quarta-feira, 25 de junho de 2008

Insa sedia oficina de recursos genéticos para a capacitação de profissionais e estudantes

Nos dias 26 e 27 deste mês, o Instituto Nacional do Semi-Árido (Insa) ligado ao MCT sediará uma oficina de recursos genéticos, que visa à capacitação de profissionais e estudantes de graduação e pós-graduação para pesquisas de campo nas áreas de etzootecnia e conservação de recursos genéticos.

A oficina será coordenada pelo pesquisador do Insa, Geovergue Medeiros, pela pesquisadora Norma Maria Ribeira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e pelo pesquisador Edgard Cavalcanti Pimenta Filho, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

No dia 26, haverá, durante a manhã, uma palestra sobre “Aspectos conceituais e metodológicos da pesquisa de campo em etnozootecnia com ênfase no saber local” e à tarde será feita uma discussão e simulação das práticas de consulta aos pecuaristas no campo. No dia 27, a palestra terá como tema “Técnicas para coleta de material genético” e no período da tarde a discussão gira em torno da agenda de coleta em cada Estado.

O evento acontecerá no auditório do Insa, em Campina Grande (PB), e contará com a participação de pesquisadores dos Estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas e Ceará.

Informações adicionais podem ser obtidas pelo site por meio do site www.insa.gov.br.

Fonte: Gestão CT

Brasil lidera grupo conservacionista na Comissão Internacional Baleeira

O fim da caça a baleias e a criação do santuário baleeiro do Atlântico Sul são os principais objetivos da delegação brasileira na 60ª reunião anual da Comissão Internacional Baleeira (CIB), que começa nesta segunda-feira e termina na sexta-feira, em Santiago, no Chile.

Apesar da moratória sobre a caça comercial de 1986, 1.400 baleias ainda são vítimas de caçadores todos os anos. Mas a caça não é a única ameaça a este mamífero aquático. Poluição, sons subaquáticos e sonares, colisões com navios, mudanças climáticas e redes de pesca também diminuem o número dos habitantes dos mares. Só as redes matam 300 mil baleias e golfinhos todos os anos - um animal a cada 90 segundos, segundo a ONG Greenpeace.

O Brasil, Austrália e Nova Zelândia estão entre os líderes do grupo conservacionista que pressiona para a continuidade da moratória. No Brasil, por exemplo, a legislação proíbe a captura ou molestamento intencional de qualquer cetáceo em suas águas jurisdicionais, isto é, 200 milhas da sua costa.

Do outro lado, estão os países baleeiros como o Japão, a Islândia e Noruega. Sob o pretexto de caça com fins científicos, o Japão ainda é responsável pela morte de centenas de baleias no Pacífico Norte e na Antártida, por razões gastronômicas. Cidades japonesas lutam pela continuidade da pesca baleeira , com a justificativa que esta prática faz parte de uma tradição secular do país.

Mesmo 71% da população japonesa sendo contrária à caça das baleias, segundo a coordenadora da Campanha de Baleias do Greenpeace, Leandra Gonçalves, a carne de baleia ainda é servida em diversos restaurantes. Estima-se que o quilo da carne de baleia nos mercados japoneses custe em torno de 150 dólares.

Apesar de serem apenas três países que praticam a pesca baleeira, há um grande número de países que vota de acordo com o Japão, segundo Leandra Gonçalves.

Segundo ela, Tóquio estaria comprando votos de países menores."Países como Gabão e Senegal vêem a estas reuniões para votar a favor dos baleeiros, apesar de não praticarem a caça baleeira. Fazem isto porque recebem financiamento de programas japoneses" completou Leandra.

Santuário Baleeiro do Atlântico Sul
Além de combater a caça às baleias, o Brasil há 19 anos batalha pela criação do Santuário do Atlântico Sul, que faria divisa com o Santuário Antártico com o intuito de proteger integralmente as baleias ao longo de todo seu ciclo de vida, desde as áreas de reprodução até os locais de alimentação.

Mas para conseguir aprovação do projeto é preciso conseguir 3/4 dos votos. E a posição do Japão e dos países que o apóiam é decisiva para dificultar a criação do santuário.

A morte demorada e cruel
A forma de caçar baleias mudou muito pouco desde o século XIX, quando o arpão de propulsão mecânica foi inventado. O principal método de abate na caça comercial e "cientifica" atual é o arpão com granada explosiva. Lançado de um canhão, a meta é que o arpão penetre o corpo da baleia com uma profundidade de 30 cm antes de detonar, matando o animal por ferimento extenso ou choque.

A detonação da granada gera um ferimento de pelo menos 20 cm de largura, podendo alcançar até 60 cm, quando as garras do arpão se abrem para ancorar dentro do corpo da baleia. O corpo do animal pode então ser para navio baleeiro. Apesar de destruidor, o arpão muitas vezes não mata instantaneamente. Pesquisas recentes mostram que a média de tempo até a morte na caça comercial e científica é de mais de 2 minutos, sendo que algumas baleias demoram mais de uma hora para morrer.

Manifestantes se preparam para reunião
Cerca de 2.000 pessoas se concentraram em um parque de Santiago formando com seus corpos uma enorme baleia. A manifestação pela preservação das baleias foi convocada por organizações ligadas à defesa dos cetáceos como The Whaleman Foundation, o Fórum Mundial para a Natureza (WWF) e os chilenos Centro Baleia Azul e fundação Terram.

A Comissão Internacional Baleeira
Criada em 1946 a partir da Carta da Baleia promultada pelas Nações Unidas, a CIB é composta atualmente por 76 países membros. A comissão surgiu com o objetivo de regulamentar a caça de grandes baleias, cujas populações estavam em crescente declínio no mundo. O Brasil se integrou à Comissão em 1974.

A Comissão foi criada para fortalecer a indústria baleeira, que era praticada inclusive pelo Brasil. Com a moratória da caça aprovada em 1980, prevalece um conflito no seio da instituição entre os baleeiros e os conservacionistas. (O Globo)

Fonte: Alessandro MSc. / COPERE

Software ajuda no aprendizado de crianças com dificuldade cognitiva

Um garotinho simpático e seu cachorro, numa bela paisagem, dão as boas vindas na tela do computador. Eles são Hércules e Jiló, protagonistas de um software com o mesmo nome voltado para crianças com dificuldade cognitiva. Idealizada pelos professores da Faculdade de Educação (FE) da Universidade de Brasília (UnB) Gilberto Lacerda dos Santos e Amaralina Miranda de Souza, a ferramenta surgiu dos desafios que a professora encontrava ao trabalhar com esse público.

“Lecionei para crianças com necessidades especiais por muitos anos e percebi a distância entre as propostas e as práticas reais”, explica. Segundo o senso de 2004 do Ministério da Educação (MEC), existem no Brasil quase 300 mil crianças matriculadas em escolas de ensino especial.

Simples na forma, mas elaborado no conteúdo, o software guarda uma série de recursos minuciosamente pensados para ensinar ciências a crianças que se encontram, segundo a capacidade intelectual, na 1ª e na 2ª séries. O atrativo principal são dez jogos, divididos em duas categorias. Cinco podem ser jogados no computador, e a outra metade contém atividades para serem montadas e executadas fora do computador, com coleguinhas na aula.

BRINCAR
Um dos jogos interativos consiste em identificar animais e digitar a palavra correspondente ao desenho. Amaralina explica que, nessa atividade, o estudante exerce a habilidade motora, a construção do pensamento, a comunicação e a expressão. O professor também pode aproveitar para falar das características de cada animal.

Outra opção é brincar com a memória. Enquanto na concepção original o participante deve abrir duas cartas por vez para descobrir quais são idênticas, o software deixa uma das cartas abertas para facilitar a ação do estudante. O procedimento faz parte das estratégias pedagógicas para facilitar a conquista do objetivo.

Segundo a professora, é fundamental comunicar-se com o aluno numa linguagem acessível, qualquer que seja o recurso utilizado. “Essas crianças têm uma história de insucesso muito grande, quando em situações de aprendizagem são obrigadas a dar respostas que demonstrem o acerto”, diz. “Mas, no lúdico, retiramos essa pressão para que elas aprendam naturalmente.”

CORTAR
O software também explora atividades que começam no computador e continuam no ambiente da sala. Por isso, cinco jogos envolvem manuseio de tesouras, cola e lápis de cor. Em todas é possível imprimir dobraduras ou desenhos para criar novas brincadeiras.

Um exemplo é o jogo que reproduz um cenário urbano a fim de discutir o tema dos ambientes naturais e daqueles construídos pelo homem. “Uma vez, uma criança disse que o hospital deveria ficar ao lado da escola para facilitar o acesso quando um estudante se machucasse”, conta. Quando termina o jogo, existe a opção de imprimir o desenho de casas, escolas e parquinhos para criar uma maquete da cidade ideal.

Outra possibilidade é brincar com o móbile, na qual o aluno deve “tirar” as letrinhas de um prato com uma colher virtual. A atividade permite explorar a formação de palavras, bem como o estudo das vogais ou das consoantes. Cada letra pode ser impressa, cortada e presa a um barbante, posteriormente pendurado na sala de aula com uma frase sugerida pelo professor.

Apesar de os jogos serem os maiores atrativos, as telas de apresentação e de menu também podem ser aproveitadas pelos docentes. A primeira delas revela uma bela paisagem diurna na mata. Aos poucos ela vai se transformando em noite, ajudando a explicar os conceitos de geografia e rotação da Terra. Já o cenário da apresentação mostra um parquinho e um menino negro, para desenvolver conceitos de respeito e cidadania.

FACILITAR
Todos os jogos do software vêm acompanhados de orientações pedagógicas para que os professores explorem ao máximo o programa como recurso didático. “Queríamos que o Hércules e Jiló fosse viável para o professor e para o aluno. Vários docentes nos ajudaram a desenvolver a navegabilidade”, afirma a professora.

Amaralina defende que os docentes enxerguem a tecnologia como uma aliada para a educação. “A escola não pode ignorar a tecnologia. Bem orientada, ela pode se tornar uma aliada e uma ferramenta motivadora, que ajuda a sair do modelo tradicional do quadro negro e giz.”

O software educativo Hércules e Jiló foi entregue à Secretaria de Educação Especial do MEC para ser distribuído em escolas, e acaba de ser disponibilizado na internet como software livre, resultado do trabalho dos autores e da Faculdade de Educação da UnB para atender aos pedidos de interessados pelo programa.

Outro projeto dos professores, já em andamento, é a criação da versão 2 do software, desta vez com a participação do professor Cristiano Muniz, também da FE, voltada para o ensino de matemática. “A partir de contatos com os profissionais da área, levantamos os conteúdos em que os estudantes com necessidades educacionais especiais apresentam mais dificuldades”, conta Amaralina.

Quem já usa ou quer conhecer o programa pode acessar o endereço www.tecnaeduc. blogspot.com/. A homepage funciona como fórum de discussão e troca de idéias.


PERFIL
Amaralina Miranda de Souza é doutora em Ciências da Educação pela Universidad Nacional de Educación a Distancia (Espanha), mestre em Educação Especial pela Universidade de Salamanca e graduada em Psicologia pelo Centro Universitário Brasília (UniCEUB) . Contatos A pelo telefone 61 3307 2075 (Laboratório de Informática da FE), e-mail .

Fonte: Rodrigo Dalcin/UnB

Recuperação de Matas Ciliares

O processo de recuperação de Matas Ciliares depende do grau de degradação do ambiente. Em algumas situações, técnicas simples podem ser implementadas para a recuperação, inclusive, havendo áreas em que a própria dinâmica do ecossistema é auto- suficiente para a regeneração natural. No Brasil, são raros os ambientes considerados irrediavelmente degradados ou irrecuperáveis pela dinâmica natural da vegetação. O que varia é o tempo necessário para a regeneração. Desta forma, a avaliação das causas da degradação e o grau de comprometimento do meio é crucial para o desenvolvimento da metodologia adequada para a recuperação.

Os programas de recuperação de Matas Ciliares têm dado especial atenção ao uso de espécies nativas da região na recomposição da cobertura vegetal. Dentre as vantagens de se utilizar as espécies nativas, podemos citar, a contribuição para a conservação da biodiversidade regional, protegendo, ou expandindo as fontes naturais de diversidade genética da flora em questão e da fauna a ela associada, podendo também representar importantes vantagens técnicas e econômicas devido a proximidade da fonte de propágulos, facilidade de aclimação e perpetuação das espécies.

Para a implantação de processos de recuperação de Matas Ciliares é importante avaliar as condições características do local, como: topografia, regime hídrico, tipo de solo, fertilidade natural, presença de processos erosivos, atividades antrópicas circunvizinhas, clima, presença de pragas e capacidade de regeneração natural. Assim, é possível estabelecer critérios para o preparo do solo, proteção da água,

Coleta, Beneficiamento e armazenamento das sementes.
Devido a dificuldade na obtenção das sementes, é necessário a seleção de matrizes no campo. A época de coleta dos frutos varia de acordo com a espécie e a região. A marcação de árvores matrizes auxilia na prática de coleta e permite o monitoramento da produção e da qualidade das sementes. De cada espécie deve-se eleger como matriz no mínimo 8 árvores em ambientes distintos para garantir a diversidade genética das populações. Após colhidas as sementes, faz-se o beneficiamento, que consiste em limpar e selecionar as sementes. Como as informações sobre armazenamento de sementes são poucas, sugere-se que a
semeadura seja realizada logo após o beneficiamento.

Recipientes e substratos:
As embalagens mais utilizadas hoje são os sacos plásticos e os tubetes.

Os substratos tem a função de suporte para a muda, formando torrão e retendo nutrientes e umidade. Sua formação pode variar em função do recipiente e o modo de produção da muda, mas a maioria dos compostos apresenta matéria decomposta, vermiculita, fertilizantes, terra, inóculos de fungos e bactérias (Paiva e Gomes,1993).

Viveiro
Quando a semeadura for feita em sementeira é necessário o transplantio da muda para a embalagem definitiva, a chamada repicagem. No caso da semeadura ser feita diretamente na embalagem, geralmente é colocada mais de uma semente por embalagem para evitar falhas, se mais de uma semente germina é feito o desbaste.

A adubação é feita no substrato para o desenvolvimento inicial e em cobertura para compensar novas necessidades da planta.

Preparo do solo:
As recomendações das formas de preparo do solo são definidas após visita à área, levantamento e análise das condições locais. Podendo ser: coveamento, sulcamento na linha de plantio ou área total (em nível), aração, gradagem e subsolagem na linha de plantio ou área total. A recomendação de pH do solo deve ser feita mediante calegem conforme análise de solo, sendo entre 6,0 a 6,5 ideal para o desenvolvimento da maioria das plantas. A fertilização deve ser feita para corrigir deficiências dos nutrientes.

Pragas e ervas daninhas:
Formigas cortadeiras e cupins podem causar severos danos à muda em estágio inicial, mesmo assim são disseminadoras de propágulos em condução de regeneração natural. Caso a infestação esteja em níveis elevados é crucial a intervenção com controle químico, conforme as restrições da legislação.Mesmo podendo diminuir o ritmo de crescimento da muda, as gramíneas invasoras contribuem na incorporação de matéria-orgânica, protegem o solo contra erosão, insolação e perda de umidade. Assim, recomenda-se apenas o controle mecânico, com ferramentas manuais ou grades, sendo realizados até o estabelecimento dos povoamentos.

Proteção Área:
Quando há risco de incêndio, recomenda-se a construção de aceiro e controle de gramíneas invasoras, para reduzir o material combustível.

Se a pecuária for a atividade circunvizinha, deve-se cercar a área para evitar o pisoteio das mudas, compactação do solo e formação de carreadores que favorecem a erosão. Corredores devem ser resguardados para o acesso dos animais às aguadas.

Plantio
A definição do espaçamento das mudas depende das condições da área, mais as mais utilizadas são: 1,5m X 3m, 2m X 3m e 3m X 2m (Ex.: 3m X 2m = 2m entre plantas e 3m entre linhas), plantação em nível.

Combinação de Grupos Ecológicos:
Em áreas de Preservação Permanente, a restauração dependerá de um plantio misto com o máximo de diversidade de espécies nativas possível, garantindo a recuperação da estrutura e dinâmica da floresta.

A combinação entre os grupos de espécies que fará parte da área a ser recuperada é muito importante no sentido de implementar a dinâmica de sucessão dos povoamentos. Podemos classificar as espécies em 4 tipos de grupos ecológicos, que combinadas entre si, compõem uma Mata Ciliar, sendo elas:

Pioneiras: caracterizam-se por apresentarem um crescimento muito rápido, não tolerantes a sombra, idade de reprodução prematura (1 a 5 anos), baixa dependência de polinizadores e tempo de vida muito curto, até 10 anos.

Secundárias Iniciais: possuem um crescimento rápido, intolerantes a sombra, se reproduzem a partir dos 5 anos, têm alta dependência de polinizadores e vivem entre 10 a 25 anos.

Secundárias Tardias: Seu crescimento é médio, tolerante a sombra no estágio juvenil, idade de reprodução a partir dos 10 anos, com alta dependência de polinizadores e com tempo de vida longo, cerca de 25 a 100 anos.

Climáxicas: apresentam crescimento bastante lento, são tolerantes a sombra, se reproduzem somente após os 20 anos, possuem alta dependência de polinizadores e seu tempo de vida é muito longo, aproximadamente maior que 100 anos.

Modelos de Combinação das espécies:
Modelo de Plantio ao Acaso: baseia-se no plantio sem uma ordem ou arranjo pré-determinado para as diferentes espécies no plantio, supondo que os propágulos das diferentes espécies caem, germinam e crescem ao acaso.Este modelo não dá importância às diferenças entre os grupos de espécies. Deste modo, o crescimento e desenvolvimento das plantas fica comprometido pela falta de condições adequadas de luz, demorando mais tempo para as copas se fecharem, necessitando maior tempo nos cuidados com de limpeza da vegetação invasora.

Modelo sucessional: neste modelo, as espécies são separadas em grupos ecológicos, onde as espécies iniciais da sucessão darão sombreamento adequado para as espécies dos estágios posteriores do reflorestamento. Desta forma, as espécies pioneiras dão condições de sombra mais cerrada às espécies climáxicas, enquanto as espécies secundárias iniciais fornecem sombreamento parcial às secundárias tardias.

Modelo de Plantio por Sementes: este método pode ser utilizado quando há grande disponibilidade de sementes e algum impedimento ao plantio de mudas, como dificuldade de acesso e inexistência de viveiros. É bastante utilizado em áreas montanhosas de difícil acesso e onde a intervenção no solo é bastante problemática.

Em áreas sem cobertura vegetal, inicia-se com a semeadura de espécies pioneiras e secundárias iniciais. A introdução de espécies não pioneiras (secundárias tardias e climáxicas) deverá ocorrer somente quando houver uma cobertura florestal, para evitar alta mortalidade pela falta de sombra.

Regeneração Natural: este processo depende da existência de banco de sementes ou plantânulas de espécies pioneiras e áreas com vegetação natural próximas. Estando presente o banco de sementes e uma área de fonte de sementes, não é necessário a introdução de espécies. Porém, em alguns casos, poderá ser necessária a intervenção e até mesmo a eliminação de espécies invasoras muito agressivas, que podem retardar ou impedir a sucessão natural.

Modelo com Espécies raras e comuns: em ecossistemas não perturbados, as espécies podem ser raras, intermediárias ou comuns. Em florestas tropicais a maioria é rara, sendo que 30% delas apresentam apenas 01 só indivíduo por hectare. Para a introdução de espécies raras é importante a obtenção das informações sobre a floresta primária, pois assim como as espécies comuns, as raras também devem seguir sua densidade natural.

Restauração em Ilhas: estudos mostram que pequenos fragmentos florestais podem atrair a fauna dispersora de sementes, contribuindo para acelerar a sucessão ao seu redor. Desta forma, a implantação de “ilhas”, ou seja, o plantio em áreas restritas, é uma maneira de baratear as atividades de restauração.

Métodos para implantação de ilhas:
Plantio de espécies pioneiras e não pioneiras em ilhas. Tem menor custo, porém a expansão da ilha será mais lenta na ocupação das áreas não plantadas.Plantio de espécies não pioneiras em ilhas e pioneiras em área total. Com um custo um pouco mais elevado, apresenta uma expansão mais rápida nas ilhas.

Distribuição de Plantio:
A forma como as espécies selecionadas vão ficar posicionadas, uma em relação a outra, pode ser aleatória ou seguir critérios baseados em estudos florísticos e fitossociológicos, em ambos os casos é fundamental avaliar as condições climáticas e biológicas que interferrem diretamente com o crescimento e desenvolvimento das plantas. Têm se observado as seguintes formas de distribuição: Distribuição aleatória, em blocos homogêneos ou mistos, em quincôncio ou ainda em linhas.

Manutenção
Somente a manutenção e proteção das matas, após o início da fase de
recuperação, darão condições para que a natureza se encarregue de dar
continuidade ao processo. Por ser onerosa, a manutenção deverá ser feita apenas quando realmente for necessário, resumindo-se a capinas, controle de formigas cortadeiras, adubação em cobertura, reparo de cercas e reforma em aceiros.

OLIVEIRA-FILHO, A. T.. Estudos ecológicos da vegetação como subsídios para programas de revegetação com espécies nativas: uma proposta metodológica.
Lavras – MG, Rev. Cerne 1994, 1(1): 64 a 72.

SEITZ, R. A.. A regeneração natural na recuperação de áreas degradadas. II Simpósio Nacional de Áreas Degradadas. Curitiba-PR, 1994 painel 2/103 a 110.

Marcus Cazarré - Consultor e pesquisador – Com. Ind. Uniquímica e Maria Helena Sierpinski

Fonte: Marcus Cazarré e Maria Helena Sierpinski / EcoDebate