quarta-feira, 18 de junho de 2008

Crescimento abre espaço para mais P&D, afirma economista

Crescimento abre espaço para mais P&D, diz Pacheco, da Unicamp; para ele, maior destaque da PDP é estímulo a grandes grupos

Na última entrevista da série que discutiu com economistas o papel da pesquisa e desenvolvimento no crescimento brasileiro, Carlos Américo Pacheco, professor do Instituto de Economia da Unicamp, fala a Inovação. Engenheiro eletrônico e doutor em economia, Pacheco foi nomeado secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em 1999, quando o titular da pasta era Luis Carlos Bresser Pereira, logo substituído por Ronaldo Sardenberg. Na passagem pelo MCT, idealizou e implantou os fundos setoriais, hoje o principal recurso para financiar pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil. Também coordenou a elaboração do programa de governo para o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Até janeiro de 2008, Pacheco foi secretário adjunto de Desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Pacheco considera "muito positiva" a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada pelo governo dia 12 de maio último. Na PDP, indica a indução a uma mudança patrimonial no setor privado como muito importante e pouco destacada. Como os outros especialistas já ouvidos, ele observa que a inovação não foi um componente central na recente fase de crescimento econômico no Brasil. Destaca como positivos — ao contrário, por exemplo, do economista Naercio Menezes — o esforço do governo brasileiro em criar grandes grupos nacionais e a inserção de novas camadas sociais no consumo como forma de fortalecer o mercado interno e atrair mais investimentos. No entendimento do professor Pacheco, inovação permanece como estratégia para mantermos esse percurso. Leia a entrevista, concedida a Janaína Simões dia 28 de maio, no Instituto de Economia da Unicamp.

Que papel a inovação teve nesse recente crescimento da economia brasileira?
Não teve papel central. O grande motor do crescimento recente foi o consumo doméstico, ao lado do aumento do preço das commodities e dos produtos agrícolas. Em um primeiro momento, o motivo do crescimento do consumo foi a melhoria da renda, sobretudo dos segmentos de menor renda, combinada com efeitos de programas de distribuição de renda. Tivemos ainda a explosão do crédito. Há um componente muito positivo nesse ciclo: o aumento da formação bruta de capital fixo de investimento. Isso também contribuiu para o crescimento. O ciclo, contudo, não se caracteriza por grande intensidade tecnológica, por ruptura tecnológica ou maior inovação. Ele reproduz a estrutura industrial que o Brasil tem. Contudo, há uma coisa muito importante para a inovação: sem crescimento, a inovação não vai aumentar. Tivemos uma recuperação do investimento agregado [o gasto em bens que foram produzidos, mas não consumidos em um período, e que aumentam a capacidade produtiva da economia para os períodos seguintes. Nota do E.], o que abre uma oportunidade para melhora em inovação, em pesquisa e desenvolvimento e na produtividade do setor industrial. Só vamos aumentar os gastos em P&D, ou a taxa de inovação, ou o esforço tecnológico do setor privado, em contexto de criação de investimento. A recuperação do investimento abre uma oportunidade grande de acoplar estratégias de maior densidade tecnológica.

Observamos a inserção de camadas da sociedade que não tinham acesso a determinados bens pela conquista de poder aquisitivo e obtenção de crédito... Esse público demanda inovação?
As estratégias empresariais variam de acordo com os mercados. Várias empresas no período recente têm reforçado sua estratégia para penetrar nesse mercado. Isso foi visível, por exemplo, na indústria de cosméticos, que lançou linhas de produtos diferenciais para essa clientela. Essa indústria soube explorar muito bem isso. A indústria farmacêutica também. Começam a surgir os primeiros fitoterápicos, cujos preços são menores. A indústria, como um todo, tem de se adaptar a uma estrutura de mercado que é diferente do que existia... Quem sabe explorar essa estrutura, inovando no negócio ou por meio de pesquisa, consegue se beneficiar dela. Toda mudança muito rápida na estrutura de demanda obriga as empresas a uma adaptação. Não é algo intensivo em tecnologia, mas obriga as empresas a adaptar seus produtos. Em alguns segmentos, essa inserção de novos consumidores implicou um esforço razoável de criação de produtos novos.

Mas tivemos atividades de P&D na inovação para esses novos consumidores?
Sim, para lançamento de produtos novos.

Qual será o papel da inovação para o crescimento, no cenário atual? Ela vai contribuir, ou vem a reboque?
Ela vem a reboque. As empresas estão permanentemente desafiadas a inovar pela sua concorrência nos diversos mercados, por estar se expondo ao mercado internacional de forma crescente. Nós continuamos com taxas de crescimento de exportações altas, de 20% ao ano. Mas o grande componente que pode fazer, de fato, o gasto em P&D e as atividades de inovação nas empresas mudarem de patamar é a recuperação do investimento agregado. Um gasto maior em lançamento de produtos novos, um esforço de pesquisa pesado dentro das empresas dependem de haver perspectivas de aumento de demanda e das decisões por novos investimentos. Quanto mais fortes forem as estratégias de crescimento, de internacionalização das empresas, mais intensivos serão os esforços em pesquisa, em inovação. Podemos ter mais sucesso nisso se houver uma sinalização, pela política, de que inovação é relevante, como vem ocorrendo.

Os empresários no Brasil têm essa percepção, de fato, da importância de inovar? Os patamares de investimento em P&D em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, continuam na mesma faixa, tendo a maior participação do governo...
É, esse indicador continua bastante estável, não teve nenhuma mudança de patamar. A segunda Pintec [Pesquisa de Inovação Tecnológica, realizada pelo Instituto Brasileiro d eGeografia e Estatística (IBGE) para medir a taxa de inovação das empresas no Brasil. Nota do E.] pegou 2003, um ano muito ruim, de recessão. Mas a terceira Pintec, não. Se examinarmos o gasto em P&D na Pintec, veremos que ele cai da primeira para a segunda e sobe um pouquinho da segunda para a terceira, sem chegar ao patamar de 2002... Apesar disso, não sou pessimista. Examinei os dados da renúncia fiscal nova [o primeiro relatório do MCT sobre o uso pelas empresas dos incentivos fiscais para inovação da Lei 11.196/2005, no ano base 2006. Nota do E.], que tem um volume expressivo de empresas grandes, como era esperado, usufruindo os benefícios. Não significa que as empresas tenham ampliado seu dispêndio, elas simplesmente estão usando os benefícios para coisas que já estavam realizando, mas não tenho dúvida de que isso induzirá algum aumento do gasto. Também há uma sinalização nas linhas de apoio do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] a P&D, e no programa subvenção... As empresas, sobretudo as grandes, captam esses sinais do governo, das agências, do banco, e internalizam essas estratégias quando vão tomar decisões de investimento. Para coisas "mais pesadas" do ponto de vista empresarial, acho que os programas setoriais da política industrial serão mais importantes. Por exemplo, no programa para o setor automotivo há uma sinalização do governo de que ele quer um programa pesado de engenharia automotiva. A sinalização do governo é importante porque as empresas podem adotar estratégias mais agressivas. Com essa sinalização, o tema inovação vai estar na agenda empresarial.

Os fundos setoriais cumpriram o papel que o senhor imaginou para eles quando os formulou?
Considero que cumpriram parcialmente o papel. Foram um instrumento importante para mobilizar recursos. Há sempre a promessa do descontingenciamento dos fundos; havia um calendário negociado, pode haver outro. Não vejo isso como uma grande questão. Havendo um calendário de aporte crescente de recursos, já está razoável. Os recursos estão acima do que imaginávamos quando criamos os fundos. A grande novidade é o aumento da subvenção, a partir da MP do Bem. As pessoas não perceberam que, em 2003, já havia um instrumento legal pronto que permitia fazer subvenção, a Lei 10.332 [lei de 2001, permitia subvenção para empresas que tivessem projetos nos Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI) e Agropecuário (PDTA). Nota do E.]. Depois, o governo elaborou a Lei do Bem [Lei 11.196, de 2005, que concede incentivos fiscais para P&D&I. Nota do E.], que é melhor do que a Lei 10.332, e a partir dali houve uma pressão forte para que se aumentasse a atividade de subvenção. Os fundos cumprem seu papel porque passam a fomentar diretamente a inovação nas empresas, com a subvenção. Contudo, foram pensados para ter uma governança distinta, um planejamento estratégico de médio e longo prazo. Esse tipo de governança e o papel do CGEE [Centro de Gestão e Estudos Estratégicos] na elaboração de estudos que subsidiassem as decisões diluíram-se muito, perdeu-se um pouco a importância dos comitês gestores como uma opinião externa ao governo sobre o que fazer, do ponto de vista estratégico. Não acho que as ações transversais tenham representado ganho do ponto de vista da gestão desses instrumentos. Dão flexibilidade enorme para o governo na alocação de recursos, foram criadas como justificativa de ser um instrumento da política industrial, mas não há uma avaliação, que eu conheça, sobre como esses recursos contribuíram para a política industrial.

Qual é sua avaliação da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) e da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP)?
A PITCE era muito generosa, interessante, com ênfase muito grande em inovação, mas com poucos mecanismos concretos de implementação. Havia pouca governança, pouca coordenação das ações de governo. Tenho impressão de que uma avaliação mais exaustiva da PITCE vai mostrar que os efeitos foram pequenos, pontuais, localizados. A PDP começa melhor, tem melhor envergadura, maior materialidade, tem preocupação grande com coordenação de governo, metas a cumprir, o que é relevante. Começa com uma engenharia institucional melhor, até por conta do peso do capital do BNDES, que tende a empurrar isso. Tenho boas expectativas com relação ao desempenho dela nesse início. Considero as três metas muito importantes: aumento das exportações, inclusive das pequenas empresas; aumento do investimento, da formação de capital fixo; e aumento no gasto de P&D do setor privado. A meta em P&D será muito difícil de ser cumprida: elevar em 30% o dispêndio privado em P&D em três anos. Só será cumprida se houver recuperação do investimento agregado. Mas a meta é muito saudável e deveria receber atenção grande. O ideal seria monitorar o esforço privado de P&D de três em três ou de seis em seis meses. Traçar uma meta em P&D é mais correto, é um indicador melhor do que patente, por causa do perfil da estrutura industrial brasileira. Temos muitas empresas em setores que não são intensivos em patente; nossa questão aqui é mais engenharia, P&D, e não obrigatoriamente patente. Não temos setores de eletrônica e fármacos fortes, e são esses os setores mais intensivos em patente.

Há desindustrialização no País?
Não. Temos passado por uma reestruturação forte do tecido industrial e ela vai continuar. Essa reestruturação tem a ver com a mudança de preços relativos. A valorização do câmbio alterou muito os custos industriais de produção. Um câmbio muito valorizado, de forma muito duradoura, pode reduzir a complexidade do tecido industrial. Temos vários setores em que há uma forte tendência de colocar as linhas de produção na Ásia ou aumentar o conteúdo asiático importado de manufatura. Ao mesmo tempo, há aumento na taxa de formação bruta de capital fixo, uma quebra de recorde na produção de manufaturas, de bens duráveis, bens de capital etc. Há duas coisas ocorrendo simultaneamente, mas não creio que possamos falar em desindustrialização do Brasil como um todo. Pode-se afirmar que há vários setores com dificuldade para competir com produtos importados ou que têm deslocado linhas de produção para o exterior. Isso é visível em calçados, pode ocorrer no setor têxtil, em manufaturado leve. Esse cenário não deve ser descrito com uma palavra tão pesada como desindustrialização.

Esses consumidores mais pobres, que chegam agora ao mercado, estimulam ou desestimulam a inovação?
O consumo tem crescido em todos os estratos de renda no Brasil. A constituição de um mercado de consumo forte no Brasil não é um problema, pelo contrário. O Brasil será tão relevante em escala internacional e para decisões de investimento quanto mais forte for o mercado doméstico. A idéia de que a entrada dessa nova classe consumidora representa um produto de menor qualidade, menos sofisticado, não é correta. Por exemplo, tivemos um grande boom com o carro popular, que não tem tanta eletrônica embarcada, mas desenvolveu-se o sistema flex para esse carro popular. Esse consumidor que está entrando no mercado compra produtos mais sofisticados também. O Brasil será o sexto maior produtor de automóveis do mundo. Isso é muito relevante. Não podemos falar em desindustrialização em um país que é sexto maior produtor de automóveis. E essas decisões de investimento são reforçadas pelo contexto de ampliação do mercado doméstico. Essa ampliação sinaliza para o mundo o peso da economia brasileira no mercado de consumo. O que não podemos fazer é deixar de nos preocupar com o mundo. A preocupação com o mercado externo é algo que as políticas industriais recentes têm de positivo. Uma estratégia voltada só para o atendimento do mercado doméstico seria muito pouco bem-sucedida porque a exportação cria desafios competitivos importantes para as empresas e leva a um esforço para o aumento da produtividade.

O fato de sermos um grande produtor de commodities é um problema para o desenvolvimento?
Não. Canadá e Austrália são bons exemplos de países competitivos que desenvolveram estratégias de política industrial em torno de commodities. A Finlândia construiu toda uma estrutura industrial escalando a indústria florestal. Ser competitivo em commodities abre uma enorme oportunidade para o Brasil em vários setores. Se seremos capazes ou não de escalar a cadeia de valor em torno dessa competitividade que já temos em recursos naturais, é outra questão.

A nossa política de inovação é adequada para aumentar esses nossos diferenciais?
Ela é frágil do ponto de vista da articulação com as estratégias empresariais. A maior novidade [da PDP] é trazer o fortalecimento de grupos nacionais nas metas e na ação recente do BNDES. Há uma mudança patrimonial importante que vai ocorrer em telecomunicações, que ocorreu na petroquímica, com a intervenção do BNDES e da Petrobras na reestruturação do setor. Essa mudança talvez venha a acontecer em siderurgia, em papel e celulose, no setor farmacêutico, em carnes com a consolidação, com fusões, aquisições e internacionalização de alguns grupos com apoio do BNDES. Esse cenário terá forte impacto na medida em que conseguir atrelar a política pública às estratégias de consolidação e internacionalização desses grandes grupos. Consolidar esses grupos como grandes players e marcas internacionais nos obriga a ter estratégias mais agressivas de inovação e P&D. A reestruturação patrimonial é um lado implícito, mas pouco comentado da política industrial. Essa estratégia não é a convencional, de simplesmente ofertar crédito do BNDES; envolve uma engenharia financeira diferente. É algo extremamente importante da política industrial porque muda o perfil dos grandes grupos brasileiros, dá escala para competir, permite a internacionalização, e isso tem um impacto enorme nas estratégias. Seremos bem-sucedidos em inovação se essas estratégias forem absorvidas pelas lideranças do setor privado e forem essenciais ao posicionamento das empresas no mercado mundial. Há alguns anos, disse que a PITCE tinha um excesso de inovação, no sentido de que faltava política industrial convencional. A inovação não vai para frente se não há investimento, não há grandes grupos, não há estrutura patrimonial adequada, internacionalização das empresas. Há sucesso quando se coloca a inovação nesse contexto de uma política industrial mais pesada.

Há quem critique esse esforço do governo em formar grandes grupos nacionais...
Para fazer política industrial e tecnológica é preciso ter uma forte articulação entre Estado e setor privado. Em qualquer lugar é assim. No plano conceitual, entende-se que a melhor política industrial é aquela que une o que há de mais eficiente no setor privado e no governo. Mas é evidente que é preciso fazer esse casamento com algum grau de transparência, para não criar suspeição sobre privilégios. Não vejo por que o Estado não pode ser indutor.

Qual é, então, seu balanço geral da PDP?
Muito positivo.

E a institucionalidade, a articulação?
A entrada do BNDES e o papel que cabe à ABDI [Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial] no novo desenho, de monitorar a implantação da política, colocaram em outro patamar a questão da articulação. É preciso haver um instrumental para isso na área de P&D. A Pintec é correta, precisa ser continuada, mas só permite avaliar de tempos em tempos. Precisamos criar mecanismos para gerenciar isso em um prazo mais curto. Vejo com bons olhos e acho que os dilemas de coordenação, para o que é possível se fazer neste momento, estão razoavelmente encaminhados, com o papel diferenciado do banco e o da ABDI de monitorar a implantação da PDP.

Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp

Genomic desenvolve software que aplica fórmula matemática ao cálculo dos testes de DNA

Genomic Engenharia Molecular - Software aplica fórmula matemática ao cálculo dos testes de DNA; resultados saem em cinco minutos e os custos são 8.000% menores

A Genomic Engenharia Molecular, uma das pioneiras em exames de DNA no Brasil, desenvolveu um software próprio que dá mais precisão ao resultado na determinação da paternidade. O produto baseia-se na tese de doutorado do engenheiro Fábio Nakano, defendida no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP), e propõe novos modelos de cálculos para os testes. Até então, as contas complexas eram feitas manualmente.

O projeto foi financiado pelo programa Pesquisa Inovativa na Pequena e Micro Empresa (PIPE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e aperfeiçoou o software para colocá-lo à disposição dos interessados em resolver os cálculos na Internet. Para que isso fosse possível, a Lampada Global Services foi contratada. "Criamos o portal GenomiCalc, com interface para a Internet, a parte de e-commerce e a integração com o software de cálculos", explica o diretor da Lampada, David O'Keefe.

Hoje, o serviço pela Internet é vendido pela Genomic. "Cobramos uma assinatura mensal, cujo valor varia de acordo com o número de cálculos que o cliente quer fazer", explica Martin Whittle, médico e fundador da empresa. "Também é possível pagar por cálculos avulsos, para um exame. Nesse caso, cada teste custa R$ 5." A redução no preço é enorme: até a criação do software, o cálculo manual era feito por R$ 400. O tempo de resolução também diminuiu muito, de uma manhã inteira para cinco minutos, incluindo-se a preparação e inserção dos dados no sistema.

"Fazemos os cálculos até quando não é possível coletar material do suposto pai", diz Nakano. "A análise é feita com o material genético de outro parente próximo (os irmãos ou o pai do suposto pai, por exemplo). O programa também pode servir para casos em que há outros vínculos discutíveis, como na hipótese de um dos irmãos do suposto pai não ser legítimo, ou se houver casamento entre primos (consangüinidade). O modelo utiliza melhor todos os dados disponíveis, o que gera rapidamente resultados precisos."
Caminho das pedras, até o DNA

Martin Whittle explica que o DNA é uma molécula que está presente nos cromossomos, no núcleo das células de qualquer ser vivo. Cada pessoa tem 46 deles (23 pares), metade recebida do pai e metade da mãe. Eles contêm as informações genéticas, a maioria em forma de genes, onde estão inscritas todas as características fundamentais de plantas, animais, bactérias ou gente. A maioria dessas informações é idêntica para todos os indivíduos de uma determinada espécie, e é por isso que todas as pessoas têm dez dedos, dois braços, a forma do corpo comum e todas as demais peculiaridades que nos distinguem de outras espécies.

Mas há, no entanto, outras características genéticas que são semelhantes, mas não idênticas. Ainda usando o exemplo do ser humano, entre essas características estão a cor dos olhos, dos cabelos, a altura ou a propensão para determinadas doenças, que variam de pessoa a pessoa, com exceção dos gêmeos univitelinos ou idênticos, que possuem as mesmas informações genéticas. "Essas variações na população chamam-se polimorfismos", explica Whittle. "É por meio da análise deles que se torna possível determinar as relações de vínculo genético entre duas pessoas. Como metade das informações genéticas de qualquer indivíduo veio de seu pai biológico e metade da mãe, a comparação entre as informações dos três permite afirmar com certeza se existe ou não o vínculo genético."

Ele diz que essas informações estão dispostas linearmente, lado a lado, ao longo dos cromossomos, em lócus. Cada lócus tem uma cópia de informações do pai e uma da mãe, denominada alelo. O teste de paternidade consiste na análise de alguns lócus selecionados. "O kit comercial que existe no mercado, usado por outros laboratórios, verifica de 12 a 15 lócus. Nós desenvolvemos nosso próprio kit e analisamos de 17 a 19, aumentando a confiabilidade do resultado", garante Whittle.

Normalmente, o teste de paternidade é feito retirando-se o DNA das células presentes nas amostras de sangue dos supostos pai e filho. Mas também podem ser feito a partir de qualquer outro material biológico deles, como saliva ou um fio de cabelo. Algumas gotas de sangue são depositadas em um papel absorvente especial, que faz parte do kit paternidade. Depois, é extraído o DNA, no qual são analisados os lócus pré-determinados. Para isso, é preciso amplificá-los com a técnica chamada polymerase chain reaction (PCR) ou reação em cadeia de polimerase.

Em seguida, de cada lócus são isoladas as duas metades (alelos). "Para a identificação de paternidade, o ponto de partida são os alelos presentes no filho", diz o médico. "Baseando-se na premissa de que a mãe indicada é de fato mãe biológica do filho, um dos alelos de cada par deste último precisa, necessariamente, coincidir com os dela. Quanto aos outros alelos, eles devem coincidir com os do pai. Se isso não ocorrer, a paternidade é, então, excluída, com certeza de 100%."

"A outra possibilidade é que em todos os lócus estudados, os alelos presentes no filho e não provenientes da mãe sejam encontrados no suposto pai. Isso leva à conclusão de que o suposto pai é, de fato, o pai biológico do examinado. Como a Genomic realiza a análise sobre lócus altamente polimórficos, o grau de certeza, quando o exame se faz no trio suposto pai/mãe/filho, é superior a 99,99%."

Esses casos, quando mãe, filho e suposto pai são vivos e fornecem o material para o exame, são os mais fáceis de resolver. Mas isso nem sempre ocorre. São comuns as situações em que o suposto pai já morreu. Nesses casos, há duas alternativas para determinar a paternidade. A primeira é tentar extrair o DNA da ossada, o que é caro e pode fracassar, por causa da má qualidade do DNA, já exposto ao ambiente. A outra solução é compor características genéticas do falecido por meio de material colhido de parentes próximos, como filhos biológicos reconhecidos ou registrados, pais ou irmãos. "Os resultados dessa perícia dependem do sucesso na reconstituição dos genótipos da pessoa morta", avalia Whittle. "O grau de confiança do resultado dependerá do número de indivíduos analisados, dos vínculos genéticos que mantêm entre si e em relação à pessoa falecida, e da quantidade de lócus analisados."

Solução do crime
Todos os meses, pelo menos 600 pessoas saem do prédio da Genomic, na Rua Itapeva, bairro da Bela Vista, São Paulo, com dúvidas dirimidas sobre seus pais biológicos. A empresa, criada em 1991, ocupa 460 metros quadrados em dois andares, tem cinco laboratórios, 17 funcionários e também realiza análises de DNA que podem servir para solucionar casos policiais ou detectar precocemente a propensão ao desenvolvimento de doenças geneticamente transmitidas. Em 2007, a Genomic faturou R$ 2,1 milhões.

Em seus laboratórios foram identificadas algumas das ossadas de ativistas políticos desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985), encontradas, em 1990, numa vala clandestina do cemitério Dom Bosco, em Perus, Zona Norte de São Paulo. Uma delas era de Flávio de Carvalho Molina, militante do Movimento de Libertação Popular (Molipo), morto em 1971 aos 24 anos. A empresa também atestou ser Pelé o pai de Sandra Regina Machado, como ela alegava. Esse caso trouxe notoriedade à empresa e deu início a seu crescimento.

Além desses, a Genomic apurou casos de dúvida sobre paternidade envolvendo Paulo Maluf, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, e o tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna. Em ambos os casos, os testes provaram que eles não eram pais das alegadas filhas. A empresa também comprovou que um pedaço de orelha enviado à família de Zezé di Camargo e Luciano era mesmo do irmão deles, Wellington Carvalho, que estava em poder de seqüestradores.

História viva
Do DNA, pouca gente ainda não ouviu falar. Notícias sobre seu uso para resolver pendengas familiares, em investigações de crimes ou previsão de doenças estão quase todo dia nos jornais ou no rádio e na televisão. A história sobre o conhecimento científico que o homem tem dessa molécula é mais antiga, no entanto. Ela começou com o monge austríaco Gregor Mendel (1822-1884), cujas pesquisas sobre hereditariedade ficaram esquecidas por 35 anos, até serem redescobertas, em 1900.

Antes disso, em 1869, o bioquímico suíço Friedrich Mieschner descobriu várias substâncias no núcleo celular, que classificou como proteínas e moléculas ácidas. Daí surgiu a expressão ácidos nucléicos, que levou à sigla DNA (ácido desoxirribonucléico). Outro avanço significativo ocorreu em 1944, quando o bacteriologista inglês Oswald Averry demonstrou que era mesmo o DNA o responsável pela transmissão dos caracteres hereditários.

Seis anos depois, em 1950, o bioquímico austríaco Erwin Chargaff descreveu a composição química dos ácidos nucléicos e determinou as proporções das bases do DNA. Em 28 de fevereiro de 1953, finalmente, o inglês Francis Crick e o americano James Dewey Watson descobriram a estrutura da molécula de DNA, o que lhes rendeu o Prêmio Nobel de 1962, juntamente com o britânico nascido na Nova Zelândia Maurice Wilkins, que teve papel importante na descoberta — uma pesquisadora de seu laboratório, Rosalind Franklin, fez as imagens de difração de raios X que foram a principal evidência para a comprovação da estrutura em hélice. O artigo que deu a notícia da descoberta foi publicado em 25 de abril de 1953 na revista inglesa Nature, em um texto de 900 palavras, acompanhado de um esboço simples da famosa dupla hélice.

Em 1991, o estudo do DNA fazia parte da área de pesquisa do médico Martin Whittle e do biólogo Fernando Reinach. Junto com mais dois sócios administradores, eles resolveram criar uma empresa para realizar exames de paternidade por meio do DNA. Nascia a Genomic, no mesmo prédio onde se encontra hoje. "Mas na época a gente ocupava apenas um quarto da área atual", lembra Whittle, que, na ocasião da abertura da empresa, era orientando de doutorado de Reinach. "Desde então, a emprese cresceu e se modernizou. Também mudou o quadro de sócios. Dos quatro fundadores, apenas eu continuo na empresa", lembra.

Fonte: Evanildo da Silveira / Inovação Unicamp

A mouse to human search for plasma proteome changes associated with pancreatic tumor development

Diagnóstico molecular
Com participação brasileira, um grupo de pesquisadores identificou, nos Estados Unidos, uma série de proteínas ligadas ao desenvolvimento precoce de câncer do pâncreas.

De acordo com o estudo, feito em camundongos, as proteínas identificadas como biomarcadores também estão associadas à presença da doença em humanos em seu estágio pré-sintomático – o que representa um passo importante para o desenvolvimento de um teste que permita a detecção precoce da doença por meio de exame de sangue.

O estudo, publicado na semana passada na revista de acesso aberto PloS Medicine, teve como autor principal o brasileiro Vitor Faça, pós-doutorando no Centro Fred Hutchinson de Pesquisa do Câncer, em Seattle, nos Estados Unidos.

O pesquisador, formado pelo Centro de Química de Proteínas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da Universidade de São Paulo (USP), foi orientado por Samir Hanash, diretor do Programa de Diagnóstico Molecular do centro norte-americano.

Colaboraram também pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, da Universidade de Michigan, do Instituto Belfer para Ciência Inovativa do Câncer e do Instituto do Câncer, todos nos Estados Unidos.

Segundo Faça, a fim de encontrar biomarcadores para o câncer pancreático, o grupo estudou o proteoma do plasma sangüíneo – isto é, o conjunto de proteínas na parte fluida do sangue – de camundongos geneticamente alterados para desenvolver um câncer semelhante aos tumores pancreáticos humanos.

“Utilizamos as técnicas de espectrometria de massa de alta resolução e de marcação isotópica do plasma por acrilamida. Com isso, identificamos proteínas que estavam presentes em níveis elevados no plasma coletado dos animais com câncer pancreático em estágio inicial”, disse Faça à Agência FAPESP.

A abordagem proteômica para a identificação de biomarcadores tem sido o foco principal dos estudos do grupo. Em abril, Faça, Hanash e outra pós-doutoranda do grupo, Sharon Pitteri, publicaram na revista Nature o artigo “Vasculhando o proteoma do plasma em busca de biomarcadores para o câncer”.

Depois de realizar o fracionamento do plasma dos animais, os cientistas identificaram mais de 1.500 proteínas. Mas, de acordo com Faça, a maior parte delas correspondia apenas a proteínas inflamatórias. “Por diversos critérios, chegamos ao número de 45 proteínas que consideramos de fato relevantes para o câncer pancreático”, disse.

Dentro da lista de proteínas quantificadas no modelo animal, os pesquisadores selecionaram nove que tinham potencial para subseqüente validação por Elisa (Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay) – um teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos ou antígenos específicos no plasma.

Para testar se as alterações nas proteínas também seriam relevantes para o câncer pancreático humano, os pesquisadores analisaram inicialmente amostras coletadas em pacientes com a doença recém-diagnosticada.

Segundo Faça, as proteínas estavam em concentrações mais altas nessas amostras que nas daquelas colhidas entre pacientes com pancreatite crônica – uma doença benigna com sintomas semelhantes ao câncer pancreático.

“Uma limitação do marcador CA19.9, hoje utilizado para detectar o tumor em estágio inicial, é que ele não é capaz de diferenciar o câncer da pancreatite”, explicou.

Depois disso, segundo o cientista, veio a parte-chave para validação da pesquisa. “Analisamos amostras de um estudo de prevenção de câncer realizado com 18 mil pessoas nos Estados Unidos. Com isso, tivemos acesso a 26 amostras que haviam sido coletadas de pacientes que ainda não haviam sido diagnosticados, mas que depois desenvolveram o câncer”, declarou Faça.

Técnicas e desafios
Os diferentes passos do estudo, associados ao conjunto de métodos utilizados, segundo o pesquisador, tiveram como resultado a importante descoberta dos biomarcadores.

“Um dos pontos mais importantes desse estudo, do meu ponto de vista, foi o desenvolvimento do processo como um todo, com aplicação das novas técnicas que tínhamos à disposição, como a espectrometria de massa de alta resolução, que possibilita uma análise mais refinada do proteoma”, disse o pesquisador.

O método de quantificação de plasma utilizando isótopos de acrilamida, de acordo com Faça, também é recente. E foi extremamente útil para o estudo, já que o plasma, devido à variabilidade de concentração de proteínas, é considerado uma das amostras mais complexas para a sinalização proteômica.

“O plasma tem dez ordens diferentes de magnitudes de concentração de proteínas. Tivemos que desenvolver um método para transformá-lo e simplificá-lo. Uma proteína marcadora de um tipo específico de câncer tem baixíssima presença no plasma, no nível de poucos nanogramas por mililitro”, afirmou.

O grande trunfo da equipe, segundo o cientista, foi o uso de modelos animais. “Os camundongos podem ter o crescimento controlado com precisão, eliminando variáveis que se refletem diretamente no plasma”, disse.

Os próximos passos da pesquisa incluirão a validação de mais candidatos a biomarcadores. “Evidentemente, é preciso destacar que nossos estudos até agora são preliminares. Para desenvolver o teste será preciso ainda fazer grandes estudos clínicos com milhares de pessoas”, afirmou.

O artigo A mouse to human search for plasma proteome changes associated with pancreatic tumor development, de Vitor Faça, Samir Hanash e outros, pode ser lido livremente na PLoS Medicine em medicine.plosjournals.org.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Barco brasileiro movido à energia solar compete na Europa no Frisian Solar Challenge


O Pólo Náutico da UFRJ embarca em um desafio de logística, sustentabilidade e eficiência energética na Europa. A equipe multidisciplinar, intitulada “Copacabana”, se empenhou na construção do barco batizado com o mesmo nome, inteiramente movido à energia solar. Ele irá competir na segunda edição da Frisian Solar Challenge: uma corrida aquática em prol da alternativa energética limpa, que acontece de 23 a 28 de junho em Leeuwarden, nos Países Baixos (popularmente chamado de Holanda).

Os 11 integrantes da equipe brasileira – primeira da América Latina a participar da regata e a única não-européia inscrita – já estão no país dos moinhos de vento, preparando os últimos detalhes para a competição. Em sua totalidade, o projeto contou com a participação de funcionários, professores e alunos das Engenharias Naval, Elétrica e Eletrônica, além da Educação Física, Nutrição, Meteorologia e Desenho Industrial.

A idéia de fazer parte da competição foi incentivada pelo engenheiro naval e doutorando da UFRJ Ronaldo Migueis, sendo definitivamente aceita por Fernando Amorim, professor da Engenharia Naval e coordenador do Pólo Náutico. O objetivo é ganhar experiência para a construção de futuras embarcações destinadas ao transporte de passageiros em Macaé, assim como outras que serão utilizadas na coleta de lixo na Baía de Guanabara – todas feitas com base no uso da luz solar.

“Não é apenas diversão, não vamos para a Europa para passear”, observa Murilo de Almeida, estudante de Desenho Industrial e membro da equipe. Segundo ele, toda a tecnologia desenvolvida na construção do Copacabana será aplicada em projetos da própria universidade, como os citados acima e os desenvolvidos pelo Laboratório de Fontes Alternativas de Energia da UFRJ (Lafae).

No projeto, realizado em parceria com a prefeitura de Macaé, estima-se que, com os barcos alimentados pela luz solar, será possível reduzir para 10 minutos a duração do percurso daqueles que precisam cruzar o rio Macaé. Atualmente, as pessoas que fazem o trajeto demoram 40 minutos de ônibus, cujo combustível é poluente. “A produção é cara, mas se não pesquisarmos, nunca vamos conseguir baratear o uso de energia solar. Nesse sentido, o Copacabana é um investimento em pesquisa”, acrescenta Murilo, sobre a alternativa energética limpa.

O fato de a UFRJ ter sido a única a se inscrever na competição, em novembro do ano passado, não causou espanto em Fernando Amorim. “Em geral, nos países do Hemisfério Sul, as indústrias navais sofreram drásticas retrações com a entrada do neoliberalismo. O Brasil manteve o funcionamento do setor náutico, embora este seja bastante reduzido; a UFRJ é a instituição que mais desenvolveu pesquisas nessa área”, informou.

O processo de seleção foi dividido em cinco etapas: desenho do barco, geometria e estabilidade, estrutura, circuitos elétricos, revisão, e a última, onde foram feitas as últimas alterações. “Nosso projeto está entre os dez primeiros, e estamos confiantes, mas sabemos que se trata de uma primeira competição, e não esperamos ser os primeiros”, declarou Fernando Amorim.

Enquanto na Europa a indústria naval está desenvolvida, no Brasil seu crescimento ainda é lento. Embora a aquisição desse meio de transporte seja relativamente cara, sua alternativa pode representar uma solução de baixo custo, em longo prazo, visto que a manutenção não exige grandes dispêndios financeiros.

O objetivo dessas competições é popularizar a opção pelas energias renováveis e incentivar o uso e desenvolvimento de tecnologias de utilização e geração, visto que costumam ser sazonais ou periódicas, estando disponíveis apenas em determinadas épocas.

O Copacabana
O barco terminou de ser construído na última quinta-feira, 12 de junho, após quase dois meses. Com um orçamento apertado e muita criatividade na solução dos problemas, a equipe trabalhou sem parar durante todos os fins de semana e feriados. O Copacabana tem 6 metros de comprimento e um metro e meio de largura: seu cockpit, local onde fica o piloto e demais equipamentos usados na navegação, foi projetado sob medida para Rafael Coelho, engenheiro naval, experiente em competições à vela, que irá conduzir o barco.

A denominação “Copacabana” surgiu a partir de uma matéria publicada na Europa, caracterizando a participação do Brasil como exótica. Fernando Amorim explica: “O nome é símbolo desse exotismo por ser um local reconhecido internacionalmente e, ainda, uma forma de respondermos à brincadeira que fizeram com a gente”.

As aventuras de Rafael pelas águas não foram o único critério da escolha para estar no comando do barco: neste caso, tamanho é documento, pois a posição em que o piloto fica no banco é um tanto desconfortável. “Ele está no limite de peso, que a competição exige e é um pouco mais baixo. Isso permite um conforto maior dentro da embarcação, o que não seria o caso de pessoas um pouco mais altas e mais pesadas”, afirma Marcos Santos, engenheiro eletrônico e mestrando do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) integrante da equipe que projetou o Copacabana.

Obrigatoriamente, todos os dispositivos elétricos do barco devem funcionar com energia solar, captada pelos painéis solares. O Copacabana foi projetado de tal forma que o próprio piloto consegue chegar a uma determinada inclinação com o peso do corpo, a qual, dependendo da posição do sol, faz aumentar bastante a captação de energia.

Como relata Marcos, a equipe conta com a ajuda de uma empresa no sistema de monitoramento da incidência de luz solar: “Essa empresa cedeu um equipamento para podermos fazer uma medição da luz solar, sabermos como está a luz do dia e podermos fazer uma avaliação em relação a poder andar mais e a poder andar menos. Quanto mais luz o barco recebe, mais rápido ele pode andar”.

Os testes, realizados com uma versão preliminar, foram feitos semana passada na Ilha da Cidade Universitária (Fundão), próximo ao Angar e ao Alojamento, em um final de tarde com o sol em posição semelhante a que será encontrada na Europa. Foram avaliados quesitos como estabilidade e velocidade, de acordo com os padrões estabelecidos pela competição. Para ver os vídeos da estréia do Copacabana nas águas, visite o perfil da equipe no site do youtube .

O projeto é patrocinado pela UFRJ e pela MPX (de Eike Batista), que financiou o transporte do barco e os painéis solares. Além disso, o Centro de Pesquisas da Eletrobrás (Cepel) cedeu alguns painéis utilizados nos testes e simulações. A equipe estima que as despesas giram em torno de 100 e 120 mil reais – o que também inclui dinheiro tirado do próprio bolso dos estudantes, profissionais e demais participantes que mergulharam fundo no projeto.

A prova
A Frisian Solar Challenge acontece em Leeuwarden, capital da província de Frísia, nos Países Baixos. É verão por lá nesta época do ano, mas a temperatura pode chegar aos 8°C durante a noite.

A competição é dividida em três categorias: A, B e C, distintas pelo tipo de limitações impostas ao projeto. A categoria A, na qual a UFRJ está inserida, é para barcos de até 6 metros de comprimento, de um tripulante e com 5 painéis solares, que totalizam 1KWH de geração de energia, diferente da B, que estipula 2 tripulantes e mais um painel. Além disso, o tipo de material também afeta na classificação. “Optamos pela bateria convencional porque ela acarreta em uma penalização menor por peso”, explicou Amorim. A categoria C apresenta custos elevados. Segundo informou o coordenador do projeto, a Universidade não tem tradição com o desenvolvimento de tecnologias prontas, mas sim de base. Idéia a ser desenvolvida é a de atuar nos dois extremos. “Ainda não temos condições financeiras de participar dessa categoria, mas pretendemos tê-las daqui a quatro anos, na quarta edição do Frisian”, informou o engenheiro naval.

Dois dias antes do rali (21 e 22/6), acontecem os procedimentos de checagem dos equipamentos – como a pesagem e a medição dos barcos, avaliação da parte elétrica – e a corrida classificatória, que define as posições de largada.

Durante a competição, os integrantes da equipe técnica de apoio irão acompanhar o percurso do barco pelos canais. Em todos os dias da prova, o barco entra na água no início e sai no final do dia, sendo que apenas quatro dos 11 membros da equipe podem ajudar a carregar o Copacabana. As cinco etapas totalizam 200 quilômetros. Os barcos saem um de cada vez, semelhante à competição de rally, e as provas devem durar cerca de duas horas. A posição de largada é determinada por uma etapa preliminar, que define a posição dos barcos mais velozes à frente, a fim de que sejam evitados os congestionamentos, uma vez que os canais são estreitos.

A pontuação dos competidores é dada pelo somatório do tempo de todas as etapas de percurso, nas quais os pilotos encontram desafios adicionais, tais como: passar de um canal a outro sem utilização de equipamentos externos e com a ajuda de apenas 4 membros da equipe, o que acaba estimulando a criatividade dos engenheiros para projetar barcos cada vez mais leves; outro desafio é passar por uma ponte com altura de apenas 50 centímetros, entre outros. Embora a prova comece e termine no mesmo lugar, o piloto percorre a cada dia um novo local da Holanda. Como não há barco de apoio, um aparelho com tecnologia GPS irá permitir a comunicação do piloto com os demais integrantes da equipe, bem como a determinação da localização de ambos.

“O barco pesa quase 200 quilos, então para tirar da água é muito complicado. Como é a primeira vez que estamos indo, ainda não temos noção de como vamos fazer isso. A gente espera ganhar um know-how durante essa competição, apesar de que estamos bem preparados!”, declara Frederico Vecchi, desenhista industrial pela UFRJ que também participa da competição.

A Frisian Solar Challenge exige uma grande capacidade técnica e logística dos participantes. “Lá, a incidência solar já é menor do que aqui e os canais têm eclusas com horários determinados de abertura. Não adianta gastar muita energia para chegar rápido se a eclusa vai estar fechada, por exemplo. Se este for um trecho muito arborizado, pode ser que não tenhamos como captar energia para o painel. É um desafio estratégico grande”, explica Murilo.

A expectativa dos europeus com relação à equipe brasileira também é grande. No site do evento (www.frisiansolarchallenge.nl/eng/index.php), “The Brazilian samba” é citado como um dos elementos que estarão presentes na segunda regata de barcos movidos à energia solar dos Países Baixos, que contará com 49 participantes. Entre os concorrentes da equipe brasileira, estão a Delft, Universidade localizada na cidade holandesa de mesmo nome, a Noroeste Institute of Tecnology (INT), universidades alemãs, dinamarquesas e outras. O vencedor ganhará um troféu simbólico.

“Parece que eles estão empolgados com a nossa presença lá porque estão curiosos para saber o que vem da gente: um barco feito de côco, de bananeira? Não sei. Talvez eles achem que o Brasil é só floresta, muita gente acha, não é? Então, creio que vamos surpreender”, brincou Frederico.

Fonte: Fernanda de Carvalho e Miriam Paço / Olhar Vital

Mulheres pescadoras e a resignificação do mito do panema na Amazônia

Mulheres na pesca, sorte na certa
Na mitologia amazônica, a presença da mulher na pescaria é sinônimo de panema, ou azar no resultado, devido à sua suposta impureza. Partindo desse ponto de vista, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) investigaram o deslocamento dos papéis de gênero em comunidades de pescadores na região, buscando perceber em que medida o mito é atingido em sua origem.

O estudo “Mulheres pescadoras e a resignificação do mito do panema na Amazônia”, desenvolvido no âmbito do projeto “Modos de vida ribeirinha”, apoiado pela Ufam, aborda o universo das mulheres rurais na Amazônia, principalmente a questão da entrada delas na atividade da pesca na comunidade Lago dos Reis, no município de Careiro da Várzea, a 22 quilômetros de Manaus, interior do Amazonas.

A antropóloga Iraíldes Caldas Torres analisou as implicações da participação das mulheres nessa nova atividade na comunidade, na qual até recentemente estavam impedidas de atuar por conta do mito do panema, a temida má sorte que pode acometer trabalhadores extrativistas na região, seja caça, pesca ou a atividade seringueira.

“Na mitologia, basta que a mulher no período da menstruação se aproxime da beira do rio ou toque nos instrumentos de trabalho para ‘empanemar’ os homens. A partir de então, eles não conseguem caçar ou pescar, o que ameaça a sobrevivência local”, disse Iraíldes.

Na comunidade Lago dos Reis, a pesca se tornou atividade realizada majoritariamente por mulheres. O crescimento do ingresso feminino nesse mercado de trabalho é evidente na cooperativa de pesca de Careiro da Várzea, na qual as pescadoras representam 80% dos trabalhadores cadastrados.

“As mulheres assumem a pesca como uma atividade de trabalho, não como um passatempo e muito menos como uma atividade meramente passageira. Isso está ligado ao papel que mulheres passaram a desempenhar na Amazônia como chefes de família”, explicou a pesquisadora.

O trabalho também demonstrou como, ao iniciar uma atividade remunerada, essas mulheres reafirmam a feminilidade, superando as amarras mitológicas. “Elas constroem um universo particular no qual conversam sobre problemas domésticos, ao mesmo tempo em que levam produtos de beleza e cuidam do cabelo e da unha na pescaria. A sociabilidade torna a pesca prazerosa”, afirmou Iraíldes.

Ao terem maior participação na renda familiar, muitas vezes com ganho superior ao do marido, as pescadoras se sentem à vontade para cobrar um empenho maior dos homens no trabalho doméstico. Entretanto, mesmo com as conquistas, as pescadoras da comunidade Lago dos Reis ainda são discriminadas pela categoria.

“Elas percebem o preconceito à medida que são excluídas da formação de chapas e da eleição da diretoria da cooperativa de pescadores, além de não terem acesso aos equipamentos de propriedade coletiva”, disse a pesquisadora.

As pescadoras também não têm direito à carteira de pescador profissional, que garante benefícios como o seguro-defeso, no valor de dois salários mínimos, pago no período em que a atividade é proibida. Além disso, o dinheiro que ganham é geralmente administrado pelos maridos. “Apesar dos avanços, vemos que as mulheres ainda têm muito trabalho para superar o patriarcalismo na Amazônia”, finaliza Iraíldes.

O universo das mulheres na Amazônia será discutido no 8º Seminário Internacional Fazendo Gênero, no simpósio “Intersecções entre gênero e sociodiversidade na Amazônia”, que será realizado na Universidade de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, de 25 a 28 de agosto. (* Repórter da Agência Fapeam)

Fonte Michelle Portela* / Agência FAPESP

Amyris e Crystalsev formam joint-venture para fazer combustíveis diretamente de cana-de-açúcar

Na terceira semana de junho, a empresa norte-americana Amyris Biotechnologies e a trading brasileira de açúcar e álcool Crystalsev vão abrir a sede da joint-venture que formaram no final de abril em uma construção de 1,4 mil metros quadrados no Techno Park, em Campinas (SP). Fundada em 2003 por um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, a Amyris domina o novo ramo da ciência conhecido como biologia sintética, que permite a construção de novas rotas metabólicas em organismos já existentes na natureza e também a criação de organismos completamente novos.

A empresa já possui micróbios especialmente desenhados para produzir fármacos — no caso, a artemisinina, substância usada em medicamentos contra a malária — e novos tipos de biocombustíveis que poderiam substituir o diesel, a gasolina e o combustível de aviação. Estes últimos foram trazidos para a parceria com a Cristalsev, que é dona de 17 unidades produtoras de açúcar e álcool, e serão usados para fermentar caldo de cana de modo a gerar diesel e combustível de aviação renováveis.

A Amyris-Crisyalsev ainda precisa aumentar a escala da tecnologia, que hoje é laboratorial. Isso será feito na futura sede da companhia, onde funcionará um centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D) com uma instalação-piloto para aperfeiçoamento do processo de produção. Os laboratórios de química e microbiologia do centro serão inaugurados em julho; já a instalação-piloto deve entrar em operação em fevereiro de 2009. A Amyris detém 70% da joint-venture e a trading brasileira, 30%.

Segundo o diretor-geral da Amyris-Crystalsev, Roel Collier, Campinas foi escolhida para receber o empreendimento devido à qualidade da mão-de-obra existente na região. Até o final do ano, a companhia vai contratar entre 15 e 20 cientistas para trabalhar em seu centro de P&D no Techno Park. "Queremos ter certeza de que o processo vai ser suficiente para a escala comercial", afirma o executivo. Ele calcula que o custo total da sede será de R$ 10 milhões a R$ 20 milhões.

A meta da joint-venture é começar a produzir o diesel de cana em escala comercial a partir de julho de 2010 em alguma usina do grupo Santelisa Vale, acionista majoritário da Crystalsev. Uma dessas usinas — a Santa Elisa, localizada em Sertãozinho, no interior de São Paulo — vai fornecer 2 milhões de toneladas de cana para as pesquisas. Conforme explica Collier, a companhia decidiu trabalhar primeiro com o diesel de cana porque o diesel convencional é o combustível cujo consumo mais cresce em todo o mundo, inclusive no Brasil; porque o País hoje têm de importar óleo diesel; e porque no futuro será necessário substituir o diesel de origem fóssil. A Amyris-Crystalsev também detém a tecnologia para produzir um combustível que substituiria a gasolina, mas não vai priorizá-la pelo fato de o etanol já ser um bom substituto. Já o combustível para aviação, que será o segundo foco da joint-venture, ainda não tem nenhuma alternativa renovável, observa o executivo.

Collier destaca a possibilidade de aproveitamento das plantas de produção de etanol já existentes no País como uma das vantagens do processo a ser utilizado pela Amyris-Crystalsev. "A usina vai se tornar uma refinaria", afirma. Outra vantagem seria o fato de o processo funcionar com diferentes matérias-primas, como o bagaço de cana, por exemplo. Segundo ele, a utilização do bagaço e de outros tipos de biomassa vai depender da existência de tecnologias comerciais para extrair a glicose contida neles. Por enquanto, as tecnologias que possibilitam esse tipo de extração, como a hidrólises ácida e enzimática, ainda se encontram em escala-piloto.

Além das vantagens citadas pelo executivo, o site da Amyris nos Estados Unidos ressalta a compatibilidade dos biocombustíveis desenvolvidos pela empresa com a rede de distribuição e os veículos atuais. Especificamente em relação ao substituto para o diesel, o site afirma que o produto tem condições de alcançar custo menor e escala muito maior do que o biodiesel baseado em óleos vegetais e que, ao contrário deste, não corre o risco de se separar em partes durante o armazenamento e o transporte.

Amyris Biotechnologies
Os fundadores da Amyris foram o professor de engenharia química e biológica Jay Keasling, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e três de seus alunos de pós-doutorado: Neil Renninger, Kinkead Reiling e Jack D. Newman. Em agosto de 2007, a revista Technology Review, editada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), apontou Renninger como um dos principais inovadores do mundo com menos de 35 anos de idade. Engenheiro químico formado no próprio MIT, ele ocupa hoje o cargo de diretor técnico da Amyris. Seus dois colegas de pós-doutorado também continuam na empresa: o físico Reiling é o vice-presidente sênior de desenvolvimento corporativo e o biólogo Newman, o vice-presidente sênior de pesquisa. O professor Jay Keasling não participa da administração, mas chefia o Conselho Consultivo Científico da empresa.

Pouco mais de um ano depois do nascimento da Amyris, a Fundação Bill e Melinda Gates doou US$ 42,6 milhões para que a empresa desenvolvesse um medicamento contra a malária em parceria com o Institute for OneWorld Health, companhia farmacêutica sem fins lucrativos fundada em 2000 nos Estados Unidos. Esse projeto, que conta também com a participação da Universidade da Califórnia em Berkeley, foi o que deu origem à empresa. O princípio ativo do medicamento é a artemisinina, substância vem sendo extraída da planta artemísia há mais de 2 mil anos para combater uma série de doenças e tem se mostrado muito eficiente no tratamento da malária. Contudo, o método de extração é caro, demorado e depende da disponibilidade da planta, encontrada principalmente na China e no Vietnã. Usando as técnicas de biologia sintética, os pesquisadores da empresa inseriram genes de três organismos distintos em micróbios que produzem grandes quantidades de álcool, como a levedura, e obtiveram microorganismos capazes de produzir artemisinina a um custo mais baixo.

Em sua página na Internet, a Amyris afirma que não vai lucrar com as vendas do produto nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 500 milhões de pessoas ficam severamente doentes e mais de 1 milhão morrem de malária todos os anos no mundo. Cerca de 90% dessas mortes ocorrem na África subsaariana, especialmente entre bebês, crianças e mulheres grávidas. Ásia, América Latina, Oriente Médio e algumas partes da Europa são as demais áreas afetadas. Nos países em que a transmissão da doença é intensa, as perdas provocadas pela malária equivalem, em média, a 1,3% do crescimento econômico anual.

O outro grande projeto da Amyris, de biocombustíveis, é financiado por vários fundos de capital de risco. Segundo reportagem publicada dia 3 de junho de 2007 no jornal The New York Times, há exatamente um ano esse projeto já havia recebido US$ 20 milhões dos fundos Khosla Ventures — do indiano Vinod Khosla —, Kleiner Perkins Caufield & Byers e Texas Pacific Group Ventures. (R.B.)

Fonte: Inovação Unicamp

Newton da Costa - Relançada a obra esgotada do Matemático e Lógico

Paixão e contradição
O matemático e lógico Newton da Costa compartilha com outros pesquisadores a mesma paixão pelo que fazem. Com freqüência, se emociona ao falar de assuntos que parecem estranhos àqueles alheios a sua paixão.

Alguns geólogos sentem ternura por pedras que contam histórias de outras eras e entomólogos têm grande carinho por insetos repugnantes. Costa vê beleza em cálculos intrincados, problemas sem solução e teorias que, de tão abstratas, só são entendidas por um número pequeno de pessoas.

Newton Carneiro Affonso da Costa, paranaense nascido em Curitiba há 78 anos, casado, pai de uma filha e dois filhos e avô de duas netas, talvez tenha mais motivos que os demais pesquisadores para se entusiasmar ao falar do próprio trabalho.

Ele é reconhecido no Brasil e exterior – provavelmente mais no exterior – como autor de uma teoria original criada a partir de 1958, mas muito citada e aplicada de 1976 para frente, quando finalmente ganhou o nome pelo qual ficou conhecida, a lógica paraconsistente. Trata-se de uma teoria que permite trabalhar com situações e opiniões contraditórias. Não à toa, é chamado pelos discípulos e colaboradores de “pensador da contradição”.

Costa formou-se engenheiro na Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1952 e chegou a trabalhar por um ano no ramo, na empreiteira do pai de sua mulher. Mas parou de resistir à própria vocação e cursou matemática, fez licenciatura na mesma área e virou professor e pesquisador em tempo integral na UFPR, ganhando menos da metade do que ganhava na empreiteira. Lá fez seu doutorado e virou catedrático. Nos anos 1960 migrou para o Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME/USP) e ficou dois anos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nos dois lugares foi professor titular.

Passou por instituições da Austrália, França, Estados Unidos, Polônia, Itália, Argentina, México e Peru como professor visitante ou pesquisador. Tem mais de 200 trabalhos publicados entre artigos, capítulos e livros. Entre outros prêmios, ganhou o Moinho Santista e o Jabuti em Ciências Exatas.

Na segunda quinzena deste mês, a editora Hucitec vai relançar três de seus livros esgotados há muitos anos. São eles: Introdução aos fundamentos da matemática, de 1961, Ensaio sobre os fundamentos da lógica, de 1979, e Lógica indutiva e probabilidade, de 1990.

Clique aqui para ler o texto completo na edição 137 de Pesquisa FAPESP.

Fonte: Neldson Marcolin / FAPESP

11 programas ligados ao desmatamento têm execução abaixo de 25%

Apesar do boletim divulgado no começo do mês pelo Inpe apontar aumento no desmatamento das florestas brasileiras, principalmente da Amazônia, quase todos os programas relacionados à prevenção e combate ao desmatamento no país, em sua maioria administrados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), estão com baixa execução orçamentária em 2008. Embora passados quase seis meses, 11 dos 13 programas ligados diretamente à questão gastaram menos de 25% do previsto no orçamento desse ano (veja tabela).

Dos R$ 460,6 milhões autorizados para serem aplicados até o fim de 2008 nos programas, apenas R$ 88,3 milhões foram efetivamente desembolsados pelo MMA (incluindo os restos a pagar, dívidas de anos anteriores roladas para exercícios seguintes). Em 2007, a execução dos programas também ficou longe da ideal. Dos 12 programas relacionados diretamente ao desmatamento, tocados pelo MMA, sete tiveram gastos abaixo de 60% sobre o montante previsto em orçamento (veja tabela).

Os programas, registrados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), tratam basicamente do desflorestamento da Amazônia, da preservação e recuperação de áreas vegetais e uso sustentável dos recursos naturais, e outros ainda têm o objetivo de combater a desertificação do semi-árido. Entre eles, estão os programas “nacional de florestas”, “preservação e combate ao desmatamento, queimadas e incêndios florestais”, “combate a desertificação” e “conservação e recuperação dos biomas brasileiros”.

O maior impedimento para a otimização dos programas é a falta de estrutura. A afirmação é do coordenador do programa de desmatamento na Amazônia do Greenpeace, Márcio Astrini. “A maioria dos programas que não anda é por falta de estrutura, e a falta de estrutura é devida à verba que não tem”, explica. “Recentemente, o ministro Carlos Minc disse que o ministério e o Incra não têm agentes para enviar aos estados para fazer valer a resolução do Conselho Monetário Nacional que restringe o crédito para quem tem terra irregular ou não preserva a reserva legal. O ministério então repassa aos estados a tarefa porque não tem operacionalidade. Não tem por falta de recursos”, exemplifica.

O diretor do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, André Lima, reconheceu esta semana que as curvas de desmatamento acompanham a oferta de crédito financeiro para a agropecuária. Segundo ele, quando os créditos diminuem, o desmatamento também cai. “Pode estar ocorrendo desmatamento em terra pública financiado com recursos do governo”, afirmou.

O combate ao desmatamento inclui ainda ações de conscientização ambiental, que também é uma forma de proteção e conservação da natureza, na opinião de Astrini. Educar ambientalmente, visando à conservação da biodiversidade e a sustentabilidade socioambiental, além da formação de educadores ambientais, é a proposta do programa “Educação ambiental para sociedades sustentáveis”, por exemplo, administrado pelo MMA. No entanto, este ano, os gastos com ações do programa chegaram a apenas 4% dos recursos disponíveis, o que equivale a somente R$ 644,6 mil para a conscientização ambiental.

Outro programa com execução abaixo de 10% é o “nacional de florestas”. Dos R$ 63,5 milhões previstos, foram aplicados apenas R$ 4,6 milhões, ou seja, 7% do total. Fazem parte do programa a promoção de iniciativas para aumentar o manejo florestal e diminuir o impacto dos produtos madeireiros da região amazônica, bem como a recuperação da cobertura vegetal de áreas degradadas, de áreas de preservação permanente ou de reservas legais.

O programa orçamentário “Agenda 21”, que faz parte de um plano de ação global para o desenvolvimento sustentável, compatibilizando a conservação ambiental, social e econômica, recebeu, até o dia oito desse mês, somente 6% do orçamento autorizado para 2008. Dos R$ 3,8 milhões autorizados, somente R$ 239 mil foram desembolsados. A política Agenda 21 foi construída por 179 países à época da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), no Rio de Janeiro, em 1992.

Já o “combate à desertificação” executou menos de 1% do previsto para o ano, no total de R$ 10,4 milhões. Com o programa, foram desembolsados apenas R$ 56 mil até o último dia oito. O objetivo do programa é promover a articulação de estados que integram a região do semi-árido e da sociedade civil no desenvolvimento de ações de controle e combate à desertificação.

O Contas Abertas entrou em contato com o MMA para saber porque a maioria dos programas diretamente relacionados ao desmatamento no Brasil estão com execução abaixo da ideal no primeiro semestre do ano. No entanto, até o fechamento da matéria, o ministério não se manifestou sobre o assunto.

Meio Ambiente
Como parte das comemorações da Semana Mundial do Meio Ambiente, o presidente Lula anunciou na última quinta-feira, um conjunto de medidas na área ambiental. No entanto, para Márcio Astrini, não basta à criação de novas medidas, é preciso gestão na implantação dos programas já em andamento. “Há concretamente um descontrole do governo. As atuais políticas públicas não são aplicadas de forma efetiva”, lamenta Astrini. “Não há fiscais, não há a promoção de políticas sustentáveis para substituir a prática predatória e não há estrutura para coibir a ilegalidade”, completa.

O desmatamento continua avançando na Amazônia Legal, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A Amazônia perdeu 1.123 quilômetros quadrados de floresta durante o mês de abril, área um pouco menor que a da cidade do Rio de Janeiro, com 1.182 quilômetros quadrados. Os dados do desmatamento são graves na opinião do pesquisador do Greenpeace. Para ele, o aumento no desmatamento da Amazônia já era um fato anunciado pela entidade há mais de seis meses devido a alta nos preços das commodities.

Sem as plantas não haveria vida na terra. Elas fornecem alimentos para todos os seres vivos, vestuário, abrigo a alguns animais, oxigênio indispensável à respiração, medicamentos, matérias-primas para perfumes, papel cola, tecido, tintas, madeira para mobílias. Enfim, há uma infinidade de benefícios para a vida humana. Não são raros os casos em que a saúde brota da natureza. Há sempre o caso da avó ou tia que conhece algum remédio caseiro elaborado a partir de ervas medicinais. (Amanda Costa e Leandro Kleber / Contas Abertas)

Fonte: EcoDebate

1968 e o papel social dos intelectuais

Intelectuais em transformação
O ano de 1968 foi emblemático de muitas lutas que obtinham como mote principal o desejo de liberalização de costumes e o de combater o autoritarismo na Política. Essas mobilizações, engendradas por estudantes, universitários, professores e outros membros da sociedade civil, foram, não raro, norteadas pelos intelectuais da época. O filósofo existencialista francês, Jean-Paul Sartre, por exemplo, foi um ativista importante para as manifestações que se eternizaram como o “Maio de 68”. No Brasil, vários intelectuais de esquerda se destacaram nesse período, entre eles Darcy Ribeiro e Celso Furtado.

Hoje, no entanto, não faltam críticas ao papel social dos intelectuais. Muitos acusam esse grupo de ter sido cooptado pela ordem e de ter perdido sua função de efetivamente pensar a realidade, propondo mudanças. Outros enfatizam que a sociedade contemporânea produziu intelectuais institucionalizados, mais próximos de universidades e da produção de conhecimento acadêmico.

Para debater a questão, o Olhar Virtual conversou com Bernardo Sorj, professor de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e diretor do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais. Na entrevista, Sorj comenta as funções tradicionais e atuais do intelectual e alerta que evitar o anacronismo é essencial para uma análise competente sobre esse ator social. Confira.

Como era a relação dos intelectuais com os movimentos libertários de 1968? Qual foi a importância desses atores sociais para as contestações verificadas naquele ano?
No Brasil, os intelectuais de 1968 eram artistas, cientistas sociais, escritores, pessoas de Cinema e de Teatro e atuavam numa sociedade onde a classe média tinha um papel muito importante. A sociedade era fechada, por conta da ditadura, mas os intelectuais detinham espaços próprios para se expressar. A universidade, os jornais, a música, o teatro dava a esse setor uma capacidade de verbalizar seus anseios e de se expressar com certa liberdade. Esse setor era o que mais se sentia atingido pelo regime militar. Claro que a classe operária também era reprimida, mas, no geral, nenhum grupo era tão abalado quanto o setor dos criadores de idéias, que se sentia particularmente cerceado. Esse grupo foi então central em 1968, mas também se pode dizer que ele foi o problema de 1968, porque os movimentos que aconteceram ali expressaram basicamente a demanda e os anseios dos grupos intelectuais.

O ano de 1968 expressa fundamentalmente a radicalização desses grupos sociais, tanto em função da ditadura, que reduzia a capacidade de eles se expressarem livremente quanto em função de uma radicalização da proposta socialista revolucionária, que novamente atingia principalmente os setores intelectuais.

O senhor acha que esses intelectuais eram mais atuantes do que os atuais?
Essa pergunta é anacrônica, porque a sociedade atual não é a mesma do final dos anos 60. Em 68, havia em torno de 400 mil estudantes universitários, hoje são seis milhões. Tem sentido comparar uma sociedade na qual a televisão ainda estava restrita a uma outra onde a TV existe em 97% dos lares? Comparar um mundo sem internet e um com internet? Temos que ter cuidado com as perguntas que envolvem “mais” e “menos”. É claro que os intelectuais mudaram. Não estou negando isso. Eu diria que não seria justo dizer que são eles mais ou menos atuantes, porque o intelectual de ontem não é o de hoje. A sociedade mudou. E conseqüentemente, mudaram também os seus intelectuais.

Essa sua afirmação lembra o filósofo Norberto Bobbio que pontuava que cada sociedade tem os intelectuais que lhe convém.
Essa é uma frase de impacto, mas eu diria que a sociedade produz seus intelectuais. O intelectual não cria realidades sociais. Ele racionaliza e justifica um sentimento que já está na sociedade. Ele capta tendências na sociedade e a realimenta com seu discurso. A partir do momento em que a sociedade não evoca mais transformações sociais, o intelectual não vai imaginar o que não está sendo colocado pela sociedade. Uma sociedade que não está pedindo, que não está expressando uma vontade de mudança profunda, não vai produzir intelectuais que queiram transformações profundas. Eles até existem, mas não são significativos porque a sociedade não os procura.


Que tipo de intelectual então a sociedade brasileira contemporânea produziu?
A sociedade mudou, os meios de comunicação mudaram, mas a maior mudança foi a do paradigma ideológico de nossa época. O papel do intelectual era central num momento de confronto entre o capitalismo e o Comunismo. O imaginário social enxergava a possibilidade de transformação radical da sociedade; nesse contexto, o intelectual tinha um papel singular porque, na teoria, ele era o grande engenheiro social dessa mudança. Com o fim do comunismo, esse paradigma desaparece, e o intelectual revolucionário perde a sua função.

Hoje, a noção de cidadania está mais disseminada; houve uma democratização da sociedade. Ninguém tem direito de falar em nome do outro na sociedade democrática. Na atualidade, não é suficiente ser um intelectual de prestígio para você definir uma tendência. Houve uma adequação do intelectual à sociedade de massa.

O papel do intelectual tradicional é elitista, aliás, o movimento de 1968 era elitista. Ele falava em nome do povo brasileiro. Que povo brasileiro delegou sua voz a uma centena de intelectuais para falar em nome dele? Desde quando o povo brasileiro disse que queria um socialismo revolucionário? Nunca se perguntou ao povo o que ele queria. Nesse sentido, houve uma mudança positiva, porque o intelectual descobriu o seu papel específico.

E que papel é esse?
Para mim e falo aqui em termos normativos e não sociológicos, o papel do intelectual é produzir conhecimento crítico da sociedade, mostrar os seus problemas, as possibilidades, as alternativas, reconhecendo os seus limites e espaço que lhe é próprio. Hoje, está claro que não é por ter tido uma educação mais adequada que o intelectual saiba o que é melhor para o povo. Antes ele achava que era autorizado para decidir o que era melhor para o país. Hoje, está mais limitado no seu espaço de produção de conhecimento e análise crítica da sociedade.

Quais as principais mudanças verificadas nos últimos 40 anos na relação entre os intelectuais e a Política?
Há, de fato, um problema do intelectual com a política hoje. Mas ele tem a ver com a crise do sistema de representação e mais especificamente com a crise dos partidos políticos. Atualmente, no Brasil e na América Latina, os partidos políticos perderam a capacidade de produzir novas utopias; eles já não atraem a imaginação intelectual. Então há realmente esse distanciamento, mas não é culpa dos intelectuais. Esses acabaram partindo para a produção de conhecimentos acadêmicos específicos ou foram para o mundo das ONGs. Ao mesmo tempo, há um lado positivo nesse processo, porque sempre houve o perigo de os intelectuais serem instrumentalizados por partidos políticos. Do ponto de vista político, a maior parte das transformações foi positiva.

Quais os aspectos negativos do papel do intelectual hoje?
No mundo da hiper informação, da rapidez, da instantaneidade, existem elementos negativos à produção de conhecimento mais sólido da realidade social. Você, atualmente, não tem tempo para elaborar uma idéia, expressar um conceito. Tudo tem que ser rápido e depende de um clique. É um mundo pouco agradável para alguém formado na velha tradição intelectual. Esse novo mundo coloca certos desafios que nem todos da antiga geração podem enfrentar.

O senhor acha que a tendência é os intelectuais estarem cada vez mais encastelados nas instituições?
O intelectual está institucionalizado, porque se profissionalizou. Ele hoje é mais profissional e restrito, perdeu um pouco da imaginação criativa. Mas é sempre bom que ele mantenha autonomia e distância crítica. Hoje se percebe que a maior parte das pessoas escreve relatórios contratados por empresas, ONGs ou com recursos do governo, todos eles com agenda pré-determinada. Pode-se dizer que há uma certa perda de grandeza no pensamento intelectual brasileiro ou que faltam grandes intelectuais. Isso é verdade. Mas insisto: esse dado é expressão do momento histórico. Se tivéssemos partidos políticos capazes de mobilizar a imaginação dos intelectuais, possivelmente teríamos uma produção de maior grandeza. O problema não é tanto dos intelectuais, mas da a sociedade e fundamentalmente da vida política que castra a imaginação de todos os cidadãos.

Fonte: Aline Durães / Olhar Vital

Entendimento do STJ sobre extensão de patente anterior a 1996 pode mudar

A terceira turma do Superior Tribunal de Justiça vai decidir se uma patente da indústria química DuPont, de um produto usado na produção de fertilizantes, depositada em 1983, pode ou não valer por 20 anos — como diz a Lei de Patentes, de 1996 — ao invés de 15 anos, como queria a legislação anterior a 1996. A ação, da DuPont contra o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), corre na Justiça desde 1998 — quando a patente da DuPont iria expirar, pelo transcurso do prazo de 15 anos. Embora a patente, em qualquer caso, já tenha expirado, a decisão importa porque, neste momento, o INPI luta para fazer prevalecer a tese de que a extensão não é possível para os depósitos anteriores a 1996.

O texto de Luiza de Carvalho, no Valor, "STJ pode reexaminar a extensão de patentes", historia o caso da DuPont. A decisão mais recente foi tomada pela juíza Nancy Andrighi. Em decisão anterior, de fevereiro, ela havia concedido a extensão à DuPont, por meio de uma "decisão monocrática" — ou seja, tomada singularmente por ela. Agora, depois dos recursos contrários impetrados pelo INPI e pela Nortox, indústria que hoje fabrica o produto cuja patente está em questão, ela remeteu o caso à discussão da terceira turma — abrindo a possibilidade de mudança tanto de sua decisão monocrática quanto do entendimento do STJ.

A repórter explica que a origem das ações de extensão de patentes está no fato de a Lei de Patentes, de 1996, não explicitar se o prazo de vigência de 20 anos só valeria para patentes depositadas a partir do ano da lei, ou também para depósitos anteriores. No momento, há muitas ações de extensão de patentes em curso, especialmente da indústria farmacêutica; quando chegam ao Tribunal, em geral as empresas saem vitoriosas contra a tese de 15 anos defendida pelo INPI.

Ao longo do tempo, o Tribunal Regional Federal da Segunda Região, em primeiro grau, vem decidindo contra a extensão. Os recursos contra essas decisões começaram a chegar ao STJ em 2000 — desde então as decisões do TRF vêm sendo reformadas. A DuPont colheu resultados desfavoráveis durante o trâmite no primeiro grau; mas, em fevereiro, ganhou a decisão favorável à extensão, de acordo com a jurisprudência do STJ, da juíza Aldrighi. Ela reconsiderou a decisão frente aos argumentos do INPI e da Nortox.

Basicamente, a tese do instituto é de que a extensão de patentes é contra o interesse público — que, segundo o procurador chefe do INPI, Mauro Sodré Maia, estaria melhor atendido pela queda da patente. O exemplo mais citado pelo governo federal — o Ministério da Saúde acompanha o INPI — é o das ações no setor farmacêutico. Para o procurador, a extensão da patente de um remédio provoca o retardamento na fabricação de seu genérico. Se o STJ modificar seu entendimento no caso da DuPont, o INPI e o governo federal poderão ver sua tese vitoriosa em todas as ações por chegar à corte.

Outra ação desse tipo que está em curso no STJ é o pedido de extensão de patente, pela Pfizer, sobre o Viagra (sildenafil).

Fonte: Inovação Unicamp

A Corte no Brasil: População e Sociedade no Brasil e em Portugal no início do século 19

O Colóquio Internacional A Corte no Brasil: População e Sociedade no Brasil e em Portugal no início do século 19 será realizado de 23 a 27 de junho na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo (RS).

De acordo com os organizadores, o encontro tem como objetivo refletir sobre o impacto da vinda da família real portuguesa ao Brasil, em termos sociais, demográficos, culturais e urbanísticos.

“Ao mesmo tempo em que se propõe a contemplar aspectos relacionados ao impacto modernizador, em termos culturais e urbanísticos, prevê um aprofundamento de questões que até o presente momento não têm merecido maior destaque por historiadores e estudiosos das implicações de caráter demográfico que acompanharam a chegada da corte”, destacam.

O evento é voltado a acadêmicos, professores e pesquisadores de história e ao público em geral. As conferências, painéis e mesas-redondas ocorrerão das 19h45 às 22h.

A promoção é do Programa de Pós-Graduação em História da Unisinos, do Grupo de Trabalho População e História da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), do Grupo de Pesquisa Demografia e História do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

Mais informações: www.unisinos.br

Fonte: Agência FAPESP

60ª Reunião Anual da SBPC - "Energia, Ambiente e Tecnologia"

A 60ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) será realizada de 13 a 18 de julho no campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas (SP).

Dividida em 17 núcleos temáticos, a programação científica contempla questões transversais ao tema “Energia, Ambiente e Tecnologia”. São quase 300 atividades entre conferências, simpósios, mesas-redondas, minicursos, apresentação de pôsteres, encontros de sociedades científicas, assembléias e sessões especiais.

Nomes como os dos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, da Ciência e da Tecnologia, Sérgio Rezende, e dos Esportes, Orlando Silva, já estão confirmados. O embaixador Amorim falará sobre a contribuição do Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) para as relações Brasil-China, enquanto Rezende debaterá a política nacional de ciência e tecnologia e Silva os desafios tecnológicos do esporte nacional.

Etanol de cana-de-açúcar, aquecimento global, biodiversidade, inovação e experimentação com animais de laboratório também estão na pauta dos debates, bem como doenças endêmicas, pesquisa científica, legislação brasileira, origem das espécies e multidiversidade cultural.

A educação para ciência no ensino básico é o eixo central de 13 atividades distintas e não faltarão oportunidades para se discutir a importância dos 60 anos da SBPC, do centenário da imigração japonesa e do ano internacional do planeta terra.

A Agência FAPESP fará a cobertura da reunião e a FAPESP terá estande com apresentação das principais modalidades de apoio e programas financiados pela Fundação.

A programação completa, ainda sujeita a alterações, está em:
www.sbpcnet.org.br/eventos/60ra.

Enquanto jovens e adultos participam de debates, encontros e tomadas de decisão, crianças e adolescentes têm na SBPC Jovem mais de 200 oportunidades de interagir, de forma criativa e lúdica, com a ciência.

São exposições, apresentações culturais, palestras, minicursos, oficinas e experimentos que pretendem fazer da 60ª Reunião Anual um evento em que aprendizado, diversão e descobertas andam lado a lado.

A programação da SBPC Jovem está no site local do evento:
www.sbpc2008.unicamp.br.

Fonte: Agência FAPESP

Amazônia Legal produz 40% da carne e da soja do país

De acordo com dados do IBGE, a área conhecida como Amazônia Legal é a responsável pela produção de quase 40% de carne e soja no Brasil. A informação é da repórter Marta Salomon, em matéria publicada na Folha.

O agronegócio não se resume à área do cerrado da Amazônia, e já avançou à floresta; dados oficiais mostram que, no caso da pecuária, 73% das 74 milhões de cabeças de gado são criadas no bioma Amazônia, e o avanço é grande em regiões como Mato Grosso, Rondônia e Pará, líderes em desmatamento.

Ambientalistas apontam o agronegócio como causa principal da devastação da Amazônia, o que ruralistas e setores do governo contestam. Em 2008, o desmatamento deverá superar 12 mil quilômetros quadrados, área que equivale a oito vezes a cidade de São Paulo.

Já no último ano, a Amazônia sofreu um desmatamento de 9.495 km2, o equivalente a mais de seis vezes a área da cidade de São Paulo. Os dados foram divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) no início deste mês. Segundo o relatório, os Estados em que foram registradas as maiores áreas desmatadas em abril foram Mato Grosso (794,1 km2) e Roraima (284,8 km2).

Após a divulgação do relatório do Inpe, o recém-empossado ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou a operação que ficou conhecida como "boi pirata", que objetiva monitorar a cadeia produtiva do gado. As siderúrgicas, frigoríficos, madeireiras e agropecuárias devem informar ao governo todos os seus fornecedores de carne. Aqueles que foram identificados como irregulares terão a produção de gado apreendida pelo governo.

Ele ainda determinou que, a partir de julho, os fazendeiros que não apresentarem a documentação adequada perderão acesso a financiamentos subsidiados, e os que não a apresentarem dentro de até quatro anos terão suas terras confiscadas. (Folha Online)

Fonte: Ambientebrasil

MBA - Gerenciamento de Projetos Utilizando Ferramentas Corporativas


Lançada a editora da Unifesp

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lançou nesta terça-feira (17/6) sua editora, durante abertura do 16º Congresso de Iniciação Científica – Pibic no campus na Vila Clementino, em São Paulo.

O primeiro livro da Editora Unesp é A Formação Médica na Unifesp – excelência e compromisso social, organizado pelos docentes Rosana Puccini, Lucia Sampaio e Nildo Batista e resultado do trabalho de 32 educadores da universidade.

De acordo com os responsáveis pela editora, a linha editorial será norteada “pelo compromisso com a publicação de livros de qualidade, editados para que tanto o público geral como os estudantes brasileiros tenham à sua disposição textos voltados à realidade em que estão inseridos”.

A editora pretende publicar prioritariamente os melhores trabalhos produzidos nos campi da Unifesp. Autores nacionais e estrangeiros que contribuam com ensino, pesquisa e extensão em todas as áreas do conhecimento também fazem parte de sua política editorial.

Vinculada à Fundação de Apoio à Unifesp, a editora é dirigida por um conselho composto por nove membros.

O livro A Formação Médica na Unifesp reúne, em 13 capítulos, histórias sobre os 75 anos de experiências, lutas e conquistas na transformação do ensino médico na universidade.

Mais informações: www.unifesp.br ou (11) 3369-4000.

Fonte: Agência Fapesp