quarta-feira, 2 de julho de 2008

CNPq discute projetos de pesquisa com a Finlândia

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) e a Academia da Finlândia (AKA) promovem hoje (2), em Brasília (DF), o 1º Workshop Prospectivo Brasil – Finlândia. O evento foi aberto ontem (1) pelo presidente do CNPq, Marco Antonio Zago, e teve a presença do representante da Finlândia, Paavo Pelkonen, do assessor de Assuntos Internacional do MCT, José Monserrat Filho, do chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, ministro Hadil Vianna, e do diretor do CNPq, José Osvaldo Siqueira, coordenador dos trabalhos.

O objetivo é identificar as estratégias e definir linhas de ação nas áreas selecionadas conjuntamente e definir recomendações especificas para cada área de conhecimento com vistas à cooperação entre o CNPq e a AKA.

As áreas selecionadas pelos dois países são energia, cultivo de plantas para biomassa e virologia; florestas: papel e polpa e microeletrônica/optoeletrônica, que serão objetos de apresentações em conjunto e de discussões em grupos de trabalho por pesquisadores e técnicos do Brasil e da Finlândia.

Na sessão de abertura, os coordenadores científicos brasileiros e finlandeses apresentarão um documento básico contendo a situação de cada área em seus respectivos países. As apresentações incluem um breve relato da área, mostrando as problemáticas específicas, os desafios futuros e as perspectivas da cooperação a ser definida.

Espera-se que no final do Workshop sejam elaborados pelos grupos de trabalho, relatórios, contendo sugestões e recomendações para iniciar as ações de cooperação entre as duas instituições.

Fonte: Agência CT

Homicídios, desenvolvimento socioeconômico e violência policial no município de São Paulo

Homicide mortality, socioeconomic development, and police violence in the city of São Paulo, Brazil

Correlação perversa
Um estudo de monitoramento e análise de dados constatou a existência de uma forte correlação entre taxas de mortalidade por homicídios, violência policial e indicadores socioeconômicos e demográficos.

O estudo, publicado na Revista Panamericana de Salud Pública, foi realizado por pesquisadores do Centro de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP, também conhecido como Núcleo de Estudos da Violência (NEV).

De acordo com a autora principal do artigo, Maria Fernanda Tourinho Peres, os distritos com maior número de vítimas fatais de violência policial na capital paulista são também aqueles que apresentam maior concentração de homicídios e desvantagens sociais, como baixa escolaridade, alta densidade habitacional e precariedade na oferta e na qualidade de serviços públicos.

“Os resultados indicam que uma ação policial centrada na violação de direitos humanos básicos não é a melhor resposta para enfrentar a violência urbana. A combinação de alta taxa de homicídios e arbitrariedade policial cria um ambiente favorável a mais violência”, disse Maria Fernanda.

O artigo sugere que não é a pobreza que explica as altas taxas de homicídio, mas a combinação de desvantagens sociais que caracterizam as áreas periféricas. “Nessa associação entre homicídios e condições de vida, a variável mais importante é a desigualdade e não a pobreza em si. A existência de desigualdade social e a sobreposição de carências parecem explicar melhor as diferenças encontradas na distribuição do risco de morte por homicídios nos espaços urbanos”, apontou.

Segundo a pesquisadora, como não existem dados oficiais sobre a violência e os direitos humanos no Brasil, a pesquisa se pautou no banco de dados do NEV, que é parte do projeto Monitoring human rights violations. O banco de dados busca informações sobre todos os casos de execuções sumárias, linchamentos e violência policial noticiados nos principais veículos impressos do Estado de São Paulo.

“Como não há dados oficiais sobre a violação de direitos humanos no Brasil, a imprensa constitui uma preciosa fonte de informação. O número de casos de ocorrência de violência policial noticiados na imprensa pode ser considerado um indicador da qualidade da atuação policial”, explicou.

O estudo constatou que em 2000 houve uma grande desigualdade na distribuição de mortes por homicídio entre os 96 distritos censitários do município de São Paulo. O coeficiente de mortalidade por homicídio variou de 3,34 por 100 mil habitantes no bairro do Jardim Paulista (Zona Oeste) a 94,8 por 100 mil habitantes em Guaianazes (Zona Leste). No mesmo ano, o coeficiente de mortalidade por homicídio para a capital paulista foi de 52,8 por 100 mil habitantes, sendo que 25 distritos censitários apresentaram valores mais elevados.

Segundo Maria Fernanda, os dados revelam que a atuação violenta da polícia em São Paulo não se distribui de forma igual na população, bem como as taxas de mortalidade por homicídios.

“Outro achado foi que as taxas de mortalidade por homicídio são mais elevadas nos distritos com maior número de vitimas fatais de violência policial. O resultado dessa análise exploratória inicial mostra que uma ação policial dura e violenta não parece ser uma resposta efetiva ao problema da violência urbana. É possível supor que essa resposta acaba por gerar mais violência”, disse, acrescentando que análises adicionais precisam ser feitas considerando, por exemplo, o fator temporal.

Problema sem receita
Segundo a pesquisadora do NEV, nas áreas com altos índices de violência a carência de profissionais do setor público, assim como a alta rotatividade desses profissionais, interfere, diretamente, na qualidade dos serviços prestados, uma vez que se torna difícil estruturar ações de forma continuada.

“Esse problema tem sido discutido particularmente nas áreas com altos índices de violência. Podemos citar as dificuldades encontradas na contratação de médicos para atuar nos serviços públicos de saúde em áreas periféricas com altos índices de violência. Escolas, também, são muitas vezes penalizadas porque muitos profissionais, por questões de segurança, acabam por optar não atuar nessas regiões”, disse.

De acordo com o estudo, parte importante da solução do problema do crime e da violência envolve mudanças nas políticas de segurança e nas formas de gestão das organizações, de modo a valorizar a fixação dos policiais nas áreas de trabalho e promover sua aproximação da comunidade.

“O problema do crime e da violência não tem receita e nem mesmo uma resposta que, isoladamente, resolva toda a gama de questões envolvidas. Hoje, é consenso a idéia de que a violência não é mais um problema exclusivo do campo da segurança pública. Nesse sentido, são necessários esforços conjuntos dos diversos setores da administração pública e da sociedade civil organizada”, afirmou Maria Fernanda.

Outro fator que dificulta, segundo ela, a aproximação da polícia com as comunidades é que em geral essas relações são tensas, pautadas pela falta de confiança, insegurança e medo.

“Isso não é bom e a eventual atuação violenta e arbitrária da polícia é um forte ingrediente para esse padrão de relação. As comunidades não vêem nos policiais representantes de instituições que os protegem e, por isso, acabam por adotar uma postura defensiva e de afastamento. É um ciclo que se retroalimenta e que é preciso cortar”, disse.

Para ler o artigo Homicídios, desenvolvimento socioeconômico e violência policial no município de São Paulo, de Maria Fernanda Tourinho Peres, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Tecnologia torna usina de álcool produtora de água

A Dedini S/A Indústrias de Base anuncia tecnologia considerada inédita no mundo que torna usinas de açúcar e álcool produtoras também de água doce para consumo próprio e venda do excedente para uso doméstico.

Os detalhes da retirada da água contida na cana-de-açúcar serão divulgados no Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira (Simtec), em Piracicaba (SP). A companhia vai apresentar tecnologias que economizam energia elétrica no processo de fabricação do açúcar e do etanol.

No evento será apresentado trabalho do convênio de R$ 100 milhões entre a Dedini e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sobre fabricação de etanol de cana-de-açúcar, incluindo o etanol de celulose. (Jornal do Commercio)

Fonte: TN Petróleo

USP desenvolve 2 proteínas recombinantes destinadas ao tratamento de fraturas

Proteínas que recuperam ossos

Pesquisadores do Núcleo de Terapia Celular e Molecular (Nucel) da Universidade de São Paulo (USP) produziram em laboratório duas proteínas recombinantes que deverão ser utilizadas na formulação de um novo biofármaco destinado ao tratamento de fraturas ósseas.

De acordo com a coordenadora do Nucel e da pesquisa, a professora do Instituto de Química da universidade, Mari Cleide Sogayar, as proteínas BMP2 e BMP7 estimulam a formação de tecido ósseo em reparos tanto em ortopedia como em odontologia.

“Identificamos as seqüências de DNA que codificam para essas duas proteínas a partir dos bancos de cDNA do Projeto Transcriptoma da FAPESP, conhecido como Transcript Finishing Initiative, em que foram obtidas amostras de vários tipos de linhagens celulares, de diferentes tecidos humanos como estômago, fígado e próstata. Foram quase seis anos de pesquisa e desenvolvimento até chegarmos a essas duas proteínas recombinantes”, disse Mari Cleide.

O Projeto Transcriptoma, resultado de parceria entre a FAPESP e o Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, foi conduzido de 2000 a 2003 dentro do Projeto Genoma Humano do Câncer.

O cDNA, ou DNA complementar, é o DNA sintetizado por uma molécula de RNA mensageiro em uma reação catalisada pela enzima transcriptase reversa. Quando inseridos em células, cDNAs podem levar ao aumento dos níveis da proteína codificada.

“No banco do Projeto Transcriptoma encontramos dois cDNAs que permitiram amplificar as seqüências da BMP2 e da BMP7. Com as seqüências de DNA que codificam para as BMPs em mãos, clonamos essas seqüências, utilizando células de ovário de hamster e também células de rim embrionário humano, para produzir as duas proteínas recombinantes”, explicou Mari Cleide.

O estudo, que também correspondeu à tese de doutorado de Juan Carlos Bustos Valenzuela (Identificação de genes diferencialmente expressos durante a diferenciação osteoblástica de células C2C12 induzida por proteínas recombinantes BMP2 e BMP7 humanas), foi feito no âmbito de um projeto apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa. Segundo a professora, o trabalho deve gerar dentro de poucos anos a formulação de um medicamento para reparos de fraturas e traumas ósseos decorrentes, por exemplo, de osteoporose ou implantes dentários.

“Para criar um biofármaco precisamos de células que produzam as duas proteínas de interesse em larga escala. Em nosso laboratório temos algumas células superprodutoras, mas ainda as estamos aperfeiçoando para que purifiquem e produzam em maior quantidade, em meio de cultura, tanto a BMP2 como a BMP7”, disse.

O medicamento, segundo a pesquisadora, poderá chegar ao mercado dentro de até cinco anos. “Estamos em processo de aperfeiçoamento das células superprodutoras. Em seguida, vamos iniciar a transferência de tecnologia para uma empresa farmacêutica nacional que já demonstrou interesse em produzir o biofármaco”, afirmou.

Medicamentos semelhantes, mas importados, estão disponíveis em clínicas odontológicas e ortopédicas no país, ainda que em baixa quantidade devido aos altos custos. “Nossa expectativa é que esse novo biofármaco seja mais de 50% mais barato do que os importados”, disse Mari Cleide.

O desenvolvimento das proteínas no Nucel também contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP. (Foto: EESC/USP)

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

Brasil deixa de usar US$ 125 milhões em florestas por falta de projetos

Incluido por admin emJulho 1, 2008Verba corresponde a 30% das doações de países ricos a programa criado na ECO-92. Governo diz que, do total não usado, US$ 52 mi estão empenhados em projetos atuais e US$ 18 mi não foram liberados por doador.

Dezesseis anos depois de acumular US$ 402,383 milhões em doações de países ricos, o governo brasileiro não gastou efetivamente cerca de 30% desses recursos destinados a financiamentos de projetos pilotos de preservação de florestas tropicais. Motivos: falta de projetos ou atraso na sua execução, devolução de dinheiro e mudanças de prioridades por parte dos doadores.

Criado na conferência Eco-92, no Rio, para durar dez anos, o PPG7 (Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil) registra um saldo de US$ 125,761 milhões referente a doações que ainda não foram ou não serão aplicadas no programa que vai terminar em 2010, com oito anos de atraso, e sem que parte das experiências tenham sido transformadas em políticas públicas.

Desse dinheiro não aplicado no PPG7, US$ 52,724 milhões estão comprometidos com projetos em andamento e outros US$ 18 milhões não foram disponibilizados pelos doadores, defende-se o governo.

Mesmo assim, restam ainda US$ 49,182 milhões de saldo sem destinação, 12,22% do total doado que corre o risco de ser devolvido, além de US$ 5,849 milhões que foram efetivamente devolvidos por perda de prazo de aplicação do dinheiro em projetos pilotos elaborados para preservação de florestas tropicais. Isso num momento em que o novo ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) busca doações para tentar financiar seus projetos.

Um dos projetos atingidos pela devolução de recursos é a primeira etapa do Resex, projeto que cria reservas extrativistas na Amazônia, cuja devolução chegou a US$ 5,6 milhões. Esse dinheiro, explica o governo, acabou sendo depois remanejado para outros projetos.

Além do dinheiro de doação estrangeira, o governo brasileiro também aplicou recursos financeiros e de cooperação técnica no programa. Ao todo, foram destinados US$ 57 milhões. Desse total, US$ 39 milhões já foram gastos e outros US$ 9 milhões estão alocados. Há um saldo de dinheiro brasileiro de US$ 7,899 milhões.

Entre os projetos com os maiores saldos, estão o que cria corredores ecológicos na Amazônia, o que estimula atividades econômicas sustentáveis entre povos indígenas e o da área da Mata Atlântica. São US$ 57,320 milhões, que deverão ser gastos até 2010.

“Grande parte da frustração com o programa é por causa de expectativas erradas. O PPG7 não foi pensado para resolver os problemas ambientais da região. São projetos pilotos, de pequena escala, com o objetivo de gerar insumos para políticas públicas”, diz a coordenadora do PPG7, Nazaré Soares.
Na avaliação do governo, o programa obteve resultados importantes em áreas como a demarcação de reservas e áreas indígenas, onde 49 milhões de hectares foram demarcados e 101 terras indígenas homologadas com recursos de doadores.

Além disso, as experiências do projeto piloto de manejo florestal serviram de base para a legislação que trata do assunto. Soares cita o financiamento aos Estados para a criação dos órgãos de controle ambiental como um projeto de sucesso.

Novo programa
O governo se prepara para encerrar a maior parte dos projetos financiados pelos doadores internacionais no ano que vem. Está negociando com os governos de países como Alemanha, Japão e Inglaterra e com a União Européia para que direcionem as doações ao Programa Amazônia Sustentável.

Pelo novo formato, o Ministério do Meio Ambiente não será mais o responsável pelo repasse dos recursos. Definirá as políticas públicas e o dinheiro irá para o executor do projeto.

Um dos principais agentes do PPG7, o Banco Mundial reconhece que houve atraso na implementação do programa e diz que isso ocorreu porque, quando ele foi idealizado, o Ministério do Meio Ambiente estava sendo criado e muitos órgãos estaduais tinham acabado de ser montados”.

O banco destaca que alguns de seus projetos tiveram êxito. Cita também a demarcação de terras indígenas e o apoio a cerca de 300 projetos de manejo comunitário de recursos naturais. Nas contas do banco, dos 23 projetos que monitorou do PPG7, envolvendo US$ 125 milhões, cerca de US$ 12 milhões foram devolvidos aos doadores. (Valdo Cruz e Leandra Peres / FSP)

Fonte: Ecodebate

Maria Zatz participa de debate na Exposição Revolução Genômica deste domingo

Células-tronco na mídia
Mayana Zatz, pró-reitora de pesquisa e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo, será a convidada da programação cultural da exposição Revolução Genômica às 11h do domingo (6/7).

A geneticista debaterá com Cristiane Segatto, repórter especial da revista Época, a cobertura dos meios de comunicação sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias humanas. O assunto foi um dos mais comentados nos últimos meses, especialmente após a decisão, no fim de maio, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o prosseguimento desse tipo de estudo no país.

O debate, com entrada franca, será realizado no auditório anexo ao Pavilhão Armando de Arruda Pereira, antiga sede da Prodam, no Parque do Ibirapuera (portão 10), em São Paulo, onde, até 13 de julho, está em cartaz a mostra científica. A programação cultural da mostra Revolução Genômica está a cargo da revista Pesquisa FAPESP.

Mayana Zatz é também professora de genética do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP e preside a Associação Brasileira de Distrofia Muscular. Teve participação ativa nos debates sobre pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, tendo se dirigido à Brasília por diversas vezes para falar sobre o tema com juízes e deputados.

Especializada na cobertura de tema científicos, Cristiane Segatto é uma das jornalistas mais premiadas na cobertura de assuntos médicos. No ano passado, venceu o Prêmio de Jornalismo do Instituto Nacional do Câncer e da Fundação Ary Frauzino com a reportagem “As mil faces do câncer”.

Mais informações no site

Fonte: Agência FAPESP

INPE compra novo supercomputador para estudar as mudanças climáticas

INPE pronto para comprar novo supercomputador, que vai colocar País no esforço internacional para prever efeitos da mudança climática

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) está pronto para comprar o supercomputador que dará ao País a possibilidade de participar da elaboração do próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, sigla em inglês). O dinheiro para a compra do novo supercomputador, que será o terceiro e também o mais poderoso do INPE, já está na conta do instituto. Os pesquisadores calculam o gasto com a máquina e a infra-estrutura de apoio para seu funcionamento em cerca de R$ 50 milhões — um terço da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e dois terços do governo federal, aproximadamente.

O Brasil e o relatório do IPCC
O lançamento do quinto relatório do IPCC está previsto para 2014 — o quarto saiu no ano passado. "Para entrar no quinto relatório, os grupos de pesquisa têm de apresentar a simulação do clima futuro até outubro, novembro de 2010", conta Carlos Nobre, o pesquisador do INPE que coordena o projeto de pesquisa da Fapesp que inclui os recursos para o financiamento do supercomputador. Como o INPE prepara-se agora para lançar o edital da licitação do supercomputador, Nobre calcula que a máquina estará pronta para funcionar entre fevereiro e maio de 2009. "Estamos um pouco atrasados", conta o pesquisador, que é membro do IPCC. "Mas a capacidade do novo supercomputador vai compensar o atraso."

A expectativa do mais conhecido dos climatologistas do País é de que os cientistas brasileiros participem do esforço internacional associados a outros centros — provavelmente, segundo Nobre, a dois entre três centros: o Hadley Center, da Grã-Bretanha; o Instituto Max Planck, de Hamburgo, na Alemanha; e o Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas (NCAR, sigla em inglês para National Center for Atmospheric Research), dos EUA.

Supercomputadores e mudança climática
Entender e prever os novos cenários trazidos para o planeta pela mudança climática em curso exige a coleta de dados sobre fenômenos que ocorrem na atmosfera, no contato da atmosfera com a superfície dos oceanos, nos oceanos, nos continentes. A quantidade de dados é tão grande que só supercomputadores — máquinas capazes de processar trilhões de operações aritméticas em segundos — são capazes de ordená-los e analisá-los. Processar, no caso, quer dizer: organizar os dados coletados por meio de modelos matemáticos criados pelos climatologistas. Os modelos permitem avaliar, com graus de certeza variáveis, o impacto dos gases do efeito estufa sobre o clima da Terra nas próximas décadas, ou nos próximos séculos. O relatório do IPCC vai apresentar a estimativa de impacto para 2035; mas também para 2300.

"O edital de licitação vai exigir dos fornecedores certo desempenho mínimo. Não sabemos o que os fabricantes vão oferecer, mas penso que a velocidade do novo supercomputador poderá ser de 50 a 100 vezes maior do que a dos supercomputadores atuais do INPE", explica Nobre. São esperadas ofertas de empresas como IBM, Cray, HP, NEC, Sun System e Silicon Graphics, entre outras. O novo supercomputador vai 'rodar' modelos climáticos criados nos países desenvolvidos. "Um dos objetivos do projeto de pesquisa que coordeno é desenvolver um modelo próprio para o clima brasileiro", continua Nobre. As informações que os modelos oferecem sobre o cenário futuro vão permitir que políticas públicas sejam elaboradas para diminuir os efeitos sociais, ambientais e econômicos do aquecimento global.

Entrevista com Carlos Nobre
Qual o objetivo do projeto de pesquisa financiado pela Fapesp, que o senhor coordena?
O objetivo mais geral é dotar o País de competência na área de modelagem do sistema terrestre. Será um esforço conjunto da Fapesp com a Rede Clima, do MCT [Ministério da Ciência e Tecnologia]. Em quatro anos, pretendemos chegar a um modelo matemático brasileiro de mudanças climáticas. Para fazê-lo, é preciso atrair e agregar as competências do INPE, das universidades de São Paulo e de outros Estados. O esforço é nacional, coordenado pelo INPE, onde se concentra o maior número de pessoas trabalhando com modelos matemáticos da atmosfera, dos oceanos, da vegetação. Por já existirem essas competências, quatro anos é prazo razoável para chegarmos a esse modelo matemático brasileiro. Antes disso, no entanto, vamos participar do esforço internacional de simulação do clima futuro que informará a próxima avaliação do IPCC, o chamado AR-5 (Assessment Report 5).

Qual o prazo para a participação no AR-5?
Os grupos têm de apresentar suas simulações até outubro, novembro de 2010. É importante participarmos porque um investimento como o que está sendo feito no supercomputador deve se justificar em muitas dimensões. Uma dessas dimensões é tornar o Brasil relevante; outra, nos permitir adquirir experiência em simulações com modelos matemáticos globais. Seremos parceiros de um ou dois centros internacionais [entre três, em conversações: Hadley Center; National Center for Atmospheric Research; Instituto Max Planck. Nota do E.]; em conjunto com eles, utilizando os modelos desenvolvidos por eles, vamos colaborar com o esforço de gerar os cenários da quinta avaliação. Até o quarto IPCC, de 2007, os estudos de impacto das mudanças climáticas eram feitos com os cenários climáticos gerados na avaliação anterior. Assim, para a quarta avaliação, quase todos os estudos de impactos eram com cenários gerados para o AR-3, de 2001. O AR-5 terá uma diferença fundamental — os centros de modelagem climática vão gerar cenários até 2010; aí começará o trabalho da comunidade de impactos. Eles terão dois anos, dois anos e meio para, a partir dos cenários, gerar os estudos de impactos. Os relatórios vão ser escritos em 2013, com a divulgação da quinta avaliação em 2014.

Qual será a contribuição do Brasil no trabalho conjunto para a geração de cenários?
Vamos tentar simulações de clima que levem em consideração a mudança do uso da terra — os desmatamentos tropicais, pretéritos e futuros. Também queremos estudar o impacto na atmosfera dos aerossóis provenientes de queimadas, que são diferentes dos aerossóis derivados da poluição urbana. Outra novidade do AR-5 será levar em conta a química atmosférica para as simulações até 2035. Uma das nossas contribuições estará aí: levar em conta o que as queimadas produzem para a química atmosférica.

Que competências são necessárias para o Brasil em mudanças climáticas?
Os modelos climáticos têm vários componentes: atmosfera, oceano, vegetação no continente, partes geladas (criosfera), ciclos biogeoquímicos — o estudo dos processos biológicos ligados aos ciclos de carbono e seu impacto na química atmosférica. Temos competência muito boa em atmosfera, em ciclo de carbono terrestre, razoavelmente boa em oceano, razoavelmente boa em vegetação terrestre, praticamente nenhuma em criosfera e em ciclos biogeoquímicos no oceano. Precisamos aumentar competências na parte da física dos modelos — pessoas que entendam os vários processos físicos envolvidos. Na parte matemática desses modelos, precisamos de muita competência na parte computacional — uma está muito ligada à outra. Escrever um código de mais de 1 milhão de linhas de instrução, como se requer para 'escrever' os modelos, não é trivial. O código tem de funcionar muito bem nos supercomputadores, que alinham milhares de processadores.

O projeto de pesquisa vai criar essas competências?
Montar o modelo brasileiro vai ser um esforço de capacitação e treinamento. O projeto de pesquisa vai ter um grande número de bolsas de doutorado e pós-doutorado, principalmente nas áreas em que não temos competência ainda, mas também reforço nas áreas em que temos competência, inclusive ciências da computação, informática, métodos matemáticos da modelagem. Daqui a quatro anos, teremos dobrado o número de doutores trabalhando na área de modelagem do sistema terrestre nos vários componentes.

Fonte: Inovação Unicamp

IBICT lança novo portal da BDTD - Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações

O novo portal da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), será lançado nesta quarta-feira (2/7), com novos produtos e serviços.

O serviço levará mais informação e conteúdo a profissionais da área, pesquisadores, estudantes e o público em geral que desejar conhecer inovações e conhecimentos gerados no âmbito das principais universidades brasileiras integradas à BDTD.

Segundo o Ibict, o novo sistema será totalmente orientado pelo Padrão Brasileiro de Metadados de Teses e Dissertações (MTD2-Br), cujas mudanças foram apresentadas e aprovadas na última reunião do Comitê Técnico-Consultivo da BDTD.

Alterações significativas no modelo e no sistema foram feitas com a incorporação dos dados de teses e dissertações à BDTD, por meio da coleta automática de metadados (harvesting) e em total compatibilidade, tanto em forma como em conteúdo, com o padrão MTD2-Br.

Além das funcionalidades tradicionais de acesso integrado aos conteúdos de teses e dissertações defendidas no Brasil e por brasileiros no exterior, o novo portal permite maior interação com os seus usuários mediante a disponibilização de novos produtos: estante digital, serviço de alerta, gerenciador de repositórios e indicadores de produção e de pesquisa.

Algumas instituições estarão, inicialmente, ausentes do novo portal, por estarem adaptando suas respectivas bibliotecas digitais de teses e dissertações ao padrão MTD2-Br.

O Ibict destaca que o portal original e o novo estarão simultaneamente ativos durante o processo de adequação, que deverá ser concluído até janeiro de 2009.

Mais informações: www.ibict.br

Fonte: Agência FAPESP

Angola: Registo obrigatório para laboratórios metrológicos

Entidades operadoras na garantia de qualidade obrigadas a registo

Entidades singulares e colectivas, públicas e privadas que operam no âmbito da garantia da qualidade estão obrigadas a proceder ao registo, para efeitos de cadastramento e posterior acreditação junto do Instituto Angolano de Normalização e Qualidade, apurou hoje à Angop.

A medida abrange os domínios da certificação, consultoria, inspecção e laboratórios de ensaios e calibração, conforme decreto executivo do ministro da Indústria, Joaquim David, publicado na primeira série, do nº70, do Diário da República, de 17 de Abril.

O certificado, a ser emitido, em modelo próprio, constitui autorização provisória para o exercício das actividades referidas, até a institucionalização da entidade de acreditação nacional.

A vigorar desde a sua publicação, a norma resultou da necessidade de disciplinar a actuação das empresas e entidades singulares que operam no âmbito da garantia de qualidade, designadamente na certificação, consultoria, inspecção e laboratórios de ensaios e calibração. (Luanda, 29/06 - Angolapress)

Fonte: Metrologia & Calibração

Inpe lança o Sismaden - Sistema de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) lança, no próximo dia 11, o Sistema de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Sismaden). Baseado na TerraLib, tecnologia do Inpe para desenvolvimento de aplicativos geográficos, o sistema integra dados hidrometeorológicos, planos de risco e de informações adicionais necessários para a execução das análises e definição de alertas.

O sistema, que foi desenvolvido em colaboração com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e com o Projeto Serra do Mar, da Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), permite o controle, recuperação, armazenamento e processamento de informações hidrometeorológicas e ambientais. Uma base de dados geográficos auxilia na análise de risco de desastres naturais provocados por extremos meteorológicos e climáticos.

O sistema de geoprocessamento será apresentado na sede do Inpe, em São José dos Campos (SP), em evento que reúne os desenvolvedores e representantes de instituições que adotarão a nova ferramenta.

Confira as principais características do Sismaden:
www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/SISMADEM_convite.pdf

Fonte: Agência CT

Nanotec 2008

Feira e congresso de nanotecnologia acontecem em novembro; mercado cresce e previsão é chegar a US$ 2,4 trilhões em 2014

Uma feira para expor produtos que incorporam nanotecnologia — como roupas que não mancham, tintas que não riscam e não sujam, por exemplo — vai acontecer em São Paulo, entre 12 e 14 de novembro. Ao lado da feira, acontecerá também um congresso, em que cientistas e empresas vão se sentar lado a lado. A Nanotec 2008, informam seus organizadores, será a maior feira de nanotecnologia já realizada no Brasil.

Ronaldo Marchese é o empresário por trás da Nanotec — já em sua terceira edição. Para convencer os empresários brasileiros da importância que a nanotecnologia terá na indústria, Marchese apresenta dados: diz que, até 2005, o investimento em pesquisa e desenvolvimento no setor chegou a US$ 9,6 bilhões. Números mais atualizados deverão mostrar uma grande ampliação desse esforço. Ele descobriu que, atualmente, a Rússia é o país que mais investe em nanotecnologia: sempre segundo o empresário, os russos organizaram um programa para nanotecnologia que inclui a criação de uma empresa com capital inicial de US$ 5 bilhões, e captação de mais US$ 2 bilhões com outras fontes de financiamento que não são públicas. A meta dos russos, diz, é deter 4% do mercado de nanotecnologia até 2014. Esse mercado movimenta, hoje, cerca de US$ 88 bilhões apenas nos Estados Unidos. A estimativa é de que o mercado mundial atinja US$ 2,4 trilhões em 2014.

Para a Nanotec 2008, Marchese conquistou o apoio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) — um dos setores que já utilizam a nanotecnologia, especialmente por meio de coberturas que garantem propriedades especiais. A empresa Santista, por exemplo, lançou no final de 2006 tecidos 'nanotecnológicos' que absorvem e secam rapidamente o suor, são antimicrobianos, resistem a manchas e são mais facilmente lavados e passados. Na época, ela mostrou a tecnologia aplicada em uniformes de trabalho. Outras entidades setoriais também apóiam a Nanotec 2008: as Associações Brasileiras da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), do Plástico (Abiplast), da Indústria Química (Abiquim) e o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Todas elas representam setores que enfrentam ou enfrentarão forte concorrência nos mercados interno e externo de fabricantes internacionais que investem pesadamente em nanotecnologia.

Na entrevista coletiva para o anúncio da realização da feira, Marchese lamentou o pequeno investimento feito no Brasil — entre 2001 e 2007, o País investiu apenas R$ 150 milhões, em recursos públicos, no Programa Nacional de Nanotecnologia. "Estamos falando em escala de bilhões de dólares lá fora e de milhares de reais aqui no Brasil. Precisamos abrir o olho ou estaremos importando tecnologia e pagando mais e mais royalties para o exterior", destacou. "O Brasil não deve nada a ninguém em termos de conhecimento científico. O problema está no setor empresarial", completou, ressaltando a ausência de doutores nas empresas.

Pierangelo Rosseti, coordenador de infra-estrutura e capacitação tecnológica da Abit, lembrou que as empresas no País investem pouco em P&D, de forma geral, porque só agora o Brasil conquistou uma estabilidade que permite ao empresário pensar em estratégias de competitividade mais sofisticadas e de longo prazo, como fazer P&D para inovar. "Pela primeira vez, temos programas pré-estabelecidos, com objetivos, previsão de investimentos, como o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] e a PDP [Política de Desenvolvimento Produtivo]", disse. Para ele, falta melhorar a divulgação dos programas existentes, para que as empresas os utilizem. Já o representante do governo na apresentação da Nanotec 2008, Mário Baibich, coordenador-geral de micro e nanotecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o órgão responsável pelo Programa Nacional de Nanotecnologia, afirmou que ainda é um desafio inserir a nanotecnologia na agenda dos empresários como um fator de competitividade nacional.

O empresário Ricardo Jacob, presidente do Conselho da Abiplast e presidente da empresa Plásticos Mueller, de Minas Gerais, fez um longo desabafo sobre as dificuldades da empresa que quer inovar, por conta das exigências de contrapartida de agências como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que pertence ao MCT e fomenta as atividades de pesquisa nas indústrias e na academia, e das dificuldades em firmar parceria com outras companhias. Mas garantiu que continuará investindo em P&D e em nanotecnologia e disse apoiar a Nanotec 2008.

Na fala durante a apresentação da Nanotec deste ano, Cláudio Marcondes, gerente de serviços técnicos da Quattor Petroquímica, antiga Suzano Petroquímica, revelou que a comissão de tecnologia da Abiquim, da qual ele faz parte, discute uma regulamentação para a pesquisa e o uso de materiais nanotecnológicos. A Suzano desenvolveu uma resina de polipropileno que incorpora nanopartículas de prata e torna embalagens feitas com esse produto, por exemplo, mais resistentes e mais eficientes na proteção de alimentos armazenados em seu interior. O produto foi lançado na Nanotec 2006.

Em 2007, os organizadores da Nanotec não fizeram a feira e o congresso, pois tiveram dificuldade para viabilizar patrocínio para a exposição das universidades. Estas só bancam a montagem dos estandes, não o aluguel dos espaços. Por não ver sentido em fazer uma feira com apenas algumas das iniciativas empresariais, já que no Brasil o maior esforço em nanotecnologia ainda está no setor acadêmico, Marchese preferiu organizar apenas o Nanobusiness, um congresso com empresas e pesquisadores para debater os desafios e oportunidades para o País em nanotecnologia. (J.S.)

Fonte: Inovação Unicamp