quarta-feira, 11 de junho de 2008

Metodologia inédita para planejamento e avaliação de campanhas de vacinação contra a raiva animal

Raiva sob vigilância
Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) desenvolveram uma metodologia inédita que, ao estimar as populações de cães e gatos de um município, pode ser aplicada de forma sistemática no planejamento e na avaliação de campanhas de vacinação contra a raiva animal.

O desenvolvimento do método, que permite a identificação de áreas de cobertura vacinal crítica, partiu de estimativas feitas na capital paulista: sete habitantes por cão e 46 habitantes por gato. A validação do método teve como base informações da campanha de vacinação contra a raiva de 2002, fornecidas pelo Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

Com base nesses dados, coletados com o auxílio de sistemas de informação geográfica, o método permite fazer estimativas de densidade animal e do número de postos de vacinação móveis necessários para se atingir uma cobertura vacinal de 70% em cada região. Dados de literatura sugerem que uma cobertura nessa proporção previne cerca de 96% das epidemias rábicas nas grandes cidades.

“Os sistemas de informação geográfica integram softwares que podem ser baixados gratuitamente pela internet, permitindo a associação de dados cartográficos – como ruas, setores censitários e distritos administrativos – com dados não geográficos, como tamanho da população animal e número de postos de vacinação”, disse Marcos Amaku, coordenador do trabalho e professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da FMVZ.

Segundo ele, os municípios interessados na aplicação do método podem utilizar bases de dados censitárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Qualquer município que tiver a base de dados do IBGE pode fazer estimativas da população animal utilizando os programas de informações geográficas e a razão de habitantes por animal que pode ser estimada pelos centros de controle de zoonose de cada cidade”, explicou.

Em São Paulo, os setores censitários foram agrupados de forma a compor os 96 distritos administrativos e as 31 subprefeituras da capital. Os pesquisadores estimaram a existência de 1,49 milhão de cães e 226,9 mil gatos domiciliados na cidade, totalizando uma população de cerca de 1,7 milhão de animais. As estimativas do estudo não incluíram a população de cães de rua, cuja cobertura vacinal é mais baixa.

Segundo os pesquisadores, que elaboraram uma série de mapas de densidade animal para organizar a distribuição espacial dos postos de vacinação na capital, 1.729 é o número total de postos necessários no município para atingir a cobertura vacinal de 70%.

“Além de evitar as epidemias de raiva e evitar a formação de filas nos postos, com essa distribuição é possível deslocar a quantidade exata de recursos financeiros e humanos em cada posto de vacinação”, disse Amaku.

A raiva é uma zoonose causada por um vírus do gênero Lyssavirus que ataca o sistema nervoso de todos os mamíferos, principalmente bovinos, eqüinos, suínos, cães, gatos e morcegos. Uma vez iniciada a sintomatologia não há tratamento efetivo conhecido, o que faz com que, na zona urbana, a prevenção da raiva canina e felina por meio de campanhas de vacinação seja o instrumento mais eficiente para o controle da raiva humana.

Serviço de qualidade
O Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo considera que, para não haver comprometimento da qualidade do serviço prestado, cada posto deve atender no máximo 700 animais por dia. Em 2002, cerca de 25% dos postos da capital paulista vacinaram um número superior a mil animais. “Esse grande número de animais em um único posto compromete a qualidade do serviço prestado e dá margem a problemas como brigas entre animais”, conta Amaku.

Dados de literatura estimam uma soroprevalência para raiva de 16,5% para os cães de rua da cidade de São Paulo. “Isso significa que apenas 16,5% dos cães de rua da capital paulista, cujo tamanho da população é ainda desconhecida, estariam protegidos contra a doença”, apontou.

“Essa baixa soroprevalência, associada à possibilidade de reintrodução do vírus rábico por outras espécies animais, é um fator que deve motivar um planejamento estratégico de vacinação e a manutenção de um sistema eficaz de vigilância epidemiológica nos municípios brasileiros”, disse Amaku.

O projeto de pesquisa que originou o método teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa e foi desenvolvido em parceria com pesquisadores do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo. Um artigo com a descrição da metodologia foi aceito e será publicado na Revista de Saúde Pública, editada pela Faculdade de Saúde Pública da USP.

Um software de sistemas de informações geográficas que pode ser usado para a aplicação do método, segundo Amaku, é o TerraView, disponibilizado gratuitamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e cujo lançamento da versão 3.0 Plus foi noticiado pela Agência FAPESP

Mais informações sobre o método pelo e-mail

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP

UERJ pesquisa remoção de petróleo e derivados em solo contaminado

Pesquisa desenvolvida pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro estuda a remoção de petróleo e derivados em solo contaminado, usando microorganismos e vegetais. Segundo um dos participantes da pesquisa, Sérgio Machado Correa, o objetivo é entender de que maneira se dá a remoção dos derivados do petróleo, tais como óleo cru, borra oleosa, óleos combustível, diesel e lubrificantes – mais pesados e por isso mesmo de difícil remoção.

O pesquisador salienta que a principal vantagem da técnica desenvolvida pela UERJ é que os processos de biorremediação e fitorremediação não geram efluentes que precisem de tratamento posterior.

Na técnica de biorremediação são usados microorganismos para degradar os poluentes em contato com o solo, sendo os derivados de petróleo e o próprio petróleo convertidos em gás carbônico e água. É um processo lento, mas não gera subprodutos e o custo é bem menor.

Já a técnica de fitorremediação faz uso de espécies vegetais, como mamona, girassol, soja, gramíneas e outras, em que os vegetais utilizam suas raízes, que também contêm microorganismos, para degradar os poluentes. Nesse caso, o vegetal usa o poluente como fonte de energia.

Para dar um exemplo da inovação da pesquisa, é possível essa descontaminação de outras maneiras, entretanto menos eficazes, como é o caso da remoção por metodologias físico-quimicas. Esta opção envolve a lavagem do solo com solventes que, embora possuam boa eficiência, movimentam grandes quantidades de solo e geram efluentes que precisam ser tratados posteriormente.

Trabalham na pesquisa, além do prof Sérgio Correa, as professoras Márcia Gomes e Denise Godoy. A pesquisa, que envolve os campi da UERJ de Resende e Maracanã, tem apoio da Faperj e do CNPq.

Fonte: Mônica Sousa / UERJ

Cem anos da imigração japonesa: História, memória e arte

Um século, múltiplas perspectivas
Há um século os primeiros imigrantes japoneses chegavam ao Brasil. Para resgatar essa longa interação cultural sob o ponto de vista da história, da psicologia e da literatura, um grupo de pesquisadores organizou o livro Cem anos da imigração japonesa: História, memória e arte, lançado na última segunda-feira (9/6).

A obra, que traz em 18 artigos reflexões de pesquisadores e artistas sobre a vivência dos japoneses em território brasileiro, foi organizada por Francisco Hashimoto, professor do Departamento de Psicologia Experimental e do Trabalho da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis (SP), Monica Setuyo Okamoto, professora do Departamento de Letras Modernas da mesma instituição, e Janete Leiko Tanno, professora de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná.

De acordo com Hashimoto, a idéia central do livro foi abordar o tema sob o ponto de vista de diversas áreas do conhecimento, uma vez que a vivência japonesa se deu em múltiplas dimensões.

“Queríamos sintetizar de alguma forma o significado desses 100 anos da presença japonesa no país. Optamos então por dividir a obra em três partes. A primeira reúne trabalhos voltados para a migração propriamente dita. A segunda retrata as memórias do imigrante e a última trata das manifestações artísticas”, disse Hashimoto.

A produção do livro demorou um ano. “Pesquisamos autores e artistas que trabalham com a temática sob uma perspectiva atual. Depois de muitos contatos, fizemos uma seleção dos artigos. O livro é voltado para o público em geral, mas especialmente aos pesquisadores, pois apresentamos uma extensa bibliografia com abordagens variadas”, disse Hashimoto.

Na primeira parte, com enfoque histórico, os artigos contemplam não apenas o movimento de imigração iniciado há 100 anos, mas também o retorno recente dos filhos e netos de imigrantes, conhecidos como dekasseguis.

“Tratamos profundamente as dificuldades ligadas à questão da identidade. O dekassegui, influenciado por pais e avós, constrói um imaginário no qual o Japão é seu país de origem. Quando chega ao país para resgatar esse componente identitário, descobre-se um verdadeiro estrangeiro”, salientou.

As questões de identidade e cidadania são predominantes nessa parte. “Um dos artigos, por exemplo, analisa as formas de sociabilidade de imigrantes e descendentes na sociedade paulista entre 1930 e 1970”, explicou o autor.

Além dos trabalhos de historiadores, psicólogos, poetas, literatos e artistas plásticos, a obra inclui narrativas pessoais, que aproximam o leitor da realidade psicológica nipo-brasileira. “Um olhar sobre a velhice: Um estudo com os imigrantes japoneses” e “Diários da viagem de retorno de um imigrante japonês à terra natal” são alguns dos artigos da parte dedicada à memória do imigrante.

As manifestações artísticas ligadas à migração foram tão relevantes, segundo Hashimoto, que mereceram compor uma das três partes do livro. “Na arte, criou-se algo singular, pois o imigrante trouxe consigo uma cultura que existia no Japão em 1908 e, depois de um século, construiu aqui uma outra manifestação artística muito diferente da que poderia ser desenvolvida no país de origem”, disse.

A última parte inclui artigos como “A arte dos nipo-brasileiros”, “História e ficção no romance Sôbô, de Tatsuzô Ishikawa”, “Entremeado: Literatura jun-nissei no Brasil” e “Canção da terra natal (Furusato no uta)”.

Mais informações: www.editoraunesp.com.br

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

UFF apresenta pesquisas e projetos para a indústria do petróleo

A Universidade Federal Fluminense (UFF) realizou uma sessão do Comitê Gestor Petrobras/ADDLabs-UFF para a apresentação gerencial da carteira de pesquisas e projetos desenvolvidos no período de novembro/2007 a maio/2008, além de receber novas solicitações e promover ajustes necessários ao planejamento em curso, decorrente do termo de cooperação tecnológica compromissado até 2011.

Durante o encontro, denominado HOA - Heads of Agreement e com periodicidade semestral, são apresentadas curvas de desempenho, prestações de contas, desvios e ações corretivas, atrasos e entregas realizadas. Também são discutidos futuros projetos e possíveis áreas de atuação do ADDLabs em desafios futuros para o desenvolvimento e modelagem de novos sistemas operacionais. A UFF é a única, entre as instituições de ensino e pesquisa conveniadas com a Petrobras com esse tipo de acompanhamento.

Novos reservatórios e novos poços trazem sempre nova s demandas e novos desafios, e a cada reunião do HOA o portfólio de projetos do ADDLabs UFF se amplia, exigindo o estudo, a pesquisa e o desenvolvimento de sistemas cada vez mais específicos. Em novembro de 2007, foi anunciada a sexta descoberta de petróleo na Bacia de Santos e, recentemente, a Petrobras informou sobre a estratégia de expansão das atividades de perfuração em águas profundas, com o início das operações previsto para antes de 2012.

O ADDLabs UFF, desde 1995, cria, desenvolve e aperfeiçoa tecnologia aplicada às demandas geradas pelo crescimento, ampliação e complexidade de questões ligadas à indústria do petróleo e, consequentemente, qualifica profissionais e técnicos com formação e experiência adequadas às especificidades e qualificação exigidas pelo setor.

O primeiro projeto desenvolvido pelo ADDLabs para a Petrobras foi um sistema de ar-condicionado para as plataformas off shore. Sua implantação, na época, traduziu uma economia da ordem de cerca de 30% do valor corrente de um projeto semelhante, desenvolvido na própria Petrobras. Desde então, o ADDLabs passou a desenvolver outros diversos sistemas e projetos para a Petrobras, explorando variadas vertentes da inteligência artificial. O Laboratório trabalha com a parte estrutural da organização de informações.

Até o final de 2007, 12 projetos desenvolvidos pelo ADDLabs foram incorporados pelas áreas de Exploração e Produção da Petrobras. Entre estes diversos sistemas e programas utilizados estão os que auxiliam os especialistas na determinação da idade geológica de uma rocha e/ou na identificação de uma rocha carbonática. Nesta trajetória, os interesses científicos se expandiram e, hoje, o ADDLabs UFF desenvolve projetos em várias áreas usando processamento de imagem, de linguagem - simbólico e subsimbólico, agentes autônomos e trabalho cooperativo.

A parceria ADDLabs UFF-Petrobras propiciou a criação da 'Central de Petróleo Inteligente', que consiste em sistemas baseados em aquisição de conhecimento. Usando técnicas de Inteligência Artificial – como os que utilizam agentes assistentes de tarefas, visam otimizar o processo de decisão inerente a qualquer domínio (Documentação Ativa), os que precisam da extração de dados durante a navegação na Internet (Mineração de Dados), os que utilizam reconhecimento de padrões sem qualquer mapeamento simbólico (Redes Neurais), ou de um padrão para chegar a uma solução conhecida e resolver um problema (Padrões de Interação), sistemas para domínios que demandam raciocínio qualitativo (Lógica Nebulosa) e sistemas que exigem alto esforço cognitivo (IHC).

As necessidades de utilização de um universo multi e interdisciplinar promove, em paralelo, o desenvolvimento de sistemas e produtos voltados para outras áreas do mercado, permitindo novos métodos de análise e oferecendo mais dinâmica aos processos de produção. integrando alunos e profissionais de computação, engenharia, física, matemática, lingüística, comunicação, biblioteconomia e outras disciplinas.

O investimento e as parcerias vão permitindo a incorporação de novas atividades de pesquisa e desenvolvimento, a ampliação do seu quadro funcional, a abertura de novas vagas de formação acadêmica e profissional, além do desenvolvimento de soluções de ponta de alta tecnologia para as empresas brasileiras, nas mais diversas áreas de negócios, entre as quais se destaca a própria Petrobras.

Fonte: UFF

Ministro de Cabo Verde fala sobre desafios de seu país

A série Diálogos Internacionais, que tem o objetivo de oportunizar o conhecimento sobre outras nações, traz hoje, 11 de junho, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidade de Cabo Verde, Victor Borges. Esta é a primeira vez que a autoridade vem ao Brasil em caráter oficial.

A palestra, marcada para as 14h30, no Auditório do Prédio da Reitoria, terá como tema os Desafios atuais da política externa de Cabo Verde. A abertura contará com a presença do reitor pro tempore da UnB, Roberto Aguiar; do embaixador de Cabo Verde no Brasil, Daniel Pereira; e da professora e assessora de Assuntos Internacionais da UnB, Ana Flávia Granja e Barros Platiau.

Maiores informações pelo telefone 3307 2036.

Fonte: UnB

Desafio é ampliar a base de empresas que realizam P&D

Luiz Antonio Rodrigues Elias chegou à secretaria executiva do Ministério da Ciência e Tecnologia em maio de 2007. Nessa posição, o economista e pesquisador do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual enfrentou uma tarefa árdua e bem sucedida: articular e preparar o Plano de Ação 2007-2010 do MCT, lançado em novembro do ano passado. Entusiasmado com o momento que vive a economia brasileira, Elias falou a Notícias.CGEE na semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, no BNDES, o Programa de Desenvolvimento Produtivo – que incorpora parte das metas do Plano de Ação. Na conversa, o secretário falou do estado da inovação no país e dos desafios a serem ainda superados para chegar a um dos objetivos do PDP e do Plano por ele articulado: elevar o dispêndio do setor privado em Pesquisa e Desenvolvimento dos atuais 0,5% do PIB para 0,65%.

Que intenção sustenta o Plano de Ação 2007-2010 do MCT?
É importante qualificar qual foi a lógica de construção do plano. Houve uma preocupação em estabelecer macrometas – que fossem objetivas, mas tivessem capacidade de evidenciar um processo de articulação, um movimento comum dentro do governo federal. Quando o ministro Sergio Rezende destacou a importância de construirmos um Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – uma demanda do Presidente Lula neste segundo mandato –, enfatizou a importância de o Plano não ser apenas do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), mas de representar a participação dos principais atores do Sistema Nacional de CT&I. O que fizemos, portanto, foi um processo de coordenação e de articulação mais ampla; consultamos todos os níveis e esferas com intersecção direta ou indireta com a área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Isso nos permitiu conhecer os pressupostos dos planos de alguns ministérios importantes – cito, por exemplo, o da Educação, o da Saúde e o da Agricultura, este na questão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Além disso, foi construída uma ligação direta com o Plano Plurianual (PPA), que é uma institucionalidade de planejamento do governo federal. Do lado das organizações estaduais, foi importante o trabalho mais estreito que fizemos com o Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação e com o Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa: não se pode falar em sistema nacional de CT&I sem levar em consideração a questão regional. Em outra esfera, discutimos com as associações de classe, científicas e empresariais. Cito o exemplo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que, por meio de seu conselho científico, discutiu conosco exaustivamente as atividades do Plano. Discutimos também com a Confederação Nacional e com algumas federações de Indústria. Isso deu uma lógica diferenciada para a construção do Plano. Ouvimos a sociedade de forma ampla, do ponto de vista sociológico, e a partir daí conseguimos construir um procedimento – estabelecer algumas metas específicas. As metas do Plano são muito claras – desde a formação de recursos humanos até a promoção da inovação nas empresas. Há a meta de chegar a 1,5% a razão entre o investimento em pesquisa e desenvolvimento e o Produto Interno Bruto (PIB). Esse número nos coloca em uma fase intermediária, já nos emparelhando com as economias avançadas. Na Política de Desenvolvimento Produtivo do Governo Federal, apresentada no dia 12 de maio, a meta estabelecida de se elevar o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) das empresas para 0,65% do PIB é a mesma do Plano de Ação em CT&I.

Essa meta foi abraçada pelo conjunto do governo?
A articulação é justamente o que caracteriza esse processo. A meta do Plano de CT&I foi discutida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), com o Ministério da Saúde, com o Ministério da Educação, com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), dentre outros parceiros do governo – tudo está interligado. O presidente da república foi muito claro ao afirmar que os planos sob a governança de cada um desses ministérios se interligam em uma visão sistêmica, que eles têm uma sinergia. O plano de ciência e tecnologia tem três focos. Há o foco da necessidade de modernização, que vai desde a ampliação da capacidade produtiva interna e da melhoria de processos e produtos, com a introdução da inovação. Outro foco foi o estabelecimento de metas muito claras e articuladas, nos níveis federal e estadual, para as entidades privadas, para alcançar investimentos em P&D que nos coloquem em uma fase intermediária avançada em termos tecnológicos, que aumente radicalmente a densidade tecnológica de nossas exportações – senão não seremos competitivos. Hoje ainda dependemos muito da exportação de commodities – embora com densidade tecnológica, mas commodities. É fato que o Plano de CT&I trata a interligação desses processos de forma sistêmica. Nessa visão é que foi construída a meta de 0,65% do PIB para o investimento privado em P&D. Essa lógica é que nos dá integração. Finalmente, em sua terceira vertente básica, o Plano de CT&I trata da dimensão regional, ou seja, considera espacialmente o país. A capacidade de recursos está aumentada e, para utilizá-la de forma eficiente, é preciso uma visão sistêmica integrada com as outras esferas do governo e uma visão integrada do aspecto espacial. Lembro-me de uma observação muito importante do mestre Celso Furtado, que dizia ser o país formado por uma constelação de regiões de distintos níveis de desenvolvimento, com uma grande heterogeneidade social e problemas sociais, portanto é fundamental diminuir as desigualdades para minorar o desequilíbrio do desenvolvimento do Brasil.

Que papel a P&D desempenhou até aqui?
A inovação é a força motriz do processo de desenvolvimento. Investimento e inovação são basilares nesse processo. Não se trata apenas de investir ou alocar de forma abrupta um volume de recursos sem identificar a inovação como fator chave para a competitividade. Um dos temas centrais no que tange ao desenvolvimento de nossa região tem sido compreender as razões de nosso relativo atraso tecnológico e as formas de superá-lo, com a adoção de políticas mais agressivas, que nos aproximem dos níveis de crescimento dos países desenvolvidos, associando produtividade e competitividade externa com geração de empregos de boa qualidade. Embora nos últimos anos tenha ocorrido nítido movimento de concentração das pautas de exportação e da produção em setores intensivos em recursos naturais, é inegável que também obtivemos vantagens expressivas na indústria de transformação. É crescente a participação dos setores intensivos em tecnologia na formação bruta de capital da economia brasileira. A capacidade da agricultura brasileira hoje se origina no fator inovação. Para o agronegócio brasileiro, a inovação é chave. A Embrapa desenvolveu um conjunto de sementes, de fertilizantes, de procedimentos de plantio, de qualificação; o campo se automatizou – fez a diferença. Na área do etanol, por exemplo, nós temos 30 anos de pesquisa no Brasil, o que nos permite ter um patamar completamente diferenciado de outros países. Por mais que os Estados Unidos invistam na pesquisa da produção de etanol a partir do milho, não atingem o grau de produtividade do etanol brasileiro, fator concorrencial decisivo no plano internacional.

E a indústria?
Se olharmos a pauta de exportação brasileira, vale destacar a manutenção da participação de setores associados à geração de desenvolvimento tecnológico com impacto na modernização da economia, no entanto a participação do setor petróleo e álcool tem feito um diferencial. O desafio consiste em potencializar esse efeito sobre a estrutura industrial. O agronegócio, por exemplo, puxa a cadeia produtiva da indústria – a automação, a de fertilizantes, toda a cadeia de empacotamento, que vai desde o papel à melhoria dos processos. Puxa toda a cadeia produtiva brasileira, e a indústria tem que se adaptar. Outra coisa é a densidade tecnológica – se esse diferencial aconteceu em alta densidade tecnológica no setor do agronegócio, não se deu na mesma velocidade em setores chave para a economia brasileira, que durante muitos anos tiveram impacto significativo na construção de toda a formação bruta de capital fixo no país. Por exemplo, não ocorreu na mesma velocidade na indústria automobilística. Não avançamos tão significativamente na microeletrônica do setor automobilístico, na estruturação de instrumentos para informatizar o processo automobilístico. Mesmo assim, avançamos. A importância da inovação é reconhecida pelos setores empresariais brasileiros. Na área de medicamentos genéricos, por exemplo, o estabelecimento da lei de genéricos levou as indústrias nacionais na área de fármacos a melhorarem sua capacidade de inovação em processo e produto. Isso é inegável. Tanto que a indústria de capital nacional atingia apenas 20% do mercado nacional de medicamentos, há alguns anos, e hoje atinge cerca de 35%. Os genéricos são competitivos com o medicamento internacional, produzido pela indústria farmacêutica internacional, a qual investe pesadamente em inovação. Tivemos, portanto, a capacidade de inovar. Tal capacidade, entretanto, precisa ser maior, o que subentende interligar todos os instrumentos existentes. É necessário, por exemplo, articular também, como foi dito pelo presidente Lula e pelo presidente da Petrobras no lançamento do PDP, o poder de compra do governo brasileiro. O MCT está fortemente empenhado em articular o poder de compra com os instrumentos existentes para formalizar a inovação nas empresas: usando a capacidade do país de comprar para induzir o processo da inovação; usando os instrumentos definidos no novo marco regulatório, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), como é o caso da subvenção econômica, para darmos musculatura a esse processo, que envolve risco tecnológico, e também garantir que a empresa possa crescer e inovar.

Só o MCT investiu na Pitce. Será assim também no PDP?
Há ministérios de coordenação e ministérios de coordenação e de implementação – principalmente por conta do que possuem. O MCT está tanto na formulação quanto na execução porque, dentre outras características, tem o braço dos fundos setoriais, que vêm sendo usados, por exemplo, em conjunto com o MDIC. O instrumento da subvenção econômica é regulamentado por uma portaria conjunta entre o ministro do Desenvolvimento e o Ministro Sergio Rezende. A discussão da política tem sido debatida e articulada entre a ABDI, o MDIC, o BNDES, a Finep e o CGEE. O MCT teve a capacidade de montar, anos atrás, uma arquitetura financeira muito bem solucionada – os fundos setoriais. Independente da matriz política existente, construiu um arcabouço extremamente favorável à consolidação do processo de C&T. O governo Lula deu uma nova roupagem a esse processo com a criação das chamadas ações transversais. Reestruturou, focou, determinou e deu um direcionamento mais forte àqueles setores em que somos mais competitivos, ou àquelas áreas estratégicas que adensam mais fortemente a cadeia produtiva brasileira. Em 2003, executamos cerca de R$ 300 milhões; em 2007, 1,4 bilhão de reais. É um diferencial muito grande para o sistema em poucos anos. Esses números dizem respeito somente aos fundos setoriais, mas a eles se agregam, ainda, o orçamento de outras ações do MCT, o orçamento das agências e aquele atrelado ao Ministério da Saúde, ao Ministério do Desenvolvimento, ao Ministério da Educação etc. O volume de recursos cresceu fortemente e, quando falamos que o Plano de Ação mobiliza 41 bilhões de reais, na realidade, estão incluídos nesse montante R$ 7,5 bilhões do BNDES, R$ 1 bilhão do Ministério da Saúde, R$ 3,5 bilhões da Educação, ou seja, recursos de um conjunto de atores. Essa engenharia de articulação nos permitiu, como ministério, ter participação mais forte na coordenação do processo.

Que face o sistema nacional de inovação terá ao fim da implementação do Plano de Ação?
É inegável que o governo Lula trouxe um ambiente extremamente favorável à inovação, como é inegável a contribuição dos fundos setoriais. A consolidação da lei de biossegurança, da lei de informática, da lei do bem, com os incentivos fiscais correspondentes, a subvenção, a lei de inovação, a interligação com os pesquisadores, a possibilidade de trazer o conhecimento das universidades para as empresas – tudo isso forma um ambiente extremamente favorável. Não há quem discorde disso. É esse processo que ajudará a consolidar o sistema nacional de inovação até 2010. O Plano fica como um marco assegurado, muito significativo, na questão regulatória e também na questão dos incentivos fiscais e da desoneração tributária prevista no PDP. Em 2010, haverá esse marco como uma determinação legal do presidente da república. Um segundo movimento é que esperamos alcançar em 2010 um patamar de formação de recursos humanos muito mais elevado. É uma determinação do Plano que exige sintonia muito fina entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para não deixar de consolidar as áreas de humanas – como lingüística, filosofia, letras –, mas se concentrar fortemente nas engenharias. Essa é a demanda do setor industrial para que o conhecimento chegue até eles. Já aumentamos o valor das bolsas e estamos expandindo, mais depressa do que o esperado, a concessão de bolsas para a área de engenharia. O governo federal também deixará uma estratégia para algumas áreas específicas que são importantes. Como exemplos, cito as áreas nuclear e espacial, que ganharam inegavelmente outra dimensão. Há uma questão tecnológica muito significativa – não é só o lançamento de um satélite, não é só a preparação para uma questão energética na área nuclear: estamos dominando o ciclo completo do combustível nuclear, e todo o processo espacial, o que nos permitirá entrar em uma esfera internacional em termos de lançamento e da possibilidade de imageamento de satélite para atender necessidades nacionais, tais como na agricultura. Temos também o avanço em biocombustíveis: o governo teve a capacidade de implementar o processo do biodiesel para a agricultura familiar e ao mesmo tempo de perceber a importância da cana-de-açúcar como elemento central de competição internacional. O Plano, espero, deixará consolidado um processo. Temos que construir as bases desse processo para podermos dar um salto para um nível acima do intermediário em termos de P&D. Tanto que na Política de Desenvolvimento Produtivo está muito clara a sinergia entre indústria e ciência, tecnologia e inovação. O governo deixa isso como uma política de estado consolidada. Com todo o avanço registrado no final dos anos 1990, com os fundos, hoje se tem claramente identificada uma articulação entre a política industrial e a política de ciência, tecnologia e inovação, o que é fundamental.

Qual é o lugar do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) no quadro da inovação no Brasil?
Desde a sua criação como organização social, o CGEE desempenha papel muito importante para a construção das políticas implementadas pelo Ministério. Na origem, foi criado para dar suporte permanente aos fundos setoriais, mas transcendeu isso. Na semana passada, fechei o plano de trabalho do CGEE e observa-se nitidamente que o Centro é um esteio importante para dar suporte a todas as políticas dos quatro eixos do Plano de Ação. O que fizemos no Plano de Trabalho do CGEE foi organizá-lo de acordo com as premissas e, principalmente, com cada um dos programas estratégicos mais importantes apresentados no Plano de Ação de CT&I. O CGEE vai dar suporte por meio de estudos e da contratação de consultores que possam nos ajudar a montar cenários e proposições de políticas factíveis. A partir disso, aplicaremos, com foco, com direção, com determinação e de forma estratégica, os recursos dos fundos setoriais. Portanto, o CGEE é um braço importante do Ministério na construção dessa política e no acompanhamento do Plano de Ação.

O MCT divulgou recentemente o relatório sobre as empresas que usaram incentivos da Lei do Bem. Foram 130 empresas. Qual é a sua avaliação desse número?
Até o ano passado, fui conselheiro do Conselho de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Contec; também tenho participado de outras reuniões com empresários – procuro sempre conversar com o setor industrial. Dessas conversas, penso que, de fato, temos um ambiente favorável à inovação, mas as empresas utilizam incentivos à medida que aumenta sua compreensão deles e que os julguem importantes no mix de seus investimentos. A Lei de Inovação e a Lei do Bem são marcos regulatórios recentes e estão ainda sendo analisados pelas consultorias internas das empresas. Por exemplo, os incentivos fiscais na lei de informática demandaram um tempo até serem completamente utilizados pela indústria. O mesmo está acontecendo com a Lei de Inovação e a Lei do Bem – sua aplicação tem sido crescente. O que tem chegado da Confederação Nacional e de algumas federações da indústria sobre os incentivos pede alterações muito pontuais. As empresas têm utilizado fortemente os instrumentos disponíveis, como, por exemplo, o programa de subvenção econômica: no primeiro edital, de 2006, foram apresentados 1.100 projetos e demanda de recursos de R$ 1,9 bilhão, com a contratação de 145 projetos, no total de R$ 272,5 milhões. Já no edital de 2007, foram apresentados, para uma oferta de R$ 450 milhões, 2.567 projetos e demanda de R$ 4,9 bilhões, com aprovação de 174 projetos, no total de R$ 313,8 milhões. Há uma gama de incentivos, de procedimentos jurídicos e tributários que as empresas vão trabalhando e escolhendo. A utilização deles, repito, tem sido crescente.

E quando todo esse movimento vai finalmente elevar o valor da taxa de investimento em P&D em relação ao PIB?
Esse é o nosso grande desafio. Já há um efeito muito grande de mudança na composição do investimento sobre a estrutura produtiva. O investimento direto das empresas no setor produtivo tem crescido de forma significativa. Em vários setores – petróleo e gás, siderurgia, automotivo, papel e celulose, a própria petroquímica, eletroeletrônica –, todos estão superando as taxas de investimento previstas anteriormente. Isso é muito importante. No período 2007/2010, segundo dados de mapeamento do BNDES, teremos uma trajetória de crescimento médio de 12,4% nos investimentos da indústria, o que garante um vigoroso ciclo de expansão. Isso é razoável. A política de desenvolvimento produtivo, com as metas, as desonerações que foram atreladas a ela em vários setores; a Lei do Bem e a Lei de Inovação; o marco regulatório da Lei de Informática e da Lei de Biossegurança significam que o investimento deverá ser crescente – já que isso tudo tem um tempo de maturação. Se, por um lado, o Brasil está importando máquinas e equipamentos em grande quantidade para atualizar seu parque industrial, por outro, ampliamos a formação de recursos humanos no país. A composição de investimento no Brasil, comparada com aquela dos países da OCDE quanto ao investimento em máquinas e equipamentos para atualizar seu parque industrial, mostra taxas que se assemelham, o que é um dado importante. O número de empresas inovadoras, de acordo com a Pintec, tem se elevado num ritmo menor, e aí está o nosso desafio: ampliar a formação de recursos humanos de alto nível e ao mesmo tempo a nossa capacidade de gerar conhecimento intangível. O nosso desafio não é só investir recursos; não é só aperfeiçoar o marco regulatório, o que também é importante; o desafio é aumentarmos o número de empresas que estão realizando P&D como atividade contínua na sua realidade do dia-a-dia. Esse fator é decisivo para a economia brasileira, pois a inovação é força motriz desse processo, única maneira de aumentar nossa competitividade global. Torna-se imprescindível integrar a política industrial à política de CT&I, estimulando as empresas a incorporar a inovação ao processo produtivo

Fonte: CGEE

Conteúdo técnico científico para o XVIII Seminário Nacional soma 108 trabalhos

A Anprotec recebeu este ano o maior número de artigos já registrado para um Seminário Nacional. Foram 108 trabalhos, sendo 96 do Brasil e 12 de país da Europa, Ásia e Américas do Sul e do Norte.

Dos artigos recebidos, 67 são completos, 20 curtos e 21 boas práticas. Cultura do empreendedorismo e inovação foi o tema mais abordado pelos autores, com 38 artigos; seguido por Promoção de empreendimentos orientados para o desenvolvimento local e setorial, com 36; Habitats de inovação sustentáveis, com dez; Promoção de empreendimentos orientados para o uso intensivo de tecnologias, com oito; Cultura empreendedora, com seis; Processo de incubação, com cinco; Gestão da incubadora, com dois; e Criação e planejamento de incubadoras de empresas, Infra-estrutura e serviços oferecidos pela incubadora e Políticas públicas, com um artigo cada.

Segundo o presidente do Comitê Científico do evento, Luís Afonso Bermúdez, além do aumento do número de trabalhos participantes da Chamada, também tem se notado uma melhora substancial na qualidade dos trabalhos. “Cada vez mais as pessoas de dentro das universidades estão direcionando suas teses para o tema incubação de empresas, daí a importância de saber analisar com maior critério. Felizmente, temos um comitê com formação acadêmica adequada para escolher os melhores trabalhos”, afirma.

A próxima fase da Chamada será a seleção e envio dos trabalhos, até o dia 28 de junho, para correção. Os autores que não fizerem as correções, caso solicitação do comitê, não poderão apresentá-los no evento.

Mais informações:(61) 3202-1555

Fonte: Anprotec

I Colóquio Mediações e Usos de Saberes e Informação - um diálogo França - Brasil

Está no ar o site do I Colóquio Mediações e Usos de Saberes e Informação - um diálogo França - Brasil.

A Rede MUSSI e o Colóquio Rio 2008
Esta primeira edição do Colóquio Mediações e Usos de Saberes e Informação: um diálogo França-Brasil terá lugar no Rio de Janeiro, Brasil, nos dias 4, 5, 6 e 7 de novembro de 2008.

O evento é organizado por pesquisadores brasileiros e franceses reunidos em torno da “Rede Franco-Brasileira de Pesquisadores em Mediações e Usos Sociais de Saberes e Informação – MUSSI”.

Esta rede é, ao mesmo tempo, o resultado de trocas estabelecidas entre pesquisadores e instituições dos dois países durante os últimos anos (publicações, colóquios, cursos, conferências, visitas etc.) e ocasião de fazer o balanço, aprofundar e alargar as colaborações e atividades da Rede MUSSI.

As mediações e a apropriação social de saberes, conhecimentos e informações são uma temática de pesquisa núcleo em Ciências da Informação na França e no Brasil. Ela permite interrogar a função histórica, epistemológica e institucional desse domínio de estudos, particularmente no que concerne à produção, organização e acesso aos conhecimentos que são produzidos e circulam em diferentes contextos civis, comunitários e organizacionais da sociedade.

As Ciências da Informação possuem um papel fundamental no momento atual para a formação de um espaço crítico nas sociedades modernas e complexas, hoje ditas “sociedades da informação, do conhecimento, da comunicação”.

A rede franco-brasileira de pesquisadores tem por missão propor eixos de pesquisa a fim de constituir espaços de debate sobre as questões da informação, levando em consideração os aspectos culturais, sociais, educativos, científicos e econômicos diferenciados de cada povo e de cada país.

Nesse espírito, este Colóquio se direciona aos pesquisadores em Ciências da Informação e outros domínios próximos: pesquisadores seniores; jovens pesquisadores (doutorandos e recém-doutores). Mas ele convida e acolhe também jovens estudantes ou profissionais do campo de estudos da informação, enquanto público participante dos debates.

Esta manifestação é também a ocasião de:
* criar um espaço de encontro e de diálogo entre pesquisadores brasileiros e franceses com respeito às questões científicas e práticas que atravessam o campo temático da rede MUSSI;
* discutir e divulgar as pesquisas com vistas a identificar as possíveis colaborações entre grupos, instituições, pesquisadores e estudantes inseridos em laboratórios e linhas de pesquisa dos Programas de Pós-Graduação no Brasil e na França.

O endereço de acesso é: www.coloquiomussi.cict.fiocruz.br

Fonte: Extralibris

Em 1943 foi patenteada a caneta esferográfica

No dia 10 de junho de 1943, László Biró, natural da Hungria, patenteou a caneta esferográfica. O jornalista já tinha tido a idéia em 1938, mas a Segunda Guerra Mundial atrasou o patenteamento.

Ninguém mais se lembraria do jornalista húngaro László Biró (1899–1985), se ele não tivesse inventado um objeto usado para escrever, conhecido hoje em todo o mundo: a caneta esferográfica. Já no século 19, foram muitas as tentativas vãs de desenvolver um objeto que escrevesse de forma tão suave quanto a caneta-tinteiro, mas que não manchasse ou borrasse.

Na época, Friedrich Nietzsche chegou a criticar a iniciativa, dizendo que tal caneta iria tolher o pensamento. "Se deixarem de existir as pequenas pausas para molhar a caneta no tinteiro, para recarregar a caneta e para secar a tinta, quando então se desenvolverão as idéias?", perguntava ele.

Incerteza sobre fonte de inspiração
Pois eram justamente essas pausas forçadas que irritavam o jornalista Biró. Ele queria criar algo melhor. Conta-se que ele teve a idéia quando os colegas de escola de sua filha mancharam os cabelos dela com um tinteiro.

Outros garantem que ele descobriu o caminho para desenvolver a caneta esferográfica na oficina do jornal em que trabalhava, em Budapeste, ao observar o funcionamento das máquinas rotativas, cujos cilindros se empapavam de tinta e imprimiam no papel o texto neles gravado.

Seja qual for a origem da invenção, fato é que, depois de anos de tentativas, Biró, juntamente com seu irmão György, criou em 1938 uma caneta recarregável com uma ponta arredondada de metal no lugar da pena da caneta-tinteiro. A tinta foi acondicionada num tubo plástico. Devido à força da gravidade, a tinta umedecia a esfera, e esta, ao girar, a distribuía de modo uniforme pelo papel sem sujar os dedos ou provocar borrões.

Aperfeiçoamento na América do Sul
Durante a Segunda Guerra Mundial, Biró e sua família fugiram da Hungria, indo primeiro para Paris e depois para Buenos Aires. O então presidente da Argentina ficou tão impressionado com o invento que propôs a Biró produzir a caneta no país.

Foi justamente na América do Sul que o jornalista húngaro teve a idéia de substituir a tinta por uma pasta líquida. Novamente Biró começou a fazer experimentos até desenvolver a consistência ideal da pasta líquida e conseguir que uma firma sueca lhe enviasse as esferas móveis com a precisão necessária.

No dia 10 de junho de 1943, László Biró recebeu a patente da primeira caneta esferográfica como a conhecemos hoje em dia. Um ano mais tarde, apareceram as primeiras esferográficas no mercado argentino.

O sucesso se fez sentir ainda durante a guerra: até a Aeronáutica inglesa adotou as canetas, pois nem a altitude nem a variação de pressão interferiam no desempenho do objeto.

A explosão de vendas aconteceu nos Estados Unidos. No lançamento no mercado americano, em 1945, as primeiras 10 mil canetas esferográficas foram vendidas em 24 horas, apesar do elevado preço de mais de 8 dólares a unidade.

O seu inventor, entretanto, não teve participação nos lucros. Biró já havia vendido sua patente por 1 milhão de dólares. Em contrapartida, o comprador, o francês barão Marcel Bich, cuja firma BIC lidera o mercado mundial de esferográficas, se tornou bilionário. (Carsten Heinisch (ms))

Fonte: DW

Argamassa ambiental para construção civil

O Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), órgãos do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), desenvolveram projeto de uma argamassa ambiental.

Segundo as instituições, trata-se de alternativa ecológica e econômica às 720 toneladas de resíduos finos (“pó de rochas”) lançadas mensalmente pelas serrarias de rochas ornamentais nos riachos e rios do município de Santo Antônio de Pádua (RJ).

O resultado prático do estudo dos dois institutos de pesquisa é a inauguração, nesta quarta-feira (11/6), da primeira fábrica de argamassa ambiental no Rio de Janeiro.

A empresa Argamil investiu R$ 8 milhões na instalação da fábrica em Santo Antônio de Pádua, e o Banco de Fomento do Rio de Janeiro (Investrio), R$ 2 milhões para viabilizar o projeto. A fábrica tem capacidade de produzir 1,24 tonelada por mês do produto. A iniciativa também conta com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Os institutos avançaram na pesquisa da argamassa ambiental a partir da utilização dos resíduos produzidos pelas serrarias que cortam, à beira dos rios, rochas conhecidas como pedras miracema e madeira, para aproveitamento em revestimento de pisos e paredes na construção civil.

A nova técnica, além de reciclar a água poluída, gera um resíduo sólido que, após secagem, pode ser utilizado na formulação da argamassa. Segundo o Cetem, a argamassa ambiental permitirá economia de outras substâncias minerais como a cal ou o calcário, que serão substituídos pelo pó de rocha na formulação da argamassa.

Mais informações: www.cetem.gov.br

Fonte: Agência FAPESP

2º Programa Especial em Ética na Pesquisa - Experiências relacionadas à ciência, tecnologia e inovação

Estão abertas até 17 de junho as inscrições de trabalhos para o 2º Programa Especial em Ética na Pesquisa, que terá “Experiências relacionadas à ciência, tecnologia e inovação” como tema central.

O evento, promovido pela Universidade Federal do Ceará (UFC) de 14 a 16 de agosto, em Juazeiro do Norte, deverá promover a divulgação de trabalhos em todas as áreas do conhecimento e assim fomentar a pesquisa na UFC.

Segundo a organização, o objetivo é reunir pesquisadores das mais diversas áreas para, por meio de uma abordagem transdisciplinar, congregar discussões sobre a produção e o desenvolvimento do saber, onde a ciência, a tecnologia e a inovação estabelecem o pensar crítico sobre os princípios e procedimentos suscitados pela ética na pesquisa.

Mais informações: www.campuscariri.ufc.br/portal/evento

Fonte: Agência FAPESP

UE premia instituições brasileiras que participaram do FP7

Hoje a Comissão Européia - órgão executivo da União Européia (UE) - premiará instituições brasileiras que participam de projetos do maior instrumento europeu de financiamento em ciência e tecnologia, o 7º Programa-Quadro de Pesquisa e Desenvolvimento (Seventh Framework Programme - FP7). O evento acontecerá durante todo o dia na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

A premiação se destinará às instituições do país que participaram dos primeiros editais do FP7, que dura de 2007 a 2013. Além da premiação, haverá apresentações sobre o FP7, análise da participação brasileira, cases de projetos em andamento, debate sobre o papel dos pontos de apoio ao Programa no Brasil e treinamentos futuros sobre elaboração de projetos

Dentre as organizações brasileiras que participam de projetos com a União Européia estão: Fiocruz, Universidade de São Paulo (USP), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Centro de Excelência em Tecnologias Avançadas do Senai (Ceta), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Vivo, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM), Comitê para a Democratização da Informática (CDI), Inmetro, Embrapa e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O FP7, apesar de ser um programa de financiamento de C&T da União Européia, apresenta uma grande janela para a cooperação internacional. O orçamento total do programa, que se divide em 5 grandes áreas - Idéias, Cooperação, Pessoas, Euratom e Capacidades - é de 51 bilhões de euros. O Brasil ocupa uma das primeiras posições em participação no FP7.

Os projetos são aprovados por meio de editais lançados anualmente em 10 áreas do conhecimento: saúde, alimentos e biotecnologia, tecnologias da informação e comunicação, nanotecnologia, energia, meio ambiente, transportes, ciências humanas, espaço e segurança. As equipes são montadas em consórcios com instituições de países europeus e de fora da UE, dependendo da exigência de cada edital. Os financiamentos são concedidos mediante subvenções que podem chegar até 75% em casos de entidades sem fins lucrativos, a fundo perdido.

Para mais informações sobre o 7º Programa-Quadro, consulte o site do Bureau Brasileiro para Ampliação da Cooperação Internacional com a União Européia (B.Bice): www.bbice.cgee.org.br

Serviço:
Premiação Projetos de cooperação em C&T Brasil - União Européia
Local: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Anfiteatro da Escola Politécnica (EPSJV)
Av. Brasil 4365 - Manguinhos
Rio de Janeiro - RJ
Horário: 9h30 às 16h30

Fonte: ANPEI

Inscrição no Enem só até esta sexta-feira

As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terminam na próxima sexta-feira (13) e podem ser feitas nas agências dos Correios ou pela internet. A prova será aplicada no dia 31 de agosto, às 13h (horário de Brasília).

Podem participar do exame alunos que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio. Todos os estudantes concluintes de escolas públicas, além daqueles declarados carentes - egressos ou estudantes de escolas particulares - não pagam a taxa de inscrição, cujo valor é de R$ 35,00.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), as escolas que preencheram o Censo Escolar de 2007 já têm as fichas de inscrição. Os alunos da rede pública podem retirá-las, preenchê-las e entregá-las em uma agências dos Correios.

Quem estuda em escola particular, antes de entregar a ficha preenchida nos Correios, deve pagar a taxa de inscrição em qualquer agência bancária. Os alunos que já concluíram o ensino médio podem retirar a ficha nas agências dos Correios.

Os estudantes que optarem pela inscrição pela internet devem acessar a página www.inep.gov.br ou www.enem.inep.gov.br/inscricao, preencher a ficha e imprimir o comprovante.

Dados do MEC mostram que cerca de 794 mil estudantes já se inscreveram para o exame apenas pela internet. No ano passado, foram registrados mais de 3,5 milhões de inscrições contra pouco mais de 157 mil na primeira edição.

O Enem é o único critério de seleção para que estudantes que atendam às exigências socioeconômicas possam concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para Todos (Prouni). Cerca de 500 universidades em todo o país já utilizam o resultado do exame como critério de seleção para o ingresso de candidatos no ensino superior - como complemento ou mesmo substituindo o vestibular.

Fonte: Paula Laboissière / Agência Brasil

Conferência “Budismo - 100 anos no Brasil”

Conferência sobre budismo comemora os 100 anos da imigração japonesa no Brasil

O Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões (Proeper), ligado ao Centro de Ciências Sociais, promove, no dia 17 de junho, a Conferência “Budismo - 100 anos no Brasil”, em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil. A conferência acontece das 18h às 20h, no Auditório 11, 1º andar do Pavilhão João Lyra Filho.

Além da palestra haverá uma cerimônia budista e apresentações de ioga, danças orientais e meditação. O conferencista será Antonio Carlos Rocha, Monge Hakuan, representante do HBS – Honmon Butsuryo-Shu, Budismo Primordial.

Fonte:Leticia Rocha / UERJ