Fabiana Galvão - Assessoria de Comunicação do MCT)

Fonte: Agência CT

Fosfatase alcalina, biomineralização e hipofosfatasia

Fosfatase alcalina, biomineralização e hipofosfatasia são os temas centrais das palestras que serão apresentadas nos dias 16 e 17 de julho, em Ribeirão Preto, pelo argentino Jose Luis Millan, do Centro Sanford de Pesquisas em Saúde Infantil do Instituto Burham de Pesquisa Médica, de La Jolla, Estados Unidos.

No dia 16 de julho, às 14 horas, o professor dará a palestra “Development of small molecule modulators of alkaline hosphatases function”, no Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da Universidade de São Paulo.

No dia 17 de julho, às 16 horas, será a vez de “Function of alkaline phosphatase in skeletal mineralization – Treatment of hypophosphatasia by enzyme replacement therapy”, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Mais informações pelo e-mail ou (16) 3602-3753.

Fonte: Agência FAPESP

1º Ciclo de Palestras “Terapias Naturais em Saúde da Mulher”

Terapias Naturais e a saúde da mulher
Diversas questões relacionadas ao sexo feminino são de grande importância para a manutenção da saúde e do bem-estar da mulher: a primeira menstruação e as mudanças físicas e hormonais, sexualidade, homo-afetividade, gravidez, amamentação, infertilidade, climatério, menopausa. Esses e outros temas despertam o interesse de profissionais, pesquisadores e estudantes de áreas da saúde em buscar formas de tratamento e técnicas que possam melhor servir à manutenção da saúde da mulher. Pensando nisso, a Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN/UFRJ) realiza , no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, o 1º Ciclo de Palestras “Terapias Naturais em Saúde da Mulher”.

Segundo Fátima Nascimento Azevedo dos Reis, coordenadora do evento e professora do departamento materno-infantil da EEAN, o ciclo de palestras é uma grande oportunidade para que alunos da graduação tenham contato com terapêuticas naturais, uma vez que a maior parte das pesquisas nessa área é da pós-graduação. “A Escola de Enfermagem Anna Nery é pioneira no ensino de terapias naturais. Por exemplo, a Shantala, técnica oriental de massagem para bebês que visa criar uma aproximação maior da mãe com o filho, além de comprovado benefício para a saúde e bem-estar da criança, é oferecida desde 1974 como disciplina de livre escolha”, conta a professora.

Fátima enfatiza que outras terapêuticas, como a acupuntura e a fitoterapia tem sua eficácia reconhecida pelo Órgão Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. “Na Europa, 70% dos medicamentos prescritos são fitoterápicos e homeopáticos. Remédios tradicionais são receitados apenas em casos particulares ou urgência”, disse, lembrando também que terapias naturais são base de medicinas orientais, como a chinesa.

A fitoterapia é o tema de discussão da palestra de José Carlos Tavares Carvalho, reitor da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e farmacólogo com doutorado em fitofarmacologia. O especialista explica que a fitoterapia, ao contrário do que muitos pensam, é uma terapêutica com base em plantas que integra o rol de medicamentos alopáticos, podendo ser empregada no tratamento de uma série de doenças, tanto sob a forma mais natural e de fácil acesso para a população, como o chá, quanto manipulada pela indústria farmacêutica – que tem demonstrado grande interesse por essa área.

-"Um exemplo é a síndrome de ovário policístico. Enquanto na medicina convencional essa síndrome é tratada com hormônios, existe uma planta que é o Agnus castus, já encontrado inclusive como medicamento elaborado, que substitui essa fórmula hormonal terapêutica - e é bem mais resolutiva que o tratamento com hormônio. Em muitos casos, portanto, a fitoterapia é a primeira opção"–, explica o reitor, que integrou também a mesa de abertura, ao lado de Fátima Nascimento, Ana Beatriz Azevedo Queiroz, do Núcleo de Pesquisas em Saúde da Mulher (NUPESM/EEAN), Cláudia Santos, chefe do Departamento de Enfermagem Materno Infantil (DEMI/EEAN), e Ívis Emília de Oliveira Souza, também do DEMI.

Os componentes da mesa de abertura destacaram a importância da iniciativa, que abre espaço para novas formas de tratamento não apenas dentro da Escola de Enfermagem Anna Nery, mas para o meio acadêmico voltado à área da saúde e a toda comunidade, como afirma a coordenadora: “homeopatia, fitoterapia, acupuntura, florais de Bach, entre outras terapêuticas naturais podem ser formas alternativas importantes do cuidado com a saúde, e não apenas da mulher. É necessário, no entanto, que estudantes e profissionais da saúde tenham interesse e oportunidade de conhecer o benefício que elas oferecem”, ressalta Fátima dos Reis.

O Ciclo de Palestras “Terapias Naturais da Mulher”, continua nesta sexta-feira, dia 11 de julho, Com a conferência “A fitoterapia e alimentos funcionais na saúde da mulher”, ministrada por José Carlos Tavares, com a apresentação de pôsteres de pesquisas desenvolvidas na UFRJ e com a formação de uma mesa redonda que discute temas como a terapia floral, cromoterapia e a atuação da fitoterapia em casos de TPM, infertilidade e alterações da libido. O segundo dia do ciclo de palestras começa às 13h30, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura, que fica à Avenida Pasteur, nº250 – campus UFRJ da Praia Vermelha. (Cinthia Pascueto - AgN/PV)

Fonte: Olhar Vital

Lei de Inovação paulista e seus impactos na pesquisa

A Agência USP de Inovação promoverá a palestra “Lei de Inovação paulista e seus impactos na pesquisa” no dia 16 de julho, às 11h30, na Universidade de São Paulo, na capital paulista.

O evento, parte do Ciclo de Palestras sobre Criatividade, Inovação e Empreendedorismo, terá como palestrantes Susana Costa e Paulo Roberto Trautevein Gil, da agência.

Especialista em contratos pela Pontifícia Universidade Católica, Susana atua na área de direito intelectual há seis anos, dois dos quais na USP. Gil é especialista em direito do trabalho pelo Centro Universitário Unifieo, da Fundação Instituto de Ensino para Osasco, e atua na área de propriedade intelectual há 20 anos na USP.

A palestra será realizada no prédio da Engenharia Civil da Escola Politécnica da USP, andar superior, sala Bandeirantes. As inscrições são gratuitas. A palestra será transmitida pela internet.

Mais informações: www.inovacao.usp.br ou (11) 3091-2934

Fonte: Agência FAPESP

Cooperação entre Universidade e Empresa já produz resultados positivos

Interação concreta
A cooperação entre universidade e empresa não é mais um “diálogo de surdos”, ao contrário, é uma realidade concreta sustentada na divisão de tarefas, no desenho participativo dos projetos e no desenvolvimento conjunto que aproveita capacitações complementares. O aspecto jurídico, entretanto, ainda é um gargalo importante.

A análise foi feita na última terça-feira (8/7) por representantes das empresas parceiras do Núcleo de Bioensaios, Biossíntese e Ecofisiologia de Produtos Naturais (Nubbe), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), durante o 3º Workshop Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade de Plantas de Cerrado e Mata Atlântica: Diversidade Química e Prospecção de Bioprodutos.

No mesmo dia, durante o encerramento do evento que comemorou os dez anos de atividades do NuBBE, a fundadora do núcleo, Vanderlan da Silva Bolzani, professora titular do Instituto de Química da Unesp e presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), anunciou a assinatura de uma parceria com a empresa Natura, resultado de um projeto que terminou em 2007 e foi desenvolvido com apoio da FAPESP por meio do programa Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

Gilson Paulo Manfio, gerente da Plataforma Tecnológica de Fitoextratos da Natura, salienta que a parceria deve ser comemorada, pois considera que o aspecto jurídico é um ponto crítico nas parcerias entre universidade e empresa.

“Dentro das universidades os contratos passam por tantas etapas para aprovação que podemos levar entre seis e oito meses para fechar uma assinatura como essa. Nesse período, o projeto fica estagnado: não podemos depositar patente sem contrato firmado e não podemos contratar a etapa de escalonamento industrial. Sem a patente, também não dá para publicar os resultados”, disse.

Segundo ele, é preciso dotar a universidade de meios que agilizem as assinaturas de contratos. A parceria com o NuBBE, que fez a prospecção e o protótipo preliminar da matéria-prima vegetal, continuará a partir de agora em caráter consultivo, enquanto a Natura faz o escalonamento industrial para produzir em larga escala e validar a matéria-prima, antes do desenvolvimento do produto cosmético.

“O conhecimento gerado na universidade foi fundamental para que houvesse inovação. Um dos principais fatores de sucesso foi a integração efetiva entre as equipes da empresa e do NuBBE, utilizando as capacitações complementares de profissionais especializados dos dois lados”, disse.

A riqueza da interação entre os recursos humanos com formações diferentes também foi apontada como um fator de êxito pela representante do grupo Centroflora, Célia Hibari Reimberg. A empresa, que trabalha com extratos vegetais e atua no setor intermediário da cadeia produtiva, trabalhou com o NuBBE em dois trabalhos finalizados no início do ano, nos quais foram identificados dez fitomarcadores de dez plantas brasileiras desconhecidas na literatura.

“Como estamos no meio da cadeia, não trabalhamos com pesquisa, só com desenvolvimento. O trabalho de geração de conhecimento da universidade é, portanto, fundamental para nós. No caso da interação com o NuBBE, o ponto mais importante foi a aquisição de recursos humanos especializados, por meio de bolsas do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico]. Depois de finalizado esse projeto de dois anos, a parceria continuará por meio de alunos que trabalham na empresa”, disse Célia.

A adaptação das idéias surgidas na universidade exigem, no entanto, muita discussão. Segundo Célia, a realidade da produção industrial em larga escala com viabilidade econômica é bem diferente daquela dos laboratórios.

“Isso não é trivial. Temos teses maravilhosas apresentando extratos com altos teores de ativos, mas que podem apresentar um valor mínimo quando produzidos em escala. Às vezes a idéia é boa, mas aparecem dificuldades para viabilizá-la e transformá-la em matéria-prima cuja produção em escala possamos desenvolver para fornecer a empresas”, afirmou.

Para Fabíola Spiandorello, gerente do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Unesp, a experiência do NuBBE mostra que, na relação entre empresas e universidade, os dois lados começam a falar a mesma língua. “Ainda há arestas que devem ser aparadas, mas já entramos em uma fase em que os papéis de cada um estão mais claramente delimitados – a universidade não perde seu foco tentando desenvolver produtos”, disse.

Segundo Rodrigo Spricigo, gerente de pesquisa da Eurofarma, as parcerias com as universidades conseguem obter êxito quando os planos de trabalhos são coesos, os cronogramas são assertivos, os orçamentos são realistas e as equipes são consolidadas.

“Diagnosticamos que, do lado da empresa, algumas das principais limitações são a falta de cultura de pesquisa e desenvolvimento, a morosidade das tomadas de decisão e a falta de habilidade na gestão tecnológica, assim como a dificudade de calcular e assumir riscos é um obstáculo para todos”, disse.

Spricigo conta que a Eurofarma está estruturando um departamento de pesquisa e desenvolvimento que deverá entrar em operação dentro de quatro ou cinco anos. “Já do lado da universidade, as principais limitações que identificamos são: ausência de certificação e validações, falta de procedimentos e infra-estrutura adequados, morosidade na execução das atividades, problemas de gestão financeira e burocracia defensiva”, destacou.

Fonte:Fábio de Castro / Agência FAPESP